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1. A filha menor


Fic: A noiva


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPÍTULO UM

Inglaterra, 1102.

Dizia-se que ele havia assassinado a sua primeira esposa.
Papai afirmou que, possivelmente, a mulher merecia a morte. Foi infeliz ao fazer semelhante afirmação diante das filhas, e o barão Jamison compreendeu a estupidez no mesmo instante em que as palavras brotaram de sua boca. Certamente, muito em breve lamentaria esse comentário tão pouco piedoso.
Agora, três das filhas do barão tinham levado a sério o espantoso rumor referente a Harry Potter e, por outro lado, não lhes importava muito a opinião de seu pai a respeito. Lilá e Padma, as filhas gêmeas do barão, soluçaram com força e em uníssono, segundo um costume irritante que tinham, enquanto que a outra irmã, Hermione, de caráter mais doce, rodeou com passo ágil a mesa longa do imenso salão, para onde o pai se retirara, confuso, bebendo uma taça de cerveja e procurando recuperar a calma. No meio do ruidoso coro das gêmeas, Hermione intercalou uma série de observações escandalosas sobre o guerreiro das Terras Altas, que chegaria ao lar dos Jamison em apenas uma semana.
Querendo ou não, Hermione provocou nas gêmeas uma onda de resmungos e bufos. Era suficiente para acabar até com a paciência do próprio demônio.
O pai tentou defender o escocês e, como só tinha ouvido comentários funestos e irrepetíveis com respeito ao caráter sombrio daquele homem, viu-se obrigado a inventar as observações favoráveis.
Mas tudo foi inútil.
Simplesmente um esforço vão, pois as filhas não prestavam a menor atenção ao que dizia. “Nada de novo”, reconheceu com um grunhido e um sonoro arroto, “pois meus anjos nunca se interessam por minhas opiniões”.
O barão não tinha a menor habilidade para acalmar suas filhas quando ficavam assim, e até aquele momento essa incapacidade não o preocupara absolutamente. Mas agora parecia fundamental impor-se, já que não queria ficar como um idiota diante dos visitantes, escoceses ou não, e se suas filhas continuassem ignorando suas ordens, era exatamente o que iria parecer.
O barão bebeu outro gole de cerveja e se armou de coragem. Deu um murro sobre a mesa de madeira para chamar a atenção e afirmou que todas essas afirmações sobre o escocês eram um monte de bobagens.
Ao ver que a afirmação não despertava a menor reação, nem mesmo atenção, deixou-se levar pela cólera. Então pensou que se os rumores fossem verdadeiros, talvez a esposa do escocês realmente merecesse ser vítima do crime. “Teria começado como uma surra”, especulou, “e, como normalmente acontece, ele esqueceu da força do próprio braço”.
Para o barão Jamison a explicação foi coerente. E conquistou a atenção das filhas, mas as expressões atônitas das moças não eram o que esperava obter. Seus preciosos anjos o olhavam, horrorizados como se acabassem de ver uma sanguessuga pendurando do nariz do pai. De repente, compreendeu que elas acreditavam que ele estava louco e então o frágil temperamento do barão explodiu. Bramou que sem dúvida a mulher teria esgotado a paciência de seu amo e senhor. E que seria melhor que moças desrespeitosas aprendessem a lição.
A única intenção do barão era inspirar o temor de Deus em suas filhas, mas compreendeu que tinha fracassado quando as gêmeas começaram a gritar outra vez. Cobriu os ouvidos com as mãos para se proteger daquele barulho que destroçava seus nervos, e fechou os olhos para não ver o olhar hostil que Hermione lhe dirigia. Afundou-se mais ainda na cadeira, até que quase seus joelhos roçassem o chão. Com a cabeça encurvada, toda coragem já perdida, desesperado, recorreu a Herman, seu fiel criado, e o ordenou que procurasse por sua filha caçula.
O servo grisalho pareceu aliviado pela ordem, assentiu várias vezes e logo saiu do salão arrastando os pés para cumprir a ordem do amo. O barão juraria pela Santa Cruz que, enquanto o criado saía, tinha murmurado que já era hora daquela ordem ser dada.
Menos de dez minutos depois sua filha, que possuía o nome idêntico ao da mãe, apareceu no meio do caos e imediatamente, o barão se endireitou na cadeira. Dirigiu a Herman um olhar severo, indicando que tinha ouvido a crítica sussurrada e logo abandonou a expressão carrancuda. Ao voltar-se para observar a filha, lançou um prolongado suspiro de alívio.
Sua Gina se encarregaria de tudo.
O barão Jamison soube que estava sorrindo e reconheceu que era impossível manter o humor azedo na presença de Gina.
A moça era um espetáculo fascinante. Sua visão era uma benção; apenas vê-la fazia um homem esquecer todas as preocupações. A presença de Gina era tão imponente como sua beleza, já que tinha herdado a formosura da mãe. Tinha cabelos vermelhos como as chamas da lareira, olhos de cor violeta que faziam seu pai pensar na primavera, e uma pele tão imaculada quanto seu coração.
Embora o barão jurasse amar todas suas filhas, Gina era seu orgulho e sua alegria. Coisa surpreendente, pois, na realidade, ele não era o pai carnal. A mãe de Gina fora a segunda esposa do barão. Chegou até ele quase a ponto de dar à luz a sua filha. O pai de Gina morrera no campo de batalha, um mês depois de casar-se com a mãe e de conceber a menina.
O barão aceitara a garotinha como sua e proibiu que qualquer um a chamasse de sua enteada. Desde do momento em que a teve nos braços, a considerou sua própria filha.
Gina era a menor e a mais esplendorosa de seus anjos. Tanto as gêmeas como Hermione eram dotadas de uma beleza serena, aquele tipo de beleza que os homens percebiam com o tempo, mas a pequena e querida Gina, com um só olhar, roubava o fôlego de um homem. Dizia-se que o sorriso de Gina era capaz de fazer um cavaleiro desmontar... Ou, ao menos, isso era o que seu pai costumava dizer aos amigos.
Mesmo assim, não existiam ciúmes entre as moças. Por instinto, Lilá, Padma e Hermione recorriam à irmãzinha caçula a procura de orientação em qualquer assunto de importância. Consultavam-na e ao pai na mesma medida.
Atualmente, Gina era a verdadeira senhora do lar. Desde o dia do enterro de sua mãe, a filha menor se encarregou da direção da casa. Desde muito cedo demonstrou suas qualidades e o barão, grande apreciador da ordem, mas incapaz de estabelecê-la, sentiu-se aliviado de delegar a responsabilidade a Gina.
Ela nunca o decepcionou. Gina era uma filha sensata e não causava dificuldades. Além disso, depois do dia da morte da mãe, nunca mais chorou. “Lilá, Padma e Hermione fariam bem em aprender com ela”, pensava o barão. Elas choravam por quase tudo. O pai acreditava que só o fato de que fossem bonitas as salvava de ser insignificantes, e tinha pena dos lordes que algum dia tivessem que suportar essas moças tão sensíveis.
A que mais o preocupava era Hermione. Embora não o dissesse em voz alta, sabia que a moça era um pouco mais egoísta do que era conveniente. Colocava seus caprichos acima do de suas irmãs. Pior, acima dos do próprio pai!
Sim, Hermione não só era uma preocupação, mas também uma encrenqueira. Gostava de provocar confusões por puro prazer. O barão suspeitava que era Gina quem dava a Hermione idéias pouco dignas de uma dama, mas nunca se atreveu a expressá-lo, por temor a enganar-se e cair em desgraça com a filha menor.
Mas embora Gina fosse a preferida, o pai reconhecia os defeitos da jovem: tinha um temperamento capaz de incendiar um bosque, embora raras vezes se descontrolasse. No caráter da moça existia obstinação. Herdara da mãe a habilidade para curar, mas o pai proibiu essa prática expressamente. Não, essa inclinação não agradava ao barão, pois tanto os servos como os criados da casa a distraíam com freqüência da principal obrigação de Gina: ocupar-se da comodidade do pai. O que menos importava ao barão eram as chamadas noturnas, pois, geralmente, ele dormia bem e profundamente nessas ocasiões e, em conseqüência, não o incomodava. Porém, as interrupções que ocorriam durante o dia o irritavam, quando o faziam esperar o jantar porque a filha estava ocupada atendendo feridos ou doentes.
Essa idéia o fez suspirar pesaroso e logo se deu conta de que as gêmeas tinham deixado de gritar. Gina já havia desfeito a tempestade. O barão Jamison indicou ao mordomo que voltasse a encher sua taça e se reclinou para observar como a filha continuava exercendo sua magia particular.
No instante em que entrou no salão, Lilá, Padma e Hermione se precipitaram para a irmã menor e cada uma apressou-se em dar sua própria versão da história.
Gina não achava sentido nos relatos que ouvia.
—Venham, sentem-se à mesa, junto ao papai — sugeriu com sua característica voz rouca—. Assim poderemos resolver o problema como uma família — adicionou com sorriso doce.
—Desta vez, é mais que um problema — gemeu Padma, arregalando os olhos—. Gina, não acredito que consigamos resolvê-lo. De verdade, não acredito.
—Desta vez, a culpa é de papai — murmurou Lilá. A menor das gêmeas arrastou um tamborete para junto da mesa, sentou-se, e dirigiu ao pai um olhar feroz—. Como sempre, é culpa dele.
—Não é culpa minha —queixou-se o barão—. Mocinha, pode deixar já de me olhar assim. Não faço outra coisa senão obedecer a uma ordem de meu rei.
—Papai, por favor, não se inquiete — advertiu Gina, dando uma palmadinha na mão do pai, para logo se voltar para Hermione—. Você parece a mais controlada. Lilá, por favor, chega de soluçar, assim posso escutar o que aconteceu. Hermione, pode explicar, por favor?
—Chegou uma carta do rei Henry — respondeu Hermione. Deteve-se para afastar uma mecha de cabelo castanho claro sobre o ombro e logo apoiou as mãos sobre a mesa—. Ao que parece, nosso rei está outra vez aborrecido com papai.
— Hermione, o rei está furioso! —interveio Lilá.
Hermione assentiu e logo prosseguiu:
—Papai não lhe enviou o dinheiro dos impostos — explicou, olhando carrancuda para o pai—. O rei quer dar um exemplo através de nosso pai.
As gêmeas dirigiram, ao mesmo tempo, olhares hostis ao pai e Gina deixou escapar um suspiro de fadiga.
—Por favor, Hermione, continue —pediu —. Quero ouvir toda a estória.
—Bem, desde que o rei Henry se casou com essa princesa escocesa... Como se chamava, Padma?
—Matilda.
—Sim, Matilda. Senhor, como pude esquecer o nome de nossa rainha!
—Parece fácil explicar como você esqueceu —disse Lilá—. Papai nunca nos levou à corte e jamais tivemos uma só visita importante. Estamos aqui, isoladas como leprosas, no meio do nada.
—Lilá, você está se desviando do assunto —afirmou Gina, em tom carregado de impaciência—. Hermione, continue.
—Bem, parece que o rei Henry quer que todas nos casemos com escoceses —afirmou Hermione.
Padma sacudiu a cabeça.
—Não, Hermione. Não quer que todas nos casemos com escoceses e sim só uma de nós. E esse bárbaro deve escolher dentre nós. Que Deus me ajude, é tão humilhante!
— Qualquer uma de nós que seja escolhida sem dúvida estara à caminho da morte, Padma. Se esse homem matou uma esposa é provável que mate outra. E isso, irmã, é algo mais que humilhante — disse Hermione.
— O quê? —exclamou Gina, esmagada pelo que sua irmã dizia.
Padma, sem prestar atenção à exclamação de Gina, interveio:
— Ouvi dizer que a primeira esposa se matou.
— Como pôde? —gritou Hermione, com uma expressão que insinuava que queria matar o pai, pois tinha o rosto ruborizado e as mãos apertadas entre si—. Sabia que o rei se zangaria se não pagava os impostos! Por acaso não pensou nas conseqüências?
— Padma, por favor, baixe a voz. Os gritos não ajudarão em nada — disse Gina —.Nós já sabemos que papai é muito esquecido. É provável que até tenha esquecido de enviar o dinheiro dos impostos. Não foi assim, papai?
— Algo assim, meu anjo — se defendeu o barão.
— Oh, meu Deus! Ele gastou as moedas — gemeu Padma.
Gina ergueu a mão, pedindo silêncio.
—Hermione, termine a explicação antes que eu comece a gritar.
—Gina, tem que entender como é difícil para nós enfrentarmos semelhante atrocidade. Entretanto, proponho-me a ser forte e lhe explicar tudo, pois vejo que está confusa.
Hermione endireitou os ombros, preparando-se, e Gina teve ímpetos de sacudi-la, pois sua paciência estava se esgotando. Infelizmente, sabia que seria inútil, pois Hermione gostava de alongar suas histórias, quaisquer que fossem as circunstâncias.
— Hermione! —insistiu.
— Conforme entendi, na semana que vem, virá aqui um bárbaro das Terras Altas e escolherá a uma de nós, Lilá, Padma ou eu, como segunda esposa. Você não está incluída nisto, Gina. Papai nos disse que nós fomos as únicas mencionadas na carta do rei.
—Estou certa de que não matou a sua primeira esposa — disse Padma —. A cozinheira foi quem disse que a mulher se suicidou — adicionou, fazendo o sinal da cruz.
Lilá sacudiu a cabeça.
—Não, eu acho que a assassinaram. Não acredito que se suicidasse, por pior que fosse o marido com ela, sabendo que com isso passaria a eternidade no inferno.
— Não poderia ter morrido por acidente? — sugeriu Padma.
— Dizem que os escoceses são torpes — disse Hermione, dando de ombros.
— E você dá crédito a qualquer fofoca que escuta — disse Gina em tom duro—. Hermione, me explique o que significa “escolherá” — adicionou, tratando de esconder o horror que sentia.
— Escolher a noiva, claro. Por acaso você não escutou, Gina? Nós não temos voz na questão, e os contratos já estão preparados para quando ele fizer sua escolha.
—Teremos que desfilar diante desse monstro como se fôssemos cavalos — gemeu Lilá.
— Quase ia me esquecendo! —exclamou Hermione—. Edgar, o rei escocês, também apóia este matrimônio, Gina. Papai já disse isso!
—Isso significa que este lorde tem que obedecer ao rei e tampouco deve querer casar-se —disse Padma.
— Senhor, não tinha pensado nisso! —resmungou Padma—. Se não quiser casar-se, talvez mate a noiva antes até de chegar a seu lar, em qualquer lugar que seja.
—Lilá, quer se acalmar? Está gritando outra vez — murmurou Gina—. Se continuar assim, vai arrancar todo o cabelo. Por outro lado, não se pode saber ao certo as circunstâncias da morte de sua esposa.
—É um Potter, Gina, e é um assassino. Papai disse que surrou a primeira esposa até matá-la —advertiu Lilá.
— Eu não disse isso! —vociferou o barão—. Só insinuei...
—Emmett nos disse que a jogou por um rochedo — interveio Hermione, e tamborilou com os dedos sobre a mesa enquanto aguardava a reação de Gina.
—Emmett não é mais que um rapaz de cavalariça, e bastante folgado, certamente — replicou Gina—. Por que dar atenção a suas histórias?
Gina inspirou profundamente, tentando acalmar o estômago revolto. O medo das irmãs era contagioso e tentou lutar contra ele. Sentiu que um estremecimento lhe percorria as costas, mas sabia que não devia expressar seus temores, pois suas irmãs só continuariam calmas se ela estivesse calma.
As irmãs, com expressões confiantes, contemplavam-na cheia de expectativa, já que agora o problema e a solução estavam nas mãos de Gina.
Gina não queria desapontá-las.
—Papai, existe algum modo de aplacar o nosso rei? Não poderia lhe enviar o dinheiro dos impostos e adicionar algo mais para acalmar seu aborrecimento?
O barão Jamison moveu a cabeça.
—Teria que voltar a cobrar os tributos, e sabe tão bem como eu que os servos estão sobrecarregados por seus próprios problemas. De qualquer modo, a colheita de cevada não foi boa. Não, Gina, não posso cobrá-los outra vez.
Gina fez um gesto de assentimento e tentou ocultar a decepção. Esperava que houvesse sobrado algo, mas a resposta do pai confirmou seu temor de que a renda havia sido toda gasta.
—Emmett diz que papai já gastou todas as moedas — murmurou Hermione.
—Emmett é pior que uma velha fofoqueira — replicou Gina.
—Sim — confirmou o pai —. Sempre costuma distorcer a verdade. Não se pode dar importância a seus delírios.
—Papai, por que fui excluida? —perguntou Gina—. Por acaso o rei esqueceu de que o senhor tem quatro filhas?
—Não, não — apressou-se a esclarecer o barão, e voltou o olhar para a taça, com medo de que a filha menor lesse a verdade em seus olhos. O rei Henry não havia excluído Gina, já que na carta dizia “filhas”. Foi o barão Jamison quem havia decidido exclui-la, por medo de não poder viver sem os cuidados de sua filha menor. E pensou que o plano era muito ardiloso—. O rei só se referiu às filhas de Maudie.
—Bom, para mim, isso não tem sentido — assinalou Lilá, bufando.
—Possivelmente seja porque Gina é a caçula — sugeriu Hermione, e adicionou, dando de ombros —: Quem pode saber o que se passa na mente do rei? Gina, alegre-se de não estar incluída na ordem. Se fosse escolhida, não poderia se casar com seu Draco!
—É por isso — interveio Lilá—. O barão Draco é muito poderoso e está bem conceituado: ele nos disse isso. Deve ter convencido o rei. Gina, todos sabemos como ele está apaixonado por você.
—Essa poderia ser a razão — murmurou Gina—. Se Draco for tão importante como diz...
—Eu não acredito que Gina queira realmente casar-se com Draco — disse Hermione às gêmeas —. Não olhe assim, Gina; acho que você nem gosta da idéia.
— Agrada ao papai — disse Lilá. Olhou carrancuda para o pai e completou —: Como Draco prometeu vir morar aqui, Gina poderia seguir escravizando-se na...
— Lilá, não comece outra vez com isso! — implorou Gina.
— Não entendo por que parece tão terrível que eu queira manter Gina aqui depois de casada — murmurou o barão.
— Pelo visto, o senhor não entende nada — murmurou Hermione.
— Cuidado com o que fala, jovem! — replicou o pai —. Não permitirei que fale comigo dessa maneira tão desrespeitosa.
—Eu conheço o motivo verdadeiro — disse Padma— e o direi a Gina: Draco pagou a papai seu dote, Gina, e...
— E o quê? —exclamou Gina, a ponto de pular da cadeira—. Padma, você está enganada. Cavalheiros não entregam dote. Papai, não aceitou dinheiro de Draco, verdade?
O barão Jamison não respondeu. Parecia muito concentrado em agitar a cerveja na taça.
O silêncio o condenava.
— Deus! —sussurrou Hermione—. Padma, você por acaso entende o que está insinuando? Se o que diz fosse verdade, significaria que nosso pai vendeu Gina a Draco!
— Hermione, não enfureça Gina! — advertiu o barão.
— Eu não disse que papai vendeu Gina para Draco — disse Padma.
— Disse — retrucou Hermione.
—Eu disse que Draco deu a papai um saco cheio de moedas de ouro.
Gina sentiu que a cabeça latejava. Estava decidida a chegar ao fundo dessa questão das moedas, não importava o tempo que levasse e apesar da dor de cabeça. Vendida...! Só pensar nisso seu estômago revolvia.
— Papai, não aceitou moedas por mim, verdade? — perguntou, sem poder esconder o medo aparente na voz.
—Não, claro que não, meu anjo.
—Papai, sabe que o senhor só nos chama de seus anjos cada vez que faz algo vergonhoso? —gemeu Lilá—. Deus é testemunha de que começo a odiar esse nome carinhoso.
— Garanto que vi Draco dando essas moedas ao papai! —insistiu Padma.
—Pergunto-me como sabia o que havia dentro do saco — argumentou Hermione—. Acaso tem uma visão especial?
—Deixou cair o saco e algumas moedas caíram — exclamou Padma.
—Foi só um pequeno empréstimo — bramou o pai para chamar a atenção das filhas—. Parem agoram mesmo de dizer que vendi minha garotinha.
Os ombros de Gina relaxaram de alívio.
— Viu, Padma? Foi só um empréstimo que Draco fez a papai. Você fez eu me preocupar por nada. E agora, podemos voltar ao problema original?
— Papai está de novo com aquela expressão culpada — advertiu Hermione.
—Claro que ele parece culpado — disse Gina —. Não é preciso esfregar sal na ferida. Estou certa de que ele já se sente bastante mal sem isso.
O barão Jamison lançou um sorriso a sua filha por defendê-lo.
—É meu anjinho bom — elogiou—. Bem, Gina, quero que se esconda quando chegarem os escoceses. Não tem sentido tentá-los com algo que não poderão ter.
O barão não percebeu o deslize até que Padma o fez notar
— Escoceses, papai? Mais de um? Isso significa que esse demônio chamado Potter trará outros com ele?
— Possivelmente traga a família para que presencie o matrimônio — sugeriu Lilá a sua gêmea.
— Isso é tudo? —perguntou Gina ao pai. Ela se esforçava para concentrar-se no problema, mas sua mente estava fixa no assunto das moedas de ouro. Por que o pai havia aceitado um empréstimo de Draco?
O barão demorou a responder.
— Papai, tenho a sensação de que há algo que o senhor não quer nos dizer — insistiu Gina.
— Deus! —exclamou Hermione—. Você acha que há mais?
— Papai, o que mais o senhor quer esconder? —gritou Padma.
— Papai! —exigiu Lilá.
Gina voltou a pedir silêncio. Ansiava por agarrar as lapelas do casaco cinza do pai e sacudi-lo para que falasse. Sentia que seu temperamento começava a esquentar.
— Você chegou a ler a carta do rei? —perguntou.
—Na realidade, teríamos que ter aprendido a ler e a escrever quando mamãe começou a nos ensinar — assinalou Lilá lançando um suspiro pesaroso.
— Tolices! — debochou Padma—. Uma dama nobre não necessita de instrução. O devíamos ter aprendido é essa espantosa língua galesa, como Gina — afirmou—. Sabe que não pretendo ofendê-la, Gina — apressou-se a esclarecer ao ver o cenho franzido da irmã —. Eu queria mesmo aprender com você. Beak se ofereceu para ensinar-nos. A todas nós. — concluiu.
— O chefe de nossos estábulos gostava de me ensinar — disse Gina—. E mamãe se distraía com isso. Ela esteve muito tempo de cama antes de morrer.
— Acha que esse monstro das Terras Altas não sabe nossa língua? —queixou-se Lilá, caindo no choro.
Se Lilá não tivesse começado a chorar, Gina poderia ter-se controlado.
— Qual é a diferença, Lilá? —explorou—. Esse sujeito matará a noiva, não falará com ela.
—Então, você acha que os falatórios são verdadeiros? —perguntou Hermione.
—Não — respondeu Gina, arrependida —. Estava brincando. —Fechou os olhos, elevou uma breve prece pedindo paciência e se dirigiu à Lilá—: foi muito pouco amável de minha parte se inquietar, irmã; peço-lhe desculpas.
—Espero que assim seja — soluçou Lilá.
—Papai, deixe que Gina veja a carta — exigiu de repente Hermione.
—Não — retrucou o barão, mas se apressou a suavizar o tom para que suas filhas não suspeitassem suas verdadeiras intenções —. Não é necessário incomodar Gina. A questão é simples: na semana que vem chegarão dois escoceses e com eles partirão duas noivas.
É inútil dizer que as filhas do barão não se alegraram com as novidades. As gêmeas começaram a reclamar como garotinhas às que se belisca para despertar.
—Eu fugirei — afirmou Hermione.
Com voz o bastante alta para que a ouvissem sobre o barulho, Gina disse:
—Acho que temos que formular um plano para dissuadir aos pretendentes.
Lilá parou imediatamente de reclamar.
—Um plano? No que está pensando?
—Pensei em um plano para enganá-los, e até me dá medo falar nisso, mas, como está em jogo seu bem-estar... Se eu tivesse que escolher, descartaria qualquer candidata que sofresse algum tipo de enfermidade.
Um lento sorriso se desenhou no semblante de Hermione. Era ela quem sempre captava com mais rapidez as idéias de Gina, em particular em se tratando de travessuras.
—Ou se fosse tão feia que custasse esforço olhá-la — completou, com um gesto de concordância. Os olhos castanhos brilhavam de malícia —. Lilá, você e Padma poderiam estar doentes, e eu seria gorda e feia.
— Doentes? —perguntou Padma, confusa —, Lilá, do que você está falando?
Lilá começou a rir, e embora estivesse com o nariz vermelho de tanto se esfregar e as bochechas irritadas pelas lágrimas, ao sorrir se tornava muito bonita.
—Acho que poderia ser uma enfermidade mortal. Teremos que comer amoras, irmã; a coceira só duraria umas horas, de modo que deveríamos calcular bem os tempos.
—Agora compreendo — disse Padma—. Faremos esses estúpidos escoceses acreditarem que sempre temos terríveis manchas nos rostos.
—Eu babarei —anunciou Lilá com gesto altivo — e me arranharei até ficar infestada de vermes.
As quatro irmãs riram diante semelhante quadro, e o pai se reanimou. Sorriu para seus anjos:
— Viram? Eu disse que o problema tinha solução. —Não havia dito nada disso, mas isso não o preocupou absolutamente—. Irei tirar um cochilo enquanto prosseguem com o plano. —O barão apressou-se a sair do salão.
—Pode ser que esses escoceses não se importem com a aparência —advertiu Gina, preocupada em ter dado falsas esperanças às irmãs.
—Tomara que eles sejam superficiais — retrucou Hermione.
—Será um pecado enganá-los? —perguntou Padma.
—É óbvio — respondeu Hermione.
—Será melhor que não o confessemos ao padre Charles —murmurou Lilá—. Ou ele nos daria outro mês de penitência. Além disso, os enganados são escoceses; sem dúvida Deus entenderá.
Gina deixou as irmãs e foi conversar com o chefe dos estábulos. Beak, como o chamavam carinhosamente os amigos por seu longo nariz curvo, era um ancião que há muito tempo era o confidente de Gina. A moça confiava nele por completo. O homem jamais contava aos outros o que Gina lhe dizia. Ensinou-lhe todas as habilidades que acreditou que lhe seriam úteis. Para falar a verdade, para o ancião, ela era mais como um filho que uma patroa.
O único ponto de desacordo era o barão Jamison. O chefe das cavalariças manifestava com toda veemência que não estava de acordo com o modo em que o barão tratava a filha caçula. Gina não entendia por que, pois ela mesma estava contente com o tratamento recebido do pai. Mas como nunca concordavam, evitavam com o maior cuidado referir-se ao caráter do barão.
Gina esperou até que Beak enviasse Emmett para uma tarefa fora do estábulo, e depois lhe contou toda a história. Enquanto escutava, Beak esfregava o queixo, em sinal de que prestava toda a atenção.
— De fato, isto é minha culpa — confessou Gina.
— Por quê? —perguntou Beak.
—Deveria ter me encarregado do pagamento dos impostos —explicou Gina —. Agora, minhas irmãs terão que pagar um preço muito alto pelo meu descuido.
— Deus do céu! —murmurou Beak—. Moça, as únicas tarefas que não lhe correspondem são os impostos e a vigilância. Você se mata trabalhando. Que Deus me perdoe por tê-la ensinado a fazer tantas coisas! Se não houvesse ensinado a ser a melhor amazona e a melhor caçadora, você não seria o que é. Gina, você é uma bela dama, que executa as tarefas de um cavalheiro. E isso é minha culpa.
Gina não se deixou enganar pela expressão aflita de Beak e riu.
— Beak, você fala o tempo todo das minhas habilidades. Está orgulhoso de mim e isso é tudo.
— É verdade, eu me orgulho mesmo de você —resmungou Beak—. E mesmo assim não quero ouvir você se recriminando pelos enganos de seu pai.
— Vamos, Beak...!
— E afinal, você não está incluída nesta petição de esposas? —perguntou Beak—. Não parece um tanto estranho?
— Sim, mas nosso rei deve ter seus motivos e não sou eu quem vai questioná-los.
— Gina, por acaso você viu a carta? Leu-a?

— Não, papai não quis que me incomodasse em fazê-lo — respondeu Gina—. Beak, o que foi? De repente, seus olhos ficaram com uma expressão estranha.
— Acho que seu pai tem algum plano — admitiu Beak —. Algo vergonhoso. Eu o conheço há mais tempo que você, menina. Lembre-se de quem foi que procurou a sua mãe para ela casar com o barão. Eu conhecia a atitude de seu pai antes de você aprender a caminhar. E agora lhe digo que seu pai trama algo.
— Papai me aceitou como a sua própria filha — disse Gina—. Mamãe sempre dizia que ele não deu qualquer importância a que eu não fosse de seu próprio sangue. Não esqueça esse gesto bondoso, Beak, por favor. Papai é um bom homem.
— Sim, é certo que foi justo ao lhe considerar sua filha, mas isso não muda em nada os fatos.
Nesse momento, Emmett, o cavalariço, entrou nos estábulos. Gina conhecia seu hábito de ouvir as conversas alheias e imediatamente começou a falar em galés para que não os entendesse.
— Sua lealdade está sob suspeita — murmurou movendo a cabeça.
— Minha lealdade é sua, mocinha. Nenhuma outra pessoa se preocupa com seu futuro. Deixa logo essa zanga e conta para este velho quando chegarão esses compatriotas escoceses.
Gina compreendeu que Beak desviava de propósito a conversa do pai e sentiu-se grata por isso.
—Dentro de uma semana, Beak. Enquanto permaneçam aqui terei que me esconder como uma prisioneira. Papai acredita que será melhor que não me vejam, mas não entendo o motivo. Além disso, vai ser uma complicação, com todas as tarefas que tenho. Quem irá caçar para o jantar? Beak, quanto tempo acha que ficarão? O mais provável é que permaneçam uma semana, não acha? Terei que salgar mais carne de porco se...
—Espero que fiquem um mês — interrompeu Beak—. Assim teria um descanso forçado — predisse—. Gina, já disse antes e repito: trabalhar de sol a sol adianta sua morte. Preocupo-me com você, garota. Ainda lembro aqueles dias, quando sua mãe — que Deus dê descanso a sua alma — ainda não tinha adoecido. Você não era maior que um mosquito, mas mesmo assim era uma pestinha. Lembra-se daquela vez em que tive que subir à torre exterior para buscá-la? Gritava meu nome sem parar! E eu, com medo de altura, vomitei meu jantar logo depois de desce-la! Tinha prendido uma corda fina entre as duas torres, acreditando que podia caminhar por ela com toda agilidade.
Gina sorriu ao recordar.
— Lembro-me que açoitou meu traseiro e não pude me sentar por dois dias.
— Mas você não disse a seu pai que eu a tinha castigado, pensando que eu me veria em problemas, não é, Gina?
— Você estaria em maus lençóis — confirmou Gina.
— Para falar a verdade, já a salvei mais de uma vez.
— Isso foi faz muito tempo — lembrou Gina com um leve sorriso—. Agora cresci. Tenho muitas responsabilidades; até Draco entende isso, Beak. Por que você não aceita o fato?
O ancião não pensava tocar essa brasa ardente. Beak sabia que feriria os sentimentos da moça se dissesse o que realmente pensava de Draco. Embora só tivesse tido a infelicidade de ver o barão Draco Arrumadinho uma vez, foi suficiente para julgar que era um homem sem caráter: só pensava em si mesmo. Deus era testemunha de que, cada vez que Beak pensava em sua adorada Gina unida a semelhante traste, seu estômago se revoltava.
— Você precisa de um homem forte, garota. Além de mim mesmo, é obvio, não acredito que até agora tenha conhecido um homem de verdade. Você tem dentro de si algo selvagem. Um desejo de ser livre, mesmo que não o entenda.
—Está exagerando, Beak. Já não sou uma selvagem.
—Gina, por acaso pensa que não a vejo de pé sobre o lombo de sua égua enquanto galopa através do prado do sul? Lamento ter-lhe ensinado essa proeza. Às vezes você se diverte desafiando o diabo, não?
—Beak, você andou me observando?
—Alguém tem que vigiá-la.
Gina suspirou baixinho e voltou ao tema dos escoceses. Beak não insistiu. Tinha a esperança de aliviar de alguma forma a carga que pesava sobre os ombros da moça ao escutá-la falar de suas preocupações.
Quando a jovem voltou às suas tarefas, a cabeça de Beak fervia com novas possibilidades.
Sem dúvida, o barão Jamison tramava algo. Beak teria apostado sua vida. “Bem, não deixarei que meu senhor se safe de novo”, pensou.
Beak estava decidido a transforma-se no salvador de Gina. Entretanto, primeiro tinha que avaliar aqueles escoceses. Se um deles fosse um homem temente a Deus e capaz de cuidar bem de uma mulher, Beak prometeu que encontraria um jeito de falar com ele a sós e contar que barão Jamison tinha quatro filhas, não três.
Sim, Beak salvaria Gina de um destino penoso.
Se fosse a vontade de Deus, ele a ajudaria a ser livre.

Weasley, o sacerdote, disse-nos que Harry Potter voltará para casa com uma noiva inglesa. Todos franziram o cenho, mas não porque nosso senhor voltaria a se casar. Não, estão zangados porque a noiva é inglesa. Alguns o defendem, dizendo que Harry se limita a obedecer a ordem do rei. Mas outros se perguntam em voz alta se o senhor poderá suportar semelhante carga.
Deus, espero que ele se apaixone por ela! Embora seja muito para pedir ao Criador, pois Harry detesta os ingleses tanto como qualquer um de nós.
Mas... Assim o assassinato seria muito mais doce.



Na.: Ok...como ja tenho alguns caps prontos, nõ me seguro de jeito nenhum e ja posto eles..sou assim, e vocês sabem hehe...

Tonks & Lupin: Lindonaaaaaaaaa Thanks por comentar..

bjs


Tonks B.

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Comentários: 1

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Enviado por Lana Silva em 24/04/2012

Nossa Gina é forte nessa fic, e nossa esse pai dela é um tanto quanto egoista de não querer a filha com ninguém só pra cuidá-lo. Amando a fic *---------*

Nota: 5

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