Os dias se arrastavam lentamente. O mês de março entrou sem ser percebido. Nenhuma novidade. Nem mesmo o aniversário de Rony conseguiu animá-los e nunca fora tão indiferente para o ruivo completar anos. Tudo parecia monótono demais. Das aulas para o salão comunal, dos livros para a cama. Essa era a rotina universal adotada pelos alunos do sétimo ano. Há muito Hermione não sabia o que era pegar no pé de Rony para ele estudar. Era comum vê-los juntos até tarde no salão comunal estudando.
Já haviam se acostumado com a ausência de Harry. Ele passava apenas o tempo que julgasse necessário na presença de Hermione. Sim, porque Rony percebera que não havia objeção alguma à sua presença. E não restavam dúvidas ao ruivo: algo de muito sério havia acontecido entre os amigos.
Ele preferira não se meter. Agia naturalmente, estando eles juntos ou separados. Afinal, o que ele tinha a ver com aquilo? Certo, ele era amigo de ambos, mas não tinha direito de procurar saber mais que o necessário. Quando eles estivessem à vontade para contar, contariam; ele tinha certeza.
Naquele exato momento, estavam os três e Gina ocupando uma mesa a um canto do salão comunal. Minutos atrás, Hermione dava instruções e explicava algo sobre as grandes batalhas e revoluções do mundo bruxo, mas agora apenas se ouvia o farfalhar das penas sobre os pergaminhos.
- Mione, em que ano...?
- A Comissão em 1365 a.C. e a Revolta em 1352 a.C. – Hermione respondeu antes mesmo de o ruivo completar a pergunta, sem tirar a atenção do próprio pergaminho.
- Na verdade, eu queria saber sobre a segunda Revolta. – ele murmurou.
- Me deixa ver isso. – Hermione tomou o pergaminho do amigo e examinou-o atenciosamente.
- Não há datação exata para o início ou final da segunda Revolta, acho. – Harry murmurou.
- Harry está certo, Rony. – Hermione comentou, balançando a cabeça negativamente com os olhos ainda presos nas linhas do pergaminho do amigo. – No entanto, você pode dizer que Nicholas Johnny William Joseph Galahad, mais conhecido apenas como Nicholas Galahad, foi quem encerrou a segunda grande revolta dos duendes. Vale ressaltar que por isso, ele foi condecorado com a Ordem de Fibonacci, primeira classe.
- Quem é esse Nicholas Galahad? – perguntou Gina curiosa. – Já ouvi falar nele, mas não me recordo de onde...
- É um ex-diretor da Academia Stregheria de Magia, uma das mais tradicionais escolas de magia da Europa. – respondeu Harry de imediato.
- E também o fundador do Ministério da Magia Italiano. – Hermione acrescentou. – Sem falar, é claro, que é autor da Enciclopédia da Magizoologia e do livro Aritmancia para Iniciantes. E acho que foi aí que ouviu falar dele, Gina – concluiu.
- Como você consegue saber de tudo isso? – Rony perguntou. – Sério, sem brincadeira. Você, Hermione, parece uma enciclopédia humana!
- Não precisa exagerar, Rony. – a morena riu. – Vamos voltar ao trabalho. Se concentre e procure desenvolver a redação do seu tema.
- Bem que essa revisão poderia ficar de fora, não é? Pra quê eu vou usar História da Magia na minha vida eu ainda não consegui descobrir. Sem falar que o professor Binns já passou dessa para melhor há séculos!
- Sinceramente, dessa vez devo concordar com o Rony. Acho que os N.I.E.M.’s de História da Magia são totalmente dispensáveis para vocês, que querem ser aurores. E para mim também serão, futuramente. – Gina comentou.
- Talvez os aurores tenham que conhecer o que os antigos aurores enfrentaram, não? – Harry replicou. – No entanto, nós só temos aula de História da Magia uma vez por semana, e só voltamos a tê-las depois que voltamos do recesso.
- Ok, que seja! Não vejo utilidade real em saber que alguns séculos antes de Cristo, quando nem nossos ascendentes mais distantes sonhavam em pisar na Terra, houve uma revolta dos duendes. – murmurou um Rony exasperado.
- Talvez se não conhecêssemos essas coisas que aconteceram há tanto tempo, não entenderíamos o porquê de a sociedade bruxa ter mudado como mudou para chegar onde estamos hoje. – Hermione retorquiu.
- Talvez! Vocês vivem de “talvez”, não é?
Hermione revirou os olhos.
- Pelo amor de Morgana, Rony! Vamos voltar às nossas redações, porque estava muito bom até essa discussão ridícula começar. – Gina fez num tom falsamente suplicante.
- Realmente, discutir isso não vai mudar o fato de o prof. Binns ter passado redações de diferentes temas para cada aluno. – Harry concordou. – Muito menos apagar as duas grandes revoltas dos duendes da história, certo?
E o silêncio voltou a reinar entre eles. Não demorou até que alguém voltasse a se manifestar.
- Bom, eu terminei o meu dever de Transfiguração, então... acho que já vou, ok? – Gina disse, levantando-se. – Mais tarde nos vemos. No jantar. – acrescentou, antes de se afastar e sumir pelos degraus.
- Hermione, o que é isso que você está fazendo? – Harry indagou.
- O dever que Snape passou. – ela respondeu, como se fosse algo óbvio.
- Mas isso é para daqui a duas semanas! – Harry replicou.
- É bom que assim terei mais tempo livre para mim. É sempre bom relaxar um pouco.
- Eu acho que você não está relaxando. – Rony murmurou, os olhos arregalados.
- E isso? – Harry puxou o pergaminho debaixo do que ela escrevia, que veio acompanhado de outros pergaminhos. – Você já fez a de Defesa Contra as Artes das Trevas, a de Transfiguração e a redação de História da Magia... todos? – o moreno parecia realmente surpreso.
- Hum... É o que parece, não? – ela fez. – Bom, talvez se vocês se concentrassem mais teriam feito tudo isso também. O que eu estou fazendo é simples... não acumulando afazeres!
- Claro, bem a sua cara. – Rony riu. – Mas você não vai me obrigar a fazer tudo hoje, não é? Você vai ser boazinha. Hoje ainda é segunda-feira.
- Tudo bem, mas amanhã mesmo você vai fazer. – ela respondeu. – Você é liberado mais cedo das aulas às terças. E como seu horário de ronda é somente às quartas-feiras... Acho que você poderia adiantar tudo isso, não?
- O que eu poderia dizer? Se eu disser “não”, certamente você vai me obrigar, então...
- Ótimo. – ela riu.
- Que dia é o casamento do Sirius? – perguntou o ruivo após um longo instante de silêncio.
- Logo no primeiro fim de semana da primavera. – Hermione respondeu quase que automaticamente. – Creio que sairemos no sábado pela manhã. Talvez Amy avise algo até lá.
- Festa! – os olhos de Rony pareceram brilhar.
- Bom, eu terminei. Vou deixar as coisas lá em cima e volto para irmos jantar, certo? – Harry avisou.
- Tudo bem. – Rony e Hermione concordaram em uníssono.
- Você pode levar meus livros, Harry? – o ruivo adiantou-se.
- Eu estou subindo mesmo, não é? – o moreno concordou.
- Valeu, amigão! – Rony deu algumas tapinhas nas costas do amigo.
- Hermione? – Harry dirigiu-se gentilmente à morena.
- Oh, não. Não quero incomodar...
- Não é incômodo nenhum, Mione. – o moreno replicou. – Dê-me sua mochila.
- Tem certeza?
- Dê-me sua mochila, Hermione. – ele insistiu.
- Ok. – ela puxou a mochila e entregou ao amigo. – Obrigada.
Ele apenas assentiu e subiu as escadas.
- Esse ano está meio “paradão”, não é? – Rony fez.
- O que você queria, Rony? Estamos no sétimo ano, temos que estudar.
- Não é justificativa. Ano passado nós tivemos dois bailes, e os setimanistas participaram de ambos.
- Bom, então não faço a menor idéia de por que Dumbledore não o fez esse ano. Mas no quinto ano também não tivemos, esqueceu-se? No entanto, os alunos do sétimo ano sempre têm bailes após a formatura. O ano não vai passar em branco, acredite.
- Em pensar que está acabando... Em pouco mais de três meses estaremos voltando para casa.
- Nem me lembre, Rony... Nem me lembre! – Hermione murmurou pensativa.
- Como você se imagina daqui a dez anos? Não... Menos. Nove anos?
- Grande diferença, não é? – Hermione riu. – Não sei. Sério, não consigo imaginar onde ou como estarei daqui a seis meses... Que dirá daqui a nove anos! – ela respondeu.
Ela poderia estar fora do país, casada e com filhos, ou ser apenas uma solteirona em Londres. Assim como poderia estar viajando o mundo todo. O futuro dela era incerto. Talvez ela nem estivesse viva. Sentiu um calafrio ao pensar na hipótese.
- Na verdade, eu prefiro sequer arriscar um comentário ou pensar sobre isso. – ela finalizou.
O silêncio novamente reinou.
- O Harry está demorando. – a morena comentou cerca de dez minutos depois. Não houve resposta.
Procurou o olhar de Rony. Percebeu que falava sozinha. O ruivo se afastara e parecia bastante absorto em uma conversa com Lilá Brown. Continuou ali, observando-os. Imaginou se Rony já começara a se desprender de Luna. Sabia que o amigo, embora fosse um tanto quanto bobo para determinadas coisas, tinha um senso muito aguçado de quando as coisas não estavam bem. Certamente já sabia que a namorada estava diferente e que talvez não durassem muito.
Foi tirada bruscamente de seus pensamentos ao notar que havia uma coruja parda na janela. Ela não batia nem se movia; sequer piscava. Apenas esperava que fosse notada. Levantou-se e abriu a janela, tomando-lhes o pergaminho enrolado que trazia.
“Harry”, pensou. “Ele ainda não voltou”.
Lançando um último olhar a Rony, subiu as escadas. “Ele nem vai sentir a minha falta mesmo”, pensou enquanto seguia para o seu quarto.
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Harry não se demorara no dormitório masculino. Deixara os livros dele e de Rony sobre as pequenas escrivaninhas ao lado de suas respectivas camas e saíra logo em seguida. Estava pronto para descer as escadas e retornar ao salão comunal, mas tomou o rumo contrário para ir até o quarto de Hermione e deixar seus livros.
Não retornara ali desde a noite do dia dois de fevereiro, quando tivera de terminar o relacionamento de um ano com a amiga. Em sua cabeça, aquele fora mais um lugar que marcara o romance de ambos e ele não queria lembrar que fora tão feliz ao lado dela e agora já não podia mais compartilhar dessa felicidade por conta de algo que ela sequer sabia.
Pensara em contar-lhe por diversas vezes, mas era o mesmo que magoá-la ainda mais, sem falar que ela certamente o condenaria pelo seu ato superprotetor. Ele a amava demais para vê-la ameaçada. Não queria perdê-la, mesmo que isso significasse o sacrifício daquele amor. Não que quisesse apagá-lo; ele era forte demais para simplesmente acabar assim. Apenas tinha medo.
Estava à porta do quarto da morena. Hesitou antes de esticar o braço e tocar a segunda pedra à direita da porta. Ela não era como as outras, dando aparência de ser defeituosa; parecia um tanto desalinhada em relação às outras.
Com seu toque, a pedra girou e deixou à mostra um buraco em seu interior, onde estava a chave do quarto. Colocou a chave na fechadura e girou, ouvindo o breve e abafado estalido. Respirou fundo e adentrou o quarto.
Estava totalmente arrumado, como sempre estivera. Sobre a escrivaninha, ele reparou, sua foto com a amiga já não estava presente. Estava ali apenas uma foto onde estava ela e os pais no ano novo, uma foto do trio no seu segundo ano em Hogwarts e uma terceira, dela com Amy, que assumira definitivamente o posto de sua melhor amiga.
Sentiu um calafrio perpassar sua espinha ao pensar no que o Sr. Granger diria se soubesse como de tudo que acontecera; se é que já não sabia. Sentiu-se mal por ter, de certa forma, o desapontado. Sim, porque ele, Stan Granger, dissera a Harry que o considerava uma excelente escolha de sua filha, sabendo que ele a faria feliz. Sentiu-se ainda mais culpado.
Ele, Harry, teria se decepcionado se por acaso depositasse tamanha confiança em alguém e, ao contrário, esta pessoa o fizesse sofrer ou algum mal.
Mas tranqüilizou-se por perceber que Hermione já aceitara a idéia de não estarem mais juntos, o que era um alívio. Por outro lado, temia que ela já não o amasse como antes. Sabia que se consideraria um estúpido se tivesse perdido o amor da garota com tudo o que fizera. E aí, ele não se perdoaria jamais.
Depositou os livros e a mochila da amiga sobre a escrivaninha e virou-se para tomar o rumo da porta quando a morena adentrou o aposento.
- Harry, acho que isto é para você – ela disse, lhes estendendo o pergaminho. O garoto tomou-o da mão dela, com uma expressão confusa. – Uma coruja acabou de deixar e não há remetente.
- Obrigado. – ele agradeceu enquanto abria a carta.
Harry,
Talvez estranhe estar recebendo uma mensagem minha através de uma carta, mas eu não estou com meu “caderno”, entretanto, isso não impede que eu me corresponda com você. Andei pensando nos últimos dias sobre a suposta ameaça e vi que você pode ter-se precipitado em sua decisão. Sei que nada que eu diga fará você mudar de idéia, afinal, você não é tão maleável quanto gostaria que fosse... Mas pelo menos gostaria de provocar-lhe uma reflexão.
Você já parou para pensar que se Voldemort realmente sabe de alguma coisa sobre você e Hermione, ele certamente não mudaria de idéia caso você se afastasse dela? É certo que mesmo separados, você ainda a amaria e ele não é burro. Procure enxergar pelo lado que agora te apresento e verás que eu posso estar certa. O que te faz imaginar que levaria aquela criatura pútrida a usar de Hermione para atingi-lo? A importância e o significado que ela tem para você, é lógico!
Portanto, mesmo que ele não soubesse de nada, ela continuaria sendo a sua principal vítima. E você deve estar se perguntando “Por que não o Rony?” e eu respondo: porque ela é uma garota, Harry. E você se preocuparia ainda mais com ela neste caso. E depois do que foi noticiado no Profeta Diário pela Skeeter, suponho que ele concluiu que ela teria assumido uma importância muito maior para você por estar mais próxima que Rony, agora que ele está com Luna, não concorda?
Resumindo: a atitude dele ao mandar aquela foto foi justamente amedrontá-lo, mas isso não quer dizer, em momento algum, que ele saiba sobre o relacionamento de vocês.
Agora fico pensando... Já imaginou se você cometeu um erro ao terminar de uma maneira tão fria e repentina com Hermione e agora pode não haver chances de voltar atrás? Não, não é o que você está pensando. Ela ainda o ama profundamente, tanto quanto pudesse amar antes. Refiro-me ao fato de ter dito que você não a ama mais. Consegue imaginar o quanto a machucou com isso? Sabe, isso não é o pior. Desta vez, você conseguiu que ela aceitasse o fim. Ela, de alguma forma, sente que você a ama, mas já passa a acreditar que o contrário é o mais provável. E agora temo por você. Por vocês. Talvez a sua atitude tenha a feito acreditar que é definitiva a sua decisão. E você deve estar pensando... agora, você tem que levar isso adiante, já não pode pensar em consertar o que disse e fez.
E eu, sinceramente, devo concordar com você. Nada do que você disser agora mudará o que ela está sentindo. Também devo dizer que acredito que o melhor seja levar sua decisão à frente, pelo menos por enquanto. Ao final, vocês conversarão e se entenderão de alguma forma. E aí é que você tomará a sua decisão final. Não faça nada agora, apenas haja naturalmente, porque penso que ela está contigo nesse exato momento.
Sim, eu sei que vocês assumiram a antiga postura de amigos, e que agora compartilham de uma parte do tempo de vocês. Mas o que me faz acreditar que está na presença dela enquanto lê essa carta é o fato de que ela deverá chegar pouco antes do jantar e certamente estarão juntos, prontos para descer rumando ao Salão Principal. Portanto, repito: haja naturalmente ao terminar de ler esta carta.
E se ela perguntar o que diz, diga que no dia 21, sexta-feira, depois do almoço, eu irei buscá-los aí para o casamento de meus pais. E diga também que não se preocupe, pois neste dia não terão aula, já que no dia 20 terão o Baile da Primavera. É claro que Dumbledore não sabe que sei, mas acabei ouvindo de seus planos por acaso.
Um grande beijo, e se cuida, ok?
Com carinho,
Amy
Harry ergueu os olhos para a direção de Hermione, perplexo. Não conseguia imaginar como Amy poderia ser tão segura das coisas que dizia, e muito menos como sempre acertava em suas suposições.
Hermione encarava-o intrigada. De certo curiosa.
- Quem mandou? – perguntou dando um passo à frente. – Se quiser ou puder responder, é claro. – acrescentou rapidamente dando um sorriso nervoso.
- Amy. – ele respondeu. E continuou, antes que perguntasse: – Ela diz aqui que virá nos buscar no dia 21 depois do almoço para nos levar à casa de Sirius.
- Mas 21 é uma sexta-feira. – Hermione replicou.
- Por isso mesmo, ela pediu que a tranqüilizasse. Teremos um Baile de Primavera no dia anterior, segundo ela informou. Logo, não haverá aula na sexta. – ele concluiu.
“Não é só isso. Ele demorou tempo demais para ler apenas isso”, concluiu em pensamento.
- Acho melhor descermos, ou chegaremos atrasados para o jantar. – Harry disse rápido.
“Rápido demais”, Hermione pensou.
- É, você está certo. – ela concordou antes de ir até a porta e abri-la esperando-o passar para depois fechá-la atrás de si.
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- Baile? – fez Gina boquiaberta. Eles estavam jantando no salão principal. – Quando e como souberam disso?
- Amy. Ela ouviu Dumbledore falar com alguém sobre isso e acabou avisando na carta onde informava que vinha nos pegar no dia 21, como dissemos. – disse Harry. – Mas ninguém além de nós sabe, então...
- Pode deixar! – Gina fez como que passasse um zíper na boca.
- E quando Dumbledore pretendia avisar? – perguntou Rony.
- Quem sabe? – fez Hermione. – Mas ele não pode se demorar a fazê-lo, mesmo por que, as alunas mais novas precisarão arranjar vestes de baile, não é? Nós setimanistas já trazemos porque temos o baile de formatura.
- É, e no meu caso, trago porque tenho um irmão e o namorado concluindo os estudos em Hogwarts. – Gina disse em tom brincalhão.
- Mas nem todas são prevenidas assim, Gina. – Harry replicou. – Acho que teremos, em breve, um fim de semana em Hogsmeade.
- É a melhor parte... Compras! – os olhos de Gina brilharam.
- Mas você não trouxe um vestido? – Rony indagou, os olhos arregalados.
- Rony, não pega bem vestir a mesma roupa em duas festas com as mesmas pessoas. – Hermione respondeu calmamente, como explicasse a uma criança que dois mais dois são quatro. – Eu também terei de comprar um vestido novo. Por sorte meus pais me deram uma boa quantia em ouro bruxo antes de voltarmos do recesso.
- Eu tenho alguma coisa guardada, também. – Gina murmurou. – Acho que dá e sobra.
- Vocês mulheres são complicadas, isso sim. – Rony revirou os olhos bufando.
- É a vantagem de ser homem, poder usar sempre a mesma roupa em qualquer festa sem problema algum. – Harry assentiu.
- No entanto, a mulher é quem é o lado vistoso do morfismo humano, portanto, se não fossem essas “complicações”, não estaríamos bonitas e bem arrumadas. – Hermione retrucou rindo.
- Muito menos teríamos esse status. – Gina finalizou. – E vocês não podem negar... Sem uma “mulher complicada”, não vivem. – a ruiva riu gostosamente.
Harry e Rony se entreolharam espantados com a afirmação e aparentemente sem palavras para retorqui-la. Apenas encolheram os ombros e assentiram, fazendo Hermione e Gina rirem ainda mais.
- Harry, você vai com a Mione, não é? – Gina alfinetou muito séria o rapaz.
Hermione arregalou os olhos e encarou a ruiva, em seguida pousando seu olhar em Harry, enquanto mastigava lentamente o pedaço de carne que colocara na boca segundos antes.
O moreno se engasgou, mas com um pigarro conseguiu se recompor.
- Hum? – foi a única coisa que conseguiu emitir.
- É claro, Gina! Que pergunta cretina! – Rony se intrometeu e baixou a voz. Hermione parou de mastigar imediatamente. – Eles são namorados.
Harry olhou para Hermione, que ainda encarando-o voltou a mastigar e baixou os olhos para o prato. Juntou o restante da comida e pôs a última garfada na boca. Depois de engolir, tomou um gole do suco e voltou a encará-lo. Ele ainda a observava.
Viu as sobrancelhas do moreno se erguerem e, com um mínimo sorriso, ela assentiu quase que imperceptivelmente.
“Ainda somos amigos, não?”, pensou sabendo que ele leria sua mente.
“Fico feliz em saber que não guarda mágoas para comigo. Pensei que se sentiria desconfortável em ter-me como acompanhante depois de tudo que aconteceu”, ele pensou em resposta.
Hermione sorriu, recolocando o cálice com suco de abóbora na mesa e piscando demoradamente. Harry então reparou que sorria também com os olhos. Acabou por rir com ela.
- Que silêncio! – Rony comentou, mas os morenos sequer ouviram.
“Não seja bobo! Eu te quero muito bem, Harry.”
- Eu também, Mione. – ele pensou alto.
- Pelo visto, está havendo outras formas de comunicação aqui na mesa, não? – Gina murmurou. – Por isso o silêncio, Rony.
- Er... Desculpe! – Hermione murmurou desconcertada. – Nós nem percebemos que, bem...
- Não se preocupe, está tudo bem. – a ruiva fez, com um sorriso satisfeito nos lábios. Conseguira exatamente o efeito que queria.
- Eu não estou entendendo nada! – Rony murmurou.
- Não é nada, Rony. – Gina disse ao irmão, colocando a mão em seu ombro e esfregando-o carinhosamente.
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Noite de 20 de março, torre da Grifinória.
Pegou uma fatia de kiwi sobre a mesa, onde havia um prato cheio de frutas cortadas, prontas para comer. Mordeu um pedaço e antes de entrar no banheiro, colocou o restante da fruta na boca. Já com o corpo desnudo, abriu a torneira e deixou que a banheira enchesse de água. Enquanto isso, ela escolhia os sais e óleos que usaria para o banho.
Em poucos minutos, a banheira estava completamente cheia e o espelho já embaçado pelo vapor da água quente. Ela despejou alguns sais na água e misturou-os com a mão. Um cheiro maravilhoso invadiu suas narinas logo em seguida. “Perfeito”, pensou enquanto se preparava para entrar na banheira.
Entregou-se ao luxo de um banho demorado, perfumando-se com seus óleos preferidos ainda sem sair da água. Após o banho, uma colônia de rosas tão fina quanto um óleo completou seu ritual de beleza. Escorregou-se para dentro de um finíssimo robe de seda chinesa que ganhara de aniversário, presente de seus pais. Era preto com estampas florais em diversos tons de rosa e verde, com detalhes em branco, sendo as mangas completamente pretas.
Antes de sair do banheiro, limpou a água condensada do espelho e abriu a pequena caixinha dourada sobre a pia. Antes mesmo que pudesse ver seu conteúdo, seu olhar recaiu exatamente sobre o anel de solitário que tinha em seu dedo do meio na mão esquerda. Um pequeno sorriso se formou no canto de seus lábios. Na outra mão, ela lembrou-se, estaria o anel de compromisso que ela e Harry usavam desde o dia do noivado de Amy e Aaron. Ou, pelo menos, ela usava.
Sua boca tremeu quando seus olhos encheram-se de lágrimas. Ela levantou-os, encarando o teto, e piscou com força, espantando as lágrimas. Fungou e limpou os olhos, concentrando-se novamente em sua caixinha de jóias. Não havia muito que pegar ali dentro, embora gostasse de apreciar sua pequena fortuna em ouro.
Ela usava todos os presentes que Harry lhe dera, desde o colar com o pingente médio de dois “H”entrelaçados até a grossa pulseira com desenhos em runas e incrustada de brilhantes. Nas orelhas, os brincos minúsculos que se dera de presente no seu aniversário de dezessete anos.
De dentro da caixa retirou apenas uma pulseira de anéis grandes e não tão grossos em formato oval, entrelaçados entre si, e um bracelete escrava em ouro branco. Colocou-as e fechou a caixa novamente, deixando-a de lado. Investiu na maquiagem logo em seguida.
Primeiro o pó de arroz e depois uma leve camada de um pó iluminador. Carregou no lápis preto, pintando os olhos por dentro e, na parte de cima, por fora. A sombra escura era um tom que poderia ser confundido entre cinza e marrom, clareando levemente por uma sombra iluminadora à medida que ia se aproximando do canto interior dos olhos. Nos cílios, um rímel transparente; nas bochechas, um blush para rosar suas maçãs do rosto; e nos lábios um gloss natural, levemente rosado, quase cor de pele.
Encarou o espelho e sorriu, satisfeita com o resultado. Desligou a luz e deixou o banheiro, retornando ao quarto. Seguiu diretamente para o prato onde estavam as frutas cortadas e pegou outro pedaço de kiwi, colocando-o inteiro na boca e logo em seguida sentando-se à cama. Puxou os sapatos que já estavam separados ao pé da escrivaninha e calçou-os. Era um par de festa mesmo, prateado, salto agulha e muito alto, social e fechado, exceto pela ponta, que terminava em um grosso e trabalhado “X” e com uma abertura no bico.
Levantou-se e dirigiu-se ao armário, abrindo-o. Na ponta da barra de cabides, pegou o vestido que usaria aquela noite. Era totalmente de cetim, numa tonalidade forte, entre rosa e vermelho. Segundo a vendedora, era o chamado “rosa pink”. Analisou-o mais uma vez antes de colocá-lo sobre a cama e escolher uma peça íntima sem costura e fina, para que não a incomodasse. Seu vestido não permitia o uso de um sutiã, portanto, este fora dispensado.
Tirou o robe que ainda vestia e pôs o vestido. Percebeu que este poderia ter o acabamento que quisesse, bastava ela usar a criatividade e prender as compridas alças de cetim a seu gosto. Resolveu cruzá-las nas costas, já que o vestido tinha costas nuas. Puxou o restante do cetim que sobrava e trouxe para frente, cruzando pouco abaixo do busto e amarrando num laço novamente às costas.
O vestido terminava numa saia rodada na altura dos joelhos, exatamente como a profª. McGonagall sugerira que as meninas os usassem. “Esporte Fino”, foi como caracterizara o traje. Apontou a varinha para os cabelos e, magicamente, soltou-os, fazendo os cachos definidos penderem sobre seus ombros e a franja alinhar-se emoldurando seu rosto.
Pôs as mãos na cintura e olhou-se no espelho. Modéstia à parte, ela estava belíssima. E se queria impressionar, certamente conseguiria.
Ouviu batidas à porta e atravessou o quarto, pegando o último pedaço de kiwi que restara no prato e mordendo-o. Ela riu ao lembrar que pegara aquele estranho hábito de Amy desde que a amiga a fizera provar da fruta. Abriu a porta deixando que Gina adentrasse o aposento.
- Mione, aquela maquiagem que você me prom... – a ruiva se interrompeu, fechando os olhos e sentindo, como Hermione estranhamente interpretou a ação dela. – Que perfume maravilhoso é esse?
- Ervas e sais relaxantes, uma pitada de essência de rosas e outra de morango. – Hermione respondeu, rindo. – Gostou?
- É maravilhoso! – Gina repetiu.
- As essências eu ganhei de presente de Natal. Harry quem me deu. – a morena contou.
- Ele tem um bom gosto. – a ruiva comentou. – Você está magnífica! – elogiou.
- Você acha? – Hermione indagou sorrindo.
- Sim, uma ótima escolha esse vestido. O meu é um tanto mais simples e...
- Certamente vai deixar seu irmão de cabelos em pé! – a morena brincou.
- É, eu até ponderei sobre isso antes de comprar, mas não resisti.
- É bem a sua cara. Ficou lindo em você.
O vestido era branco e azul, listrados na vertical com grossas linhas de intercaladas de ambas as cores. Havia linhas mais finas de um tom creme, e as barras, assim como o laço do vestido, eram da cor de ouro envelhecido. O tecido era grosso e pomposo, bem trabalhado e sua saia terminava cerca de um palmo acima dos joelhos. As sandálias abertas de fios delicadamente traçados era da mesma tonalidade da barra do vestido. Gina, ao contrário de Hermione, usava apenas os pequenos brincos de ouro com pérolas que tinha e nenhuma outra jóia.
- Obrigada! – Gina abriu um imenso sorriso e seus olhos brilharam.
Mas o que Hermione não percebeu imediatamente, era o ponto em que se fixara o olhar da ruiva. Com o silêncio da amiga, ela foi obrigada a notar que Gina olhava com grande interesse o seu colar.
- Significa... o que eu... estou pensando? – indagou pausadamente.
- Sim, eu ganhei no dia seguinte ao Baile de Inverno.
- E como eu nunca o vi?
- Não o abri junto com os outros presentes de Natal quando você estava no quarto, e sempre o usei por dentro das vestes, justamente para que ninguém visse.
- E você vai continuar usando-o mesmo... separados? – a ruiva parecia hesitante. E Hermione assustou-se com o que a amiga dissera. Apenas Amy sabia além deles, não? – Sim, Mione. Eu sei de tudo. Harry acabou me contando depois que o pus contra a parede. Você sabe... Eu não sou burra.
- Eu sei que não é. – a morena assentiu. – Bem... Não deixei de usar nenhum dos presentes que ele me deu até hoje, e não tiraria agora. Gina, nossa história não acaba aqui, e eu acredito nisso.
- Eu sei. E tenho certeza de que não demorará e estarão juntos de novo. Procure aproveitar essa noite, certo? – aconselhou à amiga. – O que eu consegui foi com um empurrãozinho do Rony. Na verdade, me aproveitei da inocência do meu querido irmãozinho quanto a isso para fazê-lo ir com você, te dar essa noite de presente.
- Obrigada, Gin. – Hermione a abraçou.
- Você merece muito mais! – a ruiva garantiu. – Mas vamos à minha maquiagem ou chegaremos atrasadas. – riu.
A maquiagem, como a de Hermione, era simples e forte, diferenciando-se apenas pela cor da sombra, que era um de um azul anil.
Quando o relógio indicava que faltavam apenas dois minutos para as 22h, hora que fora demarcada a abertura do salão, Hermione e Gina deixaram o quarto, descendo apressadas as escadas. O salão comunal estava completamente vazio, o que as apressou ainda mais. Correram pelos corredores e desceram as escadarias de mármore quase que aos saltos. Quando chegaram ao saguão de entrada, as portas se abriram e todos entraram. Elas pararam e recuperaram o fôlego, retomando a caminhada lentamente até seus respectivos pares.
Gina alcançou Draco muito antes de Hermione chegar a Harry, e antes de entrar no salão principal, acenou discretamente para a amiga cruzando os dedos e sorrindo.
“Estou torcendo por vocês, vai dar tudo certo”, foi o que Hermione conseguira captar em seus pensamentos.
Se aproximou hesitante de Harry, os dedos esfregando o vestido levemente em sinal de nervoso.
- Nervosa? – o moreno indagou divertido.
Hermione assentiu e baixou os olhos. Harry levou sua mão ao queixo dela e ergueu-o, fazendo-a encará-lo.
- Não há razão para isso. Conhecemo-nos melhor do que ninguém. – ele murmurou. – A propósito... Você está incrível. Incrivelmente linda! – completou antes de depositar um beijo em seu rosto, ao que ela sentiu enrubescer.
O cheiro dela entorpeceu-o, quando se afastou. Aquele perfume que só ela emanava, aquele perfume que ansiara sentir durante aquele longo mês distante... Ele aspirou-o com satisfação, e com um desejo incomum. Ele a amava, e de um jeito que, tinha certeza, não amaria nenhuma outra, porque Hermione sempre seria sua Hermione, desde sempre e para sempre.
Ela viu os olhos verdes a analisarem por completo, como se fotografassem cada traço de seu rosto, cada curva de seu corpo. Viu seu olhar deter-se no mesmo lugar em que Gina deterá seus olhos: no colar. Ele engoliu em seco e pegou suas mãos, também percebendo os anéis.
Hermione quase não conteve um grito de felicidade ao perceber que ele ainda usava o anel deles, e limitou-se a sorrir.
- Vamos? – ela murmurou mais segura agora.
Harry apenas estendeu-lhe o braço e ela aceitou-o. Os dois caminharam lado a lado e adentraram o salão.
A morena encantou-se com o ambiente que fora arranjado especialmente para aquela data. O chão estava coberto de folhas secas, a iluminação era convidativa e dava um ar romântico ao lugar. Pelo aposento, estavam espalhados pufes de cores alegres e até futons com almofadas também coloridas. Do teto enfeitiçado, caíam pétalas de rosas de diversas cores, sumindo no ar a certa altura do chão. Havia no ar um aroma que era bem específico da primavera, e ela aspirou-o com um leve sorriso nos lábios.
A música que tocava era suave, e a fez arrepiar-se. O som era nítido, e era de harpas.
Caminharam até a mesa onde estavam Draco e Gina. A princípio, não viram Rony e Luna.
- Aí estão vocês! Pensei que Potter tivesse ficado preso no chão quando te viu. – Draco brincou.
- Vão querer beber algo? Eles estão preparando sucos de fruta na hora, mas acho que há álcool na bebida. – Gina comentou.
- Não, ruivinha. Eles só colocam caso a pessoa queira, e não é uma dose tão elevada assim de álcool. A concentração é mínima. É basicamente um suco. – assegurou o loiro.
- Vai querer? – Harry dirigiu-se a Hermione.
- Vou, sim. Mas eu vou contigo. Quero escolher o sabor. – ela murmurou em resposta e os dois de afastaram do casal de amigos. – Hum... Tem de kiwi! – anunciou antes de se aproximar.
- E desde quando você gosta de kiwi?
- Desde que sua “irmã” resolveu me apresentar essa frutinha verde e recheada de caroços, que também é maravilhosa. – ela respondeu em tom de riso.
- Pelo visto vocês grudaram mesmo, hein? – ele fez.
- Verdade. Ela é uma pessoa muito especial para mim.
- E você para ela. – ele comentou. – Ela gosta muito de você, Mione. Às vezes acho que ela te adotaria como irmã.
- Ela não poderia. – Hermione murmurou. – Nós seríamos eternos pecadores, caso ela resolvesse me adotar, também. – brincou.
Harry riu.
- Claro... – assentiu. – Vai querer de kiwi mesmo? – indagou.
- Sim. E você, de morango, com certeza. – a morena apostou.
- Com certeza! – ele virou-se para o barman. – Um de kiwi e um de morango, o primeiro ao natural.
- Você vai beber? – ela perguntou séria, mas antes que o moreno respondesse, ela continuou: – Só esse e mais nada, certo?
- Como quiser, patroa.
Ele era um eterno brincalhão, mesmo com coisas sérias.
Cada um pegou seu respectivo copo e eles se afastaram juntos para a pista. A música que tocava agora era um solo de saxofone. Simples e belo, na opinião de Hermione.
- Sempre foi sensível assim? – Harry indagou.
- Está dando para ler pensamentos, Sr. Potter? – perguntou antes de beber um gole da bebida.
- Algumas vezes. – o moreno riu.
- Sim. Quando estou em casa e quero relaxar, procuro ouvir essas músicas, mas não acho que sejam características da sensibilidade. Elas têm algo que dá energia, acalma, traz paz. Eu não sei explicar. Mas sinta a música ao invés de apenas escutá-la e verás.
Eles pareciam ter voltado às boas, e isso os tranqüilizava. Era bom estar assim novamente, com aquela amizade e aquela cumplicidade inigualáveis. E embora se amassem demais para ter apenas isso, se era isso que podiam ter, era por isso que abririam mão do que sentiam.
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Pouco passava das duas da manhã e eles eram, provavelmente, o único casal que não dançava. Fazia algum tempo que estavam sentados ali sozinhos. O baile em si começara depois da meia noite, quando todos já haviam se servido e estavam à vontade. Draco e Gina se despediram fazia cerca de vinte minutos e foram para a pista de dança, onde agora tocavam músicas animadas dos anos 80.
- Faz quase seis anos que não escutava essa música. – Hermione murmurou ao começar a música “Step By Step”, do grupo New Kids On The Block. – Vamos dançar? Por favor! – ela pediu quase suplicante.
- Tudo bem. – disse Harry levantando-se e estendendo a mão para ela, que o acompanhou animada.
Ao fim da música, veio outra, mas desta vez, lenta. E os olhos de Hermione brilharam ao reconhecê-la.
- Total Eclipse of the Heart, Bonnie Tyler. – ela murmurou, aproximando-se de Harry e abraçando-o, colando seu corpo no dele para que pudessem dançar juntos.
O moreno foi pego de surpresa. No entanto, cedera sem nenhuma resistência. Hermione se aconchegara em seu peito, enquanto ele apoiava o queixo delicadamente sobre sua cabeça. Ambos fecharam os olhos, procurando apenas sentir um a presença do outro.
A música fora correndo e Hermione a cantava baixinho, quase que aos sussurros. Com o aproximar do refrão final, ela se afastou dele, colocando suas mãos em volta do pescoço do rapaz, envolvendo-o e encarando-o.
- And I need you now tonight, and I need you more than ever… And if you’ll only hold me tight, we’ll be holding on forever… And we’ll only be making it right, ‘cause we'll never be wrong… Together we can take it to the end of the line… Your love is like a shadow on me all of the time, I don’t know what to do and I’m always in the dark… We’re living in a powder keg and giving off sparks. – a Harry, parecia que ela recitava a música para ele e ele a aceitava, pois sabia que não havia melhor tradução para o que ela precisava lhe dizer e ele se negava a escutar para não ter a culpa pesando ainda mais sobre suas costas. - I really need you tonight, forever’s gonna start tonight... – ele viu os olhos dela brilharem. – Forever’s gonna start tonight.
Ele amoleceu com aquilo. Foi como se todas as barreiras que havia construído em volta de si para impedi-la de alcançá-lo tivessem desmoronado. E antes que pudesse se dar conta, a estava beijando. Ali, no meio do salão principal, em meio a quase todos os alunos de Hogwarts... Mas para ele, eram apenas ela e ele.
Quando a música finalmente acabou, eles separaram-se e viram vários olhares sobre si.
“Idiota! Você estragou tudo!”, ele pensava. E quando fez a menção de se afastar, Hermione o segurou.
- Fica. Só mais essa e depois poderá ir aonde queira ir. – ela disse, novamente enlaçando o moreno pelo pescoço. – Sabe, eu amo essa música...
“Careless Whisper”, de George Michael invadiu a pista.
O moreno ficou mesmo a contragosto.
Time can never mend,
O tempo jamais poderá reparar
The careless whisper of a good friend
Os sussurros descuidados de uma boa amiga
To the heart and mind, ignorance is kind
Para o coração e a mente, a ignorância é bondosa
There's no comfort in the truth,
Não há consolo na verdade
Pain is the hole you'll find
Dor, é tudo que se encontra
- Por quanto tempo mais pretendia levar essa bobagem à frente? – ela indagou ao pé do seu ouvido.
- Do que está falando?
- De nós. – ela murmurou.
- Hermione, entenda... Isso foi um erro; esse beijo foi um grande erro. – ele replicou nervoso.
- Não adianta você querer me dizer algo que não é o que você realmente pensa. Eu sei que ansiava por isso tanto quanto eu, assim como sei que está se xingando de todos os nomes que encontra para castigar-se por ter o feito.
- Está dando para ler pensamentos? – ele repetiu a pergunta que ela fizera mais cedo, decidido a bloquear a mente.
- Não tente me bloquear. A empatia é um dom que adquiri ao longo desses dois últimos anos e mesmo que me bloqueie, será inútil esconder-me o que sente.
- Você está jogando de uma maneira muito perigosa...
- O que quer que me esconda, posso não conseguir descobrir e sei que não conseguirei. Apenas sinto que não tenha a confiança que tenho para contigo.
I feel so unsure,
Sinto-me tão inseguro
As I take your hand and lead you to the dance floor.
Ao segurar sua mão e conduzi-la até a pista de dança
As the music dies something in your eyes,
Enquanto a música morre há algo em seus olhos
Calls to mind a silver screen,
Que me faz lembrar uma tela prateada,
And all its sad goodbyes…
E todas as suas tristes despedidas...
- Talvez a música diga tudo. – ele riu nervosamente.
- Ela diz muita coisa, mas nós ainda temos uma chance... Quem sabe não precisemos de uma “triste despedida” ainda? – fez a morena.
- Eu... sinto muito, Hermione. Mas é mais difícil do que possa imaginar...
- Eu não quero imaginar. Já tenho carregado um segredo muito grande e por muito tempo. Um segredo que sei que é maior que qualquer coisa que possa me dizer.
- Não consigo entender.
- E gostaria que nem precisasse. Mas não há outra maneira de te mostrar o erro que cometeu durante esse mês distante sem te contar... Você precisa saber. O que quer que tenha te afastado de mim, sei que não foi por falta de amor. – ela parecia convicta. E, aos olhos de Harry, em demasia.
- Como pode ter tanta certeza disso?
I'm never gonna dance again,
Eu jamais dançarei novamente
Guilty feet have got no rhythm
Pés descuidados, não tem ritmo
Though it's easy to pretend, I know you're not a fool
Embora seja fácil fingir, eu sei que você não é uma tola...
I should have known better than to cheat a friend,
Eu deveria ter sido mais cuidadoso e não enganar uma amiga
And waste a chance that I'd been given
E desperdiçar a oportunidade que tive
So I'm never gonna dance again, the way I danced with you
Por isso jamais dançarei novamente, como dancei com você
- Eu vejo nos seus olhos e sinto aqui – ela tocou seu peito delicadamente. – Eu senti quando me beijou. Seu coração parecia pulsar pedindo por isso... Você me ama, Harry. Não adianta negar.
- Mas eu preciso. – ele replicou.
- Não, não precisa. Porque eu te amo tanto quanto possa imaginar. E você não estaria me enganando, mas enganando a si mesmo. Eu gostaria apenas de entender por que tudo isso aconteceu...
- Um dia me entenderá. Ou assim espero.
- Eu cheguei a acreditar que talvez pudesse não me amar.
- Como pôde? Eu te disse que amaria e que estaria contigo sempre.
- Mas isso foi antes de me torturar com palavras duras e com o término de algo que para mim foi tão lindo, tão puro... Antes tudo parecia apenas uma linda jura de amor, e depois pareciam lâminas que me cortavam fria e dolorosamente por dentro.
What am I without your love?
O que eu sou sem seu amor?
- O que seria de Harry Potter sem Hermione Granger? – ele fez. – Estive ao seu lado e te amando sempre, mesmo como amiga.
- Não venha com essa história de novo, Harry. Não vai adiantar, eu já disse. – ela replicou. – Ainda mais agora, quando todos viram.
- Foi um dos grandes erros deste beijo. – ele acrescentou.
- Se aconteceu, é porque tinha que acontecer. Repreender-se não vai fazer o beijo deixar de ter acontecido. Agora é tarde. – Hermione fora bastante direta e Harry teve de admitir que ela estava certa. – Não escolha mais as palavras para usar aqui; use as que você achar apropriadas para expressar o que quer. Não tenha medo de me magoar.
Ele continuou em silêncio.
- Nós poderíamos estar aqui e para sempre, se o último mês não tivesse acontecido. E sinto tanto não ter-te comigo, não ter-te como o amante que fora...
- Hermione, eu... – ele começou e parou. – Eu não quero te enganar...
- Eu sei que você ainda me ama. Mas pode tentar me “enganar”, eu deixo... – ela riu.
Tonight the music seems so loud,
Esta noite a música perece tão alta
I wish that we could lose this crowd
Gostaria que fôssemos para longe desta multidão
Maybe it’s better this way,
Mas talvez seja melhor assim
We’d hurt each other with the things we want to say
A gente poderia se magoar com as coisas que desejamos dizer
We could have been so good together,
Poderíamos ter-nos dado tão bem juntos
We could have lived this dance forever...
Poderíamos ter vivido esta dança para sempre
But now, who’s gonna dance with me?
Mas agora quem é que vai dançar comigo?
Please stay
Por favor, fique
Ao final da música, eles se encararam ainda sem se afastar. Hermione sentiu que ele iria deixá-la, mas antes que isso fosse possível, ela segurou sua mão, apertando-a com força.
- O futuro é duvidoso, Harry. Nós não sabemos se voltaremos a nos encontrar, mas se isso acontecer, só então estaremos juntos para sempre. – ela murmurou, ao que ele encarou como uma figuração.
- Estou começando a achar que sou burro, sinceramente...
- Temos muito que conversar e isso não pode mais esperar. – Hermione interrompeu-o enquanto puxava-o para fora do salão. Ela seguia para seu quarto de monitora, onde ninguém os perturbaria nem interromperia.
Ao adentrar o aposento, fechou a porta e acendeu a luz.
- Acho melhor você sentar. – aconselhou. – A conversa será longa.
- Hermione, você está me preocupando...
- Então não se preocupe. – ela finalizou. – Preocupe-se apenas quando tiver um motivo real para preocupar-se. E como eu não sei nem por onde começar acho que ainda pode continuar tranqüilo. Mas é um assunto sério, diria delicado, e que envolve a nós dois.
- Imaginei que fosse isso.
- Não, calma. – pediu. – Refiro-me à conexão que nos envolve. Talvez você, como eu, tenha se perguntando inúmeras vezes por que somos tão ligados, temos essa sintonia desde muito antes de nos envolver num relacionamento amoroso.
- De fato. – Harry assentiu ainda sem entender.
- Pois bem! Minhas indagações tiveram uma resposta e um fim há mais ou menos um ano e cinco meses. A explicação é simples e ao mesmo tempo complicada, difícil de compreender ou de aceitar logo de início, mas é necessário. – ela começou. – Não sei se é a explicação para o início de nossa ligação, mas creio que a amizade de nossas mães tenha desencadeado tudo isso. Pelo que ouvi minha mãe e o restante de minha família, e até mesmo a sua bisavó, dizerem, nossas mães eram muito amigas, tinham uma confiança muito elevada e mútua. Talvez isso tenha sido a chave para que eu fosse colocada em seu destino, como alguém que te ajudaria e estaria ao seu lado até o final em todos os momentos.
- Se quer saber, isso não calou a minha curiosidade. – o moreno disse sinceramente.
- Harry, o fato é que existe uma profecia... outra profecia, que Lílian, como uma inominável, retirou do Departamento de Mistérios para estudá-la. A profecia falava basicamente de você, mas fazia referência a uma outra pessoa, uma garota.
- Você está querendo dizer que há uma profecia que nos envolve, é isso? – Harry perguntou incrédulo, mas começando a entender e procurando chegar ao ponto em questão.
- Sim, é isso. E ela está para se cumprir muito em breve. – a morena confirmou. – Céus, como queria que Amy estivesse aqui para me ajudar! – ela encarou o teto por alguns instantes. – Eu a encontrei quando estávamos na casa de Londres. Lembra que desmaiei?
- Lembro, é claro!
- Bom, eu não consegui acreditar quando Amy disse que era eu a garota a quem se referia a profecia, mas quando ela fez a análise, eu vi que não havia para onde correr.
- E o que... exatamente, a profecia diz?
Hermione levantou-se e pegou um papelzinho sob uma caixinha de madeira sobre a escrivaninha.
- Leia você mesmo. – ela lhe entregou e aguardou.
- O que isso quer dizer?
- Quer dizer que temos, no máximo, cinco meses juntos. – Hermione respondeu séria. – No entanto, essa profecia se findará quando a primeira que te envolve se cumprir, o que virá a acontecer antes destes cinco meses.
- Como você sabe disso? – ele perguntou assustado.
- Como diz a profecia, eu posso desvendar mistérios do passado. Em outras palavras, eu posso ter visões involuntariamente para ajudar pessoas próximas ou calar minha própria curiosidade. Durante esses dois últimos anos eu tenho tido visões com um passado em que sequer vivia. E descobri, no último mês, que também tenho a capacidade de ver um futuro próximo.
- Então você já sabe como tudo vai acabar?
Hermione baixou os olhos e assentiu tristemente.
- De alguma maneira eu vou te deixar. Amy garante que eu irei voltar, mas não sabe quando. E eu sei que pode levar anos para que eu retorne. E, se eu retornar, nós poderemos continuar tudo de onde paramos. Seja como amigos; seja como amantes.
- Por que não me disse isso antes? Por que deixou que tudo acontecesse sem que eu soubesse? – ele disparou.
- Como você, eu tenho segredos. E tinha medo de sua reação diante disso.
- A minha reação é a mais previsível que poderia ser! Hermione, eu... eu preciso de você. – ele murmurou de forma quase inaudível.
- E eu, de você. Eu queria ter aproveitado cada segundo, cada instante ao seu lado, mas devido às circunstâncias...
Harry interrompeu-a com um beijo, tomando-a para si. O beijo era quente e desesperado, uma mistura de sensações, de sentimentos. Ele não queria e nem poderia perdê-la. Se fosse preciso, agarrar-se-ia a ela e não soltaria mais, só para tê-la ali.
- Não diga bobagens. – ele disse ao interromper o beijo, olhando-a nos olhos, a poucos centímetros de seu rosto. – Eu te amo, não viveria sem você. E se temos pouco tempo, prefiro acreditar que somos para sempre e aproveitar tudo o que for possível.
Hermione suspirou aliviada e sorriu, maravilhada.
- Não sabe como rezei para ouvir essas palavras, quantas noites perdi vivendo e revivendo esse momento apenas em meus sonhos... Você me enlouqueceu, você é uma droga na minha vida! – ela disse com os olhos enchendo-se de lágrimas. – Uma droga pela qual me viciei. – completou, deixando que uma lágrima escorresse pelo seu rosto.
- Ei, não chora! Não agüentaria te ver chorando por minha causa novamente...
- Estou chorando de felicidade, Harry. – ela disse sorrindo entre lágrimas. – Eu te amo tanto, tanto...
E beijaram-se novamente. Dessa vez, de forma lenta e apaixonada.
Harry, no entanto, voltou a beijá-la com uma sede insaciável e ela sentiu como se estivesse perdendo o fôlego. Enterrou suas mãos nos cabelos negros do rapaz, bagunçando-os ainda mais. Ele levou uma de suas mãos ao rosto dela, segurando-o com delicadeza e enterrando os dedos nos cabelos dela perto da nuca. Manobrou o seu rosto para o outro lado e novamente aprofundou o beijo.
- Você não imagina o quão difícil foi me manter longe de você. – ele tinha a voz rouca e estava ofegante.
- Para mim foi igualmente difícil, acredite. – ela murmurou antes de girar em torno de si mesma afastando-se cerca de um metro do moreno. Ergueu a mão no ar em direção ao interruptor próximo à porta e baixou-a de uma só vez. As luzes se apagaram. Ela colocou os braços à sua frente, e os abriu, fazendo com que as cortinas se abrissem bruscamente. A lua cheia era a única fonte de luz naquele momento. – Mas ainda acho que foi mais difícil fazer você voltar atrás em sua decisão.
Ele riu.
- Você conseguiu fazer-me fraquejar, pegou-me desprevenido. – respondeu.
- Ora, não me venha com desculpas esfarrapadas. – ela brincou. – Você ainda usa o nosso anel.
Harry encarou a própria mão e sorriu, sem jeito.
- E você o colar, e os anéis, e a pulseira...
- Não precisa enumerar. Uso e não tenho vergonha. Eu nunca deixei de acreditar que você me amava, apenas aceitei a situação. Pensar que ainda estávamos juntos era tolice.
- Mas nós estávamos juntos, querendo ou não. Aqui – ele tocou o próprio peito onde ficava o coração –, nós sempre estivemos juntos. E tolice é você tentar tirar da cabeça quem o coração não esquece.
Foi a vez de Hermione sorrir.
- Você entendeu o que quis dizer. E sabe, tanto quanto eu, que sou muito presa à realidade para deixar-me levar por algo que já não faz parte da minha realidade. Foi você quem escolheu assim.
- Eu nunca quis realmente.
Hermione virou-se dando as costas ao rapaz. Caminhou em direção à parede onde havia uma espécie de bancada de mármore que rodeava todo o aposento. Passou as mãos no ar com leveza e várias velas foram acendendo-se. Em seguida, voltou a aproximar-se e parou a um metro de distância do moreno.
- Você sempre foi o que eu mais quis, quem eu mais amei... Foi quem escolhi para mim. – ele viu nos olhos dela uma sinceridade e delicadeza inigualáveis. – E vou ser sua sempre que disser que me quer.
- Você sabe que eu te quero.
- Sim, eu sei. – ela esticou o braço e acariciou a face do moreno. – Eu sei. – adiantou-se um passo. – Eu já te disse, vejo isso quando olho para você... vejo nos seus olhos. – ela mordeu o lábio inferior, deixando transparecer uma leve insegurança, incomum em sua pessoa. – Você tem apenas de aceitar-me, aceitar tudo o que estou disposta a lhe oferecer, e entregar-lhe-ei tudo o que puder de mim.
Ele atreveu-se a estender a mão e tocar-lhe os cabelos, afagando-os. Deu um passo em sua direção e, olhando em seus olhos, passou a acariciar-lhe a face. Ele via ternura nos seus olhos cor de mel. A Hermione que conhecia, a Hermione forte e decidida, simplesmente sumira ali. E ela lhe parecia indefesa... E estava ali, à sua frente, tão vulnerável quanto uma seda próxima ao fogo.
- Não tenho certeza do que está me pedindo.
- Peço apenas que me ame e que se permita viver esse amor.
O que dizer? Harry simplesmente não tinha palavras para expressar o que quer que se passasse em sua cabeça. Ele era um turbilhão de pensamentos, de sensações e desejos. Quando deu por si, os dois estavam muito próximos, os narizes quase se tocando; os olhos vidrados uns nos outros.
Ele estava sério. Aqueles olhos verdes a envolviam, aquele olhar... Enigmático, nebuloso, sempre precedia suas mais inesperadas reações. Ela particularmente não o entendia, não aquele olhar. Ele poderia estar pensando qualquer coisa, e também poderia fazer qualquer coisa com ela e ela não saberia.
Os lábios de Hermione estavam muito próximos. O perfume dela o envolvia, atormentava-o. Foi como se o tempo parasse. O ar vibrava de uma maneira eletrizante, eles sentiam seu magnetismo. O silêncio prolongou-se, apenas as cortinas se moviam, dançavam de acordo com o vento. O silêncio contínuo era tão ensurdecedor que parecia explodir a cada segundo que passava, provocando, impelindo, insistindo.
Viu os olhos dela piscarem lentamente, quase que em câmera lenta, e um pequeno sorriso tímido esconder-se no canto de seus lábios. Estes eram convidativos, cheios de antecipação e perguntas que não devia desejar responder. Sua pureza enfeitiçava, atraía, excitava; sua beleza e sensualidade despertavam a masculinidade de um homem, e ela fazia-se desejada. Seus olhos, um verdadeiro espelho de sua alma, um poço do melhor e mais doce mel; seu corpo, um mistério instigante a ser desvendado. Nenhum homem, mesmo sóbrio, resistiria ao convite.
Ela extinguiu a distância existente entre os lábios de ambos e findou as divagações do moreno ao seu respeito. A língua da garota tocou a linha onde seus lábios encontravam-se, provocando uma explosão. Aprofundou o beijo e, colando seu corpo no dele, enlaçou seu pescoço. Devagar, suave... doce. Quando suas línguas se encontraram, foi como se uma onda de energia viesse de cada um dos extremos e causasse um curto-circuito. E o coração dele saltou dentro do peito, sua cabeça reagindo de pronto, cheia de propostas.
A tentação a que ela o submetia estava muito além da capacidade de resistência dele. Harry segurou seu rosto de forma a ter melhor acesso à boca tentadora da morena e puxou-a contra o peito, apertando-a com firmeza. A reação de seu corpo foi praticamente irremediável. Ele a beijava como nunca havia feito antes, com um desejo primitivo, saboreando, explorando, torturando-se com o sabor dela.
Aquele beijo estava se transformando. A cada segundo, se tornava mais urgente. E ele sentia necessidade de tocá-la, de sentir o corpo dela contra o seu, de perder-se em suas curvas. Suas mãos deslizaram para os ombros nus dela. Por um segundo afastou-se e, em seus olhos, ela pôde ver... “Eu não posso”, ele pensava.
Ouvia a respiração ofegante dela, sentia as batidas descompassadas de seu coração e aquilo intensificava o seu desejo, era provocante. Ele, no entanto, não se preparara para isso. Nada disso estava em seus planos, e tudo acontecia muito rápido. O baile, o beijo, a conexão, a profecia, a reconciliação...
Ouviu um barulho. Era a gaveta do criado mudo abrindo-se às costas, ele tinha certeza. Hermione ergueu o braço no ar e pegou algo que voava em alta velocidade. Ela sorriu e mostrou uma pequena embalagem a ele, enfiando-a em seguida no bolso de sua calça. Insinuante.
Sentiu Hermione beijar seu pescoço leve e demoradamente, depois tocar de forma delicada seus lábios nos dele. Ela fez como que fosse afastá-los e findar aquele contato simples, singelo e superficial, e chegou a descolar-se dele alguns milímetros.
Como que reconhecesse as próprias fraquezas, Harry agarrou-se à cintura da morena e puxou-a novamente contra si, de forma que o corpo Hermione se encaixasse em seu corpo. Beijou-a intensamente.
Hermione teve seus sentidos desligados naquele momento. Entregara-se completamente a um beijo sem pudores, ardente, cheio de malícia e desejo. Ambos já não sabiam mais o que estavam fazendo, apenas obedeciam seus corpos.
Instantes depois, a cama era o seu chão. Hermione tinha seu corpo sob o dele, que distribuía beijos em seu pescoço e colo. Fechou os olhos, obtendo prazer em seu próprio prazer. Sentiu a boca ser invadida novamente pela língua dele e enterrou uma mão em seus cabelos, desgrenhando-os ainda mais enquanto a outra se perdia em suas largas costas ainda cobertas pela camisa.
Deixou que suas mãos parassem nos botões da camisa dele e pôs-se desabotoá-la e ele próprio a arrancou e jogou-a para um canto qualquer do quarto, sem desgrudar os lábios dos dela. Com uma das mãos na nuca da morena, ele ergueu seus corpos e sentou-os, ambos.
Nas costas dela, as mãos faziam todo o trabalho de desfazer o laço do vestido e descruzar o tecido, sem tirá-lo, no entanto. Quebrou o beijo e procurou os olhos da morena, que tirava os próprios sapatos e deixava-os cair ao pé da cama. Encarou-o e sorriu timidamente. Ele transbordava desejo.
Ela fez com que ele se recostasse e se afastou, ajoelhando-se e deslizando o vestido pelo seu próprio corpo, tirando-o. Ele apreciou suas curvas perfeitas no momento em que ela lançou o vestido na poltrona próxima à cama. Aproximou-se engatinhando sobre a cama, como uma gata manhosa, abriu a braguilha dele, depois afrouxou o cinto e desabotoou a calça. Sentada sobre o quadril dele, acariciou seu peitoral e beijou-o, provocante. Deitou-se ao seu lado, uma das pernas sobre a cintura dele e um braço sobre seu peito nu.
Ele virou-se e encarou-a, sua mão deslizava sobre a sua perna macia. Ela fechou os olhos em sinal de rendição. Sem aviso, ele se colocou sobre ela e ela pôde sentir pela primeira vez um contato real de suas peles. O calor que ele emanava lhe aqueceu por completo enquanto ele distribuía beijos por todo o seu colo e, após um breve encontro com seus seios, por sua barriga. Subiu novamente, beijando seu pescoço. Ele se afastou, sentando na cama de costas para ela. Tirava a própria calça quando ela se ajoelhou na cama e pôs-se a massagear seus ombros, vez ou outra deixando beijos aqui e ali.
Apenas de peças íntimas, ele voltou-se para ela e a puxou, colando seus corpos e ambos sorriram cúmplices. Pela primeira vez ele tocou a calcinha dela e tirou-a sem pressa, sem tirar os olhos dos olhos de Hermione. Em seu olhar, mutuamente se misturavam desejo, carinho, cuidado. Ela, por sua vez, ofegava enquanto sentia o corpo suado dele contra o seu.
Quando ele trilhou com os lábios por entre seus seios, ela pensou que fosse explodir de prazer, mas ele a deitou na cama acomodando-a de maneira que pudesse recebê-lo de corpo inteiro. Beijou-a calidamente e entrelaçou suas mãos, passando-lhe a confiança de que precisavam para continuar. Sem mais, ele se fundiu a ela, invadindo-a, ao que ela contorceu-se, sufocou um gemido e desviou suas bocas, suspirando sem sequer abrir os olhos.
Ele acabara de tomá-la para si, e agora, mais do que nunca, eles pertenciam um ao outro. |