Manhã de 9 de janeiro, Casa dos Granger, Godric’s Hollow.
- Harry? – Hermione chamou, colocando a cabeça para dentro do quarto.
- Estou no banheiro! – a voz dele era abafada.
- Bom, eu estou entrando. – ela disse, fechando a porta atrás de si.
- Espera um instante que eu já estou saindo. – ele disse. Ela se aproximou da cama dele e sentou-se, observando a mochila cheia dele. Ele já tinha arrumado suas coisas.
- Só espero que você tenha o bom senso de não sair... – mas ele abriu a porta do banheiro naquele exato momento. – nu. – ela completou, lançando-lhe um olhar fulminante.
- Não estou nu, estou de toalha. – ele corrigiu. Tinha um sorriso maroto brincando em seus lábios.
- O que faz uma diferença enorme, não é? – ela retorquiu pondo-se de pé. – Você sabe que...
- Tenho que me vestir e que você não se sente a vontade quando estou assim? – ele completou. – Sei perfeitamente. – riu. – Mas e se eu te pegar assim? – puxou-a de encontro a seu corpo, abraçando-a fortemente sem deixar o sorriso sumir dos seus lábios. – O que você me diz?
- Você é louco! – ela murmurou. – E me solta! Você está molhado e está me molhando, Potter! – ela esmurrava o peito do moreno.
- Não bate que eu gamo! – ele brincou, fazendo bico.
- É nessas horas que me indago se você ainda não tem onze anos, Harry Potter! – ela revirou os olhos.
- Vai dizer que não estou melhor assim? – ele perguntou galanteador.
- Como você consegue ser tão chato e irresistivelmente lindo ao mesmo tempo? – ela suspirou, depositando nos lábios do moreno um selinho. – Eu te amo, bobo!
- Adoro quando ela se dá por vencida... – ele comentou, antes de beijá-la.
- Ok, mas agora você vai se trocar. – ela sentenciou.
- Tudo bem. – ele fez que ia tirar a toalha.
- No banheiro! – bradou a morena, virando-se de costas. – Você tem o dom de me irritar! Só você consegue a proeza de me irritar ao extremo...
Harry riu antes de entrar no banheiro. Hermione suspirou e deixou-se cair na cama. Ele realmente tinha um prazer imenso em fazê-la perder a cabeça, definitivamente. E da pior maneira possível, por sinal. Ela detestava isso, mas ao mesmo tempo adorava. Era assim, sempre. Ele sabia como fazê-la detestá-lo e adorar tudo o que ele fazia da maneira como fazia.
Mas o pior de tudo, é que ele começava a abusar e, quando ela reclamava, fazia-se de desentendido, continuando a cutucar até que a situação chegasse a um extremo quase insuportável. Era como se ele soubesse que o que mais a irritava era o fato de ela contradizê-la em todas as suas afirmações. Ela revirou os olhos em silêncio e suspirou, por fim rindo.
- Rindo de quê, mocinha?
- Nada, não. – ela murmurou.
- Hum. – Harry ergueu uma sobrancelha, cético. – Como estou?
- Podemos dizer que agora está vestido decentemente. – ela respondeu, sorrindo.
- Mas antes eu não estava vestido. – ele rebateu.
- Você me entendeu! – ela retorquiu. – E nem comece! Já me encheu o suficiente hoje, não acha? Só quero que lembre que está na casa dos meus pais, não em Hogwarts.
- Sinceramente, não vejo diferença. Você continua sendo a minha Hermione, a minha namorada. – ele disse, displicentemente. – Em qualquer lugar. – completou.
- O grande problema é, Sr. Potter, que aqui sempre poderá ter alguém para nos interromper. – Hermione tinha um meio sorriso escondido no canto dos lábios. – E censurar.
- No entanto, você esqueceu que estamos no meu quarto e que eles não entrariam sem bater à porta. – e sorriu triunfante.
- Ok, você venceu. – Hermione suspirou. – Odeio isso!
- Você deveria pensar seriamente em ser advogada ou trabalhar na área criminal. – Harry sugeriu. – Seria bem sucedida. E, devo acrescentar, o Ministério está mesmo precisando de pessoas de competência para esta área.
- Vou avaliar sua sugestão.
- Só espero que durante suas averiguações, não esqueça que mulher minha não pode ficar fora de casa durante mais do que quatorze horas diárias e que a sua profissão deve ser baseada nisso. Além disso, nada de interrupções e ligações em horas totalmente inconvenientes; trabalho só em hora de trabalho.
- Muito exigente para o meu gosto. – ela o encarou com os olhos semicerrados. – O problema, é que esqueceu que em minha casa, mando eu.
- Ah, claro. – ele revirou os olhos. – Nada disso!
- É o que vamos ver. – ela murmurou, antes de beijá-lo. – Bom, eu tenho que arrumar minhas coisas. Falamo-nos daqui a pouco. – ela se afastou, caminhando em direção à porta.
- Espera! – ele correu até ela. – Você esqueceu disso. – ele murmurou, extinguindo a distância entre seus rostos.
- Agora eu preciso ir. – ela disse, mas sendo calada com um novo beijo. – Harry! – ela repreendeu, rindo.
- Tudo bem; só mais um. – ela revirou os olhos e assentiu, dando-lhe um selinho. – Que horas nós vamos?
- Teríamos que pegar o Expresso de Hogwarts, mas agora é tarde. – Hermione conferiu o relógio de pulso. – E ele acaba de partir. – Harry encarou-a surpreso. – Não me olhe assim. Estou apenas seguindo as suas idéias.
- Está me dizendo que vamos aparatar?
- Assim que Amy voltar para Londres.
- Mas ela está indo logo depois do almoço!
- E daí? Ficaremos em Hogsmeade até às oito da noite, que é quando o trem chega. Nos juntamos ao pessoal e voltamos para o castelo como se fosse uma coisa normal. – ela explicou. – Ou vai dizer que não quer aproveitar as últimas horas que teremos a sós?
- Hermione, eu...
- Tudo bem. Se não quer ficar comigo, eu entendo...
- Não é isso. É só que eu estranhei. Não é bem esse tipo de coisa que costuma sugerir.
- Do jeito que você fala, parece que estamos quebrando mil e uma regras, quando não estamos quebrando nenhuma.
- Não falo de regras. Falo de risco e segurança. Não esqueça que nós temos um assassino sórdido à solta que está à minha procura e fará qualquer coisa para pôr as mãos em mim e me matar. Fora que estaremos nos expondo dessa maneira. Hogsmeade tem muita gente conhecida e é um povoado aberto. Qualquer um pode visitá-lo e nos ver.
- Não acho que Voldemort vá a Hogsmeade. Ele deve saber que Dumbledore tratou de ampliar a segurança ao redor do castelo e, muito provavelmente, encheu a vila de aurores e membros da Ordem. Dumbledore não é um simples diretor, Harry. Estamos falando de um gênio do mundo bruxo.
- Mesmo um gênio comete falhas, Hermione. – Harry replicou. – Não quero que se arrisque. – ele pôs uma mecha de cabelo atrás da orelha da morena.
- Todo risco ao seu lado vale a pena. – ela murmurou serena. – E depois, somos instrutores da AD, passamos cento e vinte dias em treinamento... Não somos mais crianças indefesas. E você sabe disso tanto quanto eu! – ela depositou um selinho nos lábios do namorado. – Tchau!
E saiu apressada do quarto, fazendo Harry balançar a cabeça negativamente com um meio sorriso nos lábios. Era loucura fazer aquilo que Hermione propunha, mas viver sem arriscar não era viver; e Harry apreciava profundamente qualquer coisa que pudesse lhe parecer ‘perigoso’.
“Nem tanto”, pensou, novamente balançando a cabeça, a fim de esquecer aquilo.
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- Acho que essas duas semanas passaram muito rápido. – Hermione comentou.
- É, mas foram duas semanas maravilhosas. Diverti-me um bocado e ainda saí noiva! Alissa Vector não vai acreditar quando eu contar, definitivamente. – Amy sorriu. – Só de imaginar, já dá vontade de rir. Mas eu cheguei a conclusão de que sou a mulher mais feliz desse mundo e que encontrei o homem da minha vida. – ela alargou o sorriso e deu um selinho no noivo.
- Verdade. Nunca a vi tão feliz! – Harry riu. – Cuidado, Aaron. Se não puser freios, quando menos imaginar, vai estar louco e sua vida de pernas pro ar.
- Nossa, Harry! Desse jeito fica parecendo que eu sou uma louca e ele vai achar que está falando sério.
- E não estou? – Harry brincou. – Boa sorte para vocês, ok?
- Obrigado, Harry. – Aaron agradeceu, estendendo a mão e apertando a de Harry.
- Bom, acho que é aqui que nos despedimos, não? – fez Amy. – Espero, sinceramente, que nos vejamos em breve. Não agüentaria até junho para vê-los novamente. Se já foram uma tortura só esses três meses, imagine cinco?
- Não faz drama, May. – Aaron brincou. – Sua mãe trabalha em Hogwarts, você pode ir até lá quando quiser.
- Não sei, acho que é difícil, mas posso ver com ela. Qualquer coisa, aviso vocês, ok?
- Tudo bem. – Harry e Hermione assentiram em uníssono.
- Acho melhor irmos, não é? – Amy perguntou a Aaron, que apenas acenou positivamente. – É, acho que é isso. Até breve, espero! – ela abraçou-os. – Se cuidem e não aprontem nenhuma besteira, hein? E juízo, vocês dois! – piscou e sorriu. – Vou sentir saudades.
- Nós também. – afastaram-se com duas passadas longas para trás e abraçaram-se, observando o outro casal aparatar.
- Acho que somos só nós, agora. – Harry sorriu. – Eu te amo, princesa!
- Eu também. – ela retribuiu o sorriso e beijou-o, sentindo os pés deixarem o chão. Ao abrir os olhos, ela pôde perceber que estavam em Hogsmeade. – Ainda bem que lembrou de trazer os malões. – ela riu.
- Ainda bem que estamos bem agasalhados, isso, sim. – ele murmurou.
- Realmente. Aqui está dez vezes mais frio que Godric’s Hollow. E olhe que isso não é pouca coisa. – ela abraçou-o com mais força e os dois adentraram o Três Vassouras.
- Vejam só quem apareceu! – Madame Rosmerta se aproximou. – Meus queridos, como estão?
- Bem, e a senhora?
- Muito bem, obrigada. Duas cervejas amanteigadas, presumo?! – fez sugestiva.
- Por favor. – Hermione confirmou e, antes que a dona do pub pudesse se afastar, continuou: – Ah, e... Madame Rosmerta? Será que você teria um quarto livre para que pudéssemos deixar nossos malões? É que ainda vamos ficar aqui até o pessoal chegar...
- Claro, querida. – ela estalou os dedos e fez com que os dois malões sumissem. – Quarto 13. – disse ao estender uma chave e se retirou.
- Viu? Não corremos risco algum!
- Ok, não vou discutir isso. – Harry findou o assunto.
- Harry? Hermione? – uma loira de cabelos ondulados adentrou o bar pelos fundos com uma bandeja em mãos.
- Eva?
Tratava-se de Eva Durst, a irmã mais nova de Madame Rosmerta. Pessoalmente, não a viam há quase um ano, mas ela estava exatamente como a conheceram.
- Surpresos? – ela riu, depositando as cervejas na mesa. – Como vão?
- Muito bem. Os relatórios pararam... por quê?
- Há dois meses Dumbledore pediu que só enviássemos quando houvesse algo de realmente ‘estranho’, então nós estamos aguardando. Mas esperamos que não seja preciso enviar nenhum relatório.
- Meio relatório seria suficiente para acabar com a nossa paz, que já é quase inexistente. – Hermione murmurou. – Ainda bem que está tudo bem.
- É, mas eu, particularmente, acho difícil que os Comensais venham a tentar algo aqui pelas redondezas de Hogwarts. É muito arriscado. – Eva comentou. – Vocês iniciaram o trabalho com os alunos?
- Sim, desde o fim de setembro. – Harry confirmou. – A grande maioria já havia trabalhado conosco dois anos atrás, mas o número cresceu consideravelmente. Até mesmo ex-alunos vêm de vez em quando.
- Mas isso é ótimo! Eles adquirem experiência fora de Hogwarts e podem ajudar. Se quiserem, podem contar comigo. Será um prazer participar. – ofereceu-se.
- Eva, estou faminta! Ainda sobrou algo do almoço? Eu acabei me atrasando. Acabei de chegar da Romênia, fui visitar o Carl... – Débora parou de súbito. – O que vocês fazem aqui? Não deveriam estar voltando no Expresso de Hogwarts?
- Nós perdemos. – Harry resumiu. – Mas você ia dizendo que estava na Romênia, visitando o Carlinhos, presumo?! – Débora confirmou. – Eu me lembro de Rony ter dito que você não iria...
- E não ia mesmo! Eu fui apenas ontem e cheguei agora, como vocês escutaram. Deu tempo só de vê-lo e voltar.
- Não o via há muito tempo, não é?
- Estive com ele no Natal, mas passei três meses sem vê-lo. Sabe, esse namoro à distância me corrói por inteiro. Quase não agüento de saudades. – ela contou. – Eva, meu almoço! – bradou, desesperada.
- Calma! Eu nem disse o que tinha. E você estava tão empolgada na conversa que resolvi esperar acabar. Talvez não lembrasse do almoço. – brincou a loira. – Temos strogonoff de frango. Fala com a Rosmerta. Ela está lá dentro.
- Mas é uma inútil mesmo! Nem para isso serve! – Débora fez cara de desprezo. – Brincadeira, amiga. Eu te adoro e você sabe disso! – ela abraçou a loira e depositou um beijo em sua bochecha.
- Hum-hum. Sei. Grande amiga! – Eva piscou para Harry e Hermione, que não contiveram o riso.
- Chata! – a metamorfomaga fez bico e saiu.
- Ela é uma louca, mas eu gosto dela do mesmo jeito. – comentou a loira, vendo a amiga sumir pelas escadas do pub. – Tenho pena dela.
- Por quê? – perguntou Hermione.
- Ela e o Carlinhos acabam afastados demais por conta da necessidade de ele morar em outro país... Mas parece que nem assim eles se abalam. Continuam firmes e fortes. Só que no começo foi horrível. Ela ficava quase depressiva, não comia, não dormia, não falava com ninguém. Só veio a se acostumar depois de quase seis meses e muitas idas e vindas dele de lá da Romênia. Eles tiveram uma briga séria há cerca de um mês e terminaram, mas acabaram reatando dois dias depois. Não sei se sabem, mas eles têm dois anos e meio juntos. – Eva contou. – Sinceramente, se eu brigasse do jeito que eles brigaram com o Hugo, jamais voltaria!
- Hugo? – fizeram Hermione e Harry em uníssono.
- É, meu namorado. – a loira riu. – Pensei que soubessem.
- Sequer imaginava! – a morena respondeu. – Quanto tempo?
- Três anos e quatro meses. Ah, é uma longa história!
Eles conversaram durante quase a tarde toda, contando com a participação quase inexistente de Débora, que teve de sair para o horário de ronda pelo povoado. Deixaram o Três Vassouras quase às oito e seguiram para a plataforma do vilarejo, completamente tomada pelo breu da noite, iluminada apenas por uma lamparina e pela Lua minguante. O céu estava completamente limpo. Nenhuma nuvem era vista e poucas eram as estrelas que salpicavam aquela noite de inverno.
- Será que vai demorar muito? – Hermione perguntou enquanto colocava suas coisas sobre o único banco existente ali.
- Está com medo?
- Impossível sentir medo quando estou com você. – ela murmurou. – É só que está frio.
- Hum, e depois eu que sou friorento, hein?
- Ah, Harry, cala a boca! Aposto como está quase batendo queixo aí...
- Acho melhor pegar a capa, o trem vai chegar a qualquer momento.
Hermione apenas acenou positivamente e aguardou o moreno pegar a capa dentro da mochila que trazia consigo. Era como se estivesse adivinhando; ao ouvir o apito do trem ao longe, rodou a capa no ar, cobrindo-os.
- Se nós soubéssemos que ia chegar agora, não teríamos a mesma sorte, acredite. – Hermione sussurrou, sorrindo.
O trem vermelho parou na estação e em questão de segundos, todos os alunos puseram-se a desembarcar na pequena plataforma de Hogsmeade. Rony e Gina, acompanhados por Neville, Draco, Luna e Blaise foram os últimos a descer.
- Blaise? – Harry e Hermione espantaram-se e entreolharam-se, balançando a cabeça negativamente e pondo-se a caminhar em direção ao grupo de amigos.
Puseram-se atrás deles e, só então, tiraram a capa, guardando-a novamente na mochila de Harry antes de chamar a atenção de Rony e Gina.
- Como foi na Romênia? – perguntou o moreno.
- Harry? – Gina virou-se, surpresa. – Quando chegaram?
- Estamos aqui desde o início da tarde. Até mesmo encontramos a Débora no Três Vassouras. – contou Hermione.
- Ela já voltou? – Rony e Luna dispararam juntos.
- Claro, ela tinha dito que voltaria hoje. Onde a cabeça de vocês estava, hein? – Gina revirou os olhos.
- Eles estavam próximos? – perguntou Draco em tom zombeteiro. – Então não estava muito longe, garanto.
Todos riram, inclusive Rony e Luna.
- Vocês não responderam a minha pergunta. – fez Harry.
- Que pergunta? – fez Gina.
- Depois eles que estão distantes, hein? – Hermione brincou.
- O Potter perguntou como foi na Romênia, ruivinha. – Draco esclareceu.
- Ah, foi ótimo! Sabe, nos divertimos um bocado. Não foi, Rony?
- A Luna não foi? – perguntou Harry.
- Não, eu tive alguns problemas e não pude ir. – a própria Luna respondeu.
Blaise lançou um olhar maldoso para Draco, que repreendeu-o com a retribuição do ‘gesto’.
Caminharam conversando animadamente até o local onde ficavam as carruagens dos testrálios à espera dos alunos para levá-los a Hogwarts. Receberam o aviso de que deveriam encaminhar-se diretamente para o Salão Principal, onde seria feita uma ceia para receber os alunos e para que pudessem prolongar o conta-conta de novidades.
- Que vergonha! Eu, monitora-chefe, e não me preocupei em vir no trem. Droga! – Hermione se culpou.
- Não se preocupe, Hermione. Não houve nada que fosse significativo para que fosse necessária a sua presença. A viagem correu na mais plena paz e você não perdeu nada. Além disso, é besteira se culpar, agora. – Draco interveio.
- E por que não vieram no trem, vocês dois? – perguntou Gina.
- Perdemos. E a Amy ficou lá em casa até depois do almoço, então... Não poderíamos deixá-la lá, não é?
- Essa Amy que estão falando seria a amiga da prima do Draco e filha da professora Vector? – perguntou Blaise.
- Ela mesma, por quê? – fez Harry.
- Curiosidade, só isso. – Blaise limitou-se a responder.
- Acabou, não é? Agora recomeça tudo de novo... – Rony murmurou pesaroso.
- Para vocês, esta é a última vez que recomeçam. – Gina fez questão de lembrar, fazendo Hermione soltar um muxoxo baixo. – Fica tranqüilo, Roniquinho. A partir do ano que vem não terá mais que estudar... tanto!
- O que quer dizer com isso? – Rony assustou-se.
- Você quer ser auror, não quer?
- Sim, mas...
- Rony, cai na real! Você vai para um campo de treinamento e é necessário o estudo para fazer o teste e entrar na academia, fora que você ainda passará por algumas fases que requerem avaliação de seus conhecimentos. Não sairá daqui formado em auror, se é isso que você pensava. – a ruiva explicou.
- Gente, sinto muito, mas eu estou muito cansada e preciso ir. Falamo-nos amanhã, ok? – Luna se levantou.
- Espera, Lu. Eu vou com você. – e Rony se levantou, caminhando ao lado da namorada para fora do grande aposento.
- E ele foge mais uma vez. – Hermione revirou os olhos. – Será que não teremos o nosso velho Rony de volta nunca?
- Ele é o mesmo, Hermione. Ele apenas está preso à Luna, agora. – Gina respondeu.
- A Gina está certa, Mione. Ele continua o mesmo de sempre. Outro dia fomos à cabana do Hagrid juntos, rimos, conversamos... Ele apenas não passa o tempo que passava conosco. – Harry concordou. – Acho melhor irmos, também.
- Draco, nós já vamos, ok? – Gina levantou-se, deu um beijo no namorado, acenou para Blaise e voltou sua atenção para Harry e Hermione, que também levantavam. – Não queria dizer isso na presença deles porque acho que não há necessidade alguma de saberem, mas... Eu acho que Rony e Luna não duram muito.
- Por que diz isso? – Harry perguntou alarmado.
- Luna está mais distante, não sei. Eu sei que há uma semana ela teve uma infecção, mas foi depois de termos viajado para a Romênia e isso não justificaria o fato de ela não ter ido. Sinceramente, acho que ela cansou. – a ruiva desabafou. – Cansou do grude e da criancice do Rony... De certo, ele fez algo que a decepcionou.
- Eu não me surpreenderia. Mas Rony é nosso amigo, nós sabemos que é o jeito dele... Ele é assim! – murmurou Hermione.
- Eu sei, Mione. E o que me preocupa é o fato de ele ainda gostar dela. Tenho certeza de que ela está se afastando aos poucos para não machucar ele. Luna tem esperanças de que ele vá deixando de gostar dela.
- Como sabe disso? – fez a morena.
- Eu não sei de nada. Apenas estou supondo que seja isso, porque não há outra explicação para o Rony estar voltando para a nossa companhia, para esse afastamento todo. Temo que ele esteja começando a sentir isso. E quero que vocês o ajudem, porque vocês são amigos dele também. Tentem agir naturalmente quando ele procurar vocês... sei que ele só não o faz com freqüência pelo fato de vocês estarem juntos e ele não quer atrapalhar. Ele sabe que já é inconveniente em muitos momentos e não quer ser rotulado permanentemente desta forma. – concluiu. – Posso contar com vocês?
- Claro, Gin. Como você mesma disse... ele é nosso amigo. Conta conosco, sim. – Hermione concordou.
- Não preciso dizer mais nada, não é? – Harry brincou. – Estou com vocês!
- Eu sabia que podia contar com vocês. – Gina sorriu.
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Tarde de 14 de janeiro, dormitório masculino, torre da Grifinória.
Harry jogou-se na cama sem sequer tirar o uniforme ou os sapatos. Estava exausto. Não dormira quase nada durante a noite anterior por conta dos pesadelos que tivera, onde Hermione era seqüestrada por Voldemort, que ameaçava matá-la se Harry não se entregasse e mesmo quando ele se entregava, o bruxo das trevas fazia questão de chamá-lo de tolo e matá-la antes de partir para cima dele.
Acordara e não conseguira mais dormir. E ficou acordado durante toda a noite, pensando no sonho que tivera. Tinha medo de que ele pudesse se tornar realidade, de que ele pudesse perder Hermione para sempre e aquilo o deixava angustiado.
Ficou deitado encarando o teto por alguns instantes antes de ceder ao peso das pálpebras, que insistiam em fechar. Desfez-se de qualquer pensamento, esvaziando a mente por completo antes de render-se ao sono. Adormeceu.
Dormia a sono solto no silêncio daquele final de tarde. Mas não por muito tempo.
Acordou ao ouvir pancadas no vidro da janela. Abriu os olhos com dificuldade e piscou repetidas vezes até se acostumar com a claridade ainda existente. Encarou a janela e viu um pássaro preto, cuja espécie não soube distinguir. Sobressaltou-se. Era um pássaro muito bonito, mas os olhos cor de oliva o faziam assustador. Ele encarava Harry fixamente e aquilo despertou no rapaz determinado desconforto.
Levantou-se e abriu a janela, tomando o envelope que o bicho trazia seguro em suas garras, ao que o mesmo levantou vôo quase que imediatamente e sumiu de vista. Harry encarou o envelope, seu coração acelerando as batidas a cada segundo. Não havia nada escrito. Virou para ver o verso. Nada. E aquilo só o deixava ainda mais apreensivo.
Abriu o envelope com uma cautela desnecessária; era como se estivesse desarmando uma bomba prestes a explodir a qualquer momento. Retirou a foto que havia dentro dele e prendeu a respiração. Nela estavam os Dursley... mortos. Respirou fundo antes de virar o verso e ler o curto texto ali contido:
Cuide de sua sangue-ruim. Ela é a próxima.
Levantou os olhos e encarou as copas das árvores da floresta, atônito. Não sabia se assustado com a ameaça à Hermione ou perplexo com a foto. Os Dursley poderiam ser as piores pessoas do mundo para com ele, mas ainda assim era chocante receber uma foto que retratava a sua morte. A frieza como Voldemort – sim, porque não poderia vir de outra pessoa ato tão sórdido –, os matara e tivera a coragem de enviar a Harry algo como aquilo.
E agora ele sentia o peito inchar, uma dor incontrolável crescer e ali se alojar. Hermione corria risco de vida... Voldemort sabia; sabia de Hermione, sabia deles dois... Como poderia?
Sem pensar duas vezes, correu para fora do dormitório, passou avoado pelo salão comunal e deixou a torre da Grifinória para trás em direção ao escritório de Dumbledore. Agradeceu mentalmente por ainda estar em período de aulas e poucas pessoas estarem andando pelos corredores. Parou defronte à gárgula que dava acesso à sala do diretor e só então lembrou-se que não sabia a senha.
Virou-se para ir embora quando ouviu alguém chamar seu nome:
- Potter? – Minerva McGonagall estava postada ao pé da gárgula, que acabara de completar seu último giro.
Harry girou os calcanhares lentamente, embora quisesse mesmo correr até a professora, abraçá-la e dizer que ela acabara de salvar o seu dia.
- Sim, professora?
- Você queria falar com o professor Dumbledore?
- Na verdade, sim. Só que além de não saber se ele estava aqui, também só lembrei que não sabia a senha quando cheguei.
- Suba. Ele está livre. – e após dizer isso, a professora sumiu pela curva do corredor.
- Obrigado. – Harry murmurou para o nada e correu para subir as escadas.
Não bateu, tampouco esperou que o professor pedisse para entrar; ele acidentou-se para dentro da sala.
- Harry?
- Boa tarde, professor. Desculpe vir sem avisar, mas...
- Calma, garoto! Sente-se, beba um pouco de água, acalme-se e depois conversaremos, ok?
- Tudo bem. – foi tudo o que Harry conseguiu dizer antes de aceitar o copo que o professor lhe oferecia.
Instantes depois, o próprio diretor puxou a conversa:
- Sente-se melhor?
- S-sim. – Harry respondeu.
- Então conte-me: o que aconteceu?
- Acho que eu não preciso contar, o senhor pode ver com seus próprios olhos. – Harry tirou do bolso das vestes e entregou a foto que recebera há pouco.
- Então ele descobriu que vocês estão juntos?
Harry parou de chofre. Escutara mesmo aquilo? Era impressão ou Dumbledore parecia saber de tudo?
- Eu sei, Harry; sempre soube. Mas antes de todo este desespero, deixe-me fazer uma pergunta: você já parou para pensar que ele pode estar ‘jogando verde’?
- Jogando verde? Como assim?
- É, Harry. Ele pode estar fazendo isso para te assustar, principalmente depois dos artigos que Rita Skeeter fez. O que ele quer, é te encurralar, encontrar um ponto fraco para ele poder atacar.
- E o que eu faço? Eu temo por Hermione. Não quero que ela pague por algo que ela não tem nada a ver.
- Ela tem tudo a ver desde o dia em que entrou no compartimento do trem em que você estava, Harry. Você já fez tudo o que estava a seu alcance para que Voldemort não descobrisse, agora, mais do que nunca, é preciso manter esse segredo e cuidar de Hermione, protegê-la. – Dumbledore sentenciou. – Mas tome cuidado para não machucá-la. Você pode querer protegê-la da maneira errada e acabar magoando-a. E Hermione é uma garota de ouro, Harry. É forte, mas também muito sensível.
Harry permaneceu calado. Ele não sabia o que pensar, o que fazer. Estava completamente desarmado diante daquela situação.
- E-eu não sei o que fazer...
- Qualquer decisão que tome pode ser arriscada demais. Pense nisso antes de fazer qualquer coisa. Vá e tente agir com naturalidade, cuidando para não dar um passo em falso. A sua felicidade, o seu amor e a vida de Hermione estão em jogo.
Harry deixou a sala do diretor com o coração na mão. A passadas lentas, caminhou até a torre da Grifinória enquanto um filme do que foram os seus anos ao lado de Hermione passava em sua mente. Rony também acabou adentrando suas lembranças... Que seria dele sem os amigos? Como viveria sem Hermione? Que seria de sua vida sem ela, que, ele tinha certeza, era a mulher de sua vida?
- Visgo do diabo – ao murmurou parar de frente para o retrato da mulher gorda.
- Se assim você diz... – o retrato girou e Harry adentrou o salão comunal apressado, caminhando diretamente para as escadas que levavam aos dormitórios. Ele não via ninguém. Era como existisse apenas ele ali, ele e os vultos que insistiam em assombrar os seus arrastados dias.
- Harry! – ele ouviu chamarem-no, distante.
Um vulto passou do seu lado e, em câmera lenta, Hermione se aproximou.
- Harry, onde você estava? Estive preocupada, voltei e você não estava aqui. Eu... Harry?
- Depois, Hermione. Depois...
Mas Harry não respondeu. Subiu as escadas para o dormitório masculino sem sequer olhá-la.
A morena viu-o sumir na curva das escadas, lentamente. Desamparada, ela deixou-se cair numa poltrona qualquer, os olhos perdidos num ponto qualquer da parede. Por que ele a tratara daquela forma? Ele fora frio, rude, como nunca fora antes. Sentiu vontade de chorar, mas as lágrimas pareciam resistir, insistir em não cair. Seu estômago revirou e apertou, como tivesse dado um nó.
Subiu para o seu quarto e jogou-se de qualquer jeito na cama. Tirou apenas as sandálias e jogou-as para longe. Adormeceu encolhida, em posição fetal, abraçada ao travesseiro que ele tinha deixado em seu quarto. Em sua mente, os flashes dos momentos que já havia vivido com ele naquele quarto passavam e repassavam, fazendo-a soluçar incessantemente, e o choro ainda preso tornava a situação ainda mais angustiante e dolorosa.
Não sabia por que se sentia assim, mas era como se algo lhe dissesse que as coisas não estavam bem; e não iam melhorar. |