Cap. 2 – De um extremo a outro.
As amigas, Hermione e Gina, haviam combinado de almoçarem juntas num restaurante próximo ao Ministério da Magia. Nesse dia, estava fazendo um pouco mais de frio. As temperaturas estavam beirando os 0º C. Gina chegou primeiro. Hermione apareceu cinco minutos depois:
- Demorei muito? – perguntou Hermione assim que chegou.
- Não... – respondeu Gina se levantando para cumprimentar a amiga. – Cheguei faz pouco tempo. Tive pouco trabalho hoje. – continuou enquanto as duas se sentaram – Apenas revisei o texto da minha coluna que sairá amanhã no Profeta Diário.
- Eu prometo que farei o esforço de ler. Você sabe que eu não sou fã de quadribol.
- É claro que você vai ler... Mas não viemos falar sobre isso. O que vamos comer de entrada: pãezinhos ou sopa?
- Eu prefiro tomar uma sopa. – disse Hermione – Estou começando a ficar preocupada com o meu peso. Sei lá, parece que o meu corpo... Eu me sinto meio pesada.
- O quê? Eu acho que você está ótima, Mione. De onde você tirou essa idéia de que seu peso é um problema?
- Não, não. Eu não me acho gorda. É que eu estou me deixando levar pelas idéias do Ray. Ele acha que eu preciso me alimentar melhor e fazer exercícios. Até me chamou para participar de uma aula de ioga.
- Olha, você sabe que eu penso um monte de coisa do Raymond. Mas desta vez ele está certo. – disse Gina. – Não custa nada cuidar melhor da sua saúde.
- Mas não é da minha saúde somente que ele está preocupado. Ray fica falando que eu devo cuidar da parte “sexual” – Hermione falou com um pouco de vergonha, corando em seguida – da minha saúde. Eu liguei pra você ontem pra te contar da mais nova idéia do Ray, mas acabamos não nos falando direito. – Gina fica vermelha nessa hora. – Aconteceu alguma coisa?
- Bom... Qual é a mais nova do Raymond? – disse Gina desconversando. A ruiva estava um pouco sem jeito pra falar com a Hermione. Não que ela tivesse vergonha de falar, é pela vergonha que a amiga sentiria ao ouvir.
Hermione percebeu que a amiga estava escondendo algo, mas não quis forçar nada. E continuou com a conversa:
- O Ray acha que o que está faltando na minha vida é sexo. Um bom sexo. Bom, ele disse que eu precisava de um bom amante, que me fizesse gozar e, assim, poder abrir meus olhos para o lado bom da vida. Como se a vida fosse só isso... – Hermione falava sem conter as faces coradas. – Tudo começou quando ele me perguntou da minha situação com o Rony.
- Esse assunto já está resolvido, né? – questionou Gina. Enquanto isso, o garçom se aproximou e perguntou se as mulheres já queriam fazer o pedido. Depois dos pedidos feitos, Hermione respondeu:
- Sim, já está resolvido. Eu não vou voltar mais com o Rony. O mesmo que eu estou te falando aqui, eu falei com Ray ontem. Aí, ele me veio falando que o sexo ajudaria nesse “processo de esquecimento do Rony”. Muito absurdo! – comentou por fim.
- Mione, o Raymond, do jeito excêntrico dele, acabou te dando um bom conselho. – disse Gina. Hermione arregalou os olhos.
Hermione não esperava esse tipo de atitude da amiga. Acreditava que Gina falasse mal de Ray e a apoiasse.
- É uma boa idéia você conhecer pessoas novas e até iniciar um novo relacionamento. E isso ajudaria até a fazer com que meu irmão partisse pra outra também. – continuou Gina.
- Mas eu não estou pronta para ter um novo relacionamento. E é necessário que eu me apaixone de novo. E eu não tenho o perfil das mulheres que ficam doidas atrás de homem... Ainda mais, o Ray disse que eu poderia ter um amante. E que o importante era ter sexo. Imagina, eu tendo um amante! – Hermione exclamou indignada.
- E por que não? – perguntou Gina.
- Porque... porque... isso não tem nada a ver comigo. Imagina, o que os outros irão pensar de mim?
Gina olhou para a amiga séria. Já estava cansada de ficar “cheia de dedos” com Mione. Esperou que a entrada fosse servida antes de falar:
- Hermione, você tem 28 anos! Não é uma adolescente que tem que prestar contas com os pais. Você é uma mulher adulta, independente e solteira. Você pode ter um namorado, um caso, um amante... Pode fazer o que quiser e ninguém tem nada a ver com isso. – Hermione ouviu tudo calada.
X – X – X
Severo Snape estava em sua casa, em Loughton, fazendo pesquisas na biblioteca quando ouviu um barulho de alguém aparatando.
- Boa tarde, Lúcio. – disse Snape antes que sua visita se manifestasse – Veio almoçar? – completou.
- Boa tarde, Severo. – respondeu o loiro. – Não vim à sua casa com segundas intenções. Hoje é dia de almoçar com o Draco.
- Então? – questionou o homem, levantando a sobrancelha.
- Vim com terceiras intenções. – respondeu Lúcio e começou a andar pela sala antes de retornar a falar – Amanhã é um dia especial, meu caro. É o seu aniversário. Então, pensei que nós merecemos uma comemoração.
- Nós?
- Sim! Você, como aniversariante, e eu, como melhor amigo do aniversariante. Já está quase tudo acertado.
- Meu caríssimo amigo, eu creio que esta comemoração ocorrerá sem o aniversariante. Não estou disposto.
- Como não? – reagiu o homem loiro. – Garanto que será inesquecível!
- Que tipo de vadia você me arrumou desta vez? – perguntou Snape sério.
- Eu não disse que teria mulher...
- Nas suas comemorações, sempre tem mulher. Desde que você se separou da Narcisa, você trocou jantares por orgias.
- Severo, nós somos jovens ainda. E solteiros! Temos que nos aproveitar das mulheres e deixar que elas se aproveitem da gente.
- Jovens? E aquela poção “fortificante” que você pediu que eu fizesse. Jovens não utilizam esses artifícios... – disse Snape querendo provocar o amigo.
- Tudo bem. Podemos não ser tão jovens quanto os de vinte anos. Meu caro, sabes muito bem que às vezes, RARAMENTE, - se preocupou em enfatizar - falta uma certa “coordenação entre as cabeças”.
- Hum...
- Mas deixo registrado que só usei uma vez – se apressou em completar o loiro.
- Lúcio, agradeço a sua boa intenção. – disse Snape no alto do seu sarcasmo – Mas não. Prefiro ficar em casa. E sozinho.
- Você prefere ficar em casa? Severo, você não pode me desprezar assim. Se não fosse por mim, você não comeria nem metade das mulheres que comeu.
- E eu agradeço a Merlin por ter você na minha vida todos os dias. – falou Snape folheando um livro, indiferente.
- Severo, já está marcado para amanhã. Será numa “Casa de Diversões” trouxa.
- Trouxa? Até trouxa? – reagiu Snape surpreso. – Você sempre teve nojo de “sangues-ruins”.
- Meu caro, na hora em que as coisas acontecem, mulher é mulher de qualquer jeito. Ultimamente, desenvolvi um certo “paladar” por jovens trouxas. Umas parecem tão inocentes... E eu, ali, querendo fazer mal a elas. – Lúcio chegou a suspirar quando acabou de falar.
- Você é doente. – disse Snape quase achando graça.
- Doente? Eu sou um homem saudável. E vivo a minha vida muito bem. E você sabe, a gente tem que sempre usar a nossa “máquina” porque senão enferruja.
- Pois a minha “máquina” está em manutenção.
- Severo, não fica recusando doce. Eu reservei uma mulher excelente pra você. Falam muito bem dela. Uma latina muito da safada. E ela estará esperando por você. É garantia de tratamento especial.
- Ainda não me convenceu... – disse Snape pegando outro livro.
- O quê? – reagiu o homem surpreso. – Meu caro, o que está acontecendo com você? Cadê aquele Severo que sempre fez a alegria das vadias?
- Eu creio estar ficando velho pra isso, Lúcio. O meu tempo de noitadas está no fim.
- Ah, não! Eu não vou desistir de você, meu caro. – se impôs Lúcio indignado. – Severo, o que você está querendo? Agora ficou brocha? Ou tá querendo virar “esquisito” (gay)?
- Nem um e nem outro.
- Então deixa de frescuras. Nós vamos sair amanhã e ter uma grande noite. Ou vou pensar que está querendo virar um Lufa-Lufa e esperar um amor verdadeiro. – disse o loiro com cara de nojo.
Snape, que não havia se importado com os questionamentos sobre sua masculinidade, ao ser comparado a um Lufa-Lufa, reagiu:
- Apareça aqui, amanhã, às 19h. – disse ríspido. – Agora vá, está tomando meu tempo.
- Até amanhã, meu caro. – se despediu Lúcio satisfeito.
“Essa história de Lufa-Lufa sempre funciona.” pensou Lúcio antes de desaparecer.
X – X – X
No dia seguinte, Hermione foi visitar sua mãe. Tanto Hermione quanto seus pais moravam no distrito de Kensington. Hermione morava em Hammersmith e seus pais, em Shepherd’s Bush. Uma caminhada de, no máximo, dez minutos separavam as duas residências.
Hermione estava com muitas coisas na cabeça desde sua conversa com Gina no dia anterior. A ruiva acabou engrossando o coro de que Hermione precisava de sexo. Disse que ela precisava tomar consciência da mulher que era e ir atrás de sua satisfação. Até revelou que Harry e ela estavam transando no momento em que Hermione ligara duas noites atrás.
A casa dos pais dos Granger’s era grande e tinha três andares. Era uma daquelas casas onde tem móveis antigos, algumas obras de arte e fotos de família. A Sra. Granger recebeu sua filha de forma afetuosa e a convidou para tomar um chá na sala.
- Mãe, eu não sei o que fazer. – lamentou Hermione depois de beber um gole de chá.
- Você sempre sabe o que fazer. – disse sua mãe terminando de se servir e logo, se acomodando melhor no sofá.
- É, mas nesse caso é diferente. Não são pesquisas, nem fórmulas e desafios... São coisas pessoais.
- É sobre o Rony, né? – disse a mãe acariciando a mão da filha.
- Não, isto já está resolvido. – respondeu a moça de forma bem clara e firme, sem dar margens a demais comentários.
- Então, por que está aflita? Você sempre resolveu suas questões pessoais. Eu não te entendo.
- Mãe... – Hermione não sabia por onde começar. Chegou a morder o lábio e olhar para as mãos como uma criança envergonhada. – Eu... O que você acharia de mim se eu tivesse um amante? – perguntou receosa.
A Sra. Granger olhou sua filha em silêncio por uns instantes e depois respondeu:
- Nada.
- Nada? – estranhou Hermione.
- Ele é casado? – arriscou a mãe.
- Não. Ele nem existe ainda. Era só uma possibilidade.
- Eu continuo não te entendendo, filha.
- Mãe... Eu... Eu quero falar de sexo. Eu sei que nós tivemos poucas conversas sobre esse assunto... Mas o assunto é esse.
- Tudo bem. Qual é o problema? – perguntou sua mãe calma.
- É que tudo começou com o Ray...
- Aquele rapaz espirituoso? – interrompeu a mãe.
- Sim, mãe.
- Você quer ser amante dele? – perguntou a Sra. Granger curiosa
- NÃO! Mãe, ele é gay! Agora, me deixe continuar... O Ray veio me dizer que eu estava precisando ter mais romances, aventuras, enfim, conhecer outros homens mais intimamente. Que eu precisava ter uma boa vida sexual para me sentir bem. – Hermione estava escolhendo bem as palavras para falar com a mãe.
- Ainda não consegui entender qual o problema. – falou sua mãe depois de ouvir tudo pacientemente.
- É que Ray chegou a insinuar que o fato do Rony ter sempre me traído todos esses anos seja por causa de sexo. Que o homem procura fora, o que não tem dentro de casa.
- O sexo com Rony era... produtivo? – perguntou mãe na língua que Hermione entendia.
- Eu sempre achei que era normal.
- Normal? – sua mãe estranhou.
- É mãe! NORMAL! Se eu te perguntasse como é o sexo com o papai, o que você me diria? – falou exaltada.
- Ótimo. – respondeu sua mãe sem pestanejar. Hermione ficou boquiaberta. – Não me olhe assim. Apenas respondi o que me perguntou.
- Eu não tinha perguntado pra valer. – se queixou a moça. Que de tão nervosa passou a caminhar pelo cômodo.
A Sra. Granger revirou os olhos e respirou fundo. Não era costume ter conversas íntimas entre as duas. Para a mãe, Hermione sempre foi muito fechada. Mostrava-se decidida e auto-suficiente. Parecia que naquele momento era um dos raros em que mãe tinha algo pra passar pra filha.
- Hermione, nós duas deveríamos ter tido esse tipo de conversa mais vezes. – a mãe bateu com a mão no assento para que a filha sentasse de novo. – A culpa é minha. É que eu sempre acreditei que você saberia mais do que eu. – Hermione, por fim, se sentou. – Você sempre foi madura e bem informada... Só que essas coisas não se aprendem só em livros.
- Mas não há mistério no sexo. – disse Hermione
- O sexo não é lógico. Não se pensa, se sente. É preciso haver química entre os praticantes. É o que ocorre entre mim e seu pai. Nós temos atração um pelo outro. Assim, tudo funciona bem. E não é errado você ter suas aventuras.
- Não?
- Você é jovem. Tem direito. Pode procurar até se encontrar. Hermione, você tem que jogar fora as minhocas que seu pai ficou plantando na sua cabeça.
- Mas mãe...
- Eu sei que você ainda guarda lá no fundo as coisas que seu pai dizia: que moça boa é aquela que é reservada, que as meninas que namoram muito são perdidas ou que você tem que sempre esperar o homem certo... Eu entendo que seu pai quis te proteger durante seu crescimento. Você é filhinha dele. A única. Mas agora, você é uma mulher. Tem que descobrir o que é melhor pra você, sozinha. E precisa se livrar desses preconceitos.
- Eu não tenho preconceitos. A diversidade de pessoas com quem eu me relaciono...
- Você é uma moça cabeça aberta. – interrompeu a mãe. – Para os outros. Mas precisa ter menos preconceitos contra si mesma. – continuou a mãe.
Hermione, mesmo sem falar nada, demonstrou que compreendeu as palavras de sua mãe. A Sra. Granger, se sentindo satisfeita por sua filha a ter entendido, puxou-a para um abraço.
- Mãe? – falou Hermione quebrando o silêncio, no meio do abraço.
- Sim, filha? – falou mãe se afastando um pouco.
- Não fala nada disso pro papai, ok?
- É claro que não. Se eu falar que você está pensando em se “aventurar por aí”, seu pai morre. – As duas caíram na gargalhada.
X – X – X
Eram quase 19h, quando Lúcio Malfoy aparatou na sala da casa de Snape. A casa não era muito grande, mas era confortável. Tinha dois andares, dois quartos, sala, cozinha, banheiro, uma boa biblioteca e um laboratório no porão. A casa de Snape era a última de uma rua não asfaltada, quase na entrada de um pequeno bosque.
Um elfo veio ao encontro do homem loiro e se ofereceu pra pegar seu casaco. Lúcio jogou o casaco em cima do elfo e exigiu bebida. O elfo se retirou do recinto de cara emburrada.
- Se continuar o tratando mal, ele pode se recusar a te servir. – alertou Snape descendo as escadas.
- Eles devem servir ao seu superior. – o homem loiro argumentou.
- Só que aquele elfo é livre. – Lúcio fez cara de desgosto. – Só me serve porque eu o pago.
- Isso só podia ser idéia daquela “idiotinha” sem sal da Granger. “Libertem os elfos!” – exclamou com voz fina. – Ainda bem que grande parte dos elfos não quis ser liberta. E por que você compartilha com isso?
- Pra mim, é cômodo. Ele só limpa a casa e faz a comida. Depois de suas tarefas terminadas, ele some. Vamos indo?
- Antes, nem queria ir e agora está com pressa?
- Deixa de palhaçada. – resmungou Snape. Em seguida, chamou o elfo que veio trazendo o casaco de Malfoy.
- Se é assim, vamos. – disse o loiro.
Lúcio vestiu seu casaco e ficou olhando para Snape. Este o encarava de volta.
- Estou pronto. – falou o homem loiro. – Quer que eu o abrace, querida? – provocou o amigo. Snape apenas segurou o braço de Malfoy para, em seguida, aparatarem.
Os dois homens apareceram num beco escuro, na Londres trouxa, próximo a Kenton. Ambos andaram, Malfoy um pouco à frente, até um hotel de três estrelas no fim da rua. Na porta tinha uma placa indicando “Fechado para Reformas”. Antes de entrar, Malfoy tirou um frasco do bolso e tomou um gole. Pelo cheiro, Snape soube que era a poção “fortificante”.
- Suponho que esta seja a SEGUNDA vez que a usa. – comentou Snape.
- Sugiro que tome um gole também. Precisamos estar prevenidos. - se justificou Lúcio e ofereceu o líquido para o amigo. Snape recusou com um sinal, mas o loiro insistiu.
- Satisfeito? – disse Snape depois de tomar um gole.
- É apenas precaução, meu amigo. – falou Lúcio e, logo depois, deu um supiro. – Hoje, a noite pode ser violenta. – comentou por fim. Snape se segurou para não rir do amigo.
No saguão do hotel, uma senhora os esperava. Era uma mulher que já passava dos cinqüenta e esbanjava muita vitalidade.
- Sr. Malfoy, estava ansiosa à sua espera.
- Sra. Crawford... – Lúcio beijou a mão da senhora. – Eu é que estava ansioso para vê-la. Esse é meu amigo, Severo Snape, o aniversariante do dia. – Snape cumprimentou a senhora polidamente.
- Bom, agora que vocês chegaram, podemos servir o jantar. – disse a senhora. – Por favor, me acompanhe.
- Não era uma “Casa de Diversão” trouxa? – sussurrou Snape ao amigo.
- O bairro é trouxa, a casa é trouxa... a dona, não! – respondeu Malfoy.
A senhora seguiu na frente sendo acompanhada de perto pelos homens. Foram para o salão de jantar. A decoração era rica em verde e prata, com muitas velas e uma música suave de fundo. Um “item” decorativo peculiar eram as esculturas vivas de mulheres nuas. De tempos em tempos, as mulheres mudavam de posição.
- Por favor, sentem-se. – disse a senhora apontando para uma mesa com três lugares.
- E as mulheres? – perguntou Snape curioso.
- Algumas são trouxas, outras não. – respondeu Malfoy já sentado.
Assim que se acomodaram, a senhora bateu duas vezes as mãos. Mais mulheres surgiram, essas precariamente vestidas, com vinho e comida. Snape apenas observava tudo com seus olhos negros bem atentos, admirado com a situação em que estava metido. Malfoy chegou a propor um brinde em homenagem ao amigo. O loiro estava em êxtase. Bebia com satisfação e ainda caçoava do filho que não pôde estar presente:
- Draco irá se “auto-estuporar” quando eu contar o que ele perdeu.
O jantar corria muito bem. Apenas os três sentados na mesa. Malfoy e a senhora conversavam animadamente. Snape apenas participava quando era solicitado. Passou grande parte do jantar olhando para seu próprio prato. Havia experimentado ficar olhando ao redor. Mas sempre que cruzava o olhar com alguma moça, estas se insinuavam, faziam caras e bocas... Deixando-o desconfortável.
Quando o relógio marcou nove horas, a Sra. Crawford se levantou e pediu que a música fosse interrompida:
- Sr. Snape, gostaria que o senhor soubesse o quanto estou feliz em recebê-lo no seu aniversário – falou a mulher com uma voz melodiosa. – Sinto que já seja a hora de desfrutar de seu presente. Peço que suba às escadas e encontre uma porta com lenço verde amarrado na maçaneta. Entra e divirta-se.
Snape olhou para seu amigo que o incentivou a ir.
- Nos vemos amanhã. – sussurrou Lúcio.
Snape se levantou da mesa e saiu do recinto. No caminho para o quarto, moças de diferentes belezas o acompanhavam com o olhar. As mais atrevidas chegaram a tocá-lo. A face do homem continuava rígida, sem expressar nenhuma emoção. Mas dava para perceber o quanto estava começando a achar a situação agradável pelo brilho do olhar. Sentir-se desejado nunca fez mal a ninguém...
Uma porta escura com um lenço era o destino de Snape ao fim do corredor. Quando Snape alcançou a maçaneta, sentiu uma mão em suas costas. Imediatamente se virou e deu de cara com uma moça baixa, magra e com olhar inocente... apesar de estar sem roupa:
- Deixe-me entrar com você... – pediu a moça com uma voz mansinha.
Snape olhava para a moça sem reação. Avaliando bem, toda aquela situação estava surreal. Chegou a questionar seriamente se estava sonhando. A moça estava chegando mais perto dele. Faltou pouco para que os corpos ficassem colados. Quando a porta escura se abriu. Um breu total e uma voz sedutora saiu de lá:
- Ele é meu!
A moça se afastou pesarosamente. Snape ainda estava de costas para a porta. Nunca iria admitir, mas sentiu um arrepio quando ouviu a voz.
- Entre, querido. Estava te esperando...
Snape respirou fundo e entrou.
Luzes fracas se acenderam na lareira. Dava para se ter uma idéia de como era o cômodo. Era espaçoso. Tinha uma cama enorme. A decoração era composta por livros e caldeirões fumegantes, deixando o clima bem abafado.
- Sente-se. – disse a mulher escondida sob a penumbra.
Snape se sentou e ficou apenas observando.
- Parece que você não gosta muito de falar, mas espero que goste de fazer. – Snape respondeu a isso com um olhar e a elevação de um canto da boca que deixou a mulher satisfeita. – Meu nome é...... (o seu, leitora! ou qualquer um de sua escolha) e estou aqui à sua disposição.
Já estava ficando difícil para Snape esconder o quando ele estava achando bom tudo aquilo que estava acontecendo. “Aquele canalha do Lúcio acabou me dando um belo presente” pensou Snape avaliando as formas da mulher que estava se aproximando.
A mulher sentou no colo de Snape e lhe arrancou um beijo molhado.
- O que você estaria disposta a fazer por mim?- sussurrou Snape.
- O que você estaria disposto a fazer comigo? – rebateu a mulher.
Snape ordenou que a mulher tirasse toda a roupa e deitasse a na cama. Snape tirou de seu bolso uma fita e amarrou nos olhos da mulher. Iria realizar uns de seus fetiches prediletos.
- O que você quer que eu não veja? – perguntou a mulher.
- Eu não quero que veja, sinta. – respondeu.
Snape tirou algumas peças de roupa, menos a calça. Com as mãos examinou todo o corpo da mulher exposta a ele. Acariciou seios, barriga, pernas... Agora, iria para a parte que mais gostava: sentir cheiros. Com o nariz, percorreu todas as nuances e cavidades do corpo da mulher. Era um ritual bem erótico e excitante.
O toque de Snape e a expectativa deixaram a mulher ansiosa por mais. A mulher falava, mas não respondia. A única linguagem que ele entendia era a dos gemidos. Assim, toda vez que a mulher gemia, ele a recompensava.
De repente, Snape parou. A mulher gemia e não recebia resposta. Snape estava parado ao pé da cama, observando a mulher totalmente entregue. Aquela visão o estava excitando demais. Seus olhos estavam cada vez mais negros e brilhantes.
Depois de mais um breve momento, falou:
- O que você está disposta a fazer por mim? – perguntou Snape.
- Tudo!
Antes do amanhecer, Snape descia as escadas e encontrou a Sra. Crawford ao pé desta:
- Bom dia, Sr. Snape. Espero que tenha aproveitado a noite.
- Sim, obrigado.
- O seu amigo, o Sr. Malfoy, parece que também aproveitou a noite... Acho que até demais.
- Como? – Snape achou estranho a colocação da mulher. Até ouvir alguns gemidos baixos.
Lúcio Malfoy estava totalmente desalinhado e despenteado. Parecia ter levado uma surra. Descia com dificuldades a escada. Uma moça ainda tentava impedi-lo de ir.
- Não vá! Eu quero de novo.
- Querida, deixe-o. – disse a Sra. Crawford. – O Sr. Malfoy está esgotado.
A moça fez bico e voltou para um dos quartos. Malfoy retomou sua tentativa de descer os degraus. Snape teve que correr para ampará-lo.
- Obrigado, meu caro. – o loiro agradeceu, terminando de descer as escadas. – Sra. Crawford, foi mais que um prazer. – cumprimentou a mulher antes de sair apoiado no amigo.
- Voltem sempre! – despediu-se a mulher.
Já na rua, os dois amigos andavam com dificuldade devido ao estado de Malfoy. Sorte deles que, no inverno, o sol demora um pouco a aparecer.
- Lúcio, como você conseguiu ficar deste jeito?
- Meu caro, acho que a idade já está pesando pra mim... Acabaram comigo. Estou esfolado!
- Com quantas você dormiu? – perguntou Snape de forma mais objetiva. O bafo de Malfoy já o estava deixando com dor de cabeça. Seu desejo era de que o loiro falasse menos.
- No começo, eram cinco. – Snape arregalou os olhos – Mas depois eu vi tanto peito, tanta bunda, que acabei me perdendo... Todas muito safadas... E o que você arrumou com aquela mulher lá em cima?
- Não preciso ficar te revelando detalhes... – disse Snape já avistando o beco.
- Ah, mas deve ter sido muito bom... A vadia gemeu muito... As outras ouviram e ficaram malucas...
- E você teve o trabalho de controlá-las... – disse Snape de maneira irônica.
- Foi um sufoco! Uma gostava em pé, outra deitada. Teve na frente, atrás, de lado... Fiquei acabado. Teve até uma maluca que quis enfiar o dedo onde não devia...
- Lúcio, pára senão vai aumentar minha dor de cabeça. – disse Snape. Aquilo já era demais pra ele. Logo, chegaram ao beco. – Vamos até minha casa. Precisamos nos recompor. Chamarei Zhoko para preparar banhos e chás para nós.
- Severo, você é meu ídolo... – o loiro estava necessitado.
- Tá, agora deixe de palhaçada. Consegue ir sozinho?
- Consigo... – disse o loiro se endireitando. – Severo?
- Sim? – respondeu entediado.
- Feliz Aniversário! – e estendeu a mão.
O amigo apertou e ambos desapareceram.
Continua...
N/A.: Escrevi o capítulo no sacrifício devido à minha falta de inspiração. Prometo melhorar para os próximos capítulos. Espero que tenham gostado.
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