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15. Capítulo XV


Fic: Harry Potter e o fim da profecia


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- Estamos a apenas duas semanas do Natal. Tem coisa melhor que isso? – perguntou Gina.

- Acho que merecemos o descanso e isso já responde tudo. – Rony murmurou.

- E você já sabe que depois eu vou começar a pegar no seu pé, não é, Ronald? – Hermione fez questão de acentuar.

- Infelizmente, estou ciente disso, Mione.

- Mas com o recesso de duas semanas entre o primeiro e o segundo trimestre e o Natal, vem também a semana de provas, esqueceram-se? – lembrou Harry.

- Excelente coisa para se lembrar quando estamos na companhia de Hermione, não é? – Rony disparou.

- E você cada dia mais engraçado, Rony. – disse Hermione após uma risada sarcástica. – Já sabem onde vão passar o recesso?

- Vou passar o Natal na casa de Isabella e o ano novo em casa com a família. Mamãe sempre gostou de preparar esse tipo de coisa. – Gina respondeu. – O restante do tempo... bom, aí eu já não sei onde vou passar.

- Bom, eu e o Harry já temos tudo programado. Natal é na casa do Sirius, ano novo em York e o restante dos dias em Godric’s Hollow. Amy vai para minha casa por causa do Aaron. – Hermione contou.

- Então vocês vão para o Largo Grimmauld 12? – perguntou Rony.

- Não. Sirius saiu de lá. – respondeu Harry. – Ele disse que a casa ficava muito cheia e, além disso, não fazia bem a ele ficar lá. Não quis falar muito no assunto, mas ele comprou uma casa nova. Aí a Amy nos chamou para passar o Natal com eles.

- E sua mãe não se chateou, Mione? – perguntou Gina.

- Ela já está acostumada a me ter fora de casa durante o Natal desde que entrei para Hogwarts. Demorou, mas ela acabou por se acostumar. – Hermione disse. – Depois de Hogwarts pretendo passar mais tempo com ela.

- Isso se o Harry deixar, não é? – Rony brincou.

- Ele vai deixar. – ela riu. – Não vai?

- Claro – o moreno assentiu. – Depois que você passar bastante tempo comigo.

Todos riram.

- É, pelo visto este ano eu sobrei. – Rony murmurou. – Vou para A Toca mesmo. Fiquei de me programar com o Carlinhos. Estava pensando em ir à Romênia.

- E por que você não me falou isso? – Gina perguntou. – Eu quero ir!

- Pronto, já tem o que fazer o restante das férias, Gina. – Harry brincou. – Rony, ele vem passar o Natal e ano novo aqui?

- É. A casa vai ficar um tanto cheia esse ano.

- Quem vai? – perguntou Hermione.

- Bom, Deborah e Fleur já têm passagem garantida. Ainda mais agora que o Gui resolveu juntar um dinheiro com o papai para fazer uma reforma na casa. Acho que as obras começam em março. – contou. – O Fred e o Jorge também vão e, conseqüentemente, Angelina e Katie. Percy foi convidado, resta saber se ele vai aparecer. Se for, conte com mais a presença da Penélope. Chamei a Lu e ela já confirmou presença, também. Creio que vá comigo para a Romênia...

- Ótimo. Aí eu vou e sobro. – Gina revirou os olhos.

- Você não precisa ficar o tempo todo conosco. Além do mais, a Deborah não vai. Aí você curte o Carlinhos por mais tempo. Vocês dois são um grude só quando estão juntos. Não sei como a Deb não tem ciúmes. – comentou Rony. – Mas continuando... Devem ir: a Tonks, o Lupin e mais algum pessoal da Ordem, de certo.

- Nossa, bota cheia nisso. – Hermione se admirou. – Mas e essa reforma? Você não nos tinha falado sobre isso.

- É, foi uma decisão que demorou para ser tomada, embora a idéia estivesse rolando desde o noivado do Gui com a Fleur. Sabe, ele quer voltar para a Inglaterra e não queria sair d’A Toca.

- Bem que o Carlinhos podia resolver casar e vir também, não é? – Gina comentou, fazendo os três rirem.

- E como ele está casado, provavelmente irá ter os filhos dele... A casa iria ficar um tanto pequena para todo mundo, não é?

- Mas Fred e Jorge têm a casa deles no Beco Diagonal... – Harry murmurou.

- Eles passam mais tempo lá em casa do que na casa deles. – Rony bufou em meio a um sorriso. – Mamãe gosta de ter a casa cheia e, sabe?, eu também. – admitiu.

- Realmente. Era muito melhor quando morávamos todos juntos. A casa ficava a maior zona. Gente para tudo que era lado, as guerrinhas de travesseiro, a confusão que era para pôr todo mundo na cama, as discussões, o Carlinhos e o Gui brincando de dar vida aos móveis, o Fred e o Jorge colocando medo no Rony... Eu sinto tanta falta! – Gina suspirou. – Sinto falta até do Percy e do perfeccionismo dele, de quando ele ficava gritando e implorando que fizéssemos silêncio para ele estudar.

- Pelo visto, vocês não pretendem sair de lá, não é?

- Não. – o ruivo confirmou. – Eu posso morrer solteiro, mas eu não saberia viver longe da minha família.

- Bem, solteira eu não morreria, mas se fosse preciso, construiria minha casa ao lado da dos meus pais, só para não ter que sair de lá.

- Então vá preparando o terreno com o Malfoy, porque não é todo marido que vai se dispor a ser vizinho da própria sogra. – Hermione sugeriu.

- Quando ele conhecer o lugar, ele vai querer largar a cidade grande, garanto. – a ruiva parecia otimista. – O problema é que ele não vai querer deixar a tia em Londres.

- Acho que hoje ele está mais preocupado é com a mãe dele. – Harry disse. – Desde a carta que ela mandou, ele parece demonstrar que realmente sente falta dela.

- Ela pode ter sumido aí já há quase dois anos, mas é mãe dele, afinal. – Hermione disse. – Sabe, eu acho que não demoraremos a ver Narcisa Malfoy novamente.

- E eu devo dizer que concordo com você, Mione. – Gina assentiu. – Ela deve estar bem de vida, curtindo o que não pôde quando estava com Lucio... Logo ela volta.

- Vocês já leram o jornal? – Rony perguntou, esticando o braço para pegar o Profeta Diário que estava esquecido à uma ponta da mesa.

- Eu dei uma lida nas notícias, apenas. Não me interessam nem um pouco os artigos de Rita Skeeter. – Hermione respondeu.

- Eu ainda não li. – foi a vez de Harry.

- Leio depois. – a ruiva murmurou.

- Ei, vejam isso! – Rony tinha os olhos arregalados, seu rosto tinha uma expressão de espanto. Ele apontou para um ponto na página onde estavam os artigos de Rita Skeeter. Em um box não muito pequeno, estava uma notícia realmente estranha.

- A casa dos Malfoy está sendo vendida? – Harry também espantou-se.

- E pelo visto, a negociação já está em andamento. – Hermione concluiu, franzindo o cenho.

- É, acho que os artigos da Skeeter não são tão inúteis assim, não é? – Gina deu um sorriso nervoso. – Será que Draco já sabe disso? Acha que devemos comentar?

- Tenho certeza de que ele não ficaria nada satisfeito em saber que todos sabemos e não o contamos, caso ainda não saiba. – a morena aconselhou. – Se o encontrar, acho que talvez seja interessante tocar no assunto.

- Vocês já pararam para pensar que isso pode significar que a mãe dele pode estar de volta? – Rony deixou escapar e o silêncio substituiu a falação anterior.

---


Tinham acabado de almoçar e saíram para os jardins. Caminharam de mãos dadas na beira do lago em silêncio por alguns minutos.

- Algo te incomoda? – ela perguntou, parando à sua frente, a fim de encará-lo.

- Não. – ele respondeu. – Deveria?

- Não leu o Profeta Diário de hoje?

- Na verdade, até tentei, mas estava sem saco. Ler notícia ruim não é lá algo que encha meus olhos.

- Então você não sabe que a casa onde você morava está sendo vendida?

- A Mansão Malfoy? – ele perguntou. – Mas quem...? – ele começou. – Minha mãe!

- Eu também pensei. Mas não há possibilidade de ela estar na Inglaterra, ou sua presença teria sido noticiada. E Hermione não deixa de ler um só jornal, então...

- Mas era de se imaginar que ela venderia a casa, até demorou. – ele comentou. – Não iria querer morar na mesma casa onde viveu tanto tempo subordinada à meu pai.

- Ela iria acabar era deprimida se voltasse lá.

- E não posso deixar de concordar com você. Eu mesmo não me sentiria bem em voltar para lá. Mas também não posso ficar a vida toda na casa da minha tia, não é? Quando minha mãe voltar, e se ela voltar, eu vou voltar a morar com ela.

- Só acho que Julie e Isabella não vão gostar muito da idéia. – eles voltaram a caminhar.

- Mas elas vão entender. Além disso, minha tia é dona de mais duas casas próximas à dela, logo, posso sugerir que minha mãe compre uma delas.

- Engraçado. – Gina comentou.

- O quê? – o loiro a encarou, confuso.

- Você nem sabe se sua mãe realmente vai voltar e já está fazendo planos... Você sente falta dela, não é?

- Ela nunca foi uma mãe exemplar, acho que era reflexo de seu sofrimento, nunca pude tê-la como referência feminina e materna em minha vida, mas ela parece ter mudado, não sei. Está mais preocupada comigo, parece feliz... Mas, enfim, não posso dizer que sinto falta de alguém que nunca foi presente em minha vida, não concorda? Eu apenas quero que ela volte.

- Você tinha algum contato com Julie e Isabella antes de seu pai... bem, você sabe...

- Não, não diretamente, pelo menos. – ele respondeu. – Mas Isabella sempre estudou aqui em Hogwarts e sempre foi conhecida como uma Malfoy, embora ela não tivesse orgulho disso. Foi por meio da mãe dela que eu soube tudo sobre o passado dos meus pais.

- Mas ela se apresenta como Isabella Malfoy. Por quê?

- Tia Julie tinha medo que acabasse sendo discriminada na Sonserina se fosse conhecida como Bonstrong, porque a história acabou se tornando conhecida e ela foi se acostumando. Mas veja que hoje ela já se apresenta como Bonstrong.

- Não entendo como é possível existir tanto preconceito.

- Isso é algo que não pode ser resolvido com facilidade. Há aqueles que mesmo que não admitam, são tão preconceituosos quanto os que deixam suas opiniões sobre o assunto explícitas, acredite. Para eles, isso é uma qualidade e eles se denominam escrupulosos.

- Ora, mas isso é repugnante! – Gina exclamou. – Como pessoas tão sórdidas podem autodenominar-se escrupulosas?

- Não é algo recente e também não será algo que vá acabar tão cedo, sabe disso.

- Ao menos controlado precisa ser. Sabe, que nem no mundo trouxa. – Gina argumentou. Draco a encarou sem entender.

- Do que está falando?

- Ah, claro. Como você iria saber? – ela revirou os olhos. – Olha, papai disse que os trouxas têm uma lei que leva os praticantes do preconceito, seja ele racial, social ou qualquer outro, à prisão. Acho que se nós adotássemos essa lei, claro, com algumas modificações, poderíamos controlar melhor a situação.

- Ainda bem que essa lei não chegou ao mundo bruxo ainda.

- Como é? – ela mostrou-se indignada.

- Não, não é isso. – ele tentou explicar. – É que eu, com toda certeza, estaria em Azkaban a essa altura.

- É, vendo por esse lado... Só espero que as conseqüências de tanto despeito não sejam as piores. Já pensou se isso agrava ainda mais? Viveremos em um mundo absurdamente repulsivo.

- Bom, a grande parte dos bruxos seria abolida apenas pelo fato de serem de origem mestiça.

- Isso é só uma das conseqüências que teremos se algum desses revolucionários baixos chegar ao poder ou conseguir implantar essa forma de governo. O que eu não quero nem imaginar.

Draco riu.

- Você se preocupa demais. – ele a abraçou por trás, colocando o pescoço apoiado no ombro dela e beijando uma de suas bochechas. – Por que não esquece isso?

Ele a virou e a beijou intensamente.

---


- Eu só quero ver se a vida toda eu vou ter que ficar atrás de você, Ronald Weasley! – Hermione bradou. – Onde você estava?

- Hoje, eu juro, eu estava jogando Quadribol. – ele mostrou a vassoura.

- E a ronda?

- Que ronda?

- Ora, você sabe muito bem! Você tinha horário de ronda hoje, Rony! Não é possível que você não tenha conserto!

- Culpa o Dumbledore, que resolveu me nomear monitor. – Rony retrucou.

- Mas Rony, quando não é isso, são os estudos. – Hermione replicou, tentando manter a calma. – E eu vivo atrás de você! E, tenho certeza, até mais que a sua própria namorada.

- Hermione, a semana de provas é só a próxima, e eu posso fazer a ronda amanhã. – ele sugeriu. – Não é o fim do mundo! Se preocupe menos com as minhas obrigações, faça as suas que você já está garantindo o seu.

- Não precisava ser tão grosso também, Rony. – Gina disse, aproximando-se. – Hermione, seus gritos... dá pra ouvir lá de fora.

- Está vendo? – Rony ergueu as sobrancelhas como dissesse “eu te avisei”.

- Ah, claro! A essa altura estão pensando que eu sou uma louca e a culpa é sua, somente sua. – a morena retrucou. – Olha, quer saber?, eu vou dormir. Faça o que quiser da sua vida, só não venha depois me pedir ajuda ou ao Harry, porque eu já fiz de tudo para colocar na sua cabeça que você não é mais criança e que existem responsabilidades a serem assumidas. – ela concluiu. – Boa noite!

Subiu as escadas pisando forte, parecendo realmente chateada.

- Francamente, Rony! Vê se escuta ela pelo menos uma vez na vida. – Gina disse, antes de acompanhar a morena.

- Tudo eu, sempre! – ele se deixou cair numa poltrona qualquer.

- Rony? – uma voz feminina se aproximou.

- Ah! Oi, Lilá. – ele disse, sem emoção.

- Você não cansa? – a loira perguntou, ocupando a poltrona ao lado da que o ruivo estava sentado.

- Não canso de quê? – ele fez, sem entender.

- Da Hermione atrás de você o tempo todo, pegando no teu pé. – ela explicou.

- Já me acostumei. Mas às vezes cansa, sim. – ele respondeu. – E você? Não cansa da falação da Parvati?

- Ah, não. Nós somos muito iguais. – ela comentou. – Mas não posso deixar de admitir que às vezes eu sinto falta de conversar com outro alguém que não seja ela. É interessante mudar os assuntos, as pessoas...

- Para quem vive rodeada de pessoas, não deve ser algo tão difícil.

- Como queria que fosse simples desse jeito. – ela sorriu. – Há momentos, que mesmo rodeada de pessoas, nos sentimos tão sozinhas quanto quando estamos trancadas em um quarto durante a tarde de um domingo de sol. – ela comparou. – Parvati está saindo com o Dino e, bem, eu ando meio sozinha.

- E as outras garotas?

- Você bem sabe o quão sou, ao lado da Parvi, detestada pelas garotas, em geral. – ela murmurou, mas sem abandonar o sorriso que tinha no rosto. – Mas não faz a menor diferença. Sabe, eu gosto de você. É incrível e... Parece ser realmente legal.

- Uau, obrigado. – ele corou. – Olha, quando precisar de alguém para conversar... hum, você pode me chamar, ficarei satisfeito em ajudar.

- Puxa, obrigada. Não é todo garoto que se oferece para aturar uma garota em longas conversas, acredite.

Rony limitou-se apenas a sorrir.

- Bom, acho que vou subir. Está tarde e amanhã eu levanto cedo. Não quero correr o risco de tomar outra bronca da Hermione. – ele se levantou, pegando a vassoura em seguida. – Boa noite!

- Boa noite, Rony. – ela respondeu com um largo sorriso nos lábios.

O ruivo passou a mão nervosamente nos cabelos, despenteando-os levemente, antes de subir as escadas. Lilá observou a cena ainda sorrindo, os olhos brilhando intensamente.

- Como alguém pode ser tão maravilhoso? – se perguntou, levantando e caminhando para fora do salão comunal.

---


Ele abriu a porta do quarto silenciosamente. Ela estava de costas, mexia em algo dentro do armário e jogava, vez ou outra, uma peça de roupa sobre o sofá. Sorriu e fechou a porta sem fazer um barulho sequer. Não queria que notasse sua presença; daria um bom susto nela.

- Já arrumou suas malas? – ela perguntou, ainda de costas, enquanto analisava um sobretudo preto.

- Como sabia que estava aqui? – ele perguntou, confuso.

- Sinto seu perfume a léguas de distância. – ela respondeu. – A propósito, obrigada pelo presente. – ela agradeceu. – Não precisava, ainda nem é Natal.

- Você sabe que não precisa ser Natal para ganhar um presente. Eu simplesmente o faço pelo prazer de te ver feliz. – ele disse, se aproximando. – Gostou?

- Bom, o fato de ser um perfume masculino seria estranho se eu não simplesmente amasse o seu perfume. – ela murmurou. – Agora vou poder lembrar de você a qualquer hora, sempre que eu quiser. – ela brincou. – É maravilhoso, Harry. Lógico que eu gostei!

- Não precisava de uma resposta tão longa, poderia ser mais objetiva... – ele disse, beijando-a.

- Tudo bem, tudo bem. Você já arrumou suas malas, mas eu ainda não terminei as minhas. – Hermione disse afastando-se. – Se quiser, pode ficar aí, desde que não me atrapalhe.

- Sei muito bem a que se refere, Srta. Granger. – ele riu. – Pode deixar que me comporto direitinho.

Ela começou a guardar as roupas na mala. Começou pelas botas. Ela tinha várias, desde as de cano baixo até as de cano alto, até os joelhos. Colocou as mais curtas, que fossem meia perna, no máximo, pois sabia que as outras seriam pouco usadas. Depois colocou os casacos mais grossos e calças e por fim as roupas mais finas. Pegou alguns cachecóis, gorros e luvas e colocou-os por cima, fechando a mala.

- Acha que deveria levar alguma saia ou vestido? – ela perguntou pensativa.

- Sinceramente, acho que você vai congelar. Está nevando desde ontem e o frio é quase insuportável. – Harry respondeu. – Aliás, não sei para quê tanta roupa se você vai para sua casa depois.

- Exatamente, como você mesmo disse, depois. E, além disso, trouxe minhas roupas de frio quase todas, justamente porque não tinha planejado passar o recesso em casa e sabia que se fôssemos, não iria direto para casa. – Hermione disse enquanto se apoiava na escrivaninha do quarto, como estivesse sentada. – Estou explicada?

- Mais que explicada, boba! – ele se levantou e aproximou-se dela, roubando-lhe um beijo. – Você está linda.

- Uau, obrigada. – ela agradeceu sorrindo. – Creio que seja melhor dormirmos. Amanhã cedo estamos indo para a estação e já passam das dez.

- Que preocupação boba! Para quê pegar o trem quando podemos aparatar? – fez Harry. – Ou será que você esqueceu deste detalhe?

- Mesmo assim. Acho melhor irmos de trem.

- E dormir menos?

- O trem sai daqui a exatamente doze horas, Harry. Tenho tempo mais que suficiente para dormir. Até porque, não importa a hora que durma, eu vou estar de pé antes das sete. Isso é certeza.

- Lembre-me de matar Jason McCoy na próxima vez que o vir. – Harry pediu.

- Você realmente quer carregar o peso de um assassinato nas costas? – Hermione tocou no ponto fraco de Harry, que desfez o sorriso que tinha. – Tudo bem, desculpa. – ela pediu, levando a mão ao queixo do namorado e erguendo-o, fazendo-o encará-la. – Eu esqueci que... bem, esqueci que você vai precisar matar se quiser viver.

- Eu gostaria de poder esquecer isso, também.

- Você vai... – ela sorriu, arrancando um sorriso triste do moreno. – Olha, se quiser pode dormir aqui comigo.

- Bom, eu já planejava isso quando cheguei aqui, então... Você não precisava deixar. – ele sorriu maroto.

- Você não tem jeito mesmo, não é?

- Tudo para ficar bem pertinho de você, você sabe. – ele disse, beijando-a. – Eu já disse que te amo hoje?

- Não, não disse. – ela respondeu. – Mas não precisa; eu sei. – ela riu.

- E não é nem um pouco convencida, não é?

- Convencida, não, querido. Realista! – corrigiu. – Mas eu também te amo, seu bobo. – ela deu um último beijo nele antes de afastá-lo e caminhar até o banheiro. – Vou tomar um banho. Estou morta e preciso relaxar.

- Devo esperar quanto tempo? Duas horas?

- Exagerado. Não, meia hora, no máximo. – ela disse antes de fechar a porta.

- Vou contar. – ele disse, antes de colocar o pijama que tinha guardado em uma das gavetas, a qual Hermione reservara para ele deixar algumas roupas dele para quando fosse preciso.

Exatamente meia hora depois, ela abriu a porta do banheiro, pronta para dormir. Usava um pijama de mangas compridas, uma coisa inédita para Harry, que sempre a vira usar camisa baby-look para dormir. Os cabelos estavam presos com um frouxo rabo de cavalo, as pontas levemente molhadas.

- Pontual, hein?

- Nunca fui de me atrasar. Se disse um horário, de certo, cumprirei. – ela disse caminhando em direção à cama, desforrando-a. – Acho melhor deitarmos, passam das onze.

- Só vou deitar por causa do frio. – ele disse, enfiando debaixo do edredom grosso. – Deve ter um cinco quilos de edredom aqui. – comentou divertido.

- Se você é um friorento, o que eu posso fazer?

- Não quero morrer congelado, é diferente. E está frio! – ele replicou.

Ela riu e balançou a cabeça negativamente. Deitou-se e puxou o edredom.

- É porque ainda não esquentou aqui em baixo. E, realmente, está gelado aqui. – ela comentou.

- Eu falei. Mas sabe um jeito de esquentar rapidinho? – ele sorriu maroto. Abraçou-a, apoiando a cabeça na curva entre o pescoço e o ombro dela, que sentia a respiração dele próxima a seu rosto, pouco abaixo da sua orelha esquerda. Ela riu.

- Mas não perde uma oportunidade mesmo. – ela virou-se para encará-lo. – É bom ficar com você. – ela acariciou o rosto dele.

- Onde será que vamos passar essa noite no ano que vem? – ele se perguntou.

Hermione engoliu em seco.

- E-eu... eu não sei, não é? Ninguém sabe... – ela respondeu, sem jeito. – Não sei nem se vai se lembrar que eu existo.

- E por que não? – ele perguntou.

- Não sei. Nunca se sabe... – fez. – Pode não ser hoje ou amanhã ou daqui a dez anos, mas um dia você vai simplesmente me esquecer.

- Que tal parar de pensar no futuro e viver o agora?

Hermione se calou e encarou-o, séria. Virou-se para desligar o abajur e deixou que uma lágrima solitária escapasse de seus olhos e percorresse todo o seu rosto. Limpou-a e voltou a encarar Harry.

- Boa noite. – ela beijou-o intensamente, por fim dando-lhe um selinho.

Deu-lhe as costas e sentiu ele abraçá-la novamente. Adormeceu em poucos minutos com um sorriso triste nos lábios.

---


Como Hermione dissera no dia anterior, pouco depois das seis e meia da manhã eles já estavam acordados. Ficaram conversando por um longo tempo, Harry insistindo para ela jogar uma partida de Snap Splosivo e ela repetindo que não estava a fim.

- Onde é a casa do Sirius?

- Ele só disse que era ficava em Londres. – o moreno respondeu. – Por quê? Está pensando em adotar a minha idéia e aparatar?

- Lógico que não. – ela retrucou. – Só quero saber.

- Ah, claro. – Harry assentiu, sem muito interesse. – E então, vai uma partida?

- Por que você é tão chato?

- Eu? – ele perguntou, fingindo não entender.

- Não, imagina. Você é um amor de pessoa. – ela ironizou, revirando os olhos.

- Puxa, obrigado. – ele agradeceu, sorrindo.

- Você é insuportável. – ela bufou.

- Só um pouquinho.

- Com mais um pouquinho de eufemismo, não é? – fez, sarcástica.

- É, um pouco. – ele concordou.

- Ai, eu te odeio!

- Inacreditável como uma pessoa consegue ser tão contraditória. Ainda ontem dizia que me amava... – ele comentou. – É uma pena que eu não acredite na sua afirmação.

- E por que não acreditaria?

- Hermione, se você me odiasse, não estaria comigo há um ano. – ele respondeu.

- Não temos um ano juntos...

- Ainda. – Harry cortou. – Que dia é amanhã?

- Eu sei, não esqueceria. Mas ainda assim, não temos um ano juntos. – ela replicou.

- Tudo bem, eu sou chato e você é teimosa. Um melhor que o outro. – ele bufou. – Mas ainda assim, eu te amo.

- Eu também te amo. – ela respondeu avançando e beijando-o, fazendo-o cair sobre os travesseiros.

- Se toda discussão boba terminar assim, vou começar uma todos os dias. – ele brincou.

- Safado! – Hermione deu um tapa no ombro do namorado.

- Se eu fosse safado, com certeza você não me deixaria dormir com você. Estou mentindo?

- Tudo bem, você venceu mais essa.

As horas pareciam demorar uma eternidade para passar. Por um momento, Hermione calou-se e manteve seu olhar fixo num ponto da cama, vazio, entre ela e Harry. Estava apoiando a cabeça em uma das mãos, cujo cotovelo estava apoiado no travesseiro, para que ela encarasse Harry de frente.

- Mione? – ele chamou repetidas vezes. – Mione?

- Quê? – ela balançou a cabeça, a fim de despertar de seus devaneios.

- O que foi? Você parou de falar do nada e você não respondia... o que você tem?

- Ah, não! Nada. – ela respondeu com um sorriso nervoso nos lábios.

Mas ela se pegara pensando na profecia. A conversa que tivera com Harry no dia anterior não lhe fizera muito bem, afetara seu humor. Ela sentia-se uma completa idiota agora. Deixara o garoto falando sozinho e se mostrara, mesmo que parcialmente, alheia à realidade. Era como se estivesse fantasiando, “viajante”. Só que às vezes se perguntava quando e como contaria para Harry sobre a profecia. Só de imaginar a reação dele, sentia-se desconfortável em apenas cogitar a idéia de contar. Mas ela sabia que seria ainda pior se ela simplesmente tivesse que sumir e ele não soubesse o motivo disso.

- Está vendo? Você definitivamente não está aqui. – ele disse, preocupado.

- Não tem com o que se preocupar. – ela disse, aproximando-se e deitando sobre o ombro dele enquanto ele a abraçava. – Eu estava só... pensando. – resumiu.

- E posso saber em quê?

- Em nós. – limitou-se a dizer. – Não consigo me imaginar um dia inteiro sem você se eu tiver consciência de que posso passá-lo ao seu lado. – ela levantou-se, debruçando-se sobre o peito do namorado. – Sabe, acho que devemos aproveitar ao máximo cada minuto que teremos juntos durante essas duas semanas. Sabe-se lá quando teremos outra oportunidade dessas, não é?

- É uma excelente e prazerosa idéia. – ele sorriu, antes de beijá-la.

- É, eu sei, mas infelizmente teremos uma breve pausa.

- Por quê?

- Tenho que passar na sala dos monitores para deixar tudo em ordem antes de irmos, você sabe... – ela respondeu. – E é melhor fazer isso agora, antes que fique muito em cima da hora.

- E mais uma vez ela me abandona. – ele fingiu um tom melancólico.

- Seu bobo! Você sabe que eu preciso. – ela pegou a toalha e colocou-a sobre o ombro. – E depois, teremos duas semanas para curtir um ao outro sem nada nem ninguém para atrapalhar.

Dizendo isso, ela entrou no banheiro.

- Mas ela já gosta de me deixar sozinho para tomar banho! – ele murmurou.

- Ei, eu ouvi isso! – a voz dela veio abafada do banheiro. – É que eu sou uma pessoa limpa, querido. – ela retorquiu, colocando a cabeça para fora. – E eu também te amo! – soltou um beijo no ar antes de sumir novamente.

Harry deixou-se cair sobre os travesseiros, rindo.

---


- Vamos, Rony! – Gina chamou pela quarta vez, já irritada. – O trem sai daqui a meia hora e nós ainda nem pegamos a estrada para Hogsmeade.

- Calma, eu estava terminando de me arrumar.

- Isso é o que dar deixar para ser o último a tomar banho, sabendo que antes de você, vê mais quatro garotos. – a ruiva revirou os olhos. – É incrível como todo mundo toma todas as providências para ser o primeiro, menos você! Aposto como deixou para arrumar as malas de última hora, também.

- Vem cá, quem é você para vir me dar lição de moral? – Rony fez, irritadiço. – Já não basta ter que agüentar a Hermione e agora você?

- Não reclama, Rony. Anda logo. – Harry aconselhou.

- E você, por que está sozinho? Cadê a Hermione? – indagou o ruivo para o moreno.

- Sala dos monitores. Encontra-nos em Hogsmeade. – resumiu o moreno.

- Tudo bem, chega de conversa. – Gina cortou. – Vamos!

Chegaram em Hogsmeade cerca de vinte minutos depois. O trem deveria sair exatamente às dez e meia e eles não tinham muito tempo para passar nas lojas do povoado. Rony resolveu arriscar-se a ir até a Dedosdemel e na Zonko’s antes de embarcar. Ficou por alguns minutos, ainda no caminho, insistindo para que Harry o acompanhasse.

- Ok, eu vou! – Harry disse, dando-se por vencido. – Gina, qualquer coisa, manda o Malfoy nos chamar, ok?

- Eu ainda acho que vocês não deveriam ir, mas... – ela começou e Harry encarou-a suplicante. – Tudo bem, tudo bem. – assentiu.

E viu, com uma expressão que misturava a reprovação e um sorriso em seu rosto, os dois correrem pelas ruas em direção à avenida principal do vilarejo.

- Desculpa a demora, nós acabamos tendo alguns imprevistos e... – Hermione acabara de chegar com Draco. – Onde estão o Harry e o Rony?

- Foram às compras. – a ruiva respondeu.

- E você deixou? – a morena exasperou-se.

- O que eu ia fazer? Eles são homens e são dois. Não sou páreo para eles. – Gina retrucou.

- Onde eles foram? – Hermione perguntou.

- Dedosdemel e Zonko’s.

- Ah, tinha que ser! – a monitora revirou os olhos.

- Sabe, acho que eles não têm muito tempo. – Draco comentou. – Faltam dois minutos para o trem sair.

- É melhor entrarem, garotos. – Alissa, professora de Aritmancia aconselhou.

- Mas e os garotos? – Gina murmurou. – Eles disseram que caso houvesse algum problema, que mandássemos alguém até lá. E sugeriram que fosse você... – ela falou para o namorado.

- Eu?

- Ufa! Chegamos. – Rony suspirou. Ele e Harry tinham os rostos vermelhos, as barras das calças molhadas por conta da neve e a respiração ofegante. – Viu que eu falei? Não perdemos o trem.

- Mas quase perderam. – Hermione replicou. – Vamos, entrem de uma vez.

Os cinco subiram no vagão e procuraram por uma cabine vazia.

- É, não há muitas opções. Ou no começo, ou no final do vagão. – Rony comentou. – Qual vocês preferem?

A viagem para Londres correu tranqüilamente. Pouco passava das cinco da tarde quando o Expresso de Hogwarts adentrou a King’s Cross. Ao descer do trem, os olhos dos garotos percorreram a plataforma rapidamente. Sirius acabara de adentrar o lugar, acompanhado de perto por Alissa Vector, que muito provavelmente aparatara de Hogsmeade diretamente em Londres, Amy, Isabella e Julie Bonstrong.

- Ali. – apontou Harry, caminhando até eles e sendo acompanhado pelos outros. Luna agora juntara-se a eles.

- Acho que a mamãe ainda não... – Rony começou.

- Rony, querido! – o grito estridente da Sra. Weasley cortou o ruivo. – Vejo que este ano vocês todos se separam, não é?

- Harry e Hermione vão lá para casa. – Sirius confirmou.

- Oh, queridos! Como estão? – Julie Bonstrong abraçou Draco e em seguida Gina. – Você está cada dia mais bonita, Gin.

- Obrigada. – Gina agradeceu, sem jeito.

- Você vai conosco, não é? – Isabella indagou.

- É, sim. E fico até o dia trinta. – confirmou a ruiva.

- Ah, então você vai para a casa de Julie. – a Sra. Weasley deixou escapar um suspiro de alívio. – Acho que fico mais tranqüila em saber. – sorriu. – Como vai, Julie, querida?

- Estou bem, graças a Merlin. E você?

- Bom, antes que vocês prolonguem a conversa, nós já vamos. – Sirius avisou. – Alissa está cansada e quer descansar antes da ceia e os garotos devem estar curiosos para saber onde os Black residem agora, não é? – ele abraçou Harry e Hermione pelos ombros.
- Desculpem, mas já temos que ir, realmente. – Alissa se pronunciou. – Até logo!

- Até, querida. Feliz Natal para vocês. – Julie despediu-se.

- Tchau, Amy! – Isabella murmurou. – Não esquece de aparecer lá em casa dia vinte e oito, ok?

- Pode deixar. Tchau!

E ela correu para acompanhar os pais, que já atravessavam a barreira mágica que levava ao mundo trouxa. Aparataram não muito longe dali. Era um bairro de classe média alta, havia casas de todos os tamanhos, todas realmente muito bonitas. Alissa ia à frente, os três garotos no meio e Sirius mais atrás; medidas de segurança, como gostava de dizer.

- A Bebel mora ali adiante, naquela casa. – Amy apontou uma casa logo no início da rua, a segunda da comprida fileira de casas. – E é dona de mais duas. – apontou a quarta do mesmo lado e a casa logo em frente à primeira. – Herança de Robert Bonstrong, mas ela e Julie não dão a mínima para isso. Vivem da maneira mais simples possível.

- Então a Gina vai estar o tempo todo aqui?

- Bom, é relativamente perto, não é? – Amy brincou.

Pararam ao dar de cara com uma casa de dois andares, cor gelo. Não era luxuosa, tampouco grande, mas era uma das mais bonitas de toda a vila. Para Hermione era algo normal, lembrava muito as casas de Godric’s Hollow. Ao entrarem na casa, no entanto, seus olhos brilharam encantados.

- Bem vindos à casa dos Black. – Sirius disse sorridente, os braços abertos. – Gostaram?

- É maravilhosa, Sirius. – foi tudo que Hermione conseguiu pronunciar. Seus olhos esquadrinhavam todos os cantos. – Realmente maravilhosa.

Harry, no entanto, parecia abobalhado. A casa era uma surpresa e tanto. Por fora parecia ser bem menor do que era realmente. Tratava-se de uma mansão interna. Só a sala, era o tamanho da casa por fora.

- Incrível como a magia me surpreende cada dia mais. – ele murmurou.

- Isso é só a sala. – Amy disse, caminhando em direção ao corredor estreito e sumindo por uma porta.

- Venham comigo. Vamos subir; vou levá-los aos seus respectivos quartos. – Alissa chamou, seguindo para as escadas. – Sirius, querido, se possível, ajude a sua filha a aprontar o restante da ceia.

- Eu preciso mesmo? – ele perguntou.

Alissa apenas ergueu as sobrancelhas e acenou positivamente de forma lenta, já na metade da escada.

- Ok, tudo bem. – ele se encaminhou para a cozinha.

A mulher sorriu e continuou subindo.

- Vamos. – ela chamou. – Hermione, você fica no quarto da Amy e, Harry, você fica... – ela andou, passando à segunda porta do corredor. – Aqui. – abriu a porta do quarto. – No final do corredor, nós temos uma sala de tevê. Não tem porta nenhuma, é só seguir até o final. A primeira porta é o banheiro. – ela explicou. – Mas não se preocupem com isso. Os quartos onde vocês ficam têm suíte.

- Tudo bem. – Harry adentrou o quarto e Hermione seguiu com Alissa até o quarto de Amy.

O quarto era grande, tinha uma cama de solteiro bastante confortável, uma poltrona, um armário bastante generoso e algumas prateleiras vazias. Sentia-se em casa e tinha certeza: aqueles dias seriam bastante proveitosos.

---


Acordara cedo com o barulho dos passos apressados no corredor e a porta batendo.

- Amy! – a voz de Alissa ecoou por todo o corredor. – Você quer destruir a casa?

- Desculpa, mãe! – a garota fechou a porta com cuidado. – Ah, você acordou.

- Corrigindo: você me acordou. – fez Hermione, levantando-se.

- Ah, qual é? Feliz Natal pra você também. E olha, você ganhou bastante presentes. – a morena fez, descontraída.

- Nossa, realmente, foram muitos. – Hermione concordou. – E não estava brigando com você, estava apenas comentando que você deve ter acordado a casa inteira com a barulheira que estava fazendo e, principalmente, me acordou. Mas... Feliz Natal, Amy. – ela entregou um presente para a outra.

- Puxa, obrigada. – ela abriu o presente cuidadosamente. – Nossa, Herms! É linda. – Amy tinha uma enorme caixa de madeira decorada nas mãos.

- Isso não é o presente. – Hermione revirou os olhos. – Abre a caixa.

- Ah, claro. Eu sou meio lerda, você sabe.

Dentro da caixa havia um vestido branco de malha fria com a barra em renda azul marinho e duas faixas fixas da mesma cor logo abaixo do busto e na barra superior do vestido e um quadro de madeira e vidro tridimensional.

- Obrigada, Mione. Eu adorei! – ela agradeceu, abraçando a outra. – E acho que meu presente fica meio mixuruca perto do seu, mas foi de coração.

Hermione discordava. Tratava-se de uma coleção inteira de livros, não muito grossos, que abordavam a temática bruxa, como uma espécie de enciclopédia fragmentada.

- É incrível! Não acho que seja nada mixuruca. – comentou. – Muito obrigada, mesmo.

- Bem, você abriu quase todos os seus presentes, mas esqueceu daquele ali. – Amy apontou.

Hermione não tinha visto a caixa enorme que estava ao pé da cama e até se surpreendeu. Mas ela sabia de quem era o presente.

Abriu a caixa e retirou dela uma porção de coisas. Primeiro um urso branco de pelúcia segurando um coração com os dizeres “eu te amo”, em seguida um kit de cremes hidratantes e para fazer massagem, acompanhado de óleos e essências de todas as fragrâncias imagináveis e um pequeno cartão.

Seus dizeres eram poucos, curtas eram as palavras, mas seu significado era de uma imensidão incalculável.

Eu amo você, e só você; hoje e sempre.

- Uau! Quem te daria um presente desses? – a outra perguntou, curiosa.

A morena desviou a atenção do cartão que lia com um sorriso terno no rosto.

- O Harry. – ela murmurou baixinho.

- Quem? O Harry? Harry Potter, meu irmão? – Amy arregalou os olhos, um largo sorriso brincando em seus lábios.

- Ele mesmo. – Hermione confirmou. – Hoje nós fazemos um ano juntos.

O sorriso que Amy tinha no rosto sumiu e foi substituído por uma expressão de extrema surpresa.

- Um ano? – ela estava boquiaberta. – E como é que ninguém soube?

- Não é para saber. É um acordo que temos, até a guerra acabar. Ele só quer me proteger de Voldemort e, eu devo admitir, me sinto mais segura assim. – Hermione contou, tirando de dentro da camisa e colocando à mostra o colar onde havia dois H’s entrelaçados. – Ele me deu isso exatamente a um ano atrás.

- É lindo... – Amy comentou, admirada.

- É, eu não o tiro para nada. – concordou a morena.

- Aposto como foi ele quem te deu esse anel e essa pulseira, não?

- Bom, a pulseira é a mais antiga. Ganhei quando ainda éramos apenas amigos, logo depois de um treino de Quadribol que fui assistir.

- Ela é bem grossa. Muito bonita, também. Mas e o anel?

- Ganhei de aniversário e, desde então, nunca mais tirei. – contou. – Me sinto desconfortável ganhando jóias, afinal, devem ser caríssimas, mas não posso deixar de aceitar...

- Ele ficaria bastante chateado, tenho certeza.

- Sei disso. Por isso aceito.

- Ele te ama, Hermione. Não é todo dia que aparece um homem maravilhoso assim em nossas vidas. Agarre-o e segure firme. – ela aconselhou.

- Ele não é para a vida toda, Amy. – Hermione disse, tristemente, baixando os olhos.

- E por que não seria?

- A profecia. Ela está para se cumprir e, ao que tudo indica, muito em breve. Quando a guerra acabar, nós nos separaremos e não sei quando nos veremos novamente, se é que nos veremos.

- Então aproveite cada segundo ao lado dele. – a outra sentou na cama em de Hermione, segurando as mãos dela firmemente. – E vocês vão se encontrar, sim. Acredite.

- Eu acredito. – Hermione disse com um sorriso triste nos lábios, encarando fixamente a outra, deixando uma lágrima solitária escapar.

---


Seus olhos marejaram e uma lágrima escorreu pelo seu rosto, rolando lentamente e logo depois sendo expulsa pelo feitiço que lançara mais cedo.

Sem pensar mais, ela saiu correndo em direção a torre da Grifinória. Harry ouviu os passos apressados e se desvencilhou de Cho.

- Isso não podia ter acontecido, me entendeu? Não podia! – disse Harry sério.

- Mas Harry...

- Chega, Cho! Me esquece! – berrou Harry e saiu correndo atrás de Hermione, que sumia naquele exato momento ao final do corredor.

Ao chegar ao retrato da mulher gorda, parou um instante e recuperou o fôlego.

- Luzes cristalinas. – disse ofegante.

- Se assim você diz... – e o retrato girou.

Harry entrou apressado no salão comunal, esquadrinhando em todos os cantos um sinal de Hermione. Viu a garota sentada a uma poltrona num canto escuro da sala e foi até ela.

- Saia daqui! – ela berrou.

- Mione...

- Harry, eu quero ficar sozinha! – ela disse entre soluços. – Me deixa em paz!

- Mione, o que houve?

- Eu já disse que eu quero ficar sozinha!

- Ih... Tem alguém de mau humor por aqui... – ele murmurou para si mesmo. – Mione, por que você está chorando?

Hermione não respondeu.

- Vamos, Mione! O que houve? – ele perguntou sentando-se ao lado dela, que deu as costas. – Você está bem? – ele tentou novamente, aproximando-se.

- Pára com isso, Harry! – ela disse alteando a voz e se levantando.

- O que deu em você, Mione?

- Em mim? – ela perguntou se fazendo de desentendida, mas seus olhos espelhavam fúria. – Ah, Harry! Às vezes tenho vontade te socar até você começar a gritar de dor... – ela disse com raiva. – Você é tão cego!

- Mione, qual foi o problema? – Harry tornou a perguntar.

- Não tem problema! Eu não estou com nenhum problema... É a Cho quem tem um problema agora.

- O que é que você não gosta na Cho? – perguntou Harry ficando irritado com aquilo.

- Dos lábios, com certeza. – disse ela enraivecida. – E não tenho nada contra ela!

- Ah, legal. – disse Harry irritado. – O que foi? – Hermione o olhou com os olhos miúdos, fuzilando-o. – Por que se importa tanto com ela?

- Eu não me importo com aquela vadia! – disse Hermione aos berros novamente. – Agora me diz... – ela começou sonsamente. – No que você acha que ela está interessada, hein? – perguntou. Ele a olhou surpreso, não entendia o que ela estava falando. Mas ela mesma respondeu a sua pergunta. – No seu dinheiro. Ela está interessada no Harry Potter, o garoto que sobreviveu, aquele Harry Potter rico e famoso que todos acham o máximo sem nem ao menos conhecê-lo. Será que ela te amaria se você fosse só o Harry? Uma pessoa como outra qualquer? Apenas o Harry?

- Hermione, por que está falando isso? – perguntou Harry.

- Porque eu o amo! – ela despejou as palavras que estavam entaladas em sua garganta há dois anos sem medir as conseqüências. Falara sem pensar e agora corria o risco de acabar com aquela amizade que se aprofundara durante cada um dos seis anos que tiveram de convivência, cada momento...

Ela então correu para as escadas, mas antes que pudesse atingir seu objetivo, Harry e puxou com força pelo braço e a beijou, imprensando-a contra a parede. De início, apenas roçaram seus lábios. Hermione fora pega de surpresa com aquele brusco gesto do garoto. Passado este momento, ela entreabriu os lábios e deixou que a língua do garoto adentrasse sua boca. Enlaçou o pescoço do garoto com os braços enquanto ele ainda a abraçava pela cintura.


- Eu faria tudo novamente... – ele disse.

- Até mesmo o beijo com a Cho? – Hermione indagou, cruzando os braços e encarando-o séria.

- Não fui eu quem a beijou. – ele respondeu, abraçando-a, mas ela permaneceu irredutível. – Eu te amo, minha bobinha! – ela revirou os olhos e fingiu não ouvir, ao que ele apertou o abraço e deu um beijo em sua bochecha. – Você não vai me ignorar por muito tempo... – ele riu. – Meu beijo?

- Sabe que odeio quando você pede. – ela murmurou. – Você tem que dar!

Ele a virou bruscamente e beijou-a.

- Assim? – sorriu maroto.

- É mais ou menos por aí... – Hermione brincou.

Amy balançou a cabeça negativamente, afastando-se da fresta da porta e descendo as escadas.

- Quem entende esses dois? – ela riu.

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