Ela encarava incansavelmente o céu lá fora. Estava deitada de bruços, o queixo apoiado nas mãos, que estavam descansadas sobre o travesseiro. Observava o tempo se arrastar lentamente. O quarto estava completamente escuro. A única fonte de luz vinha da lua crescente no céu que mais parecia uma manta de veludo negra.
Levantou-se e caminhou lentamente até a escrivaninha e abriu a primeira das gavetas. Não precisou procurar muito para encontrar o que queria. Ela pegou a foto e, ainda sem tirar os olhos dela, voltou para a cama, recostando-se nos travesseiros. Deixou-se divagar em suas lembranças... Nas lembranças que aquela foto lhe trazia.
Acendeu o abajur que ficava sobre o criado mudo e prestou atenção em cada detalhe daquela imagem que se movimentava continuamente, fazendo parecer ainda mais vivo o momento. Ela e Harry, em pleno Beco Diagonal. A foto parecia dar voltas. Lembrava-se como se fosse ontem...
Encontraram Colin Creevey logo que chegaram ao Beco em companhia de Débora e Tonks e ele se ofereceu para tirar umas fotos. Riu ao lembrar... Fora ela mesma quem concordara. A foto que tinha em mãos fora tirada depois de uma primeira, onde os quatro apareciam, o que justificava os primeiros movimentos da foto. Ela se afastando de Harry e em seguida ele puxando-a para si, abraçando-a por trás e fazendo-a rir, gargalhar e depois recompor-se e posar para a foto ao lado do, até então, amigo.
Por algum motivo, não sentiu a menor vontade de chorar. Apenas sorria tristemente, seus olhos não estavam alegres e não mentiam. Ela não sabia explicar o porquê de não ter chorado, mas tinha certeza de que talvez tivesse entrado na reserva há muito e já não restassem lágrimas para chorar. A fonte teria secado...
A única certeza que ela tinha naquele momento era que o amava.
Instintivamente, deixou a foto de lado e abraçou um travesseiro qualquer. Não, não era um travesseiro qualquer, e ela pôde perceber ao aspirar o cheiro que ele emanava. Era o perfume dele, e era maravilhoso. Sempre fora apaixonada por aquele cheiro. “Não foi à toa que ele me presenteou com um frasco dele”, pensou enquanto fechava os olhos serenamente, sorrindo como boba.
Adormeceu não muito depois. Pouco importava se o abajur ainda estava ligado, se esquecera a foto largada num lugar qualquer da cama e que talvez pudesse amassar, se ainda eram notáveis o movimento e o barulho externo... Ela apenas queria dormir e descansar sem preocupações. E pela primeira vez desde que o namoro acabara, conseguira dormir sem lamuriar-se pelo tão inesperado e repentino fim.
No entanto, aquele sono tranqüilo fora interrompido poucas horas depois. O despertador do relógio de cabeceira apitava incessantemente, primeiro distante e agora mais alto a cada segundo, e aquilo passara a incomodá-la. Ainda sem abrir os olhos, tateou a mesinha de cabeceira atrás do infeliz relógio que a fizera despertar. Desligou o alarme e, a contragosto, abriu os olhos para olhar que horas eram. Meia noite. E, não deixou de notar... O movimento no salão comunal, mesmo que distante, ainda continuava. “Estranho”, pensou.
Levantou e caminhou até a escrivaninha, ainda com o relógio em mãos. Analisou o calendário e o motivo de tanta agitação àquela hora se fez explicado: acabara começar o dia 14 de fevereiro.
Esquecera-se completamente que era feriado. Durante os últimos quatro dias estivera em repouso e deixara de se preocupar com a hora ou com o dia da semana e qualquer outra coisa do gênero. Na verdade, passara os dois primeiros completamente apagada, no sentido literal da palavra. E quando fora liberada da ala hospitalar, onde ficara sob os cuidados de Madame Pomfrey, já não trazia mais o relógio de pulso consigo, e nem se preocupara em recolocá-lo. E depois, com tudo o que acontecera, focara-se apenas em seus deveres e obrigações. Não queria parar para pensar em mais nada além daquilo.
Mas a verdade é que se trancara em seu quarto desde que retornara. Dumbledore fazia questão de mandar sua refeição através de Dobby, que muitas vezes ficava e conversava com ela. Como ela queria que Amy estivesse ali... Sentia falta da amiga, de vê-la todos os dias. Ela era a pessoa mais maravilhosa que conhecia. Não pudera ficar muito da última vez, mas assegurara que sempre que possível iria visitá-la.
Resolveu que seria melhor parar de pensar e voltar a dormir. Antes de voltar à cama, guardou a foto na gaveta e desativou o alarme do relógio, para que não a incomodasse mais, deixando-o sobre a escrivaninha. Apagou o abajur e deitou-se, aconchegando-se numa posição confortável. “O dia dos namorados sem ele... Nunca mais o dia dos namorados será o mesmo. Nunca mais...”, pensou antes de adormecer novamente.
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Estava nos jardins de Hogwarts. Aparentemente, acabara de anoitecer. Não devia passar das sete da noite. Podiam-se notar inúmeros lampejos das mais variadas cores cortarem o ar. Havia corpos espalhados por toda a propriedade, mas no momento a cena lhe pareceu assustadora. Preferiu não olhar de quem se tratavam.
Continuou a caminhar lentamente e sem olhar aonde pisava. Viu um adolescente, aparentemente um setimanista, correr com uma garota loira nos braços. Perguntou-se quem seriam, mas não se interessou muito. Mais adiante ela pôde ver uma luz branca e ofuscante erguer-se no ar. Ficou curiosa. Era uma imagem que nunca vira antes. E ela se aproximou, dessa vez apressando o passo.
Não conseguiu ouvir o que dizia a imagem que desaparecia aos poucos, como fumaça se perdendo no ar. Ela podia perceber que recitava algo, mas as palavras não lhe eram nítidas o suficiente para distinguir ou formar frases que fizessem sentido. Ao final, a imagem sumiu completamente, dizendo algo como: “Cumpri com a minha missão, agora resta a você escolher o seu destino”.
Depois daquilo, ela vislumbrou um vulto distante gritar seu nome e se deixar cair ajoelhado no gramado já úmido pelo orvalho proveniente do sereno da noite. Assustou-se ao reconhecer a voz. Seria ela a pessoa que sumira após profanar aquelas palavras? Ela levou a mão à boca, os olhos arregalados... Aquela era a profecia! Claro; como não percebera? Então aquele era o fim? Era assim que tudo acabaria?
Acordou suando frio após se debater por longos minutos. Pôs-se sentada na cama e pegou o copo com água que havia em seu criado mudo. Bebeu um pequeno gole e respirou fundo. Em seguida, bebeu o restante de uma só vez. Recolocou o copo vazio no lugar inicial e se levantou. Pela terceira vez àquela noite, ela foi até a escrivaninha e abriu a primeira gaveta. Revirou seu conteúdo às pressas. Encontrou vários papéis soltos, e os abria conferindo seu conteúdo, mas nada de achar o que queria.
Fechou a gaveta e partiu para a próxima... para as próximas. Nada. Faltava apenas uma. Suspirou e deixou-se cair na cama. Começou procurando ainda agitada, mas controlando-se. Não achava de jeito nenhum e aquilo a desesperou. Ela tinha que achar, era uma questão de honra. Passou a retirar as coisas olhando-as com cuidado para não deixar passar nenhum detalhe.
Ela, que sempre fora muito organizada e nunca gostara de guardar coisas sem necessidade ou que não lhe servissem mais, pela primeira vez considerou-se bagunceira. Não sabia de onde surgiram tantas coisas que já deveriam ter sido descartadas há muito.
Retirou a última coisa da gaveta, suspirando revoltada. Tinha certeza que guardara ali, então como sumira? Parou olhando para um ponto qualquer da escrivaninha. Lembraria onde estava, ou não pararia até que encontrasse.
Olhou para sua cama, agora completamente coberta de coisas sem utilidade. Jogou pelo menos metade daquelas quinquilharias no lixo e guardou o restante. Suas gavetas, antes superlotadas, agora estavam bem mais vazias.
Ao terminar, já havia se passado no mínimo duas horas desde que acordara. Olhou o relógio. 5h12m. Desviou seu olhar para a janela. Lá fora, o dia dava os primeiros sinais de que estaria começando. Por ser inverno, apenas alguns traços alaranjados no céu eram perceptíveis. Sabia que não adiantava continuar sua busca. Talvez encontrasse depois. “Por hoje chega!”
Respirou fundo e levantou-se da cama, onde nem se lembrava de ter sentado. Esticou os lençóis, e só agora notara que sequer desforrara a cama para dormir. Arrumou os travesseiros e se virou, caminhando até a janela, onde se debruçou. Aquele sonho fora muito estranho. “Muito estranho”, pensou. Resolveu tomar um banho para relaxar. Foi para o banheiro sem mesmo escolher uma roupa. Depois, ela já decidira, iria escrever para Amy.
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- Estranho ela não aparecer mais. Eu posso ser meio desligado, mas mesmo antes desse desmaio dela, eu já havia notado que ela já não era a mesma. Eu só a via nas aulas. Ela sumiu, simplesmente desapareceu. – Rony comentou. Ele, Luna e Gina estavam tomando café da manhã no salão principal. – Gostaria de saber o que anda acontecendo com ela.
- Talvez seja algo sério. – Luna murmurou. – Ela não mudaria sem motivos.
- Concordo com você, Lu. Acho que tem coisa por trás disso. Ela está evitando alguma coisa. Ou, quem sabe, alguém... – Gina deixou a frase solta no ar, o que rendeu um longo momento de silêncio incômodo.
- E o que você sugeriria? – indagou Rony.
- Pessoal, eu acho que já vou. Tenho que passar no salão comunal e pegar umas coisas que emprestei à Padma e ainda não a vi hoje. Se bem a conheço, não irá lembrar de me devolver caso não cobre. – Luna disse, levantando-se. – Te vejo daqui a pouco. – ela acrescentou para Rony, dando-lhe um selinho. – Tchau.
- Tchau, linda. – Rony disse e observou-a se afastar.
Gina já estava dando graças por o irmão ter esquecido o assunto quando...
- E o que você sugeriria, Gina? – insistiu o ruivo repetindo a pergunta.
- Não sei. Mas algo me diz que eu estou no caminho certo. – a ruiva disse com convicção. Ela viu Harry se aproximar. “E acho que ele pode me esclarecer muita coisa”, pensou.
- Bom dia! – Harry ocupou o lugar de frente para Gina. – Alguma notícia interessante? – perguntou. – Posso? – dirigiu-se a Gina, apontando um exemplar do Profeta Diário que a ruiva tinha ao lado de sua bolsa.
- Claro! – ela assentiu. – Tem tido notícias de Hermione? Ela sumiu...
Harry parou de chofre, deixando a mão parar no ar, encarando-a.
- O que tem ela? – ele perguntou, parecendo confuso e preocupado ao mesmo tempo.
- Nada, é só que achei que você poderia saber de alguma coisa...
- Por que saberia? – ele desconversou, pegando o jornal e abrindo-o.
Gina abaixou o jornal.
- Não se faça de bobo, Harry. Claro que você sabe! Não disse antes porque a Luna estava aqui, mas você é o namorado dela e tenho certeza de que sabe o porquê de ela estar assim. – ela disse num murmúrio audível, aparentemente irritadiça.
Harry permaneceu calado. Olhou de Gina para Rony, que o encarava sério e com ar indagador. Sentiu-se desconfortável. Mas o que poderia responder? Ele não poderia simplesmente contar sobre a ameaça e que terminara com Hermione por causa disso, certo? Muito provavelmente seria motivo mais que suficiente para ouvir um bom sermão, principalmente de Gina.
- Não há nada que eu possa dizer. – ele limitou-se a responder.
- Qual é, cara! Nós somos seus amigos e, tanto quanto seus, somos amigos dela. Temos o direito de saber o que anda acontecendo. – Rony insistiu. – Como eu estava dizendo pouco antes de você chegar, eu posso ser meio desligado, mas não tanto para não perceber que tem alguma coisa errada. Nem contigo eu a vejo mais!
Gina arregalou os olhos. Talvez o irmão não fosse tão desligado assim. Ao ouvir o comentário do amigo, o próprio Harry engoliu em seco. Não esperava que Rony, justo Rony fosse capaz de fazer uma observação daquele tipo.
- Bom, já que se interessam tanto em saber, aconselho que talvez seja melhor esperar ela falar. Eu não quero falar sobre isso se ela não deseja falar também. – Harry finalizou num tom convicto e um tanto grosso. Colocou uma torrada inteira na boca e não mastigou muito para engolir.
- Tudo bem, nós não vamos insistir. – Gina concordou. Talvez fosse melhor esperar, mesmo. – Ah, o dia dos namorados... O que você vai dar de presente para Hermione? – ela indagou de súbito.
Harry que levara o copo de suco à boca instantes atrás, engasgara-se, quase cuspindo tudo. A bem da verdade, comprara um presente para dar à (ex) namorada, mas nas atuais circunstâncias, presenteá-la seria o mesmo que dar-lhe esperanças ou machucá-la ainda mais, e ele não queria isso.
- Na verdade eu tive que pensar muito para escolher. Acabei por montar outra caixa de presentes. Não é nada demais, garanto. – ele respondeu. Não estava mentindo, ao menos. – E você, o que vai dar de presente ao Draco?
- Bom, você sabe que eu não tenho lá muitos recursos, mas comprei um perfume e um kit de sais para banho. – ela contou. – Rony que não disse até agora o que vai dar para a Luninha dele. – ela riu.
- Dar presentes para a Luna é mais complicado do que vocês podem imaginar. Acabei por comprar uma coleção de livros de astronomia, runas e tantas outras coisas malucas que as mulheres gostam e uma presilha, que a Gina ajudou a escolher.
- Verdade. Linda! Cheia de pedrinhas brilhantes coloridas. – a ruiva concordou. – E a programação de hoje? Esse ano você e a Hermione desanimaram mesmo, hein? Vão fazer um programa mais “relax”, é? – ela brincou com ar maldoso.
Harry não respondeu.
- Não sei. E vocês? O que combinaram?
- Vamos ao pub da Madame Puddifoot e mais tarde a Dedosdemel, quem sabe. – Gina respondeu.
- Não acho que seja o tipo de programa que Luna gostaria de fazer, então acho que nós vamos ao Três Vassouras e depois passear pelo vilarejo. – Rony comentou. – Falando nisso, acho que vou para o saguão. Luna já deve estar me esperando. Vocês vêm?
- Não, se for para Hogsmeade só mais tarde. – Harry apressou-se em responder.
Gina não respondeu de imediato. Ela lançou um olhar para a mesa da Sonserina, sendo imediatamente correspondida por Draco, que acenou levemente indicando a porta do salão principal.
- Bom, então acho que também já vou. Se decidirem aparecer, sabem onde nos encontrar, não é? – disse antes de se levantar. – Tchau, Harry. Até mais tarde.
Ele observou os irmãos deixarem o grande aposento e apreciou por mais alguns minutos a sua solidão. O que Hermione estaria fazendo agora? Como estaria encarando aquele dia dos namorados? Será que estava bem? Eram as perguntas que não saíam de sua cabeça. Não a via desde o dia em que saíra da ala hospitalar. Só ele sabia o que estava se passando com ele, o quanto doía ter que passar aquele dia longe dela. Mas mesmo com toda a culpa que sentia, ele ainda achava que agira certo. Não queria correr o risco de perdê-la.
O que o mais preocupava agora, era o fato de Dumbledore não ter chamado nenhum deles à sua sala.
O que ele não imaginava, era que o diretor andara acompanhando Hermione bem de perto nas duas últimas semanas e, com isso, podia conversar com ela sobre todo e qualquer assunto, inclusive os da Ordem.
Tomou o restante do suco que havia na sua taça e se levantou. Resolveu ir ao dormitório masculino e pegar a sua vassoura. Talvez voar fosse uma boa opção. E o dia, por mais fechado que estivesse, não estava chuvoso, o que colaboraria para o seu "método" de espairecimento.
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Gina caminhava ao lado de Draco por todo o caminho. Sua cabeça estava longe, e ele percebera. Já estavam em Hogsmeade, e caminhavam pelo vilarejo a caminho do Café Madame Puddifoot.
- O que você tem? – ele indagou.
- O quê? – ela fez confusa, despertando de seus devaneios.
- Você está pensativa. O que aconteceu? – ele reformulou.
- Hermione. – ela resumiu.
- O que tem ela? – o loiro insistiu.
- Não a vejo desde o dia em que estava na ala hospitalar. Sei que ainda não retornou às aulas, mas ainda assim... É estranho esse desaparecimento dela. Nem mesmo nas refeições é vista, e isso desde antes do desmaio. – a ruiva murmurou pensativa. – Estou preocupada com ela.
- Ela me parece muito bem. – Draco comentou com um tom risonho.
- Como assim? Você tem visto ela? – Gina disparou, parecendo confusa.
- Estou vendo agora. – o loiro respondeu e apontou um lugar ao longe, onde Hermione caminhava apressada.
Vestia-se muito bem. Usava uma calça preta de couro bem justa, uma blusa de lã bege de gola alta com um sobretudo, também preto e de couro, por cima. Calçava uma bota de salto fino e levava consigo uma pequena bolsa. Os cabelos estavam soltos e os cachos definidos e anelados pendiam sobre seus ombros, e ela afastava freneticamente a franja que insistia em cair sobre seus olhos.
- Aonde será que ela vai? – a ruiva perguntou-se em voz alta.
- Eu não sei... – Draco soltou num murmúrio audível. – Parece estar a caminho da Casa dos Gritos.
- Eu também notei. – Gina comentou. – É, é o que parece... Acho que ela vai para a Casa dos Gritos.
- Sozinha? – fez o loiro num tom surpreso. – Sim, porque o Potter ficou no castelo, pelo que me lembro.
- A pergunta não é essa. – murmurou a Weasley. – A pergunta é: quem será que ela vai encontrar?
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Entrou na Casa dos Gritos seguindo diretamente para o seu quarto na casa. Deixou sua bolsa sobre a cama e tirou o sobretudo, pendurando-o na poltrona. Deixou o quarto imediatamente, caminhando para a cozinha, onde pegou um copo com água e bebeu todo o seu conteúdo de uma só vez. Apoiou-se no balcão e deixou os pensamentos divagarem e pousarem num moreno de olhos verdes.
A verdade é que não queria pensar nele, mas não conseguia impedir ou se repreender de fazê-lo ou por fazê-lo. Ela o amava, e não havia como negar. E, por algum motivo, sentia que ele também a amava ainda. É bem verdade que ele não disse o contrário em momento algum, mas sabia que ele tentaria usar esse argumento em algum momento para afastá-la, mas ela estava decidida a não acreditar e insistir neles dois.
Já estava novamente em seu quarto quando ouviu passos no lado externo da casa. Alguém poderia ter a visto vindo para lá e a seguido? Não seria difícil. Certamente chamaria atenção, pois não era vista há dias e estava arrumada, rumando para a Casa dos Gritos, um lugar que pareceria, no mínimo, suspeito. Aguardou alguns instantes. Tranqüilizou-se ao ouvir ruídos de salto alto ecoarem no andar de baixo.
- Herms? – uma voz chamou.
Sorriu aliviada. Apenas ela a chamava daquele jeito; ela e seus pais. Desceu as escadas quase que correndo.
- Amy! – correu para abraçá-la. – Fico tão feliz que tenha vindo...
- Também fico feliz em vê-la. E mais feliz ainda ao ver que está bem. – a visitante disse, sorrindo. – Quando recebi a mensagem fiquei preocupada, mas já fico mais tranqüila por ver que está mais animada.
- É, acho que nem tão animada assim. Deve ser porque ultimamente a única pessoa que posso ver e contar é você, e por estar tão distante, só de te ver já é um alívio. – Hermione disse. – E o Aaron?
- Marquei com ele às duas no Três Vassouras. E mais tarde virão outros casais, inclusive alguns que conhece. – Amy comentou. – Uma pena que você não possa comemorar esse dia, amiga...
Hermione soltou um muxoxo e encarou os próprios pés. Amy levou a mão ao queixo da amiga, erguendo-o e fazendo-a encará-la.
- Não vamos falar sobre isso, certo? – ela puxou Hermione até o sofá e as duas sentaram-se. – Conte-me o motivo da mensagem.
- Além de eu precisar de você e te ver? Bom, não é algo fácil de explicar. E acho que você, tanto quanto eu, vai ficar surpresa...
- Pelo visto a coisa é séria, e mais séria do que eu esperava.
- É, realmente. – Hermione concordou. Respirou fundo e despejou de uma só vez: – Hoje eu tive um sonho muito estranho.
- Que tipo de sonho? – Amy interessou-se.
- Você sabe... Não são sonhos normais. É como se fosse... real – Hermione murmurou.
- Mas você sabia que esse tipo de sonho iria te ocorrer por várias vezes...
- Amy, o que me preocupa é que há muito não tenho visões. – a morena insistiu. – E a visão desse “sonho” foi de um futuro próximo, e não de uma coisa já passada, entende?
- Do futuro? Hermione, o que você quer dizer com isso?
- Quero dizer que eu já sei como a profecia vai acabar. E não apenas a que envolve a mim e a Harry, mas também a que envolve a Harry e Voldemort.
- Herms, isso que você está dizendo é muito sério. – Amy avisou séria. – Como pode ter tanta certeza de que esse sonho é mesmo algo de um futuro próximo?
- Se você quiser, faço questão de deixar contigo e escrito tudo o que vai acontecer no dia da batalha final, porque eu certamente não estarei mais aqui.
- O que você quer dizer com isso? – Amy repetiu a mesma pergunta que fizera anteriormente, mas desta vez sem aceitar o que a morena dizia. – Você não vai estar aqui? Como assim? Hermione, não brinque com coisas sérias, por favor!
Hermione pôde ver lágrimas se formarem nos olhos de Amy e a abraçou.
- Infelizmente é a verdade. Eu não queria te contar isso, não desse jeito. Mas alguém precisa saber, e ninguém melhor do que você.
- Você está conseguindo me deixar realmente preocupada. – fez uma pausa. – Quando é que as profecias vão se cumprir?
- Aparentemente enquanto ainda estivermos em aula. Não consegui identificar uma data em especial. Havia muitas pessoas em Hogwarts... O pessoal da Ordem, pessoas estranhas que eu não conhecia, Comensais da Morte, professores... Enfim! Impossível dizer quando foi. Só sei dizer que era noite.
- E o que você viu, além disso?
- Uma garota loira desacordada, sendo carregada às pressas por um garoto setimanista, que não consegui identificar. Acho que ele não tencionava levá-la para a ala hospitalar. Na verdade, ele ia para um caminho totalmente oposto ao castelo. – ela fez uma pausa. – Amy, tenho medo de falar mais do que devo...
- Fique tranqüila, Herms. Pode contar.
E Hermione se pôs a contar tudo o que vira.
- E eu quero contar contigo, porque assim ficarei mais tranqüila mesmo que aconteça qualquer coisa, eu estando longe ou... morta.
- Eu não quero pensar nessa possibilidade. – Amy murmurou tristemente.
- Nem eu, mas pode acontecer. Assim como eu posso simplesmente desaparecer... E voltar em um curto período de tempo, mas também posso levar anos para conseguir retornar. Ninguém sabe os efeitos dessa profecia, a verdade é essa; ninguém pode dizer o que vai acontecer realmente. – uma breve pausa. – Só... você.
Amy soltou uma gargalhada.
- Como eu poderia dizer o que vai acontecer se eu sequer lembro-me das palavras exatas da profecia? – ela indagou em tom brincalhão.
- Talvez eu possa te dizer.
- Como assim? – Amy riu nervosamente.
- Digamos que eu tenha achado os dizeres dessa profecia... Trouxe o original para você dar uma olhada. Anotei, só por precaução, para mim antes de trazê-lo. – Hermione estendeu o papel.
- Onde você tinha isso guardado?
- Acho que veio parar em minhas mãos por acaso. Porque em todos os lugares onde imaginei que pudesse estar, revirei e nada! Na verdade, perdi as últimas horas da minha madrugada procurando-o... Mas só vim a achar pouco depois de te mandar a mensagem.
Saiu do banho e a primeira visão que teve foi de Dobby ao pé da cama e uma enorme bandeja recheada de coisas deliciosas sobre a mesinha de cabeceira.
- Bom dia, Srta. Granger. – o elfo cumprimentou, pulando da cama de um salto.
- Bom dia, Dobby. Como você está?
- Dobby está bem. Veio trazer o café da manhã da Srta. Granger, como Dumbledore pediu. – ele fez o mesmo discurso de sempre, reverenciando exageradamente. – Dobby espera que Srta. Granger esteja melhor.
- Obrigada, Dobby. – Hermione sorriu afetuosamente. – Eu estou melhor, sim.
- Dobby fica muito feliz em saber que minha senhorita está melhor. Assim minha senhorita fica mais alegre e falante. – o elfo sorriu abanando as orelhas de morcego. – Srta. Granger quer que Dobby saia para ela se trocar?
- Não, não precisa. Mesmo. – ela assegurou. – Pode deixar que me troco no banheiro. Um instante, certo?
- Não se preocupe, Srta. Granger. Dobby é apenas seu servo. – ele novamente fez uma reverência exagerada.
Hermione se trocou rapidamente. Já tinha em mente a roupa que usaria quando saiu do banho. Sentou-se na cama e pegou um pãozinho, mordendo-o. Estendeu a mão livre para a gaveta do criado mudo e pegou o caderno de folhas amarelas. Enviou uma mensagem para Amy e guardou-o novamente.
- Dobby está achando Hermione Granger preocupada.
- Não é impressão sua, Dobby. Eu realmente estou preocupada. – ela comentou. – Eu perdi uma coisa muito importante e só me dei conta hoje, porque sonhei com ela. Revirei esse quarto do avesso e não achei nada. Se talvez houvesse alguma agenda perdida ou qualquer outra coisa onde pudesse estar...
- Dobby não viu bagunça nenhuma quando chegou. Só achou esse caderno. – ele entregou uma agenda de porte pequeno e capa preta para Hermione.
- Onde você achou isso? – a morena indagou curiosa.
- Quando Srta. Granger foi tomar banho e fechou o armário, isso caiu no chão. Aí Dobby pegou para devolver. – o elfo explicou.
Hermione folheou o pequeno caderno e curiosamente uma folha solta e bem dobrada, aparentemente muito antiga caiu em seu colo. Ela deixou a agenda de lado e desdobrou o papel cuidadosamente, torcendo para que fosse o que estava procurando.
E era. Ela tinha certeza. Aquilo era tudo que ela precisava.
- E o que era essa agenda? – Amy perguntou.
- Não sei, não faço a menor idéia. Mas acho que talvez seja o caderno que estava dentro daquela caixa de madeira que eu abri na casa de Harry em Londres. Eu não sei dizer, não mais. Faz mais de um ano...
- Estranho você dizer que não se lembra de algo, Herms. – Amy brincou.
- Eu realmente não lembro. – a morena assegurou.
- Eu posso ver os dizeres da profecia? – os olhos azuis da garota pareciam não muito seguros ao fazer aquela pergunta.
- Claro. – Hermione entregou o pequeno pedaço de papel à amiga.
- Está para acabar, como você disse... Mas está aqui, Herms! Está aqui! – os olhos de Amy encheram de lágrimas de alegria. – Você vai voltar, eu tenho mais certeza do que nunca. Você vai voltar...
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- Eu preciso falar contigo... – Gina acabara de entrar no salão comunal no mesmo momento em que Harry saía.
- Mais tarde, quando eu voltar. – ele interrompeu, apressado.
Ela puxou seu braço, fazendo-o se virar para ela.
- E tem que ser agora. – a ruiva completou.
Harry sentiu um frio na barriga. Ela estava séria e não aceitaria um não como resposta.
- E sobre o quê você quer conversar? – ele indagou.
- Vamos sair daqui, primeiramente. – e ela guiou-o até a parede de pedra e tocou-a, fazendo o portal aparecer. Subiram as escadas em espiral e chegaram ao alto da torre em poucos instantes.
- Acho que aqui ninguém pode nos ouvir. – ele parecia irritadiço. – Eu tenho que ir à sala dos monitores-chefes e depois à sala da Madame Hooch, e tem que ser antes do jantar.
Gina permaneceu calada, andando de um lado para o outro.
- Harry, o que está acontecendo com você e com Hermione? – ela disse num tom elevado.
- Como?
- Oras, não se faça de desentendido! Você sabe tanto quanto eu o que Hermione tem e o porquê dessa depressão repentina. Você é o que tem mais contato com ela, mais do que qualquer um! – ela retrucou. – E não adianta fingir porque eu sei que tem alguma coisa errada, não só com ela, mas com vocês dois. Onde você estava hoje enquanto ela estava em Hogsmeade, na Casa dos Gritos? Porque certamente não era com você que ela estava lá, já que eu o deixei no salão principal terminando de tomar o café da manhã, e poucos minutos depois eu a vejo atravessando o povoado sozinha. – ela continuou. – E vale lembrar que ela não é vista pelos outros alunos desde o dia do desmaio, você se lembra disso? Ela já não estava acompanhando as aulas na última semana, pelo que ouvi dizer, eu já não a via durante as refeições nem mesmo no salão comunal e...
- Chega, Gina! – Harry gritou enquanto se levantava. – Se é o que você quer saber, eu e a Hermione terminamos, ok? E já faz quase duas semanas. Satisfeita?
- Agora é a minha vez de perguntar... COMO É? – ela murmurou, deixando-se cair no sofá.
- É isso mesmo que você ouviu. Eu e a Hermione... A-CA-BOU! – ele repetiu pausadamente.
- Harry, você não pode estar falando sério...
- Estou falando sério, Gina. Por mais que doa dizer isso.
- Então foi ela quem...? – ela não completou a pergunta.
- Não! – ele cortou. – Fui eu.
- Mas você ainda a ama, está claro isso! Por que você fez uma coisa dessas?
- Ela está sendo ameaçada, Gina.
- Ameaçada? – a ruiva não entendeu imediatamente. – Você está me dizendo que...?
- Que Voldemort descobriu sobre nós? – ele completou. – Talvez. Dumbledore disse que é possível que seja apenas um blefe. Mas eu preferi não arriscar.
- E como solução você terminou com ela? – o moreno assentiu sem encarar a amiga. – Parece até que você não conhece a Hermione! Como pôde fazer isso com ela, Harry? Ela está sofrendo... Não dá mais pra você se enganar e enganar a ela, também! Vocês se amam! Não podem simplesmente voltar ao ‘apenas amigos’...
- Eu sei, sei disso mais do que ninguém! Mas não dá para ignorar uma ameaça vinda de Voldemort. – ele replicou. – Gina, ele matou os Dursley.
Dessa vez a caçula dos Weasley ficara sem palavras. Por mais que tentasse falar, sua voz parecia se negar a sair.
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Hermione desceu as escadas um tanto quanto nervosa. Talvez sua aparição repentina após aqueles cinco dias sem dar as caras pudesse causar certo impacto. No entanto, o salão comunal estava vazio, exceto pela presença de Rony à um canto. Ele parecia estar lendo um livro.
- Rony? – ela chamou.
O ruivo ergueu os olhos, tirando a atenção do livro e procurando-a com um sorriso nos lábios.
- Hermione? – ele se levantou caminhando até a amiga. – Como você está? Onde esteve esses dias?
- Bom, desde que eu voltei da ala hospitalar tenho me mantido em repouso, para que a recuperação seja completa e eu possa estar pronta para outra.
- Não fala uma besteira dessas! Você não vai cair nessa de novo, acredite!
- Espero que esteja certo. – ela murmurou tristemente, mas com um sorriso no canto dos lábios. – Ah, quanta saudade senti de vocês! – ela o abraçou. – Como você está?
- Estou bem. Estou esperando Gina e Harry para descermos juntos para o jantar. Quer esperar também?
- Sim, seria ótimo. – Hermione concordou e os dois foram sentar-se nas poltronas próximas à lareira.
Harry desceu as escadas correndo, trazendo uma caixinha dourada nas mãos, passando direto por Rony e Hermione. Harry os olhou friamente, mas passou a certa distância, indo até a saída. Hermione sentiu o seu coração apertar, mas não falou nada a Rony. Ele não podia saber o que ela estava sentindo e muito menos fazer algo para reverter à situação.
- Onde você está indo? – perguntou o rapaz ruivo para o amigo, que parou, fixando o seu olhar em Hermione, fazendo-a sentir um calafrio – Correndo desse jeito só pode ser importante.
Harry, ainda sem tirar os olhos de Hermione, apenas murmurou:
- Depois conversamos. – e saiu.
Hermione sentia como se tudo por dentro estivesse machucado, de uma maneira incurável. Gina chegou ao salão comunal instantes após a saída de Harry. A ruiva comentou que ele estaria indo à sala dos monitores e depois à sala de Madame Hooch. Sem demora, Hermione subiu pelo mesmo caminho pelo qual Gina e Harry desceram, chegando ao topo da torre da Grifinória, deixando um Rony muito curioso para trás.
Ela sequer lembrara-se que ele não conhecia aquela passagem secreta, mas não se importou. Gina se encarregaria de explicar o que fosse preciso. Hermione só queria chegar à sala dos monitores o quanto antes.
Atravessou uma das portas e o corredor, chegando à porta feita de mogno que dava para a sala dos monitores-chefes. Respirou fundo e entrou, ocupando a poltrona defronte à mesa. Draco, que ainda não saíra para o jantar, concordara em abrir a porta assim que ouvisse passos se aproximarem. Poucos instantes depois Harry chegara, e antes mesmo que ele pudesse bater à porta, Draco saiu.
- Her-Hermione? – fez o moreno, parando de chofre logo após adentrar a sala.
- Oi, Harry. – ela cumprimentou-o.
Ele pigarreou e seu olhar logo se transformou. Ele a encarava de forma fria.
- Eu quero reservar o campo de Quadribol para segunda, terça e sexta, se possível. – ele disse sem qualquer traço de emoção.
- Segunda só no período após as aulas da manhã, ou seja, das 10h às 12h ou à noite, se a Sonserina concordar em fazer o treino com vocês. Quanto à terça e sexta, está marcado para a noite. – Hermione disse, olhando uma tabela.
- Ótimo, então. – ele concordou. – A propósito, acho que Draco já anotou algo sobre o treino de segunda-feira, não?
- Talvez. Vou dar uma olhada na agenda. Qualquer coisa, ele mesmo poderá confirmar com você.
- Ok. – ele assentiu. – Então, tchau.
Hermione viu Harry sair pela porta da sala, por onde entrara minutos atrás. Não entendia ainda o porquê daquele tratamento frio, seco, sem emoção. Ela não tinha resposta alguma. Era como se Harry tivesse feito às malas e se mudado para algum lugar tão distante que ela não podia descobrir. Hermione tinha medo que tudo o que ela pensava estar acontecendo fosse verdade. Nem ao menos Rony poderia ajudar, ele não entenderia. Nem ela entendia. Precisava parar e refletir, mas não havia tempo e ela já o fizera tanto que pensar mais um pouco naquela história seria o mesmo que afundar-se em suas próprias mágoas.
Saiu correndo atrás de Harry, tentando tomar fôlego para ir mais rápido, até que o avistou. Conseguindo alcançar o seu braço, Hermione o puxou, fazendo-o virar seu rosto para encará-la.
- O que você quer? – perguntou Harry secamente, sem se mover.
- Quero apenas que você me explique o que está acontecendo. Você sabe que eu amo você e eu sei que você me ama. Explique, por favor, eu preciso saber! – Hermione não largara o braço de Harry, mas ele nem dera importância a isso.
Harry a olhou do mesmo jeito que havia olhado no Salão Comunal. Seus olhos pareciam ler sua alma, e isso congelou Hermione por dentro.
- Eu não amo você, Hermione. Não mais. – disse Harry muito direto.
- Eu sei, eu sei. – repetia – Sei que isso pode ser o fim, mas eu não quero saber assim. Tenha pena, Harry! – Hermione continuava a se segurar para não chorar. Isso estava sendo quase impossível, mas ela conseguiu. – Você tem sido muito duro comigo. Eu só queria entender como isso tudo aconteceu... Só isso. – ela disse antes de dar as costas para ele e se afastar.
Dentro da cabeça de Hermione, as palavras de Harry ainda estavam presas. “Eu não amo você, Hermione. Não mais”. Ela não conseguia parar de pensar no que ele havia falado. Ela sabia que ele a amava e ele sabia que dizer o contrário a machucava, mas ainda assim falara. Ela conhecia Harry. Era impossível não conhecê-lo a fundo após sete anos convivendo com ele. Era muito teimoso para admitir que ainda a amasse se é que a amava mesmo.
Estava tudo terminado. Ela resolveu aceitar. Sabia que ainda sofreria muito, mas viver sonhando que ainda estavam juntos era tolice. |