
Capítulo I
I wake up lonely, there’s air of silence
Acordei sozinha, tudo estava quieto
In the bedroom, and all around
Em meu quarto, e em toda a parte.
-- E então? Você não vai? – perguntou quando o jovem de 25 anos lhe mostrou o convite.
A noite seria de festa na grande casa de campo dos Black. E não era uma festa natalina qualquer, nunca era. Seria simplesmente a melhor festa que a sociedade bruxa da Inglaterra já tivera a oportunidade de presenciar.
-- Fazer o que lá, Pontas? – Sirius encarou o papel negro com desdém -- Eu nem faço mais parte da família. Provavelmente me convidaram pra não fazer desfeita, já pensou se alguém soubesse que o primogênito de Walburga não foi convidado?
-- Sua avó gosta de você, aquela sua prima, como era mesmo o nome dela?Andrômeda... ela não disse que nunca contaram pra ela o que aconteceu?
-- É verdade, nenhum dos babacas contou pra ela que eu fugi de casa...-- Sirius emudeceu repentinamente.
Potter odiava quando o amigo ficava pensativo e silencioso daquele jeito, aquilo só ocorria quando os Black estavam envolvidos. Lílian Evans, sua noiva, vivia comentando que aquele era o carma de Sirius. Por mais que ele tentasse se manter longe, nunca conseguiria realmente. Carma, vai saber...
-- Sabe, Tiago... eu não vou deixar barato pra eles, ao menos não desta vez.
-- Você não está pensando em...
-- Ir a festa? É exatamente o que eu estou pensando em fazer, afinal... é natal!
-- Ah, claro. -– Potter sorriu, cínico.
-- E eu estou morrendo de saudades da minha querida família.
-- Obviamente o idiota não vem, todos sabemos que ele não tem peito para enfrentar todos nós. Não depois de nove abençoados anos desaparecido.
-- Você sempre gostou de subjugar Sirius, Bela – a loira arfou, torcendo os dedos, nervosa – Acho que nós não devíamos ter mandado aquele convite.
-- O que voce acha nunca contou ponto, lembra Ciça, minha querida?
A carruagem seguia tranqüila, puxada por dois belíssimos cavalos brancos. Por mais que tentasse, Belatriz não conseguia dar corda a uma discussão que durasse mais do que dois minutos, e a mansão onde seria a festa parecia não chegar nunca.
-- A quanto tempo estamos aqui, droga!
-- Meia hora – murmurou Andrômeda.
Belatriz encarou a irmã, sorrindo friamente.
-- Como vai o namoradinho, Andy?
A garota demorou para focalizar seus olhos verdes escuros na irmã.
-- Que namoradinho, Bela?
-- O seu, você sabe... aquele que voce anda escondendo de toda a família, ele não é trouxa, é? – a morena riu, com desdém. – Voce sabe que vai para a fogueira se ele for, não sabe?
-- Sim, eu sei. – afirmou Andrômeda, voltando a focar a vista na paisagem que passava rápida pela janela.
-- Já estava começando a achar que voce não vinha mais. – comentou o homem alto e robusto que oferecia a mão para ajudar Belatriz a sair da carruagem.
-- Pelo amor de deus Rodolfo, é a festa de natal da minha família, como eu poderia não vir? – ela revirou os olhos.
Um homem louro fazia o mesmo para Ciça, enquanto sorria. Aquele sorriso frio que apenas as famílias do porte que aquela festa exigia tinham.
-- Quanto tempo não te vejo, minha Narcisa. – disse Lucio Malfoy após Narcisa alcançar o chão.
Eles seguiram para os degraus de mármore, que os levariam a uma escadaria iluminada, para aonde eles provavelmente seriam gloriosamente anunciados. Foi quando um ruído estranho que destoava significativamente dos sons dos violinos cortou o ar e os fez parar antes de alcançar os primeiros degraus.
-- Eu não acredito...— sussurrou Narcisa – Por Merlin, não me diga que ele veio.
Ela não foi à única a permanecer boquiaberta enquanto via a gigantesca moto preta pousar na entrada destinada as carruagens.
Sirius Black desceu imponente, calças jeans e jaqueta de couro, destoando demais do resto dos convidados em roupas de gala. Jogou as chaves na mão de um dos mordomos com uma piscadinha e se dirigiu ao grupo com passos confiantes. Típico.
-- O que voce está fazendo aqui?! – exclamou Narcisa em voz histérica enquanto Sirius “chutava” Régulos para longe e assumia a companhia de uma Andrômeda reluzindo de felicidade.
-- Eer...Vindo a uma festa que eu fui convidado?
-- Nós estávamos sendo educados – adiantou-se Belatriz – Voce não deveria ter aceitado o convite.
Ele encarou-a dos pés a cabeça, há quanto tempo não à via?
-- Ora, ora Bela! Há quanto tempo não nos vemos? Dez anos? E é assim que voce me recebe?
A mulher revirou os olhos.
-- Nove, para ser mais exata. Quem me dera passar uma década inteira sem a sua presença.
-- Sempre meticolosa. Devo dizer, voce deu uma melhorada nesses últimos anos. Está mais, encorpada! – ele sinalizou para o vestido colado que a mulher usava enquanto Andy prendia o riso e Narcisa parecia horrorizada com a grosseria.
-- O que voce disse? – Rodolfo se adiantou.
-- E voce é...?
-- O namorado dessa jovem dama.
-- Jovem dama, certo. Ah! – Sirius pareceu lembrar-se – Lestrange, não é?
-- Exato.
-- Ela te treinou bem – Sirius admitiu franzindo as sobrancelhas. De duas uma, ou voce está encantado com o corpo, ou com o dinheiro. Me de uma dica.
Rodolfo aproximou-se perigosamente, quando Lucio interveio.
-- Rodolfo! Controle-se homem!
Sirius ergueu as sobrancelhas, notando a presença do casal loiro.
-- Lucio! Voce ainda está com Narcisa por que, exatamente? Pela aliança em seu dedo vejo que só o que conseguiu com todos esses anos foi se enrolar ainda mais.
-- Temos idéias diferentes sobre mulheres e casamento, meu caro. – murmurou Malfoy, entre dentes.
-- Graças a Merlin temos idéias diferentes sobre tudo. – Sirius sorriu. – O que é? – indagou ao ver Régulos, seu irmão mais novo, encarando-o boquiaberto.
-- Mamãe vai te matar.
-- Ela teve a chance quando me deu a luz, Reg querido. Eu não vou dar mole para que ela o faça agora.
-- Nós vamos entrar ou vamos ficar aqui esperando chover? – questionou Andrômeda.
-- Andy, sempre sensata!A única de toda essa família, na verdade. Com licença, não sei se vocês lembram dos costumes, mas o primogênito, vai sempre na frente. – Sirius sorriu e com uma Andy sorridente e de braço dado, começou a subir a escadaria.
-- Sirius! O que faz aqui? Não acredito que você veio! – dizia uma Andrômeda, que era só sorrisos.
-- Feliz?
-- Você nem sabe o quanto, pensei que eu tivesse que agüentar tudo isso sozinha de novo!Sirius... – de repente a empolgação pareceu anuviar de seus olhos – Eu estou encrencada...
Sirius parou de subir a escadaria, virou-se para encarar Andy nos olhos.
-- O que aconteceu, Andy?
-- Eu estou namorando Sirius... A bastante tempo já, e...
-- Mas isso é ótimo!
-- Sirius! Escute-me, porcaria! – Andrômeda olhou nervosa para a escadaria, vendo que suas primas estavam se aproximando. – Ele é trouxa.
-- Jura? Ora, pensei que você já tivesse convivido tempo suficiente com trouxas, mas... – os olhos de Sirius brilharam enquanto ele brincava com a prima do meio.
-- Eu falo sério! Pare de brincar Sirius! – a mulher colocou um cachinho atrás da orelha, apreensiva.
-- Certo, me desculpe Andy. Eu só não entendi o drama.
-- Como assim não entendeu o drama? Por Deus, Sirius! Até parece que você não sabe como são os Black...
Sirius revirou os olhos, como se estivesse cansado de explicar a uma criança que um mais um é dois.
-- Andrômeda, dane-se os Black e a filosofia ridícula deles. Toujours Pur, grande coisa! É tudo babaquice Andy! Além disso, você tem 23 anos! Pelo amor de Deus, acho que não precisa da aprovação deles não é mesmo?
-- Belatriz está desconfiando, Sirius.
-- Belatriz é uma invejosa – ele deu o braço a prima e continuou a subir a escadaria – A única coisa que ela gosta de fazer da vida é acabar com a felicidade dos outros, até parece que voce não conhece ela. E ela sempre dá um jeito de desconfiar, ela só finge que sabe, Andy. Não se preocupe, ok?
A prima assentiu, estava feliz demais com a companhia do jovem para discordar.
Lá estavam eles, no alto da escadaria, um jovem rapaz, perguntava-lhes o nome deles e o parentesco com a anfitriã para anunciá-los. Andrômeda adiantou-se e informou o rapaz, Sirius parecia paralisado com o salão.
Até mesmo para ele, Sirius Black, que nunca se chocada nem se impressionava com as festas da família, essa estava de arrasar, ele não podia negar. Ele não lembrava do salão ser tão grande, parecia não ter fim, era todo rodeado apenas de vidros, janelas imensas. Ele encarou o teto que parecia tão distante, e viu o lustre de cristal pendurado, iluminando o salão. A pintura do teto, era um tanto assustadora, ele nunca gostara dela. Viu as mesas dispostas, iluminada por velas flutuantes, e viu também os flocos de neve que despencavam do teto sobre a cabeça dos mais belos e ricos convidados do mundo todo.
-- Uau. – sussurrou. – Se não fosse essa decoração que eles insistem que seja toda negra e verde e tão cheia de cobras, isso aqui estaria muito bonito.
Andy riu concordando enquanto o rapaz os anunciava, sem deixar de lançar olhares furtivos para as vestes de Sirius.
-- Sirius Black e Andrômeda Black. Netos de Pollux e Irma Black.
Pelo que parecera, já havia chegado tantos convidados, que ninguém mais ligava para o que o pobre rapaz falava. Ninguém se mexeu, ninguém virou o rosto. Exatamente o contrario ao que Sirius esperava, ele então virou e encarou o rapaz.
-- Valeu a tentativa. – piscou e começou a descer as escadas, deixando o rapaz atônito enquanto se preparava para anunciar Belatriz e Rodolfo.
Chegaram lá embaixo e assim que pousaram os pés no chão de mármore, Irma se aproximava de longe, abrindo caminho entre os seus convidados.
-- Ah, Merlin. Aí vem a velha sortuda. – murmurou Sirius revirando os olhos. – A que mais preza os Black depois da minha querida mãe, e a velha nem ao menos É uma Black, só teve a “sorte” de casar-se com um.
Andrômeda sorriu.
-- Olá vó!
E ali estava Irma Black, uma velha que decididamente parecia ter saído de um filme de terror. Ainda era elegante, com seu cabelo branco como a neve que caia do teto preso em um belo coque atrás da cabeça, mas a bengala, os óculos fundo de garrafa e o sorriso assustador quebravam o encanto.
Ela sorriu para Andrômeda e imediatamente pegou Sirius pelo braço e arrastou-o para baixo de uma das plantas que enfeitavam o salão.
-- Socorro! – Sirius murmurou para Andy, que riu e acenou.
-- Ora Sirius! – ia falando sua avó – Não acredito que você veio!Não te vejo a tantos anos!Que belo homem você se tornou, meu deus! Não trouxe sua namorada?
-- Ah, vó... Eu não tenho uma...
-- Ora rapaz – ralhou – está na hora de arranjar uma, não é mesmo?
-- É – ele suspirou. ah, se a velha soubesse a verdade .
-- Bom, não faz mal! Fico tão feliz de vê-lo aqui! Exceto por essas roupas, mas eu posso dar um jeito disso em alguns segundos. – tirou a varinha e antes que o jovem pudesse reclamar, apontou-a para ele e pronto. Ali estava ele com um fraque.
-- Verde não é bem a minha cor favorita, vó...
Irma revirou os olhos e mais um toque de varinha e o fraque transformara-se em preto.
-- Bom, agora... – mas ela parou de falar, olhava para algum canto, no final da escadaria. – Belatriz! – gritou. – Venha aqui um pouco, minha querida.
Sirius fechou os olhos, ele enlouqueceria até o final da noite. Belatriz obedeceu, abandonou Rodolfo e veio até a avó, sorrindo e deslizando por sobre os saltos altos.
-- Agora sim! Meus dois netos preferidos! Quero apresentá-los as minhas amigas, as invejosas vão morrer!
Os dois abriram a boca, mas antes que pudessem protestar, foram puxados pela velha.
Depois do que pareceram muitos dias chuvosos para Sirius, que estava cansado de tanto apertar mãos, Irma virou e sorriu.
-- Olhe a musica! Vocês sempre gostaram de dançar, porque não dançam?
-- Sabe o que é, vó... – começou Belatriz.
-- Idéia fantástica! – exclamou Sirius, puxando a mulher para a pista de dança iluminada.
-- Você é realmente doida Belatriz! – reclamou quando já estavam na pista. – A única chance de livrar-nos da velha e você quase a joga pela janela.
-- Tudo para não dançar com voce, Sirius. – rosnou a jovem.
-- Ora... – ele sorriu conquistador – Nunca me pareceu um problema. Alias, arrisco-me a dizer que voce gostava.
-- O que?!Há! – ela sorriu desdenhosa – De onde tirou essa idéia? – mas era verdade, ela sempre se sentira bem dançando com Sirius, era o único homem que ela se deixava guiar tranquilamente.
-- Você sabe que é verdade... Lembra-se dessa música?
-- Deveria? – rebateu.
Mas é claro que ela lembrava, nunca esqueceria que aquela fora a musica complicada que ela e Sirius ensaiaram por noites a fio quando tinham doze anos, a fim de dançar nas bodas da avó. A musica era complicada em um momento, e Sirius riu gostoso quando rodou-a e viu que ela o acompanhara perfeitamente.
-- Você lembra, Bela.
Não foi uma pergunta, e ela simplesmente calou-se, sentindo-se desconfortável dentro de seu vestido cor de vinho tinto, pela primeira vez na noite.
-- Você era insuportável naquela época...
-- Não sou mais? – ele encarou-a dentro dos olhos.
Os olhos de Belatriz. Sempre o fascinaram loucamente, ele sabia que a primeira vista pareciam escuros, mas também sabia que se voce olhasse bem de perto e com atenção, descobriria um tom maravilhoso de azul escuro, marinho. Na cor de um mar a noite. Alias, ela sempre lembrara um mar. Maravilhoso, e misterioso. O que demonstrava na superfície nunca era o que estava realmente acontecendo em seu interior.
-- Você continua sendo. – murmurou entre dentes, encarando-o de volta – Mas agora é um insuportável bonito.
-- Ora, agradeço o elogio – riu ele.
-- Não me leve a serio, Sirius – ela sorriu, cínica.
-- Eu não levo, a ultima vez que isso aconteceu eu não me dei bem, não é mesmo? – ele ergueu uma sobrancelha.
Foi quando ela o largou, afastando-se de seu corpo.
-- Vou procurar Rodolfo, Sirius. Fique longe de mim essa noite, não sei porque voce teve que aparecer... – e saiu, embrenhando-se entre os outros casais, antes que Sirius pudesse objetar.
FlashBack
Largo Grimmauld, número 12.
Ano de 1977
Já passava das três da manha, e ele ainda não pregara o olho. Era sempre assim quando estava naquela maldita casa. Insônia. Todas as noites. Suspirou e remexeu-se em seus lençóis de seda. Odiava sentir a seda em sua pele, era mais uma das lembranças de que estava de volta ali. No quarto no final do corredor dormiam Druella e Cygnus. Convidados de honra de todas as malditas férias. Suspirou novamente. Desistira de tentar dormir. Levantou-se, vestiu um jeans, e saiu do quarto.
Iria até a cozinha, beberia um copo da água, e aí quem sabe conseguiria dormir. Passou pelo longo corredor. Pra que tanto espaço afinal? Analisou a cabeça dos elfos e perguntou-se quando a cabeça do idiota do Monstro estaria ali, aí ele teria um motivo pra vir aqui, afinal. Riu da piada sem graça.
Desceu as escadas a passos lentos, no escuro. Já conhecia a casa, cada detalhe. Assim como viria a conhecer o corpo de Belatriz, mas isso, ele ainda não sabia.
Chegou no ultimo degrau, o que rangia. Não se importou em pular. Pisou fundo. Foi em direção a cozinha, foi quando algo o fez parar. Seu instinto, que sempre fora aguçado demais piscou. Ele não estava sozinho, havia mais alguém na sala. Virou. Apertou os olhos, tentando enxergar.
Sua vista, acostumada ao escuro logo detectou. Uma das poltronas verdes escuras estava girada, de costas para ele. A poltrona girou, de modo a virar de frente para o garoto. Ali estava ela. Belatriz Black.
Ela assoprou a vela apagada que estava em seu colo, enfiada num castiçal. A vela acendeu, iluminando o aposento. Bela, sempre se exibindo.
Agora ele podia vê-la. Belatriz Black, uma adolescente de enlouquecer neurônios sãos de qualquer homem. Ela sorria desdenhosa em seu robe vermelho escuro.
-- Também não consegue dormir, priminho?
-- Boa conclusão. – sorriu, cínico.
Ela não podia negar. Ali estava um homem bonito. Seu rosto tinha claros traços de Black, marcante, arrogante. Seus olhos cinzentos perfuravam. Com seus dezesseis anos Sirius tinha músculos desenvolvidos pelo quadribol, nem muito forte, nem muito fraco. Na medida ideal. O fato de ele viver andando sem camisa ajudava.
-- Admire, Belinha!
-- Vá pro inferno.
-- Estou nele.
Ela ergueu as sobrancelhas, surpresa. Parece que havia esquecido como o primo tinha resposta para tudo. Ergueu as sobrancelhas ainda mais quando viu o garoto escorar-se na porta da cozinha, como se fosse ficar conversando com ela por mais um tempo.
-- Sabe o que me assusta? – ela juntos os dedos e inclinou-se levemente. Sirius observou o movimento que seus cabelos negros faziam ao acompanhá-la.
-- Uau, estou impressionado. Você tem alma para se assustar?
Ela lançou um dos olhares fulminantes de Belatriz Black, e ele esperou o que ela falaria.
-- O fato de que costumávamos brincar juntos. Quando crianças até arrisco dizer que nos divertíamos as custas de nossos irmãos. – ela soltou uma risada desdenhosa – Foi aí que voce decidiu contrariar toda a família e virar um idiota.
-- Não Bela – suspirou calmamente, veio se aproximando, a passos lentos e sentou- se na poltrona ao seu lado – Foi aí que você se tornou um deles. Tornou-se... vazia.
Ele encarou os olhos dela. Brilhavam a luz da vela que segurava.
-- Ora, Sirius Black! Eu sempre fui um deles. Aceite. Sempre vou ser. – ela levantou-se.
-- Sempre é uma palavra arriscada... – murmurou, levantando-se também.
Ele não sabia o que o estava impulsionando. Quem sabe fosse o movimento do robe da garota, ou os olhos piscando. Mas ele se aproximou. Perigosamente. Aproximou-se e tomou-a nos braços. Grudou seus lábios nos dela.
E para sua surpresa, ela correspondeu. Ela deixou-se levar. E ele experimentou pela primeira vez as sensações que Belatriz era capaz de causar nele. Ele havia beijado muitas bocas, mas aquela era diferente. Ela beijava de um jeito único. Belatriz era fria, aquilo era inegável. Mas se existe uma palavra que não se aplica nela quando ela beija, era essa, fria. Ela era quente. Seus lábios eram quentes.
Explosões seguiam por todo o corpo dos garotos. Belatriz não sabia o que estava acontecendo. Mas aquele era um beijo. O que Rodolfo lhe dava era algo morno, Sirius a beijava com uma urgência devastadora.
Não sabiam por quanto tempo beijaram-se, só se separaram quando Belatriz deixou o castiçal que segurava escorregar. Sentia-se mole. A vela logo queimou o tapete. Sirius pisou no fogo rapidamente, que apagou-se.
-- Você tem noção da loucura que acabou de cometer? – ela sussurrou.
Eles se encararam, ofegantes. Maravilhados. Era preciso um dicionário inteiro para descrever a intensidade daquele primeiro olhar.
-- Pretendo cometer mais vezes... – ele sorriu, maroto.
Foi então, que tudo começou.
Fim do FlashBack
-- Bela festa! – exclamou jogando-se na cadeira e pegando uma taça de champanhe.
Narcisa revirou os olhos.
-- Que raios você faz aqui?
-- Estou conversando com a minha priminha!
Ela revirou os olhos para o teto.
-- Ah, Sirius. Eu quis dizer na festa.
Ele riu e tomou um gole longo do champanhe.
-- Por que é que todo mundo está me fazendo essa pergunta?
-- Porque você não deveria ter vindo.
Ele soltou um muxoxo.
-- Então não deveriam ter me enviado um convite. – ajeitou-se melhor na cadeira, sentando descontraído e diferente de todos os outros presentes, que estavam sentados como se em cadeiras de espinhos.
-- Eu disse que não era boa idéia. Parece que eu sou a única que conhece sua inconseqüência.
-- Acho que voc... – foi interrompido por uma risada fria.
-- Agora vocês estão conversando? Amigavelmente? O que acontece nessa família, afinal?
E ali estava ela. Belatriz Black. Bela como nunca. Bela como seu próprio nome dizia. Tão morena quanto a irmã era loira, os lábios carnudos prometendo mundos para o homem que se atrevesse a beijá-los.
-- Eu me faço essa mesma pergunta a anos, Bela. – ele sorriu e sorveu mais um gole da bebida. – Mas não se preocupe, quem sabe no fim dessa festa descobriremos. A noite está apenas começando.
N/A: Espero que tenham gostado, eu sei que esse capítulo não está exatamente a oitava maravilha do mundo, mas o próximo vai se rmelhor, prometo! Mas que a fic começe então! Espero comentários ;*
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