Capítulo 2 - Mudanças
“Lembre-se: A vida pode te surpreender em questão de 1 minuto.”
Harry levantou-se com a agitação pelo quarto. Ele e time iriam treinar quadribol aquela manhã, a pedido de McGonagall. O seu próximo jogo seria contra Sonserina e eles deviam estar bem preparados. Harry agora era capitão do time da Grifinória e nada menos que o melhor aluno em poções. Também estava mais bonito. Os cabelos continuavam rebeldes e muito escuros. Os olhos também não haviam mudado. Ainda estavam iguais aos de sua mãe, como todos gostavam de ressaltar sempre que o conheciam. Estava um pouco mais forte, devido aos anos de quadribol e isso parecia atrair a atenção de várias garotas, mas ele não se importava, nem percebia. Ou fingia que não.
Entrou no banheiro ainda sonolento e tomou banho. Assim que terminou, enrolou-se na toalha e escovou os dentes. Tentou arrumar os cabelos. Sem sucesso. Tentou mais uma vez. Nada. Tentou pela terceira vez. Desistiu quando pareceu só piorar a situação. Vestiu seu uniforme da quadribol e desceu acompanhado de Rony. Lá embaixo, juntaram-se a Alícia Spinnet, Gina e Hermione. A última estava tão abatida que parecia não ter mais do que um dia de vida.
- Vai ver a gente treinar, Mione? – perguntou Gina, sorridente.
- Desculpe, Gina, tenho que terminar o trabalho que Slughorn passou. Sinto muito, fica para a próxima vez.
- Deixa disso, Hermione! Esse trabalho é para daqui a duas semanas! – exclamou Rony, indignado.
- Mesmo assim, Ronald, eu quero terminar logo para não correr o risco de algo dar errado. Você devia fazer o mesmo.
Ao que parecia, a garota ainda estava zangada com o amigo. Ela despediu-se das garotas com um abraço e um aceno para Harry e saiu em direção à biblioteca. A dita cuja estava praticamente vazia se não fosse certo loiro que lia concentradamente um livro em uma das mesas. Hermione silenciosamente caminhou até a última mesa e se sentou, sem nem ao menos perceber que aquele par de olhos azuis a seguia atentamente. Draco se levantou por impulso e caminhou até ela.
Hermione ouviu o som de cadeira sendo arrastada e gelou. Não, pensou, Ele está se levantando. Rezou que estivesse indo embora. Subiu o olhar e viu que estava errada. Malfoy caminhava confiantemente até ela. Antes que ele pudesse se sentar, ela disse:
- Por favor, Malfoy, não estou nenhum pouco a fim de brigar hoje. Deixe-me em paz – concluiu. Ele riu baixinho, puxou a cadeira e se sentou.
- Granger, não me dê ordens – disse Draco, arrogantemente. Esperou por uma resposta, mas como ela não veio, resolveu ele mesmo puxar assunto – Por que não está no treino dos seus amiguinhos?
- Não amole, Malfoy.
- Granger, não me dê ordens – Draco somente repetiu a frase anterior – Responda, sua língua não vai cair.
- Se eu responder, você me deixa em paz?
- Talvez – ele esparramou-se na cadeira.
- Não vai desistir mesmo?
- Não – disse. Ela bufou e fechou o livro com força.
- Tinha que terminar de fazer algumas tarefas e o trabalho que Slughorn passou sobre a Poção Polissuco.
- O que? Mas isso é só pra daqui a duas semanas! – comentou, surpreso – Às vezes acho que isso é só uma desculpa para você viver enfurnada aqui, Granger.
- E se for? O problema não é seu, Malfoy – ela crispou os lábios, enfurecida – Dê o fora daqui sua doninha insuportável!
Ele riu do nervosismo da garota e seus olhos pousaram no pergaminho que ela escrevia furiosamente. Uma ideia passou por sua cabeça e ele não teve tempo de disfarçar.
- O que está olhando aq... – ela seguiu o olhar dele e seus olhos se esbugalharam – Não, Malfoy!
Mas ele não deu ouvidos à garota e se jogou por cima da mesa, travando uma luta com ela pela posse do pergaminho. Ele em um movimento rápido conseguiu tirar o pergaminho da mão dela e leu a primeira coisa que deu tempo.
- Eu sei que nós dois éramos bons amigos... – ele lia com o papel no alto, pois a castanha pulava por cima dele, tentando arrancá-lo de suas mãos. – Você conhecia meus medos escondidos... – ela finalmente conseguiu de volta o pergaminho já amassado.
- Não tinha esse direito, Malfoy! – ela berrava, ignorando os pedidos de silêncio da bibliotecária, Madame Pince – Por que fez isso? Por que leu? – ela largou o pergaminho sobre a mesa e esmurrava violentamente o peito de Draco. Ele não revidava. Estava absorto demais para defender-se. Agora entendia tudo. Agora tinha realmente certeza.
- Então é o Potter... E não o Weasley... É apaixonada pelo Santo-Potter, Granger?
- Não lhe interessa seu loiro aguado! Saia daqui... Saí daqui... – ela apontava para a porta.
- Não. Já disse e não vou repetir Granger – ele aproximou-se do rosto dela e sibilou –: não me dê ordens.
- Tudo bem. Eu saio então – ela recolheu o pergaminho e o enfiou no bolso do jeans, ignorando a mulher no balcão que pedia silêncio novamente. Saiu da biblioteca com passos firmes, deixando lá, um Malfoy totalmente desorientado.
Ela caminhou sem direção até chegar aos jardins de Hogwarts e jogou-se no lugar de sempre. Sentou-se com os braços em volta do joelho e chorou silenciosamente. Malfoy sempre a conseguia tirar do sério, mas dessa vez, não era por causa dele que ela chorava. Bom, não só por causa dele. E o que mais a irritava era que ele tinha razão sobre ela. Era patética. Ninguém olhava pra ela da forma que ela queria. Os garotos se aproximavam só pra pedir ajuda nos estudos. McLaggen... Ele era um nojo. Chorou ainda mais. Como seria bom ser bonita como Gina. Ela via como os garotos olhavam para ela. Inclusive Harry. Hermione sempre olhou Harry de outra forma, desde pequena. Mas ele não. Primeiro Cho, e agora Gina. E ela? Ele levaria mais tempo que Rony para perceber que ela era uma garota? Limpou rapidamente as lágrimas quando ouvi passos se aproximando. Sentiu um perfume gostoso invadir suas narinas, mas não era de Harry, muito menos de Rony. Virou-se de lado e quase cuspiu o coração quando viu ali ao seu lado, Draco Malfoy.
- Você ainda chora – concluiu, brilhante – Por ele. Pelo Potter.
- Veio me ver chorar? – perguntou com um sorriso debochado – Veio me fazer chorar de novo?
- Não – respondeu educadamente e isso assustou Hermione. – Vim... Eu vim...
- Você veio...? – repetiu, incentivando-a a completar a frase. Ela já sabia o resto, e isso a fez sorrir a contra gosto para ele.
- Vim pedir desculpas Her... Granger. E vim dizer que você anda chorando demais esses dias.
- Dedução fantástica,Malfoy – comentou, ironicamente – Já pode ir agora.
- Vou ficar aqui um pouco. Para pensar.
- E você pensa? – ela riu – Desculpe, não resisti à oportunidade. Tchau, Malfoy – se levantou para sair, mas ele segurou delicadamente seu braço.
- Fica, Granger, não precisa ir por minha causa. Eu saio. Ou você fica aqui comigo – ela riu sonoramente e puxou o braço com força.
- Poupe-me da sua conversa mole, Malfoy. Não me irrite com suas gracinhas. Não pense que só por que conversamos por alguns segundos sem nos azararmos significa que algo mudou para que eu ficasse aqui, sozinha com você, conversando como se fossemos amigos.
- Nunca disse isso, Granger – respondeu, rabugento – Vá logo antes que eu estupore você.
- Cale sua maldita boca, doninha saltitante – e entrou no castelo.
- O que é que estava acontecendo aqui? – Blaise perguntou e escorou-se na árvore, fitando com curiosidade o loiro a sua frente – Pode ser que minha visão tenha me enganado, mas podia jurar que vi você e a Granger conversarem amistosamente durante alguns instantes.
- Não, meu caro – respondeu normalmente – Sua visão está ótima. Vim pedir desculpas a ela por...
-O que? Desculpas? Malfoy, me conte o que está havendo.
Malfoy decidiu contar. Falou tudo, desde sua queda pela garota até o pergaminho com a música para o Potter. Blaise escutava tudo com muita atenção, sem interromper o amigo. No final, entendeu Draco e até assumiu que achava Hermione uma boa garota e só o que complicava era o sangue dela. Alertou Draco para tomar cuidado para que essa história não chegasse aos ouvidos de Lúcio e Narcisa acabasse sendo punida no lugar do loiro. Draco agradeceu o apoio de Blaise e ambos trocaram um olhar cúmplice, agradecendo por um não abandonar o outro naqueles tempos difíceis. Draco agradeceu a Merlin por ter ao menos Blaise e Pansy Parkinson, amigos fiéis. Seus únicos amigos.
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- Hermione, acorde. Hermione... – Gina sacudia freneticamente a garota – Hermione, você vai perder o passeio à Hogsmeade...
- O que? – Hermione abriu os olhos lentamente, vendo apenas uma garota de cabeleira ruiva encará-la – O que é, Gina?
- Se levante... Vai perder o passeio. Vamos, deixe de preguiça – a ruiva arrastou sem pena a garota da cama e a jogou dentro do banheiro – Rápido, Hermione!
A menina resmungou irritada da falta de paciência da amiga durante todo o banho. Enxugou-se e saiu apressada de dentro do banheiro. Lá fora, só restava Gina, sentada na cama.
- Por que ainda está aqui? – Hermione perguntou ainda rabugenta. Vestiu uma calça jeans surrada, um tênis e um casaco de tecido grosso – Vamos.
- Hermione, olhe lá pra fora! O dia está lindo, quente! Se vista melhor, sem tanta roupa.
- O que há de errado com o que eu estou usando? – ela olhou-se no espelho, já sabendo a resposta – Não sei como me vestir.
A ruiva levantou-se e abriu a porta do armário de Hermione, observando cada peça que tinha lá. Pela cara que ela fazia, nenhuma estava agradando muito. Por fim, retirou uma blusa de mangas compridas, branca e outra com mangas mais curtas e estampa xadrez. Foi até o próprio armário e tirou de lá uma saia jeans que ficava na metade das coxas de Hermione – que se negava a vestir aquilo. Obrigou a garota a calçar uma sapatilha azul e usar pequenos brincos prateados. Passou um pouco de gloss nela e sorriu ao ver o resultado.
- Pronto, Mione – ela observou-a atentamente de cima abaixo – Está linda.
-Obrigada, Gina – Hermione encarou-se no espelho e gostou do que viu – Mesmo.
As duas desceram eufóricas até as carruagens e logo Hermione notou o resultado. Alguns garotos da Corvinal insistiram em acompanhá-las até lá, mas elas recusaram, alegando já terem companhia.
Seguiram para o Três Vassouras e assim que entraram, avistaram um pontinho ruivo em uma das mesas. Gina disse que ia atrás de Dino e Hermione encaminhou-se até a mesa que Harry e Rony estavam sentados.
- Oi – cumprimentou os amigos, timidamente - Posso me sentar com vocês?
-C-Claro – gaguejou Harry, olhando abobadamente para a garota.
-Uou, o que houve Mione? – perguntou Rony, analisando a garota – Está mais linda ainda, sabia?
-Obrigada, Ron – ela sentiu suas bochechas arderem – Ei, eu acho que aquela ali é Lilá Brown acenando freneticamente para certo ruivo bonitão sentado nesta mesa.
Rony ruborizou violentamente e sorriu para ela. Depois, foi até onde a namorada estava e depositou um beijo em sua bochecha, logo sendo arrastado para uma mesa mais ao fundo.
- Aposto que isso foi ideia da Gina – Harry levantou-se para sentar ao lado de Hermione.
- Acertou em cheio, Harry – a garota apertou a ponte do nariz do garoto e chegou mais perto – Você gostou?
- Eu... Mione... Eu... – Harry tropeçava nas próprias palavras e isso pareceu desencorajar Hermione – Você está linda. Você é linda na verdade, mas hoje está ainda mais.
- O que sente por Gina, Harry? – perguntou rapidamente, sem nem se preocupar com a súbita mudança no assunto – Conseguiria dar uma chance a outra pessoa?
- Depende da pessoa, Mione... Por exemplo, se essa pessoa fosse você eu...
- Se fosse eu...? Me daria uma chance, Harry? Ficaria comigo?
- Claro que sim, Mione – ele sorriu e segurou a mão da garota com carinho – Você é muito especial pra mim.
-Você também, Harry...
As bocas estavam próximas demais e ambos sentiam a respiração acelerada um do outro. Harry colocou a mão livre na nuca da garota, aproximando-a ainda mais. Os lábios estavam quase se tocando. Quase.
-Harry! – exclamou Cho Chang – Que ótimo ver você!
Hermione afastou-se assustada e ao mesmo tempo irada, sentindo vontade de lançar um Avada Kedavra na garota na frente de todos, sem se importar de ir para Azkaban. Mas Harry colocou a mão em sua cintura e ela entendeu.
É comigo que ele quer ficar. Comigo.
Sorriu.