O dia havia amanhecido já e eu podia ouvir batidas suaves em minha porta e a voz da minha mãe do outro lado me pedindo para acordar. Fingi que não havia escutado por alguns minutos não querendo acordar de meus sonhos, geralmente eles eram um ministério e eu era totalmente apaixonada por mistérios o que me fazia não querer acordar para poder analisar ao menos cada canto do lugar ao qual sonhava. Porem tudo que era bom sempre acaba rápido e quando as batidas na porta se tornaram mais emergentes achei melhor não brincar com a paciência de minha mãe e me ergui avisando que já estava de pé. Mamãe era uma pessoa muito gentil e tinha uma paciência de dar inveja a qualquer um, mas quando ficava brava digamos que não era legal ser seu alvo. Sorri de lado ao pensar na ultima vez que ela ficara brava com papai, só havia parado quando conseguiu deixa-lo atordoado e pedindo desculpas para ela. Levantei-me sentando na cama e soltei um breve suspiro olhando para a janela lá fora onde eu podia ver o sol tampado pelas nuvens da estação, estávamos no outono e aquilo me dava preguiça. Balancei a cabeça um pouquinho nervosa comigo mesmo, preguiça era coisa de gente que não tinha nada o que fazer e que não queria nada na vida ao menos isso era o que meus pais falavam, e se era provavelmente seria verdade. Com esse ultimo pensamento então pulei da cama e comecei a andar pelo quarto atrás de roupas descentes naquela bagunça. Eu não era um exemplo de filha organizada em relação a meu guarda-roupa deveria confidenciar e claro que todo mundo achava que eu era a filha perfeita, assim como meus próprios pais, mas isso era porque ninguém se dignava a abrir meu guarda-roupa no qual eu entulhava de qualquer jeito minhas coisas.
Enfim acho melhor não dar muitos detalhes de como me arrumei correndo para não perder o café com o meu pai, gostava de tomar café com ele porque era uma das poucas vezes que eu o via no dia. Papai era um dentista brilhante e desde um pequeno incidente no passado comigo na escola, ele havia começado a trabalhar em dobro para que mamãe tivesse mais tempo comigo e trabalhasse só quando eu estava para a escola. Não podia dizer que não era legal a iniciativa deles eu gostava de passar um tempo com minha mãe, mas sentia falta de meu pai e sempre acabava ficando pouco com ele por conta do acordo. Intimamente eu preferia passar algumas horas do meu dia sozinha ou a mais na escola para ter meu pai mais um tempo comigo do que o jeito que era. O café fora rápido afinal eu havia acordado atrasada para minha aula de violão e meu pai estava atrasado para atender um cliente logo cedo, em resumo nem bom dia direito consegui desejar a ele.
Saímos todos juntos de casa papai indo com o carro para o trabalho e eu e mamãe indo para o metro mais próximo em direção ao conservatório. Eu olhava para fora no metro durante o trajeto pensando no que me reservava aquele ano escolar eu estava já com meus bons 10 anos de idade, a quarta serie estava por vir e eu sempre tinha sido a melhor aluna do colégio, mas algo me dizia que aquele ano iria acontecer algo na escola comigo eu só não sabia bem o que era. Estava já entretida em pensamentos quando alguém passou atrás de mim e quase me mandou ao chão com a pressa, só não cai porque minha mãe me pegou pelo braço enquanto o senhor pedia desculpas e continuava seu caminho. “Patético” pensei em meu canto enquanto ajeitava o violão nas costas e dizia a mamãe que estava tudo bem. Não demorou muito logo, logo o metro parava na estação de destino e podíamos voltar a caminhar em paz pela multidão. Mamãe como sempre ia na frente como se fosse meu segurança e se uma bala fosse me atingir ela estaria na frente para me proteger, uma das coisas dela que eu nunca entendi foi essa proteção fútil afinal nada nunca me acontecia, a não ser aqueles incidentes estranhos por vezes.
Quando chegamos por fim ao conservatório notei minha mãe apreensiva e resolvi perguntar o que estava havendo, afinal não era normal ela estar naquela ansiedade toda logo de manhã.
- Mamãe o que esta havendo?
- Nada querida e só que hoje eu não poderei ficar aqui com você e também não posso lhe buscar... – Sentenciou Janet olhando para os lados como se certificasse que estava tudo bem, assim que o fez porem se abaixou um pouco e olhou dentro dos olhos da filha. – Hermione, essa e a primeira vez que eu te deixo voltar sozinha para casa, você sabe o caminho e seus bilhetes estão comprados tenha juízo e chegue em casa na hora e nada de falar com estranhos tudo bem querida?
Eu havia escutado aquilo mesmo? Olhei para minha mãe como se não acreditasse em suas palavras, mas tive que correr a reprimir um sorriso enorme enquanto ela falava. Ela iria me deixar finalmente voltar sozinha para casa, sei que parece pouco e que pode parecer idiota mas eu sempre quis que ela largasse um pouco do meu pé nesse sentido. Não era legal ser a única da turma no conservatório a qual a mãe leva, assiste e busca todas as aulas. Ate mesmo Adrian, um aluno de 8 anos voltava para a casa sozinho das aulas no conservatório!. Quando então notei que minha mãe havia encerrado a pergunta me apressei a assentir com a cabeça reforçando que não faria nada que não devia e estaria em casa na hora certa. Reparei porem que seu olhar ficou vago como se divagasse sobre o assunto e logo então me apressei a dizer que nada me aconteceria, afinal não queria perder minha primeira oportunidade com ela voltando atrás por alguma besteira que pensasse. Ela então se limitou a sorrir tocando meu rosto de leve e dando um beijinho em minha bochecha antes de me mandar entrar.
Foi então que com um grande sorriso eu retribui seu beijo em sua bochecha e corri para dentro saboreando o pequeno gostinho da minha primeira dose de liberdade. A aula de violão era uma das coisas que eu mais gostava em meu dia, pois adorava musica e deixar meus dedos passarem por cordas tocando acordes e dedilhando musicas, descobrindo notas e formando letras e ritmos era a melhor coisa que alguém poderia sentir. Violão definitivamente era uma paixão para mim, nada comparado ao piano, mas este era um ao qual a minha paixão infelizmente se limitava a contemplação, pois meus pais não gostavam e com isso não me deixavam aprender a tocar piano. A manhã porem com tanta musicas enchendo o lugar me deixou flutuando e sentindo um sabor de ousadia e liberdade ainda melhores crescendo cada vez mais em mim, já estava no intervalo da aula de violão quando decidi espiar a de piano, afinal era a única chance que podia ter de ver um e ouvir um sem ter meus pais reclamando ao meu lado. Após então me desvencilhar do pessoal de minha turma de violão sai caminhando para a sala de piano evitando o máximo possível encontrar obstáculos no caminho. Não vou dizer que foi fácil chegar lá, pois meu professor de violão me pegou numa conversa durante quase dez minutos sobre meu rendimento espetacular e uma provável carreira como musica. Mas após me livrar dele cheguei ao meu destino com um grande sorriso nos lábios que só conseguiu se dissipar quando notei a sala vazia.
Meus olhos correram todo o ambiente a procura de algum ser vivo que pudesse me informar se a aula já havia acabado, mas não conseguiram encontrar nem rastros de um. Já estava então para voltar inconformada para meu intervalo quando uma súbita ideia me ocorreu fazendo o sorriso de antes aparecer novamente. A excitação crescente pela liberdade estava realmente aguçando meus sentidos tornando-me mais ousada do que sempre fora, me fazendo simplesmente atravessar a sala indo ate o piano e me sentar no banquinho abrindo o tampo do mesmo revelando assim seu teclado. Ele era simplesmente... lindo, era a única coisa que me passava na cabeça enquanto admirada passava os dedos pelas teclas do mesmo me perguntando qual seria a sensação de toca-lo e sentir sua musica invadindo meus ouvidos, mas sabendo que desta vez era eu que tocava. Outra onda de ousadia então me invadiu e reparando que ninguém havia chegado nos minutos que estava ali, deixei que meu dedo indicador pressionasse de leve uma das teclas fazendo o piano soltar assim uma nota. Um sorriso se espalhou por meu rosto com a pequena sensação que começava a se instalar em meu corpo, uma sensação mista e envolvente. Uma mescla de liberdade, felicidade, ousadia, coragem e medo. Sim medo de ser pega ali enquanto deveria estar por ai conversando com os colegas de classe antes de voltar para o segundo tempo da aula de violão.
Aguardei por um momento após tocar a primeira nota, para ver se havia chamado a atenção de alguém, mas conforme o tempo foi passando e nada acontecia tive a certeza de que estava tudo certo. Deixei então que meus dedos passeassem a vontade pelas teclas brancas sentindo cada mínima nota com o coração. Eu não era nenhum Mozart eu já vou adiantando, mas sabia tocar duas músicas no piano um tanto difíceis, fruto de uma das férias que fui passar com uma tia minha na França. Ela assim como eu amava piano e com um pouco de sorte tocava um maravilhosamente me levando as nuvens quando o tocava para mim antes de irmos dormir. Estava já finalizando a segunda música quando senti uma presença na sala atrás de mim e congelei no mesmo instante sem ousar me mover. Minha respiração estava irregular e não sabia direito o que fazer, decorrido alguns minutos notando provavelmente que eu não tocaria mais, a pessoa atrás de mim bateu palmas antes de pronunciar.
- Toca mais... Estava ótimo
Estremeci de leve ao som da sua voz, mas me permiti descontrair um pouco afinal estava esperando uma voz grave e forte de um professor zangado, mas ao contrario disso escutei uma voz suave e doce se dirigir para mim. Mordi meu lábio inferior me perguntando internamente o que fazer e então me decidi por levantar e correr daquela sala, mas assim que me ergui senti uma mão pousar gentilmente em meu braço.
- Por favor não vá por minha culpa, fique...
Eu estava definitivamente assustada com aquilo tudo deveria assumir. Tomei folego então antes de deixar meus olhos subirem da mão pálida em meu braço ate o rosto da garota, rosto que eu deveria confidenciar ser perfeito, parecia ser esculpido por anjos. Senti um arrepio se propagar por meu corpo ao fixar meus olhos castanhos nos olhos azuis vivos da garota que me sorria amigavelmente. Não consegui me mover, nem mesmo falar nada estava simplesmente hipnotizada com a garota a minha frente. Ela era alguns poucos centímetros mais alta do que eu pelo que podia notar e tinha lindos cabelos negros e lisos que caiam como cascata por suas costas, sua boca era extremamente vermelha e seus olhos azuis vivíssimos. Não sabia o que fazer, não sabia o que falar estava totalmente perdida e entregue aos encantos de uma garota totalmente estranha. Ela porem parecia não se incomodar com o jeito que eu a olhava e simplesmente abriu mais seu sorriso logo me soltando e erguendo a mão para um comprimento.
- Evelyn Kennedy, prazer – Sorriu ela.
- E... umm... H-Hermio-ne G-Granger – Gaguejei totalmente sem jeito estendendo minha mão e pegando na dela cordialmente.
O toque de mãos porem me proporcionou um pequeno choque que propagou por meu corpo, suas mãos eram tão maciais e sedosas que me dera repentinamente uma vontade única de segurar para sempre.
- Então você faz parte da turma de piano? – perguntou ela ainda com o sorriso de lado.
- Err... não eu faço aula de violão, meus pais não gostam que eu toque piano – Me apressei a responder.
- Ah, que pena... Sou nova aqui no conservatório sabe, meus pais me mandaram para Inglaterra esse ano para viver com minha avô, seria legal conhecer já alguém da turma antes da aula começar odeio me sentir deslocada – comentou ela sem jeito.
- Mudou? Você é de onde? – Perguntei um tanto curiosa, diria ate demais. – Desculpe a curiosidade, e um pequeno defeito que eu tenho – Sorri me apressando a completar.
- Ah sem problemas, gosto de pessoas curiosas... Mas respondendo sua pergunta eu sou de Los Angeles nos Estados Unidos. – Respondeu Evelyn com um sorriso.
Acabamos por conversar um bom tempo ali naquela sala e depois combinamos de nós encontrar na hora da saída pois havíamos descoberto morar a exatamente dois quarteirões de distancia uma da outra. O segundo tempo da aula de violão aquele dia fora mais longo e entediante do que eu jamais poderia imaginar, minha vontade de sair logo dali e ver Evelyn era tão grande que eu chegava a suar e errar acordes facilmente. Me perguntava o que estava acontecendo comigo para querer tanto ver uma garota assim, mas sempre a resposta que vinha a minha cabeça era porque ela era de outro lugar e diferente o que a tornava ainda mais interessante e legal de conhecer. Quando o sinal tocou anunciando o fim das aulas no conservatório aquele dia me dirigi correndo sem dar brechas para o professor, indo em direção aos portões do conservatório onde havia combinado com Evelyn de nos encontrar. Nem cinco minutos se passou de que eu estava lá esperando e ela chegou trazendo consigo uma pequena pasta deixando seu visual um tanto diferente dos demais. Era simples explicar, enquanto todo mundo usava uma jeans escura, tênis e um, sobretudo ela usava calça jeans clara, all star básico e um pequeno casaco de couro bege por cima de uma blusa roxa que notei ser de alcinha. Me perguntava se ela não ficava com frio daquele jeito, afinal o outono ainda não era a estação mais fria do ano, mas também possuía temperaturas um tanto nada gostosas. Ela veio então ao meu encontro com o sorriso de sempre e não pude deixar de sorrir de volta me sentindo uma idiota por tal coisa.
- Então vamos de que? – Brincou ela estendendo seu braço desocupado para mim.
- Metro – Sentenciei rapidamente enquanto sem jeito passava meu braço pelo seu e começava a caminhar com ela em direção ao metro. – Esta gostando da Inglaterra? – Perguntei tentando puxar assunto.
- Sim, aqui e muito legal nada comparado ao clima de L.A. e aos agitos de lá, mas... – Respondeu ela achando graça de minha pergunta.
- Que tipos de agito têm lá que não tem aqui? – Perguntei curiosa.
- Umm, quem sabe um dia te leve lá e mostre não sei explicar a você – ponderou-a achando novamente graça em minha curiosidade.
- Meio difícil você conseguir me mostrar, minha mãe não me deixa respirar sozinha por muito tempo, hoje e o primeiro dia que ela me deixa voltar sozinha para casa e não fica para assistir minha aula – comentei neutra com um suspiro passageiro de pesar.
- Bom, não precisamos ir já quem sabe quando você tiver mais idade e puder decidir por si só, acho ate que seria melhor afinal segundo minha mãe para os mais velhos os agitos da cidade são ainda melhor – Sorriu-me ela com uma leve piscadinha.
Não a respondi de imediato deixando minha cabeça vagar, afinal se ela disse quando fosse mais velha queria dizer que agora éramos amigas e não iriamos nós separar tão cedo. De algum modo isso fez um enorme sorriso aparecer em meu rosto e uma felicidade enorme crescer dentro de mim, afinal eu não queria me separar dela assim tão rápido. Além do mais Evelyn era dois anos mais velha do que eu e poderia me achar pirralha demais para ser sua amiga.
O caminho para casa fora extremamente animado, pois com custo convenci Evelyn me contar sobre a vida na sua cidade e ela acabou por dizer quase tudo sobre lá. Sim quase, pois pude reparar que ela travava em certas coisas e mudava rapidamente o rumo do acontecimento, pulando para a próxima cena por assim dizer, mas não me incomodei muito com tal fato afinal, teria tempo suficiente para descobrir tudo não é verdade?. Ao chegar em casa aquele dia tinha um sorriso radiante nos lábios e com gosto contei para minha mãe que havia feito uma nova amizade com a qual podia sempre ir e voltar do conservatório se assim me fosse permitido, mas como era de se esperar minha mãe disse que antes deveria conhecer bem a pessoa antes de me deixar ir. Aquele dia eu dormi mais cedo após um banho quente deixando assim na minha mente todas as lembranças do dia passar a vontade por minha cabeça.
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De fato aquele dia mudara muitas coisas na minha vida, primeiro que após conhecer Evelyn, minha mãe simplesmente se encantara com a garota e permitiu que eu pudesse ir e voltar do conservatório com ela e melhor ainda, descobrimos ir estudar na mesma escola e minha mãe ficou feliz em poder levar nós duas e deixar voltarmos sozinhas. Era um gosto de liberdade único o qual eu sentia quando aquilo tudo aconteceu e melhor ainda eu ainda podia estar sempre perto de Evelyn que também parecia gostar de minha presença, me ensinando coisas sobre piano e ajudando sempre que podia em situações complicadas. Com o tempo a avô de Evelyn pegou amizade também com meus pais e confidenciou que gostava que a neta tivesse uma amizade como a minha e passou a deixar Evelyn ir passar finais de semana em minha casa assim como a me convidar para passar alguns na casa dela. Em resumo minha vida estava perfeita, menos uma coisinha que a cada dia crescia ainda mais dentro de mim. Eu tentava por tudo disfarçar e tentar pensar em outras coisas ralhava comigo também sempre que o percebia, mas tinha de dar o braço a torcer eu estava a cada dia que passava, a cada minuto, hora e segundo me apaixonando ainda mais por Evelyn Kennedy.
O sol já escondia ao longe deixando apenas uma linha avermelhada no horizonte, era a primavera que chegava anunciando que logo, logo estaríamos no verão e as férias de fim de ano letivo, férias as quais Evelyn iria passar com os pais em L.A. o que me deixava um tanto pra baixo. Me encontrava naquele momento deitada embaixo de uma das arvores do extenso jardim da casa da avô de Evelyn, a senhora Amélia, estava lá para passar o fim de semana com as duas já que meus pais estavam numa viagem para visitar alguns parentes no sul da Inglaterra e eu me recusara a ir alegando que tinha que estudar para provas na semana que vem. Evelyn se encontrava ao meu lado absorta em seus próprios pensamentos e devaneios olhando para o horizonte enquanto me observava ler, ou melhor tentar ler já que toda vez que a sentia perto demais ou me olhando eu não dava conta sequer de focalizar uma linha. Estavamos em silencio já a mais de 20 minutos absortas cada uma em suas divagações quando a velha senhora Taylor apareceu na porta da casa que dava para o jardim e avistou nós duas com um sorriso.
- Garotas, preciso sair hoje para ir resolver alguns assuntos meus receio ter de deixa-las sozinhas ate amanha de manhã. – Anunciou a mesma esperando nossa reação.
Evelyn somente assentiu para a avó com uma cara de repreensão. Ela nunca havia gostado de sua avô estar preza ainda ao mundo dos negócios, a família Lowel, que era a família da mãe de Evelyn e de sua avô era uma das famílias antigas de Londres. Taylor era uma senhora já, mas ainda sim uma mulher de negócios e firme em seus propósitos o que me fazia internamente a admirar. Evelyn achava que os negócios consumiam a avô demais e sempre reclamava quando ela saia e eu replicava que era interessante no mínimo ela ainda querer participar do mundo dos negócios, por isso me manteria calada sobre aquele assunto hoje apenas então acenando afirmativamente para ela.
- Deixei algum dinheiro sobre a mesa de jantar quando quiserem comer e só pedir algo, me retiro agora, pois tenho que pegar ainda um avião ate a Irlanda, espero que fiquem bem ate eu voltar – Despediu-se Taylor logo sumindo dentro de casa.
- Odeio isso – Sentenciou Evelyn após escutar o barulho do carro da avó saindo de casa. – Não sei porque ela ainda tem que estar metida no mundo dos negócios, isso a consome demais e sua saúde já não é a mesma de antes!
- Ela gosta disto Eve o máximo que podemos fazer é aceitar – Disse em um tom calmo enquanto abaixava meu livro e me virava para encara-la. Evelyn estava com o rosto a alguns centímetros do meu me olhando como se nunca tivesse me visto na vida. – Ah Eve eu sei que você se preocupa com ela e é normal afinal você é neta dela, mas não podemos simplesmente amarra-la em casa... – Tornei a falar na tentativa de não fazer surgir ali uma briga.
- Eu sei Mih... – Suspirou ela me chamando pelo apelido que me dera a algum tempo o qual me arrancava certos suspiros ao ouvi-lo naquela linda voz. – mas quem disse que não posso amarra-la? O difícil e quando ela conseguir se soltar...
Sorri brevemente imaginando a cena e notei que Evelyn me acompanhava deixando uma discreta risada escapar por seus lábios. Adorava o som de sua voz e suas risadas, eles simplesmente me permitiam uma viagem completa de meus sentidos. Notei após um tempo que não riamos mais e eu estava a fintar seus lábios, corei quase que imediatamente voltando minha atenção para meu livro com medo dela ter notado. Ouvi então um suspiro breve vindo dela e logo a mesma se endireitou ao meu lado se sentando ereta, enquanto murmurava coisas baixinho demais para serem entendidas. Mordi meu lábio inferior e logo a vi se curvar abraçando suas pernas e me sentei colocando minha mão em suas costas e a puxando para mais perto deitando meu rosto em seu ombro.
- Porque não tenta falar serio com ela ein? – Sugeri timidamente enquanto começava a acariciar os cabelos de Evelyn.
- Eu já tentei Mih, mas não estou assim por ela agora... E só que... Ann bem não ando no meu ‘normal’ – Suspirou ela misteriosamente fazendo com que eu levantasse minha cabeça de modo finta-la seria com uma sobrancelha erguida. – nham esquece Mih e coisa minha...
Ela tentou sorrir, mas pude notar algo diferente em seu sorriso uma certa tristeza e aquilo me incomodou bastante. Tentei desvendar o que se passava em sua cabeça olhando no fundo de seus olhos como se pudesse ver sua alma, mas foi em vão eu não conseguia ver nada que me pudesse dar alguma ideia do que se passava com minha amiga... com minha paixão. Balancei a cabeça fechando os olhos por alguns segundos e logo abrindo-os e resolvi interromper o silencio.
- Não gosto de te ver assim, vamos me diga o que esta acontecendo contigo. – Disse naquele tom de voz mandão que eu sempre usava quando queria algo.
- Não é nada demais Mih... – Ela tentou argumentar, mas logo deixou a voz morrer quando me olhou e viu minha expressão seria e mandona. – Ok... tudo bem, mas tem que jurar não contar a ninguém ok?
Sorri marota enquanto fazia sinais com a mão jurando para ela mudamente que não contaria a ninguém. Ela então sorriu ao notar meu sorriso e minha jura, e não pude deixar de notar novamente o quão linda era ela sorrindo. Porem não me deixei levar por meus pensamentos insanos naquele momento afinal ela havia concordado em me contar algo e não deixaria a mesma escapar fácil de mim, não mesmo. Notei que seu sorriso tremeu de repente e ela tornou a fintar o horizonte já escuro após o por do sol.
- Eve? – sussurrei quase em suplica, me matava por dentro não saber o que lhe passava. Ela então me olhou como se ponderasse alguma coisa e depois simplesmente suspirou.
- Mih deixaria de ser minha amiga se eu algum dia namorasse uma garota?
Olhei-a incrédula sem ao menos respirar por algum bom tempo ate que o fosse necessário. Ela havia mesmo me perguntado aquilo? Com certeza era uma brincadeira dela!. Deixei que uma risada um tanto descontraída e nervosa começasse a sair, mas logo a repreendi ao ver seu jeito de me olhar. Ela estava totalmente seria, seria como eu nunca a havia visto antes e então pude notar que o tom de voz que usara fora inseguro e serio ao mesmo tempo, tornando assim as coisas mais claras para mim. Evelyn não estava curtindo com a minha cara, estava simplesmente me perguntando um fato que era real. Sim real nenhuma garota pergunta isso a outra se ela não já tivesse ficado e fosse se confessar ou se ela estava interessada em outra garota. Tal pensamento ligeiro me fez suspirar sentindo meu coração dar um leve salto e uma sensação de borboletas na boca do estomago, mas logo afastei tudo isso com um sorriso brincalhão e descontraído nos lábios enquanto sacudia a cabeça de leve.
- Claro que não Eve! Que pergunta! – respondi tentando controlar minha voz que insistia em querer demonstrar minha repentina felicidade. – Porque pergunta? – Apressei-me a completar vendo que havia atingido meu objetivo com sucesso.
- Ann bem, faz um tempo que queria lhe falar isso, mas sei lá você é sempre tão certinha... – Começou ela com um pequeno sorriso tímido – Mas bem, uma vez você me perguntou o porque meus pais me mandaram para morar com minha avó... Bom assumo que lhe menti naquela ocasião, não foi porque eu fugi de casa porque não suportava mais as brigas dos meus pais – Notei então sua voz dar uma leve tremida e ela ficar calada por uns instantes com o olhar perdido, ate então recobrar a voz. – na verdade eles me mandaram aqui porque descobriram que eu estava namorando minha melhor amiga.
Olhei-a confusa por alguns instantes, a ultima parte ainda não estava lá clara em meus pensamentos porque ela havia falado rápido demais como se tivesse receio de minha reação. Repassei a frase mentalmente por vários segundos ate que consegui entender palavra por palavra e podia ate dizer letra por letra, pois a cada mínimo som das silabas meu coração dava saltos mais altos e um sorriso quase se formava em minha face. Balancei a cabeça me repreendendo mentalmente enquanto voltava a falar com Evelyn.
- Err... seus pais então ficaram contra o namoro e vocês se viram forçadas a terminar e você foi obrigada a vir foi isso? – Disse-lhe rápida e perspicaz, eu tinha uma noção disto pois era o que havia acontecido com uma prima minha mais velha a um tempo.
- Quase isso – Disse ela me olhando meio que incrédula por um breve momento, mas logo deixando o clima de tensão se esvair e voltando a sorrir – Na verdade, nossos pais ficaram contra e os meus me mandaram para cá já os dela a mandaram para a Alemanha, mas ainda continuamos o relacionamento por um tempo é claro ate ... – Suspirou ela deixando novamente a voz morrer. Olhei-a por um momento decidindo por fim falar, mas fui cortada pela mesma. – Bom eu recebi uma carta dela fim de semana passado foi por isso que não fui para sua casa e ate agora não acredito que acabou...
Suas palavras eram carregadas de tristeza e magoa e aquilo me deixou totalmente arrasada por um tempo, porem logo passou mais rápido do que quando veio. Ela havia namorado uma garota e melhor ainda a garota antes havia sido uma amiga dela, provavelmente inseparável e por fim as duas haviam se separado e ela estava ali frágil diante de mim. A abracei forte dando um beijinho em sua bochecha e me apressei a dizer.
- Sinto muito Eve, da pra ver o quanto a garota era importante para você por como você esta... Se eu pudesse fazer algo, qualquer coisa... – Disse em um tom sincero me perdendo em minhas próprias palavras.
- Tudo bem Mih, você me ouviu e melhor ainda não saiu correndo gritando e nem me odeia você já fez o suficiente – Ponderou ela retribuindo meu abraço com um sorriso nos lábios.
Como eu amava aquele sorriso sincero em lábios tão vermelhos e volumosos, mas não podia me deixar levar pelo impulso de beija-los ali mesmo seria muita indelicadeza da minha parte além do mais ela nunca olharia para mim. Nerd, baixinha, irritante e feia, era isso sim o que eu era como um anjo como aquele poderia olhar um patinho feio como eu?. Suspirei derrotada e logo a chamei para dentro de casa, já estava tarde e o tempo começava a esfriar e por mais que aquele abraço me fazia me sentir mais aquecida que qualquer coisa, meu estomago também roncava. Mal sabia eu que aquilo seria o inicio de uma longa vida...
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N/A: Oi gente bonita *-*
Peço humildemente o perdão de todas que estão lendo, mesmo sendo poucas *-*. Sei que havia prometido pro próximo fim de semana depois do que postei o capitulo dois, mas infelizmente minha vidinha de encostada virou um corre, corre que só. Enfim depois de muitos problemas com a mudança ainda recente de país (sim eu deixei meu lindo Brasil pra trás ç.ç e nem eu acredito que fiz isso ç.ç), eu consegui voltar para postar esse capitulo ;].
Capitulo curto e eu acho um pouco corrido ‘-‘, mas eu fiz ele assim pois ele era só para termos uma base de porque a Hermione vai ser a ‘minha’ Hermione e não a Hermione da Diva máster J.K. *-*. Enfim espero que gostem e deixem comentários, adoro saber o que acham sobre o que eu escrevo e ate mesmo como escrevo, sempre achei que historias de qualidade não precisam ter só o enredo bom, mas também a escrita ser chamativa, nem muito demorada com descrições, mas também não muito corrida e estou me esforçando ao máximo para não atropelar nada e também não demorar em nada x.x.
Enfim bjus, bjus Girls e aguardem o próximo capitulo, pois agora nossa Hermione vai estar a caminho de Hogwarts... Ops me calando agora u_u.