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10. Milagres


Fic: A noiva


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CAPÍTULO DEZ

Os sussurros despertaram Gina. Inicialmente se desorientou. Ainda ardiam as velas, lançando sombras que dançavam sobre o biombo. Gina as contemplou por uns momentos antes de compreender onde estava.
Os murmúrios se deixaram ouvir outra vez. Gina se esforçou para captar alguma e outra palavra, e quando conseguiu, despertou completamente e tremeu de medo. Agora entendia o que diziam! Era o sacramento da extrema-unção o que estava ouvindo, o rito sagrado dedicado a uma alma que partia.
Deviam ter encontrado Carlos. Gina fez o sinal da cruz depressa, vestiu a bata e foi oferecer suas próprias preces. Embora a considerasse uma estranha, de todos os modos era a esposa de Harry. Acaso não era seu dever permanecer junto ao marido quando me despedia de um amigo?
Harry não a ouviu aproximar-se. Gina ficou atrás do marido, observando como o sacerdote lia a texto sagrado.
O corpo estava sobre a mesa mais afastada da lareira. O velho sacerdote, vestido com o traje de luto, negro, bordado de púrpura, estava de pé junto a uma das pontas da mesa. De cabelos grisalhos e rosto enrugado, falava com um tom carregado de tristeza.
Harry estava de pé junto ao extremo oposto da mesa. Os espaços intermediários estavam cheios de soldados de distintas patentes. Cho, Viviana e outra mulher, que Gina adivinhou que seria Elizabeth, estavam perto da lareira.
O coração de Gina se compadeceu da sofrida mulher. Viu que o rosto de Elizabeth estava sulcado de lágrimas, mas de sua boca não brotava um som, e isso a fez admirá-la mais ainda. Sem dúvida, em circunstâncias similares Gina teria gemido sem controle.
Apareceu por trás de seu marido para ver melhor o homem que estavam velando.
Inicialmente pensou que estava morto. Gina estava acostumada a ver feridas de todo tipo, e por isso não passou mal ao contemplar o horrendo espetáculo, embora faltasse pouco. Num primeiro momento, pareceu-lhe que havia sangue por todos os lados. Mas Gina não podia saber que proporção provinha de feridas graves, e quão sério era o dano. Uma grande ferida curva cobria grande parte do peito do guerreiro. Além disso, tinha o braço esquerdo quebrado, perto do pulso mas Gina achou que era um corte limpo.
Era um homem com cicatrizes de batalha, traços austeros e cabelo castanho escuro. Um enorme hematoma inchava sua testa, dando-lhe um aspecto grotesco. Gina contemplou longamente o inchaço, perguntando-se se esse golpe teria sido a causa da morte.
De súbito, o homem morto fez uma careta. Foi um movimento tão leve que se não tivesse estado observando-o com tanta atenção, não teria reparado.
Na mente de Gina acendeu-se uma faísca de esperança. Concentrou-se no modo em que o guerreiro respirava. Embora a respiração fosse superficial, era tão genuína quanto a de um galo de briga. Esse era um bom sinal, pois quando a morte se aproximava da presa, produzia-se uma respiração trêmula.
A verdade a tomou de surpresa: Carlos não estava morto... ainda.
O sacerdote não terminava nunca as orações, e Gina não queria esperar. Sem dúvida, o homem que estavam encomendando pegaria uma febre e morreria, a menos que a jovem pudesse curar seus ferimentos.
Gina deu um tapinha no ombro de Harry e este se voltou imediatamente; logo se moveu para lhe obstruir a visão do soldado ferido. Não parecia muito contente de vê-la.
—É Carlos? —murmurou Gina. Harry assentiu.
—Volta para a cama, Gina.
—Ele não está morto.
—Está morrendo.
—Não, não acredito que esteja morrendo, Harry.
—Vá para a cama.
—Mas, Harry...
—Já.
A aspereza da ordem afligiu a jovem. Gina girou lentamente e se encaminhou de volta à cama. Mas enquanto ia, fez uma lista mental das coisas que precisava para atender o ferido.
Quando retornou para junto do marido, tinha os braços carregados com frascos de remédios. Tinha metido uma agulha longa e fio forte no bolso da túnica e três meias brancas assomavam do outro bolso. Gina estava resolvida a fazer tudo que fosse possível para salvar o guerreiro, com ou sem a cooperação do marido. Só esperava que Harry não armasse muito escândalo antes de dar-se por vencido.
Mas não teria mais remédio que render-se.
O sacerdote deu a bênção final e se ajoelhou. Harry fez um gesto a seus homens, voltou-se e quase jogou Gina ao chão. Sem pensar, segurou-a para que não caísse.
Estava furioso com sua esposa: sua expressão demosntrava. Bem como o modo como lhe apertava os ombros. Gina inspirou fundo e exclamou:
—Na Inglaterra temos um estranho costume. Não choramos a morte de um homem até que esteja morto, e não chamamos o sacerdote até estar seguros de que tenha falecido.
Essa afirmação obteve a atenção total de Harry.
—Harry, não pode estar seguro de que Carlos esteja moribundo. Deixe-me ver as feridas. Se Deus tiver decidido levá-lo, nada do que eu faça mudará as coisas.
Moveu os ombros para soltar-se das mãos de Harry enquanto esperava uma resposta, que demorou mais do que ela gostaria. Harry a olhava como se tivesse perdido o juízo. Gina tentou deslocar-se para o lado, mas seu marido voltou a lhe obstruir a visão.
—Há muito sangue.
—Já vi.
—O sangue a faz desmaiar.
—Harry, de onde tirou isso?
Harry não respondeu.
—Não vai me acontecer nada.
—Se desmaiar, eu me zangarei.
“E se sua voz se torna ainda mais áspera, fará explodir um relâmpago”, pensou Gina.
—Marido, eu o atenderei, com sua permissão ou sem ela. Agora, saia de meu caminho!
Harry não se moveu, mas abriu os olhos, surpreso ante a dureza da ordem. Gina pensou que queria estrangulá-la e chegou à conclusão de que esse não era o modo de abordá-lo.
—Harry, acaso eu lhe disse como lutar contra aqueles bandidos que nos atacaram?
Harry achou a pergunta ridícula. Gina respondeu por ele:
—Não, é obvio que não o fiz. Esposo meu, eu não sei nada de lutas, mas sei muito a respeito de curas. Tratarei Carlos, e isso é tudo. Por favor, retire-se de meu caminho. Seu amigo sofre uma dor horrível.
Foi essa última afirmação o que convenceu a Harry.
— Como sabe que sofre?
—Eu o vi fazer uma careta.
— Tem certeza?
—Muita.
A ferocidade no tom de Gina surpreendeu Harry. Ante seus próprios olhos estava se transformando numa tigresa.
—Faça o que puder.
Gina exalou um suspiro enquanto se aproximava depressa da mesa. Apoiou os frascos num canto e se inclinou sobre Carlos para examinar suas feridas.
Todos os guerreiros se aproximaram outra vez da mesa. Pareciam confussos, por isso Harry acreditou que enfrentaria uma rebelião. Cruzou os braços sobre o peito e contemplou os presentes, que haviam se voltado em sua direção. Era evidente que esperavam ver o que faria em relação com a atrevida intervenção de sua esposa.
Gina não deu atenção aos soldados. Apalpou com suavidade os extremos da protuberância na testa de Carlos. Logo, examinou a ferida do peito.
—Tal como imaginava —disse.
— Algum dano? —perguntou Harry.
Gina moveu a cabeça e disse em tom esperançado:
—A maior parte é aparente.
—Aparente?
—Quero dizer que parece mais grave do que na realidade é —explicou Gina.
— Ele está morrendo?
Foi o sacerdote quem perguntou. Ofegante, o ancião ficou de pé com esforço e olhou para Gina com a expressão mais feroz que a jovem jamais tinha visto.
—Tem uma boa possibilidade, padre —disse Gina. Ouviu um grito de mulher e imaginou que provinha de Elizabeth.
—Eu gostaria de ajudar -disse o sacerdote.
—Eu ficaria grata —devolveu a jovem. Ouviu que, atrás dela, os soldados murmuravam baixinho. Não lhes deu importância e deu as costas a seu marido—. Notei que você saía com seus homens, mas se não tiver algo muito importante que fazer, sua ajuda me viria bem.
—Íamos construir uma caixa —explicou Harry.
—Uma caixa?
—Um ataúde —interveio o sacerdote.
Gina adotou uma expressão incrédula e sentiu vontade de cobrir os ouvidos de Carlos com as mãos para que não ouvisse aquela conversa desencorajadora.
— Pelo amor de Deus! Já estavam enterrando Carlos antes que deixasse de respirar?
—Não, teríamos esperado —respondeu Harry—Realmente acha que pode salvá-lo, não é mesmo?
—Como posso ajudar? —perguntou Bill, antes que Gina pudesse responder o marido.
—Preciso de mais luz, ataduras de linho, um tigela com água morna, mais tigelas com água e duas tabuletas de madeira, mais ou menos deste tamanho, Bill —indicou com as mãos as medidas das tabuletas que precisava.
Se acaso pensaram que o que Gina tinha pedido não fazia sentido, nada disseram.
—Ele está com o braço quebrado, garota. Pensa em cortá-lo? —perguntou o sacerdote.
Às costas de Gina, um soldado murmurou:
—Carlos preferiria morrer antes que cortassem seu braço.
—Não cortaremos seu braço —afirmou Gina, exasperada—. Vamos endireitá-lo.
— Realmente? —perguntou o clérigo.
—Sim.
O círculo de homens em volto da mesa se estreitou. Bill se abriu passo a cotoveladas até a senhora.
—Aqui está a tigela de água que pediu. Os outros estão atrás de você.
Gina abriu os frascos de remédios, tomou entre o polegar e o indicador um pingo de um pó pardo e o misturou com a água do tigela. Quando o líquido turvou, deu-o a Bill.
—Por favor, segure isso por um momento.
— O que é, senhora? —perguntou Bill, cheirando a poção.
—Um sonífero para o Carlos. Irá aliviar a dor.
—Já está dormindo.
Gina não reconheceu a voz e soube que esse comentário vinha de outro soldado que falava em tom colérico.
—Sim, está adormecido —murmurou outro soldado qualquer.
—Não está dormindo —replicou Gina, esforçando-se para ser paciente. Compreendeu que tinha que conquistar a confiança dos homens para que colaborassem com ela.
—Então, por que não nos fala nem nos olha?
—Porque sofre muito —respondeu Gina—. Harry, pode levantar sua cabeça para que possa beber mais facilmente?
Harry foi o único que não discutiu. Aproximou-se da mesa e levantou a cabeça de Carlos. Gina se inclinou sobre o amigo de Harry, rodeou seu rosto com as mãos e falou:
—Carlos, abra os olhos e olhe pra mim.
Foi necessário que repetisse suas palavras três vezes, gritando a última até que, por fim, o guerreiro obedeceu.
Um murmúrio de surpresa correu em volto da mesa; os incrédulos se convenceram.
Não cessou de insistir até que o guerreiro bebeu boa parte do preparado. Então, suspirou satisfeita.
—Em um ou dois minutos, a poção fará efeito.
Depois desta afirmação, Gina ergueu os olhos. Harry sorria.
—Ainda é possível que tenha uma febre e morra —sussurrou, temerosa de ter dado muitas esperanças e de ter sido pouco precavida.
—Ele não se atreveria.
—Não?
— Não depois da maneira como gritou com ele...! —replicou Harry.
Gina sentiu que se ruborizava.
—Tinha que erguer a voz —se desculpou—. Era o único jeito de que ele respondesse.
—Acho que já está dormindo —interveio Bill.
—Veremos —disse Gina. Outra vez se inclinou sobre Carlos e rodeou o rosto com as mãos.
— A dor está diminuindo? —perguntou.
O guerreiro abriu lentamente os olhos e Gina viu que o remédio começava a fazer efeito, pois os olhos claros estavam turvos e o semblante tinha adquirido uma expressão serena.
—Fui para o Céu? —perguntou Carlos num sussurro. —Você é meu anjo?
Gina sorriu.
—Não, Carlos. Ainda está nas Terras Altas.
Uma expressão de horror atravessou o semblante do soldado.
—Deus Todo-poderoso, não estou no Céu! Estou no Inferno! É um truque cruel do demônio. Você parece um anjo, mas fala como uma inglesa.
A última afirmação foi um bramido e, imediatamente, começou a debater-se. Gina se inclinou tão perto do ouvido direito de Carlos que quase o beijava, e murmurou em gaélico:
—Fique tranqüilo, amigo. Está a salvo entre paredes—mentiu.— Se o faz sentir melhor, imagine a próxima batalha contra os ingleses, mas cale-se. Deixe que a poção o faça dormir.
O suave sotaque com que Gina lhe falou soou estranho a ela mesma, mas Carlos estava muito aturdido para notá-lo. Deixou de lutar e fechou outra vez os olhos.
Dormiu com um sorriso nos lábios.
“Deve estar contando os soldados inimigos que matará”, pensou Gina.
—O que lhe disse, milady?—perguntou um soldado por cima do ombro de Gina.
—Disse-lhe que era muito obstinado para morrer —respondeu Gina, dando de ombros.
Bill estava pasmo.
—Mas, como sabe que Carlos é obstinado?
—É escocês, não é?
Bill olhou para Harry para ver se ele se sentia divertido ou insultado pelo comentário de lady Potter. Mas aquele sorria, e Bill chegou à conclusão de que a senhora só brincava. Com o cenho franzido, perguntou-se quanto tempo levaria até entender essa inglesa insólita. A voz doce da mulher era tão enganosa quanto sua aparência: era como uma bonequinha delicada. O topo de sua cabeça mal alcançava o ombro do marido...! E se não estava prevenido, essa voz algo rouca era capaz de convencê-lo a realizar qualquer desejo que formulasse...
—Eu também queria ajudá-la.
A voz chorosa pertencia a Elizabeth, que estava do outro lado da mesa, olhando para Gina. A mulher loira ainda estava assustada, mas decidida, e quando Gina sorriu, devolveu-lhe um sorriso algo vacilante.
—Carlos é meu marido. Farei qualquer coisa que me disser.
—Agradeço sua ajuda —lhe disse Gina—. Umedeça este pano e sustente-o contra a testa de seu marido —indicou.
Gina tirou as três meias do bolso e meteu numa delas a tabuinha que Bill tinha trazido. Antes que terminasse, um dos soldados tinha feito o mesmo com a segunda tabuinha.
Nesse momento suas mãos tremiam, pois já não podia postergar a tarefa que mais a assustava. Era hora de endireitar o braço do Carlos.
—Na Inglaterra está na moda utilizar uma medicação diferente para fazer um homem dormir, mas eu não estou de acordo com esse tipo de tratamento —divagou—. Rogo que Carlos durma enquanto lhe fazemos isso.
—Teria dormido melhor se tivesse empregado esta medicação? —perguntou um soldado.
— Sim! —respondeu Gina—. Mas talvez não despertasse. Acontece na maioria dos casos. As desvantagens superam as vantagens, não acha?
Imediatamente, os soldados assentiram.
—Harry, terá que fazer isto por mim pois eu não tenho força suficiente—disse—. Bill, preciso de tiras longas de linho, preparadas para amarrar as tabuinhas.
Gina colocou a mão torcida de Carlos na terceira meia, fez cinco buracos na parte dos dedos do pé, e passou os dedos por esses orifícios. Cada vez que lhe tocava o braço, lançava um olhar angustiado a Carlos para ver se despertava.
—Harry, segure o braço. Bill, você sustenta o antebraço —indicou—. Puxem muito lentamente, por favor, até que eu possa endireitar o osso. Elizabeth, vire-se de costas. Não quero que veja isto.
Gina aspirou com força para serenar-se, e logo murmurou:
—Deus, como detesto esta parte de meu trabalho! Agora.
Foram necessários três tentativas até que a jovem se assegurou que as pontas do osso quebrado estavam na posição correta. Deslizou a primeira tabuinha debaixo do braço, logo pôs a segunda em cima. Tremiam-lhe as mãos. Harry segurou as tabuinhas enquanto Gina envolvia várias voltas da faixa nas madeiras. Quando terminou, o braço de Carlos ficou firmemente entalado.
—Acabou; o pior já aconteceu —disse, com um profundo suspiro de alívio.
—Falta o peito, milady —recordou o sacerdote. Deixou escapar uma tosse áspera e dolorosa, e adicionou:
—Tem uma ferida aberta aí.
—Parece pior do que em realidade é —respondeu Gina.
Sorriu para ouvir um suspiro coletivo. Pediu mais luz e ficou quase cega pela quantidade de velas que os soldados providenciaram para que pudesse ver.
Gina pediu outra tigela com água morna. Abriu outro frasco de remédio, jogou uma boa quantidade de um pó alaranjado no líquido e entregou a mistura ao sacerdote, surpreendendo-o.
—Beba isso. Curará sua tosse —disse—. Estou certa de que dói.
O clérigo ficou mudo. Tanta consideração o deixava perplexo. Bebeu um bom gole e fez uma careta.
—Beba tudo, padre —ordenou Gina.
Como um menino, resistiu uns instantes e logo obedeceu.
Gina voltou a atenção à ferida do peito de Carlos. Concentrou-se na tarefa. A ferida formava uma crosta com barro e sangue seco. Gina a limpou com meticulosidade, pois, pela experiência passada e as instruções de sua mãe, sabia o terrível dano que podia ocasionar uma só sujeirinha que ficasse dentro de uma ferida. E embora não soubesse a razão, sabia que era assim. Como os lábios da ferida eram desiguais, costurou-os com agulha e fio.
Harry ordenou que levassem uma cama ao grande salão. Sabia que Gina quereria ter o paciente por perto, e a cabana do Carlos estava a boa distância.
A esposa do Carlos não tinha pronunciado uma só palavra em toda aquela longa noite. Não se moveu de onde estava, em frente à Gina, e observou cada um dos movimentos da jovem.
Gina quase não lhe deu muita atenção. Tinha estado inclinada sobre o guerreiro por tanto tempo que, quando enfim se levantou, uma dor correu por suas costas fazendo-a que abafasse uma exclamação. Cambaleou para trás, e antes que pudesse recuperar o equilíbrio, sentiu que uma dúzia de mãos a seguravam.
—Elizabeth, por favor, me ajude a enfaixar o peito de seu marido —pediu, com intenção de fazer a aflita mulher participar da cura.
Elizabeth estava ansiosa por ajudar. Assim que o tratamento terminou, Harry levou seu amigo para a cama. Gina e Elizabeth o seguiram.
—Quando acordar, estará furioso por causa da dor —vaticinou Gina—. Elizabeth, terá que conviver com um urso.
—Mas acordará. —Na voz de Elizabeth vibrou um sorriso.
—Sim, o fará —confirmou Gina.
Esperou que Elizabeth acomodasse as mantas sob os ombros do marido, e logo perguntou:
— Para onde foram Cho e Viviana?
—Retornaram à sua cabana, para dormir —respondeu Elizabeth. Acariciou a testa de Carlos com um gesto afetuoso que demonstrava o quanto o amava—. Eu ia despertá-las quando Carlos... quando ele tivesse morrido.
Gina olhou para Harry, perplexa.
O padre Weasley atraiu a atenção de todos, pois começou a roncar. O ancião sacerdote estava atirado numa cadeira que tinha aproximado da mesa.
— Oh! —exclamou Gina—. Esqueci de dizer que a beberagem lhe daria sono.
—Pode dormir aqui —disse Harry. E dirigindo-se à esposa de Carlos, acrescentou:
—Elizabeth, vá descansar um pouco. Bill e eu nos revezaremos para cuidar de seu marido até que volte.
A expressão abatida de Elizabeth indicou a Gina que não iria deixar seu marido, mas se apressou a concordar e se encaminhou para a porta. Gina compreendeu que a obediência ao senhor era mais importante que qualquer outra consideração.
—Harry, se você estivesse doente, sem dúvida eu não quereria me afastar de seu lado. Por que não deixa que Elizabeth durma aqui? Poderia descansar numa cadeira, ou talvez usar um dos dormitórios de cima, não acha?
Elizabeth deu meia-volta.
—Estaria muito confortável —assegurou.
Harry passou o olhar de uma mulher a outra, e logo assentiu.
—Vá buscar suas coisas —disse—. Dormirá em um dos quartos de cima, Elizabeth. Não se esqueça de seu estado. Carlos se zangaria se ao despertar a visse exausta.
Elizabeth fez uma reverência formal.
—Obrigada, milorde —disse.
—Sirius, acompanhe Elizabeth à cabana para buscar suas coisas —comandou Harry.
Gina ficou junto da cama, observando Carlos. Elizabeth se aproximou dela, hesitou por uns instantes e depois tomou-lhe a mão:
—Quero agradece-la, senhora —murmurou.
—Não terá que despertar Cho e Viviana —comentou Gina. Elizabeth sorriu.
—Não, não terei que despertá-las. —Começava a ir-se, mas se voltou.— Quando meu filho nascer, levará o nome de seu pai.
_ Quando será esse acontecimento maravilhoso? Perguntou Gina.
—Dentro de seis meses. E se for uma menina...
—Eu lhe darei seu nome, milady.
Se tivesse tido forças, Gina teria rido, mas estava tão esgotada que só pôde sorrir.
—Harry, você ouviu a promessa de Elizabeth? Ela não acredita que Gina seja um nome estranho. O que acha?
Elizabeth sorriu para Harry, esperou que concordasse e disse:
— Acreditava que seu nome era Jane, milady.
Harry riu pela esposa. Elizabeth estreitou a mão de Gina para demonstrar que estava brincando, e saiu do salão com Sirius.
— Esse indivíduo sorri alguma vez? —perguntou Gina a Harry quando ficaram sozinhos.
—Quem?
—Sirius.
—Não, Gina.
—Detesta-me com toda sua alma.
—Sim, é verdade.
Gina olhou zangada para Harry por ter concordado com tanta facilidade, e depois preparou outra beberagem que tinha poder para fazer baixar a febre. Dirigia-se outra vez ao redor da cama quando de repente lembrou que não tinha examinado a parte inferior do corpo de Carlos para ver se havia outras feridas para curar.
Resolveu pedir a Harry que o fizesse enquanto ela fechava os olhos.
—Não há mais feridas —afirmou Harry, depois de atender o pedido de Gina.
O alívio de Gina não durou. Quando abriu os olhos, Harry estava a poucos centímetros dela e sorria.
—Esposa ruborizada. Se houvesse encontrado outras feridas, o que teria feito?
—Curá-las, se fosse possível —respondeu Gina—. E talvez ficasse ruborizada durante todo o tempo enquanto o fizesse. Harry, não esqueça de que sou só uma mulher.
Esperou que Harry a contradissesse.
—Sim, é mesmo.
A forma como a olhava fez com que o rubor de Gina se intensificasse. O que acontecia com este homem? comportava-se como se quisesse dizer algo e não se decidisse.
—Marido, estou feia outra vez? Sei que devo estar um desastre.
—Nunca está feia —respondeu Harry, afastando uma mecha de cabelo sobre o ombro de Gina. O tenro gesto provocou um estremecimento nos braços de Gina—. Mas concordo que parece um desastre.
Gina não soube como interpretar a frase. Seu marido sorria, e supôs que não estava brincando. Ou sim? Este homem tinha um estranho senso de humor.
Quanto mais Harry a contemplava, mais nervosa ela ficava.
—Vamos, faça com que Carlos beba isto. —Entregou-lhe a tigela.
—Nas últimas horas você disparou ordens como um comandante no campo de batalha, Gina. Mas agora se mostra tímida. A que se deve a mudança?
—A você —respondeu Gina—. Quando me olha assim, fico acanhada.
—É bom saber.
—Não, com certeza não é bom —murmurou Gina. Arrebatou-lhe a tigela das mãos, correu para junto de Carlos e insistiu com o paciente para que bebesse uma boa quantidade.
—Quero que use meu manto —disse Harry.
—O que?
—Esposa, quero que vista minhas cores.
—Por que?
—Porque agora me pertence —explicou Harry, paciente.
—Eu vou vestir seu manto quando meu coração desejar pertencer a você, Potter, e nem um minuto antes disso. O que você acha disso?
—Poderia ordenar que...
—Mas não o fará.
Harry sorriu. Afinal de contas, sua pequena e gentil esposa começava a entendê-lo. E ele também começava a compreender como funcionava a mente de Gina. Esta mulher tola ainda não aceitava que seu próprio coração começava a abrandar-se para ele. Mas Harry queria que ela o admitisse.
—O que disse a Elizabeth era verdade? Se eu estivesse ferido, ficaria a meu lado?
—É óbvio.
Gina nem olhou por cima do ombro quando completou:
—Marido, pode abandonar esse sorriso presunçoso já. Qualquer esposa ficaria junto a seu marido: é nosso dever.
—E você sempre cumpre com seu dever.
—Claro.
—Gina, vou lhe dar duas semanas para decidir, mas você terminará usando meu manto.
Enquanto contemplava Gina, uma verdade contraditória abriu caminho na mente de Harry: na realidade, queria que ela o quisesse. Queria que o amasse. Mesmo assim, estava decidido a não amá-la. O motivo era simples: um guerreiro não amava a esposa, possuía-a. Claro que existiam boas razões para isso: o amor complicava a relação. Por outra lado, fazia com que um senhor esquecesse suas obrigações. Não, nunca amaria Gina, mas se empenharia para que muito em breve ela se apaixonasse por ele.
—Duas semanas.
Gina não precisava que ele repetisse.
—Meu marido, é muito arrogante.
—Fico feliz por ter notado.
Harry saiu do salão antes que Gina pudesse abafar uma risada que poderia provocá-lo outra vez. Os soldados deviam estar esperando-o embaixo, no pátio, desejando ouvir notícias sobre o amigo. Várias centenas de homens velavam Carlos e não retomariam as tarefas até não ter entrado para ver o camarada. Tinham direito, e Harry não o negaria.
No mesmo momento em que Gina fechava os olhos, Carlos despertou do sono induzido pela beberagem. A jovem se ajoelhava no chão com os pés colocados sob o vestido. Ocomprido cabelo se espalhava como uma manta pelas costas. Carlos gemeu quando tentou mover o braço palpitante. Quis esfregar-se para aliviar o comichão, mas quando tentou mover a outra mão, sentiu que alguém a segurava.
Abriu os olhos, e em seguida viu a mulher. Tinha a cabeça apoiada perto da coxa de Carlos e os olhos fechados. Sem saber como, adivinhou que tinha os olhos violetas, claros e encantadores.
Carlos achou que estivesse adormecida, mas quando tentou soltar-se, ela não o permitiu.
Então, os soldados começaram a amontoar-se no salão, e atraíram a atenção do ferido. Os amigos sorriam. Carlos tentou devolver a saudação e, embora estivesse dolorido, os sorrisos dos camaradas indicavam que não estava moribundo. “Provavelmente os últimos ritos que acreditei ouvir eram para outro”, pensou.
Perto da entrada, Harry e Bill aguardavam. Harry contemplava a sua esposa, e Bill observava os soldados.
Para Bill foi um momento mágico: os soldados pareciam atônitos diante do quadro que presenciavam. Todos eles sabiam que lady Potter tinha salvado o amigo de uma morte certa. O sorriso fraco de Carlos confirmava o milagre.
No salão só cabia uma terça parte dos soldados, mas quando o primeiro homem ficou de joelhos e fez uma reverência, os outros o imitaram, até que, inclusive, os que estavam do lado de fora ficassem de joelhos.
Harry compreendeu que era um ato unânime de lealdade, mas não para Carlos. Não, Carlos era um igual e não havia razão para que se ajoelhassem ante ele. Nesse instante, os soldados brindavam a lady Potter sua lealdade, sua absoluta confiança.
E durante a silenciosa cerimônia, a esposa dormiu.
—Eu estava certo de que ela levaria muito tempo para conquistar a confiança dos soldados —disse Bill a Harry—. Estava enganado; ela conseguiu em menos de um dia.
Sirius, com sua irmã Viviana, entrou no salão no mesmo momento em que o último soldado saia. Esperaram junto de Bill, até que Elizabeth, levando Cho pela mão, uniu-se a eles.
— Você vê, Cho? Eu lhe disse que Carlos estava melhor. Olhe como sorri! —murmurou Elizabeth, feliz; logo, soltou a mão de Cho e correu para junto do marido.
—Lady Potter salvou Carlos —disse Bill a Sirius—. É hora de regozijo, meu amigo, não de aborrecimento. Por que franze assim a testa?
—Carlos teria se curado mesmo sem a assistência de lady Potter. Foi decisão de Deus, não dela.
O tom duro do homem chamou a atenção de Harry.
—Sirius, você não aceita minha esposa? —perguntou, com num tom enganosamente suave.
Imediatamente, o guerreiro moveu a cabeça.
—Aceito-a porque é sua esposa, Harry, e a protegerei com minha vida —adicionou—. Mas não ganhará minha lealdade tão facilmente.
Cho e Viviana permaneceram junto de Sirius com a mesma expressão que ele, enquanto assistiam à a conversa. Harry os olhou um a um e depois disse:
—Todos vocês lhe darão as boas-vindas, entenderam? As mulheres assentiram imediatamente. Sirius demorou algo mais em aceitar.
—Harry, acaso esqueceu nossa Helena tão rápido?
—Já se passaram quase três anos —interveio Bill.
—Não a esqueci —afirmou Harry.
—Então, por que...?
—Sirius, eu me casei para agradar meu rei, e você sabe. Antes de dar as costas a minha esposa, lembrem-se todos: Gina também se casou por ordem de seu próprio rei. Não tinha mais interesse que eu neste matrimônio. Honrem por cumprir com seu dever.
— É verdade que não queria casar-se com você? —perguntou Cho. Os olhos castanhos revelavam seu assombro.
Harry moveu a cabeça.
—Cho, o único motivo pelo que comento isto com você, é sua irmã, Helena. Gina estava prometida a outro homem. Por que quereria casar-se comigo?
—Os ingleses nos detestam tanto quanto nós a eles —disse Bill.
—Sua esposa não sabe como é afortunada—disse Cho, com acanhamento.
Harry sorriu ao perceber a sinceridade na voz de Cho. Os três ficaram olhando-o enquanto se encaminhava para a esposa adormecida e a levantava com ternura nos braços. Apertava-a contra o peito.
Bill o seguiu com a intenção de assumir seu turno cuidando de Carlos.
—Harry, pergunto-me quanto tempo sua esposa levará para nos aceitar.
—Muito pouco —predisse Harry. Dirigiu-se para a cama, mas se deteve para dizer sobre o ombro:
—Ela vai se acostumar, Bill, você vai ver.

Na.: Este e um dos meus caps favoritos, pela gina enfrentar o harry e depois ir a luta pra salar o guerreiro. E ai???

Valew pelos comentarios eles sao otimos!!

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Comentários: 1

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Enviado por Lana Silva em 24/04/2012

Uallll Gina bota pra quebrar *-----------* 
amandooooooooooo  

Nota: 5

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