O pensamento que mais me ocorria durante todo o caminho até a delegacia era que eu estava sendo idiota. Teria sido muito mais sensato e correto acordar Draco e avisar que seu filho não havia mudado nada e que estava preso por sei lá o que ele fizera. Porém, lá estava eu, me tornando a salvadora da noite de todos, menos da minha. Draco continuaria com a ilusão de que seu filho estava se comportando, Hermione continuaria tentando me convencer a ser legal com ele e Scorpius veria que sempre haveria alguém para salvá-lo. Eu, sinceramente, não achava que aquele papel combinava comigo.
Entrei na delegacia olhando para os lados, totalmente apavorada com a idéia de entrar em um lugar que poderia estar povoado com ladrões, prostitutas e assassinos. Eu nunca havia entrado em uma delegacia antes e mesmo que arrumasse problemas, o último lugar a quem a justiça iria recorrer era uma instituição trouxa. Caminhei até um balcão de madeira rústica, observando aliviada que a delegacia estava vazia, apenas habitada por um homem.
Ele não usava uniforme e nenhuma característica de que estava trabalhando. Os pés estavam sobre uma cadeira de plástico e ele assistia a um jogo de rúgbi na televisão a cores. Continuei meu caminho até ele, pronta para rogar informações. Eu teria muito que o cobrar de Scorpius depois. Nunca antes havia pensado que eu entraria em uma delegacia às três da manhã usando pijama!
- Boa noite – eu desejei e o homem ergueu os olhos para me olhar.
- Boa noite – ele desejou, mas sua voz não tinha o menor indicio de que aquilo era um desejo sincero. A voz era desgostosa e cansada, como se ele estivesse odiando cada minuto daquilo. O que era compreensível, já que trabalhar em uma delegacia num domingo a noite não parece ser nada agradável.
- Hum, eu... Scorpius Malfoy? – eu disse com o rosto torcido.
Eu não sabia como me pronunciar e dizer que eu estava ali para buscar um detento. O homem me analisou por alguns segundos, demorando-se nos meus olhos inchados pelo sono e nos meus cachos bagunçados. Torci para que ele não encontrasse nenhuma remela ou reparasse demais no meu pijama formado por shorts velhos de moletom e camiseta com emblema de Hogwarts. Eu saíra tão agitada de casa que não notara que estava desfilando pelas ruas trouxas de Oxford com uma camiseta estampando o escudo da escola bruxa.
- Você é parente? – ele finalmente perguntou, baixando os pés da cadeira.
- Quase – comecei, pronta para desatar um terço e explicar que éramos uma espécie de irmãos postiços, mas o homem apontou o dedo para mim, me interrompendo. Suas sobrancelhas se arquearam até desaparecerem sob o cabelo preto muito liso que lhe caía sobre a testa.
- Enteada do Sr. Malfoy?
- É – respondi contrariada. Por mais que a delegacia estivesse vazia, eu queria ficar o menor tempo possível exposta naquele ambiente. Meus dedos estavam se contorcendo de raiva por ele enrolar tanto.
- Ele falou muito bem de você – disse, quase sorrindo.
Não era de se espantar que aquele homem soubesse quem eu era, já que Draco conhecia todo mundo na cidade por conta de seu trabalho. Por não ser muito bem visto no mundo bruxo ainda, Draco havia decidido se firmar no mundo trouxa, deixando boa parte da magia para trás. Ele montara uma companhia de comércio, que consistia em uma imobiliária e uma revenda de carros, com o dinheiro que herdara dos pais mortos. Ele era um homem bom para a cidade, principalmente porque sua companhia tinha programas especiais para os menos abastados.
- Que bom, fico lisonjeada – eu disse, sorrindo de um modo forçado. O homem pareceu perceber minha pressa em ir embora, porque se levantou da cadeira com um pulo e contornou o balcão.
- Scorpius está preso novamente – ele começou, deixando de lado o sorriso e se tornando muito profissional e sério de repente. As chaves em seu cinto balançavam enquanto ele caminhava até portas de correr. Ele não fez menção alguma para que eu o seguisse, mas eu caminhei logo atrás dele.
- Novamente? – perguntei, confusa. Eu sabia que Scorpius não era flor que se cheirasse, mas ser preso? Eu duvidava que Draco ou minha mãe soubessem disso ou eu teria sido informada por um dos dois. Ou não, percebi de repente que Hermione ter omitido isso de mim propositalmente parecia muito mais palpável.
- Sim, a última vez foi há três anos – ele confirmou, afastando as portas e parando antes de adentrar no corredor. – Novamente por participar de corridas de carros em vias públicas. Eles sabem que temos pistas em lugares fechados que foram feitas especialmente para esse tipo de corrida, mas parece que correr o risco de atropelar alguém estando bêbados atrás do volante é mais emocionante.
Ele não disse a última frase se dirigindo especialmente a Scorpius, parecia se referir a mais pessoas. Fiquei ainda mais admirada, mas minha admiração vinha negativamente. Então era isso que ele fazia agora, com seus novos amigos? Corria bêbado pela cidade e quem sabe até mesmo drogado? Porém, me deixei pensar que talvez Scorpius não fosse tão delinqüente assim.
Ter sido preso há três anos era compreensível, como se isso apenas elevasse o status que ele ainda tinha na época. Talvez ele estivesse apenas no lugar errado, na hora errada, ponderei comigo mesma. O homem ergueu a mão abrindo uma das portas de correr depois a esticando a sua frente; e a menção dizia claramente que eu deveria ir em frente e esperar por ele.
- Ele deveria ficar aqui até que alguém pagasse a fiança, mas como você é recém chegada na cidade e o garoto é seu irmão, eu vou deixá-lo ir. – ele disse, didaticamente antes que eu passasse pela porta e entrasse em um corredor não muito comprido. – Mas saiba que se ele for novamente pego, eu não vou ser gentil, nem mesmo se você vier buscá-lo.
- Ah, e eu não viria outra vez nem se fosse paga para isso e ele não é meu irmão. – acrescentei, passando a frente, mas parando logo em seguida. Fui travada pelos meus trajes. Aquele era claramente o corredor onde ficavam as celas de presos. Será que o homem era insensível o suficiente para não perceber que uma garota com shorts não combinava com um corredor de celas? – Acho que devo esperar por aqui.
- Por quê? – ele se voltou para mim e eu baixei os olhos para as pernas. Ele entendeu. – Não se preocupe, Scorpius é o único nas celas hoje.
- Que promissor! Scorpius é o único que suja o domingo calmo de Oxford. – ironizei, andando atrás do homem um pouco menos preocupada, mas de repente achei estranho o fato de que apenas Scorpius tivesse sido pego. – Espere, como ele foi o único a ser preso? Ele ao menos tem um carro próprio e uma corrida de carros não se faz com apenas um homem.
O homem parou em frente a uma cela pequena, que parecia pequena demais para mais do que três seres humanos. O corredor em nada parecia com aquilo que eu via em filmes e imaginava que era na vida real. Este era claro, com lâmpadas florescentes brancas e com grades cinzentas. Nada daquele tom de ferrugem, meia luz e toda aquela sujeira.
Scorpius estava postado ao final da cela, sentado com as costas na parede e a cabeça para trás. Eu conseguia ver seu pomo de adão subindo e descendo numa tentativa de respirar perfeitamente. Ele nunca conseguiria respirar direito naquela posição. As roupas de estilo sulista estavam desmazeladas e o cheiro de cigarros era passível de estar vindo dele.
- Ele foi o único que não conseguiu fugir – o homem entrou na cela e caminhou até Scorpius. Este ergueu a cabeça, olhando do homem para mim. Os olhos foram o que mais me preocuparam naquele momento, mesmo que estivessem competindo com o estado deplorável das roupas e dos cabelos. Os olhos dele estavam estreitados, distantes, porém, ele me reconheceu; o sorriso em seu rosto se tornou enorme.
- Ele está bem? – perguntei, enquanto o homem empurrava as costas de Scorpius até o lado de fora da cela. O rapaz veio cambaleando, mas em poucas condições de circular sozinho em qualquer lugar que fosse.
- Está sim – o homem me tranqüilizou, enquanto Scorpius se jogava sobre mim num abraço que eu não queria dar. – Ele só está meio bobo... Conseqüência do que ele deve ter feito e tomado hoje.
Agora eu conseguia claramente entender o que o homem quisera dizer com “foi o único que não conseguiu fugir”. Ele tinha bebido muito, isso era óbvio, e pelo formato estreito dos olhos azuis, aquela não havia sido a única coisa que ele ingerira. Os braços dele estavam ao redor do meu corpo e eu me sentia muito pequena naquele contato. Consegui fazer minhas mãos tocarem seu peito e o afastar de mim. Ele cambaleou e jogou um dos braços sobre o meu ombro, enquanto eu o abraçava pela cintura ajudando em seu equilíbrio.
- Você não mandou meu pai! – ele se admirou, me mostrando os dentes muito brancos e quadrados com uma alegria que não parecia caber dentro dele.
Eu sabia que meu rosto estava torcido, tanto por aquilo ser estranho quando por eu estar com um certo nojo de estar tão perto dele sentindo aquela mistura de odores desagradáveis que ele se transformara. O corpo pesado estava banhado pelo cheiro irritante do que parecia ser vodka, cerveja e coca-cola. O cabelo parecia um ninho mal feito com cheiro doce de maconha e detestáveis cigarros mentolados.
- Ainda estou decidindo se fiz a coisa certa... O que aconteceu com você?
- Nada de mais – ele respondeu com a língua solta.
Do ápice do meu lado puritano e sem graça, eu não sabia o que era ficar bêbada. Sempre que sentia que estava alegre demais ou que minha visão começara a ficar embaçada eu parava de beber e começava a me deliciar com água com gás para expurgar o álcool de dentro de mim. Mas apesar de nunca ter precisado ser cuidada por amigos, eu já havia cuidado de muitos amigos que beberam além da conta. Eu sabia que devia levar Scorpius para casa, pelo menos lavar o rosto dele e fazer com que ele comesse algo doce, mas eu não conseguiria fazer aquilo sem acordar ninguém por acidente.
Deixei o homem no corredor da delegacia e ajudei Scorpius a caminhar até o carro. Ele cambaleava, mas conseguiu ficar em pé sozinho enquanto eu caçava as chaves do carro dentro da minha bolsa. Ele cantarolava algo indecifrável enquanto eu fazia isso... Devia ter deixado as chaves no bolso externo da bolsa de couro.
- Juro que eu achei que seria Draco a me buscar – ele começou quando eu finalmente encontrei as chaves e abri a porta do carona. – Você é tão metida a certinha que eu achei que você seguiria o que era mais sensato – ele deixou a voz cheia de pompa, imitando o que parecia ser alguém entediante. Ou ele apenas estava imitando a mim...! - assim como você fazia em Hogwarts... Sempre cumpridora das regras e sempre chata querendo se desprender da imagem da sua família, bleah! – ele bufou depois de usar de uma voz lamentadora, mostrando a língua pintada de amarelo.
- Cala a boca! – mandei, tentando ignorar o falatório, lembrando de um ponto importante que ainda estava obscurecido dentro da minha mente. Como eu odiava quando ele começava com aquelas análises de coisas que ele não deveria saber. - Afinal, como diabos você tinha o número do meu celular?
– Sua mãe me deu ontem, ela falou que eu podia confiar em você.
Minha expressão, que não estava nem um pouco agradável, se tornou muito pior depois dessa declaração. Eu disse que não estava preparada para colaborar com Scorpius e ela dá o meu número de telefone para ele? E isso apenas ajudava minha voz e meu aviso quando eu, praticamente, joguei Scorpius no banco do carona, com uma grande hostilidade impressa em meus gestos.
- Escuta – eu comecei, com a voz grave. Ele ergueu a cabeça para mim e pareceu prestar atenção. Pelo menos o sorriso bobo havia desaparecido e os olhos profundos estavam em mim. – Nada de vomitar no banco ou em qualquer lugar dentro do meu carro, entendeu? Se você perceber que vai vomitar ou morrer, sei lá, me avise que eu paro o carro e você vomita ou morre na rua, ok? – Scorpius sacudiu a cabeça concordando, logo em seguida se virou para frente, mas eu puxei seu queixo de volta e os olhos encontraram os meus. Eu fui ainda mais hostil nas palavras. – Agora, escuta bem, se você não me avisar e sujar o meu carro com seu vômito nojento digno de um delinqüente como você, eu faço você limpar meu carro com a língua e depois mato você.
Ele concordou com a cabeça novamente. Depois de ameaçá-lo eu esperava que ele fizesse alguma gracinha ou que risse na minha cara, mas ele apenas virou a cabeça para frente e ficou quieto. Tão quieto que eu sorri satisfeita, depois de fechar a porta do carona, por ter sido ameaçadora e clara o suficiente. Contornei o carro e me sentei no banco do motorista, ligando o Opala com um ronco.
- Você não é muito novinha para dirigir? – ele disse em um tom de escárnio quando eu virava a esquina da delegacia. O rosto não virou para mim, apenas continuou na posição que eu o deixei quando fechei a porta.
- E você não é muito grandinho para andar fantasiado? – devolvi, apontando para a camisa jeans clara com botões de pressão, aproveitando que estava mudando de marcha. Minha voz tinha o mesmo tom de escárnio da voz dele e parecia que se ele estivesse percebendo algo ao seu redor, teria se magoado.
- Você é sem graça – ele recitou, se recostando no banco de couro preto e esticando o dedo para o botão on/off do rádio. – Apesar de ser uma gracinha – eu mal consegui identificar se aquilo tinha sido um elogio digno de um garoto como ele ou uma ironia muito pesada porque minha mente estava distraída tentando lembrar o que eu ouvira no carro pela última vez.
Eu não sabia se deveria me preocupar em afastar os dedos dele ou deixar que ele ligasse o rádio. Droga, reclamei quando me lembrei. Porém, eu não fora rápida o suficiente e os acordes de Fifteen[1] começaram a tocar. Lembrei de que tinha ligado o rádio no segundo CD da carreira da cantora trouxa enquanto tirava minhas malas de dentro do Opala. Eu quis ter dado stop no mesmo instante, mas seria pior; eu teria de ouvir o dobro de piadas. Em algum momento eu teria de admitir que gostava do Country Pop que ela fazia.
- Você é tão menininha, Rose – ele brincou, passando as faixas até encontrar uma daquelas que eu não sabia cantar ainda. – Se quer ouvir um bom country, escute...
- Johnny Cash? – ironizei, torcendo a boca e virando bruscamente à direita; tão bruscamente que Scorpius tocou meu braço, quase apavorado.
- Pode parar? – ele pediu, ainda segurando meu braço com força, mas esticando-se em direção a porta com a outra mão a boca. Eu tremi, temendo que ele soltasse aquela bomba que deveria estar se remexendo dentro dele a noite intera no meu tapete limpo.
Assim que terminei a curva, desliguei o carro e voei porta a fora enquanto Scorpius abria sua própria porta, projetando os pés para fora e a cabeça para frente. Assim que cheguei ao outro lado, me posicionei em sua frente. Não que eu quisesse ver aquela cena deplorável, mas eu queria garantir que nenhuma gota indesejável daquela nojeira tocasse meu carro.
- Eu me referia à Emmylou Harris.
- Cala a boca – mandei, quando a primeira golfada caiu na calçada. Por solidariedade, soltei meus cachos e corri até ele, prendendo o que eu conseguia de seus cabelos claros no alto da cabeça, enquanto ele respirava. Fora um rabo de cavalo desajeitado que, com certeza, ficara torto na cabeça e deixara de agrupar algumas mechas mais curtas, mas pelo menos ele não sujaria os cabelos. Menos uma coisa que ele teria de limpar depois.
Scorpius soltava mais uma golfada enquanto eu me afastava alguns bons passos do local mal-cheiroso, apenas para ter certeza de que nenhum respingo me atingiria. Deixei que meus joelhos falhassem e que me sentasse sobre a grama alta do jardim de uma casa enorme. Ainda era estranho encarar aquelas ruas e aquelas casas de jardins desenvolvidos.
Em Londres não se via esse tipo de coisa com tanta freqüência.
As ruas de Oxford eram tão largas que poderia servir como estacionamento de filas duplas em ambas as vias. As casas eram grandes e de aparência antiga, como casas de campo, e tinham cercas tão baixas que evidenciavam uma segurança por parte dos moradores que eu nunca tinha reparado quando em Londres. Eu parecia ter ido parar em outro país; ou em algum programa familiar de televisão que se passava em cidades mais desenvolvidas.
- Acho que acabou.
Scorpius disse com a voz rasgada; sua garganta deveria estar doendo. Eu nunca vomitara por conta de bebidas, mas eu já havia ficado doente, sabia como era a sensação terrível que machucava o esôfago. Ele me acordou do devaneio e jogou a cabeça para trás ao respirar fundo. Tinha os olhos lacrimejados fechados, mas levou os dedos ao rabo de cavalo disforme que eu havia feito.
Quase não pude segurar uma risada quando percebi que o cabelo estava amarrado perto da orelha esquerda dele e ele estava parecia uma garota transportada da década de oitenta. Apenas não me deixei sorrir, porque eu não queria dar o menor indicio de bom humor diante daquela situação. Eu queria que ele percebesse que ele estava me incomodando muito ao ter me dado aquele cargo de babá de bêbado em plena madrugada.
- Acha? – me levantei e me aproximei devagar do carro, tencionando encontrar alguma coisa com que ele pudesse limpar o rosto. Quem sabe uma daquelas garrafas de água continuava por ali? Scorpius manteve os olhos em mim durante todo o percurso; um tanto quanto desconfortável. – Fica com a cabeça para fora! – eu alertei quando o olhar dele pretendia me seguir para dentro do carro. – Vou tentar encontrar alguma coisa para você se limpar.
Normalmente, eu nunca tinha nada dentro do carro; ele ficava dentro da garagem alugada e eu só o usava quando fazia pesquisas de campo, quando visitava minha mãe ou quando o levava para checagem semestral da função de carro. Estiquei-me no banco do motorista, com os joelhos onde antes estavam minhas nádegas, para encarar o banco de trás e tentar achar alguma coisa útil.
- Encontrou? – a voz de Scorpius agora vinha de dentro do carro; ele estava encostado no banco do carona, ignorando totalmente meu aviso, com a cabeça virada para o teto preto, balançando os pés no ritmo da faixa cinco de Fearless. Eu não percebi que o CD continuara tocando; era White Horse que agora enchia o carro. Com o rosto virado para ele, eu me permiti um sorriso involuntário. Ele parecia inocente naquela dependência temporária que tinha de mim.
Era, principalmente, por isso que eu não me deixava ficar bêbada. A tontura e o surrealismo vinham chegando e eu corria para me livrar deles. Eu não gostava de perder o controle e, principalmente de não controlar o que eu dizia ou o que fazia normalmente. O Scorpius que eu conhecia não se balançaria ao ritmo de um Country Pop; ele respeitava Johnny Cash demais para isso.
Meus olhos finalmente voltaram para o banco de trás, encontrando uma garrafa de água pela metade. Puxei e parei mais uma vez, tentando me lembrar se eu tinha uma espécie de pano ou lenço de papel. Droga, eu não tinha. Voltei a me sentar no banco e vasculhei minha bolsa. Nada, também.
- Você tem uma flanela? – ele perguntou com a voz baixinha.
Eu não respondi, mas estava quase alegre por ele ter me ajudado sem imaginar que ajudara. Estiquei meus dedos para o porta-luvas, evitando que minha mão roçasse nos joelhos sobressalentes e puxei o pedaço de tecido laranja. Como eu não havia pensado na flanela do carro? Estiquei a água e a flanela na direção dele, já irritada por ele não ter pego os produtos no mesmo instante, quando percebi o porque de ele estar de olhos fechados e muito quieto.
- In-fer-no – eu disse todas as sílabas muito devagar, apenas para conseguir sentir toda a raiva se esvair por elas. Ele dormia! Estiquei o dedo e toquei o braço dele num pedido nada amigável de que ele acordasse e limpasse a si mesmo.
Scorpius não se mexeu, mas arregalei os olhos ao notar que ele tinha um braço rijo e cheio, apesar da aparente magreza. Rose, eu ralhei comigo mesma torcendo a boca. Era a coisa mais nojenta que eu podia pensar naquele momento. Ele era ridículo, um garoto riquinho e delinqüente que achava que mandava no mundo e que podia desrespeitar as pessoas. Agora estava bêbado, drogado e sujo com o próprio vômito dentro do meu carro; não havia como ele ser atraente!
[1] Do álbum Fearless da cantora Taylor Swift.
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N/A: Amo esse capítulo. Amo porque foi o primeiro que eu escrevi, obviamente sendo várias vezes editado depois disso, mas ainda assim o primeiro. A primeira situação em que eu imaginei os dois em direta colisão... Espero que vocês também gostem! E, cara, o que aconteceu que agora 11 pessoas estão lendo a fic? Tem como ficar mais feliz do que isso? *-* Eu teria razões sim, se esses 11 comentassem! :DD Obrigada, gente!