Rony abriu os olhos e se sentiu tonto, via os raios de sol passando pelo espaço entre as folhas que corriam sobre sua cabeça
CAP-21 – Curupiras
Xingu,
Por volta de vinte curupiras, armados com lanças pontiagudas, cercavam Rony, Miranda, Emílio e Vaques, na estreita trilha afundada na mata. Os baús caíram bruscamente no chão, quando o feitiço que os mantinham flutuando foi cancelado. Julião petrificado sobre dois deles caiu junto. O senhor Vaques estava obviamente apavorado, e fez um movimento brusco com a varinha, não se soube se ele havia tentado um ataque ou se apenas perdera o controle da mão que tremia muito, o fato foi que antes que qualquer feitiço saísse de sua varinha, cordas se materializaram na escuridão e o amarraram dos pés até o pescoço fazendo-o cair no chão como uma tora de madeira.
- Não se movam – Uma voz aguda e cansada falou em português.
Rony, Miranda e Emílio decidiram obedece-la, já que obviamente não teriam muita chance se resolvessem lutar.
Os curupiras que estavam na frente bloqueando o caminho eles, se moveram para os cantos encostando nas paredes, então deixaram aparecer o dono da voz era um curupira que parecia bem mais velho do que os outros, vinha montando num javali, um porco do mato com presas enormes.
Todos reconheceram a figura que tinham visto no Igarapé.
- Abaixem as varinhas – continuou a falar o curupira, e com um movimento de mão as fadas voltaram a iluminar a floresta, dessa vez mais intensamente do que antes. Com outro aceno da mão as varinhas dos bruxos se apagaram.
O Curupira avançou na direção deles, guiando sua estranha montaria. Parou bem perto deles, montado no javali seu rosto ficava na mesma altura do de Rony.
- Vocês conseguiram, Ganharam o direito de resgatar seus semelhantes e leva-los da floresta. – Disse ele com um olhar estranho que parecia estudar os três jovens bruxos – São convidados a nos acompanhar até a aldeia, mas estão proibidos de usar magia ou de retirar qualquer coisa da aldeia, seja um objeto, animal ou planta. –Disse a última parte olhando fixamente em Rony, que não se abalou e falou em seguida:
- Mas foi justamente uma planta que vim buscar aqui.
O curupira não entendeu nada que saiu da boca e Rony, já que ele falava em inglês, olhava para ele com uma expressão que devia ser de surpresa, depois desviou seu olhar para a figura que se contorcia amarrada no chão.
Ele desmontou e fazendo um carinho na cabeça do seu porco se agachou até o rosto do senhor Vaques.
- Esse aqui nós conhecemos, sabemos muito bem quem é, e como lidar com ele. – Ficou bastante sério ao dizer isso.
O senhor vaques arregalou os olhos, e disse gaguejando enquanto o Javali fungava sobre o turbante que ele tinha na cabeça – Mas eu sou apenas um funcionário do ministério, você está me confundindo com alguém.
O curupira ignorou a defesa do Sr. Vaques, acenou a mão e as cordas se desenrolaram libertando suas pernas, mas mantiveram os braços presos junto ao corpo. Ele montou novamente no Javali. Rony ia tentar falar de novo, mas o curupira falou primeiro:
- Nos acompanhem por favor, fiquem em silencio. Quando chegarmos a aldeia terão chance de falar e de encontrar seus semelhantes.
- Ele fez um sinal e quatro curupiras enrolaram o corpo ainda petrificado de Julião em folhas de palmeiras e o carregaram correndo na frente. Emílio tentou protestar e perguntar para onde o levaram, mas vários curupiras se precipitaram sobre ele, deixando as pontas afiadas de suas lanças, bem próximas da cabeça do bruxo, que se calou rapidamente.
O Curupira que parecia o líder seguiu na frente com sua montaria, o restante dos curupiras cercaram os bruxos e se colocaram em movimento.
Caminhavam sem pressa, a trilha afundou ainda mais, até entrar por dentro da terra numa espécie de túnel escavado no solo, as raízes das arvores, afloravam no teto e nas paredes. Caminharam por uma bom tempo e o túnel ia se tornando rochoso. Estavam entrando numa caverna, filetes de água brotavam por fendas nas paredes e escorriam pelo piso irregular.
Os passos do grupo ecoavam pela caverna, a luz das fadas sempre os acompanhando. Todo o cansaço, que estava ignorando se abatera sobre Rony, seu braço voltava a doer, suas pernas estavam pesadas, mas os curupiras avançavam sem descanso. Viravam por vários túneis mudando de direção a todo momento, Rony viu que os túneis eram um labirinto, nunca se lembraria do caminho de volta, já que mudavam de direção a todo momento e caminhavam iluminados apenas pela luz das fadas. Não podia ver seus companheiros pois o curupiras se colocaram entre eles, haviam uns três entre ele e Emílio que caminhava a sua frente, E uns dois atrás entre ele e O Sr. Vaques.
Depois de horas finalmente viu a saída túnel na sua frente, via uma larga fenda que deixava a luz da lua passar.
Por fora a fenda se abria num imenso paredão de pedra, que Rony achou ser a pedra que tinham visto do alto, no meio da floresta. A vegetação descia por suas encostas. Escondendo a abertura. Pararam um pouco ali.
Os bruxos foram reunidos, e O Sr. Vaques libertado das cordas. No seu lado direito havia um imenso lago de águas calmas que encostava na rocha. na frente do lago a floresta se abria em arco com um única grande e frondosa árvore no meio do caminho entre a floresta e o lago. Na margem oposta Rony viu muitos arbustos iluminados pelo luar, haviam várias flores e os cheiro delas tomava conta do ambiente, de longe ele nào pode identificar se alguma elas era a que procurava, a flor que podia salvar Hermione.
Rony ficou observando maravilhado a beleza daquela paisagem a lua refletida nas águas escuras, a vegetação que descia da rocha e caia diretamente na água. Então algo muito inesperado aconteceu. O Sr. Vaques lançou um feitiço sem dizer uma só palavra. Uma forte luz prateada formou um círculo ao redor dele e se alargou numa velocidade espetacular, afastando tudo e todos para longe do seu centro.
Rony, Emílio, Miranda e os curupiras foram pegos de surpresa, e arrastados pela luz prateada para longe, abrindo um grande círculo ao redor do Sr. Vaques, que saiu correndo para dentro do mato.
Sete curupiras correram atrás dele, depois dos gritos de seu líder. Que rapidamente fez as cordas mágicas amarrarem os outros três ainda caídos no chão.
Apenas as pernas deles ficaram livres e logo foram obrigados a caminhar, caminharam passaram pela árvore no meio da clareira, seu tronco era muito grosso e irregular com formas fantasmagóricas entrelaçadas.
Uma cabana de forma circular parece ter se materializado diante deles, foram obrigados a entrar pela pequena porta em arco, baixa demais para um ser humano. Lá dentro havia uma mesa baixa com muitas frutas. E seis camas de palha.
- Comam e descansem, pela manhã conversaremos. – Disse o Líder, saindo rapidamente sem dar chance para resposta e deixando quatro guardas na porta.
Libertados das cordas, e bastante confusos os três se sentaram no chão perto da mesa.
- O que Vaques fez? É um tolo mesmo, mas me deixou surpresa, não achava que ele fosse capaz de uma fuga daquelas. – disse Miranda quebrando o silencio.
- Ele estava desesperado, depois do que o líder dos curupiras falou ao olhar para ele, parecia te-lo reconhecido. O coitado se apavorou. – Disse Emílio.
- Será que ele tinha realmente algo a temer dessas criaturas? E Julião para onde o levaram? – perguntou Rony.
- Não acredito que eles farão mal a Julião... Em todo caso, acho que só obteremos respostas amanhã, quando vierem falar com a gente, devemos descansar e recuperar as forças. – Respondeu Emílio.
- Acho que você está certo – Disse Rony. Abaixando a cabeça – Pelo menos deixaram as varinhas conosco, isso é um sinal de confiança apesar da trapalhada que o Sr. Vaques fez, espero que não o machuquem.
Miranda não disse mais nada, e começou a comer as frutas sobre a mesa, logo depois os outros dois começaram a comer também. Quanto mais comiam melhor se sentiam, e o sono ia ficando cada vez mais forte, até que não conseguiram resistir e deixaram seus corpos caírem sobre as camas.
Rony não sabia por quanto tempo havia dormido, mas não devia ter sido muito. Acordou sobressaltado por uma gritaria numa língua estranha. Levantou da cama e correu até a porta, viu que os guardas não estavam por lá.
Emílio apareceu ao seu lado.
- O que está havendo? – perguntou.
- Não sei. Olhe lá! – Rony apontava para o lago onde uma luz estranha emanava da água.
Nessa hora, um dos guardas voltou e apontando a lança fez sinal para Rony e Emílio entrarem. Enquanto se viravam para entrar viram uma grande cobra flamejante surgindo, revirando a água calma do lago.