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19. Capítulo XIX


Fic: Harry Potter e o fim da profecia


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Já fazia horas que encarava aquele mapa. Mais precisamente, quatro horas. Hermione não havia aparecido para o jantar, coisa que vinha acontecendo constantemente durante as refeições. E hoje ele resolvera que a coisa estava indo longe demais. E se ela não estivesse se alimentando direito? Ele se preocupava com ela agora tanto quanto antes. A via apenas durante as aulas, nas quais ela passara a chegar em cima da hora ou atrasada, das quais era a primeira a sair.

Naquele período em que passara observando fixamente o mapa do maroto percebera que ela estava evitando-o. Já há algum tempo perguntava-se onde ela estava durante o período que antes ficavam no salão comunal por não vê-la mais freqüentar o aposento social. Hoje ele jantara quase que correndo e, se despedindo rapidamente dos amigos no salão principal, foi para o dormitório masculino, onde ficara desde então.

Concluiu que se o jantar era servido às 20h e que se pouco após este horário Hermione encontrava-se na sala dos monitores, certamente ela ficava ali até as nove, quando saía para a ronda – ou pelo menos ele achava que ela estaria na ronda. Vira a garota rodar praticamente o castelo todo durante as últimas três horas. Mas não vira apenas isso. Vira Snape ir ao escritório de Dumbledore, onde ainda se encontrava; vira Gina ir até o salão comunal da Sonserina ainda cedo e deixá-lo as nove, acompanhada de Draco e também vira os dois caminharem por vários locais do castelo durante as horas seguintes sem parar e depois separarem-se, há poucos minutos.

Voltou a procurar Hermione no mapa e encontrá-la caminhando no sétimo andar. Deslocava-se mais lentamente e, em determinado ponto, parou. Chamou sua atenção ver que logo em seguida um ponto alterou sua velocidade naquele mesmo andar, movendo-se rapidamente em direção ao ponto onde Hermione estava parada.

- Malfoy? – ele estranhou.

Despreocupou-se. Ele era monitor e os dois deveriam estar fazendo a ronda juntos esta noite. Mas por que Hermione parara tão repentinamente? E por que Draco correra no mesmo instante? Os dois permaneceram parados por alguns instantes antes de se moverem novamente, juntos. Voltou a preocupar-se ao perceber que o caminho que faziam levava diretamente a ala hospitalar.

- Malfeito feito!

Fechou o mapa e guardou-o de qualquer jeito no malão, precipitando-se para a porta e depois escada a baixo. Passou correndo pelo salão comunal.

- Harry? O que foi que aconteceu? Onde você vai? – Rony indagou à um canto.

- Hermione. Aconteceu algo com ela. – Harry murmurou afobado, batendo-se em seguida com Gina, que adentrava o aposento pelo buraco do retrato. – Desculpe, Gina!

- Não foi n... – ela parou quando viu Harry sumir pelo buraco do retrato quase voando. – O que foi que aconteceu? – dirigiu-se a Rony.

- Eu não sei. Ele desceu correndo e disse que havia acontecido alguma coisa com Hermione. Daí você entrou e...

- Ok, eu entendi. – Gina cortou. – E o que estamos esperando? Vamos atrás dele! – e a ruiva saiu correndo atrás do moreno. – Harry, espera! – gritou.

Em seu encalço, Rony vinha murmurando coisas sem sentido que Gina não fazia questão de entender.

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Ela estava em pleno horário de ronda. Sabia que não havia necessidade alguma de cumpri-lo quando ela mesma fazia a programação da tabela de monitoria, mas ultimamente não queria ficar parada por muito tempo. Se podia, por que não ocupar-se até o último minuto? Talvez com a cabeça cheia e atarefada, superasse aquela situação que afundava seu ânimo cada vez mais. Fazia uma semana desde o término repentino do namoro com Harry. Só de pensar e lembrar-se daquela conversa, sentia um nó se formar em sua garganta.

Há exatamente oito dias ela fazia a ronda, sempre naquele mesmo horário. Não queria ficar próxima a ele se não poderia estar junto a ele. De que lhe adiantava voltar à torre da Grifinória, então? Melhor seria continuar mantendo-se ocupada e distante. E era horrível ter de voltar ao seu quarto. Seu tão solitário quarto de monitora-chefe que lhe trazia tantas boas lembranças de noites e dias compartilhadas ao lado daquele que ela amava. Voltar para lá era o mesmo que pedir para ser torturada.

Sempre à noite, quando se recolhia para dormir, apenas ela e as paredes do quarto sabiam o quanto sofria. Ela chorava e chorava quase que compulsivamente, soluçando a cada lágrima que descia de seus olhos, corria pela sua face e lhe corroia a alma. E todas as manhãs levantava com ‘cara de ontem’, como Gina costumava lhe dizer. As olheiras, os olhos inchados e a palidez já faziam parte de suas feições. Ela sofria calada cada segundo de sua solidão.

Engraçado era dizer que vivia solitária em meio a tanta gente. Mas para ela, o mundo perdera totalmente a graça. E para todo lugar que olhava e ia estava vazio, escuro e sem cor. Eram apenas ela e ela mesma.

Andava pelos corredores desertos da meia noite e não sabia sequer onde estava. Não se preocupava em saber, também. Seus pés a guiavam, levavam aonde ela precisava ir e isso era o bastante. Há três horas que estava em ronda e ela sentia-se exausta. Não vira ninguém em momento algum nos corredores. Se batera com um fantasma ou outro, Madame Nor-r-ra e Filch, vira Snape se dirigir à sala de Dumbledore, mas nem sinal de aluno fora da cama. Perguntava-se se não haveria nenhum aluno que quebraria todas as regras que ela já quebrara ao lado dos amigos. E de Harry.

Novamente via-se pensando nele. Será que ela não o esqueceria jamais? “Nem que eu quisesse”, pensou enquanto sorria tristemente. Querendo ou não, ele era seu melhor amigo há sete anos e fora muito mais do que um amigo; e sempre seria.

Estava no meio do corredor do sétimo andar quando sentiu uma tontura. Mal enxergava as coisas. Era como se tudo estivesse rodando ao seu redor. Continuou caminhando cambaleante ainda assim. Não demorou para que tudo escurecesse e ela caísse no chão, desacordada. Dera tempo apenas de ouvir Draco gritando pelo seu nome.

Draco acabara de entrar no corredor no momento em que viu Hermione levar as mãos aos olhos, tapando-os antes de cair no chão com um baque surdo. Correu rapidamente em sua direção. Estava desacordada e com uma aparência, no mínimo, preocupante.

Pegou-a no colo e caminhou o mais rápido que pôde em direção à ala hospitalar. Bateu repetidas vezes até que Madame Pomfrey viesse abrir a enorme porta de carvalho.

- Sr. Malfoy, o que... – ela começou.

- Ela desmaiou durante a ronda. – ele cortou.

- Entre, então. – ela abriu passagem para que o loiro adentrasse a enfermaria. – Coloque-a aqui. – a enfermeira apontou uma maca vazia próxima à janela.

Draco obedeceu.

- Sr. Malfoy, ela já está em boas mãos. Talvez seja melhor que vá para o seu dormitório. Irei examiná-la e...

- Ela é minha colega e eu faço questão de saber o que aconteceu. Não é difícil ver que ela não está em bom estado, e não é de hoje. Já há algum tempo tenho percebido que não está bem.

- Se assim prefere...

- Prefiro, Madame Pomfrey. – ele retorquiu grosso, fazendo-a fechar a cara e pôr-se a examinar a morena.

Assistiu a todo o processo dos exames e, aparentemente, Madame Pomfrey não gostara nada do que estava vendo. Ao final, ela suspirou pesadamente e balançou a cabeça negativamente.

- Há quanto tempo notou que estava assim? – indagou.

Draco pareceu avaliar antes de responder:

- Há uma semana, mais ou menos.

- Tem visto a Srta. Granger durante as refeições?

- Na verdade, não. Só a vejo nas aulas que temos em comum e durante o período em que passamos na sala dos monitores, já que somos monitores-chefes. Mas sempre eu saio e ela permanece lá até tarde. – ele contou. – Ela tem me parecido mais cansada que o normal. Antes ela parecia ser incansável. Ficava horas estudando, conversando animada e agora está sempre sorrateira pelos cantos, com olheiras enormes. Achei que alguém além de mim tivesse percebido, por isso não comentei nada nem mesmo com ela.

- Bem... Talvez o senhor devesse ter me procurado assim mesmo. O estado da garota é preocupante Sr. Malfoy.

- O que ela tem?

- Ela está em estado de depressão e vai precisar de um tratamento intensivo para recuperar todas as vitaminas e substâncias que perdeu. Muito provavelmente ela não tem se alimentado direito e está muito fraca. Hoje seu corpo acabou por reclamar a falta de ingestão... – Madame Pomfrey parou subitamente. – É melhor que vá. Ela precisa descansar. Vou submetê-la a poções e tônicos com vitaminas concentradas. Deverá permanecer aqui por cerca de trinta e seis horas, só para garantir que esteja bem e amanhã pela manhã será liberada, mas deverá continuar o tratamento depois.

- Tudo bem.

- Ao amanhecer, quando encontrar os amigos dela, avise-os, se preferir. – concluiu caminhando com ele até a porta. – Boa noite, Sr. Malfoy. – e fechou a porta.

Draco franziu o cenho antes de dar as costas para a porta da enfermaria e seguir seu caminho. Foi uma questão de segundos para que visse Harry vir correndo em sua direção, seguido de perto por Gina e Rony.

- Onde ela está? – Harry perguntou ofegando.

- Não adianta. Vocês não poderão vê-la mais até amanhecer. – Draco declarou. – Madame Pomfrey acabou de me colocar para fora e disse que só vai receber qualquer pessoa pela manhã.

- Eu vou matar aquele velho! – Harry berrou, parecendo furioso.

- De quem você está falando? – o loiro indagou.

- Do Filch. – Rony e Gina responderam imediatamente em uníssono.

- Se ele não tivesse nos segurado, teríamos chegado a tempo de saber o que ela tem!

- Como vocês souberam que ela desmaiou? – Draco perguntou.

- Desmaiou? – Harry, Rony e Gina repetiram em voz alta.

- Foi. Como vocês souberam?

- Isso não importa agora. – o moreno cortou. – O que ela teve?

- Ela estava com uma aparência desoladora. Parecia ter chorado horas a fio, olheiras enormes e com o corpo mole. Madame Pomfrey disse que ela estava em estado depressivo e que não tem se alimentado direito, que está fraca... – Draco contou. – E não foi só hoje. Ela está assim há dias. Eu que passo todo final de tarde com ela na sala dos monitores e tenho acompanhado... ela estava definhando!

Gina pareceu se assustar.

- Eu sei que é um termo pesado, mas foi o mais próximo que consegui para o estado em que se encontrava.

Harry sentiu-se culpado. Hermione estava mal, depressiva e a culpa era dele, só dele. O que fizera? Ele sentia-se mal por ele, mas principalmente por ela. E o pior de tudo é que ele não podia simplesmente voltar atrás. Ela jamais perdoaria o que ele fizera, ainda mais agora. Sentiu vergonha de estar ali, presenciando aquela conversa e saber que todos os problemas de Hermione tinham uma só causa: ele, Harry Potter.

- Quanto tempo ela vai ficar aí? – perguntou por fim.

- São um dia e duas noites. Aproximadamente trinta e seis horas. – o loiro respondeu.

- Se hoje são dez... – Rony começou.

- Onze, Rony. – Gina corrigiu. – Já passa da meia noite.

- Que seja! – Rony bufou. – Ela sai na manhã do dia doze, amanhã.

- Exatamente.

- Eu queria ver como ela está... – Gina comentou.

- Todos nós. – Rony acrescentou. – Mas ela vai ficar bem. Ela é forte.

Todos concordaram e caminharam lentamente para seus respectivos salões comunais.

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- Ela não me pareceu tão forte assim. – Draco comentou.

- Eu nunca a vi desse jeito. Ela está com uma aparência horrível. – Gina murmurou. – Como minha amiga ficou desse jeito, hein?

- Eu não sei. Mas ela não está nada bem. – foi a vez de um Rony cabisbaixo falar.

E a cada frase proferida, Harry sentia-se apenas mais culpado. Eles estavam indo agora para o salão principal tomar o café da manhã. Sentaram-se em suas respectivas mesas. Draco não queria mais se meter naquele assunto. Talvez fosse melhor deixarem que eles, que eram mais próximos de Hermione, conversassem.

- E vocês dois? – Gina indagou subitamente.

Harry permaneceu cabisbaixo. Ele sequer ouvia o que eles falavam.

Rony e Gina se entreolharam confusos.

- Harry? – chamaram juntos.

- O quê? – o moreno perguntou.

- Nada. Apenas tinha me indagado sobre vocês dois... você e Hermione. – ela explicou.

Harry engoliu em seco e passou a olhar para os lados, sem fixar seus olhos num só lugar.

- O que você tem, hein? Está calado desde que a Mione entrou nessa... – Rony comentou.

- Nada, eu só estou... pensando. – ele limitou-se a responder.

E durante todo o dia, os Weasley não insistiram mais naquele assunto. Eles pareceram entender que Harry estava cada vez mais preocupado.

Ao terminar o período de aulas da tarde, ele voltou para a torre da Grifinória e subiu direto para o dormitório masculino. Deixou-se cair na cama de qualquer jeito e levou as mãos à testa, fechando os olhos e apertando-os com força, como quisesse ter certeza de que aquilo tudo estava mesmo acontecendo. Desistiu e suspirou. Levantou de súbito e pegou, dentro da mochila, um caderno. Escreveu uma rápida mensagem e fechou-o.

A resposta veio mais rápido do que imaginava.

Esteja no salão comunal à 1h da manhã.

Ele franziu o cenho. Não esperava uma resposta tão curta e vazia. Mas ainda assim, guardou o caderno novamente e voltou a se deitar na cama. E, sem se preocupar em tirar os sapatos ou fechar o cortinado, fechou os olhos e iniciou uma longa batalha contra os pensamentos inconvenientes e de culpa que assolavam sua mente. Quando finalmente conseguiu esvaziar a mente, adormeceu.

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Estava sentado ali já há vinte minutos. Sabia que estava adiantado, mas ele não conseguira conter a ansiedade. Aguardava nervoso, esfregando as mãos constantemente. Por alguns instantes, parava e começava a estralar os nós dos dedos. Viu uma luz cortar a escuridão em que se encontrava o aposento e levantou os olhos para a passagem do retrato, que voltava a seu lugar, trazendo-os à completa escuridão novamente.

O barulho do salto ecoava durante o percurso e ela sentia-se incomodada com aquilo, embora estivesse acostumada.

- Por que marcou tão tarde? – Harry indagou.

- Acabei de sair do Ministério. – ela limitou-se a dizer, sentando-se numa poltrona qualquer e jogando o fichário que trazia consigo em uma outra poltrona. Tirou os sapatos e soltou um suspiro de alívio. – Esses sapatos me matam! – Harry riu e observou-a tirar o blazer e abrir os primeiros botões da camisa branca que usava. Ela se acomodou e recomeçou, uma expressão preocupada em seu rosto: – Por que a urgência da visita? O que aconteceu?

- Eu e a Mione, nós... bem... na verdade, eu terminei com ela.

- Era sobre isso que estava falando. Agora você se sente culpado... Hermione é forte o suficiente para agüentar isso ao seu lado, Harry. Talvez essa tenha sido a decisão que eu temi tanto que tomasse... E o pior é que agora não pode simplesmente voltar atrás. – ela replicou em tom de comentário. – E como ela está?

- Dizer que está mal seria muito eufemismo. Ela está péssima, arrasada. Entrou em depressão e estava em observação na ala hospitalar, sob os cuidados de Madame Pomfrey. Ela deve estar tomando alta neste exato momento. – ele contou. – Você não imagina a dor e a angústia que tomam conta de mim ao lembrar que o maior culpado dessa situação sou eu.

- Imagino, sim. Pode não parecer, mas eu sei como você se sente. E sei mais ainda como ela está se sentindo. Harry, por mais que ela melhore e tente se mostrar forte, tudo isso vai estar sempre com ela, como uma ferida aberta. Você deveria ter imaginado isso quando resolveu tomar essa decisão. Hermione conseguiria superar tudo com você ao lado dela, mas agora...

- Não faça com que me sinta ainda mais culpado.

- Mas pense comigo... O que você acha que ela faz quando está sozinha? Porque certamente ela não passa mais do que o período das aulas sendo vista, não é? Muito provavelmente chega atrasada a todas as aulas e é a primeira a sair delas, não faz mais as refeições com vocês... Tenho certeza de que fica enfurnada em seu quarto, que agora é só dela, chorando, ou na sala dos monitores procurando com o que ocupar a cabeça.

Harry assustou-se com a forma com que Amy tratava tudo aquilo. Era como se estivesse acompanhando tudo.

- Estive mesmo sentindo falta do contato dela na última semana. Antes nos correspondíamos todos os dias. E eu não tinha nem como imaginar que tudo isso estava acontecendo. – ela comentou. – Eu te alertei tanto, Harry! Aconselhei, tentei fazer com que pensasse direito... – ela suspirou e silenciou. – Eu quero vê-la. E agora! – disse, decidida enquanto se levantava.

Mas naquele exato momento, alguém adentrou o salão comunal. Amy e Harry viraram-se para encarar a nova companhia. Hermione usava uma calça de ginástica preta e um moletom verde muito escuro, os cabelos estavam presos em uma trança embutida. Usava uma sapatilha e trazia consigo uma mochila pequena sobre apenas um dos ombros. Ela segurava a alça dela com firmeza e apertou ainda mais quando viu os dois ali.

Sua expressão, eles não deixaram de notar, era vazia. As olheiras já não estavam presentes, mas seu rosto estava pálido.

- Herms! – Amy caminhou em sua direção. – Como você está, amiga? Eu soube do que aconteceu e... – mas Hermione abraçou-a.

Amy fora pega de surpresa pelo ato. Retribuiu o gesto na mesma intensidade. Conseguia sentir a dor de Hermione só no silêncio da morena.

- Amy, eu precisava tanto falar contigo. Desculpe te deixar esses dias sem notícias, creio que deva ter estranhado, mas é que aconteceu tanta coisa. E-eu estou tão confusa, tão... – ela moveu os lábios sem pronunciar uma palavra sequer. – Estive muito ocupada, também.

- Antes de conversarmos, Herms, acho que tem um outro alguém com quem precisa conversar. – Amy virou-se e olhou para Harry, que parecia ter perdido os sentidos. – Harry? – chamou, fazendo-o despertar dos seus devaneios. – Vá até lá. – ela disse para Hermione, num sussurro.

Hermione encarou-a como se indagasse se deveria mesmo. Amy apenas assentiu, com um meio sorriso no canto dos lábios. Ela caminhou lentamente até o moreno e parou a uma distância de meio metro.

- Mione, eu... eu sinto muito. Sei que sou culpado disso tudo que está acontecendo com você e me sinto cada minuto ainda mais culpado e preocupado com você. Não queria te machucar. Queria tanto poder fazer algo para não te ver assim...

- Harry, eu te amo e nada vai mudar isso. Queria ainda poder chegar aqui e te abraçar, ter a certeza de que seria acalentada e poderia te beijar. Dói saber que não posso mais te ter, assim como doeu e ainda dói essa separação súbita, mas se não posso tê-lo, contento-me apenas com sua amizade.

Amy lançou a Harry um olhar de alerta. Ele não conseguiu entender o que ela queria dizer com aquele olhar, mas abraçou Hermione com força. Mal sabia ela que ele a amava tanto quanto ela, senão mais. Doía nele essa separação, também, mas fora preciso. Ele estava protegendo-a.

Sabia que ela jamais o perdoaria quando soubesse, mas não se importava. Em algum momento ela acabaria por entender e eles poderiam conversar e, quem sabe, se entender.

Afastaram-se e ele pôde ver os olhos da amiga cheios de lágrimas. Certamente estaria se segurando para não chorar.

- Desculpe, mas eu preciso subir. Madame Pomfrey recomendou repouso até amanhã e eu ainda estou cansada, também. – ela murmurou, a voz fraca. – Você vem, Amy?

- Claro. – a outra assentiu, recolhendo suas coisas e caminhando até o ‘irmão’, abraçando-o.

- Eu disse que ela tentaria se mostrar forte, mas não creia nisso. – ela sussurrou ao pé do ouvido do moreno. – Eu te amo, maninho. – ela disse ao se afastar.

Acompanhou Hermione e no instante seguinte ele se encontrava sozinho novamente ali. Nem mesmo Amy conseguia entender sua atitude. Nem mesmo ele, agora. Mas ele ainda achava que tomara a decisão certa.

“Um dia você vai entender, Mione”, pensou antes de subir para o dormitório masculino.

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