Capítulo 35- O Segredo da Tumba
Harry sentiu tudo tremer abaixo de seus pés, o calor era intenso, mas ele suava frio com o vento gelado que batia em seu rosto o fazendo contrair bem os olhos. A bengala de Harry foi levada por uma lufada de vento e ele caiu de quatro, nesse instante pôde ver todo o pequeno vilarejo de Godric's Hollow. O vilarejo parecia um pequeno bolo de aniversário de alguém que fazia muitos anos, as chamas havia tomado conta de tudo.
Harry pôde ver pequeninos feixes de luz que cruzavam para todos os lados, e vários vultos negros corriam de onde esses feixes foram lançados, viu dois deles vindo em sua direção e teve que se jogar de bruços para se esquivar. “O que estou fazendo?” se perguntava.
Harry tentou, com dificuldades, se por de pé, seu destino estava a alguns metros à sua frente e tudo que estava conseguindo fazer era se arrastar, segurando onde encontrava, onde podia enfiar suas mãos.
Harry começou a escalar uma pequena lomba quando sentiu o perigo a tempo o suficiente para rolar para o lado e se esquivar por pouco da calda da gigantesca Barriga-de-Ferro, a líder dos cinco dragões havia percebido a presença de Harry e agora as coisas se tornariam mais difíceis caso ele não se apressasse.
Harry ignorou as pontadas na perna ainda machucada e começou a subir correndo a inclinação que pareceu se alongar. Asas gigantescas farfalharam ao lado de Harry e a calda do dragão deu uma segunda investida, sentiu uma enorme pontada na perna no instante que se impulsionou para frente e se jogou por cima da lomba que escalava.
Agora Harry estava onde queria.
Olhando diretamente nos olhos da criatura, Harry sentiu seu sangue congelar, suas pernas tremiam e a dor que sentia em uma delas havia misteriosamente desaparecido. O Dragão o encarava de volta e Harry podia ver a diferença deste dragão para o Rabo-Córneo que enfrentara no torneio Tribruxo, este não só era mais velho como era completamente selvagem, não era um dragão de cativeiro.
Harry começou com um feitiço Conjuntivites, mas se lembrou que estando onde estava não ajudaria muito deixar o dragão cego, talvez fosse ainda pior. Harry tentou cada um dos feitiços que vieram a sua cabeça e de quatro no focinho da criatura fazia de tudo para se segurar enquanto o Dragão fazia voltas e reviravoltas no ar tentando derrubá-lo.
— O que pensa que está fazendo, Potter? — Perguntou uma voz logo após um estalo de aparatação.
— Evitando ser comido. — Respondeu Harry com dificuldades.
— Não pareceu à primeira vista, já que você veio até a boca de um dragão faminto de bom grado. — Debochou a voz. — Use um feitiço de cola em seus sapatos e finja estar duelando comigo.
Antes que Harry pensasse no feitiço de cola teve que se esquivar de um disparo de luz prateada que o homem encapuzado lançou.
— Calminha aí, já tenho problemas demais, você não falou que se precisássemos nos falar usaríamos Fawkes? — Harry fez o feitiço de cola nos sapatos e depois de olhar mais uma vez o dragão nos olhos achou que aquilo de longe foi a pior de suas idéias.
— Sim, mas além de você precisar da minha ajuda agora, Fawkes não recuperou todos os seus poderes. — Respondeu Snape.
— E como você pretende me ajudar me atacando, enquanto preciso me preocupar com um dragão me encarando? — Harry estava sem fôlego.
— O Lorde das Trevas sabia que você viria aqui e me mandou ficar de olho, ontem outro Comensal da Morte viu você acertando Fawkes e pensou que estávamos duelando e foi buscar ajuda. — Snape falava enquanto atirava diversos feitiços e maldições que Harry só podia se esquivar por não conseguir se concentrar enquanto prestava atenção à conversa. — Quando ele voltou, eu tinha dito que você fugiu por estar muito machucado pelo duelo. Não pensei que você voltaria aqui hoje.
— Obrigado, aumentando sua fama entre os Comensais da Morte? — Debochou Harry quando foi atingido de raspão no braço por uma lâmina invisível. — Por que Voldemort mandou os dragões e onde ele está? — Perguntou Harry tentando manter maior concentração no duelo e na conversa.
— Ele está fora procurando por algo e mandou os dragões e os outros Comensais da Morte para proteger o que eu acho que você procura. Por que você está de volta?
— Pegar o que procuro. — Mentiu Harry, não queria demonstrar fraqueza.
— Temos que derrubar esse dragão rápido, os outros já perceberam e não demorará muito a nos atacarem. — Snape nem bem terminou de completar a frase e um outro dragão deu um rasante próximo a ele perto do pescoço do Líder.
O Barriga-de-Ferro Líder tentou abocanhar o dragão que quase mordeu seu pescoço e Harry caiu sentado aliviado por estar usando o feitiço de cola.
— COMO VAMOS DERRUBAR ESSE DRAGÃO? — Berrou Harry para Snape quando um outro dragão passou próximo tentando abocanhá-los.
— Não acho que poderemos derrubá-lo. — Respondeu Snape calmamente.
— O QUÊ?!! — Exasperou-se Harry.
— Duas coisas. — Começou Snape parando de duelar e erguendo dois dedos. — Primeiro, se derrubarmos esse dragão iremos junto com ele e os outros dragões nos atacarão imediatamente. Segundo, pelo peso desse dragão o que você acha que aconteceria com as muitas pessoas que estão lá embaixo? Seus amigos?
Harry parou para pensar pela primeira vez desde que tomou a decisão insensata de aparatar nas costas do dragão.
— É uma boa hora para você treinar uma maldição Imperdoável, Potter. — Falou Snape reerguendo a varinha.
— Você quer que eu mate o dragão?!
— Não menino burro, se você o matar, matará a todos lá embaixo também. Controle o dragão, mas antes me estupore para parecer que me venceu. — Snape tirou o feitiço de cola de seus pés.
— Mas você vai morrer.
— Pensei que era isso que queria fazer Potter, me matar. Agora faça, ou eu mesmo mato você. — Snape apontou a varinha para Harry.
— Expeliarmus.
Assim como sua varinha o corpo de Snape foi lançado ao vento, em direção ao chão e Harry estava agora sozinho encarando novamente o Dragão. Harry apontou sua varinha para o olho do dragão e Gritou:
—Imperium.
Harry sentiu como se seus nervos se conectassem a varinha e fosse até o cérebro do dragão, Harry sentiu como se o dragão fizesse parte de seu corpo, apenas mais uma extensão de sua mente, mas o dragão sacudiu a cabeça fez vários Loops no ar e Harry teve vontade de vomitar, o dragão não estava sobre o controle de Harry e agora os outros quatro dragões estavam se aproximando e tentando abocanhar Harry.
— Você realmente precisa querer controlar, você realmente precisa querer amaldiçoar… — Harry repetia, mas quando se preparou para lançar novamente a maldição, viu que o dragão voava de olhos bem fechados. — Hei! Abra os olhos, você não pode sair voando por aí de olhos fechados, vai acabar se machucando… — Harry ouviu o barulho de madeira rachando e olhando para baixou viu o segundo andar inteiro de uma casa em chamas ser arranca de sua base e o dragão pareceu sentir levemente como se tivesse roçado a superfície de um lago. — Tá, você não vai se machucar voando por aí de olhos fechados, mas eu não vou permitir que você machuque outras pessoas.
Harry desfez o feitiço de cola com um aceno da varinha e se agarrando bem onde podia foi se arrastando até o focinho da fera e sem pensar Harry enfiou sua varinha, enterrou até o punho dentro da narina do gigantesco animal e Harry pode sentir o dragão hesitar por um momento e antes que o dragão tomasse qualquer atitude Harry gritou:
— Imperium.
Harry sentiu novamente seus nervos se emendando na varinha e o dragão se tornando parte dele e agora Harry tinha certeza, o dragão estava completamente sobre seu controle. Harry se esgueirou até o topo da cabeça do animal e refez o feitiço de cola no sapato e ordenou.
— Mande os outros dragões pousarem e ficarem quietos. — O dragão de Harry rugiu e Harry respirou aliviado. — Vamos pousar também.
Quando o dragão que estava sobre o domínio de Harry abriu as asas para reter o ar e fazer um pouso suave um outro dragão deu um rasante sobre Harry cuspindo chamas, Harry rapidamente conjurou um escudo refletor e desejou que as chamas tivessem cegado seu atacante.
— Mande-os parar, mande-os pousarem. — Harry ouvia os rugidos, mas já sabia o que estava acontecendo, uma rebelião, uma disputa pelo posto de líder.
Harry ficou de pé e começou a lançar feitiços nas cabeças dos outros quatro dragões torcendo para que acertasse os olhos deles e conjurava escudos refletores para proteger a si e ao dragão que estava sobre seu domínio.
— Vamos, ataque-os, use suas chamas, suas garras, seu rabo, qualquer coisa, mas derrube aqueles quatro.
Agora Harry sabia o porque daquela enorme fêmea de Barriga-de-Ferro era o Líder do grupo, com apenas uma chicotada de sua calda enormemente pesada e dura na cabeça, e um dos dragões foi ao chão em cima de muitas casinhas em chamas, inconsciente e imóvel.
— É isso aí garotona, agora os outros, vamos colocá-los no chão também. — Gritava Harry.
Harry continuou a lançar feitiços e conjurar escudos enquanto o seu dragão cuspia chamas nos outros três e os atacava com as garras e a calda. O dragão-fêmea pegou com suas garras dois dragões e os jogou de cabeça, um contra o outro e depois os rebateu com sua calda para baixo em cima de mais casas em chamas no mesmo momento em que ela foi pega pelo pescoço pelo último dos dragões, Harry desfez rápido o feitiço de cola e deslizou pelo pescoço dela até onde o outro dragão a prendia com a boca e começou a lançar feitiços mirando bem em seus olhos.
O dragão se distraiu tempo o suficiente para que a fêmea, por instinto de Harry, reagisse. Harry se agarrou onde pode, enfiando suas mãos pelos espaços das escamas do pescoço do dragão enquanto os dois dragões se abocanhavam e rumavam, rápido, em direção ao solo, ganhando velocidade cada vez mais.
Harry fechou bem os olhos e apertou com mais firmeza suas mãos nas escamas do dragão se preparando para o impacto que veio mais cedo do que o esperado.
Com estrondo e tremor Harry sentiu o impacto das duas bestas com o solo, sentiu seu corpo todo vibrar e doer. Devagar ele tentou se por de pé e abrir os olhos, estava vivo e consciente, o que era bom. Olhou a volta e não viu nada além de poeira e fuligem, mas aos poucos a poeira abaixou e Harry pôde ver claramente, estava ainda encima do Líder do grupo de dragões Barriga-de-Ferro, a gigantesca fêmea de seis toneladas estava parada, imponente, vitoriosa com suas garras sobre o pescoço do outro dragão o prendendo contra o chão.
Harry ouviu passos, várias pessoas estavam vindo na sua direção, Harry ergueu a varinha e ordenou mentalmente para o dragão, que ainda estava sob seu controle, ficar preparado. Quando uma das pessoas saiu da poeira e deixou de ser só uma sombra difusa Harry pode soltar o ar de seus pulmões, era Carlinhos, seguido de outros tratadores de dragões, e de perto por Hermione, Neville, Rony e Gina.
— Harry, você está bem? — Perguntou Carlinhos.
— Sim, não se preocupem, ele está sob meu domínio. —acrescentou Harry quando o dragão abaixou a cabeça e todos recuaram.
Harry desceu e foi mancando até todos.
— Você é maluco é? — Começou Carlinhos.
— Você é completamente irresponsável, Harry Potter. —Continuou Hermione.
— VOCÊ PODIA TER MORRIDO. — Gritou Gina ao que todos viraram.
— O que você ainda está fazendo aqui? — Perguntou Carlinhos ao se virar para ela e depois para Rony. — Você já devia a ter levado para a mamãe. -
Rony não deu atenção, se voltou para Harry.
— No que você estava pensando? O que você acha que está fazendo, Harry? — Por baixo do tom zangado de Rony ele pode ver no fundo de seus olhos a preocupação.
— Bem, eu não estava pensando. Me perguntei várias vezes o que eu fazia lá em cima, até aparecer o Snape…
— Snape! — Todos exclamaram e se entreolharam.
— Então aquele Comensal da Morte que caiu era o Snape? — Perguntou Hermione.
— Sim, onde está o corpo dele? — Perguntou Harry de volta.
— Não têm corpo, ele desaparatou e fugiu. — Harry deu um curto suspiro de alívio que só Hermione percebeu.
— Bem, agora que todos estão a salvo, melhor voltarem para “casa”. — Sugeriu Carlinhos e depois cochichou só para Harry, Rony e Hermione. — A Sede da Ordem.
— Tenho que procurar uma coisa antes, aproveitar que já estou aqui com o Rony e a Mione. — Harry se virou para os dois, mas antes Carlinhos falou:
— Alguém tem que levar Gina para a mamãe.
— Harry vai precisar de mim se quiser realmente encontrar o que procura. — Falou Gina decidida.
— De jeito nenhum! — Exclamaram, Rony, Harry e Carlinhos juntos.
— Só a Gina sabe onde está a armadura de Gryffindor. — Disse Luna que chegava calmamente.
— O Quê…?! — Exclamou Carlinhos sem entender.
— Então você pode nos contar e ir dando o fora. — Disse Rony.
Gina simplesmente fechou a cara, empinou o nariz e deu as costas a todos e saiu andando.
— Por que vocês precisam achar a armadura de Gryffindor? — Perguntou Carlinhos, mas ninguém deu atenção.
— Onde você pensa que vai? — Perguntou Rony segurando Gina pelo braço.
— Vou mostrar o caminho. — Gina se desvencilhou de Rony e continuou andando, mas Harry já sabia aonde ia.
Não restava quase nada além de cinzas do pequeno prédio que ainda estava em chamas, mas ainda era possível distinguir bem o portão de ferro que dava para o cemitério de Godric’s Hollow. Gina parecia conhecer bem o caminho e os levou direto a uma discreta tumba de mármore branco onde estava escrito.
“Aqui jaz o eterno herói de Godric’s Hollow para defendê - la sempre”. Godric Gryffindor
— O encontrei hoje mais cedo, antes dos Comensais da Morte e dos dragões. — Explicou Gina.
— Certo, agora já pra casa. — Falou Rony.
— Só que não consegui abrir. — Continuou falando ignorando o irmão.
Hermione tentou vários feitiços, mas nada aconteceu.
— Vamos explodir tudo! — Sugeriu Rony.
— Rony! — Chamou atenção Hermione no meio do grito de Bombarda de Rony.
Nada aconteceu. Harry se virou para Gina.
— O que mais você sabe? — Perguntou e olhando direto nos olhos.
— Longa história. — Respondeu Gina.
Harry se encostou em uma lápide, em parte por não suportar mais as várias dores pelo corpo, em parte por desafio a Gina.
— Bem! Depois que eu te dei o livro que contava a História de Godric Gryffindor eu resolvi pesquisar um pouco mais sobre ele e descobri que ele teve esposa e um filho… — Começou Gina.
— E daí? O cara merecia, né? Passou a vida inteira lutando contra o mal e os bruxos das trevas, ele merecia um pouco de prazer e descanso. — Rony balançou as sobrancelhas para Harry.
— Rony! — Exclamou Hermione em uma mistura de corada, chocada e ofendida.
— ENTÃO! — Continuou Gina. — Virando a página encontrei uma árvore genealógica neste livro, resolvi dar uma olhada, quer dizer, poderia ser de grande ajuda se encontrasse lá o nome de alguém que ainda estava vivo, ele poderia ter alguma informação útil.
— E qual foi o último nome que você encontrou? —Perguntou Harry como se já soubesse a resposta, o dele.
— Os dois últimos nomes que encontrei foram... — Harry pareceu mais chocado do que os outros. — ...Albiulo e…
— Molly. — Quem falou foi Carlinhos. — O Tio Albiulo está no St. Mungus, ele e mamãe foram perseguidos na última guerra por ninguém menos que Você-Sabe-Quem em pessoa, papai conseguiu esconder mamãe após o casamento ela mudou seu sobrenome para Weasley, mas o tio Albiulo não pôde se esconder por muito tempo. Poucas palavras são distinguíveis dele hoje em dia, “Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado”, “tumba”, “armadura”, ele fala muito pouco, ficou muito tempo sob os efeitos da maldição Cruciato. Quando eu era pequeno fui visitá-lo algumas vezes com a mamãe. — Acrescentou ao ver o olhar de todos.
— Quer dizer que nós somos os últimos descendentes de Godric Gryffindor? — Perguntou Rony incapaz de acreditar.
— Disso eu não sei. — Carlinhos olhou para Gina e ela afirmou com a cabeça.
— Mas é provável que nem mamãe saiba disso. — Completou Gina. — Voldemort procurava pelo nome de solteiro da mamãe .
— Certo, mas isso não nos diz como abrir a tumba. - Disse Harry.
— Talvez sim. — Disse Hermione mais para si mesma, mas quando percebeu que todos a haviam escutado se calou.
— Como Mione? Vamos, diga rápido. — Exigiu Rony.
— Gozado, ele não veio defender Godric’s Hollow agora. — Falou Luna quebrando o silêncio.
— Talvez seja porque o que Gryffindor queria depois de morrer era descansar em paz. — Sugeriu Rony.
— Ou defender quem carregasse o seu sangue. — Hermione olhou para seus sapatos. — É só uma suposição besta, mas suponhamos que onde quer que Gina tenha achado esses livros, o que conta a história de vida de Godric Gryffindor e o que conta a história após a sua morte, a mais de cinqüenta anos alguém os poderia ter encontrado.
— Tom Riddle. — Harry começou a compreender o raciocínio de Hermione.
— Então ele descobriu sobre a tumba e os últimos descendentes de Gryffindor, então tentou abri-la. E falhou como nós. — Sugeriu Rony.
— E então tentou de outra forma, trouxe até aqui alguém que carregasse o sangue de Gryffindor e o torturou até que Gryffindor saísse da tumba para ajudá-lo. — Concluiu Hermione.
Harry sentiu faltar ar a sua volta, como se tivesse emergido no vácuo. Harry olhou a sua volta, os tratadores de dragões estavam terminando de prender o terceiro dragão ainda inconsciente.
—Vamos então, Harry. — Falou Rony se posicionando de costas para a Tumba de Braços abertos. — Mostre-me do que você é capaz com as maldições imperdoáveis.
— Não seja idiota! — Bradou Harry. — Jamais poderia fazer isso com você.
— Sem isso não conseguiremos abrir a tumba e encontrar a armadura e muito menos derrotar Voldemort. — Todos olhavam de Rony para Harry em silêncio. — E além do mais, você precisa treinar as maldições imperdoáveis e para fazê-las não basta quere causar dor a um inimigo, tem que querer causar dor a qualquer um independente de ser amigo ou inimigo.
— Nesse caso é diferente Rony, você está ferido, muito ferido e é meu melhor amigo. E também não há um motivo. — Harry se levantou e deu as costas a todos e já ia saindo.
— Espere Harry! — Harry se virou, era Carlinhos. — Essa armadura vai ajudar a derrotar Você-Sabe-Quem? — Harry não respondeu. — Encontrar essa armadura foi o que Dumbledore lhe pediu? — Harry se manteve em silêncio. — Eu não estou ferido, use a maldição em mim e vamos ver se abre, se for pra derrotar Você-Sabe-Quem eu me arrisco. Além do mais não sou seu melhor amigo.
— Você viu o estado de seu tio, eu não seria capaz de encarar seus pais, nem mesmo Rony ou Gina se eu fizesse isso a você, vamos pesquisar mais e descobrir outra maneira. — Harry deu as costas a todos novamente, mas Carlinhos o chamou de novo.
— Harry, você seria capaz de conviver consigo mesmo e se olhar no espelho sabendo o que você pode fazer e vendo todos os dias cidades como esta, sendo dizimadas como está? Várias pessoas inocentes, trouxas e bruxos, morrendo e você sabendo o que você pode fazer e não fazendo nada por pura covardia. Eu não poderia, por isso eu quero tentar. — Harry se virou para Carlinhos. — Eu sou mais forte do que você pode imaginar Harry, eu não vou morrer ou enlouquecer, não acredito que você seja tão forte com as maldições imperdoáveis.
— Harry, quando a gente notar que o Carlinhos não pode agüentar mais a gente te diz pra parar. — Sugeriu Hermione.
— Quando eu não agüentar mais eu te direi pra parar Harry, e se a Tumba não abrir, você procura outro jeito. —Sugeriu Carlinhos. — Nós estamos cada vez com menos tempo, cada vez mais cidades são atacadas. — Acrescentou.
Harry se posicionou, todos se afastaram e Carlinhos tomou o lugar de Rony, e este ficou apreensivo olhando para o irmão. — Vamos Harry, será que você é capaz. — Provocou Carlinhos.
— Crucio!!!
Rony arregalou os olhos, Gina, Hermione e Neville esconderam os rostos e Luna continuou observando como se nada tivesse acontecido, e realmente não aconteceu, nem os cabelos de Carlinhos se mexeram.
— Harry, você tem que fazer isso. Não se importe se sou seu amigo ou inimigo, FAÇA! — Bradou Carlinhos.
— Crucio!!!
Nada, na terceira tentativa os cabelos e as roupas de Carlinhos se mexeram. Harry olhou a sua volta e viu Tom, o taverneiro, junto de Bianca, ambos muito feridos, sangrando, perdidos, olhando tudo como se tudo aquilo fosse surreal, um sonho ruim, um pesadelo. Harry olhou a sua volta onde Tom e Bianca passavam os olhos e Harry pode ver, ficou chocado, corpos e mais corpos espalhados por todas as partes, Harry fechou os olhos, não podia mais ver aquilo.
— Carlinhos, se prepare. — Carlinhos acenou para Harry e Harry deixou fluir por ele tudo que ele sentia agora. — Cruciooo!!!
Gina se escondeu entre os braços de seu irmão e do outro lado Hermione, Neville e até mesmo Luna se abraçaram e se encolheram diante do que viam. Carlinhos era realmente forte, estava resistindo bem, e Harry cada vez colocava mais seus sentimentos ruins na maldição, mas algo chamou atenção de Harry, apesar de Carlinhos não ter gritado uma vez se quer e ainda se manter de pé, os olhos dele sempre se voltavam para o lado da tumba, como se esperasse desesperadamente algum sinal dela se abrindo. Então Harry cessou a maldição.
— Não seja estúpido! — Bradou Harry. — Você tinha que me dizer quando fosse de mais pra você e não ficar resistindo até enlouquecer.
— Eu ainda agüentava muito mais, você não é tão forte assim. — Apesar do tom corajoso na voz, Carlinhos estava visivelmente fraco.
— Isso não é coragem é estupidez. — Esbravejou Harry.
— Olha quem fala de estupidez, não consigo imaginar nada pior do que aparatar no alto da cabeça de um Barriga-de-Ferro de seis toneladas. — Carlinhos se deixou cair sentado no chão e sorriu.
— Talvez dentro da boca. — Harry e Carlinhos riram e Harry também se deixou cair sentado, estava muito cansado e machucado para se manter em pé.
— É isso! — A exclamação de Hermione chamou a atenção de todos. — Coragem, era o que Gryffindor mais prezava, então ele provavelmente acreditava que nenhum descendente seu iria pedir ajuda a menos que realmente precisasse muito. — As caras de todos se retorceram em forma de interrogação, então Hermione simplificou. — Enquanto você assumir uma pose de coragem e não pedir ajuda Gryffindor não vira em sua ajuda, grite e peça por ajuda que provavelmente Gryffindor virá ajudar.
Carlinhos se pôs de pé, tirou a poeira da roupa e fez sinal para Harry se levantar.
— Vamos Harry, mais uma vez e eu prometo chorar como um bebê agora. — Falou Carlinhos.
— Tente pedir ajuda sem ninguém estar te atacando primeiro. — Sugeriu Harry ainda do chão.
— Certo! Socorro! Alguém me ajude! Por favor, alguém me ajude! Socorro! — Tentou Carlinhos não muito convincente. — Isso não está dando certo, vamos lá Harry.
— Talvez só se ele pedir ajuda e estiver realmente correndo perigo que funcione. — Sugeriu Hermione.
Harry se pôs de pé, apontou a varinha para Carlinhos.
— Cruciooosss!!!
Carlinhos se contorceu pelo chão gritando de dor e pedindo ajuda, pedindo por socorro, Harry quase cessou uma ou duas vezes, mas ele sabia que Carlinhos só estava tentando parecer convincente, mas a coragem e resistência dos Weasley eram muito maiores que isso.
— Hermione! Não está dando certo! — Gritou Harry para sobrepor os gritos de Carlinhos, ninguém além de Rony e Harry olhava diretamente para Carlinhos e este continuava a gritar desesperadamente por ajuda. Até que um grito sobrepôs todos os outros um grito realmente de puro desespero.
— PARE!
Harry cessou neste instante a maldição, Gina havia gritado e grossas lágrimas escorriam por seu rosto que demonstrava o desespero da garota. Ela e Harry se olharam por um tempo até que um barulho distante chamou a atenção de todos.
O barulho parecia o de uma pesada pedra se arrastando sobre outra que Harry já conhecia muito bem, porque era idêntico ao barulho de muitas passagens de pedra em Hogwarts. A lápide de mármore branco se deslizava para trás revelando os primeiros degraus de uma escada que levava a escuridão completa. Bem no meio desta escuridão algo reluzente brilhou, Rony e Hermione ajudaram Carlinhos a sair de frente da passagem revelada pela lápide e dessa passagem saiu uma reluzente armadura dourada e sem mudar seu rumo veio direto a Harry.
Harry ficou parado contemplando a armadura, apesar de estar acostumado com as armaduras de Hogwarts que mexiam seus elmos e rangiam, mesmo estando vazias, era estranho olhar para esta que vinha em sua direção em passos firmes e Harry podia ver pelo buraco em seu pescoço que a armadura estava realmente vazia.
— Harry, cuidado. — Gritou Hermione tirando Harry de seu hipnotismo.
Harry teve tempo apenas de se jogar para o lado quando a armadura desferiu um soco que estourou a lápide que estava logo atrás de onde Harry se encontrava momentos antes. Hermione, Rony, Luna e Neville ergueram suas varinhas.
— Parem! — Gritou Harry. — Se vocês a atacarem provavelmente ela irá atacá-los. — Harry se esquivou de mais uma investida da armadura. — Rony, Hermione, lembrem-se da maldição, vocês precisam achar algo de grande poder mágico destrutivo para destruir isso, eu a distraio por enquanto.
Harry continuou correndo se esquivando, pulando e se abaixando para se esquivar da armadura enquanto Rony corria de um lado para o outro e Hermione murmura coisas de olhos fechados Carlinhos estava amparado por Gina, Luna e Neville discutiam algo, Neville parecia preocupado e Luna casual como sempre.
Harry foi atirado contra uma lápide por um soco da armadura bem no meio de seu peito e quando escorregou para o chão sentiu como se estivesse perdendo algo, ao olhar para trás pelo seu lado esquerdo ele pode ver que os tratadores de dragões estavam passando ás primeiras correntes mágicas pelo dragão que ainda, por muito pouco, estava sob o controle de Harry.
Harry mal chegou a pensar, o gigantesco Barriga-de-Ferro se livrou das correntes e dos tratadores e com um único pulo quase esmagou Harry e abocanhou a armadura. Harry pôde ver o metal ranger, saliva e pedaços retorcidos de metal caíram próximos a Harry e o dragão continuou a mastigar.
— Harry! Harry!
Rony, Hermione, Luna e Neville vinham correndo em sua direção, Carlinhos e Gina vinham logo atrás. Hermione recuou um pouco ao se aproximar do enorme dragão que ainda mastigava a armadura como se fosse uma delícia gasosa.
— Você está bem? — Perguntou Rony.
— Difi-cul-da-de pra res-pirar. —Arfou Harry ainda com a mão no peito.
— Você acha que está destruída? — Rony pulo pro lado ao que o dragão deixou cair a armadura bem do lado dele. — Definitivamente está destruída. — Disse Rony ao olhar o metal dourado retorcido.
— Estranho. — Comentou Hermione.
— Lá vem você com suas suposições que sempre estão certas e nos coloca em um perigo bem maior. — Rony foi até Harry ajudá-lo a se levantar, os tratadores de dragão estavam vindo apressados até o dragão que havia fugido.
— O dragão ainda está vivo, concordo que os dragões tem grandes poderes mágicos, mas tudo que usamos até agora se destruiu após ser usado.
— Vem cá, vocês acabaram de destruir o que ia ajudar a derrotar Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado? — Exasperou-se Carlinhos. — Quer dizer que meu esforço foi em vão? Vocês não poderão mais usar a armadura?
— Não é bem assim, a armadura tinha que ser destruída para ajudar a derrotar Voldemort... — Começou Hermione. —... mas tem algo errado, tem alguma coisa faltando.
— O Elmo. — Gritou Gina.
Todos olharam primeiro para os restos da armadura e depois para a tumba, ela poderia fechar a qualquer momento. Gina soltou Carlinhos no chão e correu até lá, Luna, Hermione e Neville em seu encalço.
— Gina, cuidado, podem haver mais armadilhas. — Gritou Harry, mas já era tarde, a cabeça vermelha de Gina tinha sumido no buraco da tumba Hermione, Luna e Neville chegaram lá bem no momento que a tumba começou a se fechar, Hermione pegou a varinha pronta para tentar algo para parar a lápide, mas Gina já estava saindo de lá com o Elmo dourado estendido em suas mãos.
— Você está bem? — Harry perguntou a ela assim que ela se aproximou.
— Aqui está o Elmo, será que é ele? — Perguntou entregando o Elmo a Hermione.
— Com certeza! — Afirmou Harry. — Eu posso sentir, mas como vamos destruir?
— É só mandar o Grandão aí, comer e morrer. — Rony se calou ao ver o olhar repreendendo de Hermione.
— Não podemos sacrificar um dragão, isso é cruel e desumano, sem falar…
— Você tem alguma outra idéia então, Hermione? — Interrompeu-a Harry.
— Bem, não sei, talvez pudéssemos pensar melhor depois. — Respondeu Hermione ofendida por ter sido interrompida.
— Vocês precisam de algo mágico muito poderoso? — Perguntou Carlinhos.
— O mais poderoso que você souber. — Respondeu Harry.
— Bem, tem o décimo primeiro uso do sangue de dragão. — Respondeu Carlinhos.
— Isso mesmo. — Gritou Hermione olhando para o enorme dragão que permanecia imóvel e manso ao lado de Harry. — Uma gota do sangue de dragão fervido em suas próprias chamas pode destruir qualquer artefato mágico.
Hermione olhou mais uma vez para o dragão e estremeceu.
— A ferida já está aberta, mas como vamos ferver isso? —Perguntou Rony apontando para as feridas no pescoço do dragão.
— Ponha o Elmo aqui. — Carlinhos apontou para uma lápide onde Hermione colocou o Elmo. — Agora Harry faça o dragão abaixar o pescoço. — O dragão se baixou e com um frasquinho que Carlinhos acabou de conjurar ele recolheu um pouco de sangue da ferida do dragão. Carlinhos o despejou sobre o Elmo dourado. — Se afastem. —Todos se afastaram. — Agora Harry…
Antes de Carlinhos falar qualquer coisa as fortes labaredas do dragão já estavam sobre a lápide e tudo o mais que estava em uma área em forma de leque num raio de quinze metros. O dragão cessou e tudo que sobrou foi metal carbonizado e uma lápide completamente destruída, Harry pôde sentir uma magia negra muito forte sair dali.
— Está destruída. Agora falta pouco. — Harry olhou para Hermione, depois se voltou para Carlinhos. — Estou começando a perder o controle sobre a mente do dragão e não acho que eu vá conseguir fazer isso de novo.
Harry caminhou com Hermione e Rony ao seu lado, Gina estava amparando Carlinhos novamente enquanto ele ajudava os outros tratadores de dragões a prender o último dragão que permanecia imóvel ainda sob o controle de Harry, Neville, Luna conversavam a um canto.
— Então só falta a cobra agora, certo?? E o próprio Voldemort. — Falou Rony parecendo mais feliz. E Harry parou de repente.
— Não Rony, tem mais duas Horcruxes. — Harry olhou para trás, para não encarar o amigo, se sentiu aliviado ao ver o dragão preso e pode se livrar de todo o controle sobre ele. Harry olhou para Gina, que estava cuidando dos ferimentos do irmão, e acabou se deixando cair de joelhos, Harry não queria olhar para Rony agora.
— Mais duas. Tem mais duas? Isso não acaba nunca? — Exasperou-se Rony. — Tá, então vamos logo acabar com isso, você faz idéia do que elas são ou onde estão? — Harry apenas afirmou com a cabeça. — Então vamos destruí-las logo, vamos lá.
— Eu sou uma delas Rony e estou bem aqui. — Falou Harry sem pôr sentimento nenhum em sua voz.
Rony se desequilibrou nas pernas e Hermione o amparou, a garota tinha os olhos marejados.
— Sente-se Rony. — Falou Harry.
— O quê?!
— Sente-se. — Rony se sentou. — E Gina é a outra Horcrux, Rony.
— Mas como… — A voz de Rony sumiu. Ele começou a chorar.
Harry contou tudo sobre a conversa que teve com Voldemort com seus olhos transbordando em lágrimas, Harry não podia segurar mais a tristeza e sabia exatamente o que o amigo sentia. Harry ficou olhando para Gina ao longe, pura inocência, era o que a melhor descrevia, não fazia idéia do mal que existia dentro dela, ela era só mais uma vítima inocente por culpa dele, Harry Potter, o Menino que Sobreviveu.
Harry secou as lágrimas ao perceber que Gina e Calinhos viam na sua direção, se pôs de pé, se virou para Rony e Hermione que também enxugavam as lágrimas e se recompunham. Harry já podia ouvir os passos deles quando ouviu um alto estalo de aparatação.
Todos instintivamente se viraram para o local da aparatação apontando suas varinhas, mas logo as guardaram quando viram que eram os outros Weasley. Sr. e Sra. Weasley, Jorge, Fred, Gui e Fleur.
— Oh! — Exclamou a Sra. Weasley. — O que houve aqui? O que aconteceu com vocês? Oh! Carlinhos, quem fez isso com você? — Choramingou a Sra. Weasley e ninguém respondeu, mas todos olharam de relance para Harry.
— Eu! — Harry levantou a mão. — Sinto muito. — Acrescentou.
— Eu explico tudo mamãe, mas temos que voltar todos pra casa, e esta mocinha merece um castigo. — A Sra. Weasley acompanhou o filho, mas não tirou os olhos de Harry, chocada.
Mais um estalo de aparatação e todos se viraram apontando suas varinhas, mas as abaixaram novamente, eram alguns professores e funcionários da escola.
— Então Harry, está tudo bem, onde está a Srta. Weasley? — Perguntava Minerva.
— Está tudo bem Profª. McGonagall, Gina está ali. — Harry apontou para Gina que segurava Carlinhos por um braço enquanto seu pai o segurava pelo outro. — Profª. McGonagall, preciso falar com a senhora.
Harry e Minerva caminharam para um lado, Hermione ainda amparava Rony, Neville e Luna conversavam a um canto e o resto da família Weasley ia em direção a taverna do Tom. Harry e Minerva conversaram por poucos minutos e tudo que ela fez foi acenar a cabeça concordando com o que ele dizia.
Cranck!
Mais estalos de aparatação tomou a atenção de todos que se viraram para o local erguendo suas varinhas.
— Ora, ora Potter, você não vai querer complicar ainda mais os seus problemas. – Era Rufos Scrimgeour, o Ministro.
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N/A: *!*Aí galera, tá aí o novo capítulo, espero q gostem... flws... um abraço...*!*
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