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14. Balde de agua


Fic: A noiva


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CAPÍTULO 14

Quando Gina se aproximou de Bill por trás e o tocou de leve no ombro, deu-lhe um bom susto, pois ele não havia percebido sua aproximação. Deu meia-volta para ver seu suposto atacante, e relaxou ao ver a ama de pé ante ele, com um par de sapatos na mão. Bill ficou olhando-os, sentindo-se como um idiota, e admitiu um fato óbvio:
—Não a ouvi aproximar.
—Não quis assustá-lo —respondeu Gina—. Fale baixo, Bill. Harry está tirando um cochilo.
—O Potter?
—Por favor, Bill, não grite assim —disse Gina—. Além do mais, você não precisa parecer tão incrédulo. Afinal, Harry é um ser humano. Ele não estaria dormindo tão profundamente se não precisasse descansar, não é?
Bill balançou a cabeça e fez um grande esforço por não cair na gargalhada. A última vez que o viu, Potter não parecia absolutamente fatigado. Claro que ia para a cama, mas Bill sabia que não tinha a menor intenção de dormir.
Por Deus, não via a hora de rir de Harry!
Gina se apoiou no braço de Bill enquanto calçava os sapatos.
—Acho que pedirei a Hessie que me ajude a limpar o dormitório do piso superior. —Soltou-lhe o braço, alisou as saias e tentou passar por ele.
Bill se moveu com rapidez e impediu que passasse.
—Enviarei um dos homens atrás dela —afirmou.
—A caminhada me fará bem.
—Guarde forças para a tarefa —aconselhou Bill.
—De acordo, Bill —disse Gina, com a intenção de apaziguar ao soldado, pois via que ele estava aflito. Olhou-o, perplexa:
—Você se sente bem? Está se comportando de um modo muito estranho.
Deixou-a apoiar o dorso da mão sobre sua testa e logo lhe respondeu:
—Sinto-me muito bem, Gina. Por que não começa a tarefa?
A jovem o olhou por um bom momento antes de voltar-se e caminhar para a entrada do castelo. Bill ia pisando seus calcanhares, mas Gina não fez comentários até chegar à terceira porta. Então, virou-se outra vez para o homem.
Bill resmungou uma explicação antes que Gina pudesse lhe perguntar algo:
—Se tiver que mover algo pesado, eu posso lhe dar uma mão.
Gina lhe dirigiu um sorriso amável.
— Quanta consideração de sua parte, Bill! Mas o padre Weasley já me ajudou a mover o baú, e há bastante espaço para colocar minhas coisas quando chegarem.
—Suas coisas já chegaram, milady —recordou de repente Bill—. Esta manhã, cedo. Faço que os homens as tragam do pátio inferior?
—Por favor, Bill —respondeu Gina—. Viu...? Entre as coisas que havia na carreta, viu uma cadeira?
—Não valia a pena utilizar uma carreta —explicou Bill—. Além disso, não poderia subir pela trilha estreita. Havia quatro cavalos carregados —continuou, ao notar a desilusão da jovem—. Estavam carregados ao máximo, milady. Sim, vi uma cadeira de aspecto estranho...
—Minha própria cadeira —interrompeu-o Gina, unindo as mãos. O que lhe pareceu estranho foram as pernas, Bill, porque é uma cadeira de balanço. Pertenceu à família de minha mãe. Papai gostava de sentar-se nela todas as noites e foi muito gentil de sua parte tê-la mandado.
—Milady, uma cadeira de balanço?
—Ora, ora —disse Gina, suspirando—. Temo que a novidade nunca será aceita. Mas como era de minha mãe, eu a conservarei até a morte. Deve ser passada de geração a geração.
Bill se perguntou quem seria o louco que havia idealizado uma cadeira tão absurda, mas se absteve de dizê-lo em voz alta.
Deixou Gina fazendo a limpeza. Limitou-se a acompanhá-la até o piso superior para garantir que não houvesse ninguém ali para encontrá-la despreparada. No momento em que Bill começava a descer a escada, entrava Sirius.
—Sirius, tenho que falar com você —gritou.
— Do que se trata, Bill?
O segundo em comando não falou até que Sirius tivesse entrado no salão grande. De onde estavam, Bill podia observar a porta do quarto de cima. Ninguém poderia entrar ou sair sem que ele visse.
—Quero que ponha dois soldados debaixo da janela.
— Qual janela?
—Gina está trabalhando no primeiro quarto de cima —explicou Bill—. Coloque dois soldados diante da porta, e outros dois debaixo dessa janela.
— Devo dar-lhes algum motivo? —perguntou Sirius, com expressão concentrada.
—Claro, diga-lhes que têm que proteger à senhora —cutucou Bill.
—Bill, o que está insinuando? —perguntou Sirius, perdendo a paciência.
— Você não soube?
— Soube o que?
Bill suspirou e lhe relatou o incidente que quase havia terminado em tragédia.
—Sirius, alguém a trancou lá dentro. Fui eu quem tirou a trava da porta —alardeou, sem poder resistir —. Mas ainda não consigo acreditar.
—Quem pode ter feito uma coisa dessas?
—Não se viu ninguém perto da colina —disse Bill—. E Harry quer que você e eu montemos guarda.
— Ele se referiu a mim em particular? —perguntou Sirius, cético.
—Isso mesmo. Aprecia sua lealdade, Sirius. Por acaso duvida? Sirius abanou a cabeça.
—Não lhe dei motivos para duvidar de minha lealdade —disso—. Embora tenha lhe dito que não estava de acordo com este matrimônio, obrigado ou não.
—Insulta nosso lorde se acha...
—Não, Bill —replicou Sirius com ênfase—. Ele me demonstra seu apreço, e essa fé em mim me honra.
Bill riu com vontade.
—Até agora, você nunca falou com tanto ardor, e, oras, eu rio de você! Não se ofenda amigo, o que acontece é que seu rosto está ruborizado.
Deu uma palmada no ombro de Sirius, e este perdeu a expressão sombria; até esboçou um de seus estranhos sorrisos.
Quando o senhor se uniu a eles, os dois soldados estavam sorridentes. O semblante de Harry, em contrapartida, não pressagiava uma conversa superficial.
— Onde está minha esposa?
Bill pensou que todos os soldados que estavam treinando no pátio de baixo deveriam ter ouvido a exclamação de Harry.
—Está no piso superior, limpando um dos quartos —informou Bill.
— Sozinha?
—Antes que ela que entrasse eu revisei o quarto — apressou-se Bill a dizer—. Ninguém poderia entrar nem sair sem que o visse —adicionou.
Harry assentiu.
—Quero que os dois fiquem com ela até que eu retorne —ordenou—. Não quero que dê um passo sem que um de vocês esteja diante dela e o outro, atrás. Entenderam?
Bill e Sirius assentiram.
—Chamaremos sua atenção —aventurou Sirius—. É inglesa, Harry, não estúpida.
Bill pareceu mais assombrado pelo tom zombador de Sirius que o próprio Harry.
—Sim, achará estranho —concordou.
—Que estranhe —insistiu Harry—.Diga-lhe que é ordem minha. Maldição, esta mulher não teria que estar realizando tarefas vulgares!
—Queria fazê-lo, Harry—disse Bill—. E eu percebi que Gina precisa usar parte de suas energias. Talvez parte de sua força a tenha contagiado. Se me permite dizê-lo, você me parece um tanto fatigado. Acaso precisa de um cochilo mais prolongado, milorde?
— Harry tirou um cochilo? —perguntou Sirius, incrédulo.
—Suas brincadeiras não me parecem divertidas —afirmou Harry—. E se continuarem sorrindo assim... juro por Deus que os esmagarei! E quando terminar, garanto que dormirão muito mais que eu.
A ameaça fez com que Harry recuperasse o grau exato de respeito que pretendia.
—Irei falar com Carlos —disse sobre o ombro—. Voltarei em uns minutos.
Enquanto se dirigia à cabana de Carlos, o ânimo de Harry era tão feroz como o vento que começava a aumentar, e a gritaria que ouviu ao aproximar-se da cabana de seu fiel soldado indicava que Carlos não estava muito melhor.
Elizabeth abriu a porta exibindo um amplo sorriso, sinal de que o escândalo que o marido armava não a incomodava em absoluto.
—Elizabeth, apesar de estar obrigada a conviver com um louco, você mantém a calma —disse Harry, ao entrar na casa.
—Sua esposa me avisou que não seria fácil fazer que Carlos descansasse. Também teve razão ao me advertir que Carlos ficaria como um urso selvagem. Nestes momentos, não é muito amável —adicionou em voz mais alta para que o marido a ouvisse—, mas estou certa de que quando lhe tirarem os pontos do peito, deixará de queixar-se constantemente.
— Pare já de falar de mim desse modo tão desrespeitoso! —gritou Carlos da cama—. O senhor veio ver-me, mulher. Não quer ouvir as queixas de uma esposa.
Elizabeth dirigiu ao senhor um olhar exasperado e se voltou para seu marido:
— Posso lhe oferecer uma taça de vinho? —perguntou.
Carlos a olhou carrancudo e logo assentiu.
—Eu também poderia tomar um pouco.
Elizabeth não fez caso da insinuação. Serviu a Harry uma boa porção de um vinho vermelho escuro, e a seu marido, uma taça de água. Harry não se surpreendeu quando Carlos começou a grunhir.
—Eu os deixarei sozinhos —disse Elizabeth. Fez uma reverência para Harry e se encaminhou para a porta.
—Elizabeth, antes de ir, venha aqui —ordenou Carlos.
Harry se apoiou contra o borda da janela e observou como a bela mulher se apressava a aproximar-se de seu marido. Viu que estava ruborizada e entendeu o motivo ao ver que Carlos estendia a mão sã, segurava-a da nuca e a atraía para ele para lhe dar um beijo longo e apaixonado.
O homem murmurou algo enquanto Elizabeth se endireitava e lhe deu uns tapinhas no traseiro. A mulher saiu rapidamente pela porta.
—É uma boa mulher —disse Carlos, exalando um longo suspiro. Derrubou a água da taça ao chão de terra e se levantou da cama para procurar a jarra de vinho.
—Ela a levou consigo —informou Harry, rindo—. Sua mulher o conhece melhor do que pensa.
O comentário satisfez Carlos. Fez um gesto a Harry, pedindo que compartilhasse sua bebida com ele, e quando o senhor concedeu, bebeu um bom gole.
—Por Deus, que delícia! Sua esposa disse a Elizabeth que não devo beber vinho até que os pontos caiam. Só Deus sabe por que disse algo tão monstruoso! E Elizabeth a obedece em tudo. Harry, com essas duas mulheres rondando a meu redor, estou condenado à desgraça. Homem, teria que me ter deixado morrer, e me salvar de semelhantes...
—Anjos?
Carlos assentiu.
— Há algo em particular que queira falar comigo, ou só veio aqui verificar meu estado lamentável?
—Fecha a porta, Carlos —indicou Harry—. Não quero que ninguém escute nossa conversa. Amigo, preciso de algumas informação e conselho.
Carlos fechou a porta de um chute.
—Harry, por sua expressão sombria, vejo que se trata de algo sério.
Harry lhe contou o que acontecera com Gina. Concluiu a narração dizendo que ela não sabia que alguém tentara matá-la.
Os homens falaram da ajuda extra que era necessária até que achassem o culpado. Embora Carlos só tivesse três verões a mais que Harry, para o senhor isso significava que era três verões mais sábio que ele.
Carlos se sentou em uma cadeira e apoiou os pés sobre a cama. Quando terminaram de formular os planos, o cenho do ferido estava tão carregado como o de Harry.
Ao ver que Harry começava a percorrer o quarto em largas passadas, Carlos compreendeu que ele tinha algo mais a lhe dizer, e esperou com paciência até que o senhor continuasse.
Passaram longos minutos de silêncio até que Harry se voltou para Carlos.
—Carlos, quero que me diga tudo o que lembre sobre Helena. Você esteve presente, bem como Bill e Sirius, pelo breve período em que estive casado com ela. E como eu estive ausente...
—Sim, a maior parte daquele tempo você esteve ocupado com os assuntos do rei —conveio Carlos—. Harry, você se dá conta de que é a primeira vez que fala em Helena desde o dia do enterro?
—Queria esquecer —disse Harry—. Entretanto, sempre... —interrompeu-se em metade da frase, sacudiu a cabeça, e repetiu a Carlos que lhe contasse tudo o que sabia sobre Helena.
Potter passou meia hora interrogando seu amigo. Quando se separou de Carlos, seu ânimo não tinha melhorado. Elizabeth estava matando o tempo do lado de fora. Antes de ir-se, Harry lhe deu uma piscada e a mulher voltou a ruborizar-se.
Harry acabava de chegar ao topo da colina quando viu Gina na janela do piso superior. Se a mulher tivesse se voltado um pouco para a esquerda, o teria visto. Mas a atenção dela estava concentrada em dois soldados que descansavam, apoiados sobre o muro, sob a janela.
A jovem sorria e, imediatamente, o ânimo de Harry se aliviou. Senhor, era encantadora! “Era tão bonita com o cabelo preso no alto da cabeça!”, pensou Harry.
Longas mechas cacheadas tinham-se soltado e pendiam dos lados do rosto. Tinha manchas de terra no nariz e na testa. Rindo, Harry pensou que antes de terminar o dia, ela precisaria de outro banho.
O que dizia um dos soldados atraía a atenção de Gina.
Enquanto Harry a observava, Gina apoiou os cotovelos no batente e se inclinou para fora. O homem percebeu que parecia muito divertida pelo que o soldado contava ao amigo.
Harry se aproximou mais, e se deteve de repente ao compreender que os homens falavam em gaélico.
E Gina compreendia perfeitamente!
Ficou muito surpreso para zangar-se. Então, ouviu a última parte de uma antiga piada que o soldado contava a seu amigo, a respeito de um guerreiro escocês que tinha encontrado uma mulher nua estendida na margem de um caminho. Seguindo a inclinação natural do homem, o guerreiro se jogou sobre ela e satisfez seus instintos.
O mais jovem dos soldados lançou exclamações de aprovação antes que o amigo concluísse o conto, que falava disse que outro guerreiro tinha chegado ao lugar da cena e lhe disse ao anterior que a mulher estava morta, Por Deus Todo-poderoso!, só um miserável infiel era capaz de copular com uma morta.
Gina cobriu a boca com a mão, sem dúvida para conter a risada, e seus olhos brilharam divertidos. Excitada, aguardou o arremate da piada.
Harry, por sua vez, esperou a ver a reação da mulher.
—Morta? —gritou o soldado—. Achava que era inglesa!
Ao ouvi-lo, o sorriso de Gina se desvaneceu. Desapareceu da janela, enquanto os dois soldados, ignorantes de sua presença, seguiram rindo alegremente. Depois, Gina apareceu outra vez à vista, sustentando com esforço um grande balde cheio de água. Harry conteve o riso, enquanto a via debater-se com o peso do recipiente, mas não fez nada para avisar os homens. Gina mirou, sorriu com ar vitorioso e jogou a água usada sobre as vítimas.
— Por favor, me perdoem! —gritou, quando os soldados concluíram a enxurrada de maldições e levantaram as cabeças —. Não sabia que estavam aí —mentiu, em seu tom mais doce.
—É lady Potter! —murmurou um dos soldados.
Imediatamente, os dois jovens se envergonharam de ter gritado e se desfizeram em desculpas. Quando passaram correndo por Harry, este os ouviu comentar que era uma sorte que a senhora não entendesse o gaélico pois, do contrário, a teriam ofendido com a picante história.
Mas Gina tinha entendido. Harry riu com ressonantes gargalhadas que atraíram a atenção da esposa.
Gina sorriu em resposta.
—Está de bom humor, marido —exclamou——. Você se sente descansado?
Aludia ao cochilo, e isso cortou a risada de Harry. Pensou que esse joguinho tolo podia ser jogado em dupla, e começou a imaginar os comentários que faria em gaélico, é obvio, só pelo gosto de provocá-la. E como Gina não podia revelar que entendia, não estaria em condições de desforrar-se.
Ele a venceria em seu próprio jogo. Harry estava ansioso para lançar os insultos que lhe ocorriam; quando Gina estava zangada era muito tentadora. E Harry era o homem capaz de irritá-la.
Esta mulher era cheia de surpresas. Tinha fingido ignorância cada vez que se falava em gaélico diante dela. Demônios, pensar que Harry ordenou a seus homens que melhorassem seu domínio do inglês para lhe facilitar a adaptação! Se não adotasse precauções, ao chegar o inverne Gina já os teria obrigado a todos a usar o traje inglês! A mera idéia lhe deu calafrios.
— Está bem, Harry? Do que está rindo? —perguntou Gina outra vez, debruçando-se na janela.
—Cuidado! —gritou o homem lá do térreo —. Vai cair de cabeça, tola.
A jovem retrocedeu um pouco.
—Obrigado por ter tanta consideração, marido. Vai me contar por que ria tanto?
Harry contou a história que acabava de ouvir, só para provocá-la, mas Gina nem o deixou terminar.
—Harry, conheço esse velho conto —exclamou, e adicionou:
—A mulher não estava morta: era escocesa, e isso é tudo. Afastou-se da janela antes que Harry pudesse discutir.
Eles se encontraram ao pé da escada.
— O que é toda esta desordem? —perguntou, em tom resmungão. O espaço entre eles estava cheio de pacotes. Em cima da pilha havia uma cadeira de aspecto estranho com espaço suficiente para que se sentassem dois homens corpulentos.
—Meus pertences —disse Gina—. Harry, algumas irão para nosso dormitório, e o resto ficará no salão.
—Não gosto da desordem —afirmou Harry. Pegou uma tapeçaria e a estendeu para poder ver o desenho. Gina abriu caminho entre os pacotes e tirou-a das mãos do marido.
—Não franza o cenho, marido —murmurou, pois Bill e Sirius observavam a cena—. Pensei que poderíamos colocá-la sobre a chaminé —continuou.
— Que demônios é? —grunhiu Harry—. Não encontro...
—Está olhando-a de cabeça para baixo —explicou Gina. Correu até Bill e lhe entregou a tapeçaria—. Por favor, pendure-a... bem reto, por gentileza. E não tente olhá-la enquanto a pendura, Bill. Quero que seja uma surpresa.
—Milady, teceu-a com suas próprias mãos? —perguntou Bill, sorrindo ante o entusiasmo da senhora.
— Não! —disse-lhe Gina—. Toda a tarefa foi feita por Lilá e Padma. Foi uma surpresa para o dia de meu aniversário. —Olhou longamente para Bill e Sirius e logo se voltou para Harry.— Teríamos que providenciar que minhas irmãs gêmeas conhecessem Bill e Sirius, sabe? Acredito que se...
—Não arrumará matrimônios, Gina —afirmou Harry.
—Gina, as gêmeas são como você? —perguntou Bill.
—Não, são muito mais bonitas.
Os olhos de Bill se abriram de assombro.
—Pois tenho que conhecer essas damas —assegurou.
—Têm a mesma personalidade que Hermione —murmurou Harry.
—Não importa —apressou-se a dizer Bill. Virou-se e foi até a chaminé para pendurar a tapeçaria, seguido pela gargalhada de Harry.
—Bill, se você contar a alguém que seu senhor tira cochilos, vou garantir que você conheça as gêmeas.
—Que cochilo? —disse Bill.
Até Sirius se uniu às risadas. Até esse momento, nunca o tinha visto rir, e, sem querer, sorriu.
— Por que parecem todos tão divertidos? —perguntou.
—Não tem importância, Gina —disse Harry. A moça olhou para seu marido com ar suspicaz.
— Por acaso insinua a seus homens que minhas irmãs não são dignas deles? —Com os punhos nos quadris, deu um passo em direção ao marido em evidente desafio.
— Duas cabras são mais dignas do que aquelas duas.
Gina abafou uma exclamação. Harry não pôde resistir. Deu um passo adiante e adicionou com voz preguiçosa:
— Esposa, eu não gosto da crueldade para com os animais. Sem dúvida você já deve ter notado. Não emprego o chicote com meu corcel, e...
— Está insultando a minha família?
Harry respondeu com aquele meio sorriso irresistível que Gina tanto gostava, e a jovem não pôde conter a risada. Aquele homem não tinha remédio!
— Potter, é um desavergonhado! Agora compreendo que não conhece o bastante a minha família para apreciá-los como se deve. É obvio, me ocuparei disso o mais cedo possível.
A risada de Harry se apagou, e o sorriso de Gina, por sua vez, adoçou-se.
— Direi a eles que nos visitem, marido. Uma boa visita, prolongada.
— Que é isto? —exclamou Bill, chamando a atenção de Gina. O soldado desceu do tamborete ao que tinha subido para pendurar a tapeçaria.
— Afaste-se, e verá de quem se trata —respondeu Gina.
— É... bom Deus, Harry, acabo de pendurar...!
—É William, nosso amado Conquistador, Bill. Disseram-me que é um bom retrato. Não acha que era um homem de muito boa aparência?
Durante um bom momento ninguém disse uma palavra. Bill e Sirius olhavam para Harry para ver como reagia.
O senhor, por sua vez, fitava sua esposa com expressão atônita.
Sirius foi o primeiro a recuperar-se.
— Era gordo.
— Era maciço, Sirius, não gordo — emendou Gina.
— Que raios é essa coisa que tem sobre a cabeça? —perguntou Bill, retrocedendo mais —. Isso amarelo.
— É um halo —esclareceu Gina.
— Eles o canonizaram? —perguntou Sirius.
— Ainda não é oficial —disse Gina—. Mas é só questão de tempo até que a Igreja reconheça a santidade de William.
— Por que? —perguntou Sirius; o que sem dúvida os três homens desejavam perguntar.
Gina alegrou-se que seu marido e seus soldados manifestassem tanto interesse por sua própria história. Deu longas explicações de como William sozinho tinha modificado o modo de vida na Inglaterra. Contou com todo detalhe os costumes do suserano, os deveres do vassalo e o vínculo estabelecido entre ambos. Quando concluiu estava convencida de que lhe fariam muitas perguntas.
Não obstante, nenhum deles pareceu interessado em perguntar coisa alguma.
— Acham que esse sistema funcionaria aqui?
—Gina, há anos funciona — Harry espezinhou.
—Moça, acaba de descrever um clã escocês —disse Bill, tentando suavizar a desilusão provocada pela reação do marido.
—Tirem-no.
— Harry, não pode estar falando sério! —exclamou Gina—. Minhas irmãs passaram horas bordando-o. Foi meu presente de aniversário. Quero contemplá-lo sempre que tiver vontade.
O padre Weasley entrou no salão a tempo para ouvir o que Gina dizia. Uma olhada para o espaço na parede sobre a lareira lhe explicou o motivo do sobrecenho franzido do lorde.
Compreendeu que uma discussão se formava e, como não queria que ferissem os sentimentos da moça, se apressou a interferir em favor de Gina.
—Vamos, Harry, não acredito que ela queira ofendê-lo ao pôr o retrato do inimigo em sua casa.
— Não, certamente que não pretendia ofender! — exclamou Gina— Mas ele certamente está pondo minha paciência à prova!
— Eu ponho à prova sua paciência? —disse Harry, contendo a necessidade de gritar. Só se reprimiu em consideração à delicadeza própria da esposa.
—Desde logo que sim, Harry Potter —prosseguiu Gina—. Este também é meu lar, não é verdade? Teria que ter direito a pendurar a tapeçaria que quisesse.
—Não.
Gina e o padre Weasley olharam carrancudos para Harry. Bill e Sirius sorriram. Gina deu as costas para seu marido.
— Padre, poderia ajudar-me a levar esta cadeira ao salão? Ou isso acaso vai contra suas regras, Harry?
O padre Weasley inspecionou atentamente o móvel.
—Tem umas madeiras arqueadas emabixo dos pés —descreveu em voz alta—. Moça, tem algo errado aqui.
— É uma cadeira de balanço— explicou Gina, sem perder a paciência.
Para ouvi-la, o sacerdote arqueou as sobrancelhas.
— Já sei — disse Gina —. Nunca a aceitarão, embora seja muito cômoda. Deveria experimentar, padre.
— Possivelmente em outra ocasião .—disse o sacerdote, afastando-se do estranho artefato.
Harry não escondeu sua irritação. Ergueu a cadeira, desceu com ela os três degraus, atravessou o salão a passos largos e a deixou junto à lareira. Enquanto o fazia, tratou de não olhar o rosto feio de William que lhe sorria da tapeçaria.
— Pronto. Está contente, esposa?
O tom de Harry foi tão áspero, que o padre Weasley acreditou necessário voltar a interceder.
— Esta cadeira é tão grande que parece capaz de me engolir!
— Depois do jantar, minhas irmãs se sentavam sobre o colo de papai, e ele lhes contava histórias maravilhosas —confessou Gina, com um suave sorriso ante a evocação.
Harry percebeu na voz da mulher um matiz reflexivo, desconhecido para ele até esse momento. Além disso, o comentário o intrigou pois, sem querer, Gina tinha se excluído. Ou acaso não tinha sido sem querer? Harry fez sinal para que ela se aproximasse.
Quando Gina esteve ante ele e ninguém podia ouvi-los, pediu que lhe explicasse:
— Gina, onde você se sentava? Estava apertada junto à Hermione sobre um joelho, ou ao lado das gêmeas, no outro?
A imagem das quatro garotinhas sentadas sobre o colo do pai para ouvir uma história antes de dormir fez Harry sorrir. Sem dúvida as gêmeas chorariam, Hermione se queixaria e Gina tentaria tranqüilizá-las.
— Geralmente, Eleanor e Hermione se sentavam num joelho, e as gêmeas no outro.
— Eleanor?
— A filha mais velha — esclareceu Gina—. Morreu quando eu tinha sete verões. Harry, por que está carrancudo? Disse algo que o aborreceu?
— Como de costume, você não me deu uma resposta direta —assinalou Harry. Começava a entender, embora quis assegurar-se de que ia pelo caminho certo—. Perguntei onde VOCÊ se sentava.
— Não me sentava. Freqüentemente, ficava de pé junto à cadeira de papai —respondeu—. Ou de frente para ele. Por que se importa tanto com onde me sentava?
Embora não fosse importante para Harry, ele supôs que havia sido para Gina.
— Você nunca sentou em seu colo?
— Não havia lugar.
Aquela singela afirmação, dita em tom casual, fez que Harry perdesse a compostura. Gina tinha sido a excluída. De súbito, Harry sentiu vontade de bater naquele padrasto insensível até transformá-lo em uma polpa sanguinolenta. Ele bem poderia ter achado um lugar para Gina!
Por outra lado, Gina acabava de lhe revelar como sua mente funcionava. Ela havia feito com que o pai a notasse. As tarefas... sim, agora estava claro. Ao fazer-se indispensável para o pai, Gina o obrigou a valorizá-la. Tinha confundido amor com necessidade. Pensou que, talvez em sua mente, Gina não soubesse a diferença.
E no presente, Gina tentava fazer com que o marido a tratasse do mesmo modo: quantas mais tarefas lhe atribuísse, mais importância lhe outorgaria.
Estava condenado, tanto se o fazia como se não. Possivelmente fosse louca, mas era sua mulher e queria que fosse feliz. E não permitiria que acelerasse sua morte encarregando-se de tarefas pesadas.
Tinha muito em que pensar. Harry resolveu não continuar discutindo o tema até não ter encontrado uma forma de instruí-la sobre amor e necessidade. Instintivamente, sabia que não seria suficiente que lhe dissesse o quanto se importava com ela. Teria que achar um modo de demonstrar.
— Esposa, ninguém quererá sentar-se nessa cadeira tão estranha — afirmou Harry.
— Tem medo de experimentar? —desafiou-o.
O homem deu rédea solta à exasperação, e logo se rendeu. A cadeira rangeu sob o peso de Harry. Contudo, ajustava-se perfeitamente a suas costas, mesmo quando ele lhe deu um impulso para balançá-la. Estava seguro de que sairia voando para trás. Mas não foi assim, e teve que sorrir ao verificá-lo.
—Temo que você esteja certa, esposa —afirmou Harry—. Nunca nos acostumaremos. Mas se estiver disposta a aceitar as brincadeiras que lhe farão os soldados ao vê-la, permitirei que fique com ela.
— Claro que estou — devolveu Gina, outra vez com os braços no quadril.
Harry se levantou da cadeira de balanço para erguer-se diante de Gina e intimidá-la.
— Pode deixá-la junto à lareira — disse —. E agora, quero que me demonstre seu agradecimento.
— William? —perguntou Gina, sem fazer caso da sugestão de agradece-lo propriamente.
— William poderia ir-se ao...
— Ao dormitório? —propôs o padre Weasley, descendo as escadas.
— Essa não é a última imagem que quero ver antes de cair no sono —exclamou Harry—. Gina, se quer pendurá-lo em algum lugar, ponha na adega dos vinhos, mas não desejo ver esse rosto novamente.
Gina parecia disposta a discutir com seu marido. O padre Weasley tomou as mãos entre as suas.
— Dentada a dentada, doce moça —cochichou.
Harry dirigiu um olhar sombrio ao sacerdote; depois foi até a mesa e se serviu de uma taça de cerveja. O sacerdote se aproximou dele, arrastando Gina.
— Beberei minha taça de água — disse a Harry. Um pensamento súbito o fez erguer as sobrancelhas —. Harry, sabe o que se obtém quando mistura água com cerveja?
Harry assentiu:
— Cerveja aguada.
— E uma vez misturadas, já não se pode separá-las, verdade?
— Claro que não —repôs Harry—. Padre, o que tenta me dizer?
— Você quer que sua esposa se adapte — respondeu o sacerdote —. Ouvi você dizendo isso várias vezes.
— Não nego —respondeu Harry—. Ela se adaptará.
— Você quer que Gina mude? Que se transforme em outra pessoa?
— Não, ela me agrada tal como é —admitiu Harry.
Embora Gina soubesse que ele a tinha elogiado, o tom e a expressão pareciam indicar o contrário.
— Por acaso você deseja que ela se transforme em uma moça escocesa?
— Certamente que não.
O tom foi tão enfático que o padre Weasley supôs que estava tão surpreso quanto ele por tanta convicção.
— Ela é inglesa e não pode mudar isso. Mas se adaptará aqui.
— E você também.
A afirmação do sacerdote ficou vibrando no ar. Um longo minuto depois, Harry respondeu:
—Explique-se. Minha paciência é tão tênue como a cerveja aguada.
—Gina é valiosa a seu próprio modo. Suas tradições formam parte dela — disse o padre Weasley — Assim como você tem suas tradições. Por acaso não pode misturar ambas de forma pacífica? Uma bela tapeçaria com o retrato de nosso rei Edgar ficaria muito bem pendurada junto à de William. O que acha dessa idéia?
Harry não gostou muito da idéia, mas pelo sorriso de sua esposa, entendeu que ela via seu mérito. Mas a consideração pelos sentimentos de Gina se interpôs à opinião genuína de Harry, e ele, relutantemente, concordou.
— Muito bem — afirmou —. Mas será maior que a de William.
Gina estava feliz demais com a concordância de Harry para discutir sobre o tamanho do retrato. Ela pessoalmente achava que o rosto de Edgar ficaria bem em uma tapeçaria com metade do tamanho da outra, mas supôs que teria que fazê-las iguais. Harry poderia reparar. Sim, ela as faria iguais, mas não ia pôr um halo sobre a cabeça de Edgar, e fim de discussão.
—Obrigada, Harry — murmurou.
Pelo sorriso de Gina, Harry imaginou que sua esposa acreditou que o tinha dobrado, mas estava decidido a ficar com a última palavra.
—Sirius, tira a tapeçaria até que a de Edgar esteja terminada. Logo entrarão os soldados para a refeição, e ficarão muito decompostos para o treinamento da tarde se tiverem que olhar para ele enquanto comem.
O padre Weasley esperou até que o lorde abandonasse o salão e logo deu rédea solta à diversão. Piscou para Gina e saiu do salão assobiando uma melodia escocesa, interrompida por risadinhas. O sacerdote estava impaciente pela explosão da seguinte tempestade.
Nas Terras Altas, quando chovia, chovia. Gina acabava de perguntar a Bill e Sirius se eles não tinham nada que fazer. Tinha subido as escadas e viu que os dois a seguiam.
Os dois negaram com a cabeça. Então, Gina os fez trabalhar conduzindo a bagagem à habitação já limpa. Ela estranhou que soldados tão importantes quisessem fazer o trabalho dos criados.
Quando concluiu as tarefas, Gina voltou ao térreo para arrumar sua aparência. Viu que Cho e Viviana estavam junto à lareira, contemplando a cadeira, mas quando Gina as saudou, deram-lhe as costas.
Cho sorria, até que viu a expressão sombria de Viviana e, então, imitou-a.
Gina não deu importância a Cho. A garota não podia evitar ser como era. Mas Viviana era outra questão.
Gina compreendeu que Viviana devia ser a mulher mais inflexível da Escócia. Havia uma rigidez em sua aparência e maneiras que era muito desagradável. Sempre tinha o cabelo trançado em forma de coroa no alto da cabeça. Nunca havia sequer uma mecha fora de lugar. O vestido estava sempre impecável. Gina nunca a viu desarrumada. Sim, sem dúvida Viviana era tão minuciosa em seu vestuário como em seu ódio pela senhora.
E a senhora já estava farta.
— O que aconteceu? — gritou Viviana, em tom zombador — Caiu em um balde de sabão?
Sirius estava de pé detrás de Gina; deu um passo adiante, bloqueando sua visão com suas costas largas e gritou com sua irmã:
— Não se atreva a usar esse tom com a esposa de seu senhor!
Gina se sentiu como se estivesse em meio de uma tempestade. O grito de Sirius fez sua cabeça vibrar. Deu um tapinha no ombro de Sirius e, quando este se voltou, pediu-lhe permissão para ocupar-se ela mesma da irmã.
Imediatamente, Sirius concordou.
Gina caminhou até o centro do salão.
— Cho, vá lá para fora, garota. Viviana, você fique onde está.
Pelo jeito seu tom não era autoritário o bastante, pois Viviana ignorou-a completamente e encaminhou-se para a porta. Sirius voltou a intervir. Deu uma ordem em tom tão áspero que Viviana se deteve em seco.
Gina agradeceu e então pediu que a deixassem uns minutos a sós com Viviana. Para falar a verdade, não queria que houvesse testemunhas para o diálogo.
Bill respondeu. Ao pé da escada, olhou ferozmente para Viviana.
—Nenhum de nós se moverá.
Gina resolveu não discutir com o soldado, pois parecia muito decidido. Aproximou-se de Sirius e, quando esteve diante ele, tirou o cabelo dos olhos e se aproximou mais ainda.
Sussurrou em voz tão baixa que só Sirius ouviu o que dizia. A expressão do soldado não mudou mas, quando Gina terminou, ele fez um breve gesto de assentimento.
Gina agradeceu de novo, e se voltou para confrontar a irmã.
—Desde que cheguei aqui, trata-me como a uma leprosa — disse a Viviana —. Estou farta dessa atitude.
Viviana bufou depreciativamente na própria cara da senhora.
— Isso significa que não deseja se dar bem comigo? —perguntou, em tom mais duro.
— Não vejo motivo para me relacionar bem com pessoas como você —murmurou Viviana.
— Sirius —chamou Gina. Odiava ter que pedir sua ajudar, mas tinha que superar a raiva de Viviana.
— Sim, milady?
— Se pedir a Harry que expulse Viviana das terras Potter antes Do anoitecer, estará de acordo?
Viviana abafou uma exclamação.
— Sim.
— Para onde iria? —perguntou Viviana—. Sirius, não pode permitir...!
— Silêncio!
Nem Sirius nem Bill tinham ouvido nunca Gina empregar esse tom, e Bill sorriu. A expressão assustada de Viviana quese o fez rir.
Viviana tinha as mãos crispadas dos lados do corpo, e era evidente que estava furiosa, mas isso não era suficiente. Gina queria que se descontrolasse. Esperava que, se isso acontecesse, a mulher falaria e Gina poderia conhecer os motivos desse ódio tão depurado.
— Viviana, aqui a senhora sou eu —disse, em tom baixo e arrogante—. Se quiser que a expulsem, eu o farei.
— Sirius não permitirá.
— Oh, sim, ele vai permitir — Gina blefou. Deus era testemunha de que detestava as asombrosas mentiras que estava dizendo! — Ele é seu irmão e tutor, mas Harry é o senhor de Sirius, e ele é leal a meu marido —adicionou—. Em troca, você não é leal a ninguém, não é?
—Sou, sim —gritou Viviana.
—Talvez em outro tempo —replicou Gina com um falso encolher de ombros —. Sim, deve ter sido leal a Harry enquanto esteve casado com Helena. O padre Weasley me contou que você era muito próxima da primeira esposa de Harry.
— Você não pode substituí-la. Não permitirei.
— Isso já aconteceu.
Estas últimas palavras fizeram saltar os fiapos de controle aos quais Viviana se agarrava. Sem poder conter-se, tentou esbofetear Gina. Só pretendia tirar do rosto da senhora a expressão malvada. Queria feri-la tanto quanto Gina estava ferindo-a.
Gina estava esperando o ataque e, embora fosse menor que a outra, também era mais forte. Agarrou o punho da mulher e a obrigou a ajoelhar-se no chão antes que pudesse terminar o primeiro grito.
Sirius e Bill se precipitaram a intervir, e se detiveram ao lado de Gina.
— Fiquem fora disso — disse a senhora sem soltar sua presa. Já não apertava o pulso de Viviana mas tinha a mão da mulher contra a cintura. Acariciava brandamente o ombro de Viviana ao mesmo tempo em que tentava manter o equilíbrio. Viviana soluçava com o rosto escondido nas saias de Gina.
Ninguém disse uma só palavra até que Viviana recuperou certo grau de controle.
— Meu Deus, ia bater na senhora! Sinto tanto...! — murmurou Viviana —. Quando vi que você e o padre Weasley tiravam o baú de Helena do quarto, fiquei furiosa. Não queria que jogasse as coisas dela fora. Senti-me tão cheia de...
— Não pensava em jogar as coisas de Helena fora — explicou Gina —. Só mudei o baú para o outro quarto, Viviana.
— Nesse baú estava a roupa do bebê —continuou Viviana, como se não tivesse ouvido o que Gina dizia—. Trabalhou muito fazendo-a.
—Então, ela queria ter o filho de Harry? —perguntou Gina com um tom tão suave como uma carícia.
— Por favor, diga que me perdoa, milady! —soluçou Viviana, voltando para outro assunto que a preocupava—. Não queria machucá-la.
— Não me feriu, Viviana. E eu também sinto.
— Fala sério? —perguntou Viviana. Ainda de joelhos, ergueu o rosto para Gina enquanto as lágrimas escorriam por sua face. Com a bainha do vestido, Gina as secou—. Lamento as dolorosas mentiras que lhe disse. Viviana, estava muito predisposta contra mim, e tive que recorrer a uma armadilha para que me escutasse.
— Não vai me mandar embora?
Gina negou com a cabeça e ajudou Viviana a levantar-se.
— Viviana, você é um membro muito importante deste clã. Jamais faria que a expulsassem. Também menti sobre Helena. Eu não tomei o lugar dela.
Viviana sacudiu a cabeça.
— Mas agora é você a esposa de Harry.
— Isso não significa que todos finjamos que Helena jamais existiu.
— Ele finge.
— Quem? Harry?
A mulher assentiu, e Gina sussurrou:
— É doloroso para ele.
— Não sei — murmurou Viviana—. Eu estava convencida de que ele não se importava. Não estiveram muito tempo casados, milady. Nem sequer houve tempo de trazer a filha dela...
— O que?
Não pensou em gritar, mas as palavras casuais de Viviana a surpreenderam tanto que mal pôde conter-se.
— O padre Weasley me contou que Harry e Helena só estiveram casados dois meses.
Viviana assentiu.
— Harry estava prometido a Cho —disse—. Mas o rei Edgar mudou de idéia. Cho... bom, não se desenvolvia rápido o bastante, e Helena havia acabado de perder o marido. Chamava-se Kevin e morreu defendendo o rei. Helena estava grávida da criança de Kevin.
Gina quase caiu, e Sirius agarrou seu braço para equilibrá-la.
— Não se sente bem, milady? —perguntou.
— Estou bem — repôs Gina —. Estou furiosa. Viviana, quanto tempo esteve Helena casada com Kevin?
— Seis anos.
— Agora, fale-me a respeito da criança —exigiu.
— Ela teve uma filha —disse Viviana—. Helena esperava o regresso de Harry para ir procurá-la. A mãe de Kevin cuidava da menina.
Viviana levou Gina até a mesa quando a senhora disse que precisava sentar-se.
— A senhora está doente —gaguejou Viviana—. Eu causei...
— Oh, diabos, ninguém me conta nada! —gritou Gina—. Quando se casou com meu pai, minha mãe me levava na barriga. E se acham que permitirei que...!
Por fim, Gina conseguiu controlar suas emoções. Viu que os soldados a olhavam preocupados. Inspirou profundamente para serenar-se e compôs um sorriso.
— Viviana e eu resolvemos esta pequena disputa. Ambas lamentamos que tenham sido testemunhas de uma conduta tão pouco digna de damas. Mas não quero que nenhum de vocês mencione isto a Harry, pois o único que conseguiriam seria envergonhá-lo e irritá-lo. O que acha, Viviana?
Esperou o gesto de assentimento do Viviana, e disse:
— Viviana, seguirá ocupando-se das questões domésticas. Às vezes eu gostaria de ajudá-la. Acha que poderia servir outra coisa que não cordeiro para o jantar? Odeio cordeiro.
Viviana sorriu e outra vez lhe encheram os olhos de lágrimas.
— Como se chama essa filha? —perguntou Gina.
—Hermione Kathleen —respondeu Viviana—. A família de Kevin tem algo de sangue irlandês.
— Minha irmã também se chama Hermione —disse Gina, sorrindo—. Quantos anos a menina tem agora?
— Três anos —respondeu Viviana—. Não vi minha sobrinha desde que nasceu. Soube que a mãe de Kevin morreu há três meses. Um parente distante toma conta de Hermione, agora.
Gina teve que apelar a toda sua vontade para não revelar toda sua raiva. Viviana parecia querer chorar outra vez, e Gina não tinha tempo de acalmá-la. A cabeça fervia, cheia de planos.
— Prima, temos muitas coisas para discutir, nós duas, mas apenas depois que você tenha arrumado o cabelo.
Esse comentário obteve o que Gina se propunha: no mesmo instante, Viviana ficou de pé.
— Estou com o cabelo desarrumado? —perguntou, Angustiada. Apalpou-se a trança enquanto esperava resposta.
— Só um pouco — disse Gina, tentando não sorrir.
Viviana fez uma reverência e saiu correndo do salão.
Gina suspirou.
— Que dia o seu, Gina! — assinalou Bill —. Primeiro, a batalha contra o fogo, e agora, contra uma mulher obstinada.
— Na realidade, primeiro foi contra um javali gordo, depois Harry, depois o fogo e, por último, Viviana — ela o corrigiu com um sorriso.
— Um javali? Lutou contra um javali? —exclamou Bill.
— Estava brincando —confessou Gina. Quando a expressão de Bill se suavizou, contou o que havia acontecido.
Quando concluiu, não pôde evitar reparar no semblante perplexo dos soldados.
— Vejam bem, na realidade não lutei contra o javali. Só fiquei no seu caminho. Conhecem o menino? chama-se Lindsay.
Bill teve que sentar-se antes de responder:
— Conhecemos seu clã.
— Meu Deus, Gina —começou Sirius—, o pai desse menino é um poderoso...!
— Desumano — interrompeu Bill.
— Senhor —concluiu Sirius.
— Você poderia ter sido morta —gritou Bill, levantando-se outra vez.
— Não a censure, Bill —repôs Sirius—. Estou certo de que Harry...
— Não contei a ele — interrompeu Gina.
Os homens não se reservaram o que opinavam de seu pecado.
— Parem de franzir o cenho — exigiu a jovem—. Prometi ao menino que não o delataria. Não vejo motivos para dizer a Harry o que aconteceu. A única coisa que conseguiria seria preocupá-lo. Quero que me dê sua palavra, Bill. E você também, Sirius.
Os dois guerreiros assentiram imediatamente; é obvio, nenhum dos dois pensava cumprir sua palavra, mas queriam tranqüilizá-la.
— Aconteceu alguma outra coisa que você esqueceu de mencionar? —perguntou Bill, arrastando as palavras.
— Dêem-me tempo —respondeu Gina—. O dia não acabou, se vocês se lembram.
Bill sorriu e, milagre dos milagres, também Sirius.
— Foi uma manhã e tanto — disse a senhora, suspirando—. Sirius, você sabe onde está a pequena Kathleen ?
Ele assentiu.
— Fica muito longe daqui?
— Três horas a cavalo — afirmou, dando de ombros.
— Então, será melhor que saiamos agora mesmo.
— Desculpe, milady? —perguntou Sirius. Dirigiu a Bill um olhar perplexo, perguntando-se se havia entendido bem à senhora. Gina já havia desaparecido atrás do biombo.
— Sairemos logo —gritou Gina. Ela apareceu no canto —. Não se importaria em levar-me, não, Sirius? Para ser sincera, acredito que me perderia mesmo que me dessem as indicações corretas.
— Para onde vamos? —perguntou Sirius.
— Ver minha filha.
Claro que era uma mentira, pois Gina não tinha intenção de apenas ver a menina. Entretanto, não podia dizer toda a verdade aos soldados, sob risco de não conquistar sua cooperação.
Além disso, supôs que o descobririam muito em breve.
Kathleen voltaria para lar ao que pertencia.
E isso era tudo.


Na.: Por merlin! 3 dias sem cap e o mundo entra em colapso!!! Meninas respirem fundo que nao e o fim do mundo!!! Estou a 5 meses sem atualizar o ultimo dragao, aqui sao so tres dias!!!

e ainda que deu uma fugida do lupin ele queria deixar eu postar so a noite.


Obrigada pelos comentarios, que enchem minha caixa de e-mail hehe, adoro todos, as choradeiras, os gritos de por favor, os POSTA POSTA, amei!!!

adoro voces...

Tonks

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Comentários: 1

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Enviado por Lana Silva em 25/04/2012

awwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwww *-* amando essa Gina ela é muiiiito divaaaaa *-*

Nota: 5

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