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11. Dentada a dentada


Fic: A noiva


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CAPÍTULO ONZE

Na primeira semana, Gina iniciou três guerras.
Suas intenções eram muito honradas. Tinha decidido aproveitar a situação ao máximo, aceitando o fato de que estava agora casada com um senhor. Cumpriria seu dever de esposa e cuidaria de Harry e do lar. Gina não cogitava evitar suas próprias obrigações, sem se importar com o que Harry teria que se adaptar.
Intimamente tinha a esperança de que, enquanto se ocupava das novas tarefas, também poderia realizar algumas mudanças que lhe pareciam necessárias. Se levasse o desafio a sério, até poderia civilizar aqueles habitantes das Terras Altas.
As guerras, uma depois da outra, caíram sobre Gina, até que não estava disposta a culpar-se por ter causado os conflitos. Não, a culpa era dos escoceses, de seus ridículos costumes, de sua natureza teimosa e, em especial, de seu inflexível orgulho. Por acaso Gina tinha a culpa se nenhum daqueles bárbaros possuia um pingo de bom senso?
Gina dormiu até depois do almoço no dia seguinte a cura de Carlos. Pensou que merecia um descanso prolongado até que lembrou-se que era domingo e que tinha faltado à missa. Era um dever assistir, e se irritou ao compreender que ninguém tinha-a despertado. Agora teria que gastar um de seus xelins para comprar uma indulgência!
Vestiu uma camisa de cor clara e ainda por cima uma túnica de cor rubi, colocou um cinturão trançado muito solto, de modo que se apoiasse sobre os quadris, como ditava a moda daqueles dias. Embora não houvesse estado na Corte, mantinha-se atualizada quanto ao estilo mais moderno, embora fosse incômodo. Não queria que os escoceses a considerassem uma garota camponesa ignorante. Era a esposa do senhor e tinha que estar sempre elegante. Escovou o cabelo, beliscou as bochechas para dar-lhes cor, e foi ver como estava o paciente. Se Carlos estivesse bem, procuraria o sacerdote e poria o assunto em suas mãos.
Temia a penitência que sem dúvida lhe daria.
Entretanto, a sorte estava ao lado de Gina. Não só Carlos dormia pacificamente, mas também o sacerdote estava no salão, pois era sua vez de cuidar do doente.
Quando viu Gina aproximar-se, o clérigo fez menção de levantar-se.
—Por favor, fique sentado, padre —pediu Gina, sorrindo.
—Não fomos propriamente apresentados —disse o padre—. Sou o padre Weasley, lady Potter.
Era difícil entendê-lo, pois a voz do sacerdote era tênue como o ar e o rolar dos “r” complicava a questão. Soava como se ele tivesse iminente necessidade de tossir e Gina teve que conter a tentação de tossir por ele.
—Padre, sua dor do peito aliviou? —perguntou.
—Sim, milady, sem dúvida —respondeu o padre Weasley—. Fazia muitas noites que não dormia tão bem. Essa poção ajudou muito.
—Eu gostaria de lhe preparar um ungüento para que esfregue no peito —disse Gina—. Em uma semana, a tosse desapareceria.
—Obrigado por perder o tempo em ajudar este velho, garota.
—Padre, devo advertir que o aroma desse creme é tão desagradável que todos seus amigos se afastarão de você.
O padre Weasley sorriu:
—Não me importarei.
— Carlos descansou bem?
—Agora dorme, mas mais cedo Bill teve que contê-lo. Carlos queria tirar as ataduras do braço ferido. Elizabeth estava tão angustiada que queria ajudar, mas Bill a ordenou que fosse deitar.
Ao ouvir as notícias, Gina franziu o sobrecenho enquanto examinava os dedos inchados do guerreiro: tinham boa cor, coisa que a satisfez. Colocou a mão sobre sua testa.
—Não tem febre — afirmou —. Padre, suas preces o salvaram.
—Não, moça —replicou o padre —. foi você quem o salvou. Deus deve ter decidido que Carlos devia permanecer conosco e, em sua sabedoria, enviou-a para que o salvasse.
O elogio incomodou Gina.
—Bom, enviou uma pecadora —exclamou, desejosa de terminar com o irritante assunto—. Esta manhã faltei à missa —explicou, depois de deixar uma moeda na mão do padre—. Por favor, tome esta moeda para comprar uma indulgência.
—Mas, senhora...
—Padre, antes que dita que penitência me corresponde, queria explicar meus motivos. Se Harry tivesse me acordado, eu não teria faltado à missa —disse, com os mãos nos quadris, jogando o cabelo por cima do ombro num gesto que a padre Weasley achou encantador—. Agora que penso sobre isso, na verdade este é um pecado de Harry também. O que o senhor acha?
O sacerdote não se apressou a responder.
—Sabe, padre? —continuou Gina—. quanto mais penso no problema, mais me convenço de que Harry teria que dar-lhe a moeda. Na verdade, a culpa é dele.
O padre Weasley não conseguia seguir o fio do pensamento de Gina. Teve a sensação de que tinha entrado um tornado no quarto. Um tornado em que brilhava o sol. O ancião sentiu vontade de rir alegre. Agora se dissiparia o peso que flutuava sobre o lar de Harry desde a morte de Helena: tinha certeza. Tinha visto o modo em que o senhor contemplava a esposa enquanto esta cuidava de Carlos: estava tão surpreso quanto os outros... e tão satisfeito quanto eles.
—E então? —perguntou Gina—. O que pensa da minha preocupação?
—Nenhum dos dois pecou.
A surpresa que seu comentário provocou fez o padre Weasley sorrir. Lady Potter parecia pasma.
—É muito devota, não, lady Potter?
Deixar que o padre Weasley pensasse isso teria sido um pecado.
_ Oh, céus, não! —disse Gina precipitadamente—. Não posso permitir que ache isso. É que o sacerdote que temos, lá em minha pátria... bom, é muito devoto, e devo contar que suas penitências geralmente são espantosas. Eu acredito que o aborrecimento o fazia ser muito rigoroso. Numa ocasião, fez com que cortassem o cabelo de Lilá. Ela chorou durante uma semana.
—Lilá?
—Uma de minhas queridas irmãs —esclareceu Gina.
—Deve ter cometido um pecado terrível —assinalou o padre Weasley.
—Caiu no sono durante um dos sermões —confessou Gina.
O sacerdote conteve a risada.
—Aqui não somos tão rigorosos —advertiu—. Prometo que nunca a obrigarei a cortar o cabelo, lady Potter.
—É uma pena que o senhor não vivesse conosco naquele tempo —disse Gina—. O cabelo de Lilá não voltou a cachear-se desde que a obrigou a cortá-lo .
—Um bom homem —comentou o padre Weasley.—Quantos são em sua família? —perguntou o clérigo.
— Éramos cinco, todas moças, mas Eleanor, a mais velha, morreu quando eu tinha sete anos, de modo que não me lembro bem dela. Depois vêm as gêmeas, Lilá e Padma, depois Hermione e por fim, eu, que sou a caçula. Papai nos criou sozinho —adicionou com um sorriso terno.
—Parece-me uma família sólida —assinalou o padre com gesto enfático—. Suas irmãs são tão bonitas como você?
— Muito mais bonitas! —exclamou Gina—. Quando se casou com papai, minha mãe estava grávida de mim. Meu pai tinha perdido a sua esposa, sabe?, e minha mãe perdeu seu marido pouco antes de casar-se com o barão. Entretanto, papai não se importou. Assim que se casou com mamãe, eu me transformei em sua garotinha.
—Um bom homem —comentou o padre Weasley.
—Sim —confirmou Gina com um suspiro—. Só em falar de minha família me traz saudade deles.
—Nesse caso, não falaremos mais disso —sugeriu o padre Weasley—. Por favor, pegue esta moeda e empregue-a em uma causa melhor.
—Preferiria que a conservasse, pois acredito que faz falta à alma de meu marido. Afinal de contas, é um senhor e tem que matar em batalha. Não me interprete mal, padre, pois Harry jamais tomaria uma vida sem um bom motivo. Embora não o conheça tanto como o senhor, acredito que não procuraria problemas. No fundo do coração, sei que é assim. Nesta questão, deverá aceitar minha palavra, padre.
Harry entrou no salão a tempo de escutar a defesa que sua esposa fazia dele.
—Estou de acordo com a senhora—respondeu o sacerdote. Ergueu os olhos e se deparou com o semblante exasperado do senhor. Foi um esforço conter a risada.
—Bem —disse Gina com evidente alívio—. Fico feliz que concorde. Embora seja vergonhoso admiti-lo, estou farta de ter que me preocupar constantemente por minha alma. O padre Charles nos obrigava a confessar qualquer pensamento e, para ser justa, em algumas ocasiões eu inventava algo só para agradá-lo. É um sacerdote muito consciencioso e levávamos uma vida muito tranqüila. Nunca lhe acontecia nada pecaminoso.
Padre Weasley achava sinceramente que aquele sacerdote devia ser um lunático.
—Lady Potter, aqui somos muito mais relaxados.
—Que bom! —disse Gina—. Agora que estou casada, também devo cuidar da alma de meu marido, e não sei que outra coisa branquearia meus cabelos. Padre, acredito que seremos bons amigos. Teria que me chamar de Gina, não acha?
—O que acredito, Gina, é que tem um coração tenro. É como a brisa fresca que este castelo frio e velho precisava.
—Sim, padre, é verdade que ela tem um coração tenro —interveio Harry—. Tem que superar esse defeito.
—Isso não é um defeito.
Gina se alegrou de ter feito a enfática afirmação com o olhar ainda fixo no sacerdote, pois quando se voltou para ver seu marido, já não pôde pronunciar palavra e sufocou uma exclamação.
Harry estava semidespido.
Estava vestido à moda bárbara. Vestia uma camisa branca, que era o único objeto civilizado que cobria esse corpo enorme. A camisa ficava parcialmente coberta pelo manto dobrado sobre o ombro. O resto do manto se enrolava em torno da cintura. Acomodado em amplas dobras, presas por uma corda a modo de cinturão, só alcançava a metade da coxa. Botas negras, puídas em alguns pontos pelo uso, cobriam só uma parte das pernas musculosas.
Os joelhos estavam tão nus quanto o traseiro de uma criança de peito.
Harry acreditou que sua esposa estava a ponto de desmaiar. Escondeu a irritação esperando que se acostumasse com sua roupa, e disse:
—Como está Carlos?
—Que disse? —perguntou Gina, ainda com o olhar fixo nos joelhos de Harry.
—Perguntei pela saúde de Carlos —repetiu Harry com mais vigor.
— Ah, sim, claro, Carlos! —respondeu a jovem, assentindo várias vezes.
Como não disse mais nada, Harry ordenou:
—Esposa, quando falar comigo, olhe para meu rosto.
A aspereza da repreensão fez Gina se sobressaltar e apressar-se a obedecer. Harry tinha certeza de que o rubor de sua esposa poderia acender um fogo.
—Quanto tempo acha que levará até se acostumar a ver-me vestido assim? —perguntou, sem dissimular a irritação.
Gina se recuperou em seguida.
— Assim como? —perguntou, sorrindo com ar inocente.
Um sorriso malicioso suavizou a expressão de Harry.
— Será que terei que repetir tudo a você?
Gina encolheu os ombros.
— Há algo de que queria me falar? —perguntou.
Harry propôs-se a envergonhá-la outra vez:
—Esposa, já me viu sem roupas, e entretanto reage...
Gina se precipitou e cobriu sua boca com a mão.
—Marido, eu o senti nu, não o vi. Não é a mesma coisa —acrescentou. Ao dar-se conta do que tinha feito, deixou cair a mão e recuou—. Harry, cuidado com suas maneiras diante do sacerdote.
O homem revirou os olhos, e Gina pensou que pedia ao Céu que lhe desse paciência.
—Agora diga o que queria me dizer.
—Quero falar com Carlos —respondeu Harry. Encaminhou-Se à cama, mas Gina se interpôs, outra vez com as mãos apoiadas no quadril.
—Harry, agora ele está dormindo. Pode falar com ele mais tarde.
Harry não podia acreditar no que ouvia.
—Desperte-o.
—É provável que seus gritos o tenham despertado —resmungou Gina.
Harry bufou.
—Desperte-o —repetiu, para completar, em tom mais suave—: Ah, Gina, Nunca me diga o que posso fazer e o que não posso.
— Por que?
— Por que?
Com o propósito de dar-se ânimos para responder, Gina lembrou-se que o marido tinha prometido que nunca se zangaria com ela, mas a expressão de Harry era assustadora.
—Por que não tenho que dizer o que pode ou não fazer?
Viu que a pergunta não era de seu agrado, pois a mandíbula de Harry estava tensa. Os músculos da sua face se contraíram algumas vezes. Perguntou-se se ele sempre tivera esse tique nervoso ou se era coisa recente.
—Esse é o costume aqui —interveio o padre Weasley.
O clérigo levantou-se com esforço da cadeira e se apressou a ficar junto a lady Potter. Sua preocupação não era sem motivos. Conhecia Harry Potter há muitos anos, conhecia muito bem aquela expressão e quis intervir em favor de Gina antes que Harry explodisse. A seu devido tempo, sem dúvida Gina aprenderia o perigo de questionar um homem tão poderoso. Até então, o sacerdote tomou a resolução de cuidar dela.
—Harry, a garota está aqui há pouco tempo. Não acredito que tenha querido provocá-lo.
Harry assentiu. Gina moveu a cabeça.
—Sim, pretendi desafiá-lo, padre, embora não ele não esteja acostumado com isso. Só quero que me explique por que não posso dizer o que tem que fazer. Ele faz isso comigo freqüentemente.
Gina teve a audácia de dirigir a seu marido uma expressão zangada.
—Esposa, sou seu marido e seu senhor. Por acaso esses dois motivos não são suficientes?
Outra vez contraiu-se um músculo na mandíbula de Harry. Gina o olhava, fascinada. Pensou se havia alguma poção que pudesse lhe dar, para livrá-lo do problema, mas como Harry a olhava colérico, decidiu que não se incomodaria em fazê-lo.
— Está bem? —exigiu Harry, dando um passo para ela com ar ameaçador.
Gina não recuou um centímetro. Pior, avançou. Harry estava atônito: era sabido que homens adultos fugiam dele, mas este pedacinho de mulher o enfrentava com a maior audácia.
“É verdade” —admitiu, “ela me enfrenta!”
Novamente, o sacerdote tentou intervir.
—Lady Potter, acaso se atreve a provocar a ira do senhor?
—Harry não se zangará comigo —afirmou Gina, com o olhar fixo em seu marido—. É um homem muito paciente. —Como olhava para Harry, não viu a expressão perplexa do sacerdote—. Me deu sua palavra, padre, e não deixará de cumpri-la.
Por Deus, estava provocando-o! Harry não soube se estrangulá-la ou beijá-la.
—Esposa, quer que me arrependa de minha promessa?
Gina negou com a cabeça.
—Não. Mas sua atitude me traz angustia. Se não aprende a ceder, como faremos para nos entender? Sou sua esposa, Harry. Por acaso minha posição não me permite dizer...?
—Não —afirmou Harry, em tom firme como uma pedra—. E se alguém tiver que ceder aqui, será você. Fui claro?
A expressão do homem sugeriu que não discutisse, mas Gina a ignorou.
— Aqui uma esposa não pode dar sua opinião?
—Não pode. —Harry exalou um prolongado suspiro e depois continuou—: Vejo que não compreende como são as coisas aqui, Gina, e por isso perdôo sua insolência de hoje. Porém, no futuro...
—Não fui insolente —replicou Gina—. Só quero ter isto claro em meu cérebro tão inferior. Por favor, me explique —acrescentou—. Quais são minhas responsabilidades como esposa? Eu gostaria de começar o mais cedo possível.
—Não tem nenhuma responsabilidade.
Gina reagiu como se Harry a tivesse golpeado. O homem viu um relâmpago de autêntica ira nos olhos de Gina quando deu um passo atrás e não soube como encarar essa estranha reação. Por acaso Gina não compreendia quanta consideração ele demonstrava?
Outro comentário insolente lhe mostrou que ela não entendia.
—Todas as esposas têm responsabilidades, até as que têm opiniões próprias.
—Você não.
—Pelas leis escocesas ou pelas suas?
—Pelas minhas —respondeu Harry—. Gina, você ficará livre dos calos que tem nas mãos. Aqui não será uma escrava.
Gina sufocou uma exclamação indignada.
—Você sugere que eu era uma escrava em minha casa?
—Sim, foi uma escrava.
—Não —retrucou a jovem, quase gritando—. Harry, por acaso sou tão pouco importante para você que não me deixará achar um lugar aqui?
Harry não respondeu, pois de fato não sabia do que ela estava falando.
Uma áspera ordem do senhor despertou Carlos, que logo foi interrogado num gaélico falado a toda pressa. Era impressionante a lucidez do guerreiro ferido. Embora sua voz estivesse fraca, pôde responder às perguntas de Harry com a maior concisão. Quando o senhor terminou com Carlos, o doente forçou um sorriso e perguntou se podia ir caça com ele.
Harry rejeitou o oferecimento com um sorriso. Gina lhe ouviu dizer ao soldado que, quando se sentisse melhor, se mudaria para a própria cabana, onde a esposa pudesse cuidá-lo.
Começou a sair do salão sem voltar a falar com sua esposa, mas Gina o seguiu.
—O que há? —disse-lhe em tom brusco, girando para olhá-la.
—Na Inglaterra é costume que o marido beije a mulher pela manhã —mentiu. Acabava de inventá-lo, mas tinha certeza que Harry não sabia.
—Não estamos na Inglaterra.
—Isso é correto em qualquer lugar —insistiu.
—É correto quando a esposa usa o manto com as cores do marido.
—De modo que assim é, não é?
—Não sou surdo, mulher. Não é necessário que levante a voz.
Harry manteve uma expressão dura, embora lhe custasse. A desilusão de Gina era óbvia. Queria que ele a abraçasse, mas Harry pensou que acabava de conquistar o poder que necessitava sobre ela. Não sentia o menor remorso por aproveitar-se da atração física mútua em seu próprio benefício e, para falar a verdade, reprovava-se a si mesmo não ter pensado nisso antes. Especulou que, por volta do fim dessa semana, Gina usaria o manto, mais ainda se, enquanto isso, ele se negasse a tocá-la.
—Harry, em que lugar seguro posso guardar minhas moedas? —perguntou Gina.
—Sobre o suporte da chaminé, atrás de você, há uma caixa —respondeu o homem—. Se quiser, ponha seus xelins junto com as outras moedas.
—Se precisar, posso tomar algumas emprestadas?
—Dá no mesmo —disse Harry sobre o ombro.
Gina olhou carrancuda as costas de Harry, irritada porque o homem nem se incomodou em despedir-se; logo se perguntou aonde iria quando viu que tirava a espada da parede.
—Padre, você sabe para onde Harry vai? —perguntou, quando o marido saiu do salão.
—Caçar —respondeu o padre Weasley, enquanto se sentava outra vez ao lado de Carlos.
—Mas não por esporte, nem para o jantar?
—Não, moça. Persegue os homens que fizeram isto com Carlos. Quando os encontrar, eles não terão muita sorte.
Gina sabia que, de acordo com os códigos de um guerreiro, a vingança era algo honroso, mas mesmo assim a desgostava profundamente. A violência gerava mais violência, certo? Esse era outro assunto no qual jamais estaria de acordo com ele.
Gina exalou um suspiro de resignação.
—Irei procurar mais moedas para você —disse ao sacerdote—. Só Deus sabe quantas indulgências mais este homem necessitará, até que o dia termine!
O padre Weasley conteve um sorriso e se perguntou se Harry sabia como tinha escolhido bem.
—Em nossas montanhas arderão muitos fogos —disse a Carlos, sem se importar que o guerreiro parecesse estar adormecido outra vez.
—O que diz você é verdade —murmurou Carlos.
— Ouviu o modo como Harry e sua esposa gritavam um com o outro? Se estivesse com os olhos abertos, teria visto as faíscas.
— Eu os ouvi.
—Carlos, o que pensa de sua salvadora?
—Vai deixá-lo louco.
—Já era hora.
Carlos assentiu.
—Sim, já era hora. Potter sofreu muito.
—Pelo modo como a olha, dou-me conta de que não sabe o que fazer com ela.
— Ela lhe dará uma moeda cada vez que Harry a exaspere?
—Acredito que sim.
O padre Weasley soltou uma gargalhada e deu uma palmada no joelho.
—Levará tempo até que ela se adapte a nosso modo de vida. E mesmo assim, para este velho é uma alegria contemplá-la.
Gina retornou para junto do clérigo, entregou-lhe duas moedas mais e perguntou por que sorria.
—Estava pensando em todas as mudanças que terá que fazer, moça —disse o sacerdote—. Sei que não será fácil para você, mas chegará o momento em que amará este clã tanto como eu.
—Padre, não lhe ocorreu que talvez seja o clã que se adapte e mude? —perguntou Gina, com os olhos faiscantes de malícia.
O padre Weasley pensou que estava brincando.
—Temo que você se propôs uma meta impossível —disse com um sopro.
— Acredita que seja impossível? – perguntou -. Tão impossível quanto eu querer comer sozinha um urso gigante?
—Sim, tão impossível quanto.
—Posso fazer isso.
— Como? —perguntou o ancião, caindo na armadilha.
—Dentada a dentada.
O padre Weasley deu outra palmada no joelho e explodiu em gargalhadas, seguidas por um ataque de tosse. Gina correu até o dormitório, misturou o ungüento de péssimo aroma que tinha prometido e voltou para junto do sacerdote.
—Padre, tem que esperar uma ou duas horas até que a tosse acalme, antes de esfregar o peito com isto.
O ancião aceitou a remédio com o cenho franzido.
—Cheira como um cadáver, garota.
—Não importa, padre. Asseguro que curará sua tosse.
—Acredito em você, Gina.
—Padre, acha que Harry se incomodará se der uma olhada no piso superior?
—Claro que não, moça. Agora, esta é sua casa.
— Quartos estão ocupados?
O sacerdote negou com a cabeça.
—Isso significa que eu poderia levar minhas coisas para um dos quartos, não é verdade?
—Você quer se mudar...? Moça, Harry não gostará que o deixe.
—Não estou pensando em Harry —retrucou Gina—. Padre, aqui não temos a menor privacidade. Tenho certeza de que meu marido estará muito mais confortável num dos quartos de cima. Por favor, quer pedir você?
O padre Weasley não pôde se negar, pois o sorriso de lady Gina era encantador.
— Pedirei a ele —prometeu.
O padre Weasley estava contente de ficar junto a Carlos e descansar. Estava quase adormecido quando despertou com um chiado de metal que raspava sobre pedra. Voltou-se em direção ao ruído e viu lady Gina lutando com um enorme baú. Estava arrastando o artefato para o primeiro quarto de cima, em direção às escadas.
O clérigo cruzou depressa o salão e subiu.
—Gina, que pensa fazer? —perguntou.
—Padre, penso que poderia usar o quarto da frente —respondeu Gina—. Tem uma bonita e ampla janela.
—Mas, para que está a arastando o baú?
—Ocupa muito espaço —cortou Gina—. Não se canse, padre. Eu tenho força suficiente para movê-lo sozinha.
O sacerdote não fez caso à gabolice da moça e apoiou as costas contra o baú, para ajudá-la a transferir o baú até o segundo quarto.
—Devia ter esvaziado o baú antes de removê-lo.
Gina sacudiu a cabeça.
—Não queria olhar dentro. Não é meu, e todos temos direito a nossas coisas particulares.
—Este baú pertenceu à Helena —disse o padre Weasley—. Acredito que agora seria seu, Gina.
Antes que Gina pudesse responder, o sacerdote se voltou e saiu pela porta.
—Será melhor que volte para junto de Carlos. Tenho que cuidar dele até que Bill traga Elizabeth.
—Obrigado por sua ajuda —gritou Gina.
Quase uma hora depois, o padre Weasley pensou que essa moça não parava nunca. Ficou olhando para o dormitório, perguntando-se o que faria. Quando Elizabeth voltou ao salão grande, o padre Weasley decidiu ir ver o que mantinha Gina tão atarefada.
Ainda estava no segundo quarto. Duas velas acesas davam um brilho suave ao quarto. Lady Gina estava de cócoras em frente ao baú. Quando o padre Weasley entrou, estava fechando a tampa.
— Encontrou algo útil? —perguntou o sacerdote.
Não viu que a jovem chorava até que ela ergueu os olhos e o olhou.
— O que acontece, moça? O que a aflige?
—Sou uma idiota —murmurou Gina—. Ela está morta, e eu não a conheci, padre, mas choro como se tivesse sido minha própria irmã. O senhor me falará a respeito de Helena?
—É Harry que teria que contar—disse o padre Weasley.
—Por favor, padre —implorou Gina—. Quero saber o que aconteceu. Estou certa de que Harry não a matou.
— Deus, não! —disse o padre—. Onde ouviu semelhante coisa?
—Na Inglaterra.
—Helena se suicidou, Gina. Saltou de uma escarpa para o prado.
— Não é possível que tenha sido um acidente? Ela não podia ter-se cansado?
—Não, não foi um acidente. Viram-na. Gina sacudiu a cabeça.
—Não entendo, padre. Por acaso ela era muito infeliz aqui?
O ancião inclinou a cabeça.
—Talvez fosse muito infeliz, Gina, mas escondia muito bem seus sentimentos. Agora compreendo que não cuidamos dela como deveríamos. Tanto Cho como Viviana acreditam que pensava em se matar desde que se casou com Harry.
— Acha que é verdade? —perguntou Gina.
—Penso que sim.
—A morte de Helena deve tê-lo machucado muito.

Embora o padre Weasley não fizesse nenhum comentário, pensou que Gina tinha razão. O fato de que Harry não falasse disso demonstrava que o assuntou ainda era doloroso para ele.
—Padre, por que uma mulher que pensasse em se matar traria todos os seus pertences mais queridos ao lar do marido? Até guardou roupa de criança —continuou Gina—. E também belos lençóis. Não parece estranho que alguém...?
—Não pensava claramente —replicou o padre Weasley.
Gina moveu a cabeça.
—Não, padre, não acredito que se suicidaria. Estou certa de que foi um acidente.
—Moça, tem um coração tenro, e se a alivia acreditar que Helena morreu desse modo, concordo com você.
Ajudou Gina a levantar-se. A jovem apagou as velas e desceu as escadas junto com o padre Weasley.
—Orarei todas as noites pela alma de Helena, padre —prometeu.
Uma criada entrou correndo no salão, viu Gina e gritou:
—Milady, a sua irmã está aqui.
Gina apertou a mão do padre Weasley.
—Deve ser Hermione que veio me visitar —explicou ao sacerdote—. Desculpe-me, por favor?
Antes que o padre Weasley fizesse um gesto de concordância, Gina já estava na metade de caminho.
—Trarei Hermione para que a conheça —exclamou sobre o ombro.
Gina correu para fora, exibindo um amplo sorriso de boas-vindas, mas no instante em que viu sua irmã, o sorriso se esfumou. Hermione estava chorando. Gina olhou ao redor para ver onde estava Rony, mas percebeu que ela estava sozinha.
—Hermione, como conseguiu chegar até aqui? —perguntou, após abraçá-la com entusiasmo.
—Gina, é você quem sempre se perde, não eu —disse Hermione.
—Eu nunca me perdi —retrucou Gina—. Agora, pare de chorar. —Viu que vários Potter as observavam.— Vem, daremos uma caminhada para podermos conversar a sós. Deve me dizer por que está tão perturbada.
Gina puxou sua irmã, conduzindo-a pelo caminho que levava ao recinto inferior.
—Três dos homens do Rony me indicaram o caminho até aqui —explicou Hermione, já refeita—.Menti para eles, Gina. Disse que Rony tinha me dado permissão para vir.
— Hermione, não devia fazer isso! —disse Gina—. Por que não disse ao Rony que queria ver-me?
—Com aquele homem não se pode falar —murmurou Hermione. Ergueu a bainha do vestido amarelo e secou os cantos dos olhos—. Eu o odeio, Gina. Fugi.
—Não, não está falando sério.
—Irmã, não se horrorize tanto. Asseguro que o odeio. É cruel e malvado. Juro que, quando contar o que aconteceu, você também o odiará.
Chegaram à abertura no muro. Gina e sua irmã se sentaram sobre um muro baixo de pedra.
—Muito bem, Hermione, diga-me o que aconteceu —disse Gina—. Aqui estamos sozinhas.
—É vergonhoso —advertiu Hermione—. Mas você é a única com quem me atrevo a falar, irmã.
— Fale!—animou-a Gina.
—Rony não exigiu que me entregasse a ele.
A frase caiu no vazio. Gina esperava que Hermione dissesse algo mais, e Hermione, a reação de sua irmã.
— Ele deu alguma razão?
—Sim —respondeu Hermione—. E inicialmente pensei que era por consideração. Disse que me daria tempo para conhecê-lo.
—Isso foi muita consideração de Rony —admitiu Gina, e franziu o cenho pensando por que Harry não se comportou do mesmo jeito com ela. Mas lembrou-se que Harry não tinha compaixão por ninguém.
Hermione começou a chorar outra vez.
—Como disse, eu assim pensei. Mas logo me disse que se sentia muito aborrecido comigo porque eu a obriguei a me proteger quando aqueles homens nos atacaram. Na verdade, Rony pensa que eu deveria tê-la protegido.
—Por que?
—Porque você é a mais nova.
—Por acaso explicou que eu possuo melhor treinamento e habilidades...?
—Tentei explicar, mas ele não quis me escutar. E então, voltou a me insultar. Admito que lhe disse algumas coisas desagradáveis. Entretanto...
—O que ele disse pra você?
—Disse-me que possivelmente eu era tão fria quanto um peixe, Gina, que todas as inglesas são assim.
—Oh, Hermione, que coisa tão ferina para se dizer a uma recém-casada!
—Isso não é o pior, Gina —murmurou Hermione—. Quando chegamos ao lar do Rony, uma mulher gorda e feia estava esperando-o. Imediatamente, jogou-se nos braços do Rony, e ele não a afastou. O que acha?
—Tem razão, irmã.
— Tenho razão?
—Ele fez com que o odiasse.
—Eu lhe disse —afirmou Hermione—. E agora? O que tenho que fazer? Jamais encontraria o caminho de volta à casa de papai, e tenho certeza de que os homens do Rony não acreditariam se lhes dissesse que tenho permissão do senhor para retornar à Inglaterra.
—Não, é impossível que acreditem nisso —confirmou Gina.
—Quero voltar para o papai!
—Eu sei, Hermione. Eu também sinto falta deles. Às vezes, eu também queria voltar.
—Harry a considera fria como um peixe?
Gina encolheu os ombros.
—Não me disse isso.
—Harry tem uma amante?
— O que?
— Ele tem uma amante?
—Não sei —respondeu Gina—. Possivelmente tenha outra mulher —sussurrou—. Oh, Hermione, Por Deus, não tinha me ocorrido algo assim!
—Gina, eu poderia viver aqui, com você?
— Tem certeza de que isso é o que quer?
A irmã assentiu.
— Hermione, quando conhecemos nossos maridos, eu pensei que Rony era o mais amável dos dois. Sorria, e parecia ter uma aparência alegre.
—Eu também achei —disse Hermione—. Gina, e se ele estiver certo? E se eu sou fria como um peixe? Existem mulheres que não são capazes de responder às carícias de um homem. Acredito que a tia Ruth era assim. Lembra como ela era áspera com seu marido?
—Era áspera com todo mundo —disse Gina.
—Sei que isto deve ser incômodo para você, mas me perguntava se...
—O que, Hermione?
— Se todos os homens são como Rony, ou Harry é mais...? Oh, não sei o que quero perguntar. Agora me aterroriza a idéia de que Rony me toque, e é por culpa dele.
Embora Gina não sabia como ajudar Hermione, estava resolvida a tentar.
—Hermione, tenho que procurar Harry antes que ele saia para caçar —exclamou.
— Vai pedir a permissão dele para que eu fique? —perguntou Hermione, assustada—. E se ele negar?
—Não preciso da permissão de Harry —alardeou Gina, tentando parecer convencida—. O que tenho que lhe dizer agora é outra coisa. Hermione, vá esperar por mim no salão. Apresente-se ao sacerdote, o padre Weasley. Vamos, irmã, não se zangue. Gostará dele. Não é como nosso padre Charles. Eu me reunirei contigo assim que tenha falado com Harry. Depois, prometo que terminaremos nossa conversa.
Antes de começar a descer a colina, Gina observou sua irmã partir. Pensava olhar para o caminho para ver se Harry e seus homens já haviam partido.
Assim que pôs um pé fora do muro, uma fila de soldados bloqueou sua saída. Enchiam as pranchas de madeira da ponte levadiça que cruzava o fosso. Gina imaginou que tinham caído do céu e, decerto, eram mais formidáveis que o próprio muro. Teve que olhá-los um a um.
— Por que me barram o caminho? —perguntou a um homem de barba vermelha que estava diante dela.
—Temos ordens, senhora —disse o soldado.
— De quem?
—Do Potter.
—Entendo —respondeu Gina, dissimulando a irritação—. Meu marido já saiu da fortaleza?
—Não —respondeu o soldado, com um sorriso que suavizava sua expressão—. Está de pé atrás da senhora.
Gina não acreditou nele, até que se voltou e se encontrou frente a frente com Harry.
—Você se move como uma sombra —murmurou, quando se recuperou.
— Aonde acha que vai? —perguntou Harry.
—Estava procurando por você. Por que deu ordens de que impedissem minha saída?
—Para sua segurança, claro.
—Então, serei uma prisioneira enquanto estiver ausente?
—Se prefere considerar assim... _ respondeu Harry.
—Harry, eu gostaria de ir cavalgar a tarde. Eu prometo não fugir. Sem dúvida...
—Gina, nunca pensei que fugiria —replicou Harry, com evidente exasperação.
—E então, por que?
—Poderia se perder.
—Nunca me perco.
—Sim.
— E se prometer que não me perderei?
A expressão de Harry mostrou o quanto a pergunta parecia tola. Bill se aproximou do senhor, segurando as rédeas do cavalo de Harry. Antes que Gina pudesse lhe dizer que precisava lhe falar sobre Hermione, o marido tinha montado.
Gina se interpôs.
—Hermione está aqui.
—Eu a vi.
—Antes que você parta, tenho que falar a respeito de minha irmã. Harry, é um assunto muito importante, pois do contrário não o teria incomodado.
—Escuto-a, esposa. Pergunte o que quiser.
—Oh, não, tem que ser em particular —disse Gina precipitadamente.
— Por que?
Gina franziu o cenho; esse homem obstinado não facilitava as coisas. Aproximou-se de Harry, tocou-lhe uma perna com o dedo e disse:
—Potter, preciso lhe falar a sós. Você me assegurou que me daria tudo o que pedisse, se fosse possível. Sem dúvida, isto é possível.
Enquanto Harry se decidia, Gina manteve a cabeça abaixada. Ao ouvi-lo suspirar, soube que tinha ganhado, mas soltou uma exclamação de surpresa quando o marido a ergueu sem esforço e a colocou sobre o cavalo. Gina só atinou a segurar-se na cintura de Harry antes que o animal saísse a galope. Harry não se deteve até que estivessem bem longe dos homens e do muro.
Gina se demorou alisando a saia. Estavam rodeados de árvores. A jovem lançou um olhar ao redor para assegurar-se de que estivessem sozinhos e logo fixou o olhar em suas próprias mãos.
Quando por fim falou, a paciência de Harry estava quase esgotada.
— Por que não esperou para se deitar comigo?
Harry não estava preparado para semelhante pergunta.
—Harry, por consideração aos sentimentos de Hermione, Rony está esperando. Quer que antes ela o conheça melhor. O que acha disso?
—Penso que não tem muita vontade de se deitar com ela, pois caso contrário já o teria feito. Isso é o que acho. E eu a possuí porque a desejava —continuou—. Você me desejava, não é?
—Sim —admitiu Gina—. Quer dizer, inicialmente não. Olhe Harry, o que quero comentar é o problema de Hermione, não o meu.
O homem não deu importância ao desconforto da mulher.
—Você gostou.
Até sabendo que a arrogância de Harry se transbordaria, Gina foi sincera.
—Sim, eu gostei.
—Olhe para mim.
—Prefiro não fazê-lo.
—Eu prefiro que o faça.
Harry ergueu-lhe o queixo lentamente, obrigando-a a olhá-lo e viu que ruborizava. Não pôde conter-se e beijou a testa franzida.
— E agora o que a incomoda?
—Você gostou? —perguntou a jovem.
—Não consegue adivinhar?
—Rony afirma que as inglesas são frias como peixes —disse com ênfase para que Harry não achasse que estava brincando. Harry riu.
—Não é engraçado — disse Gina, em tom severo —. E você ainda não respondeu a minha pergunta.
—Qual pergunta? —provocou-a Harry.
—Sou fria como um peixe?
—Não.
Gina suspirou aliviada.
—Harry, uma esposa precisa ouvir certas coisas.
—Você quer que eu faça amor com você agora?
—À luz do dia? Não, céus!
—Se não afastar suas mãos, farei amor com você agora mesmo —disse Harry em tom rouco.
Gina viu que estava apertando a coxa de seu marido com as mãos e o soltou imediatamente.
— Então significa que não importa se eu visto seu manto ou não, como sugeriu antes?
—Não o sugeri; afirmei um fato. Antes que a toque novamente, usará minhas cores. E agora, terminaram as perguntas?
—Você está se zangando?
—Não.
—Pois parece.
—Pare de me provocar.
—Você tem outra mulher?
Nesse mesmo instante, Harry soube que nunca compreenderia como funcionava a mente da esposa, já que de repente ela apresentava as preocupações mais absurdas.
—Você se importaria se eu tivesse? —perguntou.
Gina assentiu.
—Você se importaria se eu me entendesse com outro homem?
—Se você se entendesse, diz?
—Você sabe o que quero dizer.
—Eu não o permitiria, Gina.
—Bem, nem eu.
—Esposa, você fala como se fôssemos iguais.
Gina compreendeu que o tinha exasperado e quis desviar a questão.
—Harry, ainda não respondeu a minha pergunta.
—Não, não tenho outra mulher.
Gina sorriu.
—Não é fria — disse o homem—. E ao me perguntar uma coisa dessas, ofende-me.
— Por que o ofendo?
—Porque tenho a responsabilidade de avivá-la. E você estava quente, não é mesmo, Gina?
Na realidade, a arrogância de Harry consolou Gina, mesmo não compreedendo o motivo.
—Possivelmente —murmurou, contemplando a boca do homem—. Mas talvez não, marido. Talvez tenha esquecido.
Harry se propôs a fazê-la recordar-se. Segurou seu rosto entre as mãos e pousou a boca sobre a de Gina. A jovem fechou os olhos, cheia de expectativa.
A boca de Harry, possessiva, apropriou-se da de Gina e a língua entrou e saiu, cumprindo o rito sexual que estremeceu o coração da jovem. Ao sentir que se rendia, Gina tratou de afastar-se, mas Harry o impediu. A boca voraz do homem assaltou uma e outra vez a da mulher, e logo Gina esqueceu toda idéia de detê-lo.
Ele a fez desejar mais. Gina o imitou, com acanhamento ao princípio, logo com audácia, até que as línguas dos dois se acariciaram no mais erótico dos jogos. Quando a esposa gemeu e se apertou contra ele em um movimento instintivo, Harry soube que tinha chegado o momento de parar. Se nesse instante não controlasse suas próprias emoções turbulentas, Harry sabia que a possuiria.
Diabos, talvez ele estivesse até mais quente que ela! Com um gemido de frustração, separou-se da esposa e teve que tirar suas mãos de seus próprios ombros. Imediatamente, Gina escondeu o rosto no pescoço de Harry. Tinha o fôlego entrecortado, como se acabasse de correr uma grande distância colina acima, e percebeu que a respiração do homem parecia tão agitada quanto a sua própria. Isso lhe demonstrou que o beijo afetou Harry tanto como a ela mesma.
Mas as esperanças de Gina foram destruídas quando Harry disse:
—Se tiver terminado com suas perguntas tolas, eu gostaria de voltar a me ocupar de questões mais importantes.
Como se atrevia a fingir-se tão aborrecido depois de um momento de tão maravilhosa intimidade?
—Harry, não é necessário que se comporte como se eu fosse apenas uma amolação para você.
—É o que você é. —respondeu o homem, suspirando. E esporeou ao cavalo no mesmo momento em que Gina se separava dele. Imediatamente, atraiu-a com brutalidade outra vez para si. Esta mulher tinha que compreender qual era seu lugar. Harry era o amo, o senhor, e seria melhor que começasse a aceitar logo esse fato.
—Não tem consciência de sua própria força —murmurou Gina.
—Não, mulher. Você é quem ainda não conhece minha força.
A aspereza do tom de Harry fez Gina estremecer.
— Harry...
—Não se atreva a me perguntar se estou zangado com você —rugiu Harry.
Gina já tinha a resposta. Estava zangado com ela, sem dúvida. Deus era testemunha de que os ouvidos lhe zumbiriam toda a semana!
—Não tem motivos para gritar comigo —disse—. E só pensava em perguntar se Hermione podia...
—Não me incomode com os problemas de sua irmã — ele ordenou. E completou em tom mais suave:
—Uma visita de sua família sempre será bem-vinda.
Não era precisamente uma visita o que Gina estava pensando, mas já o tinha importunado bastante por aquele dia.
—Sua aparência é muito difícil de julgar —assinalou, quando retornaram para junto ao muro e Harry a ajudou a desmontar.
—Harry.
— O que foi, agora?
—Acho que precisarei das duas semanas completas que me concedeu antes de usar seu manto. Possivelmente, nesse tempo, você comece... a me amar um pouco.
Harry se inclinou, segurou-lhe o queixo e disse:
— Diabos, mulher, neste instante nem sequer gosto de você! —disse com tom zangado e frustrado, pois achava que Gina estava provocando-o.
Mas a expressão magoada da moça o fez lamentar a explosão e compreendeu que não tinha tido intenções de provocá-lo. Mais ainda, parecia a ponto de chorar.
Subitamente, Gina se afastou e ostentou uma expressão furiosa. Naquele instante lembrava uma gata selvagem. Já não mais parecia a ponto de chorar. Harry se sentiu regozijado. E aliviado...
—Potter, você tampouco é do meu agrado.
O homem teve o descaramento de sorrir.
—É muito arrogante —afirmou Gina—. Não, não me agrada nem um pouco.
Harry se moveu para onde estavam seus homens e lançou outro olhar à esposa.
—Mente.
—Eu nunca minto.
—Sim, Gina, e não o faz nada bem.
Gina lhe deu as costas e começou a descer a colina. Harry a observou, pensando em como ficaria bela vestindo seu manto. De repente, Gina se voltou e gritou:
— Harry! Tomará cuidado, não?
O medo que percebeu no tom de Gina o fez responder. Assentiu, pensando que isso a agradaria, mas não pôde resistir à tentação de adicionar:
—Pensei que não gostava de mim, inglesa. Por acaso mudou de idéia tão rápido?
—Não.
—E então, por que...?
—Olhe, Potter, este não é momento para uma discussão profunda —disse Gina. Correu outra vez para perto de Harry para que os soldados não ouvissem a conversa—. Você tem que sair para caçar —disse—. E eu tenho que fazer que Hermione se sinta cômoda. Peço que você seja prudente, Harry. —Deu-lhe uns tapinhas na perna, e o homem acreditou que o fazia sem dar-se conta. O olhar aflito de Gina estava fixo no rosto do marido.— Você faz isso só para eu me zangar.
— Por que me chama Potter cada vez que está aborrecida?
Gina o beliscou.
—De vez em quando me zango —afirmou—. Embora não me responsabilize—adicionou com ênfase—. Está bem para você se reorganizo a cozinha enquanto você está ausente? Harry, isso me dará uma ocupação, e pedirei a outros que façam o trabalho pesado; eu me limitarei a dirigi-los.
Harry não teve ânimos para negar.
— Você não levantará um dedo?
—Não.
O homem assentiu. E antes que pudesse abordá-lo outra vez, disse a ela que soltasse sua perna ou a arrastaria com ele.
Gina não pareceu acreditar na ameaça.
A atitude da mulher o fez suspirar. Eliminou aqueles pensamentos da cabeça e se concentrou em assuntos mais importantes. Mais tarde, quando Bill o alcançou, lembrou-se que Gina havia dito que precisava instalar sua irmã de maneira confortável.
Ele pensou que era uma visita de um dia inteiro.
Mas sem dúvida ela falava de instalá-la para sempre.
Sim, compreendeu-o bem quando Bill lhe informou que lady Potter tinha dado refúgio a sua irmã.
Os Ferguson tinham declarado a guerra.
Harry soube que Rony devia estar debatendo-se contra sua própria ira. Enviou Bill de volta ao castelo para vigiar sua esposa. Encarregou outro soldado de confiança para a perseguição, e depois se encaminhou para as terras dos Ferguson.
Pôde interceptar Rony perto do limite entre as terras dos dois. Por própria decisão, Harry ia sozinho, mas Rony levava com ele um pequeno exército, armado para a batalha.
Harry freou seu cavalo e esperou que Rony fizesse o primeiro movimento.
Não demorou a acontecer. Rony tirou a espada e a lançou ao ar de modo que a ponta se cravasse no chão, diante do cavalo de Harry.
Era um gesto simbólico de declaração de guerra. Rony esperou que Harry repetisse o ritual. A expressão de Rony se manteve impassível mas se transformou em genuíno assombro quando viu que Harry movia a cabeça e se negava a lançar a arma.
— Se atreve a recusar a batalha? —gritou Rony, tão colérico que as veias de seu pescoço se incharam.
— Isso mesmo.—gritou Harry.
—Não pode.
—Pois acabo de fazê-lo.
Foi a vez do Rony balançar a cabeça.
—Harry, que jogo é este? —perguntou, embora já não parecesse estar cuspindo brasas.
—Não entrarei numa batalha que não desejo ganhar—afirmou Harry.
— Não quer ganhar?
—Não.
— Por que diabos?
—Rony, seja sincero, acha que quero ter duas inglesas em minha casa?
A pergunta dissipou parte da ira de Rony.
—Mas...
—Se ganhasse, Hermione ficaria vivendo com Gina pelo resto da vida. Você me pede muito, amigo.
— Você não estava de acordo em dar refúgio à minha esposa? —perguntou Rony, com um vislumbre de sorriso.
—Não —respondeu Harry, exasperado.
—Harry, sua esposa teve a audácia de proteger Hermione de mim. De mim! E minha esposa o permitiu. Escondeu-se atrás das saias da irmã, como uma garotinha.
—São inglesas, Rony. Seu engano consistiu em esquecer disso.
—É verdade —admitiu Rony, suspirando—. Esqueci. Mas não me agrada que minha esposa se comporte como uma covarde. É vergonhosa a maneira como obriga a irmã caçula a...
—Não é covarde, Rony — interrompeu-o Harry—. Foi educada para agir assim. Gina fez todas as irmãs acreditarem que ela as protegeria.
Rony riu.
—As duas estão loucas.
—Sim, é verdade —concordou Harry—. Faz tempo demais que somos amigos para permitir que as mulheres criem uma brecha entre nós. Rony, vim até você de boa fé, para pedir-lhe... não, para exigir-lhe que volte a meu castelo e leve sua esposa com você.
— Então recebi uma ordem? —perguntou Rony, rindo.
—Assim é.
— E se ainda sentir vontade de brigar?
—Nesse caso, farei sua vontade —disse Harry, marcando as palavras—. Mas as regras serão diferentes.
O tom divertido de Harry intrigou ao Rony.
— Como?
—O perdedor levará as duas esposas.
Rony jogou a cabeça para trás e explodiu em gargalhadas. Harry o tinha ajudado a fazer um bom papel diante de seus homens; permitiu-lhe retratar-se sem parecer perdedor.
—Harry, você não cederia seu prêmio, mas me reanima saber que nem você se acertou com sua esposa.
—Ela se acostumará.
—Com respeito à Hermione, tenho minhas dúvidas.
—Rony, o que se precisa é mão firme.
Rony fez um gesto aos soldados de que fossem embora antes de responder ao comentário de Harry.
—Mão firme e uma mordaça, Harry. Desde que chegamos à minha casa, essa mulher não parou de reclamar. Sabe que até se incomoda com o fato de eu ter uma amante?
Harry sorriu.
—Assim é mais divertido.
—Possivelmente eu a deixe ficar com Gina.
—Rony, nesse caso haverá guerra. Hermione pertence a você.
—Deveria tê-las visto, Harry. —Arrancou a espada da terra, guardou-a na bainha, e acrescentou—: Sua esposa protegia Hermione enquanto não parava de me insultar. Chamou-me de porco.
—Já o chamaram de coisas piores.
—Sim, mas só meus homens, e não viveram muito tempo para vangloriar-se disso.
—Minha esposa tem caráter —admitiu Harry, sorrindo.
—Eu gostaria que parte dele contagiasse Hermione. Corre como um coelho assustado.
—Quando me informaram deste problema, eu estava no rastro dos atacantes de Carlos —disse Harry, mudando de assunto.
—Soubemos o que aconteceu —respondeu Rony—. O que você acha se o acompanho na busca? Pelo que entendi, os responsáveis foram os barões da montanha — especulou Rony, referindo-se aos indivíduos que foram expulsos de seus respectivos clãs e que formaram sua própria unidade. Eram chamados barões porque era um título que os ingleses valorizavam e, em conseqüência, era o apelido mais ofensivo que um escocês podia aplicar. Por outro lado, era apropriado pois, à semelhança dos ingleses, estes homens da montanha eram vilãos que lutavam sem honra nem consciência.
—Aceito com muito prazer sua companhia, Rony, mas antes deve levar Hermione para sua casa. Depois pode nos alcançar perto do Peak.
Harry e Rony não voltaram a falar até que chegaram à casa do primeiro. Gina estava de pé no centro do pátio, com Hermione a seu lado. Ao ver seu marido, sorriu, até que distinguiu a expressão de Harry, e então, o sorriso se esfumou.
— Deus, Rony tem uma expressão como se quisesse me matar! —murmurou Hermione, aproximando-se mais de sua irmã.
—Sorria, Hermione. Isso o confundirá —aconselhou Gina.
Harry desmontou e se aproximou lentamente de sua esposa. Era claro que não sorria. Para falar a verdade, a expressão do guerreiro era capaz de azedar o leite. Gina inspirou profundamente.
—Harry, já abandonou a caça?
Harry não deu importância da pergunta.
— Você deu refúgio à lady Ferguson?
— Não —repetiu Gina—. Eu não considerei assim, marido.
—Responda-me.
O tom zangado de Harry a queimou como um ferro em brasa, e isso acendeu a ira da própria Gina. Como se atrevia a criticá-la diante dos convidados?
—Hermione me perguntou se podia ficar, e eu lhe dei permissão —disse—. Se quer chamá-lo refugio, fique à vontade. Eu protegerei Hermione.
— Você a protegerá de seu próprio marido? —perguntou Harry, com ar incrédulo.
—Sim, se o marido é um caipira insensível —respondeu Gina.
Dirigiu a Rony uma expressão severa, e logo se voltou para Harry—. Harry, ele maltratou os sentimentos de minha irmã. O que queria que fizesse?
—Que se ocupasse de seus próprios assuntos —espetou o marido.
—Foi cruel com ela.
—Sim, foi —gritou Hermione, contagiada pelo ardor de sua irmã—. Se não puder ficar aqui, então acharei o caminho de volta à Inglaterra.
—Eu poderia guiá-la —murmurou Gina. Uniu as mãos e esperou que Harry respondesse à ameaça.
—Terminaria na Normandia —senteciou Harry.
Antes que Gina pudesse responder, Harry se dirigiu a Hermione. Olhou-a com severidade até que a jovem se afastou do lado de sua irmã, e depois ergueu Gina nos braços com um férreo apertão. Gina não resistiu, sabendo que seria em vão. Além disso, viu o padre Weasley de pé sobre os degraus, observando-os.
Por certo, não queria que um clérigo a visse comportar-se de um modo impróprio para uma dama.
— Eu não retornarei com você! —gritou Hermione.
Rony não respondeu à provocação e se moveu com uma velocidade assombrosa num homem de seu tamanho. Antes que Hermione pudesse gritar, estava de barriga para baixo sobre o colo de seu marido sobre a sela.
Durante esta absurda situação, Gina se desesperou por conservar a dignidade. A pobre Hermione estava estendida sobre a sela como um saco de cevada. E embora fosse humilhante, Gina desejou que Hermione não armasse tanto escândalo. Os gritos indignados atraíam ainda mais a atenção para aquela situação lamentável.
—Não posso ficar imóvel enquanto ele a envergonha deste modo —sussurrou Gina.
—Oh, pode sim—afirmou Harry.
—Harry, faça alguma coisa.
—Não vou interferir, nem você —respondeu—. Hermione não teve tudo o que merece, Gina. Rony tem um caráter quase tão feroz quanto o meu. Sua irmã envergonhou seu marido.
Gina observou Rony e Hermione até que desapareceram cruzando a clareira.
—Não a machucará, não é, Harry?
O medo de Gina era evidente, e Harry o considerou irracional.
—Não baterá nela, se isso for o que a preocupa —respondeu—. Agora, Hermione é problema dele.
—Minha irmã esqueceu seu cavalo.
—Não precisará dele.
Gina contemplava a boca de Harry, recordando a sensação que sentia ao beijá-la. Soube que era uma idéia tola, diante do problema de Hermione que ainda não estava resolvido, mas não pôde evitá-lo.
—Possivelmente eu terei que levar o cavalo para ela amanhã—disse Gina, pensando no que fazer para que seu marido a beijasse outra vez.
Harry soltou-a e começou a afastar-se, mas Gina não queria que a deixasse ainda.
—Harry, disse que o caráter do Rony era quase tão feroz quanto o seu, mas tinha garantido que nunca se zangava. Não acha que é uma contradição?
—Você me entendeu mal —respondeu Harry—. Disse que não me zangaria com você.
Começou a descer a colina enquanto Gina erguia a barra da saia e corria atrás dele.
—E quando perde o controle, então?
Harry não pôde resistir à tentação. Sua esposa era demasiado fácil de provocar. Não se voltou para que Gina não o visse sorrir.
—Quando se trata de algo que me importa. Algo importante.
A exclamação abafada de Gina fez o sorriso de Harry alargar.
— Oh! —disse a jovem, em um tom que revelava os desejos de estrangulá-lo que sentia.
—Não me importune mais.
Era o último insulto que estava disposta a permitir.
—Olhe, Potter, não é necessário que insista no fato de que me considera tão insignificante. Compreendo-o muito bem —afirmou—. Se eu fugisse, não iria atrás de mim, não é mesmo?
Harry não respondeu.
—Claro que não o faria. Sou muito insignificante para que se incomode, não?
—Não, não iria atrás de você.
Gina viu-se obrigada a baixar a cabeça, pois não queria que Harry visse o quanto a havia ferido, se chegasse a voltar-se.
O que importava se ia atrás dela ou não? “É um escocês bárbaro”, recordou-se.
—Mandaria alguém para buscá-la. —Por fim, Harry voltou-se e a tomou nos braços.— Mas não irá a lugar algum e, em conseqüência, não tem importância, não é?
—Harry Potter, começo a detestá-lo.
—Inglesa, teria que fazer algo para mudar esse temperamento. —Acariciou-lhe a face—. Trate de não se meter em confusões enquanto eu estou ausente.
Gina supôs que essa era uma espécie de despedida, pois Harry montou o potro e a deixou ali, olhando-o.
Tocou a face que Harry tinha acariciado.
Depois endireitou os ombros e afastou a mão bruscamente.
Quase o odiava. Quase...
Lembrou que ele tinha dado permissão para reorganizar a cozinha. E embora fosse uma tarefa pequena, significava um começo. No momento certo, quando percebesse como o lar ficara mais agradável, Harry dependeria de Gina.
Gina ergueu os ombros e começou a subir a colina.
Seria melhor que começasse nesse mesmo momento.
Sorriu com renovado entusiasmo. Harry tinha-lhe dado uma tarefa.


Na.: Havia prometido a mim mesma que nao iria atualizar mais caps essa semana...a FIC e curta tera so 17 CAPs, e nao quero postar todos antes de uma semana!!!
Mas eu nao consigo!

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Comentários: 2

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Enviado por Nathalia Weasley Malfoy em 31/08/2013

Essa adaptação ficou perfeita!!! Amando a cada dia mais!

Nota: 5

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Enviado por Lana Silva em 25/04/2012

Ualllllllllllllllllllll muiiito legal kkkkkkkkkkkkkkkkkk até ai o Ron e a Mione brigam, vixi!

Nota: 5

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