Notas importantes[1]
A última caixa que ainda restava dentro da sala do apartamento simples estava recheada com biscoitos e algumas garrafas de água, caso eu sentisse fome ou sede durante a viagem. As duas mochilas restantes e minha bolsa estavam largadas ao lado da tal caixa. Eu quase não tinha coragem de sair dali. Tinha vivido muita coisa naquele apartamento, naquela sala. Senti uma lágrima brotar dos meus olhos, mas eu a deixei encarcerada lutando para manter minhas faculdades mentais intactas enquanto eu aproveitava minha última hora dentro do apartamento.
- Você quer levar isso para baixo agora? – perguntou Lily, apontando para a caixa e as mochilas. A simples frase dita em voz baixa ecoou dentro do apartamento, forçando minha lágrima encarcerada a sair e a minha coragem desaparecer. Porque Johanna inventara de se casar e me deixar na mão? Ela sabia que eu não poderia pagar por aquele apartamento apenas com o meu salário e muito menos buscar um que fosse bom e barato no intervalo de tempo que ela me dera. – Oh, você vai chorar de novo?
- Eu não posso? – eu fui rude, secando a lágrima e me jogando no chão de madeira falsa recostando-me na parede pintada há alguns dias. – Johanna me deixou na mão e agora eu tenho que voltar para debaixo do braço da minha mãe. – reclamei, realmente sentida. Lily podia ver isso em mim muito melhor do que eu imaginava estar transparecendo. – E para piorar as coisas, ela mora no fim do mundo com Draco e um bebê!
- Você tem seu pai aqui – Lily me lembrou, sentando-se ao meu lado no chão quente. A madeira falsa era normalmente quente. Durante o inverno podíamos andar apenas de meias e não sentir tanto frio... E lá estava eu me lamentando outra vez. Eu sentia que seria quase impossível não o fazer.
- Meu pai mora em um quartinho sobre a loja do tio Jorge – eu lembrei a ela, por minha vez. Pela minha expressão e pelo fato apresentado, Lily realizou que aquela não era uma opção. Nunca seria uma opção. – E nem venha falar da vovó, porque eu sei que ela não quer me ver nem se eu estiver morrendo.
- Ela nunca perdoou você por apoiar a loucura da sua mãe, mas não acho que ela seria tão malévola a ponto de negar abrigo a você – a voz de Lily tomou um tom decidido e um tanto preconceituoso, mesmo querendo se apresentar compreensiva com o final da frase. Era claro que havia preconceito na voz dela. Ela não conhecera Draco como eu conheci. Eu sou daquelas pessoas que acredita em segundas chances e em recuperação de condenados à prisão.
- Não foi uma loucura – teimei, conseguindo esquecer por alguns instantes que eu teria de ir morar com eles por aqueles dois longos meses. Nos dois dias que eu conseguira maturar aquela idéia não me havia passado pela cabeça o que meu pai ou minha avó achariam daquilo. Nenhum dos dois aprovaria, isso era certo.
- Ela se casou com o inimigo!
- Eles não eram inimigos, Lily! – teimei mais uma vez, defendendo minha mãe. Eu já havia superado aquela crise há três anos, mas parecia que ninguém da minha família seria capaz de perdoar. Hermione era praticamente uma completa excluída da família Weasley. Só não o era porque eu existia ou então, meu pai não se preocuparia em esquecer-se de que ela ainda vivia.
- Mas você não pode negar que foi uma coisa, no mínimo – Lily arregalou os olhos, buscando uma palavra que não ofendesse minha mãe e que não fizesse com que eu me sentisse ofendida com a situação. – estranha.
- Pode até ser – concordei, encarando a parede vazia em frente; minha voz ecoando pela sala. – Mas eu prefiro as coisas como estão agora: cada um deles em seu canto, vivendo sua própria vida enquanto eu vivo a minha.
Lily me olhou com reprovação. Ela, como uma típica Weasley de cabelos ruivos que passava mais tempo na Toca do que em sua própria casa num vilarejo bruxo próximo ao Beco Diagonal, reprovava totalmente o meu pensamento em deixar as coisas como estavam e tentar aceitá-las. Eu já havia passado da fase em que me revoltaria com a situação e lutaria contra a corrente para manter meus pais unidos. Acho que a maturidade faz isso com a gente. Eu queria a felicidade dos meus pais, e se ela estivesse em ver os dois separados, eu aceitaria.
- E pare de dizer por aí que Draco Malfoy é o inimigo – eu a repreendi.
- O homem é um ex-condenado de Azkaban, ex-Comensal da Morte e ainda foi o pivô da separação dos seus pais! – ela enumerou com os dedos.
- Eu já convivi com o homem, Lily, ele é legal – argumentei, realmente sabendo do que falava. Eu já havia passado, pelo menos, dois dias das últimas três férias de verão na casa de minha mãe na companhia de Draco. Ele sempre me tratara bem e eu conseguia ver que ele gostava de Hermione, mesmo que na maioria das vezes, fosse frio como o gelo. Era o jeito dele, eu concluí depois de tê-lo achado terrivelmente tedioso. Como eu acreditava na recuperação de condenados, eu dei a segunda chance a ele. Minha mãe também tinha dado.
- Se você diz – ela deu de ombros, visivelmente incrédula quanto a minha mísera argumentação. Eu não precisava dar motivos a ela, eu apenas precisava conseguir me despedir do meu apartamento e pegar a estrada, porque dali a algumas horas seria noite e o caminho até Oxford era grande.
[1] Essa é uma fanfiction inspirada em uma estória original escrita por mim que ainda está em fase de revisão, pretendo enviar para avaliação ainda esse ano, então durante o processo de adaptação ela perdeu muitos elementos do mundo mágico, ganhando muitos do mundo trouxa; Hugo Weasley não existe nessa estória;