Um lobo branco tocou a planície enegrecida e grunhiu sentindo as patas queimarem, o que o obrigou a voltar rapidamente à forma humana. Passados alguns segundos Harry se sentiu melhor, o cheiro pútrido e ácido que lhe queimava o focinho diminuiu para níveis aceitáveis, principalmente depois de fazer um feitiço que funcionava como uma máscara que filtrava o ar. Notou que sua varinha vibrava, algo que nunca fizera antes, mas que ele sabia se dever a enorme quantidade de magia negra no local, era um sinal de perigo, assim como seus pêlos eriçados, mas não podia parar para pensar nisto, então somente seguiu em frente de modo rápido e silencioso. Mesmo com os óculos, seus olhos começaram a arder, notou que o ar era mais rarefeito que no cume, portanto teria que controlar o esforço que fazia.
Depois de cinco minutos de avanço tranqüilo pela encosta da montanha, Harry ouviu um deslizar de pedras e rapidamente saltou para o sentido oposto, podendo ver a bizarra criatura que descia da encosta e se jogava sobre ele. Parecia um felino só que com pele escamosa, cuja coloração variava entre verde e roxa, os dentes afiados não eram brancos, tinham uma cor metálica e mais ameaçadora, a cauda anormalmente longa consistia em uma serpente gigantesca e com vontade própria, os enormes olhos amarelos eram intimidantes, assim como a peçonha que escorria pelas duas presas de sua bocarra.
O animal saltou para atacá-lo e Harry tentou afastá-lo com um feitiço, no entanto a pele do monstro o rebateu e Harry teve que desviar saltando, o que o livrou do “felino”, mas não da “serpente”. Harry teve que pensar rápido para transfigurar sua varinha em adaga e cravá-la na boca de baixo para cima, juntando as duas metades. A “serpente” se sacudiu violentamente, tentava agoniada se livrar da lâmina em sua boca. Ignorando o que acontecia em sua cauda, a parte “felina” atacou com a as garras afiadas da parte da frente, ao que Harry se deixou cair para trás e usou as pernas fortes para empurrar a fera, que caiu de pé a quase dois metros. Imediatamente Harry se levantou e se preparou para outro ataque e, desta vez, ele pretendia contra-atacar. Quando o “felino” se atirou perigosamente contra ele, saltou evitando as garras e os dentes, caindo sobre o bicho e segurando nas orelhas pontudas, entrelaçando os pés embaixo do corpanzil do animal, que se mexia como um touro em uma arena de rodeio. Sem esperar que o bicho o tombasse, Harry pegou o pescoço da “serpente” e conseguiu passá-lo em volta do pescoço do “felino”, fazendo com que o animal perdesse o equilíbrio e caísse de lado no chão.
-Até que foi fácil! –Harry fala ofegante, enquanto ia até a boca da “serpente” e puxava a adaga. Pegou uma garrafinha que enchera de água da neve, despejando o líquido para tentar “lavar” o veneno. –Deve ser o suficiente por enquanto. –Pondera antes de destransfigurar a adaga em varinha.
Harry observou a varinha e percebeu que parecia danificada pelo veneno, o que o fez se sentir grato por estar usando luvas de couro de dragão, senão certamente estaria com problemas. Seguiu em frente, atento e com velocidade, no entanto um jato esverdeado foi em sua direção e ele bloqueou levitando um tronco retorcido que estava no chão. Ao ter contato com o líquido, Harry viu o tronco se desmanchar e então rapidamente ficou alerta. Procurou o responsável por aquilo, coisa que não foi difícil encontrar já que um gigantesco escorpião que no lugar da cabeça tinha o tronco e a cabeça de um homem com a aparência muito próxima a de um zumbi.
Imediatamente Harry lançou diversos feitiços na direção do zumbi-escorpião, no entanto os que não ricocheteavam pouco efeito faziam. Harry já havia tentado feitiços de extinção que derrubariam dragões, no entanto nada parecia fazer efeito. Vendo que não adiantaria atacar aquela criatura, Harry resolveu mudar de tática, lançou um feitiço explosivo no chão que retardou um pouco os avanços do animal, possibilitando que se afastasse.
-Vamos ver se é aprova de fogo. –Harry o provoca e vê o bicho recuar vacilante.
Após um movimento circular e rápido com a varinha, um paredão de fogo se ergueu em torno do zumbi-escorpião, que guinchou alto, mas ainda teve a chance de lançar mais um jato de ácido. Harry se protegeu com um forte feitiço escudo, no entanto isto o fez não perceber o outro agressor que se aproximava.
De repente o céu ficou escuro e Harry olhou para cima a tempo de ver uma enorme criatura alada cravar as garras de seus pés em seus ombros e o erguer do chão. O bicho parecia uma fusão de um zumbi com um morcego, as asas roxas deviam ter uma envergadura de cinco metros e as garras eram grandes o suficiente para lhe prender fortemente os braços. Harry reparou com nojo que o bicho tinha um buraco pútrido no lugar dos olhos, uma das asas estava um pouco danificada, mas a boca com dentes serrilhados era suficientemente ameaçadora. Transfigurou a varinha em uma espada, não ia se arriscar a ter feitiços rebatidos contra si, então usou a lâmina para perfurar a asa que já estava danificada. Surpreendeu-se ao ver que ela era resistente o suficiente para sofrer poucos danos com a espada, mas o veneno que ainda estava nela fez o zumbi-morcego guinchar e soltá-lo, não que fosse uma atitude burra, afinal Harry devia estar a mais de vinte metros do chão, ele iria cair e morrer ou ficar muito ferido para lutar, em todo caso seria uma presa fácil.
Harry colocou os braços junto ao corpo mergulhando em direção ao chão e viu com desagrado que o zumbi-escorpião já se livrara das chamas, então lançou seu feitiço explosivo mais forte na direção próxima ao adversário de terra. O violento golpe de ar que o impediu de se espatifar no chão e, apesar de ter sido jogado para trás com força, caiu de pé, apoiando-se levemente com a mão livre, a outra ainda segurando a varinha na forma de espada. Viu o zumbi-escorpião de patas para cima, havia algumas faltando e isto deixaria seu caminho livre, se um som ensurdecedor não lhe houvesse chegado aos tímpanos.
-Inferno! –Urrou com dor, mas não ouviu a própria voz. Soltará a espada e tentava cobrir os ouvidos para diminuir aquele som absurdo.
De repente uma sombra surgiu em cima de si e, ele já sabendo o que era, se jogou sobre a espada e girou no chão, deitando de costas a tempo de enfiar a espada na boca do animal. O som ensurdecedor cessou, mas todos os outros também, Harry teve dificuldade em se equilibrar, sentiu sangue escorrer por seus ouvidos, enquanto sua cabeça latejava como se estivesse prestes a explodir. Ainda se acostumando aquilo, Harry seguiu para onde o zumbi-morcego estava e tirou a espada de sua boca. A força que fizera foi tamanha, que se desequilibrou e deu dois passos vacilantes para trás, tempo suficiente para que um jato de ácido lhe atingisse o peito, o zumbi-escorpião havia se levantado e, mesmo desequilibrado, não estava disposto a perder uma refeição.
Antes de se preocupar com a criatura, rapidamente tirou o sobretudo e logo depois a camisa, que queimava pelo ácido. Havia uma grande mancha vermelha no seu tronco, mas deixou para dar atenção depois, vestiu o sobretudo e empunhou a espada. Além de mãos, a criatura tinha duas garras em forma de pinça. Harry partiu para cima com a espada em punho e tentou atacá-lo, mas para isso teria que se desviar das pinças, que davam uma distância de cerca de dois metros do corpo zumbi.
O ataque sonoro do outro bicho o deixara com o equilíbrio prejudicado, sua cabeça ainda doía e para piorar o ar mais carregado lhe dificultava a respiração. As pinças eram ágeis apesar de grandes, tinha a impressão que se o pegasse em cheio, o partiria no meio. Não tinha tempo para ficar conjecturando, precisava ser rápido ou tudo poderia estar perdido.
A pinça esquerda veio com força para pegá-lo e então Harry fez um movimento vacilante para desviar, deixando que a pinça raspasse nele, mas permitindo que ele rolasse para o interior das duas pinças. A pinça direita veio para pegá-lo, ao mesmo tempo em que um dos braços zumbis tentava atingi-lo. Harry deixou a espada cair e se apoiou nos dois braços zumbis para se erguer, o movimento permitiu que a pinça passasse milímetros rente as suas costas e pegasse o braço que sustentava a outra pinça, amputando-a. Harry havia aproveitado o impulso que teve para cima, para envolver o pescoço zumbi com as pernas. As mãos ainda seguravam os braços zumbis, então os encaixou de baixo dos seus braços e fez força para cima, causando uma fratura exposta nos dois braços, enquanto girava com o corpo, para quebrar o pescoço do zumbi.
Assim que o zumbi-escorpião caiu estrebuchando no chão, Harry se afastou e ficou por uns poucos minutos recuperando o fôlego, viu um corte quase horizontal logo abaixo do tórax e resolveu que o curaria para não ter seu sangue chamando ainda mais atenção de predadores. Procurou a espada e se surpreendeu ao ver a varinha no chão, deu de ombros e pronunciou o feitiço para fechar o corte, mas a varinha apenas soltara faíscas. Percebendo o que havia acontecido, Harry falou todos os palavrões que conhecia, mas como não podia ouvi-los, isto não pareceu o suficiente para descontar sua ira, afinal com sua varinha falhando, como conseguiria continuar lutando?
Ainda se remoendo de raiva viu o corpo do zumbi-morcego a alguns passos de distância e depois o do zumbi-escorpião, então um pensamento um tanto estranho lhe veio à mente, mas no momento não poderia contar com nada melhor. Pegou a varinha que havia atirado no chão e usou-a para cortar um pedaço da pele das costas do escorpião, depois cortou a cabeça do zumbi-morcego e bateu com o pé nela até que o maxilar se partisse em dois.
Com mais algum esforço e um pouco de engenhosidade, Harry usou os grandes e serrilhados dentes do zumbi-morcego para lhe fazer uma espécie de garra nos nós dos dedos da mão direita, depois usou a casca do escorpião para proteger as botas, amarrando-a com os cadarços da própria bota. Por fim pôs a varinha no suporte e depois usou o cinto para prender uma das patas de ponta afiadíssima no punho esquerdo, podendo assim, usá-la como uma lança para golpes a média distância.
Voltou a caminhar na direção do lago, a paisagem que antes era quase desértica, agora começava a se modificar, havia árvores grandes e de troncos enegrecidos com cipós e ramos cobertos por uma folhagem com tons verdes escuros ou marrons, mas não dava para vê-las direito da distância em que estava, já que ele continuava a caminhar perto da montanha. Poucos instantes depois e Harry chegou ao lago, havia criaturas saindo da água, pareciam um misto de zumbis com seres marinhos como peixes, répteis e anfíbios. Contando por cima, eram cerca de dez inimigos, pensou em recuar, mas de algum modo as árvores haviam bloqueado o caminho e, antes que pudesse se perguntar o como, viu olhos verdes nos troncos e os galhos se movendo como mãos, onde os cipós se transformavam em chicotes com espinhos.
-Maldita hora para ficar sem magia! –Harry resmungou e se irritou ainda mais por não ouvir sua voz. Se não houvesse perdido a audição, teria notado o movimento das árvores.
Desviou de mais alguns cipós e então partiu para cima dos zumbis-peixe, afinal ele queria chegar ao lago. Saltou para o meio deles, assim as árvores teriam que atingir algum dos inimigos dele, antes de tentar atingi-lo. Viu os monstrengos avançarem nele, afinal estavam competindo por comida fresca e limpa. Aproveitou a pouca distância para enfiar a sua “lança” no peito de um zumbi-peixe, enquanto com o pé afastou um que vinha por trás. Mais dois se aproximaram e Harry deu um passo a direita e girou o tronco com o punho erguido, acertando a cara de um zumbi com cara de sapo e acabando de desfigurá-lo com as garras formadas pelos dentes do zumbi-morcego.
Sem que esperasse, um cipó prendeu seu punho esquerdo e o içou no ar, ao que Harry aproveitou para levar mais três inimigos ao chão com chutes. Ainda a caminho da ameaçadora árvore, Harry usou as garras para partir o cipó e novamente caiu no chão. Um zumbi-polvo usou os tentáculos que brotavam de todo corpo para segurá-lo de costas e cravar o dente no pescoço de Harry, que se preocupava em afastar a golpes os outros zumbis-peixes. Três deles se aproximaram por trás do que prendia Harry para tentar dividir a presa, mas o polvo liberou uma fumaça roxa que os afastou e provocou espasmos tão fortes em Harry, que ele acabou conseguindo se soltar, apesar de não conseguir respirar.
Buscando loucamente sair do meio daquela fumaceira, Harry se deixou apanhar por outra árvore e novamente foi içado, desta vez indo parar em um galho cheio de espinhos e que parecia tão móvel quanto um braço, cujas extremidades de galhos finos o seguraram como se fosse uma mão. No chão, os zumbis-peixe se enfrentavam e lutavam completamente perdidos, uns caíam no chão e pareciam inconscientes.
Como se houvessem serpentes úmidas subindo pelo seu corpo e se enroscando em si, Harry sentiu os galhos percorrerem seu corpo e cortarem seu peito nu. Não resistiu, achou que se ficassem quieto e relaxado, como quando foi atacado por visgos do diabo, poderia escapar, no entanto, logo ele estava quase totalmente coberto por espinhos, eles bloqueavam seu nariz e boca, cortavam sua pele e coisas semelhantes a ventosas grudaram em seu corpo, lhe lembrando sanguessugas.
Não havia como se mover e nem usar as armas improvisadas, o que o deixou sem ação por um tempo. O ar começava a lhe faltar, quando se lembrou de algo que ainda poderia fazer. Concentrou-se o máximo que pôde e rapidamente se transformou em lobo, que por ter massa menor passou por entre os cipós e caiu no chão. Uivou alto quando as patas tocaram o solo totalmente corrompido por magia negra, porém ignorou a dor e seguiu com velocidade para o meio do tumulto dos zumbis-peixe. O ar já não estava tão carregado, então os zumbis se dispersavam, as árvores voltaram a tentar pegá-lo e os zumbis a atacar, mas com grande agilidade e podendo usar seus sentidos mais apurados para sentir a aproximação dos inimigos e cipós, conseguiu desviar até ficar a um metro da margem do lago, onde saltou e voltou a sua forma humana, já caindo com o punho pesadamente sobre a cabeça de um zumbi, deixando-o inconsciente e fazendo-o cair na “água”, que não deveria passar de um poderoso veneno misturado à lama.
Usando o corpo do zumbi-peixe como prancha e a pata do escorpião, ainda amarrada a seu pulso, como remo, foi até o centro do lago, onde a coleira estava. Pegou-a e a colocou no sobretudo, os outros zumbis-peixe estavam a caminho pela “água” e só lhe restava duas opções: Pegar a chave de portal e voltar para a sede da ordem e deixar sua Firebolt, ou ir atrás dela pelo caminho difícil.
Além de amar sua vassoura, Harry a tinha como um bem muito especial já que ganhara de Sírius. Ela havia sido parte de muitos momentos importantes para ele e não poderia deixá-la naquele lugar. Saltou do corpo sobre o qual estava e começou a saltar de zumbi em zumbi, tomando o cuidado de acertá-los com sua lança e não demorar mais que um segundo em contato com eles. No entanto, um zumbi com tentáculos segurou o pé de Harry e uma fenda surgiu da “água”, abocanhando a perna. Sem hesitar, Harry investiu com força a lança na perna, a perfurando e transpassando para acertar o monstro, que imediatamente o soltou. O corpo começou a afundar e Harry quase tocou no líquido venenoso antes de chegar a margem, onde não perdeu tempo e logo se transformou em lobo, passando entre as árvores gigantes e indo para a montanha.
Depois de vinte minutos como lobo, Harry não conseguiu sustentar a transformação e percorreu durante meia hora o caminho na forma humana. Ao chegar a Firebolt, boa parte de sua pele estava esverdeada, havia uma trilha de sangue marcando o caminho, estava quase sem forças quando pegou a chave de portal e não viu quando chegou à mansão Black.
Quando sentiu sua consciência voltar, também sentiu seu corpo dolorido e um zumbido nos ouvidos. Então algo quente e macio tocou-lhe a face suavemente, o incentivando a abrir os olhos. Porém, quando os abriu, imediatamente se arrependeu, pois sentada ao seu lado, estava a pessoa que menos queria ver.
-Como você está? –A voz de Hermione estava carregada de preocupação e carinho.
-Pior agora que te vi. Não deveria estar com seus irmãozinhos sanguessugas? –O tom de Harry estava carregado de sarcasmo e rancor.
-Assim que soube que havia se machucado tanto, não pude ficar lá. Quando o vi tão machucado, com febre e dor, me senti muito culpada e sei que apenas minhas desculpas não vão acalmar seu coração. –Hermione tinha os olhos baixos, parecia decepcionada consigo mesmo por ter permitido que ele ficasse sozinho.
-Se você estivesse lá, eu não estaria tão machucado. No entanto, você preferiu estar com seu padre vampiro, sabendo que algo assim poderia acontecer! –Harry acabou de lhe pisar no coração sem piedade, queria que ela sofresse e se arrependesse pela escolha que fez.
-Eu não imaginei que você fosse, como um louco, mergulhar em uma missão suicida dessas! Além disso, eu não preferi o Gabriel como está insinuando. Eu te amo e sou fiel a você!
-Belo jeito de demonstrar seu amor! –Harry já estava irritado e ia se levantar, mas Hermione não deixou. –Me solta e vai embora daqui, antes que eu me irrite e te expulse! –Harry esbraveja em tom ameaçador, os olhos demonstrando um brilho assassino. –Hermione apenas passou uma das pernas para o outro lado dele e segurando suas mãos aos lados de sua cabeça.
-Harry, eu sei que está magoado, mas entenda que fiz isso para nosso bem... –Ela tenta explicar em tom calmo, mas ele a interrompe.
-Para o nosso bem? Então me deixou sozinho e se afastou de mim para o meu bem? Pois pode... –Harry recomeçou seu discurso cheio de sarcasmo, mas Hermione se encheu de discutir e interrompeu-o com um beijo.
Assim que os lábios dela pressionaram os seus, Harry sentiu seu corpo estremecer ante a lembrança do contato e do que ele o fazia sentir, no entanto logo sua mente lhe lembrou o que ela fizera e por isso tentou empurrá-la. Porém ela fazia força e não desistia de forçar o beijo, por mais que ele tentasse afastar o rosto, então se irritou e mordeu fortemente o lábio inferior de Hermione, que ao invés de se afastar, gemeu e forçou ainda mais o beijo. Harry sentiu a língua dela tocar a sua e não resistiu, deixou um gemido escapar e retribuiu o beijo com igual paixão.
Quando as bocas se afastaram, sentiu-a descer por seu rosto e pescoço, protestou e tentou se soltar, então sentiu que ela lhe prendia os pulsos a cama com algemas mágicas e ficou ainda mais irritado.
-O que pretende fazer? Vai me deixar de castigo? –Harry fala entre furioso e sarcástico. Hermione o ignora e começa a tirar a camisa. –O que está fazendo? Vista-se e saia daqui agora!
-Quero te dar um bom motivo para eu ter ido passar um tempo com a Cat. - Hermione fala de modo malicioso, os olhos castanhos ganhando um brilho avermelhado, enquanto tirava a calça.
-Pois eu não quero saber de motivo algum! Sai daqui, Hermione. –Harry fala tentando não olhar para o corpo cheio de curvas e coberto apenas pelo lingerie.
-Engraçado, seu corpo parece não concordar com isso. –Hermione fala ao observar a excitação evidente do amado. –Eu te amo, Harry. Se me afastei de você, foi para poder estar ainda mais perto quando eu voltasse. –As palavras soavam sinceras, apesar disso já não fazia diferença para Harry, pois este apenas sentia o contato de sua pele com a dela, seus sentidos todos concentrados na mulher que desejava mais que qualquer coisa.
-Pois eu te odeio e vou continuar odiando. –Aquela fora sua última tentativa de se manter firme em sua postura, mas ao sentir a língua quente e úmida percorrer seu pescoço e os dentes mordiscarem de leve o lóbulo de sua orelha, Harry não conteve um gemido de prazer e muito menos resistiu ao beijo doce e provocante que recebeu.
Enquanto promovia uma dança sensual entre suas línguas, Hermione desceu sua mão do ombro forte ao abdômen definido, acariciando levemente e massageando o local, depois voltando a subir em outra leve e provocante carícia. Após afastar suas bocas, trilhou com beijos molhados o caminho até o tórax, onde beijou e sugou os mamilos, mordiscando-os de leve e arrancando gemidos abafados do moreno. Sentiu Harry se agitar e tentar soltar as mãos, então resolveu caprichar mais, descendo e distribuindo beijos pelo tronco dele e devagar descendo as mãos e retirando a calça dele devagar, deixando-o nu.
-Eu estou com a perna machucada, um corte logo abaixo do tórax, não posso fazer esforço... estou doente! –Harry apela após ver o ferimento na perna, o que o ajuda a relembrar de seu estado.
-Tadinho! –Hermione fala com falso pesar, enquanto levava as mãos ao fecho do sutiã. –Pode deixar que eu vou cuidar de tudo, você não vai precisar fazer esforço. –Harry fechou os olhos assim que ela retirou a peça de roupa, o que a deixou irritada. –Abra os olhos, Harry! –No entanto, ele não a obedeceu, o que a fez pressionar levemente o ferimento da perna. –Isso. Quero que me veja, assim como eu o vejo. –Os olhos castanhos mostravam uma determinação que fez Harry engolir em seco, antes de sentir sua respiração cessar ao vê-la se desfazer da última peça de roupa.
-Não vê que isso é uma loucura, eu quase morri essa manhã... –Harry parou de argumentar ao não conseguir suprimir um gemido rouco, quando ela lhe tocou suavemente o sexo, enquanto distribuía beijos por seu tronco e a outra mão acariciava as pernas fortes.
-Porque perdemos mais tempo quando eu finalmente posso ser sua? –O sussurro rouco rente aos seus lábios, o corpo nu e as mãos hábeis a tornavam a personificação da tentação e do pecado.
Sem conseguir mais se conter, Harry a beijou com desejo e ferocidade, já que não podia resistir, teria tudo o que desejava dela. Hermione lhe soltou as mãos, e imediatamente Harry a abraçou e girou, aprofundando o beijo, uma de suas mãos percorrendo o corpo macio e quente. Seus lábios começaram a explorar lhe o tronco, descendo pelo vale entre os seios, demorando-se um pouco na barriga plana, espalhando beijos úmidos, antes de descer pela virilha e morder-lhe a coxa, fazendo-a gemer alto. Continuou descendo, espalhando um rastro quente onde seus lábios e mãos alcançavam, depois subiu fazendo o mesmo caminho, mas parando ao alcançar o seio esquerdo, começando a beijá-lo, enquanto sua mão massageava o outro, seu membro rijo tocava a intimidade dela, fazendo-a se arquear e movimentar suavemente os quadris, enquanto com as mãos lhe bagunçava os cabelos e arranhava as costas. Quando passou a beijar o outro seio, Harry levou sua mão esquerda a intimidade quente e úmida, fazendo Hermione estremecer sob si. Devagar começou a tocá-la, descobrindo as regiões mais sensíveis e começando a massagear o local lentamente, ao passo que ela passou a mover o quadril no mesmo ritmo.
Minutos depois, as carícias estavam muito mais intensas, os dois se beijavam com sofreguidão, os corpos se movendo um contra o outro com paixão, as mãos tocando ávida e possessivamente o corpo do outro.
-Eu preciso de você, agora, por favor! –Harry perdeu o fôlego quando a ouviu implorar em seu ouvido.
-Então pede de novo, olhando nos meus olhos. –Harry exige se afastando o suficiente para observar a face corada de Hermione, tanto pelo pedido quanto pela excitação.
-Quero você, preciso senti-lo dentro de mim! –Harry observou os olhos de Hermione ficarem vermelhos, as presas aparecendo em sua boca. Ela já não conseguia se controlar mais.
-Agora acredito. –Sussurrou maliciosamente antes de investir contra ela com cuidado.
Quando rompeu a ultima barreira, Hermione cravou suas garras com força em suas costas e pôde sentir o sangue quente e viscoso se espalhar devagar, assim como o filete de sangue que escorria pelo canto dos lábios vermelhos e inchados pelos beijos. Amparou o sangue com os lábios e ao chegar à boca, beijou-a com paixão, deixando que os dentes pontiagudos lhe cortassem a língua e misturassem seu sangue ao dela. Era um misto de sensações únicas, sentir o corpo dela o recebendo e ao mesmo tempo provar o gosto da mistura de seus sangues, seus corpos se movendo contra o outro em um mesmo ritmo, como se ambos já conhecessem aquela dança sensual e ao mesmo tempo feroz. À medida que o clímax se aproximava, o sangue nas mãos de ambos aumentava, Hermione o arranhava com suas garras e o mordia, ato compartilhado por Harry, que estava enlouquecendo com aquela mistura de dor e prazer.
Urros muito semelhantes a rugidos roucos escaparam de suas gargantas quando a dança chegou ao fim. Harry mal sentia seu corpo, sabia que provavelmente quando voltasse a senti-lo estaria com uma dor violenta na perna e muitos outros ferimentos para se preocupar, mas isto não era o que se passava em sua mente naquele momento, sua atenção voltada para a expressão satisfeita no rosto da amada, sabendo que devia sustentar uma expressão semelhante.
-No que está pensando? –Hermione lhe pergunta com um sorriso travesso, que denunciava o quanto suas mentes estavam sintonizadas.
-Que eu não quero sair daqui nunca mais, e o resto do mundo que se dane. –Aquelas palavras ditas em um tom tão sincero, ao mesmo tempo em que Harry exibia um sorriso travesso e um olhar malicioso, fizeram Hermione rir.
-Pois então que o mundo se exploda! –Proclama divertida, antes de puxá-lo para si possessivamente.
Harry acordou dolorido e ao olhar para baixo ficou furioso, além de estar machucado e com o corpo todo doído, ainda havia sonhado com aquela traidora. Urrou um xingamento o mais alto que pôde e ficou feliz em poder ouvir sua voz.
-Essa foi a última vez que você apareceu em minha mente, Granger, de agora em diante você morreu para mim! –Harry fala determinado antes de ir para o banheiro onde tomaria um banho frio e avaliaria seu estado de saúde.
Quando Harry desceu, sua pele tinha um tom avermelhado, como se houvesse ficado muito tempo exposto ao Sol, sua audição não estava perfeita, mas já podia escutar, a perna doía, mas ele não mancava, e a maioria dos cortes de seu corpo havia sumido, ficando apenas o maior, logo abaixo do tórax, o qual estava bastante inflamado. Assim que adentrou a cozinha, viu os Weasley se engasgarem ao vê-lo, não havia outros membros da ordem aquela noite.
-Harry! O que está fazendo aqui? Não devia ter se levantado. –Molly fala exasperada, se levantando rapidamente e indo até ele.
-Não se preocupe, Sra. Weasley. Eu já estou bem, apesar de um pouco dolorido. –Harry fala sorrindo para que ela o deixasse e ele pudesse sentar e comer.
-Como pode estar bem? Você parecia quase morto quando chegou! –Rony fala sem acreditar.
-Fala mais alto, ainda não recuperei direito a audição. –O pedido de Harry faz todos se voltarem para ele ainda mais preocupados. –Ok, vou contar o que houve. –Harry fala em tom derrotado e começa a narrar a história desde que chegara ao cume da montanha.
Assim que terminou de narrar tudo, houve uns minutos de silêncio como se estivessem digerindo toda aquela história. Harry aproveitou para terminar de comer com tranqüilidade, até que Rony falou, quebrando o silêncio.
-Então, o que pretende fazer agora? –Rony pergunta incerto, de repente tudo havia ganhado proporções maiores do que ele havia pensado, ou de que haviam tido até agora.
-Primeiro, quero que enviem a Arctos uma carta que eu vou escrever, marcando uma reunião para amanhã. Depois quero que chamem o Sr. Olivaras e convoquem uma reunião da ordem para amanhã à noite.
-Porque quer ver o Sr. Olivaras? –Gina pergunta curiosa.
-Minha varinha está danificada, quero que ele a recupere. Por causa dos danos e da carga de magia negra no local, acabei ficando sem ter como usar magia e isso me causou um bocado dos ferimentos que sofri. –Harry explica, mas seu tom não é irritado, de alguma forma achava que daquela forma, pôde mostrar melhor seu valor para os Lycans.
-E já tem idéia do horário em que se dará a reunião com os lycans? –Gina pergunta como quem não quer nada, mas não era segredo o porquê de seu interesse.
-Amanhã à tarde, já quero ter falado com o Sr. Olivaras pela manhã, para ter uma idéia de quando vou poder usar minha varinha novamente. Pedirei que Logan venha, quero conversar com ele. –Harry acrescenta com um sorriso discreto para a ruiva, que não esconde seu contentamento.
-Mas eu vou ficar de olho em vocês dois! –Rony fala para a irmã, que apenas revira os olhos e suspira entediada.
Aquela noite, antes de dormir, Harry trabalhou bem sua oclumência para garantir que não sonharia com nada e poderia descansar tranquilamente. Quando acordou, sua perna estava melhor, só doía quando pisava ou fazia movimentos específicos, o corte no tórax ainda estava muito inflamado, sua audição estava quase normal e estava bem disposto. O Sr. Olivaras chegou logo após o café da manhã e depois de um exame superficial disse que seria muito difícil recuperar a varinha, mas que iria tentar e ao mesmo tempo faria outra, para caso a antiga não ficasse completamente recuperada.
Às duas horas, Arctos, Scar e Logan chegaram à mansão Black e foram se encontrar com Harry na biblioteca. Assim que os viu, Harry se levantou e apertou a mão dos três, reparando que Arctos havia trazido sua própria penseira.
-Está preparado para nos mostrar o que aconteceu? –O chefe dos lycans fala observando atentamente as reações do moreno, o qual não demonstrava emoção alguma.
-Quando quiserem. –Harry responde de modo simples e então o vê colocar a penseira na mesinha a sua frente. –Preciso de uma varinha, a minha está sendo reparada.
Logan rapidamente lhe cedeu a sua e Harry agradeceu antes de levá-la a têmpora. Concentrou-se no momento em que saíra de casa para ir buscar a coleira e então puxou um longo fio prateado, que foi pondo aos poucos na penseira.
-Não serei condescendente Potter, se estiver um milímetro abaixo de minhas expectativas, sua proposta será negada. –Arctos avisou antes de tocar o conteúdo da penseira. Scar e Logan fizeram o mesmo com suas varinhas.
Harry pegou um copo com cerveja amanteigada e abriu um livro de DCAT que Tonks lhe dera, era o equivalente ao último ano de preparação de um auror. Sabia muitos feitiços de ataque, os havia aprendido no início do ano, mas precisava aprender feitiços de defesa mais efetivos que o protego . Quase uma hora depois, os lycans saíram da penseira, Logan o olhava com respeito, Scar apenas o media de cima a baixo como se verificasse seu estado de saúde, já Arctos se sentou normalmente, como senão houvesse visto nada demais.
-Então, o que acharam do que mostrei? –Harry pergunta fitando-os um pouco apreensivo, apesar de tentar não o demonstrar.
-Que você parecia ter se machucado bem mais. –Logan comentou curioso e atento.
-Sim, eu fiquei surdo, quase perdi a perna, tava cheio de veneno no corpo, e tenho um corte enorme, que apesar de não ser muito profundo, está muito inflamado. No entanto recebi um bom tratamento médico. –Harry fala bastante tranqüilo, apesar da postura séria de Arctos não lhe deixar nada tranqüilo.
-Harry, você sabe o que é um “Amante de Vampira”? –Esta pergunta, feita em tom tão grave, surpreendeu não só Harry, quanto os outros dois.
-Se está falando sobre Hermione, saiba que eu já não tenho mais nada com ela e que mesmo quando tinha sempre a tratei com respeito. –Harry fala se sentindo desconfortável e até corando. Logan abafou risos e trocou um olhar cúmplice com o amigo.
-Não estava me referindo a nada relativo a isso. O nome Amante de Vampira foi dado porque os casos mais notórios no início envolviam amantes de vampira, mas isto não vem ao caso. O que precisa saber é que os Amantes de Vampira são temidos por vampiros e lycans de todos os níveis, por serem quase imunes a todas as maldições.
-Só por isso ele é temido? –Harry o interrompe e Arctos lhe lança um olhar de aviso, antes de retomar a explicação.
-Amantes de Vampiras são raros, seu sangue é muito poderoso e valioso, eles também tem muitas habilidades e por tais, geralmente eram aliciados como caçadores de amaldiçoados. Um caçador destes, mesmo não sendo bruxo, é mais forte, mais rápido e mais esperto que um humano normal, além de ter uma forte resistência mental. Agora se um bruxo é um amante de vampiras, o seu poder é ilimitado. Você deve saber que vampiros e lobisomens bruxos são infinitamente mais poderosos que os não bruxos, certo? –Harry apenas acenou que sim. –Pois então, um amante de vampira bruxo e bem treinado pode ser imune a todo tipo de maldição e a quase todos os poderes psíquicos dos amaldiçoados, como o brilho das trevas ou invasões mentais, tão usadas pelos vampiros. Os exemplos mais conhecidos são Van Hellsing e Elektra, pois apesar do nome, as mulheres também podem ter esse tipo de habilidade.
-E você está me contando isso para que vá procurar Hellsing e essa tal Elektra? –Harry pergunta com a sobrancelha erguida.
-Não. Duvido que algum caçador vá querer se juntar a quem estiver lutando ao lado de lycans. Disse-lhe tudo isto, porque você é um Amante de Vampiras. Provavelmente o contato com uma meia-vampira e um lycan tenha despertado mais fortemente essa sua habilidade.
Harry suspendeu a respiração e até seu coração pareceu falhar uma batida, por um instante foi como se o mundo houvesse parado. Lembrou de quando viu Logan transformado pela primeira vez e lutou com ele quase de igual para igual, assim como não foi afetado pela maldição lycan quando as garras dele o feriram. Logo depois se lembrou de quando se colocou entre Marcus e Logan, controlando mais uma vez o Lobisomem. Ainda houve sua recuperação espantosa após a prova de DCAT e agora, após a busca pela horcrux. No entanto algo mais lhe chamou a atenção e pareceu lhe fazer súbito sentido.
-Antes de qualquer coisa, quero saber se irão se unir a mim. –Harry pergunta a Arctos com uma postura mais confiante e decidida que antes, apesar de se sentir um tanto perdido.
-Se nos prometer que não usará o que aprenderá contra o meu grupo, poderemos fazer uma aliança. –Arctos fala de modo enfático, exigindo um compromisso permanente.
-Dou minha palavra de que não perseguirei ou matarei qualquer um que respeite a vida humana e de inocentes. Se sua matilha se mantiver comportada e não atacar humanos sem ser em sua própria defesa, não terei motivo para me indispor com nenhum de vocês. Devo, inclusive, lembrá-lo que um de meus melhores amigos é um lobisomem. –Harry fala seriamente, mostrando que não se curvaria a ninguém, mas que não cultivava preconceito algum contra amaldiçoados.
-É o suficiente. –Arctos fala se erguendo e apertando a mão de Harry de modo firme. –Começaremos o treinamento amanhã às seis da manhã. Suponho que tenha uma sala preparada para isso?
-Sim, não se preocupe. Porém, agora quero voltar a falar sobre eu ser um Amante de Vampira. –Havia um tom vago na voz de Harry, como se ele estivesse em dúvida sobre o que falaria. -Drakul, assim como seus filhos, quando me conheceram mostraram certo interesse por mim. Cat, filha dele, foi inclusive muito favorável ao meu namoro com Hermione, até nos deu um empurrãozinho para que começássemos. Acredita que tudo isso é porque tinham algum plano para mim? –Harry pergunta de forma curiosa, era como se agora ele houvesse pegado a peça que faltava para começar a montar um quebra-cabeça.
-Sim. Drakul é muito esperto e tanto Cat quanto Gabriel não ficam atrás, são todos tão espertos quanto poderosos. Ele quer e precisa de Hermione, faria quase de tudo para agradá-la e certamente ser favorável a união dela com um Amante de Vampira com tanto potencial mágico, significaria não ter você como inimigo, já que não iria querer se indispor com ela, matando membros de sua família. –Arctos conclui o raciocínio e se surpreende ao ouvir Harry rir.
-Pois se são tão inteligentes assim, deveriam saber que eu odeio assassinos, principalmente usuários de magia negra. –Não só a voz, mas também os olhos de Harry mostravam que ele não estava disposto a fazer amizades com Drakul e sua família.
-Nesse caso vamos tratar logo do que quer de nós nesta guerra. –Scar fala com um pouco de ânimo na voz, mostrando que era um guerreiro e adorava batalhar.
Após uma rápida conversa sobre seus planos e de mencionar o que pretendia fazer aquela noite, convidando Logan a se juntar a eles, Harry se despediu de Arctos e Scar, já que Logan ficaria para a reunião com a ordem.
À noite, novamente estavam presentes McGonagall, Snape, Moody, Lupin e Tonks, além dos Weasley. Harry se sentou na cabeceira oposta a McGonagall e tinha Rony e Logan aos seus lados.
-Bom, todos aqui já sabem do que aconteceu e tiveram acesso a penseira com a lembrança da caçada a horcrux. A coleira está bem aqui. –Harry colocou uma caixa sobre a mesa e dentro dela havia o objeto feito de couro de dragão, o fecho era de ouro e havia ornamentos em ouro, prata e pedras preciosas, era um valioso e delicado objeto. –Agora vou destruir a última das horcrux escondidas por Voldemort. Avada Kedavra . –Algo semelhante a um espectro negro saiu da coleira e “explodiu” em faíscas negras. Todos sentiram uma grande carga de magia negra no ar, prova de que aquela era realmente uma horcrux. –Passei no primeiro teste, os lycans estão comigo.
-Então firmaram mesmo um acordo esta tarde? –Lupin pergunta surpreso, não imaginava que seria acordado tão rápido.
-Sim, meu primeiro treino será amanhã às seis. –Harry responde sorrindo vitorioso para Snape, que parecia se conter para não urrar de raiva.
-Imagino que agora queira planejar o que fará no teste que propomos a você, estou certo? –Moody pergunta curioso com o novo comportamento de Harry e animado diante da perspectiva de ter um pouco de ação.
-Eu e Rony já planejamos tudo, quero apenas passar as instruções para vocês. –Harry fala sem preâmbulos, deixando os mais velhos surpresos.
-Essa postura arrogante ainda vai matar muitos de nós, Potter. –Snape dispara como se visse novamente Thiago Potter. Harry tinha mesmo carisma capaz de arrebanhar até os mais sensatos, a mesma aura de poder, a mesma confiança e determinação, mas também a mesma arrogância destruidora.
-Só vai morrer quem não obedecer à tática ou for fraco demais para cumprir uma missão simples de invasão e captura. –Harry responde de modo sério e objetivo, logo depois fazendo um sinal para Rony.
-Bom, eu vou explicar os planos e como toda a parte tática vai funcionar. –Rony fala também exibindo uma postura confiante, coisa bem atípica no rapaz.
Após passar quase a hora seguinte mostrando os dados mapeados pela Ordem da Fênix, mapas dos locais alvos e toda a parte de dinâmica, Rony concluiu sua apresentação e passou a palavra a Fred e Jorge. Os dois forneceriam alguns artigos inventados por eles e que poderiam dar a vantagem que eles precisariam contra a desvantagem numérica, que era aproximadamente de cinco comensais para cada membro da ordem. Foram mais quase duas horas de explicações de uso e demonstrações de como as invenções funcionavam, além das respostas as dúvidas.
-Harry, você sabe que todo esse plano é bastante arriscado, não sabe? –McGonagall pergunta a ele que assente.
-Sim, por isso que quando eu escolhi as pessoas que ficariam em cada equipe, tentei pesar bem as diferenças e deixá-las o mais equilibradas possível.
-E quais serão as equipes? –Snape pergunta curioso e pronto para desfazer das escolhas, já imaginava que juntaria ele e os amigos de um lado e os mais experientes de outro, para que não interferissem no seu “jeito de lutar”.
-A primeira equipe terá Moody, Fred, Gui e Vance. –Ninguém escondeu a surpresa por verem Fred e Jorge separados, mas os dois pareciam já saber disto e estarem de acordo. –A segunda equipe terá Tonks, Lupin, Logan e Rony. –Mas uma onda de surpresas ao verem Rony separado de Harry. –A terceira equipe terá McGonagall, Hagrid, Carlinhos e Jorge. –A convocação de McGonagall e Hagrid surpreendeu, mas McGonagall sorriu ao ver que estava incluída na missão. –A última será composta por Snape, Arthur Weasley, Elphias Doge e eu. Os líderes das equipes serão Moody, McGonagall, Tonks e eu. –Harry teve o prazer de falar olhando para Snape, como se esperasse que ele o desafiasse.
-Pois eu não vejo motivo algum para me submeter as suas ordens, Potter! –Snape esbraveja irritado, não ficaria a mercê de um moleque de dezessete anos.
-Eu comandei a montagem da operação, Snape. Estando na missão estará sob minhas ordens estando no meu grupo ou não, então se cale e me deixe continuar ou se retire e mostre o ser individualista e insuportavelmente arrogante que demonstra ser. –Harry fala em tom superior, olhando com severidade, ao que Snape retribui com um olhar de puro ódio.
-Já chega. –McGonagall interfere antes que a discussão comece. –Severo, precisamos de toda a ajuda possível aqui, então vamos deixar as diferenças de lado e começar a agir.
-Minerva tem razão, Severo. –Arthur se manifesta e todos parecem estar ao lado da diretora. –O plano que meus filhos e Harry fizeram parece muito bom, além de simples, e creio que já estava mais do que na hora de transformar toda a informação e números em planos de ação.
-Eu concordo com isto, mas não acho que Potter seja o mais indicado para dirigir uma operação deste porte. Pelo bem da causa vou aceitar a missão, mas que fique registrada minha oposição ao “líder”. –Snape fala de modo contrariado, completamente convicto de que aquilo acabaria sendo um fiasco.
-Harry. –Gina o chama e ele já se prepara para a pergunta que viria. –Porque Rony está escalado e eu não? Também quero ajudar. –Gina fala resoluta e Molly reage imediatamente.
-Nada disso mocinha! Seu irmão já é um bruxo adulto e por isso não posso proibi-lo de nada, apesar de ser contra a ida dele, no entanto você ainda tem dezesseis anos e por isso é responsabilidade minha e digo que não vai! –A matriarca tinha um tom tão grave que Gina não se atreveu a discutir, saberia que a mãe a acorrentaria a cama se preciso fosse.
-Além disso, eu preciso que você e sua mãe cuidem dos preparativos para receber os prisioneiros, terão que pegá-los e acorrentá-los, além de tratar dos feridos. Aqueles que tiverem ferimentos graves serão enviados ao St. Mungus assim como os nossos que também tiverem ferimentos graves. Outras pessoas com conhecimento médico estarão aqui para ajudá-las, como madame Pomfrey. –Harry acrescenta seriamente e Gina murmura em concordância.
A reunião se seguiu de modo mais tranqüilo por mais uma hora. Após o término da reunião, Lupin pede um minuto para falar em particular com Harry e os dois vão até a biblioteca. Ambos se sentaram frente a frente em um sofá e Lupin retirou uma comprida caixa de madeira do bolso interno de suas vestes.
-Isto é algo que eu havia propositalmente perdido e que a pedido de Sírius comecei a procurar. Encontrei-as no início deste ano e só agora tenho oportunidade para entregá-las a você, em um ótimo momento creio. –Lupin fala um pouco hesitante e então abre a caixa, revelando duas varinhas cuidadosamente acomodadas em um tecido vermelho aveludado.
-De quem são essas varinhas? –Harry pergunta engolindo em seco, já sabia a resposta para aquela pergunta, mas precisava da confirmação.
-Esta aqui, -apontou para a menor – possui vinte e seis centímetros de comprimento, farfalhante, feita de salgueiro, ótima para encantamentos e pertenceu a sua mãe. A outra, vinte e oito centímetros de mogno, flexível, boa para transformações e grande poder, pertenceu a seu pai. –Após uma pausa para se recuperar, Lupin prosseguiu. –Creio que uma delas será ideal para que use amanhã à noite.
-Obrigado, tenho certeza de que vão me ajudar amanhã. –Harry pega as caixas com cuidado e observa as varinhas como se pudesse ver através delas a grandeza de seus pais.
-Vou deixá-lo a sós, creio que precise de tempo para testá-la. Até amanhã. –Harry retribuiu o cumprimento ainda absorto no que tinha em mãos.
Durante as duas horas seguintes testou diversos tipos de feitiço com as duas varinhas, chegando à conclusão de que usaria a da mãe para treinar e a do pai para as missões. Mais uma vez fechou a mente antes de dormir, conseguindo um sono tranqüilo até as cinco, quando se levantou para se preparar para seu primeiro treino.
Arctos havia chegado pontualmente, mas para surpresa de Harry lhe comunicou que o treino seria na vila em que morava com sua matilha. Sendo ele o mestre em proteção mental e Scar o de combate. Assim, os dois saíram da mansão e Arctos o aparatou direto para o local do treino.
Harry olhava em volta, estava em um amplo salão, cujas paredes e o chão eram feitos de madeira escura, havia várias armas em todas as paredes das mais diversas e complexas formas, apesar de nenhuma arma ser de fogo. Reparou que no chão, no centro do amplo salão, estava uma espécie de tapete, talvez um tatame. Arctos andou até ele e fez sinal para que o acompanhasse.
-Sente-se. -Ordena Arctos, seu rosto não demonstrava nenhuma intenção ou sentimento. O moreno se sentou no chão e cruzou as pernas, o lycan, de frente para ele, fez o mesmo. Ambos se encararam sem desviar os olhos. -Eu quero que você se concentre em tudo que aprendeu sobre proteção mental, oclumência e legilimência. -Fala em tom grave, seu olhar se intensificou, mas o moreno pareceu não de intimidar. -Agora esqueça essas porcarias, pois elas não servirão de nada para você.
-Por quê? -Pergunta Harry não gostando daquilo, demorara a aprender oclumência e Arctos pedia para ele esquecer tudo.
-As complexidades da mente humana vão além dos meros conhecimentos da sua espécie. -Fala Arctos em tom seco e cortante. -Ao contrário do que lhe ensinaram na oclumência, fechar a mente é algo mais complexo do que esconder pensamentos e sentimentos. A mente é uma arma complexa que dever ser bem usada e trabalhada, se esconder as coisas nela qualquer amaldiçoado ou bruxo poderá encontrá-las, as proteções não são nada. -O Lycan fecha os olhos por um instante e quando os abriu eles estavam mais escuros que o normal. -Você deve ser capaz de estar sobre total controle de sua mente, para que qualquer um que tente invadi-la fique a sua mercê. -Um vento forte bate no rosto de Harry, que fechou os olhos com força, sentiu um estranho frio lhe subir pela espinha, então voltou a abrir os olhos e se viu em um local totalmente diferente.
-Onde estamos? -Harry estava confuso, tentando imaginar como fora transportado para aquele local. Olhando em volta notou que o céu era de um azul muito límpido, o chão era coberto por uma grama muito clara e que se estendia por quilômetros, era um belo campo com poucas árvores em volta.
-Onde, quando e por que. -Fala Arctos com desdém. -Às vezes essas perguntas limitam seu conhecimento. -Estamos em sua mente ou na minha, para falar a verdade estamos compartilhando a mesma mente, geralmente é assim que vampiros conseguem invadir a mente humana, que é muito frágil. -O lycan abriu os braços e respirou fundo. -Você pode definir o conceito de realidade e imaginação ou pensamento?
-Realidade é algo que podemos sentir, tocar e até provar, está além de pensamentos ou imaginação, pois é algo concreto. -Harry responde como se aquilo fosse lógico.
-Você está sentindo o chão debaixo de seus pés, o sol acima da sua cabeça e o vento em seu rosto. Então isso quer dizer que aqui é um local real ou apenas uma ilusão mental? -Os olhos azuis cravaram em Harry com ferocidade. -Pois segundo o seu conceito de realidade, pode sentir e tocar. -Ele começou a caminhar ao redor de Harry, que não pensou em se mexer. -Sua mente e a minha ou a de qualquer ser, pode ser enganada e manipulada por qualquer um, além de você. Em um duelo mental você pode sentir uma dor tão forte que ela pode se manifestar fisicamente.
-Segundo você, não se dá para distinguir o real da imaginação ou ilusão em um duelo mental. -Harry conclui como se houvesse entendido.
-Errado. -Fala o lycan ao lado do moreno. -Até caminhando em uma rua, você pode ser enganado por sua mente ou pela mente de um inimigo, que tentar te torturar mostrando coisas que não existem. A única forma de você se proteger é fortalecer sua mente ao ponto de que possa distinguir o que você realmente vê, do que você está imaginando ou sendo forçado a imaginar. -O céu começou a escurecer, nuvens negras aos poucos tomavam cada canto daquele céu azul, a terra debaixo dos pés de Harry começou a morrer e apodrecer, se espalhando pelos campos. Era como se um sentimento de vazio se apoderasse dele, sentiu frio com um vento que percorreu o local trazendo consigo o cheiro conhecido de sangue. -Se alguém machucá-lo em sua mente, seu corpo pode tornar o machucado real.
-Está dizendo que a mente pode agir diretamente em um corpo. -Fala Harry tentando manter a calma, aquele local lhe fazia sentir mal, parecia pior que o vale amaldiçoado.
-Não digo que ela pode causar danos físicos, para isso você tem que colocar mais do que uma parcela de sua mente em um duelo. -Harry tentou olhar para ele, mas o lycan desaparecera, sua voz parecia vir com o vento que começara a soprar com mais força. -Mas se for derrotado em um duelo mental, seu inimigo pode destruir sua mente e matá-lo. –Houve um silêncio incômodo. -Um corpo não vive sem uma mente.
-Como posso protegê-la então? - Harry pergunta confuso.
-A mente é sua. Em um duelo mental você pode dobrar a realidade, manipular a existência e quebrar qualquer lei da física. A mente é algo ilimitado, use tudo que você tem dela, quanto mais exercitá-la, mais áreas de seu próprio cérebro podem se ativar, tudo que você sabe fazer fisicamente, poderá fazer mentalmente, poderá usar magia, fazer as pessoas sentirem o seu maior medo. Tudo de um modo mais fácil do que com a legilimência, que além de depender da magia, precisa ter um contato direto com o outro ser.
-E como eu posso aprender isso? -O frio aumentou e Harry tremeu levemente, não podia usar oclumência para expulsar alguém de sua mente, somente para bloquear, não sabia como expulsar, invadir, revidar...Não sabia nada disso, só sabia que tinha que protegê-la desesperadamente. Tinha que criar barreiras diferentes da legilimência, não barreiras mágicas, mas verdadeiras barreiras mentais.
-Você sabe como fazer. -A voz de Arctos ecoou por todos os lados novamente. -Todos sabem, mas esquecemos como fazer. Não posso dizer como deve usar sua mente, pois ela é sua, tudo que posso fazer é invadi-la e manipulá-la contra sua vontade. –Fez-se silêncio, somente cortado pelo vento. -O primeiro passo é sair daqui.
A voz morreu restando o uivo forte do vento, o cheiro de sangue se intensificou, ele não sentia a presença do Lycan em lugar algum, parecia estar sozinho. O frio aumentava e não podia ficar parado, ao dar o primeiro passo ouviu um barulho estranho, olhou para baixo e viu seu pé totalmente emergido em uma grande poça de sangue. Observou os arredores, no campo havia diversas poças de sangue, gritos foram trazidos pelo vento, pareciam estar em agonia. O frio mais uma vez lhe atingiu, aquilo não era normal, caminhou de novo, mas não deu nem sete passos e teve que parar. Um cheiro pútrido chegou às suas narinas, corpos apareceram em sua volta, as poucas árvores no local estavam queimando, tentou desviar os olhos, mas para qualquer lado que olhava via corpos. Homens, idosos, mulheres e crianças, mortos da mais horrível forma possível, dilacerados, com expressões de pânico. Uma risada fria percorreu o campo, fazendo-o se arrepiar. Por um instante pensou que Voldemort aproveitara sua mente desprotegida para invadi-la.
Gritos vieram junto com a risada fria, Harry reconheceu aquelas vozes e tentou localizar de onde vinham, mas parecia que ecoavam de todos os cantos. Correu para o norte, queria encontrá-los, não podia perder alguém mais uma vez. O desespero nasceu em seu peito, esquecera Arctus ou onde estava, apenas corria o mais rápido possível pulando corpos, enterrando os pés nas poças de sangue, ignorando o cheiro podre. Estava a quase vinte minutos correndo e, quando ia pular mais um corpo, uma mão forte segurou sua perna, o que o fez cair no chão. Sentiu o gosto de sangue em sua boca e tinha certeza que não era o seu, sentiu náuseas, olhou para ver quem o agarrara, se deparando com o rosto branco e os olhos sem vida de Minerva McGonagall, sua mão o segurava com uma força extraordinária, puxou fortemente sua perna e se libertou. Levantou-se mais decidido, correu o mais rápido que suas pernas poderiam, por fim se transformou no enorme lobo branco. Não demorou muito e a pelagem branca ficou vermelha com o sangue do chão, os gritos estavam mais altos, estava próximo, mas então notou que um a um desapareciam.
O silêncio reinou no momento em que ele chegou a uma grande pilha de corpos dilacerados, voltou a sua forma humana não se importando de estar coberto de sangue. Olhou para a pilha de corpos, todos amigos e companheiros, sentiu o ar faltar, amaldiçoou Voldemort, por fizera aquilo. Porém, ao observar o alto da pilha, seu coração pareceu parar, lá em cima estava o assassino de tantas pessoas olhando para ele, com uma das mãos segurava alguém pelo pescoço, não podia acreditar no que via.
Via a si mesmo ou alguém que se parecia muito consigo. Sentimentos que pareciam não ser seus lhe invadiram, viu imagens das pessoas mortas pelos olhos do assassino, mas os sentia como se fossem seus, o seu corpo sentia a satisfação por ter matado um por um, era algo muito bom, não pôde negar. Via o medo e a dor estampados nos olhos de cada um dos mortos e sentia a satisfação de conseguir proporcionar tão boa diversão para si mesmo. Quando se deu conta estava mais uma vez aos pés das pilhas de corpos, aquele ser que era a sua imagem ainda o encarava e jogou a pessoa que ainda segurava pelo pescoço, esta rolou a pilha e caiu aos pés de Harry. Sentiu todo seu corpo ficar dormente ao ver o rosto de seu melhor amigo contorcido de dor e os olhos demonstrando o ódio por se sentir traído por alguém em quem acreditava.
-Nós fizemos isso. -Fala alguém atrás dele, a voz era mais grave do que o normal para uma pessoa. Virou-se e viu o seu clone, logo notando a diferença dos olhos, que eram negros como a escuridão, a pele mais branca e em seu rosto um sorriso que não lhe chegava aos olhos, demonstrando uma cruel felicidade. -Nós matamos um por um, os fizemos implorar e seu sangue irrigar a terra.
-Você fez. –Harry retruca sentindo o suor lhe descer pela testa. -Você os matou, você sentiu felicidade por isso! Você e não eu.
-Nós somos um só, Potter. -Fala seu “clone” ainda sorrindo. -Nós somos a mesma pessoa. Olhe para suas mãos, veja o sangue que você mesmo derrubou, veja diante de seus olhos quem você matou e sinta toda a satisfação por fazer isso. -Harry olhou as próprias mãos cobertas de sangue e quando tentou olhar para sua “imagem”, ela desaparecera, mas uma voz ecoou em sua cabeça. -Está sentindo? Está se lembrando da nossa diversão?
Milhares de imagens passaram em frente aos olhos de Harry, que começou a sentir cada feitiço, cada maldição que lançara, até que por fim sentiu que agora usava as mãos com garras. Sentiu suas garras dilacerando a todos que conhecia, a satisfação em ouvir seus lamentos e lamurias, e por fim começou a gritar tão alto que nem sabia como suas cordas vocais não estouraram, não queria sentir nada daquilo, sentiu mãos em suas pernas e viu os corpos se levantando um a um e lhe agarrando.
“Você fez isso, a culpa é sua.” -Falavam os corpos sem vida, os berros de Harry ainda continuavam, ele queria sair dali, aquilo não podia ser real, não era verdade.
Então uma luz azul muito clara começou a desprender de seu corpo. Ele começou a flutuar no alto escapando dos braços e mãos fortes dos mortos vivos, as imagens e os sentimentos sumiram, tudo por tomar ciência de um simples fator: “Aquilo não era real, aquele lugar só existia em sua mente. Em um campo de batalha em sua própria mente ele poderia fazer o que quisesse. Abriu os olhos rapidamente e de repente se viu de volta ao mesmo salão de madeira com as armas penduradas na parede, viu Arctus a sua frente o olhando de um modo parecido com satisfação, contudo sua vista logo escureceu e caiu inconsciente.
Harry observou o local, havia apenas árvores, algumas moitas e ervas que cobriam o chão, além de Scar, que estava parado a sua frente. O frio naquele lugar era um pouco incômodo, nada com que ele não pudesse lidar, pelo menos era o que pensava. O lycan não falara muito durante o caminho.
-Potter o que é importante para um guerreiro? –Scar pergunta quebrando o silêncio incômodo da mata.
-Ser mais forte que o seu oponente? -Harry responde um pouco indeciso. Pelo menos ele estava treinando para ser mais forte.
-A simples capacidade de se adaptar a qualquer mudança ao seu redor. –Scar responde como se não houvesse ouvido o moreno, o que deixou Harry inquieto. -Me dê à definição de um bom guerreiro.
-Aquele que luta pelo que é certo. – A resposta de Harry fez parecer que um guerreiro não tinha escolha, Scar por um instante entendeu o lado de Potter, afinal, pelo que ouvira, ele nunca quis realmente entrar naquela guerra. Afastou esses pensamentos, lutar sem ter escolhas às vezes era bom, mas não estava muito certo.
-Não acho que seja exatamente um bom motivo. –Scar fala olhando para um ponto indistinto no ar. -Um bom guerreiro é aquele que aprende com suas vitórias e derrotas, que não lamenta parado, que sempre busca a vitória dando o melhor de si, que ao perder tem orgulho por ter dado o melhor.
-Do jeito que você fala, um bom guerreiro é aquele que gosta de uma boa luta. – Harry conclui, apesar de não entender. Sempre fora obrigado a entrar em lutas e não sabia como alguém podia gostar de lutar.
-Isso. -Fala Scar como se chegasse ao ponto. -Gostar de uma batalha tráz satisfação na hora de uma vitória, não uma satisfação vazia por sobreviver e sim por ter lutado dando o melhor de si e vencer. -Scar pára pensativo. -Uma boa regra que alguns guerreiro usam é: “O importante não é ganhar, mas sim ter certeza de que seu oponente perca”.
-Muito esportivo! -Harry fala em tom de sarcástico. –Aliás, qual o problema em se sentir satisfeito por estar vivo.
-Nenhuma se você não tiver nenhum arrependimento por causa disso. –Foi como se reabrisse uma antiga ferida. Harry se lembrou de Sírius e de Dumbledore. -Se arrepender por ter sobrevivido não é algo que um guerreiro faça. Você tem que aprender que perdas acontecem, amigos morrem e o que você tem que fazer por eles é continuar sua vida. Não mergulhe em vinganças sem sentido, pois elas o cegam, não crie ódio, pois ele atrapalha quando alguém o ataca. Se precisar se defender, arranje um jeito de criar uma defesa que também ataque, se tiver que retirar-se tenha em mente que voltará a lutar, se seu inimigo tentar se retirar, vá atrás dele. -Scar parou por um instante avaliando o rapaz. -Sei que é difícil perder amigos e pessoas queridas, isso causa grande dor e vazio, faz você querer vingança, mas no fim a vingança não vale à pena, pois só sobra o vazio e você perde o que está a sua volta.
-O difícil é saber que por causa dessa pessoa, eu perdi tantas outras por motivos que chegam a ser retardados. – Pelo tom de voz de Harry, Scar percebeu o rapaz se cansara de chorar por algo que não podia mudar e isso era um bom sinal, pelo menos ele esperava que fosse.
-Muito bem, mas vamos parar de falar, pois agora vai começar o treino de combate. -O tom de voz mudou para animado, o que fez o moreno também se animar. -O objetivo do treino é fazer você fortalecer o seu dom de “Amante de Vampira” e para fazer isso de forma mais rápida teremos de pular muitos estágios de treinamento, que geralmente você receberia por caçadores. Você enfrentará um amaldiçoado de grande nível, desse jeito seu “dom” terá de reagir não só com a aura amaldiçoada, mas também com a própria maldição em si e isso também ajudará a desenvolver a capacidade de cura.
-Então eu não vou aprender golpes, vou ter que...
-Sobreviver. Assim, depois do primeiro contato com a maldição, da próxima vez você estará mais “forte” e resistente aos ferimentos. - Scar fala sorrindo.
Porém, muito rápido, ele deu um soco no nariz de Harry o fazendo sentir que bateu de frente com uma barra de aço, seus pés foram tirados do chão e se sentiu arremessado para trás, os olhos fechados por causa da dor que se espalhou rapidamente pelo corpo. Agora é que sua dor de cabeça aumentaria. Quando sentiu a suas costas em contato com o chão cheio de pequenos musgos, percebeu um forte deslocamento de ar e abriu os olhos rapidamente, conseguindo rolar para a esquerda antes do punho de Scar, já transformado em Lycan, acertar o local. O punho se enterrou no solo como se este fosse um lago.
Harry tratou de se levantar rapidamente e com isso sentiu uma forte tontura, o fazendo dar dois passos para trás meio atordoado. Olhou de novo para Scar, mas ele não estava mais no mesmo local, tentou prestar atenção nos sons em sua volta, sua cabeça ainda latejava com o golpe. Um galho quebrou atrás de si, se virou rapidamente, mas não encontrou nada, respirou fundo e fechou os olhos, o silêncio reinou absoluto, não se ouvia nem os de pássaros. Concentrou-se o máximo que pôde, não só na audição, mas no tato e no olfato também, depois do que pareceram dez minutos, sentiu uma forte deslocação de ar a sua esquerda, deu dois passos para trás e abriu os olhos rapidamente, a sua frente estava as imensas garras de Scar, estendidas como se tivesse tentado acertar algo. O Lycan olhou para ele e, aproveitando o momento que Harry parou para pensar, com as costas da mão acertou no estômago dele, o fazendo perder o ar e praticamente cair de joelhos, buscando o ar desesperadamente.
-Logan nos contou que você era forte. -Fala Scar em sua forma Lycan, o que fez o moreno estranhar. -Nocauteou um Lycan mágico com um golpe, eu acho acertou um dos filhos de Drakul, mas tudo que vejo aqui é uma criança que não sabe se defender. -Harry se pôs de pé e encarou o Lycan. -Como espera enfrentar os vampiros desse jeito?
- Matando-os. -Harry responde em tom decidido, as dores em seu corpo eram fortes, porém sabia que o treino nem ao menos começara, Scar ainda estava pegando leve com ele.
-Não poderá matá-los, pois hoje você morre. -Suas garras se movimentaram rápido demais para o moreno, tudo que ele conseguiu foi sentir algo semelhante a lâminas frias rasgando a carne de seu peito e destruindo sua camisa.
Harry fora arremessado para trás e bateu em uma árvore, olhou para baixo e viu as marcas das garras do lycan, o sangue vertia rapidamente. Uma forte maça de ar é sentida e ele vê o punho de Scar direcionado para sua cabeça, tombou a cabeça de lado e sentiu a árvore tremer. Deparou-se com o enorme corpo do Lycan em frente ao seu, mais de dois metros de diferença, os olhos negros brilharam e a imensa bocarra avançou, pegando o moreno entre o pescoço e o ombro, na clavícula. Sentiu o osso partir como um mero palito de dentes com a forte pressão das presas do lobisomem, seu corpo foi içado do chão, o maldito o estava segurando com a boca, não podia perder daquele jeito. Com o braço direito, o único que conseguia movimentar, fechou o punho com muita força e acertou um soco na cabeça do Lycan, que o soltou e ganiu de dor.
Harry caíra sentado no chão, observou Scar balançar a cabeça atordoado com o golpe, mas não podia ficar ali, tinha que dar um jeito de ganhar mais vantagem, coisa difícil visto que aquele lugar devia ser um campo de caça para os Lycans e, por tanto, bem conhecido. Olhou para trás, para a árvore em que estava encostado a instantes, tinha pensado que ela só havia tremido com o golpe do lycan, mas se chocou ao ver que ela tombara de uma forma estranha, um pedaço da raiz havia saído do chão, e uma enorme rachadura dividia o tronco em dois. Pegou a varinha dentro da veste, era de seu pai. Scar não dissera que não podia usar magia, somente disse que podia se adaptar. Apertou a varinha com força, tinha de cortar o tronco da árvore no ângulo certo para que ela não despencasse para o outro lado.
-Diffindo. -Sentiu Scar avançando para si, o flash prateado acertou a árvore fazendo um corte na diagonal, um silêncio perturbador veio depois do feitiço, a respiração de Scar estava sobre si sentiu seu braço direito sendo “dilacerado” pelas fortes garras do lycan, em seguida foi jogado no chão o barulho seco de galhos quebrando foi ouvido e a árvore começou a tombar na direção deles. Um corte bem feito no tronco o fazia deslizar facilmente, começou a rolar para a direita enquanto Scar estava olhando o que estava acontecendo, o rapaz ouviu galhos e mais galhos quebrando, alguns caindo perto dele, o que o fez rolar mais para escapar. Houve um forte barulho quando a árvore tocou o chão, a própria terra tremeu. Ainda arfando, tentou se levantar, olhou para a mão direita e, apesar do braço estar em um estado lamentável, a varinha ainda estava ali, mas provavelmente não conseguiria usá-la. Ouviu barulhos de terra e levantou a cabeça olhando em volta, viu Scar vindo sem sua direção, um filete de sangue descia por sua pelagem castanha avermelhada, então o chão sumiu de suas costas e ele despencou alguns metros.
Quando tocou o chão sentiu costelas se quebrando e a dor invadindo, mais terra e pedras caíram em cima de si, olhou para o alto de onde a luz vinha e tentou olhar para os lados, mas não conseguiu. Sentiu-se tonto, provavelmente caira em uma caverna escondida, por fim ele viu uma grande sombra bloqueando a luz e em seguida Scar aterrissar ao seu lado, o olhando atentamente. A última coisa que o moreno conseguiu ver foi os olhos negros, no instante seguinte a escuridão reinou e ele caiu inconsciente.
Scar observava o garoto, ele fora bem para um humano, podia ter derrubado Logan, já que mesmo sendo um Lycan com magia, ainda sim era um “filhote” e, perto de um Lycan mais velho e com mais experiência, isso fazia muita diferença. Potter também devia ter estado em um momento em que sua condição de “amante de vampira” estivesse mais atiçada, mas com o tempo ele melhoraria, sabia disso pelo soco que recebera na cabeça. Voltou à forma humana e se abaixou para analisá-lo melhor, rasgou de vez a camisa dele que estava cheia de sangue e jogou num canto, com certa surpresa viu os ferimentos, que deveriam ter chegado ao osso da caixa torácica, estarem cicatrizados, os cortes não haviam sumido, mas não pareciam algo tão grave quanto realmente fora, o braço direito estava em um estado não muito bom, demoraria um pouco para cicatrizar, nada que umas poções não acelerassem, mas não faria isso, os machucados tinham que se curar sozinhos, pelo menos até próximo a operação daquela noite. No braço esquerdo notou a marca negra em volta da enorme mordida e viu um pedaço da clavícula para fora.
-Você dá muito trabalho. - Scar fala em tom cansado e olhando para o alto, provavelmente o rapaz batera a cabeça na queda. Não que o murro que ele dera no rosto de Harry não fosse suficiente para causar grandes danos, mas ainda assim tinha que tomar cuidado. Pegou o moreno no colo com descaso, dobrou os joelhos e olhou para cima, devia ter uns dois metros e meio de altura talvez três, colocou força nas pernas e saltou, vencendo facilmente a distância. Logo depois seguindo para sua vila.
Quando a noite chegou, a tensão na mansão Black era palpável, Molly não parava de dar avisos a Rony, Arthur, apesar de mais controlado, também lhe dava avisos e conselhos, assim como fazia com Fred e Jorge, que apesar de mais experientes, nunca estiveram em uma missão tão arriscada. Do outro lado da sala, Gina e Logan estavam abraçados e ela, preocupada, sussurrava em seu ouvido, ao que Logan parecia tentar acalmá-la, aquela cena causou embrulhos nas entranhas de Harry, forçando sua mente em uma direção que não queria.
Seu relógio de pulso sinalizou que faltavam poucos minutos para o horário da missão, então chamou a atenção de todos para a última verificação antes de partirem.
-A hora do nosso primeiro passo em direção as trincheiras inimigas se aproxima e por isso quero que deixem os assuntos pessoais de lado e se concentrem cem por cento no que têm que fazer. –Os grupos já se separaram e os integrantes pareciam sérios e compenetrados. –Agora quero que verifiquem o equipamento: Cinco algemas portais para nossa prisão, outras cinco para o St. Mungus; Duas bombas de gás tóxico, três bombas de musgo cola-tudo. Para os líderes: kit invasão e os de primeiros-socorros. –Todos conferiram o equipamento e acenaram positivamente. –Então cada grupo para seus postos de ataque!
N/A: Antes de qualquer coisa, devo dedicar o cap para Pink (inclusive só teve nc porque ela é louca por isso, mas não contém com isso nos próximos caps)! Foi um presente muito atrasado, mas ela assim como vocês devem me desculpar pela demora, já que eu tive que estudar para as provas finais, nas quais me saí muitíssimo bem! Rsrsrsrsrs
Morena: Bem vinda e espero que continue gostando da fic! Não vai ser fácil pra Hermione reconquistar o Harry, ele está muito magoado e a situação só tende a piorar. Gina e Logan é um casal fofo, que vai ter que enfrentar problemas até maiores que Tonks e Lupin, mas só vendo o andamento da fic para ver como vai terminar, pq nem eu sei rsrsrsrs! Quanto a RH (rsrsrsrsrsrs) realmente a sigla é meio estranha, mas eu sou totalmente avessa aos shippers da JK, então você não vai tomar susto nas minhas fics.
abel figueiredo: Não se preocupe, a intenção da Cat era realmente deixar a Hermione meio alta e fazer ela se divertir com “boas companhias”, mas a Mione é fiel ao Harry, não se preocupe.
Ingrid Teixeira: E agora, já tem uma opinião sobre o Scar? Ele é muito mais gente boa que o Arctos.
carol_2006: Creio que esse cap responde sua pergunta, Harry é um Amante de Vampira e o lance da transformação dele é só por causa da forma animaga, se ele fosse um felino a transformação média dele seria como um homem tigre ou algo assim.
Michi o.O: Nossa, não deixe de fazer trabalhos para ler a fic, ela vai estar aqui quando você terminar os trabalhos rsrsrsrs! Harry não é um lobisomem e nem quer virar um, ele só quer aprender com os maiores inimigos dos vampiros, como acabar com eles. É mais como querer aprender as técnicas e adaptá-las para lutar. Já quanto a Lana, ela é meio doidinha, mas a intenção dela é deixar os alunos preparados para os tempos negros que vem pela frente, digamos que a filosofia dela é parecida com a do Scar. A Mione não deixou de confiar no Harry, ela apenas precisava aprender a dominar seus poderes e a besta, e como ela tinha pouco tempo para isso, acabou recorrendo aos irmãos, que já tem experiência no assunto. Eu realmente não expliquei o que é Princesa do Apocalipse, mas vou explicar nos próximos caps, eu acho. Para terminar, o dom de Amante de Vampira despertou com mais força após o Harry “compartilhar” a maldição com a Mione, então de certa forma ele também ganhou poderes, quanto ao Rony, digamos que ele vai ser realmente muito importante como estrategista rsrsrsrsrsrs.
Emerson Luiz Tolotti: Obrigada pelos elogios, eu demorei a att por causa da faculdade, além de uma gripe inconveniente, mas até fevereiro acho que vou att mais rápido.
lucaas: Você acertou em muitas coisas, a Mione vai ficar sim como você quer e vai ter cenas de ação para ela que aparecerá no próximo cap! Mas já lhe adianto que tão cedo ela e o Harry não se acertam e desse vez vai ser ela quem vai ter que correr atrás.
Lynn: Não ache que os Lycans são tão bonzinhos assim, lembre-se de que Van Hellsing está de volta assim como Drakul, são dois dos mais fortes inimigos de Arctos! Claro que é muito interessante para os Lycans ter aliados poderosos quanto o Harry. Quanto a sua sugestão da Mione cuidar dele, bem serviu de inspiração para a Nc, obrigadinha rsrsrs.
N/A²: No próximo cap teremos o teste do Harry, com direito a ver todas as equipes em ação; mais partes do treinamento da Mione; o Draco vai aparecer e nessa fic ele é mau, muito mau!
Tabela das prioridades (07/12 – 13:30)
Sitra Achra: 2
Reescrevendo a História: 3
Herdeiros das Trevas: 2
Eximere Tempus: 4
Portões do Inferno: 3
Frio da Alma: 1
N/A³: A próxima fic a ser atualizada será ET e em segundo lugar está Portões do Inferno!
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