And my tears dry, get on without my guy
E minhas lágrimas secas, continuo sem meu cara
You went back to what you knew
Você voltou para o que você já conhecia
So far removed from all that we went through
Saindo totalmente de tudo pelo que nós passamos
And I tread a troubled track
E eu trilho um caminho tortuoso
My odds are stacked, I'll go back to black
Minhas chances estão empilhadas, eu vou voltar ao luto
We only said goodbye with words
Nós apenas dissemos adeus com palavras
I died a hundred times
Eu morri uma centena de vezes
You go back to her
Você volta pra ela
And I go back to
E eu volto ao
I go back to us
Eu volto pra nós
I love you much
Eu te amo tanto
It's not enough, you love blow and I love puff
Isso não é suficiente, você ama cheirar e eu amo dar um trago
-Back to Black -Amy Winehouse.
Eu realmente não tinha idéia de onde estava, e afinal, não tinha idéia se realmente estava acordada, viva, no além ou no inferno. Minha mente, onde quer que eu estivesse, não parecia se lembrar de nada, apenas de uma pequena dor que parecia crescer cada vez mais, dominando toda a minha cabeça... Isso não parece coerente para mim, principalmente pra mim; a sempre racional Hermione Granger. Não que eu tenho medo da morte... Na verdade, tenho. Acho que todo mundo tem. Aquela velha história de, os ‘bonzinhos’ vão pro céu e os ‘malzinho’ pro inferno... Será que eu seria digna do céu? Mas, como posso dizer? Se estou no Inferno, vou abraçar o capeta. Cara, eu sempre quis dizer isso, mas como alegria de pobre dura pouco, eu me contento com apenas pensar sobre o assunto.
Hermione Granger, um dia você terá que descobrir onde está, então mostre sua coragem grifinória, e abra esses olhos, sua energúmena tapada! Me surpreendo com a minha mente construtiva.
Ao abrir os olhos me deparei com uma realidade... Branca. Parede branca, sofá branca, cadeira branca, teto branco... Ou alguém aqui tem um senso de decoração bem sem criatividade, ou eu estou em um hospital. O que me faz lembrar...
PUTA MERDA! É... Lembrei-me de toda aquela merda! Todos os fatores que haviam me levado até essa situação.
Tentei engolir um bolo que se formava em minha garganta, o primeiro sinal de que o terrível choro se aproximava e descobri que este simples ato me proporcionava muita, muita dor. Olhei atentamente para onde eu estava. Uma colcha branca, pra variar, cobria minhas pernas até minha cintura. Uma camisola ridícula de hospital, que mais mostra do que tampa, era visível. Olhei para meus braços apenas para constatar cinco tipos diferentes de agulhas enfiadas friamente em meu lindo bracinho branquinho. Ou eu era uma experiência mal sucedida ou eu estava realmente numa situação critica.
Levantei um dos braços para arrumar meu cabelo, porque conhecendo meu parceiro de estrada há 16 anos, sei muito bem como ele é rebelde depois de um soninho. Senti minhas costas estralarem, e com meu cérebro super aguçado, cheguei à conclusão de que deveria estar deitado a um bom tempo.
E eu pensei em todas essas coisas banais e idiotas, apenas para tentar ignorar essa sensação de que uma lança estava tentando perfurando meus órgãos vitais, o que, claro, provou-se algo inútil, porque a sensação veio do mesmo jeito.
Todas as lembranças amargas daquele dia invadiram o meu cérebro em uma velocidade inacreditável, e eu me senti mais vulnerável do que nunca. Claro, havia um pouco de drama por trás daquilo, mas no fundo, eu estava mais ferida do que um sobrevivente judeu torturado no Holocausto. Não pelo fato de ter tido a humilhação e tudo o mais, mas pelo fato deles, dele não terem feito nada. Cara, eu gritei como uma hiena menstruada e com cólica, e ninguém fez nada! Claro, da Sala Precisa eu pude ouvir os gritos da Gina, mas eu não esperava nada diferente da ruiva. Ela é, como posso explicar... A melhor amiga que alguém pode ter. A mais fiel e a mais maluca.
O que eu mais gostaria era tê-la comigo, para poder chorar o rio de lágrimas que se aproximava...
Uma simples batida na porta me avisou rapidamente que alguém iria entrar. Esperei encontrar o radiantes rosto de Gina, mas...
MISERICÓRDIA! Eu peço uma ruiva, e me aparece quem? ALGUM FILHO DA MÃE PODE ME RESPONDER? ESSA MINHA MENTE PERTURBADA PODE ME RESPONDER? Mas, é claro, essa minha vida é sacana.
Eu peço uma ruiva, e me aparece a pessoa que eu menos que ver na face da Terra, do Universo, da Via Láctea, da Puta que Pariu!
-Hermione... Você... - aprende a falar energúmeno. Harry Potter me encarava como seu eu fosse o fantasma do Jack Estuprador, sorrindo sensualmente pra ele. Claro que eu sendo um ser humano frágil e tapado, não pude deixar de reparar nos cabelos sempre bagunçados dele... Nas íris esmeraldas, que pareciam brilhar mais só de olhar para mim... Na camisa, proporcionalmente aberta, o que, claro, é uma afronta as mulheres do mundo, porque... PELO AMOR DE MERLIN POTTER, FECHA ESSA CAMISA ANTES QUE EU TE ATAQUE, HOMEM!
Mas, uma coisinha chamada ‘ódio’ surgiu como uma brasa no meu peito, e comecei a repudiá-lo naquele instante. Minha mente sacana, sim está mente sacana, foi invadida por as imagens que eu mais gostaria de esquecer, e eu lembrei novamente da atitude dele. Ou melhor, da falta de atitude. E como eu tenho uma sorte muito vagabunda, o desgraçado veio se aproximando da minha preciosa maca, e eu queria desesperadamente avisar pra ele que esse era o meu espaço, minha cama, meu quarto de hospital, e que se aproximar desse jeito definitivamente desrespeitava meu precioso espaço.
Olhei para ele; ele hesitou diante do meu olhar. Ou minha cara estava pintada a guache ou meu cabelo estava uma verdadeira juba. Ele parou hesitante a uns passos da minha perdição, e era apenas isso que eu precisava. Fiz a primeira coisa que esta minha mente perturbada e criativa pensou, e me escondi infantilmente em baixo da minha preciosa coberta.
Senti sua vã tentativa de tentar puxar meu precioso cobertor.
-Hermione, conversa comigo... Mi, por favor...- CALMA AE. MI É GOLPE BAIXO, MEU BEM.
Senti minha garganta se fechar, e aquele terrível bolo se formar novamente. Eu não podia chorar, mas um soluço vingativo e filho duma mãe saiu por meus lábios, invadindo o quarto com o meu choro.
-Eu... Po-por favor... Eu quero a Gi-Gina...- eu consegui murmurar, minha garganta parecia ter sido costurada. Ouvi-o suspirar, e a porta do quarto se fechar.
Porém, antes que eu pudesse respirar aliviada, um peso inconfundível caiu sob mim, e meu sexto sentido gritava que aquele ser só poderia ser minha ruiva predileta.
-HERMIONE GRANGER, NUNCA MAIS EM SUA MEDIOCRE VIDA PENSE EM FAZER ISSO COMIGO! NUNCA MAIS, SUA CADELA FEIA, BOBA E... AAH, EU TE AMO SUA CABEÇUDA!- gritou minha amada melhor amiga, tão carinhosa e discreta quanto um elefante roxo. Minhas lagrimas se intensificaram, e ao invés de eu xingar até a 109º geração daqueles ruivos, eu abracei fortemente aquela maluca.
A porta se abriu novamente, e eu finalmente, coloquei minha covardia em um bauzinho, no fundo desta mesma consciência, porque eu lidaria com ela depois; abaixei a coberta.
Ron me encarava com olhos sofridos, porém com o sorriso mais sincero e lindo que ele já havia direcionado para mim. A cada dia eu descobria o quanto amava aquele energúmeno ruivo. Notavam-se marcas de cansaço do rosto do meu amigo, e me senti lisonjeada por ele ter passado alguma noite insone por minha enfermidade.
Percebi meio tarde demais que Dumbledore esperava por minha atenção, ainda na porta, me observando por cima dos oclinhos de meia lua.
Mas, enfim, senti que aquele momento estava bem sério, e para completar esta conclusão, Minerva McGonagall entrou também no meu pobre quarto de hospital. Seu sorriso acho que pela primeira vez, era amoroso e apenas direcionado para mim. Senti-me muito lisonjeada e envergonhada.
-Vejo que a senhorita já está acordada, e isto me traz uma paz enorme. Porém...- o velhinho fofinho que conversava comigo foi interrompido pelo energúmeno, e minha mente ama essa palavra, de cabelos bagunçados e olhos que eu nem comento.- Harry, que bom se juntar a nós.- BOM? BOM PRA VOCÊ, SEU VELHO MORFÉTICO CAQUÉTICO DE UMA FIGA. Ok Hermione, apenas lembre-se de respirar. Respirei profundamente, e arrisquei meu olhar mais amigável para o diretor. - Peço desculpas por tocar neste assunto tão precocemente, mas depois de duas semanas, precisamos saber de fatos.
-Espera ai... Duas semanas?- eu exclamei, minha boca atingiu um recorde! Em quantos milésimos de segundo uma boca chega ao chão? Falei, a minha ultrapassa qualquer recorde.
-É sobre isso que iremos conversar... - disse Dumbledore, conjurando uma cadeira para todos, exceto a folgada da Gina, que já sentava confortavelmente na minha cama.- Como a senhorita conseguiu acesso á Poção do Morto Vivo?
TÁ LEGAL. Ele é bem direto, não? Senti meus músculos retesarem, minha cabeça pesar, e um enjôo surgir. Relembrar dos momentos que passei na Sala Precisa faziam tudo aquilo tornar-se mais real para mim, e não apenas um pesadelo terrível. Todos perceberam minha confusão e conflito interno, e esperaram pacientemente eu me recuperar. Respirei fundo umas mil vezes, até conseguir fôlego suficiente para abrir a boca.
- Sala Precisa. - consegui balbuciar, mas as malditas lágrimas surgindo em meus olhos. Dumbledore parece meditar, e Minerva olhou para mim, provavelmente tentando me dar apoio.
-E como a senhorita conseguiu que a sala fornecesse algo assim?- esse velho cansa a minha beleza.
-Apenas pensei em algo para me ajudar a... Esquecer. - eu disse, e sendo a covarde que sou, abaixei a cabeça, olhando atentamente para o cobertor.
Não vi o diretor meditar mais, mas depois de alguns minutos ouvi ele se levantar.
-Senhorita Granger, fico realmente aliviado de vê-la finalmente se recuperando, e creio que em dois dias possa voltar para Hogwarts.- e ao mesmo tempo em que Dumbledore disse isso, uma idéia que rondava meu subconsciente tornou-se clara. Eu não queria voltar para Hogwarts tão cedo. Claro, eu sempre amaria Hogwarts mais que tudo, mas eu não me sentia pronta para enfrentar meus medos... E ele. E... Malfoy. Senti meu rosto esquentar e não ouvi uma palavra sequer do que Dumbledore dizia. Um plano formou-se, e eu sabia exatamente o que fazer. Meus olhos tomaram foco, e percebi Dumbledore saindo e sendo seguido por Minerva. Eu precisava agir.
-Professora McGonagall... Eu poderia conversar com a senhora?- eu disse, minha voz falhando no momento certo. Gina me olhou curiosa, mas eu a olhei, avisando que depois conversaríamos. Ron e Harry me olharam também, mas eu os ignorei.
-Claro Granger. Weasley, Potter e Weasley... Poderiam nos dar licença?- disse a professora, e eu amo o senso de oportunidade dessa mulher. Ela me inspira.
Eles saíram hesitantes, e Harry me encarou profundamente antes de sair, fazendo uma corrente elétrica percorrer o meu corpo, do meu dedão do pé até o ultimo fio armado do meu lindo cabelo castanho. – Bom, senhorita. O que deseja?
Ok, eu respirei fundo. Eu realmente esperava estar pronta pra fazer isso, porque senão... Essa vida é uma filha duma vadia, que só quer ver essa pobre alma caridosa se ferrar.
-Professora...- eu disse, e a minha coragem ameaçava me deixar pra sempre.- Eu tenho um pedido muito importante. Peço à senhora que me deixe ser transferida, por um ano, para Beauxbatons.
Ela me olhou como seu eu realmente tivesse fugido de um hospício, mas na minha situação, isso chegava a ser um elogio.
-Mas... Por quê?- perguntou a maracujá de gaveta. Sério, eu preciso desenhar ou o cérebro dela derreteu? Ela viu, ela estava naquele Salão quando tudo aconteceu. Era tão óbvio que eu quis enfiar a minha varinha no olho daquela velha. Respirei fundo novamente.
-Porque eu não tenho forças, agora, para voltar á Hogwarts e encarar tudo o que aconteceu. - eu respondi, com a maior firmeza e convicção que consegui reunir. Ela me encarou pensativa, seus olhos demonstrando uma compaixão inesperada. - Professora, eu realmente estou implorando. - eu disse, as lágrimas ameaçando descer.
-Mas ... É realmente necessário? O certo? A senhorita passou por tanta coisa nos últimos dias, não sei se devo...- respondeu aquela senhora, me olhando indecisa.
-Não sei... O certo? Só vou saber quanto acontecer. Eu só imploro. Converse com o professor Dumbledore, aposto que ele deixará... É tudo que peço. - implorei, enquanto uma lágrima traíra descia por minha bochecha, a lágrima que eu tentara conter. Eu não choraria mais, não por causa disso. Eu sabia o que fazer, e as pessoas certas pagariam por tudo.
-Bom, se a senhorita está tão convicta de sua decisão, conversarei com o diretor agora mesmo, e informarei Madame Máxime de sua decisão. Fique ciente, Granger, que além de tudo será uma grande honra da escola fazer um intercâmbio entre as duas escolas de magia, e que apesar de ser apenas um ano, como diretora da Grifinória, sentiremos saudades. - CA-RAM-BA. Assim mesmo, pausadamente. Merlin, a Minerva só faltou dar um beijo na boca? Eu fiquei toda emocionada e a abracei fortemente, mas o que eu poderia ter feito? Ela estava se importando comigo. Ela olhou com aquele olhar severo pra mim, mas no fundo eu sei que ela tem um coração mole. Acenou minimamente e saiu.
Mas, ao pensar que eu teria um momento de paz, a porta se escancarou e minha ruiva preferida, ou mais odiada, entrou por esta se jogando em minha cama, novamente.
-Ok Hermione, quero que me conte tudo agora!- exigente a menina, não?
-Não caia, não desmaie, não me mate, não se mate, não mate ninguém, não estrangule a McGonagall, não tente me jogar pela janela, não tente se jogar pela janela, não tente arrancar meus cabelos, não tente arrancar os seus cabelos, não tente arrancar os cabelos de ninguém, não tente me afogar na privada, não tente se afogar na privada, não tente afogar o Dumbledore na privada. Fique bem longe do banheiro! Não me lance um ‘crucio’, nem me torture lentamente. Bom... Vou para Beauxbatons.- e o que ela fez? A desgraçada riu. RIU NA MINHA CARA. Eu tenho cara de Bozo? De palhaça? A cara do Snape? Ela riu tanto que demorou a perceber minha expressão homicida.
-Isso é sério?- não, e eu sou o Snape. Balancei a cabeça afirmativamente. Preparei-me para o escândalo. - SUA IDIOTA, VOCÊ COMEU BOSTA, HERMIONE? CHEIROU PÓ-DE-FLU? A POÇÃO AFETOU SEU CÉREBRO, SUA ANANCÉFALA?- sim, ela pego pesado. Anancéfala também não. Eu sou bem inteligente, obrigada. A mais inteligente do meu ano, obrigada. Ela ficou me encarando e assim tentei articular uma boa resposta.
-Não, eu não comi bosta, nem cheirei pó-de-flu, porque esse é o seu ramo Gina. E anancéfala é a puta que pariu. - tá, eu baixei o nível, quem nunca fez isso, que atire a primeira pedra. Ela me encarou com medo. Bom mesmo. - E sim, pra informação pública, eu vou para Beauxbatons.
-Mas... Por que, sua jumenta?- ela que baixou o nível, ok?
-Porque Gina... Eu não quero ter que encarar cada pessoa que presenciou aquela porcaria no Salão Principal. Porque, eu realmente, não quero ter que olhar para a cara do Harry e pensar que ele não fez nada! E realmente, realmente, não quero ter que olhar para a cara daquele verme cancerígeno do Malfoy.- respondi em um fôlego só, e senti que minha forças estavam se esgotando. Fora muita coisa em apenas um pobre diazinho.
Ela me olhou toda melosa e meu instinto dizia para jogá-la pela janela! Mas, eu sou uma grande medrosa, cagona no popular, e me deixei ser abraçada por esse ser ruivo, que afagou meu cabelo como se eu fosse uma criança de três anos que enfiou o dedo no olho sem querer. E eu sou tão desgraçada, que eu comecei a chorar. Ok, um desconto. Essa pessoa é minha melhor amiga, então pode me ver neste estado catatônico.
Ela levantou o meu resto, e observei aqueles olhos tão conhecidos e que sentirei tanta saudade. Admito que a cena ficou melosa demais pro meu metabolismo, mas eu não consegui evitar.
-Mi... Eu sei que você tá bem chateada... - e coloca chateada nisso!- Mas, eu realmente acho que pelo menos com o Ron, você deveria conversar. Sério, você pode ter ficado desacordada por duas semanas, mas eu não. Eu vi como meu irmão ficou abalado, vi como ele tava realmente esquisito. E vi, por Merlin, e melhor briga da minha vida. - disse a maluca, me deixando curiosa.
-Que briga sua maluca?- sou muito gentil, obrigada.
-Não te contei. Não acredito!- ela ficou empolgada, eu me borro toda quando essa retardada fica empolgada. Não pode ser bom sinal. Fiquei quieta, e ela percebeu que eu queria ouvir a tal história. - No começo dessa semana, o Ron não conseguiu se segurar, e arrumou a maior briga com o Malfoy, com direito a dentes quebrados, olho roxo e muita dor física. Juro nunca que nunca vi o Ron bater em alguém daquele jeito, nem quando eu roubei o Filisberto, o dragãozinho dele de pelúcia e joguei na privada ele me bateu como no Malfoy, e olha que ele amava muito Filisberto. Enfim, acho que você deve falar com ele sobre esse ‘lance’ de Beauxbatons.- terminou de falar ela. COMO ASSIM? O Ron brigou por mim, isso não é lindo?
-Chama aquele energúmeno agora!- eu balbuciei, e admito ter ficado muito emocionada. Fala sério, quem não ficaria? Gina esboçou seu sorriso mais sapeca e saiu correndo, abrindo a porta como se o mundo tivesse acabado. Não me importei em contar o tempo, porque meu cérebro nem havia voltado a pensar, e ela entrou com o ruivo mais heróico do mundo mágico.
Ele me olhou meio confuso, mas eu vi em seu rosto o alivio. A ruiva não se tocou, e sentou na minha cama, e começou a fingir que não estava prestando atenção.
-Ron... Não sei bem o que dizer... - sussurrei. Palavras não seriam muito explicitas naquele momento, então pulei da cama, trazendo todas aquelas agulhas comigo. Parece que ele percebeu o meu retardamento, e aproximou-se tão rápido da cama, que eu nem havia me levantado direito e os braços protetores dele me seguraram. E adivinha? É claro que eu chorei. Mas, me perdoei por isso. Devagar, ele me separou dele e vi em seu rosto o sorriso mais lindo que eu poderia receber. Sorri em resposta, mas ao pensar no que teria de contar á ele, meu sorriso sumiu. Voltei a sentar na cama, e o olhei séria.
- Não me mate... Vou estudar um ano em Beauxbatons.
Tudo bem, para meu alivio ele parecia não querer dar o piti exagerado que a Gina deu, mas ele me olhou confuso. E lá foi eu explicar novamente.
-Eu preciso disso, Ron. Não posso voltar para Hogwarts agora. Eu sou uma grande covarde, e não mereço ter entrado para a Grifinória, então eu já falei com a McGonagall, que já deve ter falado com Madame Máxime e quando eu puder sair dessa cama vocês me verão só daqui um ano.- foi mais difícil do que eu imaginei dizer essas palavras, e aquele bolo esquisito parece estar querendo descer pela minha garganta de novo.
Ele me olhou todo carinhoso, e eu senti um extremo amor por ele. O tipo de amor maternal, fraternal. Cada célula do meu ser dizia que eu era a pessoa mais sortuda por ter amigos como eles.
-Se isso te faz bem Mione, tem todo o meu apoio. E, sinceramente, não vejo a hora de esse um ano passar logo.- ele disse. A Gina, escandalosa como sempre, subiu em cima da minha cama, e começou a fazer uma dancinha bizarra. Eu ri dela, e o Ron também. Aquele momento poderia ter sido perfeito, mas eu tentava não pensar nisso, em o que, ou quem, transformaria aquele momento em algo realmente perfeito. Às vezes acho que meu rancor é exagerado demais, mas em outros momentos penso naquele momento ridículo e em como eu me senti abandonada e envergonhada. Eu vou, mas em um ano, eles vão ver do que Hermione Granger é capaz.
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Eu não havia conseguido pregar os olhos durante noite, porque o fato do que eu tinha decidido me atormentava. Havia ignorado Harry descaradamente e Gina me ajudara muito nesse quesito; sempre que ele chegava eu fingia estar dormindo. Eu não me sentia pronta para encará-lo e dizer todas as verdades que borbulhavam em minha cabeça. Ron também me visitara muito, o que fazia a dor diminuir um pouco. Eu precisara permanecer no hospital por mais uns dias para exames de rotina, o que havia adiado um pouco a minha ida para Beauxsbatons.
Havia arrumado minhas malas e esperava calmamente a chegada de Gina. Ela não costumava demorar daquele jeito, mas eu não estava preocupada. Na verdade, não tinha muita pressa para chegar naquele antro paty e fresco.
Escutei uma batida na porta e conclui que deveria ser ela. Ao escancarar a porta, com meu melhor sorriso, dou de cara com quem? Dica, não era a Gina.
Harry me encarava sério; soltei meu melhor sorriso amarelo, o que causou certa irritação nele.
-O-oi Harry.- ISSO SUA RETARDADA MENTAL, GAGUEJA MESMO. Quer uma salva de palmas, Hermione?
-Então, dessa vez você não precisa descansar nem nada do tipo? Ou vai dar outra desculpa? A Gina tá por ai?- Olá, eu sou Harry Potter e quero realmente morrer. Legal, ele perdeu amor nos dentes agora? Enfiou a varinha no olho e ela atingiu o cérebro dele? É, quando eu realmente preciso daquela ruiva incapaz de pensar, o que ela faz? DESAPARECE.
-Que isso Harry... Desculpa? Não tem desculpa nenhuma. - eu sou uma fraca comedora de capim podre e burra! Sim, burra. Por quê? Porque eu gosto dele. Sempre gostei e acho que sempre vou gostar. Mas, eu sou forte. Vou fazer uma espécie de AA sobre Harry Potter; eu me odeio com todas as células do meu corpo.
-Hermione eu não nasci ontem. E eu sei muito bem que você tá tentando me ignorar. Tentando, porque agora você vai ter que conversar comigo. – ele tava todo marrento pro meu lado. Acho que alguém deveria ter dito á ele para não me irritar. –Poxa Hermione, o que eu fiz de tão errado?- E ADIVINHA! E filho duma parideira acariciou a minha bochecha; golpe baixo, não?
-Harry, eu realmente não tenho nada pra...- eu não podia perder o raciocínio ao encarar os olhos dele; mas era inegável, ele tinha um certo magnetismo sob mim. Algo que eu conseguira esconder por muito tempo, mas que eu não era capaz mais. –Acho que palavras não podem explicar o que eu sinto agora. É pura e simples decepção. –eu disse convicta e séria.
-Decepção? O que eu fiz de tão errado? Eu nem disse nada!- ele começava a se alterar.
-Exatamente! Nada. Foi isso que você fez; quando eu mais precisei... Quer saber? Deixa pra lá, não preciso disso. - virei-me para minha mala, para arrumar algo que provavelmente já estava arrumado. Uma lágrima rolou pelo meu rosto e eu a sequei com raiva. Senti uma de suas mãos me puxando pelo braço, me fazendo virar a força. Seu olhar era triste. Senti que ele gostaria de me falar alguma coisa, mas nenhuma palavra foi dita. Quase pressenti que ele iria se aproximar mais, mas um pigarro nos tirou daquele torpor.
McGonagall encontrava-se na porta de meu quarto, nos olhando rigorosamente; Gina encontrava-se ao seu lado, me olhando safadamente.
-Está pronta, Granger?- perguntou McGonagall, dirigindo-se à minha mala.
-Pronta?- Harry perguntou confuso.
-Granger fará um intercâmbio em Beauxsbatons.- eu não pretendia que ele soubesse assim, mas foi de grande ajuda.
-O QUÊ?- ele me olhou raivoso. – Quando você pretendia me falar isso? Nunca?
-Eu ia te falar, mas você me deu alguma abertura? De qualquer jeito, eu vou. Eu preciso disso nesse momento.
-Ah, é? – ele disse sarcástico. – E você não pensou nos outros, certo?
-Eu pensei em mim, apenas. Nos meus fantasmas. - eu disse me separando do calor de suas mãos. Seria melhor assim.
-O que nos remete... O que você faz aqui mesmo, Potter?- perguntou a professora, rígida.
-Eu...- Harry havia feito aquela cara de ‘ih, fudeo’.
-Peço que volte imediatamente para Hogwarts. O diretor saberá disso.- assim ela abriu a porta para ele, e sem mais recursos ele apenas me lançou um olhar ressentido antes de sair.
Gina se aproximou, me olhando receosa.
-Tudo bem? Precisa de ajuda em alguma coisa?- eu assenti, e sorri meio lacrimosa.
-Weasley, peço que leve a Hermione para a recepção enquanto eu cuido da volta do Potter para Hogwarts, sim?- ela me chamou de Hermione, só eu reparei nisso? McGonagall saiu e ouvi ela brigando com o Harry no corredor.
-Vamos, Mi. – Gina segurou a minha mão e me guiou até a recepção. Era apenas um ano, 365 dias, mas eu iria ficar longe de minha melhor amiga. A pessoa que sempre me ajudara quando eu precisara. Lágrimas escorreram pelo meu rosto mais uma vez e eu senti meu coração se apertar de tristeza. –Vou sentir muita saudade, ok?
Ela me abraçou e eu chorei como um bebê; minha decisão era a certa, mas não dizia que era fácil.
-Me escreva todo dia, ok?- eu disse, a voz embargada.
-Não se esqueça de mim, nem do Ron, ta? Vai passar logo a sua visita ao Inferno, e você voltará para casa. Ron queria vir, mas Dumbledore surtou e deixou apenas a minha ilustre pessoa. - ela disse, rindo em meio ao choro.
-Pode deixar, Gininha.- nós rimos como duas retardadas.
-Pronta? Levarei a senhorita até Beauxbatons por uma chave de portal. Boa sorte, Hermione.- e me olhou carinhosa. Sério, ela tem sentimentos. Eu pensava que ela era um robô, ou um et, mas a Minerva tem sentimento e realmente parece gostar de mim. Esbocei um sorriso para ela, me despedi mais uma vez de Gina e segui com McGonagall para a saída do St. Mungus. Eu realmente tava com muito medo.
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n/a: desculpem a demora?
é sério, tá tão tenso ultimamente.
tenho tido uns imprevistos... bons, claro :]
tinha passado por um periodo terrivel, há alguns meses, mas agr eu to bem. digamos que eu estou tendo sorte no amor :']
mas, não esqueci de vcs :]
posto o próximo em breve, prometo.
comentem sempre que puderem, ok?
e obg pelos comentarios :D
amo vcs!
31 de julho de 2011.