CAP-17 – O Mapinguari
CAP-20 – Ajuda Inesperada.
Xingu,
A cabeça de Harry estava latejando, mal conseguia manter os olhos abertos, viu as duas figuras extremamente pálidas paradas diante dele, sua visão estava nublada e seus óculos estavam quebrados, levantou o braço tentando estender a varinha na direção dos inimigos.
- Não é necessário – ouviu uma voz fria falando em português – Não lhe causaremos mal. Vocês nos salvaram do Mapinguari, temos uma dívida com vocês.
Harry quase sorriu, deixou o braço cair novamente. Se sentou recostando numa pedra.
- Obrigado – disse o rapaz, mas os botos nada entenderam, pois não falavam inglês. Mas captaram o sentido da palavra pelos gestos de Harry.
Um deles mergulhou de volta no igarapé e retornou logo depois com algumas plantas aquáticas, mastigou algumas delas e colocou sobre a cabeça de Harry.
Ele logo se sentiu melhor, a dor parou e o galo na sua cabeça diminuiu consideravelmente.
Lina estava sendo auxiliada pelo outro boto.
- Precisam nos ajudar! Nosso amigo está no Igarapé, o monstro o arremessou na correnteza. – Disse ela de maneira desesperada.
O boto que a ajudava respondeu na língua deles e Lina não entendeu nada. Foi o outro que explicou em português:
- Não há chance de encontra-lo. A correnteza é muito forte se ele permaneceu no igarapé está morto.
Lina, baixou a cabeça frustrada. Depois a levantou com o olhar determinado
- Eu vou tentar encontra-lo – disse a moça.
- Nós temos uma dívida com vocês se esse é o seu desejo nós ajudaremos.
Harry se levantou. – oculus reparo – Disse Harry concertando seus óculos. O feitiço fez ele se lembrar de Hermione.
- Os outros, precisamos encontra-los! Temos que voltar para a trilha, Julião estava muito ferido!
- E Virgílio pode estar morrendo agora! – Respondeu Lina
- Seu amigo já está morto – disse o boto. – Vimos o Mapinguari arremessando ele já desacordado.
- Mapinguari... Então esse é o nome do monstro? – Perguntou Harry.
- Sim... uma criatura terrível – respondeu o boto – Vocês devem ser muito poderosos e corajosos para enfrenta-lo na floresta. Ele quase não vem ao Igarapé, sempre que vem nós conseguimos expulsa-lo, pois ele não gosta muito de água. Dessa vez nos demos mal.
Lina ainda olhava na direção da correnteza.
- Lina, temos que voltar até os outros – Disse Harry numa voz calma.
A garota se virou para ele, também muito calma – E como vamos fazer isso? Demos um monte de voltas pelo mato, como vamos encontrar o local onde eles estavam?
Harry não soube responder, olhou para os botos.
- Nós não conhecemos o interior da mata, nosso território é o igarapé, não podemos ajuda-los – disse a criatura.
Vocês poderiam nos levar de volta até a trilha, há uma parte onde ela passa perto do Igarapé – Sugeriu Harry.
- E vamos voltar todo o caminho, quase um dia de caminhada? Aí é que não vamos encontra-los mesmo – Disse Lina.
- Precisamos de um atalho - disse Harry - assim que não voltarmos, eles devem seguir para a aldeia dos curupiras.
- Curupiras? – perguntou o boto – Vocês vão para lá sem a permissão deles?
- Temos que ir respondeu Lina. Temos permissão, só não temos ajuda deles.
O boto pareceu compreender a situação.
- Conhecemos um caminho pelo igarapé – disse a criatura – podemos aproveitar e procurar pelo seu amigo.
Lina se animou - Então vamos logo – disse a garota.
Harry acabou concordando, tinha receio de não encontrar com o resto do grupo, mas precisava encontrar a planta para salvar Hermione. Julgando que Rony tomaria a mesma decisão ele resolveu ir com os botos.
Harry e Lina executaram feitiços cabeça de bolha, e mergulharam no Igarapé. Segurando no pescoço dos botos pegaram carona por baixo d’água.
Enquanto nadavam, vasculhavam as margens em busca de algum sinal de Virgílio, conforme o tempo passava a esperança de Lina ia diminuindo.
- Nenhum sinal – Disse ela ao pararem para descansar sobre uma rocha na margem.
Harry ficou calado olhando para o céu entre as folhas das árvores.
- Virgílio se arriscou por mim e acabou morto – disse Lina.
Harry continuou sem dizer nada, olhava piedosamente para Lina.
- Mas ele não vai morrer em vão! – disse Harry finalmente – vamos concluir a missão e resgatar o grupo que estar em poder dos curupiras era esse o dever de Virgílio e nós faremos isso por ele.
Lina se levantou, balançou a cabeça concordando. – Temos que ir logo já vai anoitecer.
Mergulharam novamente no igarapé e continuaram o caminho, as vezes o igarapé ficava raso, as vezes bastante profundo, uma quantidade imensa de criaturas habitava aquelas águas. Era lindo lá embaixo, só que Harry e Lina mal notavam toda essa beleza, tal a concentração dos dois.
A noite já caia quando os botos mergulharam fundo e entraram numa gruta sob a água. Harry acendeu sua varinha para iluminar a caverna por onde nadavam, subiram por um caminho muito estreito onde só passava um de cada vez e saíram na superfície de um lago subterrâneo no interior de uma caverna. Vários túneis saiam ali naquele lago. A escuridão era total Harry e Lina subiram para a margem rochosa do lago, a caverna era coberta por estalactites e estalagmites goteiras pendiam do teto escorrendo pelas formações rochosas.
Essa é uma das entradas para a aldeia, devemos seguir a pé por um trecho disse o boto. Já tomando forma humana novamente.
Seguiram por um dos túneis, os botos pareciam em dúvida sobre qual caminho seguir após uma breve discussão na línguas deles encolheram um túnel a leste.
Harry e Lina iam iluminando o caminho a luz projetava sombras fantasmagóricas nas paredes rochosas. O som das goteiras no teto ecoava pela caverna tornado o cenário ainda mais estranho. O túnel fez uma curva fechada para esquerda, e seguia subindo levemente. Alguns buracos saiam das paredes e do teto, alguns eram bem pequenos outros largos o suficiente para uma pessoa se arrastar por eles. Uma brisa quente saia de alguns desses buracos. De outros escorria um pequeno filete de água.
Harry parou derrepente. – Escutem! - disse ele.
Todos pararam e se concentraram, logo puderam ouvir barulhos como passos distantes, Harry colou o ouvido na parede e continuava a ouvir um som bem baixo de muitos passos ecoando pelas paredes.
Resolveram fazer silencio, e continuar caminhando. Logo à frente o caminho se bifurcava, os botos sugeriram seguir o caminho por onde a água escorria, pois a entrada, que conheciam, para a aldeia era através de um lago subterrâneo.
Seguiram por esse caminho que descia ligeiramente, o piso era muito acidentado, cheio de obstáculos rochosos. Mas o botos insistiam em seguir o fluxo da água.
Já tinham perdido a noção do tempo em que caminhavam na escuridão. O caminho então se tornou mais fácil os buracos voltaram a aparecer nas paredes e de uma dessas aberturas surgiu uma fraca luz oscilante como se viesse de uma tocha.
Os botos pararam aterrorizados. a luz apagou-se, mas só para reaparecer em outra abertura ainda mais próxima deles. Harry ouviu uma voz nas paredes, prestou mais atenção e ouviu o que ela dizia: - Comida.
Harry se virou para os outros, Lina parecia ignorar a voz, os botos tremiam sobre suas pernas estranhas.
- O que foi? o que é essa luz? – Perguntou Lina
- Você não ouviu a voz?
- Que voz?
Harry ficou confuso, então ouviu novamente a voz e seu deu conta de que ela falava na língua das cobras e só um ofidioglota como ele poderia entende-la.
- Vamos sair daqui disse o boto que sabia português. E eles correram pelo túnel.
A luz agora era forte e vinha seguindo-os pelo túnel.
- O que é isso? – Perguntou novamente Lina
o boto respondeu em sua língua e Lina não entendeu nada.
A luz desapareceu do encalço deles, mesmo assim continuaram se movendo rápido chegaram a fim do túnel numa imensa caverna onde havia um lago.
Do ouro lado o lago terminava numa parede rochosa quase totalmente vertical, a uns quatro metros de altura havia uma abertura nessa parede e dela escorria um pequeno córrego que se tornava uma cachoeira. O som da água caindo no lago enchia o ambiente ecoando e reverberando pelas paredes.
É aqui a passagem para a aldeia. – disse o boto,
Nesse momento a luz sinistra surgiu novamente, agora na abertura na frente deles e logo saiu por ela, caindo junto com a água, uma enorme cobra em chamas.