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5. Capítulo 04


Fic: O Leão Domado


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Hermione não conseguia ficar à vontade. Sentada entre as coxas fortes de Harry Gryffindor e com as costas o tempo todo batendo no peito dele, só podia mesmo ficar... desorientada. Embora não se lembrasse de nada do passado, tinha uma impressão de que jamais havia se encostado contra o corpo de um homem. A sensação era estranha. E perturbadora.

Mas era também algo divertido e excitante.

Inclinando-se para frente ela procurou não dar importância ao assunto. Afinal de contas, não estava apaixonada por aquele homem. Muito pelo contrário! Afinal de contas, com suas atitudes arrogantes e seu jeito truculento, Harry era o responsável pelo infortúnio dela. Já era ruim tê-la encontrado, impedindo-a de escapar, mas assustá-la com aquele rugido feroz... Ah, isso não merecia perdão. Assim sendo, o fato de que eles estavam cavalgando com os corpos praticamente colados, ele a envolvendo com os braços musculosos para poder segurar as rédeas... Bem isso não deveria afetá-la de forma nenhuma.

Mas era o que estava acontecendo. Ajudaria um pouco se ele não tivesse o corpo tão deliciosamente quente. O calor parecia partir daquele homem como se saísse de uma fornalha. Aquilo aumentava a intensidade do cheiro que partia do corpo dele, um cheiro fortemente másculo.

Hermione era uma mulher friorenta e, se pudesse, viveria na frente de uma lareira acesa. Por isso, pela primeira vez na vida se sentia como se estivesse num lugar perfeito.

A certa altura, subitamente empurrada com mais força contra o corpo de Harry, Hermione percebeu que ele estava sexualmente excitado. Isso ficou evidente não só pelo volume que foi pressionado contra as nádegas dela, mas também pela tensão dos músculos das coxas e dos braços dele, pela forma acelerada com que Harry agora respirava. Era algo assustador. Quase aterrorizante.

E definitivamente emocionante.

Como se estivesse nadando num rio caudaloso e preste a afundar, Hermione fechou os olhos, encheu os pulmões de ar e encostou-se com força no peito musculoso de Harry. Por um instante pareceu fundir-se ao mais velho dos de Gryffindor, ser engolfada pelo calor que partia dele ao mesmo tempo em que o animal cavalgava. Depois, como num sonho fugaz, mas cheio de intensidade, tudo passou. Como num piscar de olhos.

No que pareceu ser um instante o cavalo de Harry alcançou o local onde os outros estavam reunidos e Hermione se viu transformada no centro de todas as atenções. Embora ninguém perguntasse onde ela fora encontrada, a pergunta estava nos olhos de todos e era evidente que nenhum daqueles homens estava gostando do contratempo que o desaparecimento dela havia causado.

Hermione ignorou-os e apontou o queixo para frente, fiando-se na proteção do abraço de Harry. Ele podia ser mais inimigo do que amigo dela, mas quem não se sentiria protegida naquela situação? Eles discordavam em muitas coisas, sem dúvida, mas Hermione acreditava que Harry não deixaria que nenhum mal acontecesse com ela. Por isso, permaneceu onde estava até que um rapaz que servia de escudeiro ao barão de Hogwarts adiantou-se para ajudá-la a desmontar.

Hermione procurou se convencer de que não deveria se aborrecer por ter sido retirada dos braços de Harry, menos ainda quando ele a empurrava de uma forma quase rude, como se estivesse se livrando de um fardo desagradável.

- Ponha a moça no cavalo dela - ordenou Harry ao escudeiro. - E não a perca de vista.

Depois, sem mais nenhuma outra palavra, ele puxou as rédeas do animal e se afastou para distribuir ordens aos homens, uma imponente figura montada que parecia de partida para a guerra.

Ainda sentindo na pele os efeitos dos toques dele e aborrecida com o fato de que Harry podia esquecê-la de um instante para outro, Hermione continuou a observá-lo até que o escudeiro tocou no braço dela.

- Por favor, minha senhora... E melhor nos apressarmos.

Sim, era melhor andar depressa, dançar conforme a música de Harry Gryffindor, pensou Hermione, amuada. Depois de subir no cavalo ajudada pelo escudeiro, procurou avaliar o quanto detestava o mais velho dos sete irmãos de Gryffindor. Aquele homem não era nada além de um grosseiro, um brutamontes. Mesmo assim...

- Bem, a senhora nos obrigou a fazer uma bela caçada! - disse Agnes.

Hermione ouviu o comentário da idosa criada do castelo do Gryffindor, que a acompanhava com a tarefa de servi-la, mas preferiu não responder. Aparentemente aquela velhota era a única mulher que o conde pôde despachar para a viagem, mas Hermione não estava muito satisfeita com a escolha. Agnes era sempre muito abelhuda e tinha uma língua ferina. Hermione ignorou o comentário maldoso e virou o rosto, num gesto ostensivo.

Agnes não pareceu se abalar com aquilo e voltou a falar com a voz estridente de sempre.

- Não me parece machucada. Ele não bateu na senhora?

Desta vez Hermione encarou a serva.

- bater em mim? - ela quase gritou.

- E. Aquele gigante feito de músculos é o primogênito do conde. Harry Gryffindor não costuma ser complacente com quem comete alguma falta. Ele não bateu mesmo na senhora?

Embora estivesse espantada com a pergunta que a criada insistia em fazer, Hermione procurou falar com calma.

- O barão de Hogwarts não teria nenhum motivo para abusar de mim.

A mulher assoou o nariz ruidosamente antes de retomar a palavra.

- Talvez ele não seja mais tão feroz quanto sempre foi, já que foi ludibriado por uma criatura pequena e insignificante e nem encostou a mão na senhora.

Encostar a mão nela. Aquelas palavras ficaram dançando no ar e Hermione desviou o rosto, porque Harry havia encostado a mão nela. A simples lembrança daquilo a fez sentir um forte calor no ventre e nas faces.

Ele a tocara, prendendo-a pelos pulsos, e usara o corpo para pressioná-la contra o tronco da árvore. Depois...

A respiração de Hermione tornou-se acelerada quando ela se lembrou de quando as coxas de Harry haviam se esfregado no ventre dela. Oh, Deus... Depois a mão dele havia subido para acariciar a região embaixo dos seios dela!

Naquele momento ela havia pensado que seria beijada. Será que já vira o desejo estampado com tanta clareza nos olhos de um homem? Hermione duvidava disso, e tinha certeza de que era o mais puro desejo o que vira nos olhos verdes de Harry. Naquele instante ele poderia ter feito o que bem quisesse, porque ela não esboçaria a menor reação. Na verdade não fechou os olhos, dominada por uma sensação que parecia consumi-la.

- Ah! - exclamou a criada. - Então ele fez alguma coisa!

O riso de Agnes trouxe Hermione de volta à realidade.

- Já chega! - ela disse, corando ainda mais ao ver que a velhota acertava em cheio.

- Vá cuidar das suas tarefas e me deixe em paz.

A tagarelice da mulher se transformou em riso mal dissimulado.

- Não foram uma nem duas as mulheres que perderam a cabeça por causa daquele homem - disse Agnes. - Na corte ele é conhecido como o Leão de Hogwarts, e não é só por causa do brasão da família.

Hermione respirou fundo. Não estava disposta a continuar ouvindo aquela baboseira. Mas Agnes parecia uma galinha que não quisesse parar de cacarejar.

- E um homem daquele tamanho...

- Já chega! - cortou Hermione, erguendo a voz. Não estou interessada na reputação de lorde Hogwarts ou em qualquer outra coisa que diga respeito a ele! O homem é um mal-educado, um grosseiro, mas não fará com que eu me submeta à vontade dele!

Dizer aquelas palavras em voz alta parecia fortalecer a determinação de Hermione. E por que não? Ela não era uma escrava para se dobrar diante dele. Havia perdido a memória, mas não a capacidade de raciocinar com bom senso. E já demonstrara esperteza para, pelo menos uma vez, quase conseguir escapar dele. Havia fracassado na tentativa, mas isso não significava que deveria abaixar a cabeça e se submeter docilmente.

Tentaria novamente. Tantas vezes quantas fossem necessárias... até que tivesse sucesso. Hermione sentiu uma onda de excitação enquanto novos planos se formavam na cabeça dela. E aparentemente as palavras duras haviam surtido efeito em Agnes, já que a velhota agora estava quieta na sela, parecendo até cochilar. Hermione relaxou... até ouvir novamente a voz de Agnes.

- Não me diga o que está pretendo fazer, minha senhora, porque não quero saber - declarou a mulher, lançando a Hermione um olhar matreiro e logo depois sorrindo.

Hermione desviou o rosto, maldizendo a hora em que Sirius havia resolvido proporcionar a ela a companhia daquela criada atrevida. Agnes era esperta e sabia tirar conclusões. Mas não a impediria de escapar. Ah, isso não. Mesmo parecendo adivinhar o que a ama pretendia fazer, a criada não podia ter certeza e não falaria com ninguém sobre os planos de Hermione.

E esses planos existiam. Infelizmente não havia mais a vantagem da surpresa e seria necessário escapar burlando a vigilância de um homem escalado para ficar de olho nela. Ao pensar no fato de que os olhos verdes do Leão a seguiam, Hermione sentiu um arrepio. Mas era bem provável que Harry já a houvesse esquecido. Ela só precisava se preocupar com o escudeiro e tinha certeza de que descobria uma forma de ludibriá-lo.

Uma vez tendo escapado, procuraria o convento mais próximo. Por algum motivo, Hermione pensou no de Nossa Senhora das Dores. Mas aquele não ficava bem perto de Durmstrang? Se ao menos pudesse se lembrar... Hermione fechou os olhos e tentou ativar a memória, mas só via um enorme escuro; por mais que se concentrasse. Aquilo a deixou com o coração apertado.

Hermione sentiu umidade na palma das mãos e gotas de suor na testa, embora fizesse frio. A cabeça latejava por causa do esforço para se concentrar e ela buscou uma resposta naquele vazio. Durmstrang. O nome parecia uma ameaça mortal, algo pronto para sugá-la...

Hermione abriu os olhos, assustada, e respirou profundamente. Ergue a mão trêmula e encostou os dedos na têmpora, que latejava. Aquelas tentativas de reativar a memória estavam se tornando cada vez mais extenuantes e ela já começava a achar que não surtiriam resultados, nem bons nem ruins. A única coisa que parecia ter fundamentos era o medo de retomar a Durmstrang... Onde talvez até corresse risco de vida.

Hermione suspirou e procurou se convencer de que deveria continuar vivendo sem nenhuma lembrança do passado. Fosse no Convento de Nossa Senhora das Dores ou em qualquer um outro, as boas irmãs certamente a acolheriam, principalmente quando ela apresentasse uma carteira cheia de moedas e jóias, algo que vinha guardando com cuidado desde o dia em que os irmãos de Gryffindor a haviam encontrado.

Se as religiosas não a acolhessem, então ela simplesmente desapareceria no meio da multidão de habitantes de alguma cidade grande e começaria uma nova vida... Talvez se apresentando como viúva. Aquele pensamento até a fez sorrir, já que poucas moças na mesma idade saberiam tão pouco quanto ela sobre as experiências de uma mulher casada. O sorriso desapareceu quando Harry Gryffindor subitamente invadiu o pensamento dela.

Ele era chamado de Leão de Hogwarts, um nome que se adequava perfeitamente ao homem. Hermione suspeitava de que Harry seria capaz de ensinar a ela tudo o que se passava entre um homem e uma mulher, casados ou não. Instintivamente esfregando o pulso, quase machucado pelo aperto dos dedos dele, Hermione procurou se convencer de que não deveria pedir àquele homem esse tipo de informação.

Tudo o que queria de Harry Gryffindor era distância. E bem depressa.

- Mas onde ela estava? - perguntou Draco.

Harry fez cara feia ao perceber que, com uma simples pergunta, na verdade o vassalo se divertia às custas dele.

- Você não quer que eu responda, não é? Harry bateu com os calcanhares na barriga do animal, que galopou até a dianteira da caravana.

Sem esconder o riso, Draco fez a mesma coisa e logo cavalgava ao lado do amo.

- Reconheça, Harry. O Leão de Hogwarts foi feito de tolo por uma simples fedelha.

A gargalhada de Draco era como uma chicotada no orgulho ferido de Harry.

- Não foi bem assim, Draco. Eu quase fui feito de tolo por uma mulher. Não é a mesma coisa.

- Ah, não? - persistiu Draco, impiedoso.

- Eu a encontrei, não encontrei? - rebateu Harry, num tom enraivecido. - Isso é mais do que preciso dizer a um vassalo meu.

Draco prontamente parou de rir. Parecia ainda querer continuar caçoando do amo, mas apenas fez uma careta.

- Aceito a repreensão, meu lorde - ele declarou, em tom de brincadeira, logo depois encolhendo os ombros. - Mesmo assim ainda estou curioso. Fico me perguntando para onde ela pode ter ido, e por quê. Será que se perdeu?

- Não - respondeu Harry. - Ela se escondeu de nós porque não queria voltar para casa.

Draco pareceu genuinamente surpreso... E intrigado.

- O quê? Mas eu achava que estávamos escoltando uma rica herdeira.

- Ela é uma rica herdeira, sim, mas parece que se sentia mais feliz em Gryffindor. - Espalhando seu feitiço sobre meus irmãos, pensou Harry. - Não gostou da idéia de voltar para um guardião que talvez a trate de forma autoritária. Na minha opinião isso seria muito bom para ela.

Draco riu baixinho e voltou os olhos azuis na direção de Hermione, que cavalgava alguns metros atrás.

- E uma mulher pouco comum - ele comentou, como se pensasse alto.

Harry não gostou do brilho de interesse que viu nos olhos do vassalo. Não querendo aguçar aquele interesse, preferiu não concordar com o comentário. Também não quis acrescentar que, embora parecesse tão inocente como uma criança, Hermione Granger contava mentiras com a cara mais lisa do mundo. E que mentiras! Se sempre ficasse tão claro que ela estava apenas mentindo, seria fácil descobrir a verdade.

Talvez fosse até divertido usar aquele processo para obrigá-la a revelar a verdade.

Talvez fosse até divertido usar aquele processo para obrigá-la a revelar a verdade. Harry lembrou-se do que havia sentido quando estivera com o corpo colado ao dela e rapidamente procurou esquecer aquilo. Para ele, Hermione Granger não era nada além de uma encomenda a ser entregue, talvez uma encomenda macia, cheia de curvas deliciosas... Mas sempre uma encomenda. Pobre de quem pensasse que ela podia ser algo além disso.

Harry emitiu um resmungo enraivecido e outra vez obrigou o cavalo a se adiantar, contente por ter deixado a mulher sob o olhar atento do escudeiro, Cedric. Hermione Granger só causava problemas desde o instante em que ele a vira pela primeira vez, no salão do castelo Sirius. E agora Harry se arrependia amargamente de ter aceitado aquela tarefa! Tinha os próprios problemas, alguns dos quais reclamavam soluções urgentes.

Dois anos antes, quando fora presenteado por Dumbledore com a propriedade de Hogwarts, Harry havia pensado que finalmente poderia fixar raízes em algum lugar depois de anos percorrendo as mais diferentes estradas, sempre tendo que arrumar a cama ao relento. Mas as constantes disputas com um vizinho seboso, Tom Riddle, não o deixavam parar em casa.

Era sempre preciso estar presente nos limites da propriedade, organizando a defesa contra as constantes tentativa de invasão de bandos de assaltantes. E o pior era não ter provas de que Riddle estava por trás daquelas incursões criminosas. Harry não poderia empreender uma incursão de retaliação contra o vizinho sem atrair a ira do rei. Estava num beco sem saída.

Além disso, Hogwarts precisava não só de boas defesas, mas também de benfeitorias, como um bom celeiro, uma estrebaria bem equipada, e as economias dele já estavam se esgotando. No ano anterior a colheita tinha sido uma lástima, o que só complicava tudo...

Com um sorriso amargo, Harry percebeu que os sonhos que tivera de levar uma vida tão confortável quanto a do pai tinham sido apenas sonhos de um jovem tolo. O destino dele era o de um cavaleiro em constante luta pela posse da própria terra, sempre em combate, sempre atento ao perigo que poderia vir pela retaguarda.

Bem que ele podia pedir a ajuda dos irmãos, bravos guerreiros, ou dinheiro emprestado ao pai... mas Harry não suplicaria nada a ninguém! Tinha ido a Sirius na esperança de ter uma oferta de ajuda, mas o que havia conseguido? Em vez de voltar para Hogwarts à frente de uma poderosa força de combate, agora se via bancando a babá de uma fedelha fujona.

Ao pensar em Hermione Granger ele puxou as rédeas do cavalo, obrigando-o a parar. Seria mais prudente verificar pessoalmente se a mulher não estava criando nenhuma confusão. Depois de hesitar por alguns instantes, Harry soltou um palavrão e seguiu em frente. O melhor mesmo seria manter a mente e o corpo bem longe da encomenda da qual estava encarregado.

Durante todo aquele dia Harry evitou a presença da mulher. Só na hora do jantar olhou para o lado de Hermione... Apenas para se certificar de que ela continuava ali, claro! Só conseguiu ver o vulto de cabelos castanhos entrando na barraca armada para comer na solidão. Por que ele se importaria com isso? Se a visse por mais tempo, talvez até perdesse o apetite!

Depois da refeição Harry circulou por algum tempo pelo acampamento, mas logo retomou e foi sentar-se não muito longe da barraca de Hermione. Cedric estava postado à entrada, montando guarda, mas mesmo assim ele ficou olhando.

- Por que será que ela se escondeu? - perguntou o escudeiro.

Harry ergueu a cabeça para Cedric, aborrecido por ter sido surpreendido enquanto observava.

- Talvez sinta vergonha do trabalho que está nos dando - ele resmungou.

Bem que a mulherzinha devia se envergonhar!

- Ela comeu muito pouco - observou Cedric.

Harry ergueu vagarosamente os olhos para o escudeiro, querendo saber que importância aquela informação poderia ter.

Cedric corou fortemente e desviou o rosto, ao mesmo tempo que Harry apertava os olhos, preocupado ao descobrir a fraqueza do escudeiro. Também aquele rapaz mostrava indícios de ter sucumbido ao misterioso fascínio de lady Granger. Estaria Cedric pensando que Hermione corria o perigo de definhar fisicamente. Era pouco provável que isso viesse a acontecer. Pela exuberância das formas, dificilmente lady Granger se tornaria tão magricela quanto a maioria das mulheres da corte...

Harry soltou outro palavrão ao perceber que estava comparando a moça fujona com as cortesãs, e de uma forma favorável a ela.

Mas havia mais particularidades naquela mulher do que se podia pensar à primeira vista. O que a teria levado a subir na árvore? Por que ela preferia enfrentar os perigos da floresta quando podia se tomar dona da fortuna da família? Porque se tratava de uma idiota. Não podia haver outra resposta.

Balançando a cabeça ao refletir sobre o absurdo dos caprichos femininos, Harry procurou não pensar outra vez no instante em que havia apertado o corpo contra o daquela maluca.

Nos dias que se seguiram Harry viu muito poucas vezes a mulher que estava sob a responsabilidade dele, embora não parasse de pensar nela. Hermione e a velhota que a servia cuidavam apenas dos assuntos que lhes diziam respeito, e nada poderia ser melhor do que isso. Sem dúvida a mulher se arrependia da ridícula decisão de se esconder no alto da árvore e agora preferia se comportar de forma mais conveniente.

Mesmo assim Harry continuava ressentido por ter que desempenhar aquela tarefa e estava ansioso para poder retomar a Hogwarts. Felizmente a grupo estava se deslocando a uma boa velocidade e nenhum novo contratempo havia acontecido. Naquele ritmo, dentro de mais alguns dias eles estariam em Durmstrang.

Quando a caravana parou para almoçar Harry por acaso viu Hermione. Ela estava sentada sozinha ao lado de Cedric, os cabelos castanhos brilhando ao sol. Por alguns instantes ele a observou, perguntando-se por que a achava mais linda a cada novo encontro.

Harry resmungou um palavrão e girou nos calcanhares para se afastar. Quase esbarrou em Draco que o observava com um brilho de curiosidade nos olhos.

- Por que simplesmente não vai ao encontro dela ou não passa a cavalgar ao lado dela? - sugeriu o cavaleiro. - Pensando bem, talvez seja melhor... cavalgá-la.

Harry olhou para o amigo como se estivesse ou vindo alguém que falasse numa língua estrangeira. - O quê?

Draco sorriu.
- Estou falando da moça, Harry. Há vários dias que você evita a presença dela, mas vive gritando conosco. Por que não a leva até algum lugar para satisfazer a sua... curiosidade?

Ao ouvir aquilo Harry mostrou uma expressão enfurecida.

- Meu único interesse em lady Granger, Draco, é levá-la até a casa dela.

Desta vez Draco riu com vontade.

- Então por que fica tão eriçado, meu amigo? Todos aqui estão comentando que a moça está fazendo o nosso rimo parecer um javali com dor de dente. - Agora o riso do cavaleiro chegava a ser maldoso. - Ou será que a dor se localiza em algum outro lugar do corpo?

Harry apertou os olhos.

- Aquela mulher não tem nada que me agrade ele declarou, com os dentes trincados. - O que mais quero é terminar logo essa tarefa e voltar para casa, para manter Hogwarts livre do desgraçado do Riddle. O sorriso desapareceu do rosto de Draco.

- Hogwarts está em boas mãos. .

- É - murmurou Harry, pensando no chefe da guarda do castelo, Leonard Collins.

Leonard e Draco estavam com Harry há muito tempo, desde a época em que todos eles eram bem jovens e serviam juntos ao rei Dumbledore. Harry confiava nos dois, mas mesmo assim queria muito estar em Hogwarts, protegendo a propriedade, em vez de se ocupar com uma mulherzinha ,que só causava aborrecimentos.

- Venha - disse Draco, batendo com intimidade nas costas do amo e amigo. - Sente-se para comer comigo e eu tentarei apaziguar a sua mente.

Harry aceitou o convite e os dois comeram juntos, como já tinham feito incontáveis vezes. Conversaram sobre Riddle e sobre as defesas de Hogwarts, mas Harry não falou da esperança que tinha de que, mesmo na ausência dele, a colheita tivesse sido feita. Estritamente um soldado, Draco não tinha cabeça para preocupações típicas de um agricultor. Harry, porém, pensava em coisas que iam além da próxima batalha e sentiu que o peso das próprias responsabilidades o distanciava do velho amigo.

Talvez por estar com o pensamento e Hogwarts ou por ter levado a sério as brincadeiras de Draco, durante a refeição Harry não olhou uma única vez na direção da barraca de lady Granger. Só mais tarde, quando a caravana já se preparava para partir, voltou os olhos para lá. Como não a visse, sentiu uma leve apreensão.

Harry procurou não dar importância àquela sensação quando reparou que Cedric também não estava à vista. Certamente a ausência daqueles dois seria facilmente explicada. Mas onde eles podiam estar?

Vagarosamente Harry foi girando o corpo, correndo os olhos pelas cercanias. Finalmente viu o escudeiro, mas nem isso chegou a animá-lo. Cedric estava parado perto de uns arbustos, com um ar de preocupação no rosto jovem.

E não havia sinal de lady Granger.

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