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4. Há azuis e azuis


Fic: A noiva


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPÍTULO QUATRO

Para as bodas, Gina se vestiu de negro. A escolha do traje foi um gesto de desafio para enfurecer o escocês. Entretanto, assim que voltou ao grande salão, soube que o plano tinha falhado. Harry lhe dirigiu um único olhar e começou a rir. O retumbar daquela risada quase fez cair as vigas do teto do salão.
Harry pensou que Gina não tinha idéia de como o seu caráter rebelde o agradava, pois do contrário jamais teria feito o que fez para provocá-lo. Se soubesse o quanto odiava as lágrimas, sem dúvida teria chorado. Embora Harry não acreditasse que fosse tão convincente quanto às gêmeas, Gina se movia como uma rainha. Tinha as costas erguidas e retas como uma lança, não inclinava a cabeça ante nenhum homem e Harry pensou que lhe custaria um terrível esforço adotar qualquer atitude de fraqueza feminina.
Embora estivesse vestida como para um duelo, estava magnífica. Os olhos de Gina seguiam cativando Harry, e se perguntou se algum dia se acostumaria a tanta beleza. “Espero que sim”, pensou. “Não posso permitir que interfira em meus deveres principais”.
Aquela garota era um enigma. Embora Harry soubesse que havia nascido e se criado na Inglaterra, não parecia absolutamente uma covarde.
Perguntava-se que milagre teria intervindo, e chegou à conclusão de que a inocência e a falta de medo da garota se deviam ao fato de que Gina nunca havia sido tentada pela sórdida vida na corte do rei Henry. Pela graça de Deus, lady Gina nunca esteve exposta à inclinação viril para a libertinagem.
Potter supôs que deveria agradecer ao barão, pois este tinha descuidado os deveres para com suas filhas. Claro que não pensava pronunciar uma só palavra de agradecimento e, de todos os modos, duvidava de que o pai de Gina o escutasse, já que nesse momento o barão estava chorando. Harry sentiu tal repulsa que não quis nem pensar nisso. Nunca tinha visto um homem humilhar-se desse modo; seu estômago embrulhava.
Quando o sacerdote perguntou quem entregaria as noivas e o barão não pôde responder, Gina murmurou:
— Somos todas muito apegadas a nosso pai. — O rosto do barão estava oculto atrás de um lenço de linho encharcado —. Papai sentirá nossa falta, milorde. Isto é muito difícil para ele.
Não levantou o olhar para Harry enquanto apresentava desculpas pela vergonhosa conduta do pai, mas a súplica vibrou com claridade na voz um pouco rouca da moça. Harry soube que pedia sua compreensão e a defesa que a filha fazia do pai lhe pareceu suficientemente valiosa para que guardasse sua própria opinião desfavorável sobre o barão.
Era outro indício de seu caráter que Gina oferecia, pois essa súplica significava que era leal a sua própria família. Para Harry, essa era uma qualidade nobre sob qualquer circunstância e, tendo conta os traços do resto da família, tamanha lealdade beirava a santidade.
Gina estava muito apavorada para olhar para o noivo. Ela e Hermione estavam uma ao lado da outra, dando-se das mãos em procura de consolo. Rony estava à direita de Hermione e Harry, à esquerda de Gina. O braço de Harry tocava o ombro da jovem, e sua coxa roçava com o de Gina, deliberada e insistentemente.
Gina não podia se afastar, porque Hermione se apertava contra ela, e o braço de Harry lhe impedia de retroceder. Senhor, como odiava estar assustada! Não estava acostumada. Disse a si mesma que era porque Harry era muito grande: inclinava-se sobre ela como uma imensa nuvem furiosa. Cheirava a urzes e a masculinidade, também um pouco a couro e, em condições mais agradáveis esse aroma teria sido atraente para Gina. Claro que nesse momento a moça detestava o tamanho do homem, o aroma, e a sua presença.
O sacerdote concluiu a homilia sobre o sacramento do matrimônio, e se dirigiu para a irmã de Gina. Hermione, honesta em excesso, lançou uma gargalhada olhando para Rony quando o padre Charles a perguntou se o recebia por marido. A moça se alongou refletindo sobre a pergunta, como se tivesse pedido que explicasse o significado da conquista normanda, e por fim exclamou:
— Para falar a verdade, padre, preferiria que não.
Gina estava à beira da histeria. Supunha-se que ela não teria que se casar com este senhor da guerra chamado Harry Potter. Ele tampouco facilitava as coisas, pois estava tão perto que Gina podia sentir o calor que irradiava do corpo do homem.
Enquanto o padre Charles rogava a Hermione que desse uma resposta correta, Gina tentava afastar-se de Harry. Em um cantinho da mente da jovem se escondia a idéia covarde de que poderia afastar o braço, dar um passo para trás e depois sair correndo do salão à velocidade de um raio.
Harry devia ter adivinhar suas intenções através do braço apoiado sobre os ombros da moça. Antes que Gina pudesse protestar, elevou-a contra seu flanco.
Gina não pôde soltar-se. Tentou-o repetidas vezes até que por fim lhe murmurou que a soltasse.
A resposta do homem foi o silêncio.
Frustrada, Gina se voltou para sua irmã e disse:
— Hermione, não creio que nossas preferências tenham a menor importância. Se não aceitar se casar com Rony, estará rebelando-se contra nosso rei.
— Mas se disser que aceito este homem por marido, ponho-me contra Deus, não é mesmo? —argüiu Hermione —. Estaria mentindo — concluiu com um soluço.
— Pelo amor de Deus, Hermione, responda ao sacerdote! —ordenou Gina.
Hermione se irritou com o tom hostil de Gina, e olhou colérica para sua irmã para depois se dirigir ao padre:
— Oh, está bem. Eu o aceito. — Virou-se outra vez para Gina e murmurou — Agora está contente, irmã? Você me obrigou a mentir para um padre.
— Eu a obriguei?
O tom ofegante de Gina não se deveu apenas à escandalosa afirmação de sua irmã: a mão de Harry estava fechada sobre a base do pescoço da jovem. Os dedos do homem acariciavam a pele sensível.
O padre Charles fez um gesto de assentimento depois da resposta de Hermione.
Agora era a vez de Gina e Harry.
—Milorde, qual é seu nome completo? — perguntou o sacerdote.
—Harry Potter.
O paróco assentiu. Tinha pressa em terminar esta cerimônia penosa, pois a expressão nos olhos da doce Gina era assassina. Na pressa, acrescentou a palavra “voluntariamente” ao perguntar se aceitava Harry por marido.
— O que? —perguntou Gina. Tomou fôlego, preparando-se para devolver ao padre sua autêntica opinião quando sentiu que os dedos de Harry se fechavam ao redor de seu pescoço.
O homem tentava intimidá-la. Gina tratou de puxar a mão de volta, mas Harry não permitiu; limitou-se a segurar seus dedos e continuou fazendo pressão.
Não se mostrava muito sutil e Gina captou de imediato a mensagem sem palavras. Se continuasse provocando-o desse seu jeito arrogante a estrangularia, e sendo escocês, Gina não duvidava de que cumpriria a ameaça.
Seu pescoço começava a doer.
—Eu o aceito — balbuciou.
O sacerdote exalou um suspiro de alívio e se apressou a continuar com o resto da cerimônia. Assim que deu as benções, Hermione tratou de escapar do salão, mas Rony a alcançou em dois passos. Ergueu-a nos braços e sufocou o grito de Hermione com um beijo, diante do padre Charles e do resto da família. Quando o amoroso ataque terminou, Hermione se apoiou contra ele. Gina achou que se parecia com uma flor murcha.
As gêmeas desataram a chorar outra vez, papai começou a soluçar, e Gina subitamente desejou morrer.
Harry Potter não foi tão enérgico na reclamação de um beijo para selar os votos conjugais. Só se deteve diante da noiva com as mãos sobre os quadris, as pernas vigorosas separadas, e o olhar fixo sobre a cabeça encurvada de Gina.
Não disse uma palavra, mas a rígida postura sugeria que, se fosse necessário, ficaria assim a noite toda até que a jovem o olhasse. Gina se consolou com o fato de que já não tentava estrangulá-la.
Gina sentia que o coração retumbava dentro do peito. Imaginava que Harry Potter faria o que lhe desse vontade. Armou-se de coragem e lentamente ergueu o olhar para se encontrar com o de seu marido.
Subitamente, Harry a tomou entre os braços. Segurou-lhe o queixo enquanto sua boca descia sobre a de Gina. O beijo foi duro, inflexível... E incrivelmente quente.
Gina se sentiu como se o sol a tivesse abrasado. O beijo terminou antes que pudesse sequer pensar em debater-se e, por uns instantes, ficou muda. Contemplou o marido por um longo momento e se perguntou se esse beijo o tinha afetado tanto quanto a ela mesma.
Harry se divertiu com a confusão que percebeu nos olhos de Gina. Era evidente que não tinha recebido muitos beijos. Estava ruborizada e apertava as mãos entre si com força mortífera.
Sim, Harry estava contente com Gina, e compreendeu que esse breve beijo não o deixava indiferente. Não podia deixar de desejá-la. Diabos, queria beijá-la outra vez!
O súbito grito de Hermione rompeu o feitiço.
— Não! —exclamou Hermione, como quem pronuncia uma blasfêmia—. Não iremos embora agora, não é?
— Sem dúvida, minha irmã entendeu mal — disse Gina a Harry —. Não irão partir agora, claro...
—Sim — respondeu Harry —. Muitas responsabilidades aguardam por Rony e por mim em nossa pátria. Partiremos dentro de uma hora.
As duas garotas não tinham sido incluídas na explicação e, ao compreendê-lo, Gina ficou alerta. Quase sorriu ante a alegre possibilidade, mas logo decidiu assegurar-se de haver entendido bem antes de abrigar esperanças.
—Gostaria de compartilhar nossa humilde ceia antes que você e Rony partam? —perguntou.
Harry soube o que estava pensando: traiu-se ao dizer “você e Rony”. Aquela tola mulher achava mesmo que eles iriam sem ela?. Harry sentiu vontades de rir. Gina parecia séria e esperançada.
Harry moveu a cabeça.
Gina sentiu-se como se a porta da prisão acabasse de se abrir e ela estivesse novamente livre. Fez um desesperado esforço para dissimular a alegria, pois teria sido grosseria manifestar um prazer tão óbvio pela partida de Harry.
Os matrimônios seriam apenas no nome. “Oh, por que não entendi antes?”, pensou. Com os matrimônios, Harry e Rony limitavam-se a cumprir ordens do monarca. E agora voltariam a sua pátria e aos seus deveres, quaisquer que fossem, deixando suas agradecidas noivas na Inglaterra, aonde pertenciam.
Na realidade não era um acerto muito estranho. Muitos casamentos se realizavam dessa maneira tão satisfatória. Para falar a verdade, Gina se sentiu como uma idiota por não haver entendido antes. Teria se economizado muita preocupação.
O alívio a invadiu com tanta força que os joelhos afrouxaram. Estava acostumada a fazer tratos com o Criador e imediatamente prometeu a Deus uma novena de doze dias por trazer-lhe esta maravilhosa trégua.
— Voltará à Inglaterra depois para ficar um tempo? —perguntou, tratando de fazer como se essa odiosa idéia tivesse algum mérito.
— Seria necessária uma guerra para me fazer retornar.
—Não deve se alegrar tanto com essa perspectiva — retrucou Gina sem pensar. Dirigiu-lhe uma expressão zangada e não se importou se ele se ofendia. Esse sujeito era tão curto de inteligência quanto um pedaço de maneira, e se não era cortês, tampouco Gina se incomodaria em exibir bons modos. Afastou o cabelo sobre o ombro, deu as costas a Harry e se afastou dele com passos lentos.
— Já são as últimas horas da tarde, Harry Potter — disse por cima do ombro—. Será melhor que se ponham a caminho, pois estou segura de que têm que cobrir uma boa distância antes que termine o dia.
Esteve a ponto de adicionar que havia sido um prazer conhecê-lo, mas essa mentira lhe custaria outra novena, e preferiu guardar silêncio.
Gina acabava de chegar junto à mesa quando a deteve uma áspera ordem de seu marido.
— Gina, reúna suas coisas e despeça-se de sua família enquanto Rony e eu nos ocupamos dos cavalos. Apresse-se.
— Você também, Hermione — interveio Rony com esse tom alegre que começava a irritar Gina.
— Por que devemos nos apressar? —perguntou Hermione.
— Harry e eu prometemos não voltar a dormir uma noite mais sobre solo inglês. Temos que percorrer uma boa distância antes que escureça.
Gina voltou-se a tempo de ver que os dois escoceses saíam do salão e se apoiou na mesa com as mãos às costas.
— Potter, supõe-se que me deixará aqui! —gritou—. Este é só um matrimônio de conveniência, não é mesmo?
Harry se deteve no centro do salão e se voltou para olhá-la.
—Sim, esposa, é um matrimônio de conveniência. Minha conveniência, entende?
Gina não fez caso do tom zangado e da expressão dura.
—Não, Potter, não entendo — disse, tratando de parecer tão arrogante quanto ele, mas soube que era um esforço vão, pois sua voz tremia.
O fingido aborrecimento da jovem não enganou Harry. Sabia que estava assustada e o demonstrou com um sorriso.
— Pois eu lhe asseguro de que com o tempo o entenderá. Tem minha palavra.
Gina não queria que Harry lhe desse sua palavra, embora soubesse que isso não importaria muito, já que no final das contas era um guereiro. Tampouco queria discutir com ele. Assim que o homem saiu pela porta, os olhos de Gina se encheram de lágrimas e só quis deixar-se cair na cadeira mais próxima e chorar à vontade.
Estava muito inquieta para pensar em juntar suas posses, e as gêmeas se ocuparam disso, deixando que Gina desfrutasse esses momentos com seu pai.
Quando Lilá e Padma retornaram ao salão, Hermione estava em completo estado de nervosismo. Logo que pôde gaguejar uma despedida a seu pai, saiu correndo da sala.
— Gina, recolherei o resto de suas coisas com todo cuidado e lhe enviarei em uma semana —prometeu Lilá—. As Terras Altas não devem estar tão longe.
— Empacotarei suas belas tapeçarias — interveio Padma —. Prometo que não me esquecerei de nada. Em pouco tempo, vai se sentir como em casa.
— Padma, eu já disse à Gina que me encarregaria disso — murmurou Lilá —. Na verdade, irmã, sempre quer me superar. Ah, Gina, pus o xale de mamãe em sua bolsa de viagem, junto com seus frascos de remédios.
— Obrigado, irmãs — disse Gina. Abraçou-as precipitadamente—. Oh, sentirei falta de vocês! Eu as amo muito.
— Gina, é muito valente — murmurou Lilá —. Parece tão calma, tão serena... Em seu lugar, eu estaria enlouquecida. Acaba de casar-se com um dos...
— Não é necessário lembrar — murmurou Padma —. Não deve ter esquecido que assassinou sua esposa.
— Não temos certeza — replicou a gêmea.
Gina desejou que as gêmeas não continuassem tentando consolá-la. As coisas que lembravam Harry Potter a inquietavam mais ainda.
O barão Jamison deu um puxão na saia de Gina para chamar a atenção.
— Morrerei em uma semana. Quem se ocupará de minha comida? Quem escutará o que tenho a dizer?
— Ora, papai, Lilá e Padma cuidarão do senhor. Ficará bem — tranqüilizou-o. Inclinou-se para beijar-lhe a testa e continuou:
— Por favor, não diga isso. Hermione e eu viremos a visitá-lo e...
Não pôde concluir a mentira, não pôde dizer a seu pai que ficaria muito bem. O mundo de Gina tinha terminado, já que tudo o que lhe era familiar e seguro estava sendo tirado dela.
Quem enunciou em um murmúrio o maior temor de Gina foi Lilá:
— Nunca mais voltaremos a vê-la, não é, Gina? Ele não deixará vir ao nosso lar, não é?
— Prometo a vocês que acharei um modo de vê-las — assegurou Gina, com a voz tremendo e os olhos ardendo pelas lágrimas contidas. Deus querido, que dolorosa era esta despedida!
O barão Jamison continuou murmurando entre soluços que os escoceses tinham tirado suas preciosas garotinhas e que nem Deus sabia como se arrumaria sem elas. Embora Gina tenha tentado consolá-lo, foi inútil. Seu pai não queria se acalmar. Quanto mais a moça tentava, mais o pai gemia.
Beak veio procurá-la. Quando tentou separar a filha do pai, produziu-se uma breve resistência. O barão Jamison não queria soltar a mão de sua filha, mas enfim conseguiram.
—Vamos, Gina. É melhor não deixar seu novo esposo zangado. Ele a aguarda pacientemente no pátio. Lorde Rony e lady Hermione já partiram para a Escócia, garota. Venha comigo agora, uma nova vida a aguarda.
A voz suave de Beak ajudou Gina a se acalmar. Puxou-o pela mão e caminhou com ele até a saída. Quando se deteve para despedir-se por última vez da família, Beak puxou-a.
— Não olhe para trás, Gina. E pare de tremer. Comece a pensar em seu venturoso futuro.
— É esse futuro o que me faz tremer — confessou Gina —. Beak, ignoro tudo a respeito de meu marido e me preocupam os sinistros rumores que ouvi sobre ele. Não quero estar casada com ele.
— O que parece, está feito— afirmou Beak —. Há dois modos de vê-lo, moça. Pode entrar neste matrimonio com os olhos fechados, sem ver seu homem, e ser desventurada o resto de sua vida, ou pode abri-los bem, aceitar seu marido e tirar dessa vida o melhor proveito possível.
— Não quero odiá-lo.
Beak sorriu. Gina parecia triste.
— Não o odeie, então — aconselhou —. De qualquer modo, não sabe odiar, moça. Tem um coração muito terno. Além disso — acrescentou enquanto seguia levando Gina em frente — não é algo tão fora do comum.
— O que não é fora do comum?
— A maioria das noivas se casa sem conhecer o marido.
— Mas Beak, essas noivas são inglesas e se casam com ingleses.
— Acalme-se — ordenou Beak, percebendo o temor na voz da moça—. Este Potter é um bom homem. Eu o avaliei, Gina. E vai tratá-la bem.
— Como sabe? —perguntou Gina. Tentou parar e olhá-lo de frente, mas o ancião seguiu puxando-a —. Lembra que existe o rumor de que matou a sua primeira esposa.
— Você acredita nisso?
Imediatamente, Gina respondeu:
— Não.
— Por que não?
Gina deu de ombros.
— Não saberia explicar — murmurou —. Simplesmente, acho que não seria capaz de fazê-lo... —Exalou um suspiro e adicionou:
— Talvez acredite que estou louca, Beak, mas esses olhos... Bom, não é um homem malvado.
— Acontece que eu sei que isso é mentira — afirmou Beak —. Ele não a matou. Eu perguntei diretamente, Gina.
— Não me diga! —Essa afirmação incrível a fez rir—. Beak, ele deve ter ficado furioso com você.
— Grande coisa! — sussurrou Beak —. O que me preocupava era seu futuro, não o aborrecimento de Harry — gabou-se —. Claro que justamente lhe fiz as perguntas quando soube que havia escolhido você, entende?
— Quando teve tempo para isso? — perguntou Gina, franzindo o sobrolho.
— Isso não tem importância — apressou-se a dizer Beak—. Por outra lado, soube que Potter era um bom homem quando observei seu cavalo bem de perto. — Deu outro suave empurrão nas costas de Gina para que ela seguisse caminhando para seu marido—. Esse guerreiro a tratará com o mesmo cuidado.
— Oh, pelo amor de Deus! — murmurou Gina —. Velho amigo, você foi muito tempo chefe dos estábulos. Existem diferenças entre uma esposa e um cavalo. Já vejo que acredita nestas tolices que está dizendo; parece muito feliz consigo mesmo.
—Estou mesmo — gabou-se Beak —. Fiz você sair daqui sem ter que arrastá-la, não foi?
Os olhos de Gina se abriram surpreendidos; deteve-se de repente e Beak teve que lhe dar outro empurrão.
Harry estava de pé no centro do pátio do castelo, junto ao cavalo. A expressão do homem não revelava o que estava pensando, mas Gina não acreditou que a tivesse esperado pacientemente como assegurava Beak. Não, Potter não parecia absolutamente paciente.
Harry estava certo de que a aparição de Gina nas Terras Altas causaria uma comoção. Sustentou-lhe o olhar um longo momento, perguntando-se quando se acostumaria a ela. Tinha os olhos da cor violeta mais intensa que ele já tinha visto.
Harry lembrou do que Beak havia dito: “Há azuis e azuis”. Agora compreendia o que o chefe dos estábulos tinha querido dizer.
Não podia permitir que o cativasse desse modo. Tinha uma boca muito atraente que ameaçava a paz de consciência de Harry. “Sim, sem dúvida causará comoção”, refletiu Harry, “boa ou não, pois embora esteja seguro de que nenhum dos membros de meu clã se atreverar a tocar no que me pertencia, os pensamentos de meus homens irão nessa direção”.
Aquela mulher era muito atraente para seu próprio bem. Ainda o temia, e Harry pensou que esse era um bom começo, dado que uma esposa sempre tinha que se sentir um tanto insegura diante do marido. Entretanto, esse temor o irritava. Se não tivesse percebido a apreensão no olhar da moça, teria ordenado que se apressasse em montar. Lembrava um cervo que acabara de farejar o perigo.
Decidiu que já era hora de tomar o controle da situação.
Com um movimento fluido, Harry montou o corcel. O enorme cavalo negro, nervoso, desviou-se para um lado, para o flanco de Fogo Selvagem. A égua de Gina, ao ver-se obrigada a permanecer junto a um macho cujo aroma lhe era desconhecido, já estava nervosa e imediatamente tentou recuar. Harry arrancou as rédeas do cavalariço, que estava desatento, e ordenou ao animal que ficasse quieto.
Fogo Selvagem obedeceu imediatamente.
Beak ouviu que Gina continha o fôlego, observou o modo com que olhava para o guerreiro escocês, e acreditou que a jovem estava a ponto de desmaiar. Pôs outra vez a mão sobre o seu ombro.
— Recupere os brios, garota. Desmaiar não a beneficiaria, e seria uma vergonha. Eu não a eduquei assim, verdade?
Essas palavras, ditas em tom resmungão, chamaram a atenção da jovem. Gina se ergueu e se separou do chefe de estábulos.
—Ninguém desmaiará — murmurou —. Ofende-me ao sugerir que sou tão fraca.
Beak dissimulou um sorriso. Já não teria que empurrá-la. Outra vez nos olhos da moça ardia o fogo.
Com a graça própria de uma rainha, Gina levantou o vestido e caminhou até sua montaria. Beak a ajudou a montar sobre o lombo de Fogo Selvagem e depois lhe estendeu a mão.
— E agora, prometa a este velho que viverá bem com seu marido — ordenou —. Lembre-se de que é um mandamento sagrado — acrescentou com uma absurda piscada.
—Não é um mandamento — afirmou Gina.
—Nas Terras Altas, é.
Foi uma afirmação de Harry, que parecia falar a sério. Gina olhou-o, zangada, e se voltou para Beak.
O cavalariço sorria para o marido de Gina.
—Senhor Potter, não esquecerá a promessa que me fez?
Harry assentiu. Jogou as rédeas de Fogo Selvagem para Gina, esporeou o seu próprio cavalo e deixou Gina olhando-o fixamente.
Não a esperaria. Gina fez que Fogo Selvagem ficasse imóvel, resolvida a ver até onde Harry chegava antes de deter-se para esperá-la. Quando cavalo e cavaleiro cruzaram a ponte levadiça e desapareceram da vista, convenceu-se de que ele não a esperaria em absoluto. Nem se incomodou em olhar para trás por cima do ombro.
— O que você quis dizer ao recordar-lhe a promessa que fez? —perguntou Gina, contemplando distraída a ponte.
— Nada que deva preocupá-la — disse rapidamente Beak.
Gina o olhou.
— Vamos, Beak, diga o que exigiu dele.
— Tive uma pequena conversa com ele, a respeito de sua... Inocência, Gina.
— Não compreendo.
— Bom, garota, haverá uma noite de bodas. Como fui eu quem a instruiu a respeito do que ocorre entre um homem e uma mulher, pensei que devia advertir seu marido...
— Deus! Falou disso?
— Isso mesmo. Prometeu-me ser cuidadoso com você, Gina. Tentará não machucá-la muito na primeira vez.
Gina sentiu que suas bochechas ardiam de vergonha.
— Beak, jamais permitirei que me toque, de modo que foi inútil haver arrancado tal promessa dele.
— Vamos, Gina, não seja teimosa. Tinha medo por você. Para falar a verdade, não contei muita coisa sobre as realidades do acasalamento. Expliquei ao Potter que você não sabia muito de...
— Não quero ouvir falar mais disto. Nunca me tocará, e isso é tudo.
Beak deixou escapar um sonoro suspiro.
— Nesse caso, uma surpresa a espera, minha garotinha. Do jeito que ele olha para você, acredito que a tomará na primeira oportunidade. Gina eu tinha que colocar tudo isso na sua cabeça dura. Faça o que ele lhe disser e tudo sairá bem.
— O que ele me disser?
— Ora, garota, não me levante a voz. Será melhor que você parta de uma vez, Gina — insistiu.
Gina moveu a cabeça.
— Irei num minuto, Beak. Primeiro, quero que me prometa que irá me buscar se surgir algum problema aqui.
— Que tipo de problema?
Enquanto murmurava uma explicação, Gina não pôde olhá-lo aos olhos.
— Ao que parece, papai recebeu umas moedas de ouro de Draco. Foi um empréstimo, Beak, não um dote, mas de qualquer maneira estou preocupada. Não sei como papai poderá devolver a ele este dinheiro.
Animou-se a lançar um olhar rápido para julgar a reação de Beak, mas não era necessário. O grito de raiva quase a fez cair da sela.
— Recebeu ouro por você? Ele a vendeu ao barão Draco?
—Não, você não entendeu — apressou-se a esclarecer Gina —. Foi só um empréstimo, Beak, e agora não temos tempo de discutir. Apenas me dê sua palavra de que irá me procurar-se papai precisar de ajuda.
—Sim, moça — disse Beak—. Eu prometo. Há alguma outra preocupação que eu tenha que conhecer?
—Espero que não.
—Então, vá. Se seu marido...
—Outra coisa mais, e depois vou.
—Está se demorando de propósito, não é mesmo, moça? Quer irritá-lo. Se for assim, ele saberá como é de verdade — predisse Beak, rindo entre dentes—. E depois de todo o trabalho que tive para contar –lhe algumas mentiras...!
— Que mentiras?
— Disse-lhe que era uma donzela doce e gentil.
— Sou uma donzela doce e gentil — retrucou Gina.
Beak bufou.
— Quando se zanga, é tão doce como o fel.
— Que mais disse a ele? —perguntou Gina, cheia de suspeitas —. Beak, será melhor que saiba tudo para poder me defender.
— Disse-lhe que era tímida.
— Oh, não!
— Que esteve doente, e que estava acostumada a ser mimada.
— Não!
— E que você gostava de passar o tempo costurando e indo à igreja.
Gina começou a rir.
— Por que inventou semelhantes histórias?
—Porque quis lhe dar certas vantagens — explicou Beak, embaralhando-se na pressa por esclarecer as coisas —. Também não contei que fala gaélico.
— Eu também não contei.
Os dois confidentes trocaram um sorriso, e Gina perguntou:
— Não está arrependido de todas as coisas que me ensinou, não?
— Claro que não — respondeu Beak —. Mas se seu marido a considerar fraca, suponho que estará mais alerta para cuidar de sua segurança, garota. A meu ver, será mais paciente com você.
— Não me importa o que ele ache de mim — replicou Gina —. Acredito que incitou meu orgulho porque me fez parecer tão inferior.
— A maioria das mulheres são inferiores — reforçou Beak.
— A maioria das mulheres caça para o jantar da família? Por acaso montam a cavalo melhor que um guerreiro? Por acaso...?
—Não se enfureça comigo, agora — implorou Beak —. Mantenha seus talentos ocultos por um tempo, Gina. E não o provoque por enquanto. Como sempre digo, é melhor não agarrar um cão selvagem pela cauda se não quiser suportar as conseqüências.
— Você nunca disse isso.
— Mas sempre quis dizer — respondeu o ancião. Olhou aflito para a ponte—. Vá agora, Gina.
— Guardei isto muito tempo, Beak, e não vou me apressar.
— O que? —perguntou Beak, quase gritando.
— Eu o amo. Nunca havia isso dito a você, mas eu o amo com todo meu coração. Você foi um bom pai para mim, Beak.
O ancião deixou de lado toda a bravata. Com os olhos úmidos de lágrimas e a voz estrangulada, murmurou:
— E eu a amo, Gina. Você foi uma filha maravilhosa para mim. Sempre a considerei minha filha.
— Prometa que não vai me esquecer — disse a jovem, com um tom desesperado na voz.
Beak lhe apertou a mão:
— Nunca a esquecerei.
Gina assentiu. As lágrimas escorriam por suas faces. Enxugou-as, endireitou os ombros e esporeou Fogo Selvagem.
Beak ficou no centro do pátio, vendo como sua jovem ama partia. Implorou ao Céu para que ela não se virasse. Não queria que o visse em semelhante estado de perturbação.
Que o Céu o amparasse. Chorava como um homem que tivesse perdido a sua única filha! No fundo do coração sabia a verdade: nunca voltaria a ver sua garotinha.


Na.: Bom aproveitem, que nessa tudo vai voar...MAS QUERO COMENTAROS HEM..COMENTARIOS DIGNOS!!

TONKS

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Comentários: 1

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Enviado por Lana Silva em 24/04/2012

UOLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL Nossa que capitulo maravilhoso, ahhhhhhhhhh fic diva demaiiiis *-*

Nota: 5

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