-Erh... bem, ninguém pensaria em deixar seu filho com alguém que esta em Askaban não é?
Tiago nem ao menos olhou para a mulher que havia dito aquilo, o solavanco que seu estômago havia dado naquele momento o fez calar por uns instantes.
-Askaban? Quem está em Askaban? - Sua mente trabalhava febrilmente enquanto ninguém respondia. - Voldemort está em Askaban?
-Senhor Potter... eu pensei que o senhor já soubesse da traição assim que viu Voldemort invadir sua casa... - Richard começou cauteloso.
-Claro que eu soube da traição, mas...
-Então, assim que traiu vocês, Sirius Black matou Pedro Pettigrew e alguns trouxas e foi para Askaban. - O loiro completou.
Naquela simples frase continha informações demais, Tiago ficou tonto por alguns instantes fazendo os curandeiros se alvoroçarem ao seu redor, mas logo retomou a fala, sabendo perfeitamente o engano que havia acontecido. Ninguém mais sabia que o fiel do segredo não havia sido Sirius, apenas ele, Lilian e o próprio Sirius Black.
-Isso tudo é um engano, Sirius não nos traiu.
-Sei que isso é duro senhor Potter...
-NÃO! EU ESTOU FALANDO A VERDADE, ELE NÃO ERA O FIEL DO SEGREDO. - Assim que Tiago começou a gritar surgiram outras pessoas na sala que seguraram seus braços firmemente enquanto ele esperneava. - ME SOLTEM! EU PRECISO FAZER ALGUMA COISA.
Ninguém tentava argumentar com ele, apenas o seguravam encarando-o com expressões de piedade.
-É VERDADE!
Tiago ouviu a voz dela no ambiente e tudo pareceu se acalmar. Ele podia ver o desespero dos curandeiros, correndo de um lado para outro, atrás de poções ou algo do tipo.
-LILIAN! - Ele gritou tentando chegar até ela que tossiu fracamente.
Lilian estava consciente desde o momento em que Tiago havia gritado por seu nome, parecia ser o que ela precisava para voltar. Permaneceu calada e de olhos fechados simplesmente porque ainda não tinha forças para falar algo ou acordar, escutou toda a conversa e seu coração se aqueceu assim que falaram sobre Harry, ele estava vivo. Mas o desespero tomou conta assim que ela ouviu a história sobre Sirius.
-O Tiago está dizendo a verdade, não estamos delirando... - Ela recomeçou a falar, parou e tossiu mais um pouco e continuou com dificuldade. - O fiel do segredo não era o Sirius... Deve ter havido alguma confusão... ele não matou aquelas pessoas na rua... o fiel do segredo era... era o Pedro.
Lílian sabia que muitos ali poderiam achar que eles estavam definitivamente loucos, mas continuou.
-Temos que fazer alguma coisa...
Tiago tentou se levantar novamente.
-Vocês não podem sair daqui. - Richard afirmou.
-Onde está Dumbledore? Chame ele! - Tiago exigiu.
Richard pensou por alguns instantes antes de dar a ordem.
-Cornin use a lareira da minha sala e peça ao diretor de Hogwarts para vir aqui urgente.
-Sim senhor. - Um homem baixo e muito magro saiu da sala rapidamente.
Muitos curandeiros ainda permaneceram no local, eram tantas pessoas examinando o estado dos dois que Lílian e Tiago não falaram mais nada, apenas se olharam.
Dumbledore irrompeu pela sala minutos depois com o semblante preocupado.
-Dumbledore! - Tiago agitou-se assim que o viu. - Não foi o Sirius, não foi, isso é um engano, temos que fazer alguma coisa!
-Acalme-se Tiago, assim que os curandeiros acabarem nós poderemos conversar.
-Não, não podemos. Enquanto estamos aqui o Sirius está com aquelas criaturas horríveis em Askaban injustamente!
Dumbledore pareceu considerar a afirmação e pediu gentilmente.
-Vocês podem nos dar licença?
-Já estamos acabando. - Falou Richard recolhendo sua maleta cheia de poções.
Apenas um segundo depois da porta da sala ser fechada, Tiago relatou tudo o que havia acontecido de verdade, na noite em que realizaram o feitiço Fidelius. Desde o momento em que Sirius havia sugerido Pedro, até o momento em que o feitiço foi de fato realizado. Lílian completava a narrativa em alguns momentos. Depois Dumbledore pediu para que contassem sobre o ataque de Voldemort e a ruiva ficou quase todo o tempo calada.
-Eu somente não compreendo como ainda estamos vivos... como Harry está vivo? Dizem que ele tem uma cicatriz...
-Alguma observação Lílian? - Dumbledore perguntou concentrado.
-Erh...
-Tenho algumas suspeitas. - Dumbledore encarou com paciência o rosto pálido de Lílian.
-Eu... eu fiz o feitiço do sacrifício. - Ela confessou.
Tiago a olhou sem entender.
-Um feitiço bastante antigo, mas sábio. - Dumbledore demonstrou admiração. - Apenas pessoas com um amor incondicional podem realizá-lo...
-Eu sei. - Lílian cruzou as mãos.
-Como é isso? - Tiago quis saber.
-O feitiço consiste basicamente em se sacrificar por uma pessoa que amamos. O sentimento do amor é a base de tudo e foi isso que salvou vocês aquela noite. Voldemort não acredita nessas coisas e ignorou totalmente tudo isso, essa foi sua perdição.
-Mas como se faz isso? - O moreno fitou Lílian.
-Você tem que querer de todo o coração salvar a pessoa... O encanto todo é complicado, peguei um livro no ministério e existe uma espécie de poema que se deve memorizar antes, mas fora isso tem que se pensar na pessoa e estar determinado a dar sua vida para salvá-la... eu só não entendo... não entendo porque estou viva. - Lílian olhou confusa para Dumbledore.
-As interpretações de um feitiço são muitas Lílian, tenho certeza que no livro que você leu dizia que se deve querer com todas as forças se sacrificar pela pessoa amada. Apenas isso basta, basta o querer, querer verdadeiramente, e você quis.
-Sim. - Lílian confirmou.
-Isso basta para que o feitiço se realize, o amor basta para que o feitiço seja forte o suficiente. Você não precisava morrer para isso, bastava estar disposta. - Dumbledore mais uma vez fitou com admiração a mulher e depois olhou para Tiago. - O amor... uma arma poderosa que Voldemort esqueceu.
O bruxo levantou-se da cadeira com agilidade e Tiago e Lílian – que por alguns instantes haviam esquecido de Sirius – se desesperaram.
-E o Sirius?! - Falaram em uníssono.
-Preocupem-se em ficarem bem e pegarem Harry de volta. Eu vou cuidar do mal entendido.
Dizendo isso Dumbledore saiu da sala abrindo passagem para uma série de curandeiros ansiosos.
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Acordou assustado, pesadelos sempre o acompanhavam ultimamente. Na verdade era um pesadelo se estivesse dormindo ou se estivesse acordado. Os vultos encapuzados que passavam a todo instante em frente a sua cela o deixavam cada vez mais fraco. Ele não fazia muita noção de quanto tempo estava ali, dias, meses, talvez anos... só sabia que sua mente estava ficando vazia, seu corpo tremia de frio, suas roupas sujas que vestia da noite em que foi preso estavam ficando folgadas em seu corpo, e ele sentia-se deprimido, a ponto de nem mesmo pensar em se levantar.
No dia em que chegou ali estava enfurecido, andava e esmurrava a cela, mas pouco a pouco suas forças foram indo embora, juntamente com a pouca felicidade que sentia. Todos os seus sentimentos felizes estavam se esvaindo e havia o frio, muito frio...
Como estaria o tempo lá fora? Como estaria o mundo lá fora? Como estaria ela? Estava acreditando em tudo aquilo? Estaria ela acreditando que ele havia traído a todos? Ele com certeza enlouqueceria em pouco tempo, mas então a idéia de se transformar em cachorro lhe ocorreu e Sirius descobriu que fazendo isso seus pensamentos se tornavam mais coerentes e os dementadores não conseguiam sugar seus pensamentos felizes.
Virar cachorro ajudava, os dementadores pareciam não se dar conta disso e eles não podiam sugar os sentimentos menos humanos dele. Por outro lado, ele tinha uma obsessão. Pegar Pedro era um pensamento fixo e isso não poderia ser algo feliz. Mas ele sentia também saudade, muita saudade dos amigos, queria saber se eles estavam bem... e principalmente Deise... o que ela estaria fazendo esse tempo todo? Já teria voltado da Alemanha?
Passos no corredor alertaram seus sentidos, sempre que ouvia passos de alguém ele tentava falar, tentava dizer que não era culpado, mas ninguém lhe ouvia, pensavam que estava ficando louco. Correu para as grades da cela e avistou a figura magra, alta, de cabelos brancos e barba comprida.
-DUMBLEDORE! - Era sua chance, ele gritou alto fazendo dementadores avançarem para sua cela.
Sirius viu quando Dumbledore, com um aceno de varinha produziu um patrono que avançou contra os dementadores.
-Dementadores. - Dumbledore balançou a cabeça negativamente, nunca concordou com os guardas de Askaban.
Sirius viu que o diretor de Hogwarts vinha acompanhado de um dos funcionários do ministério e a julgar pelo brasão no peito dele não era um funcionário qualquer. Era um dos assessores sênior do ministro. O funcionário abriu a porta da cela e Sirius desandou a falar.
-Não fui eu, tudo isso é um engano...
-Sirius.
-Eu nunca trairia Lílian e Tiago...
-Sirius.
-Eu fui atrás do Pedro porque era ele...
-Lílian e Tiago contaram-me tudo.
Sirius parou abruptamente de falar. Aquela simples frase significava muito mais, lhe revelava que os amigos estavam bem, e finalmente havia alguém que sabia a verdade além dele.
-Eu falei com o Ministro e ele aguarda para saber mais informações, ele inclusive falou com os Potter que afirmaram que você era fiel a eles, e não a Voldemort. E como a sociedade bruxa considera que deve muito ao casal, o Ministro não quer se indispor, então aceitou que você possa ir para casa Sirius...
Por alguns instantes Sirius Black não ouviu o que Dumbledore falava apenas as palavras “você poderá ir para casa Sirius” ecoavam em sua mente.
-...mas ainda passará por acareações no ministério sobre o ataque aos trouxas, teremos um julgamento pelo menos, isso é bom. Eu mesmo não entendo algumas coisas dessa história, mas teremos tempo para tratar disso.
Sirius sentiu algo abrasador em seu peito, ele iria embora dali, teria chance de provar sua inocência e com sorte Pedro ia ser preso, mas o que ele mais precisava naquele momento era estar com ela, era sentir um pouco de felicidade para saber que ainda era verdade os momentos agora tão longínquos que eles já passaram juntos. Precisava ter aquela sensação novamente para se sentir mais humano, sentir que era alguém novamente.
Foi sem perceber exatamente o que fazia que Sirius Black atravessou os portões de pedra ladeados por dementadores, acompanhado de Alvo Dumbledore. O simples ato de cruzar aquele portão e respirar o ar do lado de fora, pareceu trazer mais vida aos seus pulmões e encheu-o de esperança.
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Assim que colocou os pés no corredor do prédio ele avistou uma figura visivelmente cansada postada na porta do apartamento. Um sorriso desenhou-se em seu rosto, o terror do tempo que passara naquela horrível prisão parecia estar se diluindo aos poucos.
Remo ouviu passos no final do corredor e encarou Sirius que acabara de chegar. Ele havia conseguido visitar Lílian e Tiago e já sabia de toda a verdade. Dumbledore havia lhe avisado que tinha conseguido a liberação do Ministro para que Sirius respondesse suas acusações em liberdade, e desde então Remo aguardava a chegada do amigo. Remo não pôde negar que se assustou com o estado em que ele se encontrava: muito magro, rosto encovado e pálido.
Assim que Sirius chegou perto de Remo o abraço foi inevitável. Dois amigos que ansiavam por se verem novamente, um precisando de um abraço amigo para se fortalecer e outro exultante por saber que a amizade ainda existia, e ambos felizes por saberem que ninguém conseguiria atrapalhar uma verdadeira amizade.
-Vim tomar um banho... depois quero ver Lílian e Tiago. - Os olhos de Sirius não possuíam mais o brilho de sempre.
-Claro, podemos ir juntos, mas você tem que ver a fila de gente que quer te ver. Esperavam que você fosse direto para o hospital, então... várias pessoas foram para lá. Funcionários do Profeta Diário, todos querendo saber de algo. - Remo explicou.
Sirius sorriu fracamente.
-Eu bem que tentei ir até lá, mas Dumbledore disse que seria melhor eu vir em casa primeiro, ele falou da confusão que estava no hospital. - Sirius tirou a varinha que haviam lhe devolvido e desfez os feitiços de proteção do apartamento.
Sirius entrou no apartamento sendo seguido por Remo.
-Eu nunca pensei que vocês usariam Pedro para o fiel... e ainda por cima... não me contaram. - Era perceptível a mágoa na voz de Remo.
-Hum... - Sirius que até então olhava para o apartamento vazio, voltou-se para o amigo. - Eu... nós...
-Vocês pensaram que eu era o traidor.
Sirius não falou nada apenas abaixou a cabeça e encarou os próprios pés.
-Me desculpe Aluado.
Remo não respondeu, apenas continuou a ver o amigo erguer a cabeça e analisar o apartamento vazio.
-O que aconteceu? - Sirius quis saber. - Onde está a Deise?
Remo não pode manter por muito tempo o olhar magoado, pois se lembrou de Deise, ele nem sequer havia falado com ela.
-Ela... ela foi embora...
-Embora? Embora pra onde? - Sirius exaltou-se.
-Para a Alemanha e...
-Foi visitar os pais você quis dizer?
-Não, ela foi morar lá. - Remo sentia que não devia dar a notícia, isso era algo entre eles.
-Mas por quê? - Sirius correu para o quarto a procura de algum vestígio de que ela ainda estivesse ali.
-Porque... ah, porque estavam tratando ela mal no curso para auror, todos a olhavam de forma diferente e...
-Deise não ia fugir apenas por causa disso. - Sirius afirmou voltando esbaforido do quarto. - Tem outra coisa.
-Tem, tem outra coisa Almofadinhas, mas eu não posso falar. - Remo se deu por vencido.
-Como assim não pode falar?
-Eu não posso... eu prometi que não contaria.
-Isso não é hora Aluado. - O olhar enfurecido de Sirius reluzia.
-Não adianta Sirius eu não vou contar. Vamos para a casa dos pais dela, ai vocês podem conversar.
Sirius ainda fitou Remo com raiva e medo, saiu do apartamento e aparatou sem dizer mais nada.
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-Onde ela está? - Entrou sem nem mesmo cumprimentar a senhora que abriu a porta.
-Você! - A senhora soltou uma exclamação de surpresa.
Logo um homem de aspecto rústico e olhar astuto surgiu pelo corredor.
-O que está acontecendo?
-Onde está a Deise? - Sirius perguntou olhando pela casa atordoado.
-Você ficou maluco? Fugiu de onde estava? - O homem voou para cima de Sirius com ódio.
-Eu não fugi, me libertaram porque eu era inocente. Agora, onde ela está? - Sirius implorou.
O pai de Deise analisou durante algum tempo as feições do rapaz a sua frente e pareceu considerar as palavras dele. Ou era muito mais a vontade de que ele houvesse dito a verdade, afinal, o estado de Deise era lastimável, ela já não era a mesma pessoa. Não tinha aquela sede de viver e ele sabia que a causa de tudo era a falta daquele rapaz a sua frente. Ele sempre fora um pai presente, sempre conversou muito com ela e ele podia sentir toda a tristeza da filha nos últimos meses. Então ele pediu internamente que aquilo fosse verdade, para ver sua filha voltar a sorrir.
-Sente-se rapaz.
Sirius olhou pela sala e procurou se acalmar.
-Onde ela está? - Sua voz saiu trêmula.
-Não se preocupe, ela voltará, foi apenas dar uma volta com...
-Foi apenas dar uma volta. - A mãe de Deise interrompeu.
-Certo. - Sirius fitou os dois, havia algo de estranho ali, parecia que estavam lhe escondendo alguma coisa.
A mãe de Deise foi até a cozinha com o pretexto de pegar chá e Sirius juntamente com o pai da morena ficaram na sala sentados sem se encarar.
-Ela não está bem.
Sirius fitou o pai de Deise com interesse.
-Ela não diz nada sabe? Fica calada a maior parte do tempo e é exatamente isso que me preocupa. Fica pelos cantos, lê alguns livros, mas fica o dia inteiro olhando para a...
Sirius não soube para o que Deise passava o dia olhando, porque a mãe dela chegou à sala com o chá e serviu a cada um dos dois.
-Nós não sabemos por que você estava preso. - A mãe de Deise falou.
-Foi um engano... - As palavras morreram de sua boca ao ouvir o barulho da porta da casa se abrindo.
Passou pela porta uma mulher de cabelo negro e curto, Sirius logo constatou que Deise havia cortado as madeixas longas, os fios curtos caiam em desalinho até a altura do ombro em um ondulado leve e insinuante. A morena passou pela porta de costas tentando colocar algo para dentro, ela parecia estar encontrando problemas para passar pela porta.
Sirius não percebeu sequer que havia levantado, ele estava de pé encarando estático a morena que tentava passar pela porta, puxando algo com força para que passasse, mas parecia engatado.
-Droga, eu desisto! Nunca consigo passar com esse carrinho mesmo. - Deise resmungou.
Sem olhar para dentro da casa ela sacou a varinha e com um feitiço conseguiu fazer o carrinho passar facilmente.
Nada no mundo poderia ter preparado Sirius para aquela visão. Deise agora fazia a volta no carrinho de bebê e adentrava a sala da casa fitando intensamente o pequeno ser que resmungava algo dentro do carrinho. Sirius olhou do pequenino embrulho dentro do carrinho para os olhos negros dela, tudo parecia haver parado naquele exato momento.
Assim que levantou os olhos do carrinho Deise encontrou as íris azuis que por meses pensou que nunca mais teria a oportunidade de contemplar. Aquilo deveria ser alguma brincadeira... Tantos meses pensando nele, vivendo praticamente sozinha e pensando nele. O que ela havia vivido naqueles últimos meses pareceu voltar a sua mente como que sugados com força. Todo aquele tempo ela vivia por viver, sentia o olhar piedoso de seu pai e procurava evitar preocupá-lo, mas não havia como fingir uma felicidade que não existia.
Os meses em que estava na Alemanha foram de sossego e calmaria, sua vida se resumia a ler livros do curso de auror para passar o tempo e não ficar para trás, e olhar para a barriga que crescia gradativamente. O seu estado de espírito não ajudou muito em sua gestação, por mais que tentasse comer, ela não tinha muito sucesso. Não havia um único dia dos cinco meses de gestação que ainda restavam, que ela não havia pensado nele, que ela não havia imaginado como seria se ele estivesse lá.
Quando soube que seu bebê era uma menina lembrou do dia do jantar de comemoração da gravidez de Lílian. Tiago havia dito que eles teriam uma menina para namorar com Harry, mas aquilo parecia algo tão infinitamente distante que ela se perguntava se não fazia parte de uma outra vida.
Olhando nas íris azuis ela imaginava como teria sido tudo com ele ali, se ele tivesse visto a barriga dela crescer, fazendo piadinhas animadas e ambos rindo de tudo. Se ele tivesse descoberto juntamente com ela que o bebê deles era uma menina. Se ele tivesse visto a hora em que ela sentiu as dores do parto. Se ele tivesse estado lá segurando a mão dela no hospital. Se ele tivesse ouvido assim como ela o grande e sonoro berro que a menina deles havia dado ao nascer. Se ele tivesse visto assim como ela os encantadores olhos azuis da menina deles. Se ele tivesse trazido ela para casa e ajudado, com o bom-humor que apenas ele tinha, a trocar as fraldas. Se ele tivesse... haviam tantas coisas que seriam diferentes pelo simples fato da presença dele...
Ambos estavam estáticos fitando um ao outro, totalmente compenetrados no olhar. Apenas com aquele olhar Deise sentia que ele a entendia e por outro lado, ela sentia o sofrimento que havia dentro dele e de alguma forma compreendia.
Sirius sentiu algo quente correr por seu rosto, passos vacilantes deram início a uma caminhada em direção a ela. De repente o tempo que havia estado em Askaban havia sumido, ele via apenas ela e um pequeno pezinho que se fazia ver sorrateiro por uma brecha do carrinho.
Ela não soube como chegou até ele, não sabia até mesmo que suas pernas a estavam guiando para lá até sentir seu corpo se chocar contra o dele. Se a ocasião fosse outra ela poderia sentir a dor do choque bruto do abraço desesperado, mas ao invés disso ela sentiu um alívio, um preenchimento... era como se alguém tivesse encontrado o remédio para uma ferida que estava aberta e exposta há muito tempo. Então, apenas quando sentiu os braços dele apertarem forte seu corpo e um choro compulsivo banhou seu rosto, que ela acreditou que era realmente ele que estava ali, que não era tudo um sonho e que alguém realmente estava olhando por eles de algum lugar. E ela agradeceu a quem quer que houvesse trazido ele de volta, a quem quer que houvesse feito alguma coisa ou contribuído de alguma forma para que aquele momento acontecesse.
Poderiam ter se passado apenas alguns segundos, minutos ou talvez horas. Sirius sentiu quando Deise ergueu a cabeça e segurou com as duas mãos o seu rosto maltratado. Uniu os lábios devagar, um beijo carinhoso. Ele podia sentir a barba dele arranhar o rosto delicado dela e recuou, apesar de pedir por aquilo durante muito tempo.
Deise ainda segurava com as duas mãos no rosto dele e os olhos se encontraram novamente.
-Como... como?
Somente agora ela o olhava com mais cuidado, estava magro, muito magro, o rosto encovado, a barba por fazer, pálido...
Sirius não respondeu, seus olhos agora recaíam para o carrinho próximo a porta e ele caminhou para lá. Ajoelhou-se na frente e tirou um pouco o pano que cobria o bebê. Pequeno e delicado, vestindo uma batinha rosa florida, as mãozinhas miúdas balançando euforicamente, a boca se abrindo em um bocejo e os olhos que estavam se abrindo devagar era de um lindo tom de azul. O mesmo tom que ele podia ver se olhasse no espelho. Fazia meses que isso não acontecia, mas ele sorriu, um sorriso meio torto como de alguém que havia perdido o hábito, mas ele sorriu. Sirius se levantou, colocou as mãos dentro do carrinho e pegou com cuidado o bebê envolvido em uma manta. Sentiu uma mão em seu ombro, ele sabia que era ela, a olhou nos olhos novamente, ele não precisaria perguntar.
Deise viu os olhos dele novamente agora que estava segurando sua menina... a menina deles.
-Serena... ela se chama Serena... - Foi tudo o que a morena disse.
Sirius sorriu emocionado e abraçou Deise com o braço que estava livre.
E foi assim, eles não precisavam de palavras, não precisavam de explicações, não naquele momento, eles precisavam apenas um do outro, da presença, do amor, do sabor de enfim ter a família reunida.
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-Coma meu amor.
Lílian ouviu a voz de Tiago e sorriu fraco. Ela estava tentando, mas não conseguia comer muita coisa, não que a comida fosse ruim, de maneira nenhuma, ela tinha sérias desconfianças que eles eram os únicos pacientes do Saint Mungus a receberem comida preparada pelo restaurante mais caro do mundo mágico. O que ela sentia nada tinha haver com a comida, ela sentia que tinha que sair daquele lugar urgentemente, ela precisava pegar Harry de volta.
-Vamos sair logo, não se preocupe.
Novamente um sorriso fraco. Lílian sabia que Tiago entendia perfeitamente o que ela sentia. Ignorando as recomendações médicas o moreno se levantou e sentou-se na beira da cama da mulher.
-Eu nem mesmo te agradeci. - Tiago falou alisando a mão dela.
Ela fitou o lençol que cobria seu corpo, ele não precisava fazer aquilo.
-Obrigada, você salvou a nossa família.
Lílian fechou os olhos ao sentir as mãos de Tiago passearem carinhosas por seu rosto ainda sem cor. Ela tremeu ao sentir os lábios dele próximos aos seus e ouviu-o sussurrar.
-Eu te amo.
Ela sorriu, dessa vez verdadeiramente e retribuiu o carinho. O casal passou um longo tempo se olhando, mas um barulho vindo da porta lhes chamou a atenção.
Deise surgiu com um sorriso radiante e correu pelo quarto abraçando forte os dois amigos.
-Desse jeito você nos mata. - Tiago reclamou rindo.
-Onde você estava? Demorou para nos visitar. - Lílian questionou depois do abraço.
-Que bom que vocês estão bem! - Falou ela exultante. - Bem... eu não vim antes porque eu estava morando na Alemanha com meus pais.
Lílian lançou um olhar de interrogação para a amiga, mas a ruiva olhou intrigada para Tiago que não parava de olhar para a porta.
-Onde está o Almofadinhas? - Questionou o moreno, ele queria ver como o amigo estava depois de tudo aquilo.
-Ah... - Deise sorriu. - Temos uma surpresa para vocês.
Assim que ela terminou de falar Sirius surgiu na porta com o que Tiago julgou ser apenas pano em seus braços, mas Lílian compreendeu do que se tratava no mesmo instante e encarou a amiga totalmente perdida.
-Mas... mas... quanto tempo se passou afinal? - A ruiva ainda estava confusa em relação ao tempo que haviam ficado em coma.
-O suficiente Lílian, nós já estamos no mês de maio. - Deise respondeu enquanto Sirius chegava com o bebê nos braços.
-Nossa, eu durmo um pouco e vocês aparecem com um filho pronto. - Tiago fez os outros rirem.
Os dois amigos encararam-se, mas logo se abraçaram, no meio deles a pequena Serena resmungou e Tiago afastou a manta para ver o bebê.
-AH, EU FALEI!
-Tiago você está em um hospital. - Lílian advertiu.
-O que você falou? - Deise quis saber.
-Vocês iam ter uma menina! - O moreno falou.
-Não vá comemorando antes do tempo viu? Ela vai ser como uma irmã pro Harry. - Sirius retrucou.
-Sei, irmã. - Tiago falou irônico.
Deise viu que a menção do nome de Harry, Lílian pareceu ficar triste.
-Nós fomos a casa da sua irmã Lily, tentamos pegar o Harry, mas não podemos, parece que a única pessoa que pode tirar ele de lá é você. - Deise informou.
-Sei... eu estou tentando sair logo daqui para fazer isso. - A ruiva falou.
O momento de tristeza passou assim que Remo entrou na sala e também abraçou os amigos. Era visível que todos estavam felizes, mas também era visível que Remo parecia ainda mais envelhecido e que de todos ali ele ainda tinha um problema, além disso, Lílian sentia que todos eles deviam desculpas ao amigo.
-Erh... Remo... - A ruiva começou.
Um silêncio incômodo tomou conta do ambiente e não se precisou dizer mais nada para que todos soubessem que o assunto delicado iria ser tocado naquele momento.
-Deixa Lílian, eu falo. - Tiago interrompeu a ruiva. - Aluado... nós queríamos te pedir desculpas, desculpas por termos te julgado errado e...
-É, nós devíamos ter visto as coisas de outro ângulo... - Sirius tentou.
-Isso sempre acontece. - Remo respondeu sinceramente.
-Não, nós nunca te julgamos por você... por... pelo seu problema. - Deise interveio.
Remo não olhou para os amigos.
-Nós não tínhamos nada para desconfiar do Pedro, não tínhamos nada para desconfiar de ninguém, então nos apegamos à coisas bestas... - Tiago havia recomeçado.
-Você nunca nos disse que foi até a travessa do tranco. - Sirius falou.
Remo pareceu surpreso, mas com um sorriso derrotado continuou.
-Então foi por isso que vocês desconfiaram de mim? Me viram lá? - Ele balançou a cabeça negativamente. - Eu fui pegar algumas ervas para o curandeiro do Saint Mungus, ele falou que ajudariam para a recuperação completa da Emmy e disse que poderiam ajudar no combate a maldição, caso ela tivesse alguma coisa.
O silêncio voltou no ambiente e apenas depois de um tempo considerável, Lílian falou.
-Nos desculpe... fomos realmente injustos.
-É, desculpe Aluado. - Tiago completou sendo seguido por Sirius e Deise.
-Em tempos de guerra ficamos com medo de muitas coisas... eu mesmo acreditei que Sirius havia nos traído, então nada mais justo do que desculpar vocês, se o Sirius me desculpar é claro. - Remo falou fitando os amigos.
Ninguém disse mais nada, não precisavam de palavras. Os amigos se abraçaram em perfeita harmonia.
Depois do abraço Lílian ainda fitou Remo, ele parecia triste demais, mesmo sorrindo, era um sorriso sem vida. A ruiva focou suas atenções nele e decidiu que precisava fazer alguma coisa, ela sabia exatamente qual era o problema.
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-“Novos avanços de Poções” - Deise leu o título e entregou a Lílian. - Tem certeza que era esse livro?
-Claro que sim.
A ruiva pegou o livro das mãos da amiga e folheou avidamente. Lílian e Tiago ainda estavam no hospital e fazia alguns dias que ela havia pedido à Deise que lhe comprasse aquele livro. Agora ela ia se dedicar aquilo, ela ia conseguir, devia servir para alguma coisa ser a primeira aluna em poções.
-Posso perguntar pra que você quer isso? - Foi Tiago que perguntou.
-Para tentar resolver um problema. - Foi tudo o que Lílian respondeu antes de devorar o livro.
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As flores floresciam maravilhosamente belas e transpareciam a mais perfeita harmonia com o dia fresco de primavera. A estação do ano mais aguardada por ela estava quase no fim e foi por sorte, para não dizer por força, que ela havia saído do hospital antes da primavera acabar.
Lílian andava rapidamente pela rua, casas cuidadosamente trabalhadas, os jardins impecáveis e o silêncio se faziam presente. Aquele bairro era tipicamente um lugar onde Lílian poderia imaginar que Petúnia moraria. A ruiva olhou o poste na esquina e leu: “Rua dos Alfeneiros”.
-Lílian você ainda não está bem. - Deise encarou Sirius que estava ao seu lado temendo mais uma explosão da amiga.
A ruiva nem mesmo dignou-se a olhar para Deise que estava ao seu lado, havia sido uma grande discussão para que conseguisse sair do hospital e a primeira coisa que ela faria era pegar o filho de volta, ninguém poderia impedi-la. Ela sentiu a mão de Tiago se fechar na dela em sinal de companheirismo e força.
Então Lílian estacou em frente ao número 4, era ali. Respirando fundo ela caminhou até a porta e tocou a campainha, ninguém atendeu. Insistiu algumas vezes, mas nada. A ruiva caminhou pelos fundos e foi da janela da cozinha que ela sentiu a fera dentro dela rugir ameaçadoramente.
Uma fera enjaulada havia sido solta e estava enfurecida, pronta para atacar. Lílian tinha um grande receio que Harry não estivesse sendo tratado bem e a visão da cozinha da casa dos Dursley apenas comprovou o que ela pensava.
Harry estava sentado no chão usando apenas uma fralda qualquer, o pequeno garoto tentava, sem muito sucesso, colocar na boca alguma coisa que tinha dentro de um prato velho que estava a sua frente. Enquanto Petúnia dava grandes poções de comida para um garoto gorducho, que estava sentado em uma cadeira alta e ainda jogava alguns pedaços de comida no pequeno e magricelo garotinho de cabelos espetados que estava no chão.
Tudo havia sumido da frente de Lílian, ela não tinha mais consciência de ninguém ao seu lado, soube apenas que sacou a varinha e irrompeu pela cozinha como uma grande e perigosa fera.
Petúnia pulou de susto e Duda jogou algumas flores do vaso de centro da mesa na cabeça da mãe, provavelmente revoltado por ela não estar lhe dando mais comida.
-O que... que...
-Como você pode fazer isso com o MEU FILHO! - Lílian pegou rapidamente Harry nos braços.
-Você... - Petúnia parecia estar tentando recuperar a voz, ela devia estar vendo um fantasma ou coisa assim. - VOCÊ SE EXPLODE, DEIXA O FILHO AQUI E AINDA QUER EXIGIR ALGO?
Lílian não falou até estar a poucos centímetros da irmã.
-VOCÊ ME DÁ NOJO! É REPULSIVA E INVEJOSA, COMO PODE DESCONTAR AS SUAS FRUSTRAÇÕES EM UMA CRIANÇA?
Duda e Harry ficaram estranhamente calados, provavelmente sentiram a grande tensão do ambiente, as duas irmãs se enfrentavam furiosamente.
-Petúnia o que está... - Valter estacou na porta da cozinha ao ver a cena.
Três pessoas vestidas de forma extravagante estavam na porta da cozinha de sua casa, uma outra apontava um pedaço de madeira para a sua mulher enquanto Duda estava olhando a cena da cadeira.
-COMO VOCÊS SE ATREVEM A ENTRAR NA MINHA CASA? ABERRAÇÕES!- Valter sentia seu rosto esquentar.
-CALE A BOCA AGORA, OU TRANSFORMO VOCÊ NO QUE REALMENTE VOCÊ DEVERIA SER! - Tiago havia avançado para o homem gordo e praticamente sem pescoço.
-VÃO EMBORA! VÃO EMBORA! JÁ PEGARAM ESSA PESTE, AGORA SUMAM! - Petúnia gritou a plenos pulmões, mas depois olhou preocupada para a janela, não queria nem pensar na possibilidade de algum vizinho ver aquilo.
Lílian controlou a respiração e quando falou não foi mais que um sibilar baixo e venenoso, que fez Petúnia se arrepiar por inteiro.
-Você sempre teve inveja de mim Petúnia, sempre quis ser bruxa, não deve ter contado isso ao seu marido não é? - A ruiva fitou Valter por um instante e voltou para a irmã que parecia alarmada. - Pois saiba que para se tornar bruxo precisa-se acima de tudo ter respeito pelos outros e humanidade, e você não tem nenhuma das duas coisas. Eu tenho vergonha de ter uma irmã aberração como você!
Lílian deu as costas e saiu, talvez os outros a tenham seguido para fora daquele lugar maldito, mas isso ela não soube, pois sua cabeça fervia. Soube apenas quando Tiago a alcançou.
-Ei!
A ruiva parou tentando respirar melhor e Harry se debateu em seus braços.
-Estamos juntos novamente. - Tiago falou sorrindo e a abraçou em seguida.
Sim, eles estavam juntos novamente e ela não deixaria que ninguém mais estragasse aquilo tudo.
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Correr. Essa era a palavra, ela tinha que correr. Com o frasco de poção nas mãos, fumegando e soltando diversas faíscas Lílian disparou para o hospital Saint Mungus.
-Aonde você vai? - Tiago questionou.
Durante algumas semanas os Potter haviam morado no apartamento vazio de Sirius, mas foi apenas o tempo de conseguirem restaurar a casa. Desde que haviam voltado para lá, Lílian se enfurnou em uma espécie de laboratório improvisado e tentava a todo custo fazer algo que ela não contava a ninguém.
-Venha comigo! Saint Mungus. - Foi tudo o que ela disse antes de sair.
-Cuide do Harry! - Tiago gritou para o elfo-doméstico e saiu aos tropeços atrás de Lílian.
Lílian ainda ouviu Tiago dizer alguma coisa, mas assim que saiu da casa aparatou. Abriu os olhos novamente apenas quando estava em uma rua movimentada do centro de Londres. Andou até uma loja de departamentos de tijolos vermelhos chamada Purga & Sonda Ltda. A aparência da loja era miserável, mas ela já estava acostumada, fitou a vitrine com os manequins de perucas tortas e depois a placa de reforma. Teve que esperar que alguns trouxas passassem para poder informar o motivo de sua visita e conseguir entrar.
Assim que entrou no Hospital Saint Mungus ela olhou para a sala de espera e lá estava ele, como sempre.
-Remo!
Lupin se assustou por um instante, antes de fitar Lílian.
-Ah, oi Lily.
-Hum... como ela está? - A coragem dela parecia ter diminuído, e se não desse certo?
Tiago chegou ao lado dos dois, esbaforido.
-Tá na mesma. - Remo respondeu fitando os dois com desconfiança. - Algum problema?
-Não... erh... não é nada. - Lílian decidiu testar mais algumas poções, talvez não fosse o momento.
-Nada? - Tiago a fitou incrédulo. - Eu sei o que você estava tentando fazer nessas últimas semanas Lílian.
-Ah... não é nada. - A ruiva sentiu o rosto queimar.
Tiago sabia que Lílian tinha medo que algo desse errado, mas a situação já era de todo ruim e pior do que estava não dava para ficar, foi então que ele tomou o frasco de poção da mão dela.
-Dê isso a ela! - Disse ele entregando a Remo.
Remo lhe olhou sem compreender.
-Dê isso a Laís, ela vai acordar. - Tiago afirmou.
-Mas...
-Tiago! - Lílian protestou.
-Dê a ela Remo, a Lílian vem estudando isso desde quando ainda estávamos no hospital.
Lílian permaneceu calada.
Remo pensou por alguns instantes, a amiga sempre fora a melhor aluna de poções e nunca havia feito uma poção errada. O tempo que ele passou olhando para o frasco fez a ruiva temer.
-Remo... eu sei que pode não dar certo e... eu entendo se você não quiser dar... mas se for fazer tem que ser logo, porque a poção só funciona durante os 15 minutos depois de ser preparada.
Ele ainda olhou para ela mais uma vez antes de se levantar, sabia que não podia simplesmente dar uma poção a Laís sem autorização, então precisava de ajuda.
-Distraiam os curandeiros da sala. - Remo disse enquanto já caminhava pelo corredor.
Ele podia ouvir os passos de Lílian e Tiago atrás de si e escondeu a poção nas vestes assim que chegou à enfermaria em que Laís estava. Para a sua sorte havia um paciente causando uma certa confusão, por não querer tomar a poção que os curandeiros queriam lhe dar. Remo fitou o rosto belo da mulher adormecida tranqüilamente na cama e ergueu-lhe a cabeça. Abrindo um pouco os lábios dela ele começou a lhe dar a poção.
Era de uma cor verde clara, um cheiro de mato molhado e muito fumacenta.
Somente Merlim sabia o quanto ele queria que aquilo funcionasse, enquanto a poção era derramada na boca dela Remo pensava em como eles haviam sido felizes juntos. Pensava em Hogwarts, das várias vezes que Laís o fez ver como era bom ser feliz. Pensou no dia do casamento dos dois. Pensou nas noites juntos, abraçados e alegres. Pensou em Emmy, em como o fruto do amor dos dois estaria agora com a avó. Pensou na casa dos dois completamente abandonada, ele nem mesmo ia para lá, o hospital era a sua casa há muito tempo. Pensou em como ela fazia falta, em como sua vida se tornara novamente sem sentido e sem rumo sem ela.
Ela estava vendo alguma coisa, eram sentimentos, pensamentos... sua cabeça que a tanto tempo estava vazia, agora estava povoada de lembranças, era como se alguém tivesse ejetando em seu cérebro tudo aquilo. Ela estava em Hogwarts com ele, estava com um bebê e com ele, estava em sua casa com ele... alguém sentia a sua falta, alguém sofria por ela não acordar. Seu cérebro antes vazio voltou a funcionar febrilmente.
Então aconteceu. Os olhos dela tremeram levemente, quase que imperceptível, mas ele viu. O frasco da poção havia simplesmente sumido de suas mãos e ele continuou a observá-la compenetrado, em uma expectativa muda.
-Remo... - Laís balbuciou com a voz entrecortada.
Ele nem sequer olhou para os lados, ele nem sequer sabia que Lílian, Tiago e alguns curandeiros que haviam ido tentar impedir que ele desse a poção para ela, estavam ali olhando a cena.
-Meu amor.
Remo a abraçou assim que viu os olhos dela se abrirem totalmente desfocados. Ficou um longo tempo abraçado a ela, sentindo seu perfume, o aroma de seus cabelos, sentindo o seu corpo vivo, sentindo ela.
-Temos que examiná-la.
Depois de muita insistência Remo se afastou permitindo que os curandeiros examinassem Laís. Ela estava meio atordoada, olhava confusa para toda a movimentação na enfermaria, mas isso não era nada, logo ele a colocaria a par de tudo, logo tudo voltaria ao normal, logo eles pegariam Emmy, logo voltariam a ser uma família.
-O que você colocou naquela poção? - Remo ouviu Tiago perguntar à Lílian.
-Ah... era mais como um feitiço, quer dizer, uma poção misturada com um feitiço. Eu tinha perguntado a alguns curandeiros o que eles estavam dando para a Laís, seguindo esse mesmo princípio eu acrescentei algumas coisas nas poções que eles já ministravam e lancei um feitiço. - Lílian tentava explicar.
-Ainda está lendo aquele livro de magia antiga, não? - A voz de Remo se fez presente.
-Erh... era baseado em um feitiço do livro de magia antiga sim. Existem feitiços realmente maravilhosos naquele livro e... muitos baseados no amor, o feitiço que eu lancei somente funcionaria se fosse dado a Laís por uma pessoa que realmente sofresse com a falta dela, seria como mostrar para ela todos os seus sentimentos... ela deve ter visto tudo o que você estava pensando...
-Quer dizer que, o meu desejo de vê-la acordar foi o que fez com que ela acordasse? - Remo questionava sem nem mesmo tirar os olhos de Laís.
-Basicamente sim, você encheu a mente dela com seus pensamentos... e junto com a poção fez com que ela acordasse. - Lílian completou.
Finalmente Remo desviou os olhos de Laís, mas foi apenas o tempo de dar um forte abraço na ruiva. Ele estava muito feliz que os amigos estivessem vivos, que estivessem ali dando o seu apoio, e com certeza sem a presença e ajuda deles nada daquilo estaria acontecendo, ele poderia até mesmo passar o resto de sua vida sozinho. Mas felizmente Lílian e Tiago Potter estavam vivos e assim permaneceriam ainda por muito tempo.
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Uma verdadeira comitiva havia aparatado nos arredores da Vila de Holaroma, uma Vila sossegada do norte de Londres. Todos ali pareciam ter pressa, muita pressa para fazer algo que não podia mais esperar.
-Como ela pôde? - Laís ainda reclamava, espirrou com força na boca uma grande quantidade do líquido da bombinha que carregava consigo.
-Os curandeiros disseram para que você ficasse calma, lembra? - Lílian informou, mas ela mais do que ninguém sabia o que a amiga estava sentindo.
A cena se repetia, algum tempo antes era Lílian, agora Laís estava ali. A ruiva estava vivendo aquilo novamente, mas tanto ela quanto os outros amigos fizeram questão de acompanhar Remo e Laís até ali, para resgatarem a pobre Emmy das garras da avó.
-Ela queria a menina desde o início... e aproveitou a primeira oportunidade. - A loira voltou a falar.
Remo olhou preocupado, mas não teve coragem de dizer para que ela se acalmasse, afinal, ele próprio não estava calmo.
Depois que acordou e foi examinada pelos médicos a loira ainda passou um mês no hospital. Um longo e demorado mês. No decorrer desse mês ela havia falado com o seu chefe, que fazia parte de uma firma jurídica e estava tomando as medidas para que ela tirasse Emmy da avó. Com ela acordada e consciente as coisas ficavam mais fáceis, com certeza devolveriam sua filha, poderiam dizer que Remo não era capaz de cuidar da menina – coisa que havia deixado-a revoltada - mas inventarem algo a seu respeito era mais difícil. E foi exatamente isso que aconteceu, com uma carta do ministério da magia nas mãos Laís caminhava de encontro a casa da mãe. Juntamente com ela estavam Sirius, Deise, Lílian, Tiago, Remo e seu chefe Rodolfo Tribety.
Laís praticamente socou a porta a sua frente, mas logo parou. Rodolfo havia se colocado na sua frente e ele próprio batia na porta agora.
-É melhor fazermos isso de acordo com a Lei. - Ele informou, vendo o estado do casal, afinal, uma discussão apenas cansaria a todos.
Os amigos aguardaram até que ouviram um barulho do lado de dentro e um homem alto, branco, cabelos castanhos e olhos de um azul vivo, abriu a porta. Por um instante George Cramol olhou surpreso, mas logo seu rosto transpareceu felicidade e alívio.
-Minha filha! - Ele tentou abraçar Laís que recuou.
-Não toque em mim. - Ela realmente estava enfurecida.
-Mas... mas eu não fiz nada! - George parecia transtornado.
-É exatamente esse o problema, o senhor não fez nada, nunca faz! - Laís não esperou mais, passou rapidamente pela porta que o pai havia aberto.
Olhou pela casa e não havia sinal de mais ninguém, não havia sequer nenhum brinquedo espalhado pelo lugar, não havia sinal de criança alguma.
-Onde ela está?! - O desespero era presente em cada sílaba de suas palavras.
Um último olhar para o pai foi o suficiente, Laís subiu as escadas da casa aos tropeços, suas pernas ainda estavam fracas e ela espirrou um pouco mais do líquido em sua boca. Sentiu uma mão tentar detê-la, talvez para lhe ajudar, para que ela não rolasse escada abaixo, mas ela não se importou, soltou-se com fúria e continuou a subir.
Remo correu atrás de Laís, seguiu os passos da loira que corria desabalada pelo corredor do andar de cima. Havia mais passos atrás dos dois, mas ele não saberia dizer mais nada. Viu Laís entrar em um quarto e a seguiu rapidamente.
-LARGUE ELA!- Laís gritou.
Remo se colocou ao lado de Laís. A visão que se tinha do quarto era de uma garotinha de quase dois anos esperneando nos braços de uma mulher loira e totalmente descontrolada. Havia uma mala no chão, provavelmente Katrine estava tentando fugir com a menina.
-Solte-a! - Remo não aumentou o tom de voz, mas ergueu a varinha para a mulher que sorriu com desdém.
Ele ainda pôde ver o olhar desesperado de Laís, era claro que a loira gostaria de odiar a mulher a sua frente, mas ela continuava sendo sua mãe e isso definitivamente era uma coisa que não se podia mudar.
-Eu disse para soltá-la. - Ele repetiu.
-Está vendo meu docinho? O mestiço está querendo pegar você, mas a vovó não vai deixar... não, não... - Katrine falou em direção a Emmy que berrou em seguida. - Não se assuste querida, ele não vai levar você.
-Mãe... - Laís estava aos prantos e tentou se aproximar. - Me dê ela...
-NÃO! - Katrine gritou, seus olhos reluziram em direção a Remo. - Ele te enfeitiçou querida, você não vê? Ele é um lobisomem...
-JÁ CHEGA! - Definitivamente Remo gritou dessa vez e avançou para cima da mulher.
-VOCÊ NÃO VAI LEVAR ELA! - Katrine recuou vários passos.
-Se você preferir pode esperar o ministério chegar, seria lindo uma ilustre dama da sociedade bruxa ser presa por desacatar uma ordem do ministério. - Ele cuspiu as palavras.
Katrine pareceu considerar.
-Eles não podem ter dado a guarda dela para uma pessoa da sua laia.
-Eles não deram pra você? - Remo avançou e tentou pegar a criança.
Emmy chorou nervosa e Laís também tentou pegar a filha.
-Senhora Cramol segundo ordem do ministério nós temos que levar a criança. - Dessa vez era Rodolfo que falava. - Eu esperava algo desse tipo e trouxe algumas pessoas.
Assim que o advogado acabou de falar entraram no quarto cinco homens do ministério, aparentemente Rodolfo havia os chamado assim que entraram na casa, ele era um advogado experiente e sabia perfeitamente lidar com esse tipo de situação.
No instante seguinte Katrine era imobilizada e Emmy seguiu no colo de Laís. A loira beijou muitas vezes a filha e logo depois apertou a garota contra o peito.
Remo continuava olhando Katrine Cramol, a mulher estava em uma cadeira e seria levada até o ministério.
-Nunca mais se meta conosco. - Ele falou.
-Não me faça rir, você não tem status, muito menos dinheiro para dizer ou mandar qualquer coisa. - A mulher sorriu desdenhosa. - Quer apostar que eu vou sair ainda hoje?
-Não, eu não aposto, acho que isso deve acontecer sim. - Ele recuou para seguir para fora do quarto mais antes se virou. - Eu posso não ter status, nem dinheiro, mas com certeza tenho uma coisa que você nunca terá.
Ao dizer aquelas palavras ele puxou Laís que estava com Emmy no colo e as abraçou. Logo depois saiu, deixando um quarto decorado com luxo para um bebê, uma casa que ostentava riqueza, uma mulher fina da sociedade bruxa... Tanto e ao mesmo tempo nada, coisas que não poderiam preencher o vazio de Katrine Cramol. No entanto ele tinha muito, ele tinha Laís e Emmy.
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-Almofadinhas, ajeita isso. - Tiago estava esparramado na cama de casal do apartamento de Sirius e Deise.
-Eu tô tentando Pontas. - Resmungou Sirius que transpirava nervoso e tentava dar um nó em sua gravata.
-Desse jeito você vai ter que trocar de roupa. - Remo que estava sentado em uma poltrona também no quarto, falou.
-Ah sim, e a Deise me mata. Sabe quanto tempo ela demorou pra escolher isso? - Sirius ergueu uma sobrancelha para si mesmo no espelho.
-Ah nós sabemos sim, não é Aluado? A Lílian saiu com ela várias vezes pra isso. - Tiago falou recebendo uma confirmação de Remo.
-É, a Laís também.
-E quem ficou em casa com as crianças? - Sirius perguntou debochado.
Tiago revirou os olhos, dias difíceis aqueles, as mulheres saiam para fazer compras e os homens ficavam em casa como lindos pais dedicados. Harry, Emmy e Serena não eram para qualquer um. Apesar de que Serena contradizia muita coisa, mesmo sendo filha de Sirius Black ela era excessivamente quieta e observadora, muitas vezes caia na bagunça ou no choro, por causa da influência de Harry e Emmy que eram mais velhos.
-Ai droga! - Sirius resmungou ao ver um envelope vermelho chegar através de uma pequena coruja.
-Tá ferrado. - Tiago riu enquanto o berrador era aberto.
“QUE HORAS VOCÊ PENSA QUE SÃO?! SE VOCÊ NÃO ESTIVER AQUI EM UM MINUTO NÃO VAI MAIS TER CASAMENTO!”
A gargalhada de Tiago invadiu o quarto enquanto Sirius dava um último retoque no cabelo sempre bem penteado dele.
-E então? - O moreno se virou de braços abertos para Remo e Tiago.
-Tão lindo! - Tiago debochou.
-Tá uma graça. - Remo riu.
-Obrigado pela opinião. - Sirius ainda se fitou mais uma vez no espelho, uma calça social preta juntamente com um terno, uma blusa amarelo-claro por dentro e uma gravata com listras amarelas. - Vamos indo antes que não tenha mais casamento.
Os marotos saíram juntos para aparatar do lado de fora do apartamento. Todos elegantemente vestidos e prontos para a cerimônia que iria acontecer a exatos dois minutos. Que Sirius estava encrencado eles sabiam, mas não seria novidade nenhuma que os noivos brigassem antes do casamento, afinal, se não houvesse briga não seria o casamento de Sirius Black e Deise Bruterfou, e dali a algumas horas Deise Black.
Tiago havia acertado em cheio, assim que chegou ao local da cerimônia Sirius levou uns puxões de orelha, mas não foi de Deise, porque aquela coisa esquisita que os trouxas tinham de não poder ver a noiva antes do casamento valia para Deise também. Então a morena passou a missão para outra pessoa. Quem ficou responsável de puxar a orelha do cachorro sardento? É, isso mesmo, Lílian Potter, a ruiva mais brava que o mundo bruxo já conheceu.
-Isso são horas Sirius?
O tempo parou um pouco somente e tão somente para que Tiago Potter pudesse admirar Lílian, que estava perfeitamente vestida com um vestido de um verde suave até o joelho, havia um decote não muito chamativo, mas o suficiente para que o monstro que havia dentro dele rugisse desesperado. Lílian usava um colar de pedras brancas, brincos iguais e sapatos de salto não muito fino para que não entrassem na grama do jardim.
Sirius resmungou algo inaudível, talvez fosse pelo seu nervoso ou pelo fato de não ter uma justificativa, ou ainda pelo fato de que com Lílian ninguém conseguia ganhar em uma discussão.
-Direto para o altar Black. - Falou brava.
Sirius caminhou compenetrado, esfregou as mãos, nervoso e continuou andando.
-Isso mesmo ruivinha, coloca moral. - Tiago se arrependeu de ter falado ao ver o olhar de Lílian.
-Você foi pra lá para fazê-lo chegar na hora certa Potter. - Lílian puxou a gravata do marido e consertou da melhor maneira possível.
-Agora eu sou o Potter, ontem a noite eu era o... - Tiago não completou a frase, pois a mulher apertou propositalmente a sua gravata. - Ai...
A ruiva sorriu de canto e terminou o serviço.
-Vamos nos arrumar, está quase na hora.
Remo havia observado a discussão dos amigos e apenas sorria. Como era bom ter tudo aquilo de volta, conversas animadas e amigáveis. Sem sombra de Voldemort ou o terror que a simples menção dele fazia, tudo estava ali novamente, a amizade, o companheirismo, a alegria da vida... E então sua vida apareceu. Vestida delicadamente em um vestido rosa esvoaçante, sua pele branca contrastava com a cor de seu colar e seus cabelos dourados reluziam ao sol brilhante daquele dia de verão. Era como um anjo que havia descido ao seu encontro, com lindos olhos azuis.
-Vamos nos preparar.
A voz do anjo soou em seus ouvidos ele deu um sorriso bobo.
-Remo.
-Ah... vamos... Onde está a Emmy?
-A Emmy, o Harry e a Serena estão com os elfos no banco da primeira fileira. - Laís explicou enquanto caminhavam pela grama verde e seguiam para o final do tapete vermelho que havia sido estendido no jardim.
Tiago e Lílian Potter, os padrinhos do noivo, passaram pelo longo tapete vermelho em direção ao altar. Logo depois Remo e Laís Lupin, padrinhos da noiva seguiram o mesmo trajeto dos amigos. Então a hora esperada por todos havia chegado.
Sirius olhava cheio de expectativa para o final do jardim, ele podia ouvir seu coração acelerado querendo sair por sua boca, suas mãos suavam e seus pensamentos passavam da pequena menina de cabelos negros e olhos azuis que estava nos braços de um elfo no banco da frente e nem sequer tinha consciência do que estava acontecendo, para uma mulher morena de olhos negros e reluzentes.
Uma música suave e alegre surgiu no ambiente e todos se levantaram rapidamente, havia chegado a hora tão importante.
Deise saiu de dentro do castelo acompanhada de seu pai e luzes azuis brilhantes que rodeavam os dois, mas apagaram-se assim que eles chegaram na ponta do tapete vermelho estendido pelo jardim.
Olhando para as páginas da minha vida
Lembranças apagadas de você e eu
Erros, você sabe que eu cometi alguns
Arrisquei algumas coisas e caí de tempos em tempos
Baby, você estava lá pra me ajudar a superar
Já estivemos por aqui algumas vezes
Vou deixar tudo bem claro
Pergunte-me como chegamos tão longe
A resposta está escrita em meus olhos
Deise olhou nos lindos olhos azuis dele. Não conseguiu sorrir, estava nervosa, muitos poderiam pensar que era mentira que aquilo não acontecia, mas ela via um filme passando diante de seus olhos. Os lindos jardins de Hogwarts traziam uma série de lembranças, lembranças que ela não gostaria de apagar nunca de sua mente, e faria questão que sua filha vivesse naquele mesmo jardim assim como ela. Tempos incríveis. A música que tocava para a sua entrada era claramente o que ela sentia naquele momento. Como eles haviam chegado tão longe? Estavam se casando, tinham uma filha, tinham uma vida... não seria hipócrita de dizer que nunca havia sonhado com isso, mas o fato de estar ali diante dele e de todas aquelas pessoas, em um lugar tão especial era algo muito mais do que ela havia esperado.
O jardim de Hogwarts estava banhado pelo sol do verão, não havia aulas, os alunos estavam todos de férias, Deise havia pedido a Dumbledore para que realizasse a cerimônia simples de seu casamento ali, naquele lugar especial e cheio de recordações para todos eles, por isso haviam esperado até o período de férias dos alunos. O diretor não teve objeção nenhuma, apenas sorriu dizendo que esperava ser convidado, coisa que o casal nem mesmo pensara em não fazer. Haviam diversos bancos enfileirados cuidadosamente pelo jardim, um corredor com pétalas de flores espalhadas e por fim um tapete vermelho que ela teria de percorrer para chegar até Sirius, que estava estonteante no altar. Suas pernas tremiam, ela nem mesmo sabia se conseguiria chegar até lá.
Um pequeno puxão em seu braço, dado por seu pai lhe deu impulso para caminhar e foi o que ela fez.
Toda vez que olho para você, baby, vejo algo novo
Que me deixa mais animado do que antes e me faz te querer mais
Não quero dormir essa noite, sonhar é uma perda de tempo
Quando olho o que a vida vem se tornando
Tudo que faço é amar você
Ah sim, tudo o que ele fazia era amá-la. Teria a vida toda para isso e vê-la daquele jeito deixava seu coração ainda mais descontrolado. Deise estava linda, com um vestido leve que mostrava seu colo e comprido o suficiente para que ela pudesse andar sem nenhum problema na grama, seus cabelos estavam soltos, já um pouco crescidos e ondulados, uma tiara branca caia por eles abrilhantando o visual. O sol que batia sobre a linda pele morena fazia um brilho especial reluzir dela.

(N/A: Vejam a Deise!)
Já vivi, já amei, já perdi, já paguei dívidas, baby
Já estivemos no inferno e voltamos
Sim, eles já estiveram no inferno e voltaram, voltaram e estavam juntos, juntos e unidos, unidos para sempre e sempre seria a infinidade do amor dos dois.
Por tudo isso, você sempre é minha melhor amiga
Por todas as palavras que eu não disse e
todas as coisas que eu não fiz
Hoje vou encontrar um jeito
Amigos, confidentes, amantes, enamorados, companheiros, dependentes um do outro... casados.
Você pode acabar com o mundo todo
Você é tudo que eu sou
Somente leia as linhas no meu rosto
Tudo que faço é amar você
Ela havia chegado ao altar, por um instante viu Sirius se atrapalhar com o pequeno degrau do palco que haviam conjurado, mas com uma habilidade que somente ele tinha para tornar tudo maravilhoso, ele se refez e pegou em sua mão, a levando para cima juntamente com ele.
Tudo o que faço é amar você
Tudo o que faço é amar você
Ele tanto quanto ela queria continuar fazendo aquilo, continuar amando o outro sempre e sempre, não havia coisa mais correta do que não se fazer mais nada há não ser amar o outro.
Sirius e Deise pareciam completamente perdidos um no outro, tanto que o celebrante da união precisou perguntar duas vezes se era da vontade dos dois o casamento. Responderam desgrudando o olhar pela primeira vez, a segunda vez que o fizeram foi apenas para ver um lindo garotinho de cabelos negros e olhos verdes, que mal conseguia se manter em pé no alto de seus dois anos, e uma garotinha igualmente linda e cambaleante de cabelos loiros e olhos azuis.
Harry Potter precariamente de braços dados com Emmy Lupin entregaram uma cesta com dois anéis dourados para o casal no altar. É claro que Lílian havia utilizado de alguns artifícios com sua varinha para impedir que ambos deixassem a cesta cair, mas no fim tudo dera certo.
Emmy estendeu a cesta com as alianças para Deise, e Lílian correu para pegar os dois e colocá-los em um banco. Harry que tinha em seu cabelo uma grande quantidade de creme para que eles abaixassem – pena que não surtiu efeito algum -, foi colocado sentado ao lado da mãe assim como Emmy. Ambos estavam comportados naquele momento, mas algo anunciava pela expressão peralta que mais tarde aprontariam.
Lílian podia ver que o filho estava louco para correr pelo tapete vermelho e arrancar boa parte das flores que enfeitavam o altar, mas ela daria um jeito de mantê-lo quieto, pelo menos até o fim da cerimônia.
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A festa havia durado muito tempo, as pessoas não sabiam se era pelo fato da comemoração do casamento, ou por todos estarem realmente felizes, mas tudo estava perfeito e a noite já se fazia presente quando os convidados começaram a abandonar os jardins de Hogwarts.
-Onde estão os pestinhas? - Perguntou Sirius que estava literalmente jogado na cadeira posta no jardim. Enfim ele havia se sentado.
-Não fale assim Sirius. - Deise que estava sentada ao lado dele, bateu em seu ombro. - Serena é praticamente um anjo na frente do Harry e da Emmy.
-Ela não será um anjo por muito tempo se continuar na companhia deles. - Aluado falou antes de beber o líquido de sua taça, o maroto estava em uma cadeira da mesa junto com os amigos.
Deise pareceu considerar as palavras do amigo e sorriu com desgosto.
-As crianças estão no salão comunal com os elfos, eles adoram cuidar delas. - Tiago sorriu maroto, ele também estava sentado bebendo o resto da bebida da festa.
-E você tá se aproveitando né? Hoje é seu dia de cuidar do Harry. - Lílian ralhou, a ruiva estava sentada ao lado do marido.
-Hoje é um dia de folga Lily, afinal, não é todo dia que um cachorro se casa. - Pontas riu junto com os outros.
-Assim você até me ofende. - Almofadinhas encheu a sua taça de firewhisky e bebeu de um só gole.
-Até parece que se ofende. - Laís que estava sentada ao lado de Remo na mesa, retrucou.
-Ei! Até você? - Ele questionou.
-Ora Almofadinhas, isso é inegável. - Tiago respondeu por Laís.
-Ah vocês não param com essas coisas? - Deise reclamou.
-Não crescem. - Lílian acrescentou.
-Remo pelo menos é o mais ajuizado. - Laís completou orgulhosa.
-Ah sim, ele é o mais Aluado isso sim. - Sirius interveio.
-Ei! Eu sempre fui ajuizado sim, desde os tempos de Hogwarts. - Remo reclamou.
-E eu sou a Madame Pince. - Pontas brincou com um olhar malicioso.
-O que você quis dizer com isso Tiago? - Laís empertigou-se.
-Eu? Nada, esqueceu que o Remo é um santo?
-Praticamente canonizado. - Deise alfinetou.
-Até você Deise? - Remo questionou.
-Ah eu tenho que defender meu marido, a melhor estratégia é atacando. - A morena riu.
-O que é canonizado? - Almofadinhas perguntou.
-Deixa de ser tonto Sirius. - Deise ralhou.
-Pensei que você disse que tinha que me defender?
-Não se empolga. - Ela respondeu fazendo os outros rirem.
A troca de “elogios” ainda durou muito naquele dia, ficaram um longo tempo relembrando suas grandes aventuras, e inclusive um mapa muito importante que os marotos tiveram muito trabalho para construir, e acabou por ficar nas posses de Filch. Surgiu então a idéia: já que eles estavam em Hogwarts e dormiriam ali aquela noite, bem que poderiam reaver o mapa. Aquela idéia foi alvo de muita discussão, as mulheres não queriam que eles se metessem em confusão, mas logo depois queriam participar da confusão. Céus! Mulher era um bicho complicado, os marotos pensaram.
Em um certo momento daquela balburdia - que muitos que olhassem sem conhecer aquelas pessoas poderiam pensar que eles estavam brigando, ou ainda que nunca mais tornariam a se falar devido o nível das brincadeiras tiradas – alguém ergueu uma taça cheia de firewhisky e gritou a plenos pulmões.
-Ao sentimento único e verdadeiro da amizade!
Aquilo não havia como ser contestado, não haviam brincadeiras a serem tiradas a respeito, a única atitude plausível era unir os copos e ouvir o tilintar das taças cheias de bebida.
Os marotos viraram uma lenda viva em Hogwarts, muitos alunos se espelhavam neles, apesar de não serem um exemplo exatamente bom a ser seguido. Aventuras, confusões, emoções, brincadeiras... amizade e amor, aquelas sim eram as reais palavras para traduzir o grupo inteiro, que agora tinha muito mais do que quatro componentes.
O sentimento de felicidade era real e quase palpável em cada um dos seis amigos, nada poderia atrapalhar tudo aquilo, nada poderia interferir em suas vidas, porque afinal, o curso das coisas havia tomado um rumo promissor e feliz para cada um deles, tudo e unicamente pela força do amor. O amor que guia a todos, que preenche cada ser e que pode com certeza absoluta mudar os rumos de uma história!
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NB: “O universo é o eco de nossas ações e pensamentos”, peguei essa frase emprestada de uma amiga (Clau e suas frases!), essas palavras me fazem pensar muito na atitude que a Lily tomou. Ficar lá, junto com Tiago, lutar ao lado dele, isso não só refletiu na família dela, que agora esta junta e feliz, mas também na vida dos amigos dela. Se ela e o Tiago não tivessem sobrevivido, o Sirius não teria voltado para a Deise e conhecido a filinha deles, o Remus não teria aquela poção para dar para a Laís, e ela não teria se recuperado para ir buscar a Emmy. Não teria acontecido um lindo casamento nos jardins de Hogwarts e crianças lindas não estariam correndo pelo gramado do castelo. Paty, nesse caso, suas ações e brilhantes pensamentos nos deram de presente esse final feliz que muitos estão lendo agora! Você esta fera em causar efeito borboleta! rsrs Amei essa segunda parte. Amo-te! Beijos
NB2: Paty querida. Capítulo perfeito. Amei tudo, principalmente o espaço entre a primeira letra e a última. Hahahaha. E eis que um pequeno ato transforma toda uma história. Você foi capaz de transformar um pequeno “se” num sonho realizado. Quem nunca imaginou o que teria acontecido “se” os Potter não houvessem morrido??? Parabéns mana. Te amo.
Respostas aos comentários:
Tonks Butterfly – Obrigada pelo apoio sempre mana, pela comunidade, pelos seus comentários, enfim por tudo. OBRIGADA!
Lola Potter – Obrigada por acompanhar a fic. Valeu.
Beca Black – Que bom que consegui te agradar no final, espero que o restante do capítulo tenha sido bom rsssssssss... aff, acabou que eu fiz tudo que vc pediu!!! hauahuahau... mas como eu disse, adoro finais felizes rssss... beijos enormes e obrigada!
Nanda Potter – Apoiada cara Nanda, a Jk é muito malvada, então viva ao final alternativo hauahuahau... beijos imensos.
Pamela Black – Amore da minha vida rssssss... beijos imensos pra vc mana.
Cuca Malfoy – Que bom que vc gostou do capítulo, espero que o final te agrade, beijo grande.
Thamy gibson evans – (abraça e pula feito louca) Ai que bom que vc gostou!!! Me deixou tão feliz com seu comentário gigante hauahuaha... eu não sou má já falei isso milhões de vezes rssssss... e eu sou tão boa que postei logo o último capítulo, o epílogo e tudo mais hauahau... (convencida) hihihi... beijos e obrigada por tudo.
Maira – Obrigada pelo comentário, valeu pela força e espero que tenha gostado.
N/A Despedida: Ah gente chegou a hora tão evitada rsssssss... (abraça todos) muito obrigada pelo enorme carinho comigo e com a minha fic durante todo esse tempo, obrigada pela paciência que vcs tiveram para esperarem os capítulos e nunca me abandonaram!!! A despedida é difícil, mas teremos outras fics me aguardem rssss... e leiam o epílogo que fiz tb, espero que gostem! Um agradecimento especial todos os que sempre estiveram aqui comigo, aos leitores fiéis e que até mesmo conversam comigo no msn, sintam-se beijados todos rssss... Um beijo grande também para a família das Marias da Comunidade de Nc hauahuahau... BEIJO MENINAS!!! Um beijo especial para as minhas amigas, irmãs, companheiras, betas e semrpe tão prestativas PAM E PRI, amo vcs manas e o mundo Hp já valeu muito a pena apenas por ter conhecido vcs!!!! E o que não poderia faltar: Um BEIJO GRANDE NA BUNDA DE TODOS!
Ps: Vou postar outra fic em breve, quero todos lá, isso é uma ordem hauahau...
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