SÉRIE MOMENTOS A DESCOBERTA INESPERADA 1 – Saindo do ninho
A chuva castigava o jardim.
Intensa e gélida, a tempestade trouxera nuvens escuras e vento de inverno, acabando com toda a decoração do pátio. A manhã nascera ensolarada e seus irmãos, tios e primos decoraram tudo com tanto carinho, tanto empenho!
Tabata largou acortina, permitindo que ela encobrisse a vista desconcertante do lado de fora. Arrastou os pés até a beira da cama e sentou-se.
Estava pronta e vestida a mais de quatro horas. A espera pela mudança do tempo, era quase torturante.
A poucos minutos atrás sua mãe deixara suas tentativas falhas de reconforta-la e consola-la para correr atrás do padre, que ameaçava ir embora, e cancelar o casamento.
Ele tinha um casamento naquela mesma tarde e não poderia mais esperar.
Muito brevemente, sua tia Gina subira e acalmara afirmando que alguns uísques de fogo e a ótima companhia de sua tia Fler, haviam amolecido o coração do padre e ele esperaria a fatídica chuva se acalmar.
Tudo o que Tabata queria era descer e dizer que não se importava com o jardim. Lamentava o estrago, mas só queria se casar. Na sala de estar estava bom. Nem precisavam arrastar os sofás!
Mas não podia dar esse desgosto aos pais.
Sua mãe estava mais empolgada com a cerimônia do que ela.
Também pudera a primeira filha.
A queridinha, como ironizara as gêmeas a pouquinho tempo quando vieram ‘solidariamente’ lhe informar que o toldo sobre a recepção do pátio havia cedido e quebrado em dois, apesar dos esforços mágicos de todos.
Naquele momento, Tabby desejou ser filha única, ou ao menos ter maldade suficiente para colocar duas enormes verrugas naqueles narizes infantis!
Fitou demoradamente seus sapatos de fitas e perolas. Suspirou.
Lembrava-se da escolha de seu vestido. Estivera andando por todos os shoppings trouxas, depois de percorrer todas as lojas bruxas. Nada lhe agradava. Uns eram grandes demais, outros rodados demais, outros simplesmente a deixavam parecida com um gnomo, ou então, uma veela francesa de meia idade!
Sorriu dessa lembrança, a imagem do momento em que vira Elise usando um vestido de noivas escondida. Era perfeito. A diabrete não quisera que ela provasse, pois dissera que seria seu. Usaria como dama de honra!
Depois de uma profunda e escandalosa disputa no meio da loja, finalmente ela entendeu a importância de Tabata naquele casamento e cedera, liberando o vestido para seus olhar de encanto.
Era tudo que sonhava.
Era branco, mas tinha um tom perolado, a saia rodada, sem ser bufante. Quando andava ele movia-se a seu redor e deixava uma agradável sensação de conforto em seu corpo; o corpete era justo, e bordado com cristais e fitas acetinadas, as alças finas com suaves tecidinhos aplicados, mostrando seu colo e alongando seu pescoço.
Depois de muita briga com seus cabelos, ela optara por um coque alto, com os fios crespos naturais, porem seriamente domados por poções, em meio aos fios, pequenas presilhas com brilho e leveza.
Não quisera véu, pois pareci-lhe exagerado. Mas não abrira mão do buquê. Um buquê de rosas clarinhas, de vários tons, desde rosinha a amarelas.
Ela lembrava-se também de uma discussão entre seus pais, onde Rony tentara proibir Hermione e as outras filhas de entrarem na fila para apanhá-lo.
Ela riu sem querer recordando aqueles momentos felizes, que a levaram aquele momento.
-Um sicle por seus pensamentos – Hermione disse da porta, observando-a.
-Oi, mãe...eu estava só pensando. – suspirou enquanto sua mãe fechava a porta do quarto e se aproximava.
-Pensando em coisas tristes? – ela adivinhou pela sua expressão.
-Não – ela não podia mentir para sua mãe – Em coisas de casa. Acho que é por isso que estou triste. Porque não vou mais morar aqui.
-Ah, Tabby! – Hermione sentou-se a seu lado, abraçando-a pelos ombros - Como acha que estou me sentindo? E seu pai? – afastou seu rosto do seu ombro para fita-la – Até as meninas estão mais ariscas esses dias...pelo terror que é a idéia dessa casa sem você!
-Eu pensei muito nisso, mãe! Eu quero me casar e viver minha vida com Enzo, mas por outro lado eu quero ficar! Eu sou tão feliz aqui! Tão feliz! – seus olhos se encheram de lagrimas borrando sua maquiagem.
-Nada me deixaria mais feliz do que ter vocês dois morando aqui conosco – Hermione disse compadecida e emocionada – Mas nos duas sabemos que não é o certo. Seu coração está pronto para começar uma nova vida. Não deixe nada atrapalhar isso!
-Não vou deixar – ela limpou os olhos com as costas da mão, espalhando o borrão de maquiagem pelas bochechas – Estou um horror não é? – ela tentou sorrir chorando.
-Está linda – Hermione beijou sua testa temendo chorar a qualquer momento – É melhor procurar sua tia, porque sou um desastre com maquiagem! – ela levantou-se com o coração dividido entre ficar e a convencer a não casar e a certeza de que não deveria influenciar nos sentimentos dúbios da filha – Eu subi para avisar que estamos arrumando a sala para a cerimônia. Sei que não era o queríamos, mas é isso, ou rezar para o padre Ernest não cair bêbado antes da cerimônia! – ela disse irritada – Acredita que ele já bebeu quase um galão de uísque de fogo? Quando eu passei pela sala ele estava babando em cima da Fler e chamando-a de “Margarida”. – revirou os olhos – Nem quero pensar no que ele fazia antes de ser padre... – deu de ombros.
Tabata riu suavemente e disse:
-A sala está ótima, mãe.
Com um longo olhar nostálgico, Hermione saiu do quarto e Tabby ainda a ouviu reclamar com Sue no corredor.
Logo a cabeça bem adornada por flores apareceu através do batente da porta:
-Posso entrar? -ela disse incerta.
Não esperou resposta e invadiu o quarto com Luisie e Elise em seus calcanhares.
-Aqui, compramos para você – Sue disse com falca inocência – Iríamos dar depois do casamento, mas do jeito que vai, pode nem ter casamento...então... – estendeu o embrulho, maldosa.
Elise a cutucou e tirou o embrulho de suas mãos.
-Não ligue para ela. Está com inveja.
-Inveja de que? – Sue perguntou horrorizada mas foi ignorada totalmente.
-Não precisavam ter comprado nada – Tabby disse acariciando o embrulho com as mãos. – O que é?
-Uma coisa que vai precisar muito – Elise disse maliciosa – Só não deixe a mamãe saber que escolhemos isso. Precisei da ajuda da irmã de uma amiga minha, que é maior de idade para comprar!
-O que pode ser então? – Tabby ficou curiosa.
-Não abra agora! – Luisie protestou quando ela tencionou abrir o embrulho – É para abrir depois, quando estiverem no hotel em Paris!
-Nossa...é tão importante assim? – ela brincou entrando na brincadeira das irmãs.
-Acredite isso pode salvar seu casamento se Enzo conhecer alguém mais bonita que você! – disse Sue com ar superior.
-Alguém como você, Sue? - Tabby provocou.
-Quem sabe, um dia...- ela deu de ombros, fazendo a irmã rir.
-Vou sentir muita fala de você, Tabby – Elise confessou parando de rir e ficando séria – Eu sei que parece que esse casamento não vai sair hoje, mas...mesmo assim, eu já estou com saudades!
-Mas não precisa! Vou estar sempre aqui! – ela disse ameaçando choro de novo – É meu lar! Nunca vou deixar essa casa, mesmo que more longe! Além do mais o nosso apartamento não fica tão afastado assim, e podem ir para lá sempre que quiserem!
-Mas não é a mesma coisa – Luisie disse baixo, seu rosto miúdo e tímido amuado com lágrimas que não queriam correr, mas estavam ali a enchendo de vergonha e tristeza.
-Não diz isso, Lu, senão eu não caso! – ela disse chorando – Estou tão triste em ir embora! Eu só percebi o quanto é difícil hoje, quando vesti a roupa e soube que era o último dia nesse quarto – olhou em volta – É como se uma coisa fosse arrancada de mim, quando na verdade não e nada disso!
Luisie abraçou-a forte e Tabby fechou os olhos, emocionada.
-Eu quero muitas fotos de Paris! – Elise exigiu, tentando não mostrar sua emoção. – E não esqueça do perfume!
-Nunca esqueceria da sua encomenda! – ela disse fingindo indignação e a puxando para sentar-se a seu lado na cama, e abraçando-a.
Demorado. Apertado, como o nó em sua garganta. Amava os pais, mas tinha loucura nas irmãs.
-Ah, por favor! - Sue limpou algumas lágrimas e bateu o pé nervosamente no chão – Olhem nossas maquiagens! Estamos horríveis!
-Eu não uso maquiagem – Luisie retrucou, sem conseguir se controlar e implicar com a irmã.
-Mas deveria – Sue sugestionou levantando graciosamente a sobrancelha.
Luisie mostrou-lhe a língua e fez careta.
-Como vou viver sem essas duas? – Tabby sussurrou para Elise, e as duas se entreolharam rindo.
-eu não sei, mas não deve ser tão difícil assim – ela suspirou, levantando-se e dizendo séria – Não esqueça: Só abra no hotel!
-Farei um esforço! – ela foi sincera, o embrulho pesando em suas mãos, sobretudo pela curiosidade.
-Certo, - Elise alisou seu vestido rosa de dama de honra e olhou para as irmãs – Vamos descer e ajudar em alguma coisa. Com um pouco de sorte e talento do Tio Harry, talvez você até tenha um altar!
Confiando e rezando secretamente para que isso acontecesse, ela observou-as saírem.
Soltou o ar lentamente, lembrando-se de como fora dividir aquele quarto com Elise nos últimos quatro anos. Muitas meninas odiariam ter um quatro só para si e aos quatorze passar a dividir com sua irmã de nove, mas ela amara cada minuto.
Sempre, durante em todos os minutos. Elise era sua alma gêmea. Normalmente as pessoas pensam que almas gêmeas são sempre pares românticos, mas Tabata acreditava que não. Ela e a irmã tinham uma ligação de amizade quase maior ao laço de irmãs que possuíam.
E depois vieram as gêmeas, com suas brigas animando a casa e tornando os silêncios raros e preciosos.
Tabata deixou a cama e andou pelo quarto, voltando a olhar pela janela, não mais preocupada pela chuva que desabava lá fora.
O importante era dizer “sim”.
E ela o diria. Em alto e bom som. Para que todos ouvissem e memorizassem em suas mentes para sempre. Ela pertencia a Enzo e agora todos saberiam disso e respirariam isso, pois seriam um casal. Oficialmente.
Batidas leves na porta e ela sobressaltou-se.
-Entra – sussurrou, com um súbito cansaço de tanto esperar.
-Oi – Era Luke e sua expressão contrariada – Só vim avisar que o Enzo desistiu e fugiu com as gêmeas do tio Gui. –ele falou passivamente e ficou esperando.
A expressão dela era cômica. Ele até agüentou muito antes de cair na gargalhada.
Tabata buscou ar, desconcertada. Estava tão nervosa que acreditara nele!
-Menino idiota! -ela disse entre dentes!
-Foi só uma brincadeira! – ele defendeu-se se aproximando dela – Ágüem já lhe disse que está assustadora? – ele apontou sua maquiagem – Não deixe Enzo vê-la assim, ou minha praga pode cair mesmo!
-Mamãe foi buscar reforços – disse com expressão digna.
-Ainda dá tempo de desistir – ele sugeriu depois de segundos de silêncio fitando-a.
-E porque desistiria? – ela cruzou os braços sobre o peito, encandeando-o seria. Luke deu de ombros e moveu-se olhando para o chão – Eu amo Enzo. – Luke olhou para ela com um olhar de acusação – Mas não é nem um décimo a mais do eu amo você. – ela foi seca, mas definitivamente – Ele não está tomando o seu lugar na minha vida. É meu irmão e sempre irá cuidar de mim. Mas agora, Enzo o fará de outra maneira. Não precisa ter ciúmes dele. Ninguém está me roubando de você ou coisa parecida que possa estar imaginando!
Corado de vergonha Luke concordou com a cabeça as mãos nos bolsos da calça social. Ele estava vestindo a camisa social e a gravada acinzentada, os cabelos ruivos cheios de gel, penteados para o lado, os sapatos lustrosos e aquela expressão emburrada.
-Ai, Luke, você está tão parecido com o papai! – ela disse puxando o menino para perto – Me dá um abraço, não tem ninguém vendo!
Ele tinha pego uma “alergia” a ser tocado ou abraçado pelas irmãs em publico, coisa de garoto que tem medo de ser visto como ‘frágil’.
Com má vontade ele abraçou e eles ouviram um grito de sua avó Molly chamando seu nome lá embaixo.
Antes de sair e ele ainda virou para trás e perguntou:
-Sem chances de desistir?
-Totalmente convicta da minha decisão – disse séria.
-Ok – ele bufou e então deu de ombros – Fazer o que, né?
Tabata maneou a cabeça incrédula quando ele saiu. Luke adorava Enzo, mas não admitia. Era ciumento e possessivo, herança de Ronald Wesley. Ou de Hermione Granger, que inegavelmente tinha seus momentos.
Respirou fundo dezenas de vezes se obrigando a não contar os minutos no relógio da parede. Ele tinha formato de gato e era do seu tempo de criança.
Quando fechava uma hora ele miava alto e ela sempre sorria quando isso acontecia. E lá se ia mais uma hora de espera.
-Hei – ela ouviu um sussurro e batidas e aproximou-se da porta.
-Enzo? – estranhou.
-Sua mãe me proibiu de entrar – ele disse do outro lado da porta. A voz dele estava meio desesperada – Podíamos fugir para uma daquelas cidades trouxas que casam em meia hora. O que acha?
-Las Vegas. O nome da cidade é Lãs Vegas – ela sorriu - Poderíamos até ter O Elivs Presley de padrinho! – ela sugeriu.
-Viu, é uma ótima idéia! -ele disse ansioso – Por favor, Tabby, me salva! Eu não agüento mais sua avó andando de um lado para o outro, gritando com todo mundo! E para piorar a mãe da sua mãe chegou e está reclamando que ela não para de deixar todo mundo nervoso! Se eu ficasse mais um segundo lá embaixo, enlouqueceria!
-E o meu pai? Onde ele se meteu?
-Sei lá! – ele disse rancoroso – Ele fica passando por mim com um olhar de acusação que dá até medo! Achei que seu pai tivesse superado o fato de estarmos casando!
-É que ele ainda acha que... – ela corou, mesmo sabendo que ele não a via através da porta -...Ele acha que hoje, depois da festa você vai...bem...que eu vou deixar de ser...você sabe!
-Ah, então é isso! Porque não contamos logo para ele e acabamos logo com seu sofrimento? – sugeriu rindo.
-Deixa de ser mau, Enzo! Coitado do meu pai! Só pensa em me proteger!
-Sim, ele quer protegê-la, de preferência me tirando da sua vida!
-Papai não quer que saia da minha vida! Ele só não quer que você me toque – informou mansamente sorrindo ainda mais quando ele bufou – Por favor, Enzo, fique calmo.
-Eu estou calmo! – ele ficou ainda mais nervoso com a sua acusação.
-Como pode estar calmo, se está me deixando nervosa com o seu nervoso??? - ela ficou indignada.
-Tabata, não me deixe confuso, ok? – ele pediu a voz mais baixa – Está usando o vestido?
-Sim, estou pronta...E você?
-Também. –ele fez um curto silencio antes de dizer malicioso – Eu não posso entrar só um pouquinho?
-Não pode me ver vestida de noiva antes do casamento, Enzo! Dá azar!
-Mas eu fecho os olhos...
-Nem pensar! – ela ralhou, embora suas pernas estivessem mole, e sua respiração descompassada com a possibilidade de deixá-lo entrar – Além disso...a gente deveria esperar pela lua de mel... – mordeu os lábios.
-É que eu só queria um beijo, mais nada – ele disse com a voz, mas dissimulada do mundo – E um abraço, Tabby. Nem precisa ter mãos na historia...
-Ah, sem mãos, sei. – ela desacreditou – Nem uma mãozinha, Enzo? Nem as suas?
-Bem, poderia ter um pouco de mãos,sim...as minhas de preferência – ele confessou e ela sorriu – Eu tô louco para dar uns amassos...Ah, oi, Sr.Wesley – ele mudou drasticamente o tom, e ela arregalou os olhos.
-Eu gostaria de dar uma palavrinha com a minha filha, Enzo – o tom sério do seu pai a fez cobrir os lábios para não rir alto. Dava tudo para ver a cara de Enzo por ser pego falando aquelas coisas!
-Ah, é claro, Sr.Wesley...eu já estava descendo... – os passos dele eram bem rápidos - ...Eu vou...fazer alguma coisa, acho eu...
Ela se afastou da porta quando ouviu a maçaneta girar. Ainda sorria quando o pai entrou mal encarado.
-Tem certeza? – ele perguntou direto, sem meias palavras – Casamento é uma coisa muito séria, Tabata. É tudo sobre responsabilidade. Das duas partes e não me parece que Enzo seja capaz de assumir responsabilidades. Na verdade ele é bem imaturo.
-Eu acho que estamos preparados. Na verdade, eu tenho certeza disso. – ela suspirou, consciente de que não havia mais meias palavras, ou seu pai entendia agora, ou seria contra Enzo eternamente – Além de tudo eu o amo. E ele sente o mesmo. Não pensamos em criar uma família amanhã! Pensamos em viver juntos, construir nossa vida e então termos filhos. Queremos viver tudo o que sentimos sem a sensação de estarmos fazendo algo errado, ou escondido, e...eu quero viver todos os dias com ele. Se esperarmos mais estaremos sendo mesquinhos com nossos sentimentos. Eu gostaria muito que entendesse, pai. E aceitasse.
-Eu entendo. Eu aceito. –Rony aproximou-se da filha fitando seus olhos com tanto amor que ela sentiu a garganta apertar – Eu só não quero vê-la se machucar.
-Eu tenho certeza que Enzo é a pessoa certa. – afirmou.
Rony estendeu a mão e acariciou seu rosto com ternura, dividido entre o orgulho de vê-la adulta, linda e segura e o desejo incontrolável de colocá-la em seu joelho e contar-lhe uma historia de ninar, como fazia quando ela era pequena.
-Eu tive a mesma certeza sobre sua mãe, ainda mais novo que você e não me enganei. – ele contou - Vou torcer para que também não se engane. E, caso isso aconteça, essa casa sempre será a sua casa e pode voltar quando quiser!
-Pai! – ela ficou indignada com seu tom sugestivo – Eu vou ser feliz, e se não for, conto com você para colocar Enzo na linha.
-Se ele não fugiu ainda a pouco... – os dois sorriram – então, será seu marido daqui a pouco. – ele suspirou – Tenho que me acostumar com essa idéia. Não vai ser fácil, mas eu consigo.
-Logo, logo, Elise também casa e você nem vai mais lembrar do meu casamento. E tem as gêmeas e Analy. Estará pensando em netos antes que perceba.
Ficou quieta esperando sua reação. Rony parecia realmente tocado com essa possibilidade. Era demais para ele, pensar nas filhas casadas. E o ato de fazer os netos é que lhe preocupava.
-Se ele aprontar qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, eu pego ele – disse ameaçador. – Ele está avisado, mas é bom que refresque sua memória de vez em quando.
-Enzo sabe disso. – ela tentou não rir.
-Isso é bom – Ronald concordou e afastou-se – Tudo está pronto lá embaixo, e sua tia já vem arrumar você – ele disse antes de sair, com um longo olhar incerto.
Ela sorriu novamente sozinha. Seu pai não existia.
Por ele, ela morreria virgem e jamais se aproximaria de homem algum. Gostava de sua seriedade em relação ao modo que as criara, pois se pensasse bem, suas primas, filhas de Guilherme e Fler, tiveram uma criação liberal e eram bem assanhadas. Na verdade já ouvira historias escabrosas sobre elas na família.
Mas de qualquer maneira a vida sexual de suas primas não era da sua conta.
O ato de puxar e soltar o ar parecia ter se tornado rotina naquele dia de espera e angustia. Estava tentando decidir se sentava na cama, ou andava pelo quarto quando a porta abriu novamente.
Ela revirou os olhos cheia de interrupções. Será que ninguém tinha pena dela? Estava uma pilha, e cada vez que alguém entrava ela sobressaltava-se imaginando que era a hora do sim!
-Oh. Nossa, não é a toa que Hermione estava desesperada pela sua maquiagem! - Gina entrou como um vendaval espalhando coisas pelo quarto – Venha, aqui. Vamos dar um jeito nessas manchas... – Tabby sentou-se na cadeira que ela puxou do conto do quarto, onde ficava a penteadeira e tentou não tremer – Pode soltar o buquê, Tabby. – ela sorriu do seu constrangimento – Depois que corrigir a maquiagem, irei colocar um feitiço para não estragar se for molhado...mesmo assim, não deve chorar mais. É um dia de festa!
-Com essa chuva toda? – ela duvidou lamentando novamente a festa perdida.
-Nunca subestime Wesleys. Tendo cerveja amanteigada, o resto nos garantimos!
-Eu estou enlouquecendo nesse quarto – ela confessou – Por mim, teríamos feito uma cerimônia simples desde o começo! E Enzo pensa o mesmo, na verdade ele nem se importa com cerimônias...
-Sabe que meu casamento com Harry foi no litoral? Não contamos para ninguém. As testemunhas foram pessoas da região que nunca tínhamos visto na vida. – Gina sorria as lembranças. – Lembro que minha mãe quase morreu quando soube! Depois, simplesmente ignorou o fato e armou toda uma cerimônia, sem juiz, mas fez festa e tudo! Eu achei uma bobagem. Mas para ela fez toda a diferença. E enquanto sua vó Molly estiver viva, ninguém casa sem uma bela cerimônia.
-Eu entendo. Só não concordo – ela não abria mão de seu ponto de vista.
-Já sabe para quem irá joga o buquê? – Gina mudou de assunto, contornando os belos olhos azuis da sobrinha com um lápis.
-Elise me fez prometer que jogaria para ela – disse em tom de segredo – Mas acho que Amira precisa mais já que está...é bem... – ela parou a tempo.
-Grávida? – Gina parou irônica – todo mundo já notou. Só Fler e Gui fingem que não sabem que a filha está grávida e nem tem um namorado!
-Bem, como dizia, acho que seria bom ela pega o buquê! – deu um sorriso amarelo.
-O bom mesmo era alguém colocar juízo naquela cabecinha de veela. Tão bonitinha, mas oferecida...e ciumenta. Está mordida com seu casamento. É melhor tomar cuidado, ela anda em cima de Enzo.
Tabby fugiu o rosto, olhando para ela com olhos arregalados. Então sorriu.
-Ela não faria isso, não somos propriamente amigas, mas somos primas.
-Mesmo assim, fique de olho – Gina alertou – Prontinho, está linda . – elogiou com sinceridade, conferindo o rosto impecável, com a maquiagem angelical.
-O que foi, tia? – ela perguntou notando sua expressão emocionada.
-Estava pensando no passado. – alisou sua bochecha – Quando entrei em Hogwarts, eu me senti sozinha, sem amigos, então...me aproveitei que Rony já tinha uma amiga, que sentia-se meio responsável por mim, e me grudei nela. – riu – E quando vi, éramos inseparáveis. Não por solidão. Mas por que nos adorávamos. E hoje, tantos anos depois, minha sobrinha, tão parecida com ela, está se casando. é uma sensação única.;
-Para mim, eu sempre tive uma segunda mãe – Tabby confessou, apanhando sua mão e apertando com carinho – Nossa, eu vou borrar a maquiagem de novo!
-Não, não vai. – Gina garantiu – Vou descer e depois, alguém te busca. Não saia desse quarto!
-Não vou sair – garantiu pela milésima vez naquele dia.
Sozinha novamente, ela mirou-se no espelho gostando do que via. Estava bonita, mas sem exageros. Suave, seria uma boa palavra. Agora, que o grande momento se aproximava, o nervosismos parecia ter ido embora e só a certeza do que faria era o bastante para deixá-la com um sorriso imenso nos lábios.
Sra.MacNamara. Sra.Grager Wesley MacNamara. Sra.G.W. MacNamara.
Não importava a combinação, pois o resultado era o mesmo!
Os minutos passaram sem que ela notasse. Mesmo quando sua mãe apareceu com expressão de choro, avisando que estava na hora, ela ainda assim não esboçou reação.
Ela desceria a escada sozinha, então encontraria seu pai aos pés da mesma, e seguiria pelo tapete vermelho arrumado na ultima hora, até o meio da sala de estar, onde desapareceram com os moveis e colocaram uma espécie de altar improvisado. Era isso. Era a hora.
Sorrindo para a mãe, ela ficou sozinha enquanto ela descia e tomava seu lugar como mãe da noiva.
Tabata ouviu o primeiro toque da marcha nupcial e desceu um degrau. Depois outro...
-A chupa parou! – ela ouviu o grito de seu Tio Fred que apontava para a janela por onde um sol vistoso entrava.
A marcha parou na mesma hora. Desiludida ela correu de volta para o quarto, exasperada. Em seu quarto, ela correu para a janela, fitando o belo dia que abria lá fora. Parecia brincadeira de mau gosto!
Avistou os homens da família e algumas mulheres corajosas, distribuindo feitiços para todos os lados, buscando concertar o desastre que a chuva deixara para trás. Sorriu vendo Elise, com seu vestido sungado até a cintura, e um short improvisando por baixo, correndo de um lado para o outro, muito perto de Tiago, catando o que sobrara das flores do jardim, enquanto Bichento, sempre antagonista de água, corria para todos os lados tentando não ser pisoteada.
Estava tão distraída que levou um susto quando foi abraçada por trás, e alguém beijou seu pescoço.
-Agora eu já te vi mesmo – enzo sussurrou em seu ouvido – Que coisa maravilhosa, não é? – ele apontou para o jardim – Todas essas pessoas te amam.
-Às vezes eu penso que sou a pessoa mais sortuda do mundo – ela confessou, entregando-se a seu abraço.
-Não, não é. Eu sou. Primeiro conhecer você, depois você se apaixonar por mim, e para melhorar, entrar para uma família como a sua. Sou o cara mais afortunado do mundo.
-Mesmo tendo meu pai de sogro? – ela provocou.
-Faz parte do pacote – ele tornou a beijar seu pescoço com carinho, deixando-a arrepiada da cabeça aos pés.
-Sabia que minha maquiagem está enfeitiçada? Nem um terremoto pode estragá-la... –ela sugeriu maliciosa.
-Onde será que o seu pai está? -ele perguntou olhando para o jardim atrás do futuro sogro.
-Tem tanto medo assim do meu pai? -ela provocou, afastando-se e usando a varinha para selar o quarto e trancar a porta. – então, ainda quer procurar o meu pai?
Ele maneou a cabeça.
-Não. Eu quero outra coisa.... – ele segurou sua cintura – Quero saber como faço isso sem estragar seu vestido...
-Eu posso tirá-lo... –ela sugeriu sorrindo quando ele mordeu os lábios – Mas aí, vou ter que chamar alguém para me ajudar e vesti-lo novamente... – ele discordou na hora. – Posso também...ergue-lo...um pouquinho... – ela fez o que dizia e colocou as mãos por baixo da saia – e tirar isso aqui...-puxou a calcinha para baixo, deixando a saia cobrir seu corpo.
A peça ficou no chão enquanto ela olhava para Enzo.
Enzo não a tocou, mas sentou-se na beira da cama e estendeu a mão em sua direção. Ela aceitou e segurou firme, entrelaçando seus dedos nos dele. Ficou esperando enquanto ele soltava o zíper da calça e se preparava. Ah, ele era tão bonito de se olhar.
A pele bronzeada, corada pela excitação, seus peito arfando pelo ar que ele quase não conseguia puxar para seu pulmão, de nervoso. Os olhos verdes, escurecidos pela paixão.
Era a ultima vez que seria dele, como sua namorada. A ultima vez escondidos, em um canto, rezando para não serem pegos.
-Pronto – ele avisou quando estava preparado.
Tomando cuidado com o vestido, ela subiu na cama, os dois rindo enquanto ajeitavam as inúmeras camadas de tecido, e tentavam tira-lo da caminho para não sujar.
Tabata esqueceu do vestido, quando desceu o quadril e o encontrou pronto, na sua direção. Gemeu baixinho, escondendo o rosto na curva do pescoço dele, quando os corpos se uniram.
Enzo se moveu ansioso, ela segurou em seu paletó, amassando a lapela entre seus dedos.
Procurou sua boca, para um beijo profundo e cheio de saliva, e língua. Sem ar ela se afastou, descomposta, cavalgando nele como se não estivessem prestes a casar e passar o resto da vida fazendo isso.
Não demorou quase nada, porque o risco, mais o desejo eram poderosos afrodisíacos e entre beijos arfantes e intensos, eles gemeram tocados pelo prazer.
-Fica... – ela pediu quando ele tentou se afastar. Seus dedos tremiam quando buscou pela varinha pertinho deles na cama. Com um feitiço sem som, ela os limpou, antes que um desastre sem tamanho acontecesse ali.
-Sempre a mais esperta – ele a beijou preguiçosamente – Sua inteligência me da um tesão, que nem te conto – ele confessou.
-enzo! – ela riu chocada com sua revelação – Achei que eu fosse chata e CDF. Não é assim que seus amigos me chamam? – brincou abraçada a ele.
-É só inveja, porque eu cheguei primeiro – ele elogiou recebendo um beijo por sua sensibilidade.
Estavam tão distraídos um com o outro que quase saltaram quando Rony esmurrou a porta pela milésima vez, aos gritos.
Tabata levantou-se apressada enquanto Enzo se arrumava e ficava de pé também. Desfez o feitiço a porta e alarmada escondeu a calcinha que ainda estava no chão, com um chute, ela indo parar embaixo da cama.
-papai, o que houve? -ela disse assim que ele entrou furioso, com Hermione logo atrás tentando acalma-lo.
-Estavam trancados! – ele disparou vermelho, e furioso , fitando Enzo como se fosse esmurra-lo a qualquer momento.
-é claro que não. – ela tentou contornar a situação –a porta deve ter emperrado...
-E o que faziam aqui dentro? Com a porta emperrada? -ele ironizou,as mãos na cintura.
-Conversávamos sobre o casamento – Enzo tentou, corando e se delatando sem querer.
-Ah, conversando? – ele não acreditou e deu um passo em sua direção.
-Rony, amor – Hermione segurou seu braço, e tocou seu rosto, lhe roubando um selinho – Eles já vão casar...porque tanto escândalo por uns amassos no quarto?
-Hermione! – ele ficou indignado.
-Oh.nossa! O santinho Ronald, que nunca deu amassos por aí... –ela provocou, fazendo a filha rir baixinho, enquanto enzo a abraçava observando os dois discutirem.
-O que sugere? Que eu faça de conta que não sei o que eles estavam fazendo??? -ele ficou da cor de seus cabelos, olhando para Hermione como se ela fosse sua inimiga.
-Deveria ficar bravo se Enzo não estivesse respeitando a sua filha! Mas nesse exato momento, quem está fazendo isso é você, com suas desconfianças sem sentido. Eles já disseram o que estavam fazendo, não disseram? Então, sossegue! É o pai da noiva e não o dono!
-Ah, claro – ele ironizou – Tinha esquecido que é por causa da sua criação liberal que elas acham que podem me enganar! -ele acusou.
-O que? -ela ficou ofendida – Eu não acredito que disse isso, Ronald! Está dizendo que sou uma mãe omissa...? Ah! É um estúpido – ela virou-se para a filha – Tem certeza que quer se casar? Vê o que passo, com seu pai? Isso não te assusta? – ela brincou, fazendo Rony ficar ainda mais enfurecido.
-Quer saber, eu vou descer. O jardim está pronto. E vocês... – ele as olhou com mal contida inconformação –Você – apontou Enzo – Seu lugar é lá embaixo, no altar, ou quer chegar junto com a noiva?
-Não, claro que não... – ele afastou-se com Rony, olhando para trás em busca de ajuda.
-Papai não existe – ela deixou escapar, se vendo sozinha com a mãe.
-É um sádico isso sim. – ela esbravejou chateada – Às vezes em enlouquece com seu comportamento! Pode isso? O grande santinho Wesley. Como se eu não conhecesse sua falsa santidade – ela revirou os olhos.
Tabata riu baixinho e abraçou a mãe dizendo suavemente.
-É por vê-los tão felizes que quero tanto me casar e ser feliz assim. – afastou-se um pouco – É um amor tão bonito o de vocês. Quero o mesmo para minha vida.
-E já encontrou, querida. Qualquer um vê que Enzo te ama. Só te peço um coisa – ela acariciou o rosto da filha – Vista –a antes de descer, por favor.
Tabata corou alucinadamente, notando que sua mãe vira-a esconder a peça embaixo da cama. Com uma expressão entre risonha e envergonhada ela apanhou a calcinha debaixo da cama e a vestiu, deixando que sua mãe ajeitasse seu vestido e o desamassasse com magia, antes de descerem.
-Está linda -ela elogiou segurando o rosto entre suas mãos, e acariciando suas bochechas – Tão linda como no dia em que nasceu e eu pensei que era o bebê mais lindo do mundo. – Hermione não choraria naquele momento porque não havia mais lugar para lágrimas, só para felicidade – Uma vez me disseram, que os pais gostariam que os filhos fossem pequenos para sempre, mas eu discordo. É tão bom vê-la transformar-se em uma mulher. Tão decidida, e dedicada. Saber que parte disso foi responsabilidade minha e de Rony, do que fizemos juntos para que chegasse até aqui e fosse capaz de escolher seu próprio caminho. Dá tanto orgulho. Tanta alegria.
-Eu amo tanto você,mãe – Tabby disse baixo, com olhos brilhantes – amo tanto o papai. Meus irmãos. Amo todos vocês.
-Não se engane com seu pai. Rony está feliz com seu casamento e tão orgulhoso quanto eu. Mas é turrão demais para admitir. E ciumento. Mas vai passar, logo, logo ele para de implicar e verá como isso faz bem a nossa família.
-Eu pensei muito antes de tomar essa decisão. – Tabata confessou – Eu já intuía que Enzo fosse me pedir em casamento assim que nos formássemos – ela ficou sem jeito – então tive tempo para pensar se deveria dizer sim, apesar de amá-lo. E quanto mais eu pensava, mas claro se tornava a certeza de que não haveria outra resposta.
-Bem... – Hermione se afastou sorrindo - Agora você precisa afirmar isso lá embaixo, para o seu noivo.
-mamãe...eu gostaria de descer sozinha, se não se importar.
Hermione negou com a cabeça, e saiu do quarto. Pela janela, Tabata observou-a atravessar o jardim e se posicionar ao lado de Rony, para um rápido beijo em seu rosto, acalmando-o enquanto ele passava as mãos em suas costas, dizendo silenciosamente que estava tudo bem.
Sua mãe era a mulher mais bonita da festa. Não importava que muitos dissessem que Fler era veela e suas filhas meio-veelas, ainda assim, sua mãe era a mulher mais bonita, por dentro e por fora.
Ela vestia um vestido vinho acetinado, sua cor preferida desde que descobrira seu amor pelo vermelho. Era tomara que caia, e caia reto até seus joelhos. Atrás tinha um despretensioso tope saliente, na altura da cintura, onde uma faixa do mesmo tom moldava seu corpo.
Um pequeno excesso que atraia o olhar e quase enfartara seu pai, quando percebera para onde as pessoas olhariam depois de notarem o detalhe.
Mas seria difícil alguém a convencer a abrir mão daquele vestido. Mesmo seu pai, e sua insistência.
Para quem não sabia, ela diria que aquele homem austero e serio, de pé ao lado de Hermione, era seu pai. O mesmo que brincara tanto com ela no jardim, ensinando-a a manobrar sua vassoura e defender alguns goles.
Nas cadeiras enfeitiçadas, estavam seus primos e Luke, conversando animadamente com Tiago, e implicando com Sirius, enquanto Sue e Luisie estavam de pé sobre o tapete vermelho, esperando por ela, para seguirem como pagens.
Tão bonitinhas vestidas iguais, com vestidos no joelho rodados e rosados, quase idêntico ao que Aninha usava.
Sorriu. Analy e seus sapatinhos nem tão brancos depois de uma tarde de espera. Havia aprendido a andar a poucos meses e a cestinha balançava perigosamente em suas mãos. Tanto que Elise abaixou-se, arrumando as alianças e segurando sua mão, porque Bichento passava por ali,e ela tinha uma afeição tão grande por ele que sempre corria atrás do pobre animal.
Então era isso. Chegara há sua hora.
Saiu do quarto, e desceu as escadas, como se estivesse em transe. A suave marcha nupcial voltou a tocar quando ela saiu da porta da casa, e seu pai já estava ali esperando-a.
Sorriu tão bonito, que ela entrelaçou seu braço no dele, cheia de orgulho em ter um pai tão bonito assim.
Andaram lentamente pelo tapete vermelho, até alcançarem as meninas e elas começarem a andar a sua frente, com Analy correndo com seus paços apressados, a cestinha dependurada precariamente em suas mãos.
Ela chegou ao altar antes deles e ficou balançando para ver o vestido rodar. Algumas pessoas sorriam olhando para ela, outras só tinham olhos para a noiva.
Elise apanhou seu buquê, quando ela chegou pertinho do altar. Rony segurou suas mãos e ela olhou para o pai, emocionada, um nó em sua garganta.
-Seja feliz. – ele disse baixo beijando suas mãos.
Ela apenas concordou, incapaz de falar.
-E você – Rony disse entregando sua mão a de Enzo – Faça-a feliz.
-Eu farei – ele disse com voz enfática.
Só então, ela olhou para Enzo. Seu Enzo. Seu melhor amigo e seu grande amor.
Um pequeno sorriso, foi só o que ela consegui lhe entregar, sem desabar e chorar. Mas ele entendia e era o bastante para esboçar aquele seu sorriso arrebatador. Deveria ser proibido um homem sorrir tão belamente assim.
Os dois se viraram para o padre, um tanto tonto, deveriam admitir, porém ainda capaz de conduzir um cerimônia emocionante e passaram toda a cerimônia de mãos dadas, sem ar, ouvindo as palavras de casamento, como alunos devotados.
Palavras que Tabata guardaria para todo a vida em sua memória. Não se lembrava do próprio sim, embora tivesse o dito com sua melhor voz de choro. Enzo dissera um sim tão resoluto que a desarmou e algumas lágrimas contidas rolaram em seu rosto, fazendo-o enxuga-las com dedos trêmulos, antes de se inclinar e a beijar nos lábios com tanto amor que ela sorriu quando se separaram.
-Ainda não é a hora – o padre advertiu, irritado com o ‘incidente’ ou apenas torcendo para acabar logo e sentar-se antes que caísse e dormisse ali mesmo no altar.
Mais tarde ele resmungaria, enquanto Fred e George o carregavam para a casa, um siples “Wysky de fogo, a maldição do mundo...todos vamos queimar no fogo do inferno... maldito Wysky de fogo!”.
Mas naquele momento, continuava seu longo discurso, parando apenas para abençoar as alianças e finalmente autorizar o beijo.
O dois de pé em frente ao altar, as mãos fortemente agarradas, trocaram um beijo delicado e romântico, flagrado pela câmera de Carlinhos, sendo uma das mais belas fotos do grande álbum de família dos Wesleys.
Uma das muitas e muitas fotos tiradas naquele fim de tarde, e noite a dentro.
Era madrugada quando Rony conseguiu colocar o último Wesley bêbado para fora. Nem sabia ao certo se era algum primo distante ou um penetra. Sabia apenas que estava satisfeito em ficar no silêncio.
-Pai!!!!!!!!!!!!
Ou não. Fechou os olhos, quando ouviu o grito vindo da escada. Virou apenas a cabeça tão cansado que estava, jogado no sofá. Deveria confessar, que dera cabo de algumas cervejas trouxas durante o processo de aceitação do novo genro.
-O que foi, Sue? – perguntou de má vontade – Não deveria estar dormindo?
-Eu estava! Mas me lembrei que não dei comida para o Bichento hoje!
Rony olhou bem para ela e sorriu:
-Fique aí. –ele pulou do sofá e correu até ela – Vem, vou te levar para a cama.
-Mas pai, o Bichento...
-O Bichento está bem, querida. Venha – com toda a paciência do mundo ele a devolveu ao quarto, certificando-se que ela estava debaixo das cobertas, novamente em segurança. Conferiu Luisie e saiu, fechando a porta.
Encontrou Hermione perambulando pelo corredor, que olhou-o com cansaço.
-Aninha desabou. Elise e Luke estão atirados na sala de estudo. Luke jurou que não beberam nada...mas senti o hálito de Wisky de fogo a quilômetros!
-Hum, a gente pode deixar o sermão para amanhã? -ele perguntou, cansado, abraçando-a pela cintura – Estou doido para deitar, dormir e esquecer que tenho estomago - ele sentia-se um tanto embrulhado. – Ah, Sue teve outra crise de sonambulismo. É melhor enfeitiçarmos a porta a noite, ou ela ainda vai se machucar nas escadas... – ele disse cansadamente.
-Ok, papai – ela brincou, sendo a única da família, e possivelmente de toda a festa, que não bebera nada – Sue puxou a você, dorminhoco... – beijou seu pescoço, fazendo-o parar no corredor e enlaça-la para um beijo intenso e apaixonado.
-Não estava querendo deitar, dormir e esquecer do resto? – ela provocou.
-Estava...mas uma coisa é certa na minha vida: Hermione Granger é capaz de mudar todos os meus planos.
Ela apenas riu, guiando-o pelas mãos em direção ao quarto do casal.
Enzo se jogou na cama do quarto. Haviam aparatado no meio da festa para o hotel em Paris. Com a diferença do fuso horário, chegaram ainda cedo na cobertura alugada pelos Wesleys de presente de casamento.
Mas contrariando todas as expectativas, eles eram um jovem casal, e trocaram de bom grado agradáveis horas de passeio, ou sono, por agradáveis horas de sexo nupcial.
Riu imaginando a cara de seu sogro se o visse pelado, esparramado naquela cama, olhando para a sua filhinha amada, andando para um ponto qualquer do quarto, tão nua quanto veio ao mundo, porém com mais curvas.
Sorriu observando-a mover aquele traseiro redondinho que ele tanto gostava de um lado para o outro, buscando algo dentro das malas.
-Aqui! – ela gritou empolgada – É o presente das minhas irmãs... – explicou enquanto destruía o caprichado embrulho com mãos ansiosas – Oh. – ela murmurou corando ao ver o que tinha dentro.
-O que é?
-Nada, nada não – ela escondeu o presente no fundo do malão, tão corada que denunciava a mentira a quilômetros de distancia – Coisa boba de menina... –desconversou deixando-o sozinho no quarto e entrando no banheiro – Vou tomar um banho e tirar o que sobrou da maquiagem...você vem? -ela perguntou maliciosamente exposta provocando-o e desafiando-o a resistir a seu corpo jovem e sedutor.
-Estou indo... –ele engoliu em seco de antecipação e esperou que ela abrisse o registro do chuveiro para levantar-se e mexer em seu malão tirando o tal embrulho amassado.
Deu uma rápida espiadinha e riu silenciosamente.
Recolocou no lugar, indo todo animado para dentro do banheiro e fechando a porta, deixando para fora do malão um pedaço do corpete de couro negro, escondido entre os restos do embrulho....
FIM
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