Primeiro veio o arrepio. Depois a tremedeira. E por um instante eu voltei para alguns anos atrás. Para aquele dias de outono.
- Mckinnon - ele sorriu fracamente.
- Sirius - meu sorriso foi muito mais alegre, mas também muito mais nervoso. Era como se ele ainda me afetasse bastante, mas eu não o afetasse nadinha de nada.
Não houve abraços, não houve beijos. Não havia sentido haver nada disso. Foi apenas um curto aperto de mãos. Mas foi o suficiente para me fazer estremecer. Sentir a pele quente e forte dele depois de tantos anos me causou uma nostalgia que eu não gostaria realmente de ter. Não ali. Não naquele momento. Mas era quase impossível me controlar.
- É bom te ver - falei sentindo uma necessidade imensa de ouvir a voz rouca dele mais uma vez.
- Também é bom te ver - ele evitou me encarar ao dizer isso, seus olhos se pregaram em meus pais. - Sr Mackinnon, Sra. Mckinnon. - cumprimentou formalmente.
Minha mãe, Meg, chorava loucamente enquanto assoava o nariz em um lenço de papel e abraçava o moreno ao mesmo tempo. Meu pai também chorava feito um bebê. Mas isso já era de se esperar. Sirius sempre foi um filho para os dois.
- Oh Sirius, querido! - minha mãe suspirou - Esta tão lindo!
- Obrigado Meg. A senhora é que esta cada vez mais bonitona! - sorriu maroto.
- Oh, pare com isso! - ela corou e passou os longos dedos pelos fios negros e ajeitava o vestido escuro com a outra mão.
Ele riu baixinho e então parou na frente do meu pai, Adam. Os dois se encararam por alguns segundos e então se abraçaram saudosamente.
- Esta um homeme feito, rapaz! - meu pai o sacudiu levemente pelos ombros.
O moreno voltou a rir. Mas parou assim que seus olhos voltaram a pousar em mim. Mas eu não tive o privilégio de encara as orbes azuis por muito tempo, pois elas logo fugiram para outra direção. Ele havia levantado sua guarda e eu sabia o porquê. Eu sabia perfeitamente bem o porquê.
- Vamos, vamos! Seus pais nos pediram para vir te buscar. Seu pai esta com aquele velho problema na perna e não pode vir dirigindo, sabe bem disso - meu pai o abraçou pelos ombros e começou a guiá-lo na direção do nosso carro.
Eu e mamãe trocamos um olhar e seguimos os dois. O caminho até em casa foi tranquilo. Conversa fiada, trabalho, o clima. Sirius tinha tanta coisa para contar. Tantos sonhos que se realizaram fora daquela cidade. De certa forma tudo que ocorreu foi bom para ele. De certa forma...
7 anos e 4 meses antes
- Amor I love you Amor I love you...
Sirius parou de cantar e deu início a uma crise de risos escandalosos. Ele se sacudia todo no banco do passageiro da velha picape vermelha que meu pai havia nos emprestado aquela tarde. O som do carro estava no último volume, o que não era muito levando em conta o antiguidade da picape.
- Ai, você é louca! - ele suspirou, depois que a crise passou, e começou a brincar com a janela do carro.
- Você também estava cantando - retruquei ofendida.
Ele apensa tornou a rir, dessa vez de forma mais controlada. Sirius tinha exatos dezesseis anos, assim como eu, e já era bem desenvolvido para sua idade. A camisa vermelha e justa ao corpo deixava isso bem nítido. Apertei os olhos com força e voltei a prestar atenção na estrada. Sirius era meu amigo. Um grande e maravilhoso amigo. Nós eramos inseparáveis. Eramos os melhores amigos daqueles dias de outono. Apesar de meu sentimento por ele não se resumir apenas em amizade.
Estacionei o carro na frente de casa. O Sol ia se pondo no horizonte nos proporcionando um magnífico espetáculo. O silêncio nos dominou.
- Não quer mesmo que eu te leve para sua casa? - perguntei depois de um certo tempo.
- Não, valeu. Eu vou a pé mesmo. - deu de ombros indiferente.
- Okay.
Um estranho formigamento me atingiu. Era estranho, muito mais do que estranho. Eu bem sabia. Quer dizer, eu estava ficando cada vez mais apaixonada pelo sorriso dele. Apaixonada... sim, apaixonada. Eu já havia descoberto isso há algum tempo. Não muito, na verdade somente a algumas semanas. Mas ainda era estranho para mim dizer aquela palavra.
- Foi legal hoje. Espero que você tenha gostado. Afinal você é aniversariante, não? - ele me encarou sorrindo.
- Eu adorei Sirius. Adorei. - sorri levemente na direção do moreno.
Sim, meu aniversário de dezesseis anos. Por tanto eu e Sirius só havíamos passado a ter a mesma idade a partir daquele belo dia de outono. Um dia maravilhoso. Sirius me fez rir demais. Tudo bem que ele não me deu nenhum presente, o que é que tem afinal? Seu presente foi, na verdade, passar esse dia comigo.
- Mas eu ainda não te dei meu presente - seu sorriso se tornou maroto.
Meu olhos brilharam. Ta esquece aquele negócio de que presente não importa. Importa sim e importa muito! Amo presentes!
- O que é? - perguntei feito uma criança pidona.
O sorriso maroto sumiu dando lugar a uma expressão de dúvida que logo foi substituida por uma expressão de receio. Ele se aproximou, se aproximou demais. Tenho absoluta certeza de que estava mais vermelha que um tomate. Será que ele não percebia o jeito que me deixava?
- Só não me mate - susurrou.
E então nossos lábios se encontraram. E eu tive a certeza de que não havia mais jeito. Eu já estava apaixonada.
2 meses depois do beijo
- Sirius - tremi e ele apertou ainda mais os braços em minha volta.
- Calma, meu amor. - susurrou de forma tranquilizante no meu ouvido.
Minha cabeça estava deitada em seu peito e seus braços me envolviam pela cintura de forma protetora. Maldita fobia de trovões, maldita fobia!
- Hey, logo vai passar, okay? Fica calma Marlene, fica calma. - susurrava me embalado lentamente em seu colo.
Que cena ridícula! O namorado balançando a namorada como se ela fosse um bebê. Ai, eu mereço mesmo! Mas não tenho culpa se esse barulhos me deixam louca! E afinal foi bom eu ter chamado o Sirius para ficar comigo naquela tarde de novembro, uma tarde fria e sem luz, cheia de trovões e raios. Meus pais estavam na casa da minha tia que adoecera recentemente. Eu não quis ir, então fiquei sozinha. Quando os trovões começaram eu liguei, completamente desesperada, para o Sirius. E ele, como o perfeito namorado que é, veio correndo.
- Shi - suas mãos acariciavam meus cabelos de forma acolhedore.
Suspirei sentindo cheiro dele me inebriar. Os trvões, lentamente, foram parando e os raios também se foram. Por fim só restou uma fina garoa para molhar ainda mais as ruas já encharcadas.
Eu e Sirius estavamos sentados no imenso tapete da sala, eu estava em seu colo para ser mais específica.
- Viu? Já passou - sorriu.
Eu suspirei.
- Isso é tão constrangedor.
- Não é não. - repreendeu-me - Você tem fobia de trovões. Existem pessoas por ai com fobias bem piores, pode acreditar.
Abri um sorriso fraco ao ouvir ele dizer aquelas coisas. Sirius era tão fofinho de vez em quando.
- Agora... que tal um beijo?
- Eu sabia que não estava sendo legal de forma sincera! - exclamei - Você queria algo em troca!
- Por favor? - fez carinha de cachorro pidão e eu derreti completamente ali.
Nossos lábios se encontraram fazendo meu coração acelerar e minha respiração se tornar ofegante. Não era um beijo calmo. Era um beijo repleto de desejo. Eu sabia o que Sirius queria e sabia o que eu mesma queria.
- Acho melhor irmos para o meu quarto - susurrei.
- Aham - concordou arfante.
O enlaçei pela cintura e então subimos, não sei como, até o meu quarto. Lugar onde eu teria a melhor noite de toda a minha vida.
1 mês depois do incidente com os trovões e da... ahn, vocês sabem!
- MARLENE ME DEIXA ENTRAR, PORRA! - ele praticamente esmurrava a porta do meu quarto.
- Vai embora! - gritei irritada.
- Me deixa entrar e aí a gente conversa!
- Não!
- Vai logo ou eu derrubo a porta! - berrou - Vou contar até três! Um... Dois... Dois e meio....
Bufei e abri a porta do quarto. Olhei para o moreno sentindo ainda mais vontade de chorar.
- Por que meus pais não o expulsaram? - dei as costas para ele e fui até a minha janela.
- Porque eles ainda não estão em casa. Ficaram na festa com meus pais e não viram tudo que aconteceu.
- Humft, perfeito! - bufei mais uma vez olhando as estrelas daquela fria noite de dezembro.
- Hey - ele segurou meu braço com delicadeza e me virou na direção dele - Vai continuar com essa bobagem?
- Vou - fiz bico.
- Lennie...
- Não adianta fazer essa voz. - falei.
- Ah, qual é Mckinnon? - revirou os olhos - Eu te amo e você sabe disso, mas eu não vou deixar os meus amigos de lado só por um ciuminho bobo seu!
- O que? - levantei as sobrancelhas - Você e o James só faltam sair se beijando por ai e eu que to com ciuminho bobo?
- O James namora a Lily e eu namoro você. Mas nós somos amigos, assim como você é amiga da ruiva. - argumentou frustrado.
O que ele pensa? Que vai me deixar de lado? Ah, é isso então? Sirius quer usufruir de tudo que eu posso lhe dar para depois voltar para as sirigaitas que costumava pegar antes do namoro. É por isso que ele passou a festa de casamento da tia dele inteira com o James e nem me deu atenção!
- Não... não dá mais. - falei sentindo-me ficar cada vez mais nervosa. Eu acabaria com aquilo primeiro, mesmo que me doesse muito mais do que se pode imaginar - É melhor acabarmos com isso por aqui. - meus olhos subiram na direção dele.
As orbes azuis se arregalaram assustadas.
- O.. o que? Você.. você quer.. terminar? - sua voz não passava de um susurro nervoso.
- Sim. - afirmei permitindo que as lágrimas rolassem soltas pela minha face.
- Mas... mas Marlene... eu.. eu amo você! Como pode duvidar disso?
- Eu já entendi tudo! - exclamei - Você me queria e você me teve. Agora esta se afastando para depois me dar um fora. Mas eu não vou te dar esse gostinho! Vai embora da minha casa! Sai da minha vida! - gritei totalmente fora de controle.
Os olhos azuis não estavam mais assustados, agora estavam tristes e irritados ao mesmo tempo.
- Eu... eu... - respirou fundo - Quer saber? Se é isso que voce acha então que se dane! - berrou saindo do quarto e batendo a porta com força exagerada.
Suspirei mais uma vez e me joguei na cama. Eu ainda não sabia, mas me lembraria daquela noite de dezembro por muito tempo. E eu me arrependeria. Eu me arrependeria muito.
Atualmente...
Estavamos todos sentados na grande mesa de madeira da minha casa. Mamãe e papai sorriam felizes da vida para o Sirius. A Sra. Black, Angelina - uma mulher de cabelos negros e olhos claros -, irradiava felicidade ao ver seu menino de volta para casa. O Sr. Black, Antony - um homem de olhos bondosos e cabelos grisalhos em algumas partes -, não estava nem um pouco diferente da esposa.
Sirius, depois daquela noite fria e cruel de dezembro, decidiu ir embora. Arrumou suas coisas e foi morar com sua vó na inglaterra. Estudou lá, fez faculdade e se tornou um grande bioquímico. Eu... bem, eu também morei longe de casa. Fiz faculdade de jornalismo e trabalho perto de casa. Graças a Deus as férias chegaram! Pelo mesmo motivo, as férias, Sirius estava ali agora sentado na minha frente contando sobre como esses anos foram maravilhoso. Eu torço de verdade para que os anos dele tenham sido maravilhosos. Já os meus... foram anos recheados de mágoas e pesadelos sobre um amor não correspondido.
- Sim, sim. Avião é demais! - sorriu de uma forma que me fez lembrar os dias de outono que passamos juntos - Pena que a comida não seja tão boa, sabe?
Meus pais e meus antigos sogrinhos riram. Sirius também riu, mas parou quando seus olhos pararam em mim. Ele pigarreou e colocou uma garfada de macarronada na boca, depois que terminou me olhou de forma tranquila.
- E você Marlene? - o jeito como pronunciou meu nome me deixou arrepiada.
- Eu... bem, eu.... - isso lá é hora para gaguejar?
- Enrolou a língua é Marlene? - meu pai riu e eu suspirei tentando me controlar.
- Eu fiz faculdade de jornalismo e agora trabalho na redação de um jornal em Nova York. - respondi por fim.
- Jornalismo? Nunca pensei que você faria jornalismo - riu baixinho - Você costumava dizer que queria ser cantora.
- Eu era uma adolescente boba de dezesseis anos naquela época - ele me encarou, agora sério - Não sabia direito o que dizia, muito menos o que fazia.
Sirius baixou os olhos para o prato de comida e o clima pesou. Acho que todos entenderam que aquilo havia sido um pedido de desculpas de certa forma.
- Mas... - acrescentei ao ver como o clima tinha ficado - eu ainda canto.
- Canta? - por um instante pensei ter visto um brilho conhecido no olhar dele, mas se aquele brilho existiu logo desapareceu.
- Sim. - corei e o moreno abriu um sorriso maroto.
- Por que não canta uma música pra gente? - sugeriu fingindo desinteresse.
Suspirei. E estremeci diante do olhar desafiador dele.
- Claro. - me levantei e fui até a sala pegar o violão.
Assim que votei me deparei com uma plateia me esperando ansiosamente. Sentei-me na cadeira e apoiei o violão nas pernas. Arrumei a palheta e toquei os primeiros acordes da melodia.
- Fui eu que escrevi - falei antes de começar a tocar de verdade a música.
Lentamente as notas foram tomando formas e a melodia foi surgindo. Me preparei para cantar.
- I'm so glad you made time to see me How's life? Tell me, how's your family? I haven't seen them in a while You've been good; busier than ever Small talk, work in the weather.
Meus olhos encaravam o mar azul cintilante a minha frente. Sirius nunca esteve tão pálido como estava naquele momento. Eu entendia. E ele pareceu entender também.
- Your guard is up and I know why Because the last time you saw me Still burns in the back of your mind You gave me roses and I left them there to die.
Meus olhos começavam a marejar só de ver o moreno me encarando daquele jeito. Era como se tudo que não havía dito durante todos esses anos estivesse sendo falado através daquele olhar.
- So this is me swallowing my pride, Standing in front of you saying I'm sorry for that night And I go back to December all the time, It turns out freedom ain't nothing but missin' you Wishing I'd realized what I had when you were mine And I go back to December, turn around And make it all right I go back to December all the time.
Okay. Eu só estou pedindo desculpas de uma forma diferente. Por favor Sirius, por favor...
- These days I haven't been sleepin?, Stayin' up playing back myself leavin?, When your birthday passed And I didn't call, then I think about summer, All the beautiful times, I watched you laughin' from the passenger side And realized I loved you in the fall
Meus pais e os pais dele escutavam a tudo com sorrisos sonhadores no rosto. Talvez quisessem minha reconciliação com o moreno, ou talvez não entendessem o real significado da música.
- And then the cold came, With the dark days when the fear crept into my mind You gave me all your love And all I gave you was goodbye...
Então, de supetão, Sirius se levantou da cadeira e me encarou inexpressivamente. Mas logo seus olhos desviaram-se para os mais vellhos.
- Preciso... tomar um ar fresco. - disse saindo logo em seguida.
- Hey! - chemi, mas ele já tinha saido porta afora - Vou atrás dele.
Coloquei o violão de lado e sai para noite fria. Olhei ao redor procurando algum sinal do homem e o encontrei parado em frente a cerquinha da casa, com as mãos apoiadas nesta e a cabeça, por sua vez, apoiadas nas mãos. Me aproximei silenciosamente e parei ao lado dele, que não moveu um músculo.
- Noite bonita, né? - susurrei.
Ele levantou os olhos na minha direção.
- Por que fez isso? - disse - Tem noção... Tem noção do quanto foi difícil tirar você da minha cabeça? Tem noção do quanto foi duro pra mim?
- Eu só queria pedir desculpas, mas não sabia como. Sirius... eu me arrependo tanto, tanto! Você não tem idéia! Eu era jovem e imatura. Se eu pudesse voltar atrás...
- Mas não pode! - imterrompeu-me nervoso - Não pode. Tudo mudou Marlene. Depois daquelas idiotices que você me disse, tudo mudou.
Um silêncio constrangedor nos dominou. Queria poder fazer tudo aquilo acabar. Ah, Deus, porque eu tive que ser tão imatura?
- Eu... eu ainda te amo - confessei ansiosa, de certa forma, pela resposta dele.
- Não! - pediu apertando os ohos com força - Não... por favor, não.
Deixou escapar um suspiro cansado e então arrumou a postura. Me lançou um olhar repleto de mágoa e rancor e saiu pelo pequeno portão da casa. Fiquei ali por alguns minutos o observando andar solitário pelas ruas escuras e então voltei para dentro de casa.
- Onde ele foi? - perguntou a Sra. Black preocupada
Olhei pesarosa para ela.
- Foi para casa - falei antes de me retirar para meu quarto e me afundar em uma profunda depressão.
3 meses depois...
Depois daquela pequena discussão, Sirius e eu não tornamos a nos falar. Trocavamos olhares de vez em quando, e eu posso jurar que alguns dos olhares que ele lançava na minha direção eram de saudade. Mas não tenho certeza. Depois que as férias acabaram eu voltei ao meu trabalho normal. A rotina de sempre. Jornal, casa. Casa, jornal. Nem a Lily eu podia ver, já que ela e James estavam em lua de mel. Meus pais queriam que eu ficasse mais um tepinho com eles, mas eu decidi que já era hora de voltar para o meu lindo e confortável apartamento. Okay, meus pais e eu moramos muito perto um dos outros, mas mesmo assim eu gosto da independência de morar sozinha.
Sirius voltou para Los Angeles, ele mora em um apartamento por lá, para seu trabalho no laboratório. E eu tinha certeza de que não íamos nos ver mais. Pelo menos, não tão cedo.
No final de semana, normalmente, eu fico na casa dos meus pais, isso quando não saio para alguma festa - o que tem sido bem difícil, já que estou oficialmente deprimida.
Eu estava jogada no sofá assistindo um filme de romance em que o mocinho abandonava a mocinha por cauda de uma traição, mas é çlógico que no fim eles ficariam juntos. Humft, isso é tudo tão clichê!
- Marlene, querida! - minha mãe cantarolou de algum canto desconhecido pela minha pessoa.
- Hum?
- Tem alguém querendo vê-la! - tornou a cantarolar - E eu acho que vai gostar da visita!
Ela entrou na sala trazendo "a visita" consigo. Olhei naquela direção tediosamente, mas o tédio logo sumiu assim que eu vi quem era.
- SIRIUS? - pulei do sofá.
- Oi - sorriu meio sem jeito.
- O... o que esta fazendo aqui? Não devia estar no laboratório? Não devia estar em Los Angeles? - despejei cruriosa e nervosa ao mesmo tempo. Afinal, por que ele estava ali?
- Eu... fui transferido para trabalhar no laboratório daqui de Nova York. Então, enquanto não arrumo um lugar para morar, vou ficar com meus pais. - respondeu estranhamene acanhado.
- Ah - suspirei. Por um milésimos de segundo pensei que ele tinha voltado por mim, para mim.
- Vou deixar os pombinhos a sós! - minha mãe me lançou uma piscadela e saiu alegremente para a cozinha.
Silêncio. Só silêncio.
- Então...? - o encarei ansiosa.
- Queria conversar com você - falou por fim - Será que pode vir comigo?
Eu vou aonde você quiser, meu amor. Hey, se controla Marlene!
- Tá. - concordei.
Ele sorriu equanto tirava um molho de chaves do bolso e o girava por entre os dedos fazendo um barulho... barulhento. O segui para fora da casa e me deparei com um carro simplesmente M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O estacionado na frente da minha casa. Era preto reluzente e um tipo sport, acho eu. Já ia me dirigindo na direção do carro, quando a mão dele me impediu.
- Vamos na picape - não foi bem uma ordem, foi mais um pedido.
- Como quiser. - quase sorri ao ver que ele ainda se lembrava dos velhos tempos. Devia se lembrar, já que queria ir na picape.
- Você pode dirigir? - perguntou cuidadoso.
Eu sorri e peguei as chaves, que descobri serem da velha picape vermelha que meu pai insistia em guardar como recordação de sua juventude. Entrei no carro e observei atentamente o moreno entrar e se sentar confortavelmente no banco do passageiro.
Velhos tempos.... Bons tempos aqueles...
- É estranho entrar aqui de novo - falou.
Eu não respondi, apensa girei a chave e acelerei.
- Para onde quer ir? - perguntei. Era muito estranho. Era como um dejà vu. E, além do mais, achei que estivessemos sem nos falar desde aquela noite.
- Você sabe - murmurrou encarando algumas árvores que passavam pela janela.
Sim, eu sabia.
Sabe, nós sempre moramos em um lugar afastado do centro de Nova York, por tanto o lugar ainda tinha algumas belezas naturais.
Todo o percurso foi feito em silêncio, nem o rádio eu liguei. Assim que chegamos a um lugar repleto de árvores e flores coloridas eu estacionei. Descemos do carro.
- Vamos - ele chamou se embrenhando no meio do mato.
Eu o segui.
Caminhamos por alguns longos minutos, a vegetação tinha crescido bastante desde a última vez que estivemos ali. Então, finalmente, chegamos ao ponto certo. As árvores se abriam em uma clareira e um pequeno riacho transbordava águas cristalinas ali. A luz dourada do Sol invadia todos os cantos possíveis. Era mágico!
- Continua lindo - murmurrei.
- Vai me dizer que não veio nunca mais aqui? - ele me olhou surpreso.
- Não tive coragem - corei abaixando a cabeça. Não. Aquele era nosso lugar e ir ali sozinha seria estranho.
Senti a mão quente dele levantar minha cabeça pelo queixo e fazer com que eu o encarasse nos olhos.
- Por que? - susurrou. Mas ele não falava mais daquele lugar - Por que teve que fazer aquilo? Acabou com tudo que podiamos ter algum dia.
- Olha, eu sei que não me perdoou, okay? Mas não quero falar sobre isso. Eu já falei tudo que tinha para falar naquele dia. - falei tentando não ligar para o fato de estarmos realmente muito próximos.
- Você disse que me amava naquele dia - susurrou mais para si do que para mim.
- Sim... eu.. eu ainda te amo. Você sabe disso, não sabe? - suspirei e senti nossas respirações se misturarem.
- Quer saber o verdadeiro motivo de eu ter aceitado essa transferência para Nova York? - agora uma de suas mãos estava em minha cintura e a outra em meu rosto.
- Quero - respondi ansiosa.
- Eu não aguentaria passar mais um segundo longe de você. Já foi duro demais esses sete anos. - sorriu.
- Como? - acredite, foi a coisa mais inteligente que eu consegui falar.
- Eu também te amo Marlene. É isso que estou tentando te dizer. Eu não me importo com aquela noite de dezembro, eu não me importo com nada. Só com você. - sorriu fracamente - Eu.. eu te amei em silêncio durante sete anos. Acho que já estava na hora de eu fazer alguma coisa.
Senti grossas lágrimas escaparem de meus olhos e escorrerem pelas minhas bochechas. Sirius limpou, delicadamente, uma lágrima que descia lentamente pelo caminho tortuoso de meus lábios. O sorriso que eu tanto amei, que eu tanto amava, ainda estava estampado em seu rosto.
- Eu te amo tanto - confessei.
- Então... o que acha de matarmos essa saudade? - sugeriu provocante.
Foi minha vez de sorrir antes de fechar os olhos e grudar nossos lábios em um beijo apaixonado.
Era só isso que realmente im portava. Sirius e eu. Ele me perdoou e nós ainda nos amavamos. Nada mais poderia me atingir. Aqueles cruéis pesadelos, aqueles lembranças venenosas, aquels gritos frios... nada poderia acabar com a minha felicidade.
5 anos depois da reconciliação...
- Sirius... - murmurrei por entre o beijo - Para, seu pervertido! - ri baixinho ao sentir uma mão dele apertar minha coxa.
- Você fala como se não gostasse Lennie. E acredite, eu te conheço bem o suficiente para dizer que você adora meu lado pervertido.
- Você não devia falar esse tipo de coisas, sabia? - susurrei fechando os olhos enquanto ele beijava meu pescoço com volúpia.
- Por que?
- Porque alguém pode ouvir - sorri arranhando as costas dele com força.
- Ai, - resmungou - Tem que cortar as unhas!
Eu ri. Não, eu gargalhei.
- Gosto de deixar minha marca registrada - provoquei.
Ele suspirou como se disse "Ah, eu amo esse mulher!".
- Já comentei que você me deixa louco? - ele voltou a se preocupar com meu pescoço.
- Já.. - arfei quando ele beijou um ponto mais delicado - Inúmeras vezes.
- Ótimo - susurrou - Então é melhor irmos logo com isso, antes que eu exploda aqui!
Voltei a gargalhar.
- Como quiser - murmurrei beijando-o com desejo.
As mãos dele desciam perigosamente pelo corpo que ela já conhecia muito bem. Em questão de segundos Sirius já estava sem camisa e eu apenas com a lingerie. Sim, ele adora lingerie. Esse safado!
- Mamãe! - uma vozinha masculina se vez presente.
As luzes estavam apagadas e tudo que eu consegui ver foi Sirius arregalando os olhos e pulando da cama para procurar as roupas. Eu vesti a camisola mais uma vez e liguei o abajur.
Um pequeno garotinho de três aninhos de idade estava parado à porta, segurava um ursinho em uma das mãos e esfregava os olhinhos com a outra. Ele tinha cabelos escuros e olhos azuis como os do pai, na verdade ele era a cópia idêntica do pai. Se eu tivesse que escolher entre as pessoas mais parecidas do mundo, com certeza escolheria aqueles dois.
- Kevin - Sirius apareceu ao lado da cama, com a camisa colocada do lado errado e um olhar meio louco. Me segurei para não rir - O que faz acordado, hein meninão?
- Tive um pesadelo, pai - resmungou.
- Oh, - o moreno me olhou com uma cara do tipo "acho que vou me jogar da janela" - vem cá, vem.
O pequeno andou na direção do pai, arrastando o ursinho em uma das mãos, e se jogou no colo do mesmo.
- Posso dormir aqui? - pediu com uma voz manhosa.
- Claro que pode, né amor? - Sirius podia estar morrendo de tesão, mas largava tudo pelo filho.
- Claro que pode. - concordei sorrindo - Vem aqui. Deita do lado da mamãe.
Sirius levantou-se com o filho no colo e se sentou ao meu lado.
- Prontinho! - o moreno sorriu - Se sente melhor?
- Aham - o pequenino bocejou - Vocês estavam fazendo uma guerra de travesseiros de novo? - ele olhou para a roupa do pai e depois para meus cabelos.
- Com certeza - Sirius respondeu com um sorriso falso enquanto eu ria baixinho.
- Ah, também queria - resmungou com os olhos se fechando.
- Só depois que for maior, tudo bem? - sorriu.
- Tá - Kevin fechou os olhos e se aconchegou mais ao meu lado.
Cerca de dois minutos depois ele já estava dormindo. Olhei para o Sirius e arqueei uma sobrancelha.
- Guerra de travesseiros, é?
- Qual é? Eu tinha que inventar uma desculpa - defendeu-se
Eu ri fracamente e então desliguei o abajur enquanto me deitava mais uma vez na cama. Senti Sirius me dar um selinho rápido e depois correr para o banheiro.
- O que vai fazer? - perguntei curiosa.
- Sabe, nosso lindo filho tem o dom de me deixar extremamente frustrado - exclamou lá de dentro e depois fechou a porta.
Eu não aguentei e começei a gargalhar. Depois de cinco minutos nesse estado eu consegui me controlar. Olhei para o menino, que ainda dormia pesadamente, e sorri. Apesar de tudo aqueles anos tinham sido os melhores da minha vida. Eu tinha um marido - no papel, okay queridinha - que eu amava com todas as minhas forças e um filho que era a alegria dos nossos dias. Nada poderia ser mais perfeito do que aquilo. Sirius, eu e o pequeno Kevin eramos um grupo. Uma família. Tudo ia bem e se Deus quisesse continuaria bem. E na próxima noite Kevin não teria pesadelos, se Deus nos ajudasse!
x.x
N/a: Okay, fic nova! Eu to meio que me inspirando muito nas músicas da Taylor O.o Mas eu gosto dela né fazer o que?? Anyway,,,essa ficou mais longa do que eu achei que ficaria! Me perdoem qualquer erro, tah?? Espero que gostem (dessa eu gostei *--*)
Beijos ;)