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12. FOGO E AÇO


Fic: REI SITAE - Cap.13: SEGREDOS


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPÍTULO 12


FOGO E AÇO


Aline endireitou-se, resmungando, e atirou seus longos cabelos escuros para trás. Havia falhado, mais uma vez.

- Maldição! – Xingou entredentes, enquanto com um chute espalhava os vários ingredientes que duas luas antes arranjara com tanto esmero sobre o círculo de terra escura, no pequeno quarto nos fundos de sua choupana. – No que foi que errei, desta vez? – ruminou consigo mesma, observando o sangue de galinha derramado por seu gesto encharcar a terra, formando uma mal cheirosa mancha arredondada.

- No fato de que não és uma bruxa, logo, não podes realizar feitiços. – Respondeu uma voz divertida, sobressaltando-a.

- Milord!

Salazar adiantou-se, saindo das sombras, e fechou a entrada da passagem secreta, que ligava o quarto de Aline às suas masmorras no castelo, com um gesto displicente da varinha.

- Por que tanto susto? Não esperavas me ver? Não foi para isso que tivestes todo esse trabalho? – Ironizou ele, apontando para a sujeira espalhada no chão. – Ou teu feitiço tinha maiores ambições, mulher?

Aline baixou o olhar, evitando encarar o bruxo. Ele saberia, (tinha certeza disto), o que estivera pretendendo se o deixasse olhar em seus olhos. Ele sempre sabia.

- Milord me conhece bem. Eu queria realmente que o senhor viesse me ver... – Com passos lentos e insinuantes, ela aproximou-se dele. – Sinto tanto tua falta, senhor! Demoras tanto a vir visitar-me... Fico todo o tempo só, já que ninguém na vila me dirige a palavra...– Lentamente, ela escorregou as mãos pelo veludo das vestes de Salazar, até repousá-las em sua cintura, e olhou-o languidamente – Seus pares bruxos não me aceitam, não é? – Reclamou, possessiva – E a tal Helga o quer para ela, e tenta mantê-lo afastado daqui...

- Já avisei para ter mais respeito ao falar de Lady Hufflepuff, criatura. – Devolveu ele, prendendo-lhe os pulsos e girando-os para trás do corpo da mulher, fazendo Aline reclamar de dor. Congratulou-se mentalmente por não ter mencionado Lady Ravenclaw a Aline. – E venho ver-te quando tenho vontade. Não é assim que sempre foi entre nós? Algum problema com este nosso “arranjo”?

- Não, meu senhor, não! – Ela garantiu, retorcendo-se para escapar do aperto.

- Ótimo! – Salazar soltou-a de súbito, fazendo a moça desiquilibrar-se e cair sentada sobre o catre pouco confortável que lhe servia de leito. – Agora, - ele segurou com a mão direita os cabelos de Aline, puxando-os até que ela erguesse o rosto, enquanto com a outra se desfazia da longa capa escura - chega de lamúrias! Tenho uma viagem longa e difícil pela frente. Quero... despedir-me de ti.


Tempos depois, acariciando os cabelos cinzentos de Salazar espalhados por seu colo, Aline sorriu ao escutar-lhe o leve ressonar, enquanto ele descansava placidamente em seu abraço. Nesta hora, ele não era o grande bruxo, nem lord, nem senhor de nada. Era apenas seu homem e, em instantes como esse, ela era imensuravelmente mais poderosa do que ele. Em momentos como este, aliás, para a vida ser perfeita, faltava apenas seu feitiço dar certo. Então, homem e herdeiro seriam seus.


==*==


- Tens idéias de onde ele vai?

Kay acompanhou com o olhar, tal como seu amigo Caled, os passos decididos de Lord Gryffindor para dentro da floresta, bem adiante do gramado ensolarado onde se encontravam. Floresta, aliás, onde Lady Hufflepuff proibira terminantemente a entrada dos aprendizes.

- Nenhuma. E não penso que alguém saiba, nem mesmo as ladies.

Caled pousou a pesada tesoura de poda sobre a mesa, ignorando a carnificina que provocara na pequena muda de Wiggentree, cujas extremidades dos galhos haviam se torcido para dentro protestando por uma poda mais caprichada. Erguendo-se um pouco sobre os pés, vasculhou com o olhar o espaço aberto onde se encontravam as inúmeras mudas de plantas de Lady Helga, até localizar Tyl e Cécille, algumas braças adiante, envazando amoras silvestres sobre uma bancada.

- Vamos perguntar às meninas! Se Lady Ravenclaw sabe de algo...

- Tyl já sabe também! – Completou Kay, divertido, erguendo o vaso com seu arbusto e seguindo o amigo. – Sem falar que você não se importaria de ajudar a Noir a podar suas amoras, se importaria?

- Não a chame assim! – Resmungou o outro, momentos antes de abrir espaço na bancada das amigas, negociando alguns caramelos com dois aprendizes mais jovens, para isso. Tyl os encarou, desconfiada, enquanto Cécille os saudava com seu sorriso angelical.

- O que é que vocês dois estão querendo? – Perguntou a primeira, recolhendo a planta trucidada de Caled e colocando-se imediatamente a consertar com a varinha os estragos que a tesoura do rapaz causara, acalmando assim a mudinha. – Além da minha ajuda para não receber uma descompostura de Lady Helga por terem assassinado uma de suas plantas? Ela precisa de casca de Wiggentree, sabes, para curar os muitos ferimentos que vocês se auto infringem...

Ela calou-se, sorrindo para o olhar pretensamente magoado e ofendido de Caled e Kay riu abertamente dos dois, indo então direto ao assunto.

- Estávamos imaginando se vocês duas não ouviram algo sobre os misteriosos passeios matinais e diários de Lord Gryffindor...

Cécille maneou a cabeça, negando, e Tyl lançou um olhar por sobre o ombro para as árvores sob as quais Godric desaparecera antes.

- Também reparamos, – disse ela, voltando os olhos para a planta na qual trabalhava – bem como Lady Ravenclaw. Eu e Cécille a ouvimos comentar com Lady Helga... Ah, Ceci! Elas não nos pediram segredo! Não estou fazendo nada de errado. – Defendeu-se Tyl, diante da admoestação baixinha de Cécille.

- Mas, se Lady Helga cortou o assunto até com Lady Rowena, não deve nos querer comentando por aí, tão pouco. – Alertou a outra, suavemente.

- Cortou o assunto, é? – Admirou-se Caled – Então, ela realmente deve saber do que se trata, afinal...- Ele bateu algumas vezes com a varinha na própria fronte, com o olhar perdido em algum ponto a sua frente, alheio ao sobressalto dos outros. - Se conseguirmos que Lady Helga nos conte, podemos até ajudar Lord Gryffindor, no que quer que ele esteja armando... – Continuou ele, sem fazer caso dos gestos dissimulados de Tyl e Kay para que se calasse, ou do suspiro conformado de Cécille.

- E o que o faz pensar que eu esteja “armando” algo, jovem Caled?

A voz retumbante soou séria e contrariada. Porém, um risco de divertimento no semblante de Godric amenizou o susto de Caled, quando ele voltou-se para seu mestre e herói, que havia aparatado alguns passos distante deles.

- Ahhhh... Bom dia, milord! – disfarçou o aprendiz de forma corajosa, mas nada eficaz.

Godric cruzou os braços, olhando para o pequeno grupo penetrantemente por sobre as sobrancelhas cerradas.

- Lady Hufflepuff os avisou sobre a Floresta Proibida e o perigo de entrar lá, estou certo?

- É este o nome que daremos a ela? Floresta Proibida?– Perguntou Tyl, não querendo ficar atrás na coragem de Caled.

- Devo crer, portanto... – Continuou Godric gravemente, embora um tremor suspeito da barba curta o denunciasse – que não entrarão lá, seguindo meus passos, por mais bem intencionados que estejam?

- Mas, milord, poderíamos...

- Tenho as suas palavras que obedecerão?

- Mas...

- Tenho?

Os quatro assentiram, para satisfação do mestre, embora a única que não aparentasse frustração fosse Cécille. E foi para ela que Godric encaminhou-se, dando a volta na mesa.

- Estás bem, criança? – Perguntou, pousando a mão no topo da cabeça da mocinha, vários palmos mais baixa do que ele. Cécille não precisou de mais palavras para entender a que Lord Gryffindor se referia, e lhe endereçou um sorriso particularmente bonito.

- Estou sim, milord!

Godric lhe acarinhou os cabelos por um momento, antes de voltar-se para os outros três novamente.

- Conto com vocês para que ela continue bem.

- Nós estamos atentos, senhor. – Assegurou Tyl, passando um braço protetor sobre os ombros da amiga. Os garotos concordaram enfaticamente.

Godric observou aqueles semblantes jovens e intrépidos por um momento, deixando o orgulho que sentia por eles brilhar em seu olhar. Depois cumprimentou-os com um aceno de cabeça e então retirou-se em direção a Helga, que a tudo assistia de longe. Caled curvou-se para Tyl, sussurrando.

- Dissestes que por segurança não era mais possível alguém aparatar e desaparatar nos terrenos do castelo! Ele ainda pode fazê-lo, obviamente! Se eu soubesse não teria falado tão abertamente e não seria pego em flagrante...

A menina girou os olhos para o céu, impaciente, antes de responder tão baixa e enfaticamente quanto.

- E tu achas, cabeça de murtisco, que tal medida se aplicaria inclusive aos quatro grandes?



- Eu o preveni. – Lembrou Helga, quando Godric aproximou-se o suficiente para ouvi-la, observando os quatro aprendizes aproximarem as cabeças e começarem mais uma conversa murmurada entre si. – Chamas a atenção, meu amigo. Aqueles ali são extremamente espertos... Aliás, espertos demais para a própria segurança, creio eu. Entretanto, se eles já perceberam, não demora e os outros começarão a fazer perguntas, igualmente.

- Tenho esperança que até lá, tudo esteja resolvido. – Resumiu Godric, curvando-se para coçar a juba de Hérocles, deitado aos pés de Helga.

- Também não gosto de não poder responder a Rowena devidamente.

Sorrindo, Godric endireitou-se em toda a sua altura, os olhos brilhando intensamente.

- Prometo que conto tudo a ela, em pessoa e em breve. Preciso apenas de algumas certezas antes disto.

- Já lhe garanti que não tens o que temer com relação a ela. Nem com ela... - tomou fôlego profundamente, antes de atestar uma vez mais – nem com ela, nem com Salazar.

- Helga...

A bruxa desviou o olhar do amigo, sem querer ver o sentimento, que ultrapassava a compreensão e chegava às raias da compaixão, que tomava agora o semblante de Godric. Com um aceno da mão, encerrou o assunto.

- Tu sabes como deves agir. Só tenciono ajudar... Por falar nisso, por que voltastes tão rápido? Algum problema?

Aceitando sem manifestos a mudança de assunto, Godric respondeu em tom preocupado.

- Precisaremos mais algumas ervas fortificantes, acredito. Os efeitos foram maiores do que cogitamos a princípio. Tanto físicos quanto em seus corações.

- Irei mais tarde, e verei o que posso fazer.

Godric tomou sua mão e beijou-a, sorrindo.

- Obrigado, minha irmã!

- Não é preciso agradecer-me! Bem sabes que eu farei tudo ao meu alcance... Se ao menos tivesses me deixado pedir a Salazar que preparasse algumas poções...- Recomeçou ela, arrefecendo diante do olhar intenso de Godric. – Ah, esqueça! Que seja como preferes!

Ele nada acrescentou, mas beijou a mão da amiga novamente, e depois a segurou junto ao peito, enquanto assistia com Helga as peripécias dos aprendizes com seus vários tipos de arbustos reclamões. Então, seus olhos caíram sobre Hérocles novamente, lembrando-o de algo.

- Hei, afinal, que fazes aqui, amigo? Não deverias estar com...

O leão chacoalhou a cabeça, rugindo, e olhou para os lados da floresta.

- Ele está com ela. – Explicou Helga, apontando para o mesmo lado.

Intrigado, Godric observou cuidadosamente a última mesa sob o sol antes da linha das árvores, onde uma aprendiz sozinha pelejava contra um grosso tronco zangado, que tentava acertá-la usando seus ramos e galhos como cortantes chibatas. Uma aprendiz que prendera longos cabelos de ébano com um lenço, e escondera suas formas sob um avental comprido de couro de dragão, similar aos dos demais estudantes por ali.

- O que ela está fazendo? – Quis saber, surpreso.

- Completando as ínfimas e estreitas lacunas que existem em seu conhecimento mágico, nas minhas palavras. – disse Helga.- Nas dela, aprendendo.

Godric cruzou os braços e passou a mão pela barba curta, ainda olhando para Lady Ravenclaw e sua labuta. – Sabe, também tenho pouca convivência com estas... coisas. – Disse mansamente, apontando para a árvore açoitante.

- Godric... – Advertiu-o Helga, desdizendo-se com um sorriso largo quando o assistiu encaminhar-se para as pilhas de vestes de proteção e escolher algumas delas. Cobrindo as mãos com grossas luvas, ele piscou para Helga, desafiando enquanto já se afastava.

- Vais negar-me o aprendizado que tão generosamente oferta a todos por aqui?

Ao som da própria risada trovejante e sob os olhares abismados dos presentes e do condescendente de Helga, Godric atravessou a grama e parou diante do “objeto de estudo” de uma estarrecida Lady Ravenclaw.

- Bom dia, milady! Posso ajudá-la com este aqui?...


== * ==



- Ele o fez para escarnecer de mim!

Helga depositou a colher sobre a mesa, num gesto de impaciência.

- Ele o fez para ficar em tua companhia, Rowie! Por que tanta dificuldade de entender que Godric tenta conhecer-te melhor?

- Para que ele faria isso? Eu seria apenas mais uma em sua corte...

- Para quê?... – Helga fechou os olhos, exalando todo o ar dos pulmões e enchendo-os de novo, antes de responder pausadamente. - Para estabelecer amizade contigo? Para deixar de ver a desconfiança em teu semblante quando ele se aproxima? Para que deixes de procurar segundas, terceiras e quartas intenções em cada gesto que Godric faz? Para que será, não é mesmo? Quase não há motivos...– Terminou, jogando as mãos para o ar.

Entretanto, quando Rowena baixou a cabeça, triste, a impaciência de Helga esvaiu-se prontamente. Inclinando-se, ela pousou a mão sobre o braço da amiga, confortadoramente. – Tens tantos motivos para ser arredia com homens, Rowie, que nem tento enumerá-los em alta voz. Porém, tens de acreditar em mim, nada há o que temer ou desconfiar em Godric! Não para ti! A não ser o fato de ser injusta e tratá-lo com uma desconsideração que meu amigo... meu irmão, não merece!

Rowena não respondeu para não melindrar Helga ainda mais. A verdade era que tinha quase certeza de que, assim como Salazar, o poderoso Lord Gryffindor duvidava de suas aptidões, e quisera verificar de perto. Pelo menos Slytherin fora honesto e dissera qual era sua intenção real. Não ficara... sorrindo e sendo... sendo... - Brincando com a comida no prato, ela suspirou profundamente. Não era justo que fosse avaliada por sua habilidade em cuidar de um jovem salgueiro lutador, quando passara boa parte da vida longe do ar livre... – “Nem que a presença do todo poderoso a tivesse prejudicado ainda mais, deixando-lhe as mãos trêmulas!”, cutucou-lhe uma vozinha interior extremamente irritante.

Seu estado de espírito não melhorou muito, quando viu a personificação de seu aborrecimento aproximar-se da mesa com aqueles passos felinos e seguros. Nem mesmo quando o famoso sorriso do Leão das Charnecas alcançou-as, Rowena permitiu-se retribuir.

- Boa noite, caras damas! – Retumbou ele, beijando a mão de uma e de outra e depois sentando-se em seu lugar, à cabeceira da mesa. – Helga, o que quer que tenhas preparado para a refeição de hoje, cheira como um manjar para os deuses! – Cumprimentou, puxando para si a terrina mais próxima, cheio de apetite.

- Ensopado de cordeiro, empadão de rins, pão fresco e maçãs carameladas. – Recitou Helga, sorrindo diante do olhar guloso de Godric.

- Abençoada pela magia és tu, minha amiga! És tão habilidosa quanto bela! – Godric a estudou por sobre a mesa, enquanto se servia de vinho. - Estás radiante esta noite, Helga.

Helga corou, sorrindo feliz pelo elogio, e antes que Rowena pudesse impedi-la com o olhar, ela explicou, gesticulando para a amiga.

- O Mérito é de Rowena, no que diz respeito à minha aparência. Ela andou testando novos feitiços em nossas vestes, e realizou este pequeno milagre a sua frente, Godric. – Gracejou ela, mostrando a própria indumentária.

- Ah, com efeito! Lady Ravenclaw parece ter mesmo todas as fadas por madrinha! – Aqueles olhos de firewhisky prenderam-se em Rowena, e ela sentiu o passeio avaliador que eles fizeram em sua silhueta, por cima da borda de sua taça. – Mas por que este olhar tão entristecido, milady? Algo a aborrece?

Rowena cogitou seriamente responder o que lhe subira à garganta, mas o bom senso prevaleceu, e ela apenas maneou a cabeça a guisa de resposta, permanecendo quieta. Helga quebrou o silêncio, atraindo a intrigada atenção de Godric para si.

- Herbert, o rapaz de Moray, logo estará pronto para voltar para casa, Godric. E deves levá-lo sem demora, na minha opinião.

- Não achas melhor restabelecê-lo plenamente antes de o mandar para uma casa que não mais existe? – ele respondeu, quebrando nacos do pão com os dedos, os olhos voltando para Rowena.

- Ele não está feliz entre nós. Não quer proximidade com bruxos e, diante do que passou, quem pode culpá-lo?

- Sua jovem mente deve estar culpando-me em parte, com certeza. – Retorquiu Godric, sério. - Herpo fez a gentileza de matar praticamente a vila inteira e alegar que o fazia como um presente para mim... O rapaz não pode entender realmente o que aconteceu.

- Eu penso que ele entendeu muito bem. – Disparou Rowena, fingindo não notar o olhar de aviso que Helga lhe lançou. Godric ajeitou-se melhor na cadeira, lentamente, e bebeu mais um gole antes de perguntar.

- E o que a leva a pensar isso, milady?

- É o que acontece quando bruxos envolvem comuns em suas lutas e batalhas. Milord tem alguma desavença com o tal Herpo, e aparentemente o rapaz, seus pais e vizinhos pagaram o preço por estarem no caminho.

Um brilho de perigo perpassou os olhos castanhos de Lord Gryffindor, entretanto, ele não se manifestou. Ficou encarando-a profundamente, pensativo como se resolvesse um enigma. Foi Helga quem tentou esclarecer.

- A situação toda é muito mais complexa que isto, Rowena...

- Entre os bruxos, talvez! Entre comuns e bruxos que lutam com eles, que complexidade haverá? Eles sempre sairão mortos, já que não se trata de um embate justo... ou honrado.

Desta vez o Leão reagiu. As mãos fecharam-se em punhos sobre o tampo da mesa, e vários estalos da madeira calaram suas convivas tanto quanto os aprendizes ao redor.O ambiente, que até ali estivera agradavelmente cálido, subitamente pareceu varrido por uma incômoda brisa gelada. Rowena tentou sustentar o olhar castanho, que mesclava aço e fogo, de Gryffindor, mas não conseguiu, baixando os olhos para as mãos. Helga continuava imóvel, a atenção fixa no amigo, que agora se levantava e lhes fazia uma pequena mesura.

- É chegada a hora de retirar-me. – A voz profunda feria como gelo afiado, desta vez. – Miladies.

E foi-se, tão furioso que era quase possível sentir as ondas de fúria que se desprendiam de seus passos. Os aprendizes o observaram sair, calados e surpresos. Hérocles o seguiu, imponente, sem olhar para Rowena. Esta voltou-se para Helga, a boca aberta para começar uma justificativa. Porém, a expressão da outra bruxa era mais assustadora que a de Gryffindor, se possível isto fosse.

- Em meus aposentos – sibilou ela – agora!

Rowena levantou-se e seguiu a amiga, sem protestar, pressentindo mais do que escutando o borburinho curioso que elas deixaram para trás. Como os aposentos de Helga ficassem próximos do salão principal, logo encontravam-se no espaçoso aposento, em pé diante do fogo crepitante da lareira. Helga levou as mãos à cintura, encarando-a, e Rowena admirou-se do quão alta e ameaçadora parecia a outra bruxa, naquele momento.

- Dei-lhe tempo. Expliquei-lhe o que precisava ser esclarecido. Garanti de todas as formas que aqui, com estes formidáveis bruxos com quem convivemos, tu não terias que temer a nada. Eles e eu tivemos paciência com teu ar ressabiado e com tuas inseguranças, mas, hoje fostes longe demais!– Rowena ameaçou responder, mas foi calada por um gesto imperioso da outra. – Não. Agora, irás me ouvir! E de preferência, prestar atenção às minhas palavras. Salazar, - continuou, olhando firme para a outra – teve suas dúvidas, expressou-as a você e as resolveu, com a tua ajuda e concordância. Já Godric, este a recebeu com toda a alma, apenas porque eu expressei confiança e apreço por ti. E conforme ele a conhece, toma-se de respeito e consideração por tua pessoa, e como é que tu retribues?

Rowena remexeu-se, constrangida, porém Helga não se deteve, implacável em sua lealdade atiçada.

- Afirmas que ele não é honrado por lutar com comuns! Pois fique sabendo, Lady Ravenclaw, que Godric Gryffindor jamais poderá atingir um comum com magia, em qualquer tipo de batalha! Ele só pode usar seus poderes mágicos em combate contra outros bruxos ou se for para salvar vidas, excluindo-se a sua própria!

- De que falas? Um bruxo como ele não teria qualquer tipo de dificuldade...

- Não se trata de dificuldade, mulher, mas de caráter. – Exasperou-se ainda mais Helga – Godric fez um voto inquebrável! Jurou a Salazar que jamais usaria magia para vencer ou subjugar um comum em batalha, mas apenas para salvar-lhes as vidas! Ele morrerá antes de seu adversário, se quebrar tal juramento. E eu tenho certeza disto – antecipou-se à clara dúvida de Rowena – porque fui a testemunha do voto. Foi a este homem que ofendestes esta noite, Rowena! Um bruxo que já salvou mais comuns do que você os conheceu! – Aproximando-se, ela ergueu o queixo de Rowena, obrigando-a a olhar em seus olhos. – E por mais que eu a estime, e estimo muito, se o afrontar novamente terás de se haver comigo.



==*==


Rowena observou as águas do lago, enquanto descia as encostas gramadas em direção à ferraria, e pensou ter visto um movimento estranho nas águas escuras. Provavelmente, era a tal lula gigante amiga de Lord Gryffindor. Imaginou se ela também estaria à procura do bruxo. Com certeza, seria mais bem vinda que Rowena por ele, e não podia tirar a razão do cavaleiro nisso.

Ao chegar-se à construção de madeira, diminuiu os passos, entrando silenciosamente no ambiente que rescindia a feno. De um lado, o alazão negro de Lord Gryffindor, Molnia, alimentava-se tranqüilamente em sua baia, que era a única ocupada. Do outro, Hérocles cochilava tranqüilamente, acomodado sobre um dos fardos largos de feno. No segundo ou terceiro passo de Rowena para dentro, entretanto, ambos ergueram as orelhas e a observaram aproximar-se, atentos. Rowena levou o dedo aos lábios, pedindo-lhes silenciosa colaboração. Molnia avaliou-a e decidiu que não representava perigo, voltando a comer. Hérocles bocejou e espreguiçou-se, rugindo baixo, e depois voltou ao cochilo.

Seguindo o retinir compassado de metal contra metal que ecoava pelas paredes, bem como o clarão e o calor de fogo alto, cada vez mais próximo, Rowena passou da área de estrebaria para a oficina, e de lá para a ferraria, onde finalmente encontrou seu alvo. Oculta por prateleiras largas repletas de utensílios de montaria, ela o espiou.

- O homem tem problemas em manter-se vestido. – Pensou, desalentada, ao descer os olhos sobre as costas nuas de Gryffindor, brilhantes de suor e iluminadas pela grande fogueira que queimava na fornalha diante dele, única fonte de iluminação do aposento. O braço forte subia e descia, martelando algo sobre uma bigorna, cadencialmente, e quando o bruxo ergueu o objeto diante dos olhos para avaliar seu trabalho, Rowena viu que se tratava de uma espada.

Gryffindor dirigiu-se a fornalha e depositou a espada sobre duas forquilhas de ferro de forma que sua lâmina fosse aquecida pelas chamas. Então ficou ali, parado, olhando para o fogo. A luz avermelhada fazia seus cabelos adquirirem o tom vermelho escuro dos rubis, reparou Rowena, antes de pular de susto ao som da voz profunda.

- Milady pretende ficar assistindo? Seria melhor que chegasse mais perto.

O tom indiferente era mais do que ela esperava receber, e ainda assim, ressentiu-se um pouco. Vencendo seu extremo constrangimento, adiantou-se, até parar próximo ao grande fole de ar que Gryffindor agora manuseava, insuflando mais vida às chamas.

- Estou aqui porque preciso lhe falar, milord.

Ele largou o fole, caminhou até uma mesa encostada na parede oposta à fornalha, onde haviam uma bacia e um jarro. Lá, jogou água no rosto, lavando também as mãos, e então vestiu a camisa, deixando-a solta sobre a calça de couro, tudo isto em torturante silêncio. Depois encostou-se à mesa, braços e pernas cruzados, e encarou-a enigmaticamente, esperando. Rowena puxou fôlego e sustentou o olhar, deixando as palavras saírem de coração e sem preâmbulos.

- Sinto muito por meu comportamento. Fui grosseira e injusta. Peço desculpas.

Ele continuou em silêncio, porém, algo suavizou-se na expressão rígida.

- Mesmo antes de saber o que Helga acaba de me contar, jamais poderia ter me expressado daquela maneira. Quero que milord saiba que me arrependi assim que falei. Não tenho desculpas, embora as peça!

Godric finalmente sorriu, não aquele sorriso aberto que ofuscava os olhos, mas um sorriso, com certeza. O ar voltou a circular livremente no peito de Rowena.

- Estás desculpada. Entretanto, - continuou, fazendo o alívio da bruxa estremecer – só a absolverei totalmente quando me contares quem lhe magoou tanto no passado, a ponto de fazê-la tão...

- Arisca?

- Preocupada, era a palavra. – Divertiu-se ele, desprendendo o olhar do dela e voltando a retirar a espada prateada do fogo. – Temos um acordo?

Houve um momento de hesitação, apenas.

- Temos.

Gryffindor finalmente sorriu daquela maneira, estendendo-lhe a mão livre. Rowena segurou-a, e o conhecido arrepio desceu-lhe veloz pela coluna, fazendo-a interromper o contato. Sem demonstrar ter percebido, ele ergueu o martelo, voltando a atingir as bordas da espada incandescente compassadamente. Rowena ficou por ali, observando, aceitando que não tinha vontade alguma de voltar ao castelo.

- Helga foi muito dura contigo? – perguntou ele, entre uma martelada e outra. Rowena surpreendeu-se.

- Como sabes?

- Vi o olhar dela, antes de deixar a mesa. Eu e Salazar conhecemos muito bem aquele olhar. Uma das poucas coisas que ambos tememos incondicionalmente, devo dizer.

Rowena sorriu de canto, relembrando o chiste recebido.

- Ela deixou-me inteira o suficiente para vir até aqui, pelo menos. Mas, fui devidamente avisada do que acontecerá se repetir meu erro...

Rindo, o cavaleiro abandonou o martelo e mergulhou a espada em uma tina profunda, fazendo a água chiar de encontro ao metal quente. Rowena achou que já poderia extravasar sua curiosidade livremente.

- Que estás fazendo, milord?

Virando a espada dentro da água, ele respondeu descansadamente.

- Minha antiga espada foi quebrada em minha última viagem. Esta aqui, ganhei-a a algum tempo de Ragnok. Finalmente a oportunidade de usá-la chegou.

- Ragnok? Ragnok I, o líder dos duendes?

Gryffindor sorriu diante de sua surpresa.

- Ele é tão líder quanto os duendes aceitam serem liderados. Entretanto, ele é um dos mais influentes, com certeza. Presenteou-me com ela quando o salvei de uma mantícora bastante geniosa... Nenhum dos seus semelhantes aprovou o que ele fez, e é certo que me tomariam a espada de volta, se eu tivesse lhes dado chance. Os duendes são bem possessivos com suas obras de arte. – Concluiu, retirando a peça de prata da água e girando-a com destreza no ar algumas vezes, provocando assobios no ar.

- Se é uma espada confeccionada pelos duendes, - começou Rowena com cuidado, sem querer parecer ofensiva novamente – por que a estás reforjando?

- Ah, os duendes são incomparáveis no preparo do metal. Porém, a forma perfeita, – Godric cortou o ar com a espada, parando-a em diagonal com o peito largo – a sincronia entre lâmina e punho, - depositou-a sobre o dorso da mão, onde a espada permaneceu, perfeitamente equilibrada – e o peso ideal para que seja uma ferramenta para quem a usa, e não um fardo – girou-a em círculos ao lado do corpo, tão veloz que a lâmina desenhou sombras no ar – isto só o guerreiro que a empunha sabe determinar com precisão.

- Com magia não seria mais fácil?

- Seria. – Concordou ele – Porém, para algumas coisas o modo dos comuns é mais aconselhável no rumo à perfeição, e a forja está entre eles.

- E como a chamarás?- Indagou interessada.Gryffindor olhou-a, sem entender.- Ela precisa ser nomeada! Todas as espadas de grandes homens o foram: Excalibur, Glamdring, Narsil, Notung, Durandal...

Ele franziu as sobrancelhas e pensou por algum tempo, para então sacar a varinha. Com a ponta desta, escreveu caprichadamente algo com fogo, logo abaixo do punho da espada, e então admirou o resultado. Satisfeito, virou a lâmina, onde as letras fumegantes ainda ardiam como brasa, na direção de Rowena. – Que te parece este nome? – Questionou inocentemente. Ela inclinou-se para ver melhor, curiosa.

G
O
D
R
I
C

G
R
Y
F
F
I
N
D
O
R


O riso brotou suavemente em seu peito, e foi tomando força e forma, conforme Rowena relia as letras, até que a ferraria preencheu-se com o som cristalino. Godric observou-a, pensando consigo que para fazê-la rir assim, valeria a pena forjar uma centena de espadas por dia e procurar nomes para cada uma delas.

- Pegue-a – convidou, estendendo a espada para Rowena – dê-me uma sugestão sobre quais pedras usar para ornar o punho.

- Rubis. – Ela respondeu sem precisar pensar, dois segundos antes de sua mão encostar na prata brilhante. Foi então que aconteceu.

A realidade a abandonou, deixando-a entregue a imagens e sensações quebradas, permeadas pela escuridão absoluta e por visões aterrorizantes.

Godric viu a luz sumir dos olhos azuis, juntamente com o sorriso, assim que ela tocou a espada. Foi ágil o suficiente para ampará-la quando os joelhos dobraram sob o peso do corpo, evitando que fosse ao chão. Carregando Rowena no colo, levou-a para longe do fogo forte e, com algumas palavras murmuradas, conjurou várias peles macias no chão, ajeitando-a confortavelmente sobre elas. A respiração da bruxa estava rasa, entrecortada, e ela se debatia, como se estivesse tendo um sonho ruim. Godric chamou alto por Hérocles, que num átimo estava diante deles.

- Traga Helga. – E o animal foi-se imediatamente, sem mais.

Godric pousou a mão sobre a testa da moça, e murmurando novamente, encostou a varinha diretamente sobre o coração de Rowena.

- NÃÃÃÃÃOOOOO!!! – Gritou ela, em pânico, abrindo os olhos desfocados e agitando-se mais ainda. Godric puxou-a de encontro ao peito e segurou-a firme, enquanto ela estremecia e balbuciava. Palavras não adiantariam, então, ele apenas embalou-a, aguardando até que os efeitos da visão passassem. De fato, lentamente, a agitação foi cedendo e os olhos azuis procuraram os dele, lúcidos outra vez.

- Tão jovem... tão injusto... Tanto mal...

Godric afastou-lhe os cabelos do rosto, perscrutando-a com o olhar, antes de ajudar Rowena a sentar-se direita.

- O que foi que previstes? Tens condições de contar? – Diante da pergunta muda no olhar consternado, Godric explicou. – Já vi acontecer antes, e reconheci os sintomas.

Rowena fechou os olhos, revivendo o que vira, e o horror varreu sua mente. Mais recomposta, porém ainda sem abrir os olhos, ela disse quietamente.

- A sua espada foi feita pelos duendes, então, absorve o que a fortalece e repudia o resto, não é?

- Sim. – Ele respondeu simplesmente, aguardando. Rowena abriu os olhos e o encarou diretamente.

- Então, Lord Gryffindor, coloque mais que suas preferências de guerreiro nela. Deposite em sua espada algo de sua coragem, de seus valores... de seu poder. Uma criança... um jovem... – A voz falhou, e Godric voltou a ampará-la. – Um jovem, enfrentando mais de uma vez um mal inominável, em nome de muitos, precisará de ti, e te encontrará naquela espada.

- Criança? Quem? Um de nossos aprendizes?

Ela sorriu debilmente.

- Ele será um aprendiz, e estará aqui, mas não conosco. Seremos apenas lembranças... - Hesitante, ela ergueu a mão e passou-a de leve na barba avermelhada de Godric, os olhos azuis pensativos. – Havia tanto de ti nele...

Nisso, Helga entrou apressada, seguindo Hérocles.

- Rowie! Ah, pela deusa! O que tens? – Agitou-se, ajoelhando-se ao lado de Rowena e tomando-lhe a mão. – A culpa é minha! Ralhei contigo e a deixei nervosa... – Declarou, preocupada, examinando-lhe as faces pálidas. Rowena sorriu para tranqüilizá-la.

- Já estou bem, Helga! – Apoiando-se no braço de Gryffindor, ela ficou de pé, apesar do muxoxo de protesto da amiga. - Tive uma visão, é só.

Helga surpreendeu-se e trocou um olhar inquisitivo com Godric, que confirmou a informação com a cabeça.

- Mas, então teus poderes voltaram plenamente! – Alegrou-se ela.

- Como assim, “voltaram”? – quis saber Godric, olhando de uma para a outra. Helga, entretanto, passou o braço pelo de Rowena, afirmando categoricamente.

- Longa história, Godric, que não será contada agora! Vou levar Rowie para o casatelo, ela precisa descansar. – Percebendo a clara objeção vindoura, ela o olhou do alto de sua autoridade como curandeira. – Amanhã! Amanhã conversaremos sobre visões e poderes. Por hoje, ela já teve o suficiente.

Reparando na maneira como Rowena escorava-se na amiga, apesar das alegações de que estava bem, Godric concedeu. Antes que as duas sumissem de suas vistas, porém, ele não conteve mais uma pergunta.

- Milady Ravenclaw? – Ela e Helga pararam seu caminho, voltando-se para ele. – O mal que vistes, de que se tratava?

Rowena olhou para o chão por um longo instante, em silêncio. Quando ergueu os olhos eles estavam escurecidos e turbulentos, e a voz que soou enrouquecida demonstrava grande pesar quando declarou.

- Um monstro, servo de algo ainda mais monstruoso. Esta espada... teu poder nela... ajudarão uma criança a enfrentar a ambos.

Helga lançou um olhar incisivo a Godric, e guiou Rowena para fora sem dar margens a outras interrupções. Ele observou-as se afastarem, quieto, e então encaminhou-se para a espada, segurando-a na palma das mãos. Hérocles sentou-se ao seu lado, e o olhou com seu jeito solene.

- Temos uma noite de muito trabalho pela frente, leão – proclamou a voz profunda. – Muito trabalho – concluiu, os olhos brilhantes fixos na espada de prata.









N/B: Eu podia começar falando da minha saudade dessa história, mas aí eu estaria falando da minha falta, do meu vício. Acho melhor falar deste capítulo primoroso. Alguém tem dúvida de que é um dos melhores até agora? Eu não. A cena do Salazar com sua amante comum ficou fantástica. Maliciosa, sexi e um pouco repugnante, exatamente como tem de ser. A cena com os aprendizes ficou engraçada e a descompostura da Helga um verdadeiro show!!! Mas nossa senhora mãe de todas as bruxas o que foi esta cena da forja???? Mais alguém prendeu a respiração? Mais alguém ficou com muuuitoooo calor? Pois é. Ela (a Sônia) faz isso e depois nos deixa sem ele por semanas. Não é justo Anam!!! Mas... acima de tudo, até do meu encanto pelo Godric, ficou a visão da Rowie. Eu me arrepiei, fiquei com lágrimas nos olhos. Me emocionou perceber a sombra do Harry ali. Foi como ver nos grandes bruxos, pais distantes, já zelando com amor pelo nosso menino. Estou emocionada demais até para arroubos e gritos, minha querida. Estou aqui, apenas, em silenciosa reverência, mão no peito para acalmá-lo e pedindo, muuuuuiiiitooooo, que você posso continuar logo. Te adoro. Te aplaudo. Um beijo enorme.




N/S : (Nota da Sumida ;D) *.* - Oi! Vocês ainda lembram de mim? Rsrsrs... Pois, eis que chega um novo capítulo! Atrasado, demorado... Porém, escrito com todo o carinho, tenham certeza! =D Espero que vocês gostem! – Às minhas amadas betas, Sally e Morgana, abraços bem afoooofaaadoooooos, cheios de gratidão! Beijo grande no coração de cada um de vocês! Até o próximo! (Prometo não demorar tanto!) ;D – Até lá!


Para músicas, fotos e curiosidades da fic...


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