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12. Meu amor


Fic: A noiva


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPÍTULO DOZE

O rumor da notável habilidade de lady Potter para curar correu pelas Terras Altas como um incêndio. Contudo, o relato da cura de Carlos não se exagerou, pois a verdade era bastante impressionante e era desnecessário enfeitá-la. O relato sempre começava da mesma maneira. Dizia-se que o guerreiro Potter acabava de receber os últimos sacramentos e que estava a um passo da morte. Aquele começo conquistava o grau de assombro que o narrador poderia desejar.
Os membros dos clãs que assistiam o festival anual da primavera no feudo de Gillebrid se inteiraram das notícias menos de um dia depois de saber que Carlos estava morto. Lydia Louise, a irmã caçula e única parente de Carlos além de Elizabeth, estava atônita. Primeiro, chorou com genuína angústia pela morte do irmão, e logo, com intenso alívio por sua milagrosa recuperação. Por volta do final desse dia interminável, a confusa mulher teve que receber uma boa dose de vinho espesso e a obrigaram a meter-se na cama.
Nenhum membro do clã McPherson assistiu ao festival.
O filho único do chefe, um bebê de apenas três meses, estava tão doente que todo o clã pensou que morreria. O menino, por causa de uma veia de obstinação herdada de seu pai, tinha adquirido de repente uma intensa rejeição ao leite da mãe. Cada vez que se alimentava, vomitava com tal violência que em pouco tempo se enfraqueceu a ponto de não poder mamar.
O senhor McPherson saiu para procurar distração em seus aprazíveis bosques para essa tristeza insondável. Chorou como um menino, pois estava convencido de que ao retornar ao lar teria que enterrar seu filho.
Os Ferguson se uniram aos McPherson contra os McCoy, odiados inimigos, e esse conflito existia há tantos anos, que ninguém recordava o começo. Por outro lado, os Potter eram aliados dos McCoy desde em que um guerreiro McCoy tirou um menino Potter do rio em que estava afogando-se e, em conseqüência, a honra obrigou os Potter a apoiar os McCoy contra os McPherson.
Não obstante, quando lady Cecily McPherson se inteirou da habilidade curativa de lady Potter, esqueceu todas as leis das Terras Altas.
Para salvar seu filho, Cecily McPherson teria sido capaz de pactuar com o próprio diabo. Sem dizer a ninguém, levou o menino ao feudo Ferguson e suplicou o apoio de lady Ferguson. Hermione escutou com simpatia as súplicas da pobre mulher, e como Rony ainda estava ausente, ocupado na busca aos atacantes de Carlos, não precisou pedir permissão; imediatamente, levou-a e ao pequeno até Gina.
Claro que todos os soldados Potter sabiam de quem era a criança, pois nas montanhas todos conheciam os problemas dos outros. Entretanto, nenhum deles informou à senhora de que na verdade estava atendendo o filho de um inimigo. Supuseram que não se importaria. Afinal contas, lady Potter era inglesa e ignorava os conflitos existentes na Escócia. Por outro lado, era mulher, e o instinto maternal sem dúvida seria um impulso mais forte para ela do que a guerra. Mais ainda, era muito gentil para compreender um conflito, e pela maneira em que insistiu em curar Carlos até contra a resistência de Harry, demonstrara que era muito obstinada para desistir.
Mas Bill sabia o que aconteceria se o menino morresse em terras dos Potter e depois de dar uma olhada no pobre menino se convenceu de que a guerra era inevitável. Ordenou às tropas que se preparassem para a batalha, enviou dois mensageiros em busca de Harry, e esperou o ataque dos McPherson.
Quatro dias depois, quando um exército completo do McPherson apareceu para exigir o corpo para sepultá-lo, o menininho estava gordo e saudável.
Bill só permitiu a entrada do senhor e de outros dois homens, e com Sirius a seu lado, esperou-os nos degraus de entrada ao castelo.
Quando ouviu os gritos que vinham do pátio, Gina acabava de fazer o bebê dormir sobre a cama de Harry. Correu para fora, para ver a que se devia a comoção, mas se deteve de repente no topo dos degraus quando viu três soldados de aspecto feroz montados a cavalo. Imediatamente soube que não eram soldados Potter, pois o manto de cor escura era completamente diferente.
—Não irei sem meu morto —bramou o homem sólido do centro—. E quando voltar, haverá sangue Potter manchando os muros.
—Bill, alguém morreu? —perguntou Gina.
O segundo comandante respondeu sem se voltar, e Gina pensou que não queria perder os intrusos de vista. Não o culpava, pois os estranhos pareciam ser o tipo de sujeitos capazes de golpear um homem pelas costas.
—O senhor McPherson veio reclamar seu filho.
O tom furioso de Bill assustou Gina; percebeu a tensão no ar, e então viu que os três estranhos a olhavam carrancudos. A áspera atitude a impulsionou a endireitar os ombros.
— Essa é a mulher do Potter? —vociferou o homem que estava no meio.
—Sim —respondeu Bill.
—Então, ela foi quem roubou meu filho.
Por acaso o lorde tinha que gritar daquele jeito? Gina não podia acreditar que ele fosse o pai de um garotinho tão doce. O líder era um homem maduro, de sobrancelhas tão espessas que escondia quase por inteiro os olhos escuros. Gina pensou que devia cheirar tão mal como parecia.
Sirius se voltou para Gina, mas o semblante do homem não dava o menor indício do que pensava.
—Vá procurar o menino —ordenou.
— Depressa, mulher!
Gina acabava de encaminhar-se para o castelo quando o senhor vociferou a ordem. Deteve-se, voltou-se com lentidão e o olhou outra vez.
—Não tenho pressa —disse.
—Quero meu morto.
Gina acreditou que ficaria meio surda para sempre, pois esse sujeito hostil rugia como um urso ferido. Tentou conter a ira. “Acha que o filho está morto, e a tristeza o faz esquecer as boas maneiras”, disse para si mesma.
Fez-se silêncio até que Gina saiu outra vez com o garotinho adormecido nos braços. O bebê estava totalmente coberto por uma manta grossa de lã que o protegia do vento gelado.
O rosto do velho senhor não demonstrou nenhuma reação. Gina se aproximou do homem e descobriu o rostinho do menino.
—Dê-me isso!
—Pare de gritar agora mesmo —ordenou Gina em voz alta—. Se acordar o menino depois de todo o trabalho que me deu fazê-lo dormir, ele armará um bom escândalo e você terá que suportá-lo fui clara?
— O que?
—Acabo de pedir para não gritar! —repetiu, quase gritando ela também. Arrependeu-se imediatamente, pois o menino abriu os olhos e começou a mexer-se. Gina sorriu para o menino e logo dirigiu ao pai um olhar severo.
Não viu a expressão atônita do pai ao comprovar que seu filho se movia.
—Viu o que fez? Seus gritos perturbaram o pequeno —murmurou Gina. Apoiou o garotinho sobre o ombro e começou a lhe dar tapinhas nas costas. Imediatamente, o menino lançou um sonoro arroto—. Muito bem, pequeno — cantarolou, dando um beijo breve na cabecinha careca.
Endureceu a expressão ao voltar o rosto para o pai.
— Quando entenderei por que Deus o abençoou com um menino tão adorável?! O pequeno acaba de receber o almoço, se você o inquietar é provável que vomite.
O líder não respondeu os comentários de Gina e esta, impaciente, entregou-lhe o menino. Viu que as mãos do homem tremiam ao segurar seu filhinho.
—Antes que vá tenho que lhe dar certas instruções —disse Gina.
Durante um longo momento, o velho guerreiro não disse uma só palavra e permaneceu contemplando seu filho com a cabeça inclinada enquanto tentava se recuperar. Nesse momento não podia manifestar sua alegria, pois isso enfraqueceria sua posição ante os Potter, mas era tão difícil conter-se que seus olhos quase saíam das órbitas. O garotinho lançou outro arroto no meio do silêncio e sorriu com doçura, como se soubesse que o debate interior do pai era uma prova de resistência.
—Não está morto.
—Se você continuar gritando, o matará de susto —afirmou Gina—. E agora, peço que preste atenção em mim, senhor. Dirá a sua esposa que só o alimente com leite de cabra.
—Não o farei.
Gina reagiu como se um raio a tivesse fulminado. Antes que o guerreiro pudesse fazer qualquer coisa, arrebatou-lhe o menininho dos braços, estreitou-o contra o peito e começou a passear com ele junto ao cavalo do pai.
—Nesse caso, Mcpherson, pode ir sem seu filho. Não deixarei que o mate com sua ignorância. Volte quando o menino for grande o bastante para poder sobreviver sozinho.
Os olhos do guerreiro se abriram atônitos. Olhou para Bill, e depois outra vez para lady Potter.
—Dê-me a criança —O guerreiro vociferava novamente.
—Antes, terá que me prometer que só o alimentará com leite de cabra.
—Tomará o leite de sua mãe, mulher.
—Não tolera o leite da mãe.
—Por acaso quer ofender minha esposa?
Gina desejou ter força para golpeá-lo, para ver se adquiria um pouco de bom senso.
—Estou dizendo o que é deve fazer para manter o menino com vida—gritou—. Não suportarei mais descomposturas. —Aproximou-se do pai até ficar a escassos centímetros do joelho do homem, e disse—: Prometa.
Ficou satisfeita ao ver que o homem concordava bruscamente. Devolveu-lhe o menino e se encaminhou para Bill e Sirius.
—Você é o homem mais ingrato que já conheci —murmurou.
— Ingrato? —O guerreiro voltava a vociferar.
Gina deu meia volta, com as mãos nos quadris, e lançou ao guerreiro um olhar incendiário.
— Sim, ingrato! —exclamou-——. Em vez de gritar comigo, teria que me demonstrar seu agradecimento, McPherson.
Uma vez mais, os olhos do senhor se converteram em duas ranhuras, e Gina soube que tinha ferido o orgulho do homem, embora não tivesse idéia do motivo.
—Quero que se desculpe por ter tirado meu filho de minha casa —bramou o homem—. Se não obtiver o que exijo, haverá uma guerra.
— O que você precisa é um bom chute no traseiro, bode velho! —gritou Gina—. E se não se mostrar respeitoso comigo, é o que conseguirá!
—Você roubou meu filho.
Gina não podia acreditar na estupidez daquele sujeito e, ao que parecia, o cavalo era tão teimoso quanto o dono. Assim que o ancião libertou as rédeas, o animal tentou morder Gina no ombro e McPherson não tentava controlar ao cavalo mais que a seu próprio temperamento.
— Você se desculpará! —rugiu.
Antes de responder, Gina deu uma palmada no cavalo para afastá-lo.
— Atreve-se a me pedir que me desculpe? Eu não roubei seu filho, e você sabe. Pode sentar-se para esperar até que apodreça, mas não lhe pedirei perdão.
O menino começou a chorar, e Gina se desconcentrou.
—Leve a menino para casa e para sua mamãe! —ordenou—. E não se atreva a voltar as terras Potter até que tenha aprendido boas maneiras!
O líder pareceu disposto a agredi-la e, para não o fazer, soltou as rédeas. Imediatamente, o cavalo quis morder outra vez o ombro de Gina. A jovem lhe deu uma palmada mais forte.
McPherson rugiu.
— Ela bateu no meu cavalo! —gritou—. Todos viram! A mulher do Potter bateu no meu cavalo! Mulher, uma coisa é insultar à esposa, mas golpear o cavalo...!
— Pelo amor de Deus! —interrompeu-o Gina—. Vá embora já, ou baterei em você!
Quando o soldado à esquerda do guerreiro fez menção de tirar a espada, Gina tirou a adaga da bainha que levava na cintura. Girou para o soldado, fez pontaria e disse:
—Se não tirar a mão da arma, cravarei a adaga em seu pescoço antes que respire outra vez! E quando eu provoco uma ferida — desafiou— não a trato!
O soldado hesitou um instante e logo obedeceu. Gina assentiu.
— Agora, fora de minhas terras! —ordenou, enquanto guardava a arma.
De súbito, sentiu-se exausta. Fazia muito tempo que não se enfurecia daquele jeito. Estava um tanto envergonhada de sua própria conduta, e agradecida que só Bill e Sirius houvessem presenciado como perdia o controle.
Claro que era culpa de McPherson. Aquele homem devia viver numa caverna! Tinha os maneiras de um animal selvagem, e era capaz de fazer um santo gritar.
Nesse momento, a única possibilidade lógica era recuar. Gina se voltou com intenção de entrar no castelo sem lançar um único olhar atrás. Ela se despediria do McPherson da maneira mais grosseira possível.
Mas se deteve bruscamente ao ver uma fila de soldados Potter atrás dela, todos armados e preparados para a batalha. Gina se deu conta com rapidez, mas o que a assustou e fez latejar sua cabeça não foi isso, não, foi o próprio Harry Potter, de pé em meio aos soldados o que captou imediatamente a atenção de Gina e fez sua cabeça doer.
Diabos, provavelmente presenciara toda a cena!
Gina se sentiu mortificada. De repente, sentiu desejos de dar meia-volta e retornar à Inglaterra.
Já não estava certa de qual era a maior ameaça naquele momento: a expressão de Harry era capaz de fazer cair a lã de uma ovelha. Em comparação, o guerreiro McPherson parecia um santo.
Harry tinha os braços cruzados sobre o peito. As pernas separadas — mau sinal!— e o semblante tão rígido quanto o resto de sua pessoa. Era a mesma atitude que tinha adotado quando os bandidos os atacaram. Naquele momento, Gina pensou que se mostrava indiferente.
Agora sabia que estava enganada.
De qualquer modo, Gina pensou que Harry era mais seguro. Sentindo um espasmo no estômago, a jovem pensou que se Harry se propunha matá-la, sem dúvida o faria em particular. Ela não era tão importante para que ele fizesse uma cena. Não, talvez não tocasse no assunto até a semana seguinte.
Quando Gina se aproximou dele, Harry não disse uma palavra; limitou-se a empurrá-la até que ficasse atrás dele e depois se adiantou um passo. Imediatamente, a muralha de homens se fechou em volta de Gina.
O escudo de guerreiros lhe obstruía a visão, embora tenha ficado nas pontas dos pés e tentado olhar sobre o ombro de Sirius.
Palavras iradas cruzavam como flechas entre os dois poderosos chefes. Gina ficou perplexa ao verificar que, na realidade, Harry a defendia. Sentiu-se profundamente insultado ao ver que um dos McPherson tinha a audácia de tocar a espada em presença de lady Potter. Oh, certamente que Harry estava furioso! Muito furioso!
Tinha um temperamento infernal, e Gina recitou todas as preces que conhecia, agradecendo ao Criador que esse caráter não se abatia sobre ela.
Então, Gina voltou a ouvir a odiosa palavra “guerra” pronunciada em forma de rugidos. McPherson queria brigar e Harry assentia com ênfase.
“Deus!”, disse-se Gina. “o que eu fiz?” Harry jamais acreditaria que não era culpa dela. Se Gina tivesse podido controlar seu próprio temperamento, possivelmente teria evitado esta guerra.
Os soldados não se separaram da jovem até que os McPherson se afastaram uma boa distância pelo caminho. Gina pensou que convinha ir-se dali antes que seu marido voltasse a atenção para ela. “Não correrei”, disse-se. “Não, só preciso de um pouco de tempo para esclarecer este assunto tão confuso. Com um pouco de sorte, possivelmente leve um ou dois dias”.
Deu as costas a Sirius e começou a caminhar para a entrada. Mas no instante em que pensou que tinha escapado da atenção de Harry, este a segurou pelo braço. Sem a menor gentileza, obrigou-a a olhá-lo. Gina sorriu, pois Sirius e Bill estavam olhando, mas o cenho de Harry a fez mudar de idéia.
—Terá a bondade de me dar uma explicação? —disse Harry, em um tom tão aprazível quanto o bocejo de um leão.
—Não —respondeu Gina—. Prefiro não fazê-lo.
A resposta não agradou ao homem, e o músculo do queixo começou a contrair-se em um tique insistente. O apertão do braço se tomou tão forte que as sardas de Gina ficaram rosadas.
Gina estava resolvida a confrontar o olhar de seu marido para lhe mostrar que não tinha medo da expressão cruel de seus olhos, mas não durou até a primeira piscada.
—O garotinho estava doente —disse. —Eu cuidei dele.
—Como chegou o filho do McPherson aqui?
—Eu me perguntei o mesmo.
—Responda.
Embora Harry não tivesse levantado a voz, Gina soube que estava furioso e se propôs a apaziguá-lo com uma resposta direta.
—Harry, eu só tratei de fazer o que era certo. E mesmo que tivesse sabido que esse menino adorável pertencia a um velho tão amargo, de toda maneira o teria atendido. O menino sofria muito. Você teria dado as costas a ele?
—Eu quero que respondesse a minha pergunta —insistiu o homem.
—Jogará a culpa em Hermione.
— Ela está metida nisto? —perguntou Harry. Moveu a cabeça e disse—: Não deveria me surpreender.
—Hermione me trouxe o menino. A esposa do McPherson o deu a Hermione, e lhe implorou que obtivesse minha ajuda.
Por fim, Harry soltou seu braço, e Gina conteve o anseio de esfregá-lo — Foi assim.
—Agora se zangará com Hermione por ter interferido, não é, Harry?
Harry não respondeu. Bill olhou para Gina com simpatia e disse a Harry:
—Rony está informado disto?
—Não creio —respondeu Harry—. Estava caçando comigo. Se tiver ido diretamente para casa, possivelmente neste momento esteja inteirando-se. Se Deus quiser, vai trancá-la a chave.
—Hermione tem bom coração —interveio Gina—. Não acredito que Rony se zangue com ela por ajudar um menino doente.
—Agora pode entrar —disse Harry, sem prestar atenção aos argumentos de Gina em defesa de sua irmã.
A atitude fria do marido desanimou Gina, embora a essas alturas teria que estar acostumada. Tinha estado ausente quatro dias e noites, mas Gina não sentiu falta dele.
—Ainda não quero entrar—replicou Gina, surpreendendo Bill e Sirius, mas não Harry—. Antes, tenho que lhe fazer uma pergunta.
Harry soltou um suspiro de impaciência.
— Bill, envie alguns homens para acompanhar os Mcpherson até a fronteira —ordenou, e logo voltou a atenção para Gina—. E então? Qual é a pergunta?
—Perguntava-me se foi bem com a caça.
—Sim.
—Você encontrou os homens que feriram Carlos?
—Sim.
—E então? Teve que matar algum deles?
Para Harry era a pergunta mais absurda que jamais haviam lhe feito. Gina a pronunciou em um murmúrio, e logo lançou a Bill um olhar aflito. Harry não sabia o que fazer com sua esposa, já que parecia irritada com ele. Esta mulher era muito irracional para entendê-la.
Mas muito atraente. Embora Harry só houvesse estado ausente por quatro dias, pareceram-lhe muitos mais. A compreensão desse fato obscureceu o ânimo do homem. Imediatamente notou que Gina continuava vestindo o traje inglês, e começou a compreender que a mulher era tão obstinada quanto ele. Talvez mais.
—Seis ou sete —respondeu em tom áspero—. Quer saber como os matei?
Esquecendo que estava sobre os degraus, Gina recuou e Harry a segurou pelos ombros para que não caísse.
—Suponho que não quer saber.
Gina afastou suas mãos.
—Não, não quero saber como os matou, homem impossível, mas sim queria saber a quantidade. Foram seis ou sete?
—Como posso saber? —exclamou, irritado—. Estava no meio da luta, Gina. Não tive tempo de contá-los.
—Bom, deveria havê-lo feito —murmurou Gina—. Daqui para frente, vou lhe pedir que os conte. É o mínimo que pode fazer.
—Por que?
—Porque só restam oito xelins.
Harry não entendeu a que ela se referia, mas não o surpreendia, visto que nunca sabia a que Gina se referia. Viu-a pálida, e lembrou como as brigas a aborreciam. Imaginou que não queria que ele matasse ninguém e a idéia pareceu tão divertida que não pôde menos que sorrir. Diabos, era provável que tivesse matado o dobro de homens! A batalha foi feroz, mas não pensava informar Gina disso.
—Está sorrindo, Harry. Isso significa que brincava?
—Isso mesmo —mentiu o homem, desejando apaziguá-la.
O modo come Gina o olhou indicou que não acreditava nele. Ergueu as saias e correu para dentro.
—Harry —disse Bill—, o que acha que imaginava que aconteceria quando encontrasse nossos inimigos?
—Não tenho a menor idéia.
Bill continuava sorrindo.
—De passagem.—disse, mudando de assunto—, Franklin se adiantou para informar que o clã vem de volta do feudo do Gillebrid. No mais tardar, devem estar aqui amanhã pela tarde. Vêm com eles alguns dos membros do clã Harold com intenções de apresentar seus respeitos.
—Que me leve o diabo! —exclamou Harry com aspereza—. O que querem é ver minha esposa.
—Sim —admitiu Bill, rindo—. A beleza de Gina já é lendária. Além disso, salvou Carlos. Qualquer um que sofra alguma dor se instalará diante nossas portas.
— Como está Carlos?
—Agora, dócil.
— O que significa?
—Queria voltar para suas tarefas e sua esposa o surpreendeu no momento em que partia para sua própria cabana. Elizabeth foi pedir-lhe ajuda—. antes de continuar Bill soltou uma gargalhada.— Ainda consigo ouvir os gritos de Carlos enquanto o arrastavam para as portas do castelo. Quando eu cheguei...
—Carlos levantou a voz para Gina?
—Tinha um bom motivo —explicou Bill, ao ver que Harry se enfurecia outra vez—. Gina tirou sua espada.
Ao ouvi-lo, Harry levantou uma sobrancelha.
—Nesse caso, tinha razão —admitiu, sorrindo—. O que aconteceu depois?
—Ainda que não levantou a voz, em poucos minutos teve que se deitar outra vez.
Com as mãos presas às costas, Harry se dirigiu aos estábulos com Bill a seu lado.
—Não confio em nenhum dos Harold, e menos ainda nos filhos bastardos —disse, retornando ao assunto dos visitantes que estavam por chegar.
— Os gêmeos?
—Justin trará problemas —afirmou Harry—. Está muito habituado a fazer o que deseja.
— Acha mesmo que seria capaz de perseguir a esposa de outro homem?
—Acredito que sim. Esse sujeito gerou mais filhos bastardos que o rei da Inglaterra.
—Como é muito bem apessoado, todas as mulheres caem a seus pés. É estranho que Philip, sendo idêntico, tenha um caráter tão oposto. É muito tímido para tentar qualquer coisa.
—Também não confio em Philip —resmungou Harry.
Bill sorriu.
—Harry, você fala como alguém que se importa com a esposa.
—É minha propriedade —retrucou Harry—. Ninguém além de mim tem direito a ofendê-la.
—Gina também passa por maus bocados —assinalou Bill—. Claro que a tarefa que lhe atribuiu ajudou, mas Viviana dificulta as coisas. Contraria cada uma das ordens que Gina dá e nem lhe dirige a palavra.
Harry não respondeu pois viu Gina que descia correndo os degraus.
—Aonde vai? —gritou Harry.
—Vou ver o ferreiro —respondeu Gina em voz alta. Contornou o canto do edifício e desapareceu.
Harry balançou a cabeça.
—Essa idiota vai na direção errada.
Bill riu.
—Harry, sua esposa me suplica que lhe dê mais responsabilidades. Não posso permitir que ela faça tarefas pesadas como mover pedras, mas queria dar-lhe algo...
— Do que você fala? —perguntou Harry—. Que pedras há para mover?
Bill o olhou perplexo.
—A cozinha—lembrou.
Come Harry seguia franzindo o sobrecenho, Bill lhe explicou:
—Deu-lhe permissão para reorganizar a cozinha, não foi?
Harry deu de ombros.
—Possivelmente —admitiu. —Em um momento de fraqueza. Mesmo assim, não poderia levar mais de uma hora reorganizar Deus sabe o quê que Gina quisesse arrumar.
—Arrumar? —repetiu Bill, atônito. E que Deus o ajudasse, não pôde conter a risada!
—Bill, que demônios é tão divertido? —perguntou Harry—. Acaso minha esposa lhe disse...?
—Não, fez exatamente o que lhe deu permissão de fazer —respondeu Bill, quase sufocado—. Você logo vai ver, Harry. Será uma surpresa agradável —apressou-se a adicionar, ao ver que o amigo estava perdendo a paciência—. Não queria estragá-la.
O padre Weasley se aproximou depressa do senhor, atraindo sua atenção. A batina negra do sacerdote ondulava ao vento.
—Harry, se não for inconveniente, queria falar umas palavras com você.
Imediatamente, Harry e Bill trataram de se afastar do sacerdote, pois o desagradável aroma que exalava fazia seus olhos lacrimejarem. Por respeito, Harry não o mencionou, mas Bill não foi tão diplomático.
— Deus, padre Weasley, o que aconteceu? O senhor cheira a esterco de porco.
O clérigo não se ofendeu mas riu, e fez um gesto afirmativo.
—Sei que cheiro mau, moço, mas me sinto melhor do que me sentia há anos. Gina me deu uma pasta especial para esfregar no peito. E também preparou outra poção. Já quase não tenho tosse.
Deu um passo adiante. Harry não se moveu, mas Bill se apressou a recuar.
—Já basta de falar de minha saúde, e ocupemo-nos de uma questão importante —disse, dirigindo-se a Harry—. Sua esposa me deu todos os xelins que tinha —disse, ao mesmo tempo em que abria a mão para mostrar as moedas—. Quis comprar indulgências e eu não tive ânimo de lhe dizer que aqui não usamos moedas.
Harry sacudiu a cabeça.
—Ela se preocupa muito por sua alma e, se não me engano, é uma característica dos ingleses.
O clérigo riu.
—Harry, Gina não se preocupa absolutamente com sua própria alma.
— Então o que a preocupa?
—Sua alma.
Bill sufocou a risada tossindo.
—Eu contei sete xelins —disse a Harry.
—Oito —corrigiu o padre Weasley. Gina disse que uma era para prevenir uma má contagem. Quando me disse isso, não entendi.
—Essa mulher está louca.
—Ela se preocupa —argüiu o padre Weasley.— E agora me diga o que faço com estas moedas.
—Coloque-as na caixa que está sobre o mantel da lareira —sugeriu Harry, dando de ombros.
—Como queira —disse o sacerdote. E já que falamos de sua querida mulherzinha, queria saber se lhe daria permissão para usar um dos quartos do piso superior. Pediu-me que lhe perguntasse isso, Harry.
—Não tenho inconvenientes em aceitar o pedido —respondeu Harry—. Para que quer o quarto?
—Como seu próprio dormitório.
—De jeito nenhum!
—Vamos, filho, não é necessário que se exaspere —tranqüilizou-o o padre Weasley, ao ver que o ânimo de Harry murchava -se com a mesma rapidez que uma rosa ao sol. Titubeou ao formular a seguinte pergunta—. Você a deixaria passear pelas encostas da colina... sem sair das terras Potter, é óbvio? Isso lhe serviria como distração. Estou certo de que sente sua falta quando não está.
Isto suavizou a expressão de Harry.
—Claro que sente minha falta —alardeou—. De acordo, padre Weasley. Diga-lhe que pode cavalgar, sempre que levar escolta.
— Não acha que poderia escapar, Harry? Claro que sente falta de seu lar, mas eu...
—Padre, minha mulher não é capaz de sair de um quarto com uma só porta. Não, não acredito que tente retornar à Inglaterra, mas tenho certeza de que se perderia. Não tem sentido de orientação.
—Sim —concordou o sacerdote com os olhos faiscantes—. Tem tantos defeitos quanto o céu azul.
— Você se contradiz — interveio Bill —. Um céu azul não tem defeitos.
—Para um homem cego, sim —respondeu Weasley, olhando Harry com ar significativo —. Se sua esposa pareceavocê um ser tão inferior, terei muito prazer em obter uma anulação.
—Não o fará.
Harry não quis ser tão taxativo ao recusar a absurda sugestão do sacerdote. O que o padre Weasley dava a entender, com toda consciência, era que seria muito fácil obter uma anulação. Harry compreendeu que havia caído na armadilha do sacerdote, pois acabava de admitir o quanto se importava com Gina.
—Estou farto de falar sobre mulheres —murmurou -. Bill, poderia se assegurar de que minha esposa não inicie uma nova guerra enquanto eu me encarrego de outros assuntos?
—Ela perguntou sobre Helena.
A afirmação do padre Weasley se abateu sobre os dois amigos. Harry se voltou lentamente e olhou outra vez ao sacerdote.
—E? —perguntou com tom indiferente,
— Disse que haviam dito a ela que você matou a Helena?
Harry negou com a cabeça.
—Quando ela escutou essa fofoca tão absurda? —perguntou Bill.
—Antes que Harry chegasse à casa do pai de Gina —respondeu o padre Weasley.
—Perguntou se era verdade? —perguntou Bill, sabendo que Harry não o diria.
—Não, não me perguntou se era verdade —respondeu o padre Weasley, olhando com severidade para Bill—. De fato, disse-me que jamais tinha acreditado nisso. Também não acha que Helena se suicidaria. Acredita que foi um acidente. Tem um coração bondoso, Bill, e uma fé absoluta em seu marido.
Harry assentiu.
—Não seria capaz de dar importância ao falatório —afirmou, com um tom carregado de orgulho—. Gina é uma mulher doce e afetuosa.
—Sim, realmente —acrescentou Bill.
—Claro que também é um pouco obstinada —admitiu o padre Weasley—. Continua me importunando para que lhe dê alguma tarefa. Penso que quer fazer parte da família, Harry. Está se apaixonando por você, filho. Seja gentil com seus sentimentos.
Embora Harry não estivesse completamente convencido de que Gina estivesse se apaixonando por ele, a idéia o fez sorrir.
—Você a elogiará pelo esforço com que trabalhou na cozinha, não é, Harry? —disse o clérigo, —. O que acha do anexo? Agora que os homens deixaram de se queixar, funciona muita bem.
— Do que está falando? —perguntou Harry.
Weasley lançou um rápido olhar a Bill e se voltou para Harry outra vez.
—A cozinha, Harry. Deve ter esquecido que deu permissão a Gina para mudar a construção.
—Eu o que? —rugiu Harry.
O sacerdote se apressou a recuar, afastando-se da ira de Harry.
—Disse que tinha lhe dado permissão para reorganizar a cozinha, Harry. Não acredito que essa doce moça tenha mentido. Pode ser que tenha esquecido...?
Harry se encaminhou às portas do castelo e o sacerdote abandonou a intenção de defender à senhora.
—Bill, ele parecia muito... surpreso.
— Sem dúvida —repôs Bill—. Será melhor que você se mantenha perto de Gina até que passe a tormenta. Neste momento ele deve estar descobrindo aquela enorme brecha no muro traseiro...
O rugido furioso de Harry ressoou no pátio.
—Ele viu —sussurrou o padre Weasley—. Oh, Senhor, nos salve! Lá vai Gina!
O sacerdote ergueu a batina e correu para a senhora.
—Espere, mulher —gritou.
Gina ouviu a chamada desesperada do ancião e girou imediatamente com uma expressão aflita no rosto.
—Padre, não deveria correr até que melhorasse do peito —gritou.
O clérigo subiu os degraus e a segurou pelo braço.
—Harry acaba de ver o buraco na parede.
A moça lhe dirigiu um doce sorriso.
—Não podia deixar de notá-lo, padre.
Para o padre Weasley foi evidente que a doce mocinha não tinha consciência do perigo que corria.
—Será melhor que venha comigo à capela até que Harry tenha ouvido as explicações dos soldados. Em uma hora ou duas se acalmará, e então você poderá...
—Tenha mais confiança em seu senhor —replicou Gina—. Quando estiver terminado, verá que a mudança é boa. Tenho certeza, padre. Além disso, Harry não gritará comigo. Prometeu-me isso. Por favor, não se preocupe. Entrarei, e explicarei tudo a Harry pois não tenho medo.
—O que mais me assusta é sua falta de temor—admitiu o ancião. Sabia que Harry não a tocaria enquanto estivesse zangado, mas poderia destroçar os sentimentos de Gina com seus gritos. O padre Weasley fez rapidamente o sinal da cruz quando Gina lhe deu um tapinha na mão e entrou. Os joelhos do sacerdote tremiam muito para poder segui-la.
Gina se encheu de coragem diante da irritação do marido e entrou no salão, mas ao ver o que acontecia se deteve de repente. Harry estava sentado à cabeceira da mesa e, junto a ele, um soldado fazia o relatório.
Harry não parecia muito perturbado. Tinha o cotovelo apoiado sobre a mesa, e a testa sobre a mão. Parecia bem mais abatido que zangado.
Também estavam ali todos os soldados que haviam trabalhado no desmantelamento da cozinha.
Era evidente que esperavam sua vez para falar sobre a senhora. Gina dirigiu-lhes uma expressão que manifestava às claras o que achava da deslealdade dos homens, e depois caminhou para seu marido.
Quando por fim Harry ergueu os olhos, Gina estacouno lugar. Estava furioso. Na mandíbula tensa aparecia outra vez o tique e os olhos flamejavam de cólera. Tampouco o vento favorecia muito a causa de Gina, pois penetrava com som sibilante pelo enorme buraco e lembrava Harry do que a mulher tinha feito.
Olhou-a em silêncio por um longo momento.
—Queria explicar—disse Gina.
—Saia imediatamente desta sala, mulher.
Embora não tivesse erguido a voz, a áspera ordem feriu Gina como se o tivesse feito.
—Harry, prometeu-me que controlaria seu temperamento —lembrou-lhe. “Que o Céu me ampare!” pensou Gina, aterrada pela expressão dos olhos de Harry.
Então, o homem gritou:
— Vá embora daqui, antes que eu... agora mesmo, esposa!
Gina assentiu. Correu para o suporte da lareira, tirou uma moeda da caixa e saiu da sala com toda a dignidade que pôde, dadas as circunstâncias.
Viviana e Cho estavam perto da entrada e lhe dirigiram risadinhas debochadas quando passou.
Gina não chorou até que chegou aos estábulos. Ordenou a Donald que preparasse Fogo Selvagem. O chefe dos estábulos não discutiu, e depois que a ajudou a montar perguntou se tinha que aprontar também o cavalo de Harry.
Gina negou com a cabeça e saiu.
O padre Weasley, de pé no pátio, esperava que ela passasse.
Gina se inclinou e lhe entregou uma moeda.
—Ele mentiu para mim —murmurou—. Isto é para comprar uma indulgência para a alma de meu marido.
Weasley segurou o estribo.
— Para onde vai, moça? —perguntou, fingindo ignorar as lágrimas de Gina—. Deixa-me preocupado.
—Parto.
— Para onde?
—Ele me ordenou que o fizesse, padre, e eu sempre obedeço. Para que lado está a Inglaterra?
O sacerdote estava muito perplexo para lhe indicar a direção, e Gina imaginou que seria costa abaixo.
—Obrigado por ser bondoso comigo —disse.
Foi embora, deixando ao sacerdote com a boca aberta, incrédulo.
Gina sabia que em qualquer momento iria informar do que ela estava fazendo, mas não lhe importou. Harry não a seguiria: não era muito importante para ele. Estaria feliz de livrar-se dela.
Gina pensou que teria problemas ao cruzar a ponte levadiça, mas quando explicou que obedecia ordens do senhor, os soldados a deixaram passar imediatamente.
Deixou que Fogo Selvagem corresse como o vento, e se limitou a segurar as rédeas, enquanto chorava sem dissimulação. Não sabia para onde foram nem quanto tempo durou aquela corrida louca. Para falar a verdade, nada mais lhe importava senão chorar. Quando finalmente a égua se deteve, no abrigo das árvores, Gina decidiu que era hora de recuperar certo controle.
Então viu o menino. Soube que não era Potter, pois o manto que vestia era de outra cor. Gina não fez o menor ruído. Esperava que o menino não a visse, pois não queria que ninguém a visse num estado tão lamentável, nem mesmo um menino.
Mas o rapaz estava muito preocupado para olhar para trás. Observava com atenção os arbustos a sua direita, e Gina se perguntou o que o deixaria tão vigilante.
De repente, o menino gritou e começou a recuar, ao mesmo tempo em que um imenso javali lançava um bufo malvado e saltava adiante.
Gina reagiu sem pensar. Esporeou os flancos de Fogo Selvagem e a lançou a pleno galope. A égua voou encosta abaixo. Gina agarrou as rédeas e as crinas de Fogo Selvagem na mão esquerda, e se inclinou para a direita.
O rapaz a viu chegar e começou a correr para ela com as mãos estendidas. Gina implorou para ter a força suficiente para erguê-lo. Deus atendeu suas preces. Com ajuda do menino, que se segurou com todas as suas forças ao braço direito da jovem, pôde levantá-lo até que o menino conseguiu passar a perna sobre o lombo de Fogo Selvagem.
Os dois correram para salvar a vida. Poucos minutos depois o javali desistiu da perseguição, mas Fogo Selvagem ainda estava arrepiada de medo e rodou com brutalidade. Gina e o menino caíram ao chão.
Gina aterrissou de lado, e o menino, em cima dela. O rapaz se apressou a rodar, ficou de pé e tentou ajudá-la a levantar.
Puxava-a pelo braço direito e Gina fez uma careta de dor.
—Está machucada? —perguntou o menino, evidenciando o temor num forte acento gaélico.
—Estou um pouco machucada —respondeu Gina, no mesmo idioma. Lentamente ficou de pé e então viu que tinha o vestido esmigalhado no ombro.
Os dois estavam de pé no centro de uma pequena clareira. Gina tremia dos pés a cabeça.
—Escapamos por um triz – afirmou — Eu me assustei. E você? —perguntou ao menino, ao ver que a olhava.
O rapaz assentiu, e os dois sorriram.
—Ele teve o que mereceu, não? —disse o menino, sorridente.
—Sim, nós lhe demos seu castigo —admitiu Gina, pensando que era um rapaz encantador. Tinha um comprido cabelo avermelhado que se enrolava em volta do rosto angelical e o nariz cheio de enormes sardas— Sou lady Potter – continuou —Qual é seu nome?
—Não devo dizê-lo —murmurou o menino—. Não deveria estar nas terras dos Potter.
— Você se perdeu?
O rapazinho abanou a cabeça.
—Diga.
—Não, não contarei.
—Mas, o que está fazendo aqui?
O menino encolheu os ombros.
—Eu gosto de sair para caçar. Meu nome é Lindsay.
—E qual é o nome de seu clã?
—Lindsay —repetiu—. Você fala gaélico, mas com um sotaque estranho. Também não usa as cores dos Potter.
—Sou inglesa.
O menino fez um gesto de assombro.
—Sou a esposa de Harry Potter, Lindsay — explicou—. Quantos anos tem?
—Este verão completarei nove.
—Acredito que sua mãe deve estar procurando por você.
—É meu pai quem procurará por mim. Estará preocupado —adicionou—. Será melhor que vá para casa.
Gina assentiu e se absteve de sorrir, pois nesse momento a expressão do menino era grave.
—Você salvou minha vida —disse o rapaz—. Meu pai terá que recompensá-la.
—Não —replicou Gina—. Não tem que me recompensar. Tem que me prometer que nunca mais sairá para caçar sozinho. Você me dá sua palavra?
O menino assentiu e Gina lhe sorriu.
— Quer que o acompanhe a sua casa?
—Se me acompanhasse, eles a prenderiam. Estamos em conflito com os Potter —explicou, com ar prático.
—Então, tome cuidado —aconselhou—. Apresse-se. Parece-me ouvir que vem alguém aí.
Antes que Gina tivesse dado um passo em direção a Fogo Selvagem, o menino tinha desaparecido atrás da fileira de árvores.
Gina estava sozinha no centro da clareira quando Harry e o cavalo irromperam por entre os galhos. O homem sentiu tal alívio ao vê-la que freou ao cavalo e ficou imóvel, contemplando-a, enquanto acalmava sua respiração agitada.
Harry não sabia se Gina estava perturbada pois tinha a cabeça encurvada. Compreendeu que a havia aterrorizado pois a expressão de Gina quando gritava com ela o demonstrara.
Rogou ao céu que tivesse superado o temor... e as lágrimas. Também as notara quando Gina passou junto a ele com a moeda na mão.
Diabos! teria que se desculpar! Representava um esforço para Harry, mas se propôs a tentar. Ele se esforçaria para ser sereno... e razoável.
Nesse momento notou que Gina tinha folhas no cabelo e um rasgão no vestido.
—Que demônios aconteceu? —gritou—. Por acaso alguém...?
Antes que Gina pudesse responder, Harry apeou e correu para ela. Gina se apressou a dar um passo atrás.
—Não aconteceu nada – assegurou.
—Não minta para mim. —Segurou-a pelos braços e a estreitou contra o peito.
—Você mentiu para mim.
—Não menti. —respondeu o homem, recuperando uma vez mais a calma.
—Você perdeu a paciência comigo.
—Você fez com que meus homens derrubassem uma parede de minha casa! – explicou o homem.
—Você disse que eu podia arrumar a cozinha —murmurou Gina—. No inverno, Molly, Jessie e todas as demais criadas têm que caminhar com a neve até os joelhos para levar seu jantar. Harry, só tentava fazer o que era certo. Pareceu sensato encostar a construção na parte traseira do castelo. Mas não me deixou explicar.
Harry fechou os olhos pedindo paciência aos céus. Não podia soltá-la o tempo suficiente para xingá-la.
—Perdi o controle – admitiu. — E estou furioso com você.
— Por causa do buraco no muro?
—Não —disse Harry—. Porque se assustou comigo. Achava que ia machucá-la?
—Não —respondeu Gina, rodeando sua cintura com os braços e relaxando-se contra ele—. Me envergonhou. Um marido não deveria gritar com sua esposa.
—De hoje em diante, tratarei de lembrar deste conselho —prometeu Harry—. Gina, haverá ocasiões em que voltarei a esquecê-lo.
—Suponho que terei que me acostumar. Seus gritos são capazes de derrubar um pinheiro. Mas a maior parte é só aparência, não é, Harry?
Harry apoiou o queixo sobre a cabeça da mulher enquanto tentava decidir se deixaria passar este pequeno insulto.
—O padre Weasley me disse que pretendia retornar à Inglaterra. Era isso o que você pretendia?
—Você me expulsou —recordou a jovem.
Um sorriso apagou o cenho de Harry.
—Quis dizer que saísse do salão, Gina, não da Escócia.
—Queria ir por um tempo, marido. Para falar a verdade, não me adapto bem.
Parecia muito angustiada.
—Sei que é difícil acreditar, mas lá, em minha pátria, eu agrado às pessoas. É verdade! Não estou acostumada a ser considerada inferior, Harry. Isso requer certo esforço de adaptação. Seus soldados estavam esperando para me delatar, não é assim? Não gosto de mim mais do que você.
De repente Gina explodiu em lágrimas.
—Oh, sou digna de pena, não sou? Por que se incomodou em vir me buscar?
—Gina, os soldados esperavam a oportunidade de defendê-la —afirmou—. São tão leais a você quanto você é a mim, esposa.
Afastou-a para que visse que falava a verdade, mas isso foi sua perdição, pois, ao ver que as lágrimas corriam pelas faces de Gina, o controle o abandonou.
—Vim por você porque me pertence. Gina, nunca mais tente me abandonar porque então sim me deixará furioso. Meu amor, pare de chorar. Não quis...
Não pôde continuar, pois sua voz tremia. Harry se inclinou e beijou a testa de sua esposa. Gina enxugou os olhos com o dorso das mãos. Seu braço começava a latejar pelo ferimento.
—Caí do cavalo —confessou.
—Já sei.
Era a vez de Harry se entristecer. Gina sorriu.
—Harry, na verdade sou muito destra, mas um javali assustou Fogo Selvagem e...
Ao ver o sobrecenho franzido de Harry, Gina abandonou a explicação.
—Não importa —disse—. Harry, quando maridos e mulheres têm um desacordo, é costume que se dêem um beijo para reconciliar-se.
—Mas a esposa tem que usar o manto com as cores do marido —respondeu Harry—. Embora se a mulher não vestisse nada, eu não quebraria minha palavra.
Gina não compreendeu o que ele queria dizer até que Harry levantou seu vestido por cima da cabeça e o jogou ao chão.
—Não pensa em... fazer... —gaguejou, dando um passo atrás.
— Penso sim! —disse Harry, dando um passo adiante.
Quando Harry se voltou em sua direção, Gina começou a rir e, dando a volta, correu para as árvores.
— Está louco, Harry! —gritou sobre o ombro—. É pleno dia!
Harry a apanhou por atrás e a atraiu para si.
—Há meninos por aqui —assinalou Gina.
Harry esfregou o nariz no pescoço da mulher.
—Quer um bom beijo, não é?
—Isto não é nada correto —respondeu a mulher. Perdeu o fôlego e um tremor a percorreu quando Harry lhe mordiscou a orelha, enquanto descrevia com todo detalhe, aos murmúrios, as coisas que pensava fazer com ela.
Gina relaxou nos braços dele. Harry apoiou as costas contra o tronco grosso de uma árvore e colocou a esposa entre suas coxas. Despiu-a lentamente, sem se importar com os fracos protestos de Gina, e quando terminou, empurrou-a sobre seu membro ereto. Rodeou-lhe os seios com as mãos e acariciou lentamente os mamilos com os polegares.
Ao ouvir que Gina soltava um suave gemido, Harry soube que se rendera.
—Agora vou demonstrar como a considero inferior —murmurou.
—Fará isso? —perguntou Gina, ofegando. Harry acabava de mover a mão entre as coxas da mulher.
Gemeu de satisfação ao sentir seu calor. Já estava quente e úmida para ele.
—Beijarei cada centímetro da parte inferior de seu corpo —prometeu.
Por fim, a fez voltar-se. As bocas abertas se encontraram em um beijo arrasador. Gina lhe rodeou o pescoço com os braços e esfregou os seios contra o manto. Harry afastou a boca e se despiu em poucos instantes. Fez Gina girar até ficar apoiada contra a árvore, de frente para ele, e abaixou a cabeça para o vale entre os seios da mulher. Enlouqueceu-a com a língua. Massageou os seios com as mãos e, por fim, apanhou um dos mamilos na boca: uma tortura maravilhosa para a mulher. Gina gritou de prazer, agarrando-se aos ombros de Harry para sustentar-se. Harry fez o mesmo com o outro seio e depois foi depositando uma fila de beijos ardentes em direção ao estômago.
Ele fez Gina esquecer-se de respirar. Ajoelhou-se na frente dela, segurou nas mãos as nádegas macias e a atraiu com rudeza para sua própria boca aberta.
A moça já não conseguia pensar. A língua do homem acendeu nela a paixão apertando, saindo e entrando até que Gina gemeu, implorando por alívio para essa doce tortura. Quando Harry ficou de pé, frente a frente a ela, Gina implorou que não se detivesse naquele momento. Tentou capturar a boca de Harry em busca de um beijo longo e ardente, mas o homem deu um passo atrás. De repente, Harry agarrou seu cabelo, torceu-o em volta do punho, e puxou Gina para si.
—Nunca mais tente me abandonar.
Não lhe deu tempo de responder. Com a boca aberta, devorou a de Gina. Penetrou-a com a língua e a jovem se derreteu. Harry a ergueu e separou suas coxas com um movimento vigoroso. Gina enlaçou as pernas ao redor dele.
—Agora! —exigiu, quase gritando ao vê-lo vacilar.
—Prometa — disse a voz áspera no ouvido da mulher.
A agonia dessa voz penetrou através do sonho erótico.
—Prometo – murmurou Gina.
Harry soltou um grunhido de aprovação e logo a penetrou com uma investida enérgica. Enquanto murmurava palavras de amor ao seu ouvido, retirou-se e voltou a penetrá-la.
Gina se agarrou ao marido, cantarolando sua própria melodia de amor, e quando soube que ia alcançar o clímax, gritou o nome dele.
Uma vez esgotada a paixão, os dois se renderam por inteiro. Harry permaneceu dentro da mulher por um longo momento. Não se moveu, mesmo depois da respiração ter-se regularizado e o coração ter deixado de pulsar enlouquecido. Não queria perder o aroma do amor, não queria deixar de abraçá-la.
Pela primeira vez na vida, Harry estava contente. E embora compreendesse o que isso significava, se rebelou contra essa verdade. “É muito cedo” se disse. “Muito. Me enfraquecerá, me deixará vulnerável... Não estou preparado”.
Gina sentiu que Harry ficava tenso. Apoiou-a de costas sobre o chão, e se afastou para recolher as roupas dos dois. Gina só viu um vislumbre da expressão sombria do marido.
—Harry? – murmurou — Por acaso não está satisfeito?
Harry respondeu imediatamente diante a angústia que se refletia na voz de Gina.
—Você me agradou muito, esposa —disse, com voz rouca de emoção.
Gina não fez nenhuma outra pergunta até que os dois estiveram vestidos.
— Por que está carrancudo? Se for verdade que eu o fiz feliz...
—É porque você me disse que se sentia inferior. Quero que nunca, jamais volte a pensar algo tão ridículo, esposa. De onde raios você uma idéia tão absurda...?
—Você me disse isso —o lembrou, perplexa.
Harry teve a audácia de assombrar-se e Gina, por sua vez, arregalou os olhos, surpreendida.
—Também me chamou de insignificante. Não se lembra, Harry?
Harry encolheu os ombros. Foi em busca dos cavalos, mas já não franzia o cenho e sim sorria; sua mulher parecia indignada.
— Não consegue lembrar de suas próprias opiniões?
—Não são opiniões —disse Harry, sobre o ombro—. São insultos, meu amor.
—Então, admite ter me insultado? —gritou Gina, correndo para ele.
—É óbvio.
Gina soltou uma praga muito pouco digna de uma dama, e Harry soltou uma gargalhada.
A moça estava mais horrorizada com sua própria blasfêmia que seu marido, e se desculpou várias vezes.
Harry riu dela.
Gina estava desconcertada. Deu as costas a seu marido e caminhou para Fogo Selvagem. Harry Potter era o homem mais impossível do mundo. Por acaso não entendia o quanto ela desejava ouvi-lo dizer que a amava?
Gina montou sobre sua égua e tomou as rédeas e, imediatamente recordou a exigência de Harry de que jamais o abandonasse.
Sim, ele a amava! voltou-se para seu marido com a intenção de gritar com ele, mas o sorriso arrogante de Harry a fez desistir. Supôs que não tinha consciência de seus sentimentos, e que se Gina tinha a audácia de cutucá-lo ficaria furioso.
Gina soltou uma gargalhada sonora. Harry teria que acostumar-se, e então compreenderia que não havia problemas em se apaixonar pela esposa.
Antes que Harry pudesse interrogá-la, Gina esporeou Fogo Selvagem. Harry lhe arrancou as rédeas e balançou a cabeça.
Gina o olhou resignada.
—Meu amor, escute com atenção. Acima —disse, apontando para trás de si—, estão as terras Potter. Para baixo, a Inglaterra. Entende?
Gina mordeu o lábio para não sorrir.
—Entendo —aceitou por fim, ao ver que Harry seguia olhando-a.
O homem soltou um suspiro, e puxou a rédea de Fogo Selvagem para fazê-la mudar de direção.
—Não, não entende, meu amor —murmurou.
Então sim, Gina sorriu. Senhor, como ela se sentia bem! Já não se importaria se dali em diante Harry perdia a paciência. E, sem, dúvida não se incomodaria com seus insultos, pois compreendia que era a maneira que Harry tinha de esconder seus próprios sentimentos. Não, não a incomodava, absolutamente, a conduta contraditória de seu marido.
O motivo era fácil de entender:
Harry acabava de chamá-la “meu amor”.


Na.: Agora so sabado!

PS.: Minha Nc favorita é essa ai, de todas todas, todas, Ara minha preferida ate sobre as suas heheheh...

Obrigada pelos comentarios, continuem com eles

Dani GIGANTESSSSSSSSSS


BJ

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Comentários: 1

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Enviado por Lana Silva em 25/04/2012

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh *-* muiiiiito lindo o capitulo!

Nota: 5

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