Capitulo um: O primeiro dia
POV Whendy
Era o primeiro dia de aula. Mas não um dia comum, era o primeiro dia do meu ultimo ano em Hogwarts.
Eu entrei em desespero.
Haveria de haver outra oportunidade para todos nós ficarmos juntos, outra vez. Foram sete anos de gritos micos, risos, choros…
Não adianta ficar assim – eu me consolava – ainda faltam 365 dias. – e então sorri e voltei a realidade.
Mas ultimamente, eu preferia o sonho à realidade. Ter um pai pegando no seu pé a cada cinco minutos não é nada acolhedor. Ter um Parkinson implicando com você não é nada divertido. E ter uma amiga brigando com você, por causa de garotos é a melhor coisa do mundo, para não dizer o contrário.
Derrepente me vi andando pelo corredor da Sonserina. O que eu fazia aqui? Não tem lógica, há não ser pelo fato de ser escuro o bastante para fazer outras.
Será que dá para piorar?Quando perguntamos? Com certeza piora.
- Potter, Potter, Potter… O que uma Potter faz aqui? - perguntou Zachary.
- Por acaso meu nome é uma doce para você repetir quatro vezes na mesma frase? – ele não respondeu, apenas ficou vermelho o suficiente para eu me sentir envergonhada. – Qual é! Hoje é o primeiro dia de aula, me dê um desconto. – implorei.
- Isso é um caso a se pensar. Mas o que você faz aqui?
- Procurando meu pai, você o viu?
- Graças a Deus não.
Não deu tempo dele se explicar, pois apareceu um garoto igualmente parecido com ele, apenas um pouco mais velho, olhos castanhos e cabelos negros. Eu fiquei boquiaberta, nunca havia o visto.
- Quem é ele? – perguntei a Zachary.
- Prazer. Meu nome é Johnny Parkinson Turner, mas pode me chamar de John. Eu sou irmão dessa bicha loira. – apontou para Zachary, beijou meu rosto, eu ri e Zachary ficou vermelho de raiva, ultimamente não entendia suas mudanças de humor.
- Prazer. Sou Whendy Potter…
- Ha sim! A famosa Barbie. – ele disse olhando de rabo de olho para Zachary.
Nós dois acabamos rindo
- Você é bem mais simpático do que o boneco de plástico.
- Obrigado. – respondeu ele sem jeito.
Ficamos conversando por um bom tempo, ouvi ainda alguns murmúrios de garotos e garotas da Sonserina. Zachary ficou de braços cruzados bufando, não ouvi mais sua voz.
Depois me despedi dos dois e comecei a andar rápido olhando ao relógio do meu pulso. Eu estava atrasada, disso eu sabia. E também sabia que meu pai iria me jogar numa panela de água fervendo cheia de trasgos.
Quando cheguei a sua sala vi um pai estressado e um irmão divertido, ele sabia o que eu ia falar.
- Porque essa cara pai? Eu só demorei…
- Uma hora, exatamente uma hora. – disse ele sério.
- Tanto tempo assim? Eu jurava que…
- Você estava com John, não é? – perguntou Jack.
- Caramba, hoje vocês tiraram o dia para me cortar.
- Mudando de assunto. – começou meu pai. – Você pegou os papéis? – concordei com a cabeça e entreguei os papéis. - Não se esqueça Whendy, você não poderá entrar mais todo mês na Floresta Proibida…
- Mas pai, não tem como. – reclamei
- Terá de se acostumar, está havendo muitos ataques.
- Danem-se os ataques. Você quer que eu morra? – disse isso com uma imensa voz alterada.
Ficamos quietos, os três, eu havia quebrado uma regra. Mas que mal fazia, ele queria que eu morresse? Não pelos ataques, é claro.
Ele saberia o que iria acontecer.
Eu não queria ter gritado. Mas ele continuou com sua calma invejada por mim.
- Whendy, por favor. Ouça-me pelo menos uma vez.
- Porque deveria? Dá ultima vez que eu o fiz fiquei em coma por quatro meses. – sai dali sem terminar a conversa e apenas ouvi um “Jack, siga sua irmã”.
Como ele consegue acabar com a minha felicidade num espaço de tempo mínimo? Os pais são os únicos que conseguem essa proeza.
Agora acho que eu corria.
Não saberia dizer o porquê, não sabia se era decepção, raiva ou medo. Talvez só o medo de morrer me fazia dizer essas coisas sem pensar.
A única coisa que eu saberia naquele momento era que eu ouvia minha respiração ofegante na Floresta Proibida. Como seu próprio nome dizia “Proibida”, mas quem respeitava essa regra? Ninguém, apenas meu pai achava que não.
Ouvi um relinchar atrás de mim. Assustei-me e cai nas folhagens. Ouvi um riso.
- Whendy! Sou eu o Nornius. Porque o susto? – Nornius era um centauro
- Desculpe. Estava distraída. – estava respondendo e tentando tomar fôlego. – Meu pai…
- Ele tentou conversar com você? Mas não conseguiu – apenas concordei com a cabeça. – Ele está correto. Está havendo muitos ataques, na lua cheia quando você precisa vir aqui, de lobisomens.
- Lobisomens? É isso que tanto assusta vocês? Eu já enfrentei coisas muito piores.
- Whendy, ele quer te proteger.
- Eu não tenho mais dois anos de idade.
- Não vai adiantar eu ficar discutindo com você, não é? – apenas concordei com a cabeça.
E então ele sumiu.
Ele sempre sabia quando eu precisava ficar sozinha. Parecia que ele me conhecia melhor do que eu mesma.
A Floresta Proibida, para mim, parecia mais um recanto do que um recinto de monstros. Apesar de alguns monstros serem bem legais.
Eu era um.Apesar de Nornius sempre falar “Você não pode ser um monstro. Você salva as pessoas, monstros não fazem isso.”
Acho que fiquei a tarde inteira sentada aonde eu havia caído, apenas encostei-me a uma árvore próxima.
Só quando estava caindo à noite um centauro disperso voltou e reclamou.
- Está na hora de você voltar a Hogwarts. – ordenou
- Claro. – respondi sem pensar, levantei e comecei a andar.
- Para aonde você pensa que vai?
- Para a China. – disse sarcástica – Me desculpe. Vou voltar para Hogwarts. Andando.
- Claro que você vai andando, mas só no dia em que a floresta se encolher tanto que parecerá uma formiga. Você está bem no centro da “Proibida”.
- Eu nunca imaginei que corria tão rápido. – disse para mim mesma.
- Vamos. Suba aqui.
- É desconfortável.
- Suba. – disse impaciente.
Subi em suas costas. A viagem foi tão rápida. Em menos de 15 minutos eu estava em Hogwarts.
Estava exatamente na entrada principal, ele devia achar que eu estava cansada o suficiente para não andar. Ma agradeci e ele sumiu, novamente.
Então, subi algumas escadas e me vi em frente ao Salão Principal.
Eu nem conseguia acreditar. Eu consegui sobreviver. Isso me assustou.
De repente ouvi um grito.
- Dyyyyyy.......!!! – eu não sou surda, pensei. – Quanto tempo! – disse Sandy correndo para me abraçar.
- Só foram alguns meses.
- Para mim foi um século. – argumentou. – Vamos comer. Estou morrendo de fome.
- Como se isso fosse novidade. – disse rindo.
- Você parece triste. O que aconteceu?
- Família.
- Depois você me conta. – impôs. “Como se algum dia eu pudesse lhe contar”,pensei.
Andamos mais um pouco até a mesa e sentamos perto de nossos amigos. Sandy fez alguma palhaçada e eu comentei:
- Só você para me fazer rir.
- Eu sei que sou a melhor. – brincou
Depois de nos acomodarmos o diretor Draco Malfoy fez seu discurso anual. Mas dessa vez foi divertido. E enquanto eu ria meu pai me advertia da mesa dos professores.
Rimos...
Conversamos...
Lembramos...
Eu acabei lembrando do horror do meu dia, mas olhando por agora valeu a pena.
Mas não posso me enganar, está apenas começando.
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