Snape saiu da lareira e entrou num enorme salão, cheio de bruxos e bruxas que conversavam em um tom mais baixo que o normal. Era uma enorme sala inteiramente cercada por enormes janelas, que deixavam entrar uma claridade acolhedora. Na extremidade direita havia um portal que levava ao enorme jardim, também cheio de pessoas. No meio do salão havia uma mesa com taças e bandejas de comida, que inúmeras camareiras e mordomos vinham recarregar e servir os convidados, respectivamente. Bem em frente à mesa, sentada num sofá, encontrava-se Anna, cercada por três rapazes maiores, o mais próximo de si abraçando-a. Todos estavam muito bem vestidos e arrumados. Um deles desencostou do sofá, e sentou-se mais para a frente, pegando na mão de Anna carinhosamente. Mais adiante, conversando ao pé de uma das janelas, encontravam-se Dumbledore, Minerva, Hagrid, Flitwick, Tonks, Quim, Olho-tonto Moody e Lupin. Snape se aproximou do grupo e cumprimentou a todos.
_ Diretor, desculpe a demora. Não foi possível ir ao enterro, mas preparei mais um pouco de poção, caso seja necessário, e adicionei um pouco de molengo e melissa. Não farão mal como calmantes.
Snape tirou de dentro da capa uma garrafinha azul e entregou ao diretor.
_ Ah sim, obrigado Severo, foi muito atencioso de sua parte. Acho que fará muito bem à ela, coitadinha, está tão desolada.
Dumbledore foi até a mesa e entregou o frasco a uma das camareiras com algumas palavras, e ela se retirou logo em seguida.
Snape olhou novamente para o sofá. Uma mulher se aproximara e tentava inutilmente fazer com que Anna comesse algo. Uma pontada de pena e compaixão caiu sobre Snape e ele se lembrou de quando perdeu seu pai. Ele era um pouco mais velho que Anna, e seu pai morrera sobre as mesmas circunstâncias só que lutando pelo lado negro da magia. Foi então que Snape se juntara ao Lorde das Trevas.
Observou a mulher se afastar, era obviamente a mãe de Anna, tinha os mesmos olhos e o mesmo cabelo. Viu então Anna se levantar, sua expressão revelava a pessoa mais infeliz que ele já vira. Ela foi até a mesa, escolheu uma taça de champanhe e se retirou por um corredor localizado do lado esquerdo do salão, por onde as camareiras e os mordomos iam e vinham de tempo em tempo. Seguiu-a sem cerimônia. Não havia nenhum convidado por ali, apenas quadros e mais quadros que levavam até uma escada bem no final do corredor. Várias portas eram distribuídas ao longo dos dois lados do ambiente. Anna estava bem a sua frente, abriu e entrou na penúltima porta antes de chegar a escada, batendo-a atrás de si. Snape parou de andar e respirou fundo. Após alguns momentos ele andou até lá e abriu a porta. Era uma enorme biblioteca de dois andares, com finas escadas de madeira que iam do chão até a última prateleira de livros, quase no teto. Havia uma escrivaninha cheia de penas e pergaminhos, uma poltrona de couro e uma janela oposta à mesa. Anna estava encostada de braços cruzados, olhando pela janela quando ele entrou, levantou o rosto e não mudou de posição. Snape ficou sem graça.
_ Não precisa se dar ao trabalho Snape, pode se poupar do esforço, eu não ligo.
_ Olha...vamos esquecer isso só agora, ok? Eu sei o que é perder um pai...e só queria lhe dar os pêsames.
Anna voltou a olhar pela janela. Snape caminhou até ela e também olhou através do vidro. O jardim sumia no horizonte, era uma floresta escurecia do lado esquerdo, e bem à sua frente uma piscina brilhava cercada por roseiras.
_ Obrigada. - Ensaiou ela extremamente sem graça, sem tirar os olhos da piscina.
Snape encarou-a através do reflexo que o pôr do sol fazia na janela, e como ela não percebeu, ele ficou observando-a por um bom tempo, até que uma última lágrima rolou dos olhos dela. Então ele tocou seu ombro com a mão e saiu da biblioteca. Anna só voltou à sala um pouco antes da meia noite. Estava vazia, a não ser por seus irmãos, Sean, o pequeno grupo de Hogwarts e Gui, que acabara de chegar. Caminhou em sua direção com um enorme arranjo de flores roxas e lhe deu um forte abraço, sussurrando algumas palavras em seu ouvido. Então se soltaram e Tonks foi até ela.
_ Querida, sua mãe falou que você ainda não comeu nada...
_ Eu não estou com fome, madrinha.
_ Quer que eu faça um nariz de porco, como fazia quando você era pequena?
Anna ensaiou um sorriso meio sem graça, sinal que estava um pouco melhor. Dumbledore foi até ela.
_ Precisamos ir, por mais capaz que seja, Filch não consegue tomar conta daquele castelo sozinho. Os alunos retornarão em pouco tempo, mas você fique à vontade Anna, você é da família, pode retornar quando achar melhor.
_ Obrigada, mas acho que vou ficar por aqui...pelo menos por enquanto...
_ Então mandarei os elfos arrumarem suas coisas...
_ Não será preciso, ainda tenho bastante coisa aqui em casa.
Dumbledore abraçou-a foi até a lareira, com todos os outros seguindo-o. Snape ficou observando Gui se despedir dela.
_ Anna, mamãe e os meninos mandam seus sentimentos. Papai, Harry e Hermione dizem que se precisar de algo...bem, você sabe...
_ Obrigada Gui, você é um amor.
E com essas palavras ela se apoiou nas pontas dos pés e deu um beijo no canto da boca do rapaz, que se dirigiu a pequena fila em frente à lareira. Tonks passou um braço pelos ombros da menina, que fez o mesmo na cintura da madrinha.
_ Vamos meu bem, o dia foi muito pesado, você precisa dormir um pouco.
Snape e Gui observaram as duas saírem do salão, então um a um sumiram no meio das labaredas da lareira.