Capítulo X 
Perché ora non c'è Porque não tenho mais Quel tuo sorriso al mattino per me? Aquele seu sorriso de manhã, pra mim? Perché non mi dai più Por que não me dá mais Niente di te? Nada de você? Sirius virou para a porta no momento em que ouviu o trinco em forma de serpente se mover. Esperando ver os olhos brilhantes e penetrantes de Belatriz, quem sabe essa madrugada límpidos de lágrima e dor. Ao invés disso, percebeu com certa frustração que encontrava novamente os olhos bondosos e amendoados de Andrômeda, que no momento possuíam um certo brilho de apreensão. -- Ela não quer vir, Sirius. Quando descobriu que eu a estava levando para conversar com você, entrou em um quarto e se trancou lá. Não levei a varinha. É o quinto quarto da esquerda... – ela observou enquanto o homem colocava um dos roupões negros encontrados no armário. Ele foi até ela, e segurou-a pelos ombros, as mãos não tremiam mais. -- Andie, Belatriz descobriu que você está grávida, foi assim que toda essa confusão se iniciou. Andrômeda abriu os lábios, mas som nenhum saiu de sua boca. Ela encarou-o, sem deixar de perceber que o primo estava em frangalhos e ainda assim, só se preocupava com ela, com os outros. As pessoas queridas primeiro, sempre fora assim com Sirius Black. -- Sirius, pelo amor de Deus, deixe disso. Não vai fazer diferença, vou embora com Ted, ela... – Andrômeda colocou-se na ponta dos pés e plantou um beijo na bochecha do primo. – Por Merlin, pare de se preocupar com os outros, preocupe-se com você. Sei que tem muito há falar pra ela. -- Tenho. Mas você vai ter essa criança, Andie. E a família dessa vez, não vai impedir. Ele inclinou-se, beijou a testa da prima. E saiu do quarto. ________________________________________________________________________________ Olhava para o céu, visto através de uma enorme janela aberta. O vento despenteava levemente os seus cabelos. Os braços ao redor do próprio corpo, apertando as mangas de seda esvoaçante do robe cor de vinho. Tentando proteger-se de si mesma, de todos eles, de Sirius. Ela fechou os olhos quando ouviu a porta ser aberta e em seguida, fechar silenciosamente. Virou-se lentamente, temendo levemente a iluminação leve cedida pelas velas. Não foi o roupão negro que a fez perder o fôlego. Bela já sabia que ele tinha um corpo capaz de fazer o coração de qualquer mulher parar de bater, não importa o que ele vestisse... ou não vestisse. Seus cabelos balançavam de leve, tão pretos quanto o céu lá fora. Sirius tinha um físico admirável, transpirava poder e frieza, olhos mais cinzentos do que nuvens escuras, a boca moldada para sussurrar poesia, dar ordens e levar uma mulher a loucura. E ele penetrara em suas defesas, destrancara o seu coração e a conquistara bobamente. E ainda conseguia deixá-la perturbada. Belatriz o considerava o primeiro e único milagre da sua vida. -- Bela... – a voz grava dele interrompeu o silencio do quarto. Ela observou enquanto ele colocava o candelabro que trouxera sobre a mesinha de canto. -- Não comece, Sirius. Eu não quero ouvir nada do que você tem a dizer, nada. Ele suspirou, escorando-se no dossel da cama e encarando-a. Seus olhos eram frios e não demonstravam nada. Impenetráveis, sinistros. -- Eu não estou aqui para conversar sobre nós, nem sobre o que você fez. Antes que ele pudesse continuar, Belatriz interrompeu. -- Foi melhor. Estamos melhor assim. Nós nunca daremos certo, Sirius. Nunca. Esse assunto já foi decidido, e não por nós. -- Mas o de Andrômeda ainda não. Ele pôde ver pela expressão no rosto dela, de que ela não esperava aquilo. -- Me fez lembrar de tudo só para defende-la não é? – a voz dela começou a ficar trêmula de raiva e revolta. – Não me admira nada. Alias, não ficaria surpresa se você já soubesse de tudo! E isso fosse apenas um plano seu! Ele percebeu que a qualquer momento ela iria começar a gritar, arriscou aproximar-se um passo, assustado com o fato de aquela mulher tão fria estar demonstrando tanta emoção. -- Não, Belatriz. – ela quase sentiu uma insana pontada de medo quando os olhos dele faiscaram de raiva. – E eu não admito que você fale assim. – completou, enquanto agarrava-a fortemente pelo braço, sem se preocupar com a delicadeza. – Eu quero que você entenda o que pode acontecer com ela caso conte aos seus pais. Droga Belatriz! Você sabe muito bem o que foi, melhor que eu...melhor do que qualquer pessoa você sabe o que a Andrômeda vai passar caso abra a sua maldita boca. A morena estreitou os olhos, em expressão de desafio. -- Males são necessários. – completou, enquanto puxava o braço, soltando-se do aperto do jovem. --Sua irmã tem direito a decidir sozinha. -Não é bem assim, tudo sempre pareceu muito simples pra você, Sirius. Um simples problema, e como você resolvia? Fugia de casa. Essa sempre foi sua resolução. Não é tão simples. – mesmo sabendo que ele ficaria extremamente irritado, completou: -- Nosso nome está em jogo aqui. -- Não consigo acreditar que você está pensando no nome. – os olhos brilharam, mais prateados que nunca. Não mais frios, agora flamejantes com a raiva. -- Depois de tudo, você ainda pensa nessa merda. Pro Diabo com o nome Belatriz! Você já deixou que eles matassem o meu filho por conta disso! Não se atreva a fazer isso com a sua irmã também. Ela foi na direção dele até os seus pés se encostarem. Virou o rosto para cima, encarando-o nos olhos. -- Olhe dentro dos meus olhos e me diga, você ainda me acha confiável? -- Não. – respondeu. -- Ótimo. Estamos de acordo. – seu queixo se elevou e o dedo indicador começou a cutucar o peito dele. – Eu vou pensar no seu caso, e pode ser que eu não dedure a porcaria da sua amada priminha. Agora escute aqui, eu lamento se você queria ter um filho comigo. Eu não nasci para ser mãe, principalmente se for de um filho seu. Você é a desgraça ambulante, Sirius. Eu estou noiva. E eu sou uma comensal. Ou futura comensal. Acostume-se. Ele chegou a abrir a boca para responder, e um monte de palavras cruéis e furiosas lhe chegou à ponta da língua. Foi o brilho frio e absolutamente confiante nos olhos dela que o impediu. Merlin, como a amava. E ali, descobriu que tudo estava acabado. Belatriz tinha escolhido. Escolhera o Mal, caminho que ele não poderia seguir, sem sequer ser dar ao luxo de ter qualquer contato. Ela se transformara em tudo o que ele mais detestava na vida. Ele se virou e bateu com os dois punhos na mesa, dizendo: -- Não dou à mínima para o que você acha. Não dou à mínima se você acha que tem ou não razão. Vá se vender a Lestrange, é a única coisa que você sabe fazer mesmo. -- É o que eu fiz. – ela ergueu a mão alva á altura dos olhos dele, mostrando a aliança de noivado em seu dedo. -- O que te fez mudar de idéia? – sussurrou ele. – Você queria o bebê, você queria um filho meu, queria um filho da desgraça ambulante, Andrômeda me contou. Ela revirou os olhos, parecendo cansada. -- Pelo amor de Merlin, eu tinha dezesseis anos. -- E daí? – desafiou. – Eu te amava desesperadamente com dezesseis anos. -- Éramos crianças, eu não sabia o que queria. Estava gostando do prazer que você me proporcionava. Eu tenho que agradecer pelo que fizeram. Se eu tivesse aquela criança, estaria acabada. Ele virou-se de costas, finalmente se distanciando enquanto colocava as mãos nos próprios cabelos, pousando-as na nuca, num gesto febril. -- E não é isso que você está, acabada? -- Eu estou poderosa. Eu tenho poder sobre todos. – ela encarava as costas dele, no exato ponto onde ela sabia que estava a tatuagem. – O que mais eu posso querer? -- Tem razão. – ele virou-se, encarando-a friamente. – Não sei. Você não é humana. Enganei-me duas vezes sobre você. – ele riu de leve, parecendo abismado. – Você vai se arrepender, Belatriz. Diga olhando nos meus olhos que você não me ama. -- Algumas pessoas têm o poder de amar. E outras, decidem amar o poder. Ele encarou-o, enojado mas sem deixar de notar que ela não respondera a sua pergunta. -- Teríamos sido felizes juntos. Se você não tivesse se destruindo. Se você não tivesse se tornando esse nada que você é. Vazia, como antes. – ele fechou os olhos por uns instantes, em seguida abrindo-os e falando: -- Eu vou embora amanhã, se você mudar de idéia, e quiser partir comigo, me procure. Dentro do seu coração que você insiste em manter gelado, eu sei que há amor. Eu sei. Encarou-a de cima a baixo uma ultima vez, e saiu do quarto. Belatriz levou à mão a boca, reprimindo um soluço. Ela era apaixonada por ele. E era a segunda vez que tinha que vê-lo partindo da sua vida, e agora ela sabia que era para sempre. Sentou-se no chão, respirando pesadamente. Perguntando-se se de fato, teria feito a escolha certa. Violentamente, enxugou as lágrimas. Ergueu-se rapidamente, respirando fundo algumas vezes. Recompondo-se. Virou-se assustada em direção a porta quando ela abriu-se violentamente, fechando-se em seguida. Entreabriu os lábios, surpresa quando encontrou Sirius com olhos. Ele não falou nada, caminhou decidido em sua direção e puxou-a pela nuca, grudando os lábios. Ela sentiu que era uma despedida. Aceitou ter aquilo pela ultima vez. Beijavam-se do jeito deles, ora violentos, ora doces. Ainda sem nada falar, Sirius empurrou-a violentamente contra uma das colunas de madeira da cama. Ela pôde perceber que ele estava com raiva, ódio contido. Ódio dela. Ódio e desejo, era engraçado como esses dois sentimentos se mesclavam com facilidade. Ele arrancou-lhe o robe e puxou sem delicadeza a barra de sua camisola. Ela não fez objeção, mesmo que a textura da madeira pressionada contra suas costas fosse dolorosa. Dor. Ele era a causa dela de várias maneiras, no corpo, na mente e no coração. Ergueu os braços enquanto ele a erguia do chão. Enlaçou as pernas pela cintura dele enquanto segurava firmemente seu pescoço. Olhos abertos, encarando-se. Belatriz respirava com dificuldade, pois o ar que saía de sua boca misturava-se com o de Sirius. Os lábios quase encostados, emitiam gemidos surdos. A única sincronização perfeita vinha de seus corações. Nada de palavras. - Não chore. – ele falou ao notar Belatriz contorcer o rosto numa expressão de dor. Engoliu seco em resposta, e uma lágrima escapou de seus olhos, quente. Sabia que aquilo era uma despedida, para ambos. Apertou o pescoço de Sirius quanto sentiu seu corpo enfraquecer. Descansou o rosto no ombro dele. - Não chore. – ele falou novamente. Nenhum dos dois tinha certeza se ele pedia ou mandava, porque metade dele acreditava que ela não tinha o direito de chorar depois de tudo o que fez. Permaneceu segurando-a por alguns segundos, enquanto a respiração se acalmava, então largou-a, encarando-a. -- Espero sua decisão amanha, Belatriz. – disse, embora já soubesse qual seria a decisão tomada pela mulher. Em seguida, saiu do quarto. Sem olhar para trás. Eram Belatriz e Sirius Black. Novamente nos braços um do outro, naquela noite. Última noite. E nunca mais. ________________________________________________________________________________ A chuva caia, insistente e fria, típica de uma manhã de final de Novembro. -- Mas que pena, Siriuszinho! Estava contando com sua presença até o final da semana! Esse seu trabalho não lhe da folga, não é? Mas é o que eu digo, é um absurdo um neto meu trabalhar. Como se precisasse de dinheiro sendo um Black! – exclamou Irma, pelo que pareceu a décima vez. Ele não dormira a noite toda, pensando se tinha alguma possibilidade de Belatriz mudar de idéia. E quando finalmente amanhecera, ele se vestira, pegara tudo o que lhe pertencia, e agora conversava com a avó, no saguão de entrada. -- É, vó. É um trabalho duro. Mas eu gosto de me sustentar sozinho. Nunca pedi pra ser um Black, afinal. – ele riu sarcasticamente, soltando a conhecida risada mais parecida com um latido. - -Ora, sendo assim. Já que você tem mesmo que ir, adeus meu querido! É uma pena que esses vagabundos não se dignem a sair da cama antes da hora do almoço, terá que ir sem se despedir. -- Era isso que eu esperava, vó. Por que acha que estou saindo tão cedo? – comentou, divertido. Irma Black lançou-lhe um olhar enregelante e acenou quando o jovem passou pelas enormes portas de carvalho. Sirius viu-se novamente nos jardins enormes da mansão, lembrando que era a ultima vez que pisaria ali. Suspirou pesadamente e passou a mão pelos cabelos, ajustando melhor a jaqueta de couro contra o corpo. A chuva rapidamente molhou-o, deixando-o levemente com frio. Ele subiu na enorme moto, sentindo um gostoso ar de familiaridade. Conduziu-a até o portão do estacionamento. Sem saber por que o fez, varreu o enorme terreno com os olhos, uma ultima vez. E então, seu coração bateu forte duas vezes e em seguida, pareceu parar. Belatriz corria pelo gramado, o vestido azul marinho grudado a pele, os cabelos desenvoltos e rebeldes, a chuva escorrendo dela toda. Ele a viu parar a alguns metros de distancia, sentia seus olhos nele. Então, ela ergueu o braço e acenou. Ele entendeu, aquilo era uma despedida. Sorriu nostálgico, era absurdo. Desde os dezesseis anos ele sabia que aquilo não daria certo, simplesmente teimava consigo mesmo, com o destino, acreditando que poderia mudar alguma coisa. Subiu na moto, sentindo os cabelos já totalmente encharcados grudarem na nuca. As gotas escorriam pela sua jaqueta, parecidas com lágrimas. Ele apertou os lábios e partiu, olhando para trás apenas uma única vez, quando já estava no alto. E nessa vez, ele podia jurar que viu a mulher jogando-lhe um beijo, mas só podia ser uma imagem projetada pela sua mente... No chão, lágrimas e água da chuva misturavam-se no rosto alvo de Belatriz. Estava com o coração aos pés, sem fazer absolutamente nada, observando o homem que amara por tanto tempo ir embora, dessa vez para sempre. ________________________________________________________________________________
Se eu soubesse que essa seria a última vez que eu veria você dormir, eu aconchegaria você mais apertado, e rogaria aos céus que protegessem você. Se eu soubesse que essa seria a última vez que veria você sair pela porta, eu abraçaria, beijaria você, e chamaria de volta, para abraçar e beijar uma vez mais. Se eu soubesse que essa seria a última vez que ouviria sua voz, eu filmaria cada gesto, cada palavra sua, para que eu pudesse ver e ouvir de novo e de novo, dia após dia. Se eu soubesse que essa seria a última vez, eu gastaria um minuto extra ou dois, para parar e dizer: EU TE AMO. Ao invés de assumir que você já sabe disso...
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N/A: Certo, ficou triste. Odeio ter que fazer isso com esses dois. Ai, ai. Deus sabe como por mim eu os mantinha juntos para toda a eternidade. Mas então pessoal, o Epílogo é o próximo e estou encerrando a fic. Adorei o que fiz com ela e que bom que vocês pareceram gostar também.
Nandinhah Evans Potter : Oi, guria! Que bom que você ta gostando, sério mesmo. É muito bom ler isso. Sim, no final das contas a conversa deles foi mesmo decisiva. E pois é, tenho certeza que ninguém esperava essa reação da Bela, nem eu esperava né. Mas decidi fazer uma coisa diferente assim, porque por mais que ela fosse fria, era uma mulher apaixonada. Então, fiz uma coisa diferente. Sem mais delongas, espero que tenha gostado desse capítulo. C: Nadia Ayad: Oi! Tadinha né, me partiu o coração escrever o IX mesmo. Mas, pelo menos você estava acompanhando e gostando! Isso que importa. Hahahah. Mas obrigada por começar a usar os comentários, assim eu sei o que você ta achando :D E espero que tenha gostado do X. beeeijo! deiamd: Poxa vida, moça! Obrigada! *-* Fico muuito lisonjeada e feliz. Uma das melhores fics B²? Aiii, puxa vida! Tem muita B² boa por aí! Fico feliz meeesmo que você esteja gostando. Obrigada! Espero que tenha gostado do X. Lúh Lupin: Luziinha! Não gosto de fazer vocês sofrerem não, porque eu também sofro. Hahahaha. :/ Gosto muuuito do fato de eu ter feito voce gostar de B², mesmo mesmo. Me sinto honrada! *-* hahahaha. Sem muito o que falar, já que a gente vive falando pelo orkut. Hahahaha. Beeeijo querida! Nanda Potter: Ah, realmente. Eu pirei bonito nessa de ela ser a vitima né, porque não da pra imaginar Belatriz sendo vitima. Mas acho que nesse capitulo voce ficou meio com raiva dela por ela não ter feito nada pro Sirius ficar, fugido com ele ou seila. E pois é, te entendo guria porque eu também choro escrevendo tão triste esses dois :/ Bom, receio que não ficou tudo bem. Hahaha. Mas tem mais coisa pra acontecer ainda, aguarde. ;D ah, e meu deus fico muito feliz, voce também começou a gostar de B² graças a minha fic. Meu deus, fico MUUUUITO realizada. Hahahahaha. E os marotos, ain gosto muito deles, e to tão elrda na minha fic deles :/ mas vamos devagar e com fé. Hahahaha. É isso aí então. Beeijos! Minhas queridas, obrigada pela força, sempre! Adoro vocês. Beijos e até o próximo capitulo!