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18. Capítulo XVIII


Fic: Harry Potter e o fim da profecia


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Ela não entendia; simplesmente não conseguia entender. A cada dia que passava, a frieza com a qual Harry a tratava era maior. O que teria acontecido?, algumas vezes indagava-se, outras preferia não saber. E o pior de tudo é que ele era contraditório, o que colaborava para a confusão que se instalava em sua cabeça; há muito não se via tão confusa.

Estava no salão comunal, àquela hora vazio, estudando – ou pelo menos, tentando. Não conseguia se concentrar. Percebeu determinado movimento para além do buraco do retrato e deixou que sua atenção – ou o que restava dela – vagasse para o portal de acesso à torre da Grifinória. Podia parecer piada, mas ela ele.

Viu o moreno se aproximar e sentia que seus olhos verdes estavam em si, perfurando sua alma. Ele largou a mochila de qualquer jeito sobre a mesa e ocupou a cadeira ao lado da que a garota ocupava.

- Hermione, eu...

- Shhh... – fez. – Não fala nada. – finalizou antes de beijá-lo.

O que quer que ele tivesse a dizer, ela sabia que não queria escutar. Ultimamente eles apenas falavam – e quando falavam! – e o que ela queria era apenas sentir.

- Eu te amo. – ela murmurou.

Harry viu os olhos dela brilharem e a sinceridade, contida naquelas pequenas palavras de tão imenso significado, ofuscar. E ele a amava. Amava como tinha certeza de que não amaria nenhuma outra mulher. E ouvi-la dizer aquilo naquele momento o desarmara completamente. Principalmente depois de tê-la tratado tão mal, de tê-la ignorado e evitado.

Tomou-a num novo beijo. Um beijo intenso e cheio de saudade. Desde o dia em que recebera a maldita foto não a tinha tão próxima de si. Sequer permitira um contato com a morena, e as palavras trocadas eram as mínimas possíveis.

- Eu também te amo, minha princesa. – disse, fazendo-a abrir um sorriso. Não o escutava dizer que a amava há tanto que até esquecera o sabor que tinha ouvir aquelas palavras proferidas de sua boca.

- Achei que tinha dito para não falar. – ela sussurrou, dando-lhe um selinho e levantando-se em seguida. Estendeu a mão para ele. – Vem. Aqui não é seguro ficarmos juntos.

Caminharam em direção à parede vazia no lado oposto do aposento. Hermione passou a mão com cautela sobre a pedra, analisando-a com atenção. Afastou-se em seguida e esperou que o portal se abrisse.

- Já havia esquecido como chegar à escadaria. – Harry contou.

Hermione riu.

- Não esqueceria jamais! – comentou. – Você se lembra?

- Como se fosse ontem. – ele sorriu.

- Vamos, antes que alguém chegue. – puseram-se a subir a escadaria em espiral, chegando, por fim, a um imenso aposento.

Os sofás e poltronas espalhados pela sala estavam impecáveis. O ambiente encontrava-se limpo e arrumado.

- Dumbledore deve mandar elfos para manter isso aqui assim. – Harry comentou.

- É. – Hermione concordou vagamente. – Está escuro aqui.

Não havia janelas no local, apenas quatro portas idênticas de madeira maciça. Harry viu uma lareira a um canto e se aproximou, sacando a varinha.

- Não acho que vá funcionar. – Hermione alertou, estalando os dedos. As velas e a lareira se acenderam. – Imaginei que fosse isso.

- Às vezes a sua inteligência chega a doer. – Harry murmurou.

- Não é questão de inteligência; é lógica. – ela riu. – E uma pitada de Hogwarts: uma história.

- Por que não estou surpreso? – e os dois riram.

O ambiente mergulhou em profundo silêncio. Era tão grande que chegava a ser incômodo, ensurdecedor. Entreolharam-se e Harry se permitiu sorrir. Mas foi um sorriso tímido, Hermione percebeu. Ela podia ver em seus olhos a culpa e ela novamente perguntou-se o que estaria acontecendo com ele – com eles. Retribuiu o sorriso, mas não era um sorriso feliz, grato ou tímido, como o de Harry; era um sorriso que carregava as marcas de sua tristeza. Comovido, o moreno lhe estendeu a mão, a qual ela aceitou e caminhou em sua direção, abraçando-o, ainda em silêncio.

- Sabe, nunca imaginei antes amar alguém como amo você, nunca pensei ficar tanto tempo com alguém e a cada dia sentir-me ainda mais dependente de você; e hoje, eu sequer me imagino sem você. Eu não quero te perder, Harry.

Ele a ouviu soluçar e fechou os olhos. Não sabia o que fazer e não queria machucá-la. Afastou-a e levou sua mão delicadamente até o seu queixo, erguendo-o e fazendo com que ela pudesse encará-lo, mas seus olhos permaneceram baixos.

- Olha para mim. – pediu. – Você não vai me perder. Não importa o que aconteça, eu vou sempre te amar, ok?

Ela assentiu com um triste sorriso molhado pelas lágrimas e voltou a abraçá-lo, recostando a cabeça em seu peito.

---


- Você não é maluco a este ponto, Blaise!

- Ora, Draco! Ela não gosta mais dele e está claro isso. Não o larga por pena!

- Isso não te dá o direito de interferir na história deles! Mesmo que ela não goste mais dele, eles ainda são namorados, caramba! E você tem que respeitar isso.

- E eu respeito; só acho que é uma perda de tempo!

- Que seja! O que importa não é o que você acha, Blaise. O mundo não gira em torno de seu umbigo e você sabe disso. Se estiver certo, um dia ela vai terminar com ele e aí – talvez – você terá sua chance!

- Está demorando um pouco para acontecer, não acha? – mas Draco não respondeu; ao contrário, revirou os olhos e suspirou pesadamente. – Ok, não vou discutir isso com você!

E o moreno deixou o quarto, pisando forte e batendo a porta ao sair.

- De quem vocês estavam falando? – Gina perguntou séria.

- Desde quando você está aí? – Draco indagou surpreso.

- Você não respondeu à minha pergunta.

- De uma garota de quem Zabini está gostando.

- Jura? – ela fez de forma sarcástica. – E que tem namorado, não é?

- Você deve ter ouvido o suficiente para eu não ter que responder esta pergunta. – fez o loiro. – Mas você não veio aqui para falar disso, não é?

- Certamente que não. – ela assentiu. – Eu ainda não entendo por que você dorme aqui tendo um quarto só para você. E, sendo um Malfoy, achei que fosse mais individualista.

- É o costume. E poder perturbar Blaise Zabini até altas horas não tem preço! – o loiro deu um sorriso maroto.

Ouviram vozes do lado de fora. O sorriso de Draco se desfez e ele correu até a cama puxando Gina consigo e fechando as cortinas. A porta abriu e fechou duas vezes e o quarto permaneceu em silêncio. Ele abriu uma brecha entre o cortinado e viu um gato sair pela porta. Olhou atrás de si e arregalou os olhos; ele tinha certeza, mas mesmo assim optou por certificar-se.

Correu atrás do gato pela escada até o final dela. A porta à sua frente estava entreaberta. Adentrou o quarto. A porta fechou-se às suas costas e ele sentiu ser abraçado por trás.

- Tão melhor aqui, não? – ela girou em torno dele sem tirar a mão de seu corpo, torneando-o. – Maior, mais privacidade, ninguém entrando e saindo, nenhum risco de sermos pegos, cama maior... – enumerou. – Só para nós dois.

Ela empurrou-o até a cama e sentou sobre seu quadril, uma perna de cada lado de sua cintura. Ele não sabia aonde a ruiva queria chegar, mas, embora não pudesse admitir, por dentro estava adorando.

- Querido, não tente me entender... Mulher não se entende, se obedece! – ela murmurou, como tivesse lido seus pensamentos. – E quer saber? Acho que tem muita roupa aqui.

Ela levou as mãos até os botões da camisa de Draco e começou a desabotoá-los suave e lentamente. Sorriu satisfeita ao constatar o efeito que causava no loiro, que a encarava extasiado. Terminou de abrir a camisa do namorado, deixando seu peitoral à mostra. Tirou seus próprios sapatos e as meias ¾, jogando-os à beirada da cama, no chão.

Levantou-se e saiu do alcance do loiro enquanto desabotoava a própria camisa. Andou pelo quarto de forma lenta, sentindo o olhar do namorado seguindo-a. Parou de desabotoar a camisa quando restavam apenas dois botões. Virou-se para ele e viu que este caminhava em sua direção à meia luz. A calça baixa deixava à mostra a barra de sua cueca branca e Gina não pôde deixar de notar o quão sexy ele ficava daquele jeito.

Ele alcançou-a e levou as mãos de encontro ao seu rosto, segurando-o delicadamente. Passou os primeiros instantes apenas observando-a. Gina Weasley crescera, tornara-se uma mulher maravilhosa de traços singulares, os quais ele admirava como ninguém. Com seu jeitinho de menina e os, cada vez mais marcantes, traços de mulher, ela o conquistara.

Beijou-a intensamente e tomou-a pela cintura, deixando suas mãos escorregarem para dentro da blusa quase inteiramente aberta e percorrerem suas costas. Os dedos perpassaram a barra de seu sutiã e percebendo que não havia rejeição da parte dela, tocaram tímidos e receosos a região que torneava seus seios.

Terminou de tirar a camisa dela e arrancá-la, jogando em um canto qualquer do quarto. Ainda entre beijos, guiou-a até a cama, deitando-a.

Ela deu seu melhor sorriso e esticou o braço, puxando-o. Ele, ainda em pé, cedeu. Desabotoou a calça dele, que logo se perdeu num dos cantos do quarto, assim como as outras peças. Ele aproximou-se, provocante. Gina não pensou muito antes de capturar os lábios de Draco e puxá-lo contra seu corpo. Sentir a pele dele em contato com a sua era enlouquecedor, quase uma perdição. Logo, restavam apenas as roupas íntimas.

Era uma experiência nova para ambos. Não fora planejada e o receio ainda era grande. Ver o corpo um do outro por completo parecia ser algo que seria constrangedor. Gina agora sentia certa vergonha. As mãos de Draco se detiveram antes de chegar ao fecho do sutiã branco que a ruiva usava. Ele a encarou, sério. Ela apenas assentiu silenciosamente, mesmo que apreensiva.

As mãos do rapaz tocaram seu corpo com uma leveza que a fez arrepiar-se. Ela viu-o observá-la mais atentamente antes de avançar. Sentiu seus seios serem libertos e, sem seguida, beijos serem espalhados por seu pescoço e colo. Fechou os olhos. Ouviu algo rasgar e farfalhar, silenciando em poucos segundos. No instante seguinte, a última peça que ainda cobria seu corpo fora retirada de forma lenta. Respirou fundo e prendeu a respiração.

Foi tomada novamente por Draco num novo beijo, tão intenso quanto os anteriores, e seus corpos colaram-se novamente. Sentiu um frio na barriga e depois uma dor quase imperceptível. Contorceu-se ainda presa aos lábios do namorado. Tornara-se mulher naquele instante. Era dele – e só dele.

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Despertou. Sorriu e ainda sem abrir os olhos, mexeu-se passando a mão sobre o peitoral desnudo do loiro. Era incrível como ele conseguia ser tão carinhoso e incrivelmente gentil. Ela estava deitada sobre seu peito e ele a abraçava. Somente nos braços dele conseguia desfrutar de sensações antes inimagináveis; sentir-se segura e tão vulnerável ao mesmo tempo. Queria continuar ali para sempre e pensar que isso era possível mesmo sabendo que o pra sempre poderia não existir.

Sentiu um afago nos cabelos e sorriu.

- Sabe o que eu estava pensando? – ela indagou, puxando as cobertas e segurando-as sobre o colo enquanto postava-se de bruços apoiando-se sobre os cotovelos. – Que se eu pudesse, pararia o tempo aqui e agora, só para ficar assim com você para sempre.

Draco sorriu e deu-lhe um selinho.

- Você vai. – ele respondeu. – Mas tenho tanto medo que algo possa te acontecer... É tão perigoso continuar vivendo essa aventura.

- Não é uma aventura, Draco. Não mais. Não há de quem esconder o que sentimos, que estamos juntos, que nos amamos... E eu passaria por cima de qualquer um só para poder ficar com você. – a ruiva murmurou.

- Ainda temo, mesmo assim. Minha tia é uma assassina de sangue frio, não mediria esforços para chegar até você. Ela certamente não esqueceu que me neguei a juntar-me a Voldemort e virá atrás de mim para tentar limpar e honrar o nome da família. E usá-la para atingir-me seria uma forma de me atrair para uma armadilha, seria me matar lenta e dolorosamente, da forma mais cruel possível... – ele murmurou. – Eu não saberia viver sem ter você.

- Esquece isso! Não dizem que quem teme a perda acaba por perder e que aquilo que se evita pode acontecer? Então, vamos viver e deixar que o tempo dê conta. O que será, será... – Gina pôs um ponto final na conversa. – Você não vai precisar viver sem mim, porque como você, não viveria longe de você. Eu te amo, Draco; hoje mais do que nunca.

- Eu que te amo muito, minha pequena! Muito. – Draco disse, antes de beijá-la.

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- Mione?

- Entra, Gina! – Hermione mandou ao sair do banheiro enrolada por uma toalha e com outra amarrada à cabeça.

- Ah, por isso a demora! – a ruiva jogou-se na cama da amiga.

- E você ainda faz cerimônia, não é? Por que não entrou de uma vez ao invés de ficar me chamando? – Hermione abriu o armário e escolheu uma roupa. Jogou-a na cama e virou-se para a ruiva. – Aposto que nem bate para entrar no quarto de um certo sonserino...

Gina riu e ruborizou.

- Sabe, Mione... Acho que precisamos conversar. – comentou.

- Gina, você sabe que eu não gosto deste tom. – Hermione ergueu as sobrancelhas. – O que aconteceu?

- Eu... ah, Mione! Não sei nem por onde começar...

- Posso sugerir? – Hermione brincou. – Do começo seria muito bom.

- É sério, Hermione.

- Tudo bem. O que aconteceu? Eu já tinha dado pela sua falta desde ontem à tarde e...

- É, é sobre isso que quero falar. – interrompeu. – Eu passei a noite com Draco, Mione. – despejou de uma só vez.

- Você o quê? – a morena arregalou os olhos. – Gina, você está me dizendo que vocês...

- É. É exatamente isso. – a ruiva confirmou séria, mas revirou os olhos como se finalmente tivesse feito uma criança entender algo após horas de explicação. – Nós transamos, Hermione.

Hermione deixou-se cair na cama, estupefata. Balbuciou algo sem emitir som algum. Na verdade, ela mexia os lábios e piscava os olhos freneticamente, parecendo não aceitar o que acabara de ouvir.

- E-eu... eu não sei o que dizer. – disse, por fim.

- Não precisa dizer nada. – Gina garantiu. – Eu prefiro não prolongar essa conversa, Mi. Espero que me entenda.

- Eu entendo, claro! – disse apertando com força as mãos da amiga. – Imagino que tenha sido uma coisa especial para você, que vá marcar você para o resto da vida...

- De fato. – a ruiva assentiu. – Eu o amo tanto!

- Eu sei. – Hermione deu um meio sorriso e baixou os olhos.

“Eu também o amo tanto... Queria apenas que ele não me evitasse tanto”, pensou amarga.

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Manhã de 2 de fevereiro, biblioteca.

- Sinceramente, não sei qual a utilidade que vocês vêem em Aritmancia.

- Ora, francamente, Malfoy! – Hermione murmurou enquanto pegava mais um livro e acrescentava à pilha que trazia consigo. – É uma questão de gosto. E além disso, pode servir para inúmeras coisas. Para decifrar códigos, por exemplo...

- Que tipo de códigos? – ele indagou acompanhando-a.

- Senhas, escrituras em números e muitas outras coisas. Ano passado nós ainda estávamos no primeiro estágio de aprofundamento, que é o estudo da personalidade através do nome. – Hermione apressou o passo e virou à esquina entre uma prateleira e outra.

- Como assim?

- Começou a se interessar por Aritmancia, Sr. Malfoy? – caçoou, recebendo um olhar quase mortal de Draco. – Ok, não brinco mais! – ela riu gostosamente. – Como assim? Bom, primeiramente... você sabia que se pode transformar as letras em números?

- Claro que não! – ele respondeu confuso. – Granger, você tem certeza de que não quer ajuda? – acrescentou rapidamente ao vê-la tropeçar e se equilibrar rapidamente para não cair com a enorme pilha de livros que carregava nos braços.

- Já disse que não. Que coisa mais chata! – ela revirou os olhos. – Quantas vezes vou ter que repetir que dou conta sozinha? Sei me virar, oras!

- Tudo bem, não está mais aqui quem falou! – Draco ergueu os braços no ar como estivesse sendo rendido. – Que tal andar mais devagar, então?!

- Chega, Malfoy! – Hermione bradou. – E vamos sair logo daqui antes que Madame Pince tenha um acesso raivoso e nos expulse.

- Finalmente o bom senso coroa uma decisão da Granger. – o loiro brincou e os dois deixaram a biblioteca, caminhando em direção à sala dos monitores.

- E seria ótimo se você pudesse ficar calado por ao menos um minuto.

- Por que você é tão chata?

- Acho que eu era quem deveria estar te fazendo esta pergunta, não concorda?

- Pronto! Não falo mais. – ele selou os lábios como passasse um zíper invisível.

- Um, dois...

- Ei, você fez a redação de Poções?

Hermione riu enquanto balançava a cabeça negativamente.

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À tarde, no salão do alto da torre da Grifinória

- Eu podia jurar que não viria. – Harry murmurou ao vê-la surgir por uma das portas.

- Estou de folga, você sabe. Não deixaria de vir. – ela respondeu em voz baixa enquanto se aproximava. – Que saudades! – ela o abraçou e afastou-se em seguida, mirando seus olhos verdes. Sorria. – Se Dumbledore não está aqui, jamais chegaria sem ser vista. A propósito: que lugar é este?

- Estamos na torre da Grifinória. Um salão mais reservado, digamos.

- Hum. – a morena deu uma volta em torno de si mesma a fim de visualizar o local. – Bem grande, por sinal. E é frio, também.

- Não seja por isso. – Harry estalou os dedos, fazendo a lareira e as velas se acenderem.

Ela novamente encarou-o.

- Eu já havia sentido traços de tristeza e confusão em seu tom e sua expressão, seus olhos, mas eles estão ainda mais aparentes quando é possível ver seu rosto claramente. – ela comentou, tocando o rosto do moreno e observando-o com atenção. – O que está acontecendo, hã? Por que está tão diferente desde a última vez que nos vimos?

- É uma longa história.

- E eu tenho todo o tempo do mundo para ouvi-la. – ela rebateu decidida. – Faria o possível e o impossível para te ajudar. Tudo o que eu não quero é te ver assim. Pare um pouco e só comece quando achar que está pronto.

O silêncio se estendeu por alguns instantes. A morena observou-o respirar fundo e soltar um suspiro cansado antes de baixar os olhos e procurar fôlego e coragem para começar.

- Amy, há quase um mês atrás, eu recebi esta foto. – ele entregou-a a garota. – E, como pode ver, aparentemente, ela vem de Voldemort.

- Harry, eu não... – ela sufocou um grito de horror. – Aparentemente? Ela com certeza vem de Voldemort. Quem mais cometeria uma barbaridade dessas e teria a coragem de enviar uma foto? É tão... – ela abriu e fechou a boca repetidas vezes à procura de palavras. – Sujo.

- Olhe atrás. – o moreno murmurou rouco.

- Você acha que... não, Harry. É um blefe, lógico!

- Foi o que Dumbledore disse. Mas... eu não sei. – ele desabafou. – Temo por Hermione.

- Ela sabe?

- Não.

- Como eu imaginava! – Amy revirou os olhos. – E o que você vai fazer? Não pode simplesmente ignorar o fato de que ele pode, sim, estar sabendo sobre vocês, mas ignorar o direito que ela tem de saber é um erro, Harry! Ela precisa tomar conhecimento disso.

- Amy, eu e Hermione mal nos falamos ultimamente.

- Não me diga que vocês terminaram...

- Não, não é isso.

- Então a coisa está muito pior do que eu imagino!

- Amy, deixa eu falar?!

- Tudo bem. Continue. – ela assentiu.

- Eu tenho evitado Hermione, principalmente porque no fim ela sempre quer saber o que está acontecendo. No dia que recebi essa foto, eu acho que estava tão preocupado que acabei pegando pesado e jogando todos os conselhos que Dumbledore tinha me dado pelo ralo. E ele pediu tanto que eu agisse com naturalidade, que procurasse a melhor forma de levar essa situação adiante sem machucá-la... – ele despejou. – E eu fiz tudo errado! Desde o dia que eu recebi essa carta eu só tenho pensado e pensado em mil e uma maneiras de encarar tudo o que está acontecendo, mas não consigo encontrar uma resposta.

- Eu temo que você pense muito e acabe tomando a decisão errada, Harry. Pensa com o coração e vê o que é melhor para vocês. O que não pode é você ficar achando que ela é indefesa, que você tem que fazer de tudo para não se sentir culpado depois... É melhor não fazer algo que o faça se sentir culpado antes. – aconselhou.

- E o que eu faço?

- Pensa. Pensa nisso que eu te disse e cuidado para não fazer uma besteira.

- Não vou mentir; você só conseguiu me colocar ainda mais confuso. – Harry riu nervosamente.

- Você vai me entender.

- Eu gosto tanto de você, AT! Obrigado por tudo, ok?

- Que nada! Sabe que pode contar comigo para tudo. É só chamar! – ela deu-lhe um beijo no rosto e abraçou-o. – Eu vou ver minha mãe. Eu ainda tenho que ir para Godric’s Hollow.

- Tudo bem, então.

- Se cuida, maninho. E vê se não esquece de mim, hein? – brincou.

- Nunca! Isso nunca. Seria impossível!

Amy riu e sumiu pela porta pela qual viera. Ele deixou-se cair numa poltrona.

“É melhor não fazer algo que o faça se sentir culpado antes”. A frase não parava de ecoar em sua cabeça. O que Amy queria dizer com aquilo?

---


Bateu à porta.

- Entre. – ouviu uma voz abafada além da porta.

- Com licença. Será que a monitora-chefe teria um tempinho para receber uma ex-aluna?

- Amy! – Hermione se levantou e correu para a porta, abraçando a amiga. – Quanto tempo! Como você está? E o Aaron?

- Bem. Estamos todos bem.

- E para quando é o casamento?

- Janeiro do ano que vem. – respondeu.

- Espero estar aqui ainda. – Hermione murmurou deixando uma nota de tristeza transparecer em sua voz.

- Também gostaria muito que estivesse. Pensei que nunca fosse dizer isso, mas... Eu vou torcer com todas as minhas forças para que Voldemort ainda esteja entre nós até lá.

- Não precisa ser tão radical, Amy.

- E você? Já contou a ele?

- O que você acha? – Hermione indagou.

- Todos temos segredos, Herms. É normal. – Amy replicou. – E como vocês estão?

Hermione deu um meio sorriso.

- De mal a pior. – respondeu quase rindo.

- Rindo para não chorar, não é?

- Basicamente isso. – a morena suspirou. – Eu queria apenas que ele falasse, sabe? Será que é pedir muito? Apenas que fale, que me conte o que está acontecendo...

- Eu te entendo, amiga. Mas talvez ele não esteja vendo as coisas como você. Por que não o procura?

- Porque estou farta de correr atrás dele e ser evitada, deixada para trás com palavras curtas e vazias. Talvez ele não queira mesmo me falar e por isso foge.

- Esquece isso. Vocês vão se acertar. É só uma crise; acontece!

- Tudo para você é tão normal que chega a me assustar.

- Você vai ver que estou certa. No fim, tudo fica bem. Se não está bem, é porque não chegou ao fim.

- O que eu posso te dizer? – Hermione riu. – Você conseguiu me desarmar!

- É verdade, Herms. Acredite.

- Eu espero.

---


À noite...

Ela adentrou o salão comunal com um ar leve como não tinha há dias. Subiu as escadas lentamente e foi parada pouco depois da metade. Estava à porta do dormitório masculino.

- Nós precisamos conversar. – Harry foi bem direto.

“Finalmente! Achava que não diria isso nunca”, Hermione pensou.

- E precisa ser agora. – ele finalizou puxando-a para cima.

Foram para o quarto dela.

- O que aconteceu? – ela indagou, já no quarto.

- Acho melhor você se sentar. – ele aconselhou.

- O que aconteceu? – ela insistiu.

- Hermione, já há algum tempo tenho me questionado uma série de coisas e eu cheguei à conclusão de que nós precisamos de um tempo. Um tempo para nós dois, separados. – sabia que poderia não ser a melhor decisão, mas ele queria protegê-la de alguma forma e fora a mais apropriada que encontrara.

- Como é? Do que você está falando? Por quê? – ela disparou.

- Entenda! Não é você; sou eu. Eu não quero te machucar mais do que já tenho machucado. Não é justo com você.

- Por que, Harry? Por quê? – Hermione desesperou-se. Seus olhos marejavam.

- Eu só acho que... se é para continuar da forma que estamos, melhor não continuar. Sei o quanto deve estar sofrendo com a minha ausência e o meu silêncio, mas eu não queria te magoar. De forma alguma! Era a última coisa que queria nesse mundo. Pode ser que sofra com a separação, mas é o melhor para nós dois. Principalmente para você. – doía dizer tudo aquilo e ver a expressão que se formava no rosto da namorada, mas era necessário e ele convencera-se disso.

- E o que você espera que eu faça? Que aceite, assim, tão facilmente? – ela fez. – Harry, será que não percebe que se me deixar eu vou sofrer tanto quanto se continuarmos? Eu não sei o que será de mim sem você... não me imagino sem você...

- Você não vai ficar sem mim, Hermione. Eu sou seu amigo; sempre serei, independentemente de qualquer coisa. O que vivemos foi maravilhoso e não creio que venha a fragilizar nossa amizade, que vem de muito antes de ficarmos juntos.

- Eu não quero apenas a sua amizade, Harry. Mas se é apenas ela que eu posso tê-la...

- Eu ainda gosto muito de você, Mione. – foi tudo o que ele disse antes de deixar o quarto.

Hermione ficou encarando a porta fechada por vários minutos. As lágrimas rolaram finalmente pelo seu rosto. Como ele pudera fazer aquilo com ela? Levou as mãos até o rosto e chorou. Deixou-se cair na cama e encolheu-se como uma criança, chorando como nunca havia chorado antes. Sentia o peito arfar, subindo e descendo a cada soluçada. Era loucura, só podia ser...

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