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16. Capítulo XVI


Fic: Harry Potter e o fim da profecia


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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- O que você lembra sobre a profecia? – Hermione perguntou subitamente.

Elas estavam no quarto de Amy já há duas horas. Toda a casa estivera acordada até pouco mais das duas da manhã, conversando animadamente enquanto assistiam a um programa qualquer na sala de tevê. Já tinham apagado as luzes do quarto definitivamente há cerca de uma hora no intuito de aproveitar o que restara da noite. Passava das quatro da manhã agora, e nenhuma palavra era dita há pelo menos quarenta minutos.

Amy levantou-se, sentando-se na própria cama, ainda sem se desvencilhar completamente das cobertas. Ela queria encarar a outra, mesmo que isso fosse quase impossível, visto que a escuridão não permitia que nada além do contorno delas fosse notado. Fora pega de surpresa pela pergunta e sequer sabia o que responder. Sabia que era um assunto delicado e, como tal, deveria ser abordado, mas não fazia idéia de como fazê-lo.

- Da profecia em si não lembro-me de muita coisa, já faz mais de um ano que nós a encontramos desmaiada naquele gabinete e, bem, eu lhe expliquei que a profecia falava de você. E hoje eu me acho uma completa idiota por não ter simplesmente colocado a profecia em sua mão e provado que eu estava certa, que era de você mesmo que a profecia falava. – Amy murmurou, os olhos nervosos, não fixavam-se em lugar algum. – E, de certa forma, acho que acabei me precipitando e falando uma besteira – não que estivesse de todo errada –, mas tudo para você acreditar em mim.

- Como assim?

E Hermione lembrou-lhe com algo que acontecera há um ano, na casa dos Potter.

- Hum... Hermione, você faz idéia de quem poderia ser a outra pessoa de quem a profecia fala?

- Não, não faço idéia!

- E se eu dissesse que esta pessoa é você? Você acreditaria?

- Impossível, Amy! Não posso ser eu...

- Hermione, você está falando com uma especialista em profecias e feitiços. Vamos começar da parte em que você desmaiou ao ler a profecia sem que esta tivesse sido ditada... Quando isto acontece, a tendência é a pessoa de quem a profecia fala desmaiar e foi o que aconteceu com você, estou certa? – Hermione concordou. – Depois a profecia diz que a garota nasceu no crepúsculo em um dia do auge do nono mês... Você nasceu numa noite do meado de setembro. E para completar, teve de esperar até o final de julho do ano seguinte para que Harry nascesse. – concluiu Amy. – Hermione, vocês dois estão juntos em Hogwarts há seis anos...


- Eu disse que quando as pessoas que lêem a profecia sem que esta tenha sido ditada são as pessoas de quem ela fala, a tendência é a pessoa desmaiar, não? – fez Amy, recebendo como resposta apenas um aceno silencioso. – Pois bem. Você desmaiou não só por isso, mas porque há algo na profecia que é muito forte sobre você.

- E isso é mal?

- Não sei, não consigo imaginar as conseqüências que ela pode trazer para você. E você é relativamente fraca quando posta diante dela. – Amy parecia séria ao dizer isso. Acendeu as luzes do quarto. – Talvez o fato de você ter visões seja algo que precise ser estudado. – Hermione, que encarava o chão, pensativa, ergueu o rosto instantaneamente para encarar a outra, o cenho franzido. – Quando foi que teve a última visão?

- Não sei, acho que foi naquele dia mesmo, a visão da Lílian grávida, conversando com James... Não me lembro. – a morena respondeu. – Por quê?

- Bom, pelo menos as visões pararam. Mas vamos por partes. – uma pausa. – Primeiro: se notarmos, as visões tratam-se apenas de coisas passadas, não presenciadas por você; são de um passado muito antes de você, exceto a última, como você mesma disse, se não me engano. Segundo: as mais importantes foram exatamente as mais esclarecedoras, que tiveram uma importância crucial no seu entendimento das coisas, estou certa?

- Eu, sinceramente, acho que não há mais nada para ser visto. Tudo o que eu poderia descobrir, o que poderia me ajudar... Eu acho que tudo isso já foi visto. – Hermione respondeu.

- E realmente não há. Você já cumpriu uma parte de seu dever descrito na profecia. – Amy falou, com um meio sorriso nos lábios.

- Cumpri? – Hermione a encarou surpresa.

- “Aquela com o poder de desvendar os mistérios do passado se aproxima.” – a mais velha citou. – Não que você tenha desvendado todos os mistérios, mas já provou que a profecia realmente falava de você ao mostrar que descobriu tantas coisas sobre o passado de pessoas que influência nenhuma tinham sobre a sua vida, sobre você. Você quem esclareceu as brigas entre as famílias, quem concluiu tantas explicações para cada uma das perguntas que lhe eram feitas sobre o passado... Hermione, eu tenho certeza que você sabe mais coisa, apenas não compartilhou com ninguém.

- Como você consegue?

- Consigo o quê? – Amy pareceu confusa por um instante.

- Você afirma as coisas com uma precisão, com uma convicção incomparável. É como sempre soubesse de alguma coisa. – Hermione comentou.

- Ah, você não é a primeira pessoa que me disse isso e, com certeza, não será a última. – Amy riu.

O silêncio se abateu e estendeu-se por alguns instantes.

- Hermione, o Harry sabe sobre a profecia?

Novamente Hermione sentiu-se como se não pudesse esconder nada de Amy, como se ela fosse capaz de ver através de sua alma, perceber coisas à distância.

- N-não. – respondeu, nervosamente.

- Então aquela conversa que prometeram depois do seu desmaio... Ela nunca aconteceu?

Hermione apenas balançou a cabeça negativamente, baixando os olhos.

- Então ele não sabe da profecia, não é?

- Nunca tocou no assunto, sequer deve lembrar.

- E quando você pretende falar para ele?

- Não sei. Eu não posso simplesmente sumir e deixá-lo sem nenhuma explicação. Alguma hora eu vou ter que contar, não é? Só espero que eu não resolva tarde demais.

- Por que você fala isso? – Amy indagou, sem entender.

- Porque ele pode, mesmo que inconscientemente, fazer alguma besteira que possa afetar a nós dois, nossa relação, seja como amigos, seja como... – ela parou, meio sem jeito.

- Namorados? – Amy completou, incerta.

- É. – Hermione concordou. – É que eu não consigo me acostumar com isso. Para mim ele sempre vai ser meu melhor amigo, embora o ame mais que tudo e não saiba o que será de mim sem ele.

Amy sorriu.

- Não posso dizer que entendo, nunca namorei o meu melhor amigo, mas é realmente algo muito difícil de acostumar, quando se está namorando...

- É estranho. É fácil dizer que estamos namorando, que eu o amo, mas não é tão simples dizer que ele é meu – ela fez uma pausa. – namorado.

- Mas então, Hermione, você ia dizendo que não contaria, mas temia que quando resolvesse... que fosse tarde demais. Por que diz isso? – Amy retomou a conversa.

- Não sei. Eu só... sinto.

- Olha, se eu não soubesse que você não se sente segura falando isso, pensaria que estava pegando a minha mania de afirmar coisas com convicção. – a outra brincou. – Mas quero que saiba que estarei aí para ajudar no que você precisar, não só pela consideração que tenho por vocês, mas porque quero ver o Harry feliz e sei que você também, principalmente depois de tudo o que ele já sofreu nessa vida.

- Bom, é algo que temos em comum. – Hermione permitiu-se sorrir. – Obrigada, Amy. Sei que posso contar com você.

- Amy? – Sirius colocou a cabeça para dentro do quarto. – Meninas, mas vocês ainda estão acordadas? Vão dormir ou não levantarão durante o dia todo!

- Já estamos indo, pai. – Amy murmurou, parecendo contrariada.

- Acho bom. Boa noite! – ele disse, antes de fechar a porta novamente.

- Incrível como eles têm mania de sempre interromper as nossas conversas. É sempre assim! – os olhos azuis giraram em descontento. – Mas é melhor irmos dormir.

- É, acho que acabamos nos empolgando. – Hermione riu. – Boa noite.

- Boa noite, Mi. E vê se esquece isso, pelo menos até a hora que for inevitável. – aconselhou antes de apagar as luzes.

Hermione cobriu-se e aconchegou-se no travesseiro, abraçando outro. Ela sabia que aquela não seria a última conversa que teria com Amy sobre o assunto. A garota era praticamente uma especialista em profecias, era atualizada em todos os assuntos e sabia um pouco sobre tudo. Além disso, ainda sabia como confortar uma pessoa, ajudar e conduzir uma conversa de forma agradável, que não acanhava. Era sempre bom tê-la por perto.

Embora não tivesse obtido a resposta da sua primeira pergunta, sabia que Amy lembrava-se perfeitamente dos dizeres da profecia, sabia tanto quanto ela. Ela traduzira a profecia, ela quem guardava esse segredo. E somente ela poderia ajudá-la.

Pensou em Harry. O garoto que, tão inocentemente, estava no quarto ao lado e sequer imaginava que havia outra profecia que o envolvia, mesmo que indiretamente. E ela sorriu ao perceber que os dois eram tão parecidos quanto imaginavam; eles carregavam o peso de um destino já traçado. Alargou ainda mais o seu sorriso quando se deu conta de que ela nunca acreditara naquilo, naquela história de pressentimento, premonição.

E descobrir que antes mesmo de nascer, justo sobre ela, caiu a responsabilidade de ter seu nome incluso em um presságio de tamanha força que influenciara na vida de uma outra pessoa, pessoa aquela que ela amava incondicionalmente, era praticamente inacreditável Tudo por ironia do destino.

---


- Você tem certeza de que não quer ir agora? – Hermione perguntou para Amy.

- Não dá. Eu já tinha marcado com a Bebel, você sabe. E depois... Vocês vão para York, com certeza têm muito que ver, o Harry tem um passado para descobrir e, de certo, irão se divertir o bastante sem mim. – Amy disse, segurando firmemente as mãos da outra. – Mas dia dois eu estou em Godric’s Hollow, prometo!

- Tudo bem, então. – Hermione sorriu. – Bom, acho melhor descermos, ou Harry vai ter um ataque. E eu ainda tenho que me despedir de seus pais.

Desceram juntas.

- Bom, até logo! – Hermione se despediu de Alissa e depois de Sirius. – Obrigada pelos dias maravilhosos que passamos aqui. – agradeceu.

- Breve você estará de volta, querida.

- Quê? – Harry fez, sem entender.

- É, o casamento deles. – Amy lembrou. – Vai ser esta primavera. Pensei que soubessem.

- Ah, claro! – Hermione concordou. – Desculpe, havia me esquecido. Mas claro que viremos. Será um prazer.

- Prazer maior será recebê-los. – Sirius disse. – Já falamos com Dumbledore, pedimos que vocês viessem.

- Mas vocês terão apenas dois dias. – Alissa murmurou.

- Melhor do que nada. – o homem replicou. – Qualquer coisa, nós damos um jeitinho e vocês ficam mais. – ele cochichou para que só Harry e Hermione ouvissem.

- O que quer que você tenha dito, devo dizer que talvez não seja uma boa idéia. – Alissa fulminou o homem. – Vindo de você, nunca são.

- Ai, mamãe! Deixe de ser estraga prazeres! – Amy ralhou. – Papai não é mais o irresponsável que conheceu na sua adolescência.

- É aí que você se engana, querida.

- Bom, acho melhor irmos andando. Papai e mamãe devem estar à nossa espera. – Hermione disse. – Mais uma vez obrigada.

- Voltem quando quiserem, serão sempre muito bem vindos.

Harry e Hermione deixaram a casa pelos fundos e aparataram quase que imediatamente em Godric’s Hollow. Caminharam de mãos dadas, cada um segurando sua mala até a casa de Hermione. O carro estava fora da garagem aberto e era possível ver o pai da garota nos fundos, guardando algo. Jane, a mãe dela, saiu de casa com uma última mala nas mãos, fechando a porta. Viu Hermione.

- Herms, querida! – ela disse, aproximando-se e abraçando a filha. – Como está? Quando ligou nós corremos para arrumar as coisas. – ela soltou a filha.

- Estou bem, mamãe. Eu aparatei. – a mãe a encarou confusa. – Depois eu explico.

- Ah, Harry! Como você está? Não nos vemos há um bom tempo, hã?!

- É, sim, senhora. – ele concordou. – Estou bem, obrigado.

Hermione foi falar com o pai, que a abraçou fortemente.

- Você sempre me inventando essas coisas, hein? – ele brincou. – Que saudades, princesa!

- Também estava com saudades, papai.

- Como foi o Natal?

- Foi muito legal. Espero que não tenham se chateado por não passar aqui com vocês, mas o convite era irrecusável... o padrinho e a “irmã” do Harry, vocês sabem...

- Problema algum, querida. – ele disse, tranqüilizando-a. – E você, meu rapaz? Está bem, espero.

Harry cumprimentou-o com um aperto de mão e um rápido aceno.

- Acho melhor adiantarmos, ou chegaremos apenas à noite em York. – a Sra. Granger disse, abrindo a porta do carro e ocupando o banco do carona. Os garotos fizeram o mesmo, ocupando os bancos traseiros do carro, lado a lado, devido a uma sacola que ocupava o espaço atrás do banco do motorista.

Seguiram durante boa parte da viagem conversando animadamente, entoando as músicas que tocavam na rádio e rindo. Chegaram até mesmo a fazer um lanche. Harry não percebera de imediato a quietude de Hermione e quando notou-a, procurou o olhar da garota. Mas o Sr. Granger ergueu os olhos para o retrovisor.

- Dormiu. – limitou-se a dizer.

De fato. Hermione tinha a cabeça recostada no ombro de Harry, que gentilmente a ajeitou, colocando-a em uma posição mais confortável. Sorriu enquanto observava o sono da garota, o semblante sereno que tinha ao dormir. “Simplesmente linda”, pensou.

- Ela gosta muito de você, Harry. – Stan comentou, pegando o moreno de surpresa. – São muito amigos, não é?

- Sim, nos conhecemos há mais de seis anos. – Harry respondeu. – Eu também gosto muito dela, Sr. Granger. Sua filha é uma garota maravilhosa.

- Ela fez questão de visitar a casa de sua bisavó nas férias. Não sei se sabe, mas eu e Lílian fomos grandes amigas. – a Sra. Granger se pronunciou.

- Hermione me contou assim que nos encontramos no Largo Grimmauld.

- Uma pena que não tenha conhecido a pessoa que sua mãe era. Uma mulher forte, bonita, de bom coração, generosíssima... Teria orgulho dela. – os olhos de Jane encheram de lágrimas. – Sinto muito a falta dela.

Harry sentiu-se desconfortável. Aquela conversa não o agradava nem um pouco. Falar de seus pais sempre o deixara balançado, mexia com ele. Ele permaneceu calado, apenas escutando.

- Jane, não é melhor acordar a Herms? Estamos chegando dentro de dez minutos. – Stan aconselhou a esposa.

- Harry, querido, poderia fazer este favor? – pediu Jane.

O garoto apenas acenou positivamente.

- Mione... – cochichou ao pé do ouvido da garota, fazendo-a sorrir e encolher-se antes de abrir os olhos e encarar aquele par de olhos que tanto a encantavam, que mais pareciam um mar verde vivo, onde insistia em embrenhar-se. – Estamos chegando.

- Imaginei que fosse isso. – ela sorriu, recompondo-se. – Dormi muito?

- Não muito. No máximo duas horas. – respondeu Jane. – Querida, quando chegarmos você irá levar Harry até o quarto onde ele ficará e depois de ajeitar suas próprias coisas poderão sair, tudo bem?

- Claro, mamãe. – Hermione concordou.

- É provável que Ash e Hil estejam aí. – o Sr. Granger acentuou.

- Espero que sim. Carl sempre está. E até Marcia deve estar, por conta das festas de fim de ano Assim é melhor. Não ficaremos tanto tempo sem ter o que fazer com elas aí, garanto. – a morena findou a conversa.

Não demorou para que chegassem a York. Logo estavam sendo recebidos por Carl.

- Benditas festas que os trazem aqui! Ou deveria dizer “bendita Hermione”? – brincou o homem fazendo-os rir. – Ficarão por quanto tempo aqui?

- O mesmo que da última vez. Vamos embora no dia dois pela manhã. – respondeu Jane. – Uma amiga da Herms chegará a Godric’s Hollow pela tarde nesse mesmo dia.

- Uma pena. – o homem disse. – E quem é o rapaz?

- Harry. Harry Potter. – respondeu o moreno, estendendo a mão que fora imediatamente aceita por Carl.

- Carl Stang. – o homem apresentou-se. – É ele? – indagou, voltando-se para os Granger.

- É, sim. – o Sr. Granger confirmou.

- Conheci sua mãe, rapaz. Creio que Hermione vá levar você até a casa de dona Katine.

- Vamos entrar? – fez Hermione, interrompendo a conversa. – Estou morrendo de fome.

- É, o almoço está pronto. Marcia estava apenas esperando-os. Vamos, entrem!

- Obrigado. – Harry murmurou.

- Eu sei que o assunto não lhe é confortável. – Hermione respondeu, num sussurro. – Quero poupar-lhe. Depois do almoço nós iremos à casa de sua bisavó e... eu acho que ela vai querer conversar com você sobre isso. E não só ela, como o Giuly. Acha que conseguirá?

- Não sei, mas acho que sim.

- Farei o possível para ajudar. – ela murmurou. – Se você quiser, é claro.

- Sei que posso contar com você.

- Hermione? – chamou uma voz na sala. Eles dois estavam parados ainda na entrada da casa.

- Como vai, Marcia? – cumprimentou.

- Estou bem, querida. E você? Cada dia mais linda!

- Obrigada. – Hermione disse, corando.

- E você, é...?

- Harry, meu amigo, o que lhes falei durante as férias. – a morena apressou-se em responder.

- Ah, é claro. Como vai, querido?

- Bem, obrigado.

- Acho melhor virem almoçar. Depois poderão dar uma volta pelos campos e mais tarde ir à Mansão Branca.

- E as meninas? Onde estão? – indagou Hermione.

- Estão chegando de viagem hoje ao final da tarde. Passaram esse feriado em Durham e Westmorland. Estão fazendo um curso de turismo e estão curtindo o que podem e não podem. – contou Marcia. – Elas explicam melhor quando chegarem. Agora pare de enrolar, mocinha! Você mesma disse que estava morrendo de fome.

As duas riram, acompanhadas por Harry e os três seguiram para a sala de jantar, onde a mesa já estava ocupada por Carl, Stan e Jane, que apenas os aguardavam.

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Ela havia parado, encarando um ponto fixo, os lábios mexendo-se sem emitir nenhum som.

- O que foi? – ele perguntou, com um meio sorriso nos lábios.

- Uma música que não sai da minha cabeça. – ela respondeu, ainda sem desviar o olhar. Era verdade que encarava o vazio para além dos jardins, mas estava tão concentrada na música que era como se não houvesse nada mais interessante para olhar.

O moreno apenas sorriu e colocou delicadamente uma mecha de cabelos da garota atrás de sua orelha, beijando-lhe a face em seguida. Um pequeno sorriso tímido se crispou nos lábios dela, que permanecia imóvel. Ela tinha a perna esquerda sobre a perna, também esquerda, dele, embora estivessem lado a lado.

Permaneceu exatamente como estava. Sentiu ele mordiscar sua orelha e o seu olhar sobre ela, fitando-a. Em seguida ele afastou os cabelos dela de seu pescoço, jogando-os para trás, deixando-o à mostra e passou a distribuir leves beijos por todo ele. Ela sentiu arrepiar; era como se uma corrente elétrica envolvesse todo o seu corpo com o contato dos lábios dele em sua pele.

- Você sabe que é o meu ponto fraco... – ela murmurou, os olhos fechados, como que para sentir cada toque do moreno. Ele, no entanto, ignorou-a com um sorriso maroto nos lábios e continuou a beijar seu pescoço. “Se ele quer brincar com fogo, vamos brincar”, ela pensou, invertendo o jogo e beijando o pescoço dele de forma provocante.

Fora pego de surpresa. Contorceu-se com aquilo. Ela, tanto quanto ele, tinha o poder da provocação. Começou a subir com os beijos, passando pela bochecha do moreno, chegando bem próximo de sua boca, mas mudando a rota e beijando-o no queixo, ao que ele lançou-lhe um olhar decepcionado. Sorriu para ele, deu-lhe um selinho e se afastou, voltando a fitar os jardins com interesse.

Ele observou-a por alguns segundos antes de levar sua mão à nuca dela, puxando-a em sua direção e capturando-lhe os lábios de forma voraz. Beijou-a. Ela se afastou, quebrando o beijo. Contudo, teve pouco tempo antes de o moreno repetir o ato, dessa vez ainda mais intensamente que da vez anterior.

Ela suspirou, sorrindo.

- Acho que talvez seja melhor irmos. Ao fim da tarde sua avó costuma isolar-se e nós não conseguiríamos falar com ela.

- Acha mesmo que é uma boa idéia? – ele parecia preocupado.

- Ela estava esperançosa em conhecê-lo. Pareceu ter ficado realmente feliz ao saber da existência de um bisneto, ainda por cima filho de Lilian. – Hermione respondeu. – Sabe, sua mãe e ela, a sua avó... Elas eram muito ligadas, tinham uma relação quase de mãe e filha. Tenho certeza de que vai adorar te conhecer. E depois, vai entender o motivo de se isolar à tarde...

Harry apenas encarou a namorada confuso. Viu ela se levantar e esperar que fizesse o mesmo. Minutos depois, caminhavam de mãos dadas pelas ruas a caminho da Mansão Branca. Ao chegarem, ela se aproximou do portão e tocou a campainha, que foi atendida em poucos instantes por um rapaz moreno e esbelto, que Hermione conhecera no verão. Giuly Evans, primo da mãe de Harry estava novamente em sua frente.

- Hermione, quanto tempo! – ele disse, sorrindo amigavelmente. – Como vai?

- Estou bem, obrigada. – ela assentiu. – E espero o mesmo de você, claro! – apressou-se em acrescentar. – Será que poderia ocupar um pouquinho do seu tempo?

- Oh, claro! Que indelicadeza a minha... Venha, entre! – ele chamou, mas Hermione permaneceu parada. Viu o rosto da garota corar levemente e seus olhos correrem timidamente para um ponto ao seu lado direito. – O que foi? Tem mais alguém aí?

- Na verdade – ela hesitou. –, sim.

Giuly aproximou-se mais do portão e virou o rosto para a direção em que a garota olhara instantes atrás. Encarou Harry por alguns instantes. Seu rosto não lhe era estranho, embora não se lembrasse de onde o conhecia. Na verdade, se perguntava de onde o conhecia.

- Desculpe, mas... quem é você? – ele perguntou, hesitante. – Perdoe-me, por favor... Mas embora não me seja estranho, não lembro de onde o conheço.

- Vamos entrar. Faremos as apresentações em seguida. – Hermione pediu. – Gostaria de fazê-lo na presença de sua avó, se não for incômodo.

- Venham comigo. – ele chamou, abrindo espaço para que entrassem e fechou os portões. Caminharam pelos jardins até a casa.

Harry tentava imaginar quantos verões sua mãe teria passado ali naquela casa, como conhecera a mãe de Hermione... E sentia-se estranho. Ele muitas vezes já imaginara a vida de sua mãe, mas sem conhecê-la, saber como ela era de fato, era difícil. E estando na presença de um parente dela e, conseqüentemente, seu, tudo parecia ainda mais surreal.

O fato de não ter nunca sabido da existência de sua bisavó e de um primo de segundo grau ainda vivos o fazia se perguntar se o próprio Dumbledore sabia. E se sabia, por que nunca lhe contara? Por que o deixara ser criado com os Dursley? Se o que Hermione lhe dissera fosse realmente verdade, e ele acreditava que era, teria sido muito bem-vindo ali e criado com todo o amor, carinho, afeto e compreensão que lhe foram rejeitados durante os anos que passara com seus tios.

Adentrou a casa e ficou impressionado com a quantidade de fotos que podiam ser vistas de sua mãe durante toda a infância e adolescência. O que mais lhe impressionou foi uma espécie de caixa de vidro embutida na parede, onde havia uma grande foto de Lílian montando um cavalo branco, totalmente vestida a caráter para o que parecia ser uma competição de hipismo. A imagem era linda. O fundo coberto por árvores que variavam em todas as tonalidades do verde, o céu parecendo distante e tão azul quanto normal, os cabelos ruivos de Lilian, presos a um rabo de cavalo sob o capacete, em movimento e o sorriso que ela tinha... Ela parecia radiante.

Pendurados, ainda por trás do vidro e sobrepondo a imagem, encontravam-se um chicote hípico de couro com cabo picado e um capacete de proteção, que Harry supôs que fossem os mesmos que estava usando no momento em que a foto fora tirada. Baixou os olhos e percebeu que no canto da caixa ainda havia um troféu.

- Venha, Harry. Depois terá tempo para observar tudo o que quiser. – Hermione puxou-o.

Ele não notara que Giuly estava parado à sua espera, o que obrigou a morena a tirá-lo de seus devaneios.

- Desculpe. – murmurou, seguindo-os.

- Quem estava aí, querido? – uma voz rouca perguntou, mas não foi preciso responder. – Herms, querida! Fico tão feliz em vê-la... A que devo a visita?

- Há alguém que quero que conheçam. – Hermione começou, levando sua mão de encontro à de Harry, apertando-a com firmeza. – Este é Harry James Potter, o fruto do casamento de sua Lily com James Potter. Eu prometi que o traria para apresentá-lo à senhora e aqui está ele.

Harry simplesmente não conseguia falar, sequer emitir algum som. Viu os olhos cansados da bisavó se encherem de lágrimas ao passo que ela ergueu a mão em sua direção, como chamasse para que viesse até si. Hermione olhou-o ternamente, encorajando-o. Ela também tinha os olhos marejados. Ele pôde ver um sorriso crispando-se em seus lábios de forma quase imperceptível. Retribuiu o gesto e soltou-se delicadamente de sua mão, caminhando até a poltrona onde Katine Evans estava sentada.

Ajoelhou-se à sua frente e segurou as duas mãos dela de forma carinhosa e firme ao mesmo tempo, passando confiança e afeto ao mesmo tempo.

- Não sabe quanto tempo esperei por conhecê-lo, Harry. – ela abraçou-o maternalmente e Harry correspondeu ao gesto, mesmo surpreso.

Ele não saberia explicar o que sentia naquele momento. Era como se estivesse sendo envolvido por uma manta quente e segura, como se recebesse um carinho jamais experimentado antes. Sentiu-se verdadeiramente amado de forma fraternal. Aquele era o primeiro abraço que recebia de alguém que podia ser, de fato, comparada a uma mãe. Porque ela, sua bisavó, era o mais próximo disso que tinha.

Quando se afastaram, as mãos enrugadas de Katine envolveram o seu rosto, encarando-o por um longo instante, como que para guardar cada traço dele.

- Os olhos da minha Lily... – ela murmurou. – É um rapaz muito bonito, meu neto!

Harry sorriu envergonhado.

- Obrigado. – foi a primeira e única coisa que conseguiu dizer desde que chegara ali.

- Acho que vocês têm muito o que conversar, então... – Giuly fez que ia sair.

- Não! – Harry virou-se rapidamente. – Fique. Por favor. – pediu. – Todos nós temos muito o que conversar, o que contar, e acho que é o primeiro passo para que nos conheçamos e nos tornemos uma verdadeira família. – ele murmurou. – A família que eu nunca tive. – ele estendeu a mão para Hermione, puxando-a para perto. – E que eu quero ao menos curtir um pouco antes de começar vida nova ao lado da mulher que amo.

Hermione deixou uma lágrima silenciosa escapar. Ela não saberia o que dizer e optou por apenas silenciar. Aquele era um momento especial para Harry e ela sentia-se extremamente feliz por ele, mas dentro de si, ouvir aquelas palavras era como levar profundas facadas.

---


Três... dois... um...

Os fogos explodiram nos ares. Harry e Hermione se beijaram intensamente e, de mãos dadas, caminharam de volta até o lugar onde acontecia a confraternização. Giuly e dona Katine também estavam presentes e conversavam com Marcia e Jane à um canto. Separaram-se, cada um indo cumprimentar seus familiares.

Hermione parou para falar com Ashley e Hilary e acabou se demorando.

- Mas você não larga ele, hein? – Hilary brincou.

- Lógico, Hil! Você queria que ela deixasse um homem desses dando sopa por aí? – Ashley rebateu. – Ah, fala sério! Herms, cuida dele mesmo que não se acha mais outros como ele, hein?

- Não se preocupem, meninas. – Hermione murmurou, por um momento esquecendo da profecia. – Cuido dele muito bem.

Estava tão entretida na conversa que não percebeu que do outro lado, Harry conversava com o Sr. Granger.

- Feliz ano novo, Sr. Granger! – desejou, dando-lhe um aperto de mão.

- Para você também, meu rapaz. Juízo! – e piscou, mas Harry parecia relutante aos seus olhos. – Há algo que queira me dizer, Harry?

- Na verdade... sim. – Harry confirmou.

- Pois diga! Sem rodeios. Não precisa ficar acanhado, certo?

- Hum, tudo bem. Eu... – ele pausou, recomeçando em seguida: – Sr. Granger, eu sei que tivemos outras oportunidades para falar sobre isso, mas não vi momento mais adequado que este para... – ele parou subitamente. – Bom, eu gostaria de pedir permissão para namorar a sua filha.

Stan o encarou, as sobrancelhas erguidas.

- Toda a permissão que quiser. – assentiu, guardando seu discurso para depois, com a finalidade de não constranger o garoto. – Mas não precisava disso, meu caro. A Hermione já é grandinha o suficiente para escolher o que ela quer da vida e se ela o escolheu, devo dizer que acho que a escolha não poderia ser melhor. O conheço, sei que é um bom rapaz e que irá cuidar dela tão bem quanto eu.

- Obrigado, Sr. Granger.

- Não é nada, garoto, perto do que você estará fazendo por mim. Você estará fazendo a minha filha feliz e isso não há nada que pague.

- Com licença... – Hermione se aproximou. – Atrapalho?

- Não, é claro que não, querida! – o pai puxou-a para um abraço. – Estava apenas conversando com o meu genro sobre você.

- Como... genro... – ela balbuciou, sem dar sentido às palavras. – Harry, você...?

Harry apenas assentiu, sorrindo marotamente.

- E você o faz sem a minha presença?

- Eu também te amo, princesa! – ele riu, dando-lhe um selinho.

- É, acho que não poderia ter feito escolha melhor... – o Sr. Granger murmurou para si, se afastando. – Quem sabe ele consegue domar a fera? – e riu consigo mesmo.

---


Eles tinham acabado de chegar em Godric’s Hollow. Tiveram tempo apenas para se instalar nos quartos e separar as malas. A campainha soou e Hermione andou apressada pelo corredor até chegar à sala, atravessando-a e caminhando até a porta.

- Amy! – ela a abriu e abraçou a amiga. – Feliz ano novo!

- Obrigada, Herms. Para você também!

- Oh, venha! Entre. – convidou. – Mamãe e papai estão ocupados e o Harry está no quarto dele. Já eles virão falar com você. – explicou. – Mas me conte... como você está?

- Estou bem, querida. Apenas com saudades de um certo alguém... – ela brincou.

- Ah, mas logo você vai poder matar quem está te matando. – Hermione sorriu.

- Mione, eu não achei a... – Harry parou. – Eu não esperava que fosse chegar tão cedo.

- Eu acho que estou no horário. Muito provavelmente vocês se atrasaram e acabaram por chegar pouco antes da hora que eu tinha marcado com a Hermione. – Amy disse. – Ei, mas eu não esperava também que fosse ser recebida desta forma. Poxa, realmente... obrigada! – ela tinha um tom falsamente afetado.

- Maninha, você sabe que foi apenas força de expressão! – Harry aproximou-se. – Feliz ano novo, Amy Taylor Black. – ele brincou. – Satisfeita?

- Não.

- Tudo bem... – ele revirou os olhos e abraçou-a, fazendo-a sorrir.

- Agora, sim, uma recepção decente! – ela virou-se para Hermione. – Herms, haveria algo que impedisse de jantarmos na casa do Aaron esta noite? Sabe... ele convidou e eu queria que vocês fossem também.

- Claro! Nós iremos. – confirmaram Harry e Hermione.

O que eles não esperavam, Amy muito menos, era que Aaron tivesse programado uma surpresa e tanto para aquela noite.

Estavam jantando todos juntos, conversando como velhos amigos. Os pais dele chegaram no dia anterior dos Estados Unidos.

- E a sua irmã? Por que não veio? – perguntou Hermione.

- Ela está estudando. É o último ano dela e os exames são um tanto quanto puxados nessa época. – respondeu Aaron.

- E até quando ela fica lá? – Amy indagou.

- Nós ainda voltaremos quando o período letivo de Liah acabar. – respondeu a Sra. Mackenzie. – Passaremos mais oito meses com ela nos Estados Unidos e ela virá de vez.

- Ela também estuda no Instituto Nolux? – perguntou Harry, interessado.

- Sim. É uma das melhores escolas de toda a América. – dessa vez a pergunta fora respondida pelo Sr. Mackenzie.

- Bom, antes que acabemos nos empolgando e emendando assunto em assunto, vou dizer de uma vez o motivo desse jantar. – Aaron parecia decidido e fora bem direto ao mostrar isso. Pôs-se de pé e foi até a beirada da cadeira da namorada, ajoelhando-se, fazendo-a corar. – Amy, você aceita se casar comigo?

Ela o encarou com um sorriso estático no rosto. Fora pega de surpresa, mesmo após toda a encenação do namorado. Perguntava-se se ainda poderia corar mais.

- É claro... é claro que eu aceito! – ela disse, pulando no pescoço de Aaron e beijando-o repetidas vezes, distribuindo beijos por todo o seu rosto.

Quando a explosão de alegria que Amy exibia baixou, ela exibia um anel de ouro com esmeraldas e brilhantes incrustados. Era lindo. Hermione sentiu fraquejar por um momento. Mas antes que pudesse baixar a cabeça e entregar-se aos seus pensamentos, Harry levou sua mão de encontro à dela e apertou-a, dando-lhe um sorriso. Aquilo foi o suficiente para mantê-la erguida e forte, mesmo enquanto se perguntava repetidas vezes se teria a oportunidade de viver um momento como aquele e ter a certeza de que casaria com o homem da sua vida.

Ela não soube como, mas sentiu sua mão direita esquentar. Era um calor suportável, mas que chamou sua atenção. Ela tirou as mãos de debaixo da mesa e olhou a mão esquerda. No dedo do meio, estava o anel que Harry lhe dera em seu aniversário. Só então ela encarou a mão direita e percebeu que no dedo anelar se materializara um grosso anel de ouro branco. Harry apenas mostrou-lhe a mesma mão, onde havia um anel igual.

Ela permitiu-se derramar uma única lágrima de felicidade. Era um anel de compromisso, sem qualquer pedido formal. Podia não ser exatamente como ela sonhara, mas tinha certeza de que independente de qualquer coisa, os dois estariam ligados, para sempre.

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