
Após da barreira que divide a plataforma nove e dez, na estação King Cross, em Londres, a plataforma 9½ estava apinhada de gente. A fumaça branca da locomotiva impedia os mais altos de enxergarem e, em consequência, acabavam por esbarrarem uns nos outros. A Maria-Fumaça apitava, avisando que partiria em poucos minutos. Os alunos começavam a embarcar, acenando para os parentes e encontrando-se com os amigos depois das férias de verão.
- Então, aquele ali é o pequeno Scorpius? – perguntou Harry a Ron, que colocava as malas de Rose e Albus no bagageiro de um compartimento, enquanto os dois primos conversavam animadamente sobre as Casas que lhes agradavam
- É, acho que sim – Ron bufou, enquanto observava Draco Malfoy entrar na locomotiva acompanhado do filho e da esposa, carregando os malões do pequeno loiro – Rose, venha aqui, querida – chamou a filha
- Oi, pai? – perguntou a menina a ele, que se agachara para conversar com ela, mirando seus olhos tão conhecidos. A ruivinha já vestia as vestes pretas da escola
- Está vendo aquele filhote de doninha ali? Não deixe de superá-lo em todos os exames, Rosie – falou, ao receber um aceno da filha. – Graças a Deus que você herdou a inteligência da sua mãe – Harry riu
- Não comece a indispô-los antes mesmo de se conhecerem, Ron – comentou o moreno
- Não quero minha filha casada com um Malfoy. – Harry gargalhou, e a locomotiva apitou novamente.
Os amigos abraçaram os filhos e saíram do trem enquanto, não muito longe daquela cabine, um pomposo senhor de cabelos loiros tinha uma conversa séria com seu pequeno neto.
- Ouça-me, Scorpius Hyperion: Não quero que você se aproxime de nenhum Potter ou Weasley, entendeu? – dizia – São os piores traidores do sangue e convencidos que existem. – pausa – Lembra-se da nossa conversa? Pois bem, não a esqueça. E faça-me o favor de ser sempre o melhor em tudo. – ordenou
- Pai? – Draco aparecera na porta, surpreso por encontrar seu pai – Como chegou aqui?
- Eu acho que sou um bruxo, não, filho? – questionou, arqueando uma sobrancelha
- Deixe de graça, seu velho – Draco brincou, enquanto sua amada esposa aproximava-se, também – Venha, papai. Vamos deixar Scorpius começar sua aventura. – Orgulhoso, ele sorriu de orelha a orelha e depositou um beijo na cabeça do filho, em seguida, saiu empurrando seu pai para fora do compartimento.
- Se você não for para a Slytherin, – Lucius virou-se, livrando-se rapidamente do filho – Nós o deserdaremos – e se deixou ser empurrado até a plataforma.
- Querido, não se preocupe com o que seu avô diz. Ele já está ficando um pouco velho. – carinhosamente, Astória falou. – Não importa para qual casa você vá, nós já estamos orgulhosos. – ela deu um forte abraço no pequeno, acenou e saiu também.
Sozinho, na cabine, sem saber o que fazer, em poucos minutos Scorpius viu-se cercado por pequeninos filhos e netos de comensais da morte.
A locomotiva apitou pela ultima vez e começou a movimentar-se. Numa das janelas, apertados, Albus Potter e Rose Weasley acenavam chorosos para seus pais. Duas janelas para a direita, porém, Draco e Astória Malfoy só puderam ver a cabeleira loira de seu primogênito afastar-se, e logo foram engolidos pela fumaça.
~~
- Ah, vamos lá, Al! Dê-me o Ptolomeu! – Rose choramingava, sacudindo Merlin na cara do primo. – Por favor!
- Já falei, Rosie. Não vou dar – ele implicou
- Não?! – ela bufou – Então eu acho que vou ter que contar à tia Ginny que você colou na vigésima primeira questão no exame do ano passado!
- Você não faria isso!
- Escreverei uma carta à ela assim que chegarmos à Hogwarts – disse Rose, com malícia
- Odeio você! – Albus resmungou, tomando Merlin da mão da prima e jogando o Ptolomeu no colo da mesma.
- E eu lhe amo! – a garota falou, tirando o cabelo do rosto para ler a descrição do cartão.
- Vou procurar o James – depois de um tempo, onde os primos se reconciliaram, Albus disse. – Meu dinheiro acabou e papai deixou o restante com ele. Logo volto.
Para ser sincera, Rose Weasley nem o ouvira. Seu pai ficaria louco ao receber aquele cartão, e assim só faltaria a Agripa para ele completar sua coleção.
Rose suspirou, pondo um sorriso na boca. Hogwarts era mesmo muito, muito encantadora. Percebera isso no primeiro segundo após colocar o pé na plataforma de Hogsmead, exatamente um ano atrás. Recordava perfeitamente da sensação ao ver o magnífico castelo pela primeira vez, e de sua alegria ao escrever uma carta contando a seus pais que, com o orgulho Weasley, fora prontamente designada à Gryffindor! Seus devaneios foram interrompidos quando a porta de seu compartimento bateu.
- Ei! – reclamou com o garoto moreno que entrara
- Desculpe, ruivinha, é só um minuto. – Ele estava vermelho e seu cabelo escuro estava bagunçado. Sentou-se a sua frente e estendeu-lhe a mão – Peter Santinelli, Slytherin, muito prazer.
- Rose Weasley, Gryffindor. – Ela apertou sua mão, receosa. Seu pai nunca falara muito bem sobre os Slytherin.
- Weasley? – outro garoto aparecera à porta, este tinha os cabelos loiros – Você deve se achar uma grande coisa, não é?
- Desculpe, eu não sou você – retrucou Rose, irritada.
- Eu não engoliria essa, Scorpius – Peter Santinelli provocou.
- Fique calado, Peter – disse Scorpius – Afinal, o que você está fazendo nesta cabine com essa traidora do sangue?
- Estava me escondendo da Flint – resmungou o moreno – Vamos embora.
Novamente, Rose ficou sozinha na cabine. Desta vez, ela agradeceu a Merlin.
~~
A longa lagarta vermelha que era o Expresso de Hogwarts havia começado a movimentar-se há poucos minutos. Rose acabara de deixar o compartimento onde estava seu irmão e primos mais novos, que estavam ansiosos para conhecer a escola, quando vira seu caminho barrado pelo loiro que tanto detestava.
- Dá licença! – ela bufou
- Desculpe? – ele começou a provocação
- Sai da frente, Malfoy! – resmungou
- Qual é, Weasley? Seus pais não te deram educação? – debochou o loiro, pondo-se bem a sua frente
- Eu não tenho por que ser educada com uma doninha. Agora, saia já da minha frente!
- Peça “por favor” – disse ele, e sorriu maldosamente
- Não.
- Então ficaremos parados nesse corredor até chegarmos a Hogwarts – cantarolou
- AAAAHR! SAI DA MINHA FRENTE! – ela gritou, socando-o
- Quando você crescer
- Escute aqui, eu não sou culpada pela genética! – resmungou a ruiva – E eu não sou baixa. Você que é muito alto.
- Tem certeza?
- AAAAAAAAAHR! SAI, SAI, SAI! – empurrou-o – Sai Malfoy!
- Já lhe dei minha resposta sobre esta questão. – ele arqueou uma sobrancelha e deu um sorriso torto
- Ótimo! – bufou ela, e, para surpresa do garoto, sentou-se ao chão e cruzou os braços.
- O que você está fazendo?
- Acha mesmo que eu vou pedir por favor à você?! – ela lançou-lhe um sorriso cínico.
- Você é impossível! – Scorpius exclamou, e saiu de perto da ruiva, pisando duro, enquanto a mesma sorria vencedora...
~~
A última cabine do ultimo vagão da Maria Fumaça estava uma desordem total. James Sirius Potter estava gabando-se para todos sobre sua nova namorada quando, furiosa, a mesma entrou no compartimento, deu-lhe uma tapa na face de disse-lhe que o namoro de quarenta e cinco minutos estava acabado. Rose Weasley e sua melhor amiga, Madeline Buffay, Albus Potter, Hugo, Dominique e Roxanne Weasley riam e zombavam do rapaz.
- Pelo menos, eu já tive uma namorada! – disse ele, tentando chatear Albus
- Eu já tive duas - comentou Hugo inocentemente. Todos gargalharam.
- Então, já que estamos falando de namoro, como estão os corações de vocês, primas, e amiga, queridas?
- Estou saindo com o David, como vocês sabem – comentou Roxanne – Papai falou que depois dos N.I.E.M.s eu devo levá-lo em casa para passar as férias de verão. Ele é louco! – os jovens riram novamente
- Eu pretendo arranjar um bom francês para mim, não um desses ingleses sem sal que existem por aqui – disse Dominique
- Você devia casar-se com o professor Depardieur, Domi – Madeline fez graça
- E o seu coração, Rose, como está? – James perguntou
- Tá aqui dentro, bombeando sangue para o meu corpo, sabe?
- Desculpe, Srta Ignorância – sorriu o primo, fazendo todos os outros rirem.
~~
Haviam se passado cinco anos desde que a pequena Rose de Ron Weasley entrara em Hogwarts. Era o orgulho dos pais. Hermione sempre recebia cartas de professores elogiando o desempenho da ruiva durante as aulas. Quando recebera o distintivo de monitora, então, no começo do ano anterior, e uma das maiores notas de sua turma nos N.O.M.s, fora só festa. Mas Ronald gabava-se muito mais, obviamente: além da garota ser inteligente, monitora e seguir sempre seus conselhos, ela era do Time de Quadribol de Gryffindor! O que mais ele poderia querer?
Rose era uma garota baixinha, de olhos azuis e cabelos flamejantes. Os hormônios da juventude fizeram um bom trabalho em seu corpo miúdo, e sua adorável e inteligente mãe cuidara de dar um jeito em seus antigos cabelos armados. A ruiva era uma mistura perfeita de Ron e Hermione Weasley...
No momento, ela agitava seus cachos vermelhos enquanto ralhava com o irmão mais novo.
- Hugo, não me interessa que esse bastão seja o melhor elaborado do mundo. – revirou os olhos, tipicamente – Só sei que ele foi criado para jogar Quadribol, não para você se exibir para garotas – pôs as mãos na cintura, ligeiramente lembrando sua mãe
- Depois que você virou monitora você está uma chata, Rose – ele resmungou, girando o bastão de madeira na mão – Você fez a maior festa quando papai o comprou pra mim – rebateu
- É, mas não é por isso que deixarei você sacudir isso para todo canto, capaz de machucar alguém! – reclamou – Se eu ver você se exibindo com o bastão mais uma vez, não hei de hesitar em escrever para a mamãe – então ela arqueou as sobrancelhas, em desafio. O irmão sabia bem que a mãe tiraria o objeto dele num instante
- Ah, ta bom – bufou, e guardou o bastão no seu malão, que estava no bagageiro – Isso vai ter troco, Rose – saiu resmungando, deixando a irmã sozinha no compartimento
A ruiva, por sua vez, jogou-se no assento, bufando. Do bolso de sua veste escolar, tirou um pacote de Sapo de Chocolate. Ao abrir e descobrir a figurinha, disse aos seus botões:
- O papai vai endoidar. – Guardou a Agripa no bolso e, mastigando o chocolate, saiu da cabine para continuar sua ronda
Foi impedida disso ao trombar com outro estudante no corredor.
- Além de baixa é cega, agora, Weasley? – aquela voz arrastada foi facilmente reconhecida pela ruiva
- Não chateia, Malfoy – bufou, e tentou passar, mas o garoto impediu-a – O que é, agora? Você não tem ninguém melhor pra chatear, não?
- Você é minha favorita – zombou, esbanjando sarcasmo. A garota revirou os olhos
Scorpius Malfoy evoluíra bastante desde que Rose o conhecera, quatro anos atrás, num compartimento bem próximo dali. Ele crescera consideravelmente, e adquirira bastante massa muscular, por consequência de sua posição no time de Quadribol de Slytherin: batedor. Seus olhos cinza-esverdeados brilhavam mais que nunca. Ninguém mais ligava para seu sobrenome, e todas as garotas da escola deliravam pelo batedor. Todas, todas, exceto uma.
- Bomba de Bosta! – gritaram mais adiante alguns segundanistas, e um saquinho marrom fedido foi jogado no corredor
- Eu mereço... – começara a resmungar, mas o garoto puxou-a para dentro do compartimento mais próximo e fechou a porta no momento em que a bomba explodia, e o corredor enchia-se de uma fumaça esverdeada
O garoto jogou-se num banco, e começou a mastigar uma varinha de alcaçuz
- O que pensa que está fazendo?! – ela perguntou, enquanto suas orelhas ficavam vermelhas
- Eu não quero chegar à escola fedendo a bosta – disse como a coisa mais simples do mundo – Suponho que você também não queira
- Como se me consolasse ficar num compartimento com você – resmungou, sentando-se também
- Você é sempre exagerada – comentou
- Que bom que notou – disse sarcasticamente
- São só alguns minutos, Weasley. Você logo vai poder se juntar a seus pela-sacos – falou Scorpius Malfoy – Não fique pensando que estou feliz por estar aqui com você. Estou perdendo duas garotas, sabe?
- Ah, que pena – a ruiva revirou os orbes azuis – Você é desprezível
- Já me disseram que eu sou um gato – olhou-a nos olhos, e arqueou uma sobrancelha
- Ah, então deve ser por isso a pelagem estranha – ela riu-se
- Pelo menos eu não tenho uma cenoura na cabeça.
- É melhor ter uma cenoura na cabeça do que ter uma ameba no lugar do cérebro.
- Não sou eu que tenho um metro e meio de altura.
- 1,65 – corrigiu-o, horrorizada
- Grande diferença.
- Ta bem, então, Sr Gigante – ironizou
- Cabeça de fósforo.
- Doninha.
- Nanica.
- Albino.
- Sabe-tudo.
- Filhote de Comensal – disse a ruiva com raiva
- Não fale de meu pai! – retrucou Scorpius friamente.
- Você vai chorar?
- Cale a boca, Weasley.
- Que seja – ela bufou, revirou novamente os olhos, e pôs-se a examinar as unhas rosadas
Passado um pouco tempo, em que o corredor ainda matinha o fedor da bomba de bosta, Rose levantou o olhar, e examinou o loiro a sua frente. Ele estava mergulhado em pensamentos, e mirava a janela, quase sem piscar seus olhos verdes.
- Hm... Malfoy... – ela pigarreou – Escute, eu não devia ter dito aquilo – soltou as palavras ao rapaz, que a olhava com raiva – Eu sinto muito.
- Poupe seu fôlego, Weasley – cuspiu – Eu não vou permitir que uma Weasleyzinha como você venha falar de meu pai, pois você não o conhece, e não sabe pelo que ele passou.
- Eu sinto muito, Malfoy. Eu não quis ofender s... – ela começou, mas foi interrompida
- Já mandei você ficar calada – ele disse, examinando-a inexpressível – Sua voz é irritante – o seu típico sorriso canalha apareceu, e a ruiva se exasperou
- E a sua é insuportável! – resmungou, e observou que a fumaça no corredor dissipava-se – Ah, graças a Merlin! Passar bem. – sorriu, abriu a porta e saiu para o corredor à procura de Albus, colocando uma mecha que a irritava atrás da orelha.
Como Rose Weasley pode ser tão irritante? Pensava o loiro, enquanto voltava para seus amigos, brincando com uma figurinha de Sapo de Chocolate que encontrara no chão. Deve ser a genética, concluiu.
Fim do Capitulo.
N/A_Alô, alô! Como está indo a semana? A minha foi ótima! Adiantei bastante a SUB!
Então, gostaria de agradecer à Potter_Lover pelos comentários! Obrigada!
So vou pedir ema coisa, quando a Rose e o Scorpius se encontrarem, nao apaixona eles logo no primeiro ano.
Não se preocupe, você ainda ansiará mais um pouco até vê-los juntos! :D
Aqui está o segundo capitulo, então. Espero que gostem.
Não esqueçam de comentar!
Nox!
Ley ;*