- O que você faz da vida? – ele perguntou, com certo interesse.
- Eu sou artista – ela respondeu simplesmente.
Ele riu.
- E que tipo de artista você é? *desdenha*
- Sou artista plástica. Faço esculturas. Mas também pinto quadros à moda trouxa.
- É de Hogwarts?
- Sim.
- Não me lembro da senhorita em minhas aulas...
- Graças a Deus.
Ao dizer esta última frase, o semblante de Helena mudou. Era como se tivesse recordado de algo muito triste e doloroso, que merecia ficar o passado. Percebendo a brecha, Snape logo retomou a fala:
- Interessante! Eu não poderia esperar carreira mais brilhante que esta para uma bruxa que passou sete anos em uma escola de Magia e Bruxaria do gabarito de Hogwarts! – ironizou. - Se bem que seu desempenho não deve ter sido grande coisa, pois não me lembro de você.
Helena o fitou com raiva.
- Por Merlin, você não se permite uma trégua de ao menos cinco segundos!? Um pedido de desculpas seria de bom tom! Você me machucou!
Helena apontou o cotovelo arranhado. Ele pareceu amolecer ao ver o membro machucado, mas se limitou a ficar sério e, fazendo uma curvatura sarcástica, lhe disse:
- Desculpe, milady, da próxima vez terei mais cuidado com bruxas lesotas e sem qualquer perícia com uma varinha...
Ela ficou extremamente afetada com o escárnio. Ora bolas, ela estava distraída com os livros e só caiu porque a mobília estava velha para suportar o seu peso. E não se defendeu a tempo porque nunca imaginaria que logo em seguida iria precisar se proteger de um neurótico que vê perigo de guerra em tudo.
- Está pensando em comprar esta mansão, não está? – perguntou ele, com o olhar fixo na jovem. – Como, eu não sei...- Debochou.
- Pelo o que vejo, você ainda continua se achando o Don Juan inglês, não é? Se eu fosse você, voltaria correndo para o seu kit de poções e tentaria, de fato, ensinar algum fedelho sonserino com expressão de quem vive com bosta de baixo do nariz a engarrafar a fama! Ou a cozinhar a glória! Ou é engarrafar a glória e cozinhar a fama!?
- “Menina tola” – ele pensou.
Ela esperava irritá-lo, mas o que conseguiu foi uma risada de deboche:
- Na verdade, é “engarrafar fama, a cozinhar glórias e até a zumbificar se não forem o bando de cabeças-ocas que geralmente me mandam ensinar”, Srta. Mitchel!
Helena saiu pisando fundo e Snape a seguiu. Quando alcançaram a varanda, viram-se diante do corretor do Ministério que recém aparatara no local.
- Ora, vejo que já conheceram a casa! – disse Sr. Perkins, um velhinho baixinho e gorducho, que trajava um terno verde esmeralda, gravata roxo berrante e usava um monóculo.
- Não imaginei que fossemos ter companhia, Sr. Perkins – disse Snape azedo. – Pensei que a venda desta mansão já tivesse sido garantida a mim!
- Oh! Eu não lhe avisei? Que cabeça a minha! Realmente a mansão está à venda, mas através de um leilão! É a idade, Sr. Snape. Havia me esquecido deste detalhe!
Snape bufou. Helena o encarou como uma criança fazendo birra ao enfrentar uma reprimenda dos pais. E ele sentiu que teria problemas dali em diante...