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13. Capítulo XIII


Fic: Harry Potter e o fim da profecia


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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- Novembro de 1996. – resumiu Hermione.

- E que você quer dizer com isso? – fez Gina.

- O ataque a Dufftown, o último ataque explícito de Comensais da Morte. – a morena respondeu prontamente. – A proposta é irmos ao povoado, mas... – ela pareceu ponderar. – Estaríamos quebrando inúmeras regras da escola.

- E quem se importa? – a ruiva encarou-a. – Eu mesma já fiz isso uma vez. Fui a Londres, passei a noite quase toda fora.

Hermione a encarou, surpresa.

- Hermione, a questão é que uma ida a um povoado distante, com um grupo de vinte e seis pessoas... Será impossível não notar a falta de mais de um terço dos alunos dos sexto e sétimo anos juntos. – Harry argumentou. – Fora que é possível algum imprevisto e tenhamos que ficar por lá.

- Eu sei. Também pensei nisso. – ela pareceu murchar por um instante. Mas logo seu rosto se iluminou em um sorriso. – Vamos voltar no tempo!

- Ah, é claro... – Gina revirou os olhos. – Como se fosse possível transportar quase trinta pessoas no tempo com apenas três vira-tempos.

- Er, bem... Esse é o grande problema. – murmurou Hermione, mordendo o lábio inferior.

- Sinceramente? Acho que devemos colocar em pauta essa discussão na próxima reunião da AD, assim poderemos ver quais as pessoas interessadas na visita ao vilarejo. Talvez muitas delas precisem ficar ou não queiram arriscar. Mas é importante que todas mantenham isso em segredo, ao final. – Harry sugeriu.

- Quando pretende que seja a próxima reunião? – perguntou Gina.

- Não sei. Essa semana, acho que terá de ser na segunda-feira. Mas nós estamos atrasados por conta da última semana, que passou em branco por conta dos treinos e da reunião que Hermione teve com os monitores, que acabou levando você e uma parte considerável da AD junto. Não seria justo manter a reunião e deixar vocês para trás. – ele explicou. – Nosso treino está marcado para a quinta, porque na sexta a Lufa-Lufa reservou e temos jogo no sábado.

- Tivemos apenas uma reunião desde o dia vinte e sete de setembro, pulamos uma semana e temos reunião na segunda. Seriam ao total quatro reuniões. – contou Gina. – E já estamos no final de outubro? – ela arregalou os olhos. – Pessoal, cheguei à conclusão de que o tempo voa.

- Vinte e dois de outubro, mais precisamente. E coincidentemente vocês têm um jogo no dia das bruxas, que seria o melhor dia para ir a Dufftown. – murmurou Hermione. – Não seria inconveniente se programássemos uma reunião para hoje à noite? – perguntou e Harry abriu a boca para contestar. – Eu sei que vocês têm treino, mas eu poderia apertar a agenda de amanhã e vocês treinariam depois do time da Sonserina. – ela lançou ao namorado um olhar que implorava a aceitação de sua proposta.

Ele suspirou pesadamente.

- Tudo bem. – acabou concordando.

- Ótimo! – ela sorriu radiante e deu um selinho em Harry. – Obrigada!

- É para o bem da AD. – ele resumiu. – Eu só acho que o pessoal não vai gostar nada de saber que teremos duas reuniões essa semana.

- Eles têm que se conformar! – murmurou a morena.

- Bom, acho que eu estou sobrando aqui, então... – Gina se levantou. – Não demorem a entrar. O horário de almoço acaba daqui a dez minutos. – lembrou antes de rumar pelos jardins em direção ao castelo.

- Enfim... sós! – murmurou Harry.

- Sós... – Hermione repetiu, beijando-o. – Às vezes acho que desperdiçam os dias de sol de Hogwarts. É incrível a ausência de alunos nos jardins.

- Talvez seja porque já está esfriando. Veja que até a capa já estamos usando com mais freqüência. Mas realmente é um desperdício ficar no castelo com tanto espaço aqui fora.

- E o dia hoje amanheceu lindo. – comentou Hermione.

- Todo dia amanhece lindo quando estou com você, linda! – Harry disse num sussurro antes de beijá-la.

Ela deitou em seu colo, ao que ele passou a afagar seus cabelos.

- Sabe, cada dia que passa sinto mais falta de meu tempo livre, de estar assim com você... – ela sussurrou. – É estranho. Antes parecia que passávamos mais tempo juntos... Agora o tempo é escasso, e o engraçado disso tudo é que antes éramos apenas amigos e agora somos... – ela riu. – Não consigo dizer que somos namorados. Soa estranho.

Harry riu e acariciou seu rosto. Silenciaram. Ficaram apenas sentindo a presença um do outro, escutando o balançar das copas das árvores, o barulho das águas do lago, os passarinhos que voavam por ali... Era tudo tão... A sineta ecoou ao longe e Hermione fechou os olhos, deixando escapar um suspiro.

- É, acho que temos que voltar ao castelo. – murmurou parecendo contrariada.

Ajoelhou-se na grama, deu um último beijo em Harry e levantou, pondo-se de pé. Colocou a mochila nas costas e esperou o namorado fazer o mesmo. Voltaram com passos rápidos e curtos para o castelo, alcançando o saguão lotado em menos de um minuto.

- Veja pelo lado bom. Um tempo de Feitiços e dois de Defesa Contra as Artes das Trevas. – Harry disse, enquanto subiam as escadas.

- Eu sei. Não é disso que reclamo. É que eu queria ficar mais tempo com você. – ela murmurou. – Voltaria no tempo, mas acho que não é sensato.

- Eu acho que também não é um motivo tão forte, mas especial... bom, acho que é. – ele riu.

- Você não tem jeito! Tudo para quebrar as regras... Gosta mesmo de se aventurar, não é?

- Digamos que é algo que vale a pena. – ele coçou o queixo. – É divertido, no mínimo.

- Há certas horas que me indago qual o significado de divertido para você... – ela deixou escapar. – Nem sempre é tão divertido assim, é?

Harry riu. Ela estava certa.

- Mas estou falando do agora. Tem algum tempo que não fazemos algo errado, não é? Além disso... Não estaríamos desrespeitando ninguém ao voltar no tempo para passar mais tempo juntos. A escola tem regras contra isso? – ele perguntou antes de levar a mão à maçaneta da porta de mogno.

- Breve estaremos quebrando regras, não seja por isso. – ela disse num sussurro, agora adentravam a sala vazia de Transfiguração. – Dufftown. – resumiu.

- Você já parou para pensar que lá vai ter muita gente que pode nos dedurar?

- É um risco a correr. Seria impossível ir sem que fôssemos vistos. Basta não nos arriscarmos tanto. Tem um pub onde poderemos ficar durante as horas vagas. Ele é bem reservado.

- Vejo que essa idéia já está rolando há algum tempo, não?

- É, eu andei pesquisando antes de lançá-la. – ela riu antes de assentar um banco e despejar os livros sobre a mesa. – Assim posso passar mais confiança àqueles que se interessarem. – explicou.

- Mas você já imaginou Parvati, Lilá e Padma soltas no vilarejo o que não vai dar? Pensa comigo: e se elas encontrarem uma pessoa que não deveriam?

- Que tipo de pessoa, por exemplo? – Hermione perguntou, mas mordeu o lábio inferior logo em seguida, parecendo ter entendido o que o namorado queria dizer. – Anh...

- Boa tarde! – o professor Flitwick adentrou a sala e só então perceberam que o aposento já estava cheio. Eles estavam totalmente alheios a movimentação. – Podemos começar?

O que se ouvia agora era o barulho dos livros sendo abertos sobre as mesas. O assunto morreu ali.

Quando a aula acabou, Hermione colocou a mochila e correu para sair da sala ao lado de Harry.

- Acho melhor acionar a moeda agora, ou não teremos muitas pessoas de bom humor na Sala Precisa esta noite. – ela murmurou, passando direto pelo moreno.

Ele desceu as escadas e parou encostado na parede. Esperou que todos passassem e só então retirou a moeda do bolso. Com a varinha trocou os números e aguardou. Adentrou a sala e sentou-se na mesa que dividia com Hermione, que acenou rapidamente antes de baixar os olhos e guardar algo na mochila.

- Harry? – Lupin chamou se aproximando.

- Sim?

- Hermione. – o professor cumprimentou-a. – Harry, qual parte da programação já foi cumprida?

- Tivemos uma semana sem reunião por conta dos treinos e a ‘assembléia’ de monitores. – o moreno adiantou. – Usamos as duas aulas que tivemos para os feitiços Relaxo, Homorfo e Immobilus. Temos agora Feitiço Anti-gravidade, Feitiço do Sono e mais dois para antes do Natal.

- E depois entram nos não-verbais, estou certo?

Harry confirmou.

- Hum... Professor? – Hermione chamou. – Será que não seria bom que aprendêssemos feitiços básicos para primeiros socorros?

- É uma excelente idéia. Mas talvez seja necessário cumprir o que vocês já têm planejado. Creio que em fevereiro já terão adiantado tudo isso e poderão utilizar pequenos espaços das reuniões para os feitiços de primeiros socorros. Depois disso, é só repassar e treinar os duelos. – ele explicou. – Vocês sabem o que fazer. – disse, convicto. – Bom, vamos à aula! – disse, voltando-se para a turma.

Ele acenou para que todos se levantassem e, com um aceno, Lupin fez as cadeiras e mesas se afastarem, abrindo um espaço maior no centro da sala.

- Everte Statum. – ele bradou apontando a própria varinha para uma mesa, que rodopiou no ar dando piruetas e caiu com estrondo no chão. – Alguém já ouviu falar nesse feitiço?

Uma mão se ergueu. Neville Longbottom, para a surpresa dos demais.

- É um feitiço de duelos. Draco Malfoy utilizou-se dele no Clube de Duelos do nosso segundo ano contra o Harry. – respondeu, meio acanhado. – Faz o alvo dar piruetas no ar e cair com estrondo no chão, soltando um feixe de luz amarelo.

- Excelente memória, hã, Neville?! Lembrou-se do segundo ano... – fez Lupin. – Mas é isso. Um feitiço de duelos. Já disse tudo! – ele andou na direção dos alunos. – E é o feitiço que vamos aprender em nossas próximas aulas, usaremos de três delas para aperfeiçoá-lo. Não quero que usem uns nos outros, talvez mais tarde, mas por enquanto, vamos atingir as boas e velhas almofadas.

- Harry? – chamou uma voz, quase aos sussurros em meio à movimentação da sala. – Nós não teríamos treino essa noite?

- Foi transferido para amanhã, Dino. Mais tarde eu explico. – Harry respondeu e voltou-se para Hermione. – Eu sabia que iriam questionar.

- Eu já imaginava. – ela murmurou. – Mas é importante...

Já havia passado quase metade do primeiro tempo de aula quando bateram à porta.

- Continuem. Vou só ver quem é. – disse Lupin aos alunos indo em direção a saída do aposento. – Sr. Malfoy? Por que não estava assistindo a aula?

- Eu estava com o professor Snape. Minha mãe pediu que ele me entregasse um documento e como não tinha notícias dela já há algum tempo...

- Tudo bem, eu entendi. Não vai entrar?

- Professor, eu poderia falar com Harry e Hermione um instante? Prometo que não vamos demorar mais que dois minutos. – pediu.

- É tão importante que não dá para esperar até o fim da aula? – perguntou Lupin. Draco acenou negativamente e tinha uma expressão apreensiva. – Um momento. Vou chamá-los. – ele encostou a porta e seguiu até Harry e Hermione, que trabalhavam próximos, no fim da sala a um canto. – Venham comigo, vocês dois. – apontou.

Os dois se entreolharam confusos, sem entender muita coisa. Quando eles saíram da sala, o professor apenas encostou a porta:

- E não demorem. – pediu. – Draco já perdeu muito tempo da aula.

- Certo. – assentiram Harry e Hermione, antes de virarem para encarar o loiro, que aguardou a porta fechar-se completamente.

- Eu estava com o professor Snape. Minha mãe mandou uma carta.

- E aí? – perguntaram os outros dois em uma única voz.

- Ela não disse muita coisa, mas está bem. Está vivendo na Irlanda, ou pelo menos fez parecer. Disse que volta assim que puder. – contou. – Mas não estou aqui para contar-lhes isso. – ele mudou o tom. – Passei pelo saguão de entrada e algo no quadro de avisos chamou minha atenção. Teremos apenas quatro visitas ao povoado de Hogsmeade este ano e o primeiro é este fim de semana.

- Depois de amanhã? – o rosto de Hermione se iluminou em um sorriso.

- Exatamente, depois de amanhã. – respondeu o loiro. – Gina me contou que vocês querem fazer uma visita a Duff...

- Shhh! – fizeram Harry e Hermione juntos.

- O quê? – Draco encarou-os confuso.

- Ninguém pode saber até a reunião de hoje à noite. – disse Hermione.

- Falando nessa reunião... Que idéia maluca foi essa? E o treino de vocês?

- O treino fica para amanhã depois do seu. – Harry respondeu.

- Não. Nós dividimos o campo. – Draco propôs. – Só vai ser difícil contornar o pessoal do time, mas eu dou um jeito.

Harry sorriu.

- Ótimo.

- Ei! – chamou uma voz. Era Rony. – O Lupin está chamando vocês.

Viram a cabeça do ruivo sumir por trás da porta.

- Falamos disso depois. – resumiu Harry, antes de entrar na sala e ser acompanhado pelos outros dois.

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- Por que essa reunião de última hora? – perguntou Lilá ao adentrar a Sala Precisa.

- E o nosso treino? – fez Trevor Dean.

- Calma! Logo vocês irão saber o motivo. – respondeu Harry. – Não faríamos vocês virem aqui se não fosse importante.

- Acho bom mesmo. – murmurou Parvati.

- Qual a sua, Parvati? Ninguém aqui faz questão de sua presença, não, ok? A porta da rua é a serventia da casa! – explodiu Gina.

- Calma, Gina! – Draco pediu num sussurro, apertando de leve os ombros da namorada.

Parvati lançou um olhar fulminante à ruiva e, cruzando os braços e batendo os pés nervosamente no chão, voltou sua atenção para Harry e Hermione. Padma começou a cochichar algo em seu ouvido, aparentemente tentando acalmar a irmã.

Demorou mais alguns instantes para que a reunião em si começasse.

- Ok, então acho que já podemos começar. – Harry tomou a palavra enquanto batia palmas para chamar atenção para si. – O motivo da reunião é tão simples quanto complicado e é a Hermione que vai explicar-lhes. De início, estamos aqui apenas para resolver uma pequena coisa de proporções gigantescas. Caso sobre tempo, retomaremos o que nós temos pendente, certo?

Murmúrios tomaram o aposento em consentimento.

- Muito bem. O motivo pelo qual estamos fazendo esta segunda reunião durante a semana é uma visita a Dufftown, o povoado bruxo mais ao norte onde aconteceu o último ataque explícito dos Comensais da Morte. – ela começou.

- E quando seria essa visita? – perguntou Simas Finnigan.

- Depois de amanhã. – respondeu Hermione prontamente.

- Depois de amanhã? Você está maluca, garota? – perguntou Blaise Zabini, Sonserina. Este tinha entrado para a AD na última reunião.

- Não, Zabini. Ela sabe muito bem o que está fazendo. – respondeu Draco calmamente. – Deixe ela terminar. – pediu.

- O problema é que não poderemos ir todos, já que a saída da escola implica na quebra de inúmeras regras, fora o fato de que somos muitos, cerca de trinta desde a última semana, e notariam a nossa falta, a menos que houvesse uma forma de estarmos em dois lugares ao mesmo tempo. – explicou.

- Bom, uma forma há, mas justamente por sermos muitos, ela se tornou impossível. – Gina interrompeu.

- Acho que a Gina já disse tudo. – murmurou Hermione. – Mas o fato é que a visita seria interessante para nós, além de ser uma quebra de rotina, coisa que muitos aqui, eu sei, gostam. E não é pouco. – ela lançou um olhar a Harry. – Por isso, gostaria que os interessados me dessem os nomes. Esse fim de semana haverá uma visita a Hogsmeade, o que vai facilitar um bocado a nossa “fuga”.

- E se a grande maioria quiser ir à Dufftown? – perguntou Jen Tyler.

- Está aí uma pergunta interessante. – apontou Hermione. – O que vai acontecer é o seguinte: faremos um sorteio e apenas dez ou onze poderão ir. Isso, claro, se não entrarmos num consenso. – ela acrescentou. – Haverá, de certo, alguns que não irão querer se arriscar ou que aceitarão de boa fé ficar. E estas pessoas, é lógico, terão de manter segredo até que voltemos e mesmo após nosso retorno, sequer comentar algo.

- Bom, vou passar a lista. Quem quiser ir, coloque seu nome. Caso sobrem vagas, nós passaremos a lista novamente para que sejam ocupadas, certo? – Harry passou a lista, que já tinha quatro nomes assinados: o dele, o de Hermione, o de Gina e o de Draco.

Quando a lista chegou às suas mãos novamente, haviam mais sete nomes: Rony, Luna, Blaise, Parvati, Padma, Lilá e Neville. Ele sorriu satisfeito.

- É, já temos as onze pessoas que irão ao povoado. Vocês poderão curtir o dia de vocês em Hogsmeade como se nada estivesse acontecendo e deverão evitar a pronúncia de nossos nomes. Nós daremos um jeito de fazer os dois e ninguém sentirá nossa falta, tenham certeza. Podem ficar despreocupados. – instruiu Hermione.

- Já que terminamos, devo perguntar: gostariam de dar seguimento às nossas “aulas” ou podemos voltar todos para os salões comunais? – a grande maioria acabou optando pela reunião e eles ficaram ali até pouco mais das dez, porque no dia seguinte teriam de acordar cedo.

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- Draco? – uma voz chamou.

Draco apenas resmungou algo. Já passava da meia noite e ele estava quase dormindo.

- Draco? – repetiu a voz.

- Late! – Draco virou-se de barriga para cima, encarando o teto.

- Aquela loirinha... Como é mesmo o nome dela? Loony Lovegood?

- É Luna Lovegood, Zabini. – corrigiu Draco. – Mas o que tem ela? – perguntou se levantando e abrindo o cortinado para encarar o outro.

- Sabe, ela até que é bonitinha...

- Zabini, você já ficou com quase todas as garotas de Hogwarts, não vai querer pegar justo uma que já tem namorado, não é?

- Mas convenhamos que ela deu uma melhorada, hã?! – brincou o moreno.

- Realmente, ela era uma tristeza. – Draco zombou. – Mas você está interessado?

- Depois que a sua gata a arrumou... Er, bem...

- Admita, você está na dela! – Draco insistiu.

- É, talvez. Mas é só atração, ok?

- Blaise Zabini, o garanhão de Hogwarts está apaixonadinho, que bonitinho! – Draco brincou.

Zabini apenas jogou uma almofada em sua direção, mas Draco desviou.

- Mas olha, tenho certeza de que se a loirinha não tivesse namorado...

- E você não fosse da Sonserina... – Draco completou.

- Não importa! – cortou Zabini. – Ela estaria na minha.

- Não vou incentivar porque ela é namorada do meu cunhado, mas... – o loiro parou de repente. – É melhor irmos dormir.

Zabini revirou os olhos e se jogou na cama.

- Ele está apaixonadinho... – uma almofada veio certeira em seu rosto e Draco, rindo, segurou-a e fechou o cortinado.

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Noite de vinte e três de outubro, sexta-feira, salão comunal da Grifinória

- Já vai dormir? – perguntou Harry quando Hermione se levantou.

- Vou subir. – ela respondeu. – Se quiser, pode vir.

Ela já tinha alcançado as escadas quando Harry se levantou para acompanhá-la.

- Sabe, às vezes gosto de sua inteligência...

- E eu aprecio a sua sagacidade. – ela riu, antes de beijá-lo. – Hum... Melhor entrarmos. – ela se afastou e abriu a porta do próprio quarto.

Puxou-o e fechou a porta. Acendeu a luz e foi até o banheiro, trocando a blusa cinza e rosa de gola alta e a calça jeans por uma blusa baby-look e uma calça de algodão leve; nos pés, meias.

- Se quiser, tenho um pijama seu aí no armário. Era para te dar de presente qualquer dia desses, mas pode pegar. – ela avisou, sentando-se na cama, pegando uma almofada e colocando-a sobre o colo. – Mas você só fica aqui se já estiver tomado banho. Não esqueci que você teve treino hoje... E não quero saber de homem sujo na minha cama. – brincou.

- Não se preocupe, Srta. Granger. Eu já tomei banho.

- Então você vai mesmo dormir aqui? – ela indagou, surpresa.

Harry abriu a porta do armário e a encarou, sorrindo marotamente.

- Vou. – respondeu de forma simplória.

- No sofá, não é?

Ele riu.

- Acho que já estamos suficientemente grandes para entendermos que não há nada demais nisso.

- Do que está falando? – ela tinha uma expressão engraçada aos olhos de Harry, que entrara no banheiro poucos segundos atrás e já voltara, apenas vestindo a calça do pijama.

- De dividirmos a cama. – ele respondeu. – Vamos apenas dormir.

- Bom, se formos apenas dormir realmente, creio que não haja nada demais.

Seus olhos percorreram instintivamente o peitoral do moreno, cada dia mais definido. Ele tinha um corpo maravilhoso e isso era algo incontestável. Hermione engoliu em seco.

- Vamos apenas dormir. – Harry repetiu com firmeza.

- Ótimo. – ela limitou-se a dizer, enquanto pegava um livro na gaveta do criado mudo.

- Ah, não! – Harry resmungou. – Sinto muito, Hermione, mas você não vai ler. Agora não! – ele tomou o livro e colocou-o dentro da gaveta novamente.

- Mas... Harry!

- Não discuta comigo. – ele finalizou.

Hermione bufou e deitou-se, abraçando a almofada que instantes atrás estava sobre suas pernas e dando as costas para o namorado. Desligou a luz e puxou o edredom a fim de cobrir-se, mas ainda de cara amarrada. Harry riu consigo mesmo e a abraçou pela cintura, colocando-se sob as cobertas e aproximando-se dela, que tirou as mãos dele de si e afastou-se. Ele tentou novamente e ela mais uma vez se afastou.

- Tudo bem. – ele assentiu, revirando os olhos e rindo gostosamente. – Vai ficar chateada comigo?

- Não estou chateada. – ela respondeu friamente.

- Então por que está com essa cara? – perguntou, ligando o abajur.

- É a única que eu tenho.

- Você que sabe. – ele murmurou e deu um beijo em seu rosto, deitando-se de bruços e ainda encarando a nuca da namorada. – Quando a dor de cotovelo passar, é só falar.

Hermione olhou-o pelo canto do olho. Estava de olhos fechados, aparentemente tentando dormir. Ela virou-se para ele e o beijou.

- Seu bobo! Você sabe que eu te amo. – e voltou a beijá-lo.

---


Ele a observava. Dormia como um anjo. A última vez que dividiram a mesma cama tinha sido há mais de um ano atrás, no Largo Grimmauld 12. Não demorou para que ela despertasse. Ela o encarou por algum tempo sorrindo. Às vezes ela achava que as palavras não eram necessárias quando estavam juntos. Eles não precisavam delas para se entenderem. Ela o beijou intensamente por um longo tempo, até que lhe faltou o ar e se afastou arfando.

- Eu te amo. – ele disse e o sorriso que ela tinha se alargou ainda mais.

Manteve o contato visual por mais algum tempo, antes de se envolver em um novo beijo. Em seguida, ela passou a distribuir beijos pelo seu pescoço, percorreu-o todo, mordiscou a sua orelha e continuou a trilha de beijos, até alcançar a boca. Separaram-se, mas ela ainda continuava debruçada sobre o peitoral do moreno.

- Acho melhor levantarmos. – ela disse, após recuperar o fôlego.

Levantou-se e caminhou até o banheiro. Voltou instantes depois, a escova de dente na boca, algumas peças de roupa à mão e a toalha sobre o ombro.

- Viu que eu falei? – Harry brincou. – Nós só dormimos.

Hermione riu e jogou uma almofada qualquer no moreno, que se defendeu com as mãos, antes de levantar. Após enxaguar a boca, ela recostou-se na pia de mármore apoiando-se nas mãos.

- Temos que descer antes que alguém acorde. Seria bastante constrangedor se descêssemos juntos, ainda mais saindo do meu quarto. – disse.

Harry se aproximou dela, os narizes quase se tocando.

- Pouco me importa o que iriam pensar. – ele a beijou, mas logo Hermione se desfez do beijo.

- Vou tomar banho. – avisou e colocou-o para fora do banheiro.

- Sabe, eu não me importaria de ficar. – ele brincou, abrindo a porta do banheiro de surpresa e colocando a cabeça para dentro do aposento.

Hermione estava de costas, já tinha tirado a blusa e cobria a parte da frente com a camisa.

- Harry! – ela repreendeu.

- Tudo bem, já estou saindo. – mas antes, soltou mais uma piada: – Ah, e suas costas são lindas!

Ela lançou-lhe um olhar fulminante pelo espelho e ele, rindo, fechou a porta. Ele não mentira. As costas morenas de Hermione eram realmente muito bonitas. Lisas, não tinham sequer uma mancha. Sua pele era bem cuidada, parecia ser suave ao toque. Balançou a cabeça negativamente a fim de esquecer aqueles pensamentos.

---


- Vamos para a Casa dos Gritos antes que dê o horário de retornar a Hogwarts. Lá poderemos usar os vira-tempos e aparatar nos fundos. – aconselhou Harry.

- Então melhor nos adiantarmos. Já passam das quatro e meia. Às cinco temos que estar de volta. – murmurou Gina.

- E quantas horas vocês pretendem voltar no tempo? – perguntou Rony.

- Nove. – respondeu Hermione apressando o passo.

Ao chegarem à Casa dos Gritos, Parvati, Padma e Lilá pareciam não conter em si de tanto medo.

- Eu já disse! Não há nada aí dentro. – repetiu Hermione.

- Quer saber? Vamos deixá-las aí. Não podemos perder tempo! – e Gina adentrou a casa, sendo seguida pelos demais.

- Vocês não vêm? – chamou Neville, antes de entrar.

- V-vamos, s-sim. – gaguejaram e entraram junto com o garoto.

- Resolveram vir, foi? – Gina ironizou.

- Chega, Gin. – advertiu Hermione. – Muito bem. Draco, Blaise e Neville, vocês vão com o Harry. Parvati, Padma e Lilá, vocês vêm comigo. Gina, o Rony e a Luna vão com você, certo?

- Tudo bem. – assentiu a ruiva.

- Estão prontas? – perguntou Harry.

- Espera só um segundo. – pediu Gina, terminando de estender o fio do colar. – Estamos!

Juntos, os três deram nove voltas completas na pequena ampulheta que o colar trazia consigo e como um borrão, todo o tempo ficou para traz.

- Bom, a esta horas nós ainda estamos em Hogwarts e nós vamos para os fundos, portanto, não corremos risco de sermos vistos. – disse Hermione.

- Venham. – chamou Harry e todos seguiram para os fundos.

- Vê se fica longe da Lovegood. Não quer problemas, quer? – sibilou Draco para Blaise, que balançou a cabeça negativamente e deu um sorriso amarelo. – Melhor assim.

Blaise era alto, cabelos lisos de cor castanho-escuros e levemente despenteados, tinha olhos castanho-esverdeados e um sorriso encantador, sem falar, é claro, no maravilhoso porte atlético.

- Mas vem cá... Essa Brown não se parece com ela? – ele perguntou.

- Lembra, sim. Mas veja pelo formato do rosto... O da Lovegood é mais redondo. Fora os olhos, que são azuis. Os da Brown são castanho-esverdeados, como os seus. – respondeu Draco.

- E os cabelos também são diferentes. Os da Brown têm um tom mais acinzentado e são mais lisos; os da Lovegood são mais louros e levemente ondulados. – acrescentou Blaise.

- E desde quando você entende de cabelo? – indagou Draco.

- Desde que eu entendo de mulher. – Blaise murmurou malicioso.

- Você não presta, cara! – Draco riu.

- Vocês dois, parem de conversar. – advertiu Gina. – Temos que aparatar e, bem, Draco, você tem que me levar.

- E eu? – perguntou Luna.

- Eu levo, Lu. – Rony se ofereceu.

- Rony, acho melhor deixar que outra pessoa leve-a. Você vai com a Lilá, é mais seguro. – disse Hermione.

- Está duvidando da minha capacidade?

- Não, é só que a distância é grande e é realmente necessário não arriscar. – disse Hermione, antes de aparatar junto com Harry e Neville.

- Eu levo a Lovegood. – Blaise disse e se aproximou, ao que ela segurou em seu braço e os dois aparataram.

Draco, Gina, Parvati, Lilá, Rony e Padma foram logo em seguida.

Caminharam até uma pequena praça no centro do povoado, que era pouco maior que Hogsmeade.

- Vamos conhecer o povoado e seguir para o pub ao final do mesmo. Todo cuidado é pouco. – alertou Hermione. – Separem-se, se preferirem.

De início, permaneceram todos juntos caminhando pela rua principal do povoado e separaram-se em duplas e trios logo em seguida. Draco, Gina e Blaise; Lilá, Parvati e Padma; Rony e Luna; e Harry, Hermione e Neville. Estes últimos viraram a primeira esquina, que levava a uma pequena rua onde existiam as melhores lojas (e mais caras), incluindo a livraria, do local.

- E então, Neville? Como andam seus pais? – Harry perguntou.

- Estão bem, mas não podem sair do St. Mungus ainda. – respondeu o garoto. – Não conseguem formar muitas frases ainda. Acho que até o final do próximo ano eles poderão voltar para casa.

- Que bom. – murmurou Hermione. – Espero, sinceramente, que melhorem o mais rápido possível. É bom te ver feliz.

- Obrigado. – Neville agradeceu. – Eu acho que isso realmente me anim...

- Oh, não! – Hermione estava estática, olhando para um ponto específico.

Harry seguiu seu olhar e ele próprio parecia estar surpreso.

- Rita Skeeter. – Neville murmurou.

Hermione correu sem pensar para a primeira loja que vira, sendo acompanhada de perto pelos garotos.

- Ela não podia estar aqui. Simplesmente não podia! – ela disse alto.

- Calma! – pediu Harry. – Agora é rezar para ela não encontrar Parvati, Lilá e Padma.

Hermione assentiu e Neville parecia não ter reação.

---


Hermione se engasgou ao ler a manchete principal do Profeta dominical. Seus olhos percorreram nervosamente a primeira página do jornal, se arregalando a cada palavra.

Dá Potter e Granger até nas apostas
Por Rita Skeeter.

No último sábado, dia vinte e quatro de outubro, três alunas grifinórias do sétimo ano cederam uma entrevista exclusiva ao
Profeta Diário sobre uma aposta que acontece na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts há cerca de dois anos envolvendo o casal mais badalado de todos os tempos: Harry Potter e Hermione Granger.
Segundo as garotas, os dois sempre foram muito próximos e agora mais do que nunca. “Desde que Ronald Weasley começou a namorar Luna Lovegood tem se distanciado cada vez mais, deixando-os ainda mais tempo sozinhos”, declarou Parvati Patil durante a entrevista. “Todos já perceberam, menos eles. Ou são muito burros para enxergar que não são apenas bons amigos ou não querem ver e assumir que se amam”, completou Lilá Brown.
As duas são colegas de Potter e Granger desde o primeiro ano e são as principais idealizadoras da aposta, que todos os tipos de palpites, desde os negativos até os de casamento. Será mesmo que há uma química a mais entre os pombinhos?


- E-er... Veja pelo lado bom, Mione. – Gina tentou. – Pelo menos ela não citou Dufftown.

- Mas é um absurdo! – ela disse, deixando o garfo cair com estrépito sobre o prato. – Eu vou matar aquelas vacas! – ameaçou. – Elas e Rita Skeeter.

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