À Sete Palmos de Terra
************************************************************
Aqui jaz, livre e humilde, alguém que já foi grande. Sua vida incontrolável não me deu coragem de prende-lo em uma caixa de madeira, à sete palmos abaixo da terra. Minha fraqueza não poderia afetar os direitos do já falecido, mas minha mente fez questão de me lembrar que meu corpo não aguentaria deixá-lo, sabendo que ele estaria apodrecendo. Lembro-me de que sempre soubera que isso aconteceria. Eu sentia a vida que ele emanava escapando pouco a pouco entre meus dedos, enquanto cada pequeno pedaço de mim ainda brilhava em força e virtude. Não, eu não poderia deixá-lo. Minha vontade se esvai ao saber que sua liberdade acabaria presa em um caixão de madeira. Não, eu nunca o deixaria. Ó Deus, porque escolher logo ele para ser levado e ocupar o lugar que sobrava no Teu céu? Porque privou-me de olhar em teus olhos, ouvir tua voz e sentir teu cheiro? Todas as vezes que escuto o barulho das folhas se remexendo quando o vento de uma tarde de outono bate nelas, acompanhado do sol morno que não queima, mas aquece meu corpo frio, penso que talvez ele ainda esteja entre nós, embora a noite escura me faça desfalecer entre minhas esperanças. Cremado e em cinzas, ele caminha pelo vento, livre mais uma vez e me deixa aqui, sozinha. Sim, ele me deixou. E não há túmulo, não há caixão, não há terra. Não há lugar aonde eu possa me refugiar, sabendo que ele esta ali. Desconheço sua localização. Como sempre acontecia quando a vida ainda se hospedava em seu corpo.
Uma homenagem à alguem que continua livre, mesmo depois de morto.
By Thomas Cale.
***********************************************************
N/A: nossa, é isso o que eu posso chamar de broxante! Estou em crise de inspiração!!! AAHH!! Quero escrever uma coisa decente!
*momento histérica off*
Comentem.