Na manhã de sábado, Harry foi até o campo de quadribol, local escolhido por Lilith para testarem a espada. Gram estava acomodada em uma elegante bainha, dada por Dumbledore, mas ainda sim chamava a atenção dos alunos por onde passava, o que acabou fazendo com que alguns “discretamente” seguissem Harry.
-Bom dia, Harry! Trouxe platéia? –Harry nem olhou para trás, apenas deu de ombros.
-Hermione e Rony estavam cansados da corrida e resolveram voltar a dormir. Acha que os curiosos vão atrapalhar? –Pergunta retirando Gram da bainha. A lâmina brilhou tão forte ao refletir a luz do sol, que o cegou por um instante.
-Não, deixe que eles vejam o poder nórdico, se ele realmente existir. –Lilith parecia bem tranqüila e já estava de pé, com uma espada em mãos.
-Eu nunca usei uma espada, exceto contra o basilisco no segundo ano, mas creio que não seja o suficiente pra me definir como um espadachim. –Harry a avisa e Lilith sorri em resposta.
-Eu sei disso e acho que o fato de você não saber como usar uma espada pode ser ainda mais útil. Agora, prepare-se e não use a varinha. –Harry apenas assente e forma uma boa base, segurando Gram com as duas mãos.
Lilith avança veloz mente e dá um passo lateral, movendo o quadril e usando a força do movimento para golpear Harry de baixo para cima, mas os reflexos ágeis dele o faz abaixar a lâmina e dar um passo para trás, fazendo as lâminas das espadas se chocarem na altura de seu peito. A seguir aconteceu algo que Harry não poderia descrever, um tremor passou pelo seu corpo como se Gram houvesse desprendido uma carga elétrica para seu corpo e esta caminhasse pelos seus braços e espalhasse pelos músculos de seu corpo. Seu coração falhou algumas batidas e sentiu uma forte fisgada em seus braços e pernas, logo depois sua mente esvaziara por completo até sentir algo pulsante vir de suas mãos.
Lilith estranhara a paralisia de Harry, apesar de este estar fazendo grande força contra sua espada, então recua evitando a lâmina de Gram e dá mais dois passos para trás. Viu que os olhos verdes estavam ligeiramente mais claros e mais profundos, também não soube se era impressão sua, mas a presença do jovem parecia estar mais imponente e ele parecia até maior. Tirou isso de seus pensamentos e voltou a investir, desta vez usando um golpe mais refinado e ágil, que se não o atingisse no primeiro movimento, atingiria no segundo.
A sensação incômoda passou e sua consciência voltou, mas parecia que não era apenas sua mente que controlava seus movimentos, pois mal notara o movimento de Lilith e já se deslocava para o lado e brandia a espada com força na direção da oponente, forçando-a a se defender com uma mudança brusca no movimento, o que não permitiu uma base e a fez voar para trás e bater no chão com força.
Antes que pudesse pensar em algo, seu corpo já se movia sozinho. Deu um passo firme a frente e seus dois braços fizeram um movimento para baixo, tentando enterrar a espada no ventre de Lilith, mas esta conseguiu fugir ao rolar e rapidamente e se erguer. Desta vez assistiu seu corpo dar duas passadas laterais e investir a espada de cima para baixo, não era um movimento refinado ou técnico, era forte, simples e rápido, tão rápido que Lilith acabou fazendo com que sua lâmina, ao se chocar com a de Gram, liberasse uma forte luz para cegá-lo e fazê-lo se atrasar. Pensou que não adiantaria nada já que a espada guiava seus movimentos, mas ela realmente havia parado por alguns segundos, fazendo seu corpo se mover quando um barulho chamara sua atenção na direita. Foi um giro rápido do tronco, Gram disparando em transversal segura por apenas uma mão, então quando Lilith defendeu, sua mão livre segurou-a pelo braço e desequilibrou com um puxão para frente, que junto à joelhada, deixou Lilith caída.
-Uau, garoto! –Mal Lilith falara, teve que rolar para trás e se afastar rápido, pois Gram quase a degolara. –Quer me matar? Isso é um treino, lembra? –Lilith parecia preocupada, principalmente porque Harry continuava a avançar como um bárbaro sedento de sangue.
-Não consigo controlar meu corpo, meus braços e pernas estão por conta de Gram e eu acho que ela pensa que você quer matá-la! –Harry avisa sentindo-se um pouco ofegante pelos movimentos intensos e fortes.
-Tente usar sua mente para dominá-la, mostre que é você quem está no comando! –Lilith ordena de modo sério, já lançando sua espada para distrair Gram e pegando sua varinha.
Durante os minutos seguintes, Lilith se dedicou a atirar a maior quantidade de feitiços que podia, começou com os leves para testar Gram e depois foi aumentando a força e complexidade das magias. Feitiços de ataque individual como os estuporantes eram rebatidos por Gram e os explosivos ou de área simplesmente absorvidos. Quando tentava atingir o chão ou usar algo do meio para atingi-lo, Gram fazia-o desviar com saltos ou rolamentos, todos ao mesmo tempo desviando e indo na direção dela.
-Sinto muito gatinho! Avada Kedavra -Harry sentiu seu sangue gelar ao ouvir o feitiço da morte, sorte que não era mesmo ele que se movia.
Como fazia com qualquer outro feitiço, Gram bloqueou a maldição da morte, absorvendo-a. Na mesma hora Harry sentiu a espada esfriar rapidamente e sua mão a lançar com força para baixo, apesar de não ter dado a ordem. Com alívio e cansaço, se deixou cair no chão a frente de Gram, cujas jóias voltaram a ter o brilho opaco de antes da luta, talvez estivesse desativado.
-Foi mal, mas eu já não sabia mais o que fazer! –Lilith se desculpa olhando desconfiada para a espada e decidindo manter distância.
-Aí você tenta me matar? –Harry se esforça para falar, sentia todos os seus músculos gritarem como se estivesse sentindo câimbras no corpo todo.
-Antes você que eu! Instinto de auto preservação, sinto muito. –Lilith já guardara sua espada e se alongava rapidamente. Era engraçado como, pela primeira vez, alguém lhe dizia que se importava mais com a própria vida do que com a dele e isto o fez se sentir bem, como se fosse alguém normal e não o futuro salvador do mundo. -E então, cansado? –Harry estava ofegante e, ao se olhar, verificou estar bem suado, por isso nem se deu ao trabalho de responder. –E como vão as coisas com Hermione? –Aquela pergunta o sobressalta e o faz olhar para todos os lados para garantir que ninguém havia escutado. –Estão longe o suficiente, não se preocupe tanto.
-Porque o problema não é seu! Se alguém desconfiar que estou me sentindo perturbado por causa da Hermione, a minha vida vira um inferno ainda maior. –Lilith revirou os olhos diante do exagero, o assunto da luta parecendo esquecido.
-Pelo visto sua amiga ainda anda te tirando o sono ou talvez proporcionando sonhos agitados . -Harry cora diante da malícia nas palavras de Lilith que ri da reação tímida do rapaz.
-Pare com isso, eu não sou nenhum tarado! –Harry se levantara e tentava arrumar as roupas para voltar ao castelo.
-Nem eu disse isso! Mas rapazes da sua idade costumam ter imaginação fértil e você parecia bem perturbado pela sua amiga. Por acaso já resolveu o problema? –Harry não sabia por que Lilith estava tão curiosa, mas não responder só ia piorar a pressão.
-Não. E cada dia fica pior, tento procurar motivos para esquecer essa atração estúpida, mas não encontro! Hermione além de linda é uma garota incrível e muito especial. Acho que o único motivo que me mantém no chão é essa minha impossibilidade de ser tocado. –Aquilo doía, sua garganta ardia e seu peito parecia se comprimir ao pensar no quanto Hermione podia significar para ele e como ele havia jogado a chance fora, já que mesmo que fosse capaz de conquistá-la, jamais poderia tocá-la.
-Está apaixonado? –Lilith agora tinha um tom quase incrédulo, o que o deixou curioso e confuso.
-Acha normal eu me sentir atraído por ela, mas absurdo que eu me apaixone? –Harry já estava pronto para ir, mas olhava para Lilith tentando entende-la.
-Não que seja absurdo, apenas foi uma compreensão rápida e aceitação também. Mas agora que sabe o que sente, o que vai fazer? –Harry apenas ri do comentário. –Ora, não me diga que não vai tentar conquistá-la?
-Você é louca? –Harry ainda tentava parar de rir, mas tentava falar. –Hermione me conhece melhor que eu mesmo, nunca se interessaria por mim! Além disso, para que eu me daria o trabalho de tentar se eu não poderia tocá-la?
-Achei que tinha esperança de se curar. –Agora Lilith ficara estranhamente séria, mas Harry apenas dá de ombros.
-Se Dumbledore não conseguiu achar nada até agora, não acredito que um dia ele vá conseguir. Não que eu não tenha alguma esperança, só prefiro não me iludir ou criar expectativas demais. –Harry estava sério e tinha os olhos sombrios, sem brilho.
-Faz bem em manter os pés no chão, só cuidado para não virar um zumbi... um zumbi tarado! –Harry estava levando o conselho a sério até ouvir a gracinha final, quando chegou a tirar a varinha para azarar a mulher, mas desistiu ao ver que a “platéia” o encarava. Certamente atacar uma professora pelas costas, já que Lilith saíra desfilando para o castelo, lhe renderia no mínimo uma expulsão.
Gina caminhava entediada pelo corredor, talvez fosse a ansiedade pela reunião da AD. Após o que houve no departamento de mistérios no ano anterior, não conseguia deixar de pensar na guerra e como ela era maior do que poderia imaginar, sentia um arrepio frio lhe dominar sempre que se lembrava dos comensais avançando com suas varinhas em punho, no entanto não iria se deixar intimidar por tais lembranças, afinal seu irmão convivia com coisas daquele tipo desde o primeiro ano, aliás, o episódio cultivara certa admiração pelo irmão, que a protegera corajosamente no ministério.
Fora tirada de seus pensamentos ao ouvir três rapazes discutir, dois pareciam rir e zombar de um, cuja voz lhe era familiar. Em silêncio, se aproximou do corredor transversal de onde as vozes vinham e pôde ver dois rapazes do sétimo ano da Corvinal, zombando de um rapaz loiro, cuja face estava bastante avermelhada e com várias cicatrizes.
-Se vocês não se calarem agora, vou mostrar-lhe do que sou capaz e não gostarão nada disso. –A voz fria e arrastada que os ameaçou só poderia pertencer a Draco Malfoy, apesar de a voz estar mais grave e rouca, talvez por causa do acidente que o mandara para a enfermaria e deixara-lhe quase desfigurado.
-Uh, cuidado, pode ser que esta nova espécie de trasgo fique perigosa quando provocada! –Um dos rapazes zomba, fazendo o outro rir ainda mais e os punhos de Draco se fecharem.
-Realmente, vai que ele comece a lançar jatos de pus sobre nós! –Apesar de Draco estar com sua varinha em mãos, não a movia, talvez ainda estivesse muito fraco para ficar duelando no corredor, ainda mais em desvantagem.
-Parem já com isso! –Gina ordena e aparece, indo ficar ao lado de Draco, mas ignorando-o.
-O que é isso? Uma Weasley defendendo Draco Malfoy! –O rapaz parecia surpreso, mas quase achava graça daquela situação estapafúrdia.
-Podem rir o quanto quiserem, mas dêem o fora daqui. –Gina estava séria e ignorava os resmungos de Draco, que parecia não estar gostando de sua intromissão.
-Senão você vai fazer o que, garotinha ? –O outro rapaz, que era vários centímetros mais alto, diz em tom desafiante, deixando sua varinha bem visível e perto de sua mão.
-Vou ser obrigada a relatar ao professor Flitwick que peguei dois de seus alunos dando uns amassos num armário de vassouras. –Imediatamente os dois rapazes ficaram sérios e arregalaram os olhos surpresos, diante de seu tom calmo e confiante.
-Realmente, imagine a vergonha de suas famílias quando forem informadas desse flagrante tão... –Draco continua em tom quase casual, mas é interrompido por um dos rapazes que o segura pela camisa.
-Você acha mesmo que acreditariam em você? –O tom era forçadamente incrédulo e, ao perceber isto, Gina ignorou o outro que lhe apontava a varinha para o peito.
-Porque eu mentiria para ajudar Draco Malfoy? Ei, escutem só! Acho que filch está vin... –Gina nem precisara terminar de falar, pois os dois já batiam o recorde de velocidade dos corredores do castelo ao fugirem desesperados. Pela primeira vez, Draco e Gina riam juntos, o que rapidamente foi percebido pelo sonserino, que logo fica sério novamente.
-Não pense que estou de devendo algo, não pedi pela sua ajuda e não preciso de sua piedade. –Draco fala de modo severo, quase cuspindo a última palavra como se esta lhe causasse nojo.
-Não foi piedade Malfoy e também não quero favor nenhum de você! Aliás, a diferença principal entre sonserinos e grifinórios está aí. Vocês só fazem algo para alguém se ganharem algo em troca no presente ou futuro, já os grifinórios costumam ajudar os outros simplesmente por não gostarem de injustiça. Inclusive, espero que ninguém saiba do que aconteceu, pegaria mal pra mim, saberem que andei ajudando um tipinho como você. –Dito isto, Gina saiu sem dar qualquer chance para o sonserino responder.
Por mais que tentasse se concentrar na lição de transfiguração, seus pensamentos voltavam para seu combate com Lilith. Gram havia se mostrado uma espada muito poderosa, não apenas por sua resistência a magia, como também pela sintonia que estabelecia com seu corpo, transformando-o em um verdadeiro guerreiro e conseguindo bloquear até mesmo a maldição da morte. Perdido em seus pensamentos, mal notara que Hermione se sentara ao seu lado, bem perto de si e tomara um susto ao ouvi-la dizer seu nome.
-Está em que planeta, Harry? –Hermione pergunta rindo levemente pela reação exagerada dele.
-Estava pensando no teste de Gram, foi incrível! Ela se conectou comigo e me fez parecer um espadachim, um guerreiro de verdade! Além disso, pude defender a maioria dos feitiços de Lilith com ela. –Preferindo não alarmar Hermione, preferiu omitir que Lilith quase o matara e que Gram saíra do controle. -Sem dúvida é uma espada muito poderosa, talvez por isso houvessem a protegido com uma maldição tão severa. –A animação inicial saiu um pouco de sua voz ao final de seu raciocínio, mas não havia tristeza, apenas neutralidade.
-Isso é ótimo, afinal pode significar uma grande vantagem contra Voldemort. –A menção do nome, Harry parece se lembrar de algo e a interrompe.
-Você leu o Profeta Diário hoje? –Harry pergunta olhando em volta para ver se achava algum exemplar esquecido no salão comunal.
-Não, estava cansada demais, mas o que Voldemort fez agora? –Pergunta curiosa com a reação dele, provavelmente devia ser mais um ataque de comensais.
-Isto parecia estar sendo encoberto pelas autoridades internacionais, mas parece que Voldemort já conquistou quatro países: Estônia, Letônia, Lituânia e Bielorrússia. Este último foi ontem e deixou mais de um milhão de mortos. –Harry estava concentrado, tentando lembrar-se dos detalhes da reportagem.
-Quatro países da antiga União Soviética... –Hermione pensa alto, chamando sua atenção. –Aw, isso vai ser um grande problema! –Hermione geme e esconde o rosto nas mãos por uns instantes, parecendo entender o porquê dos ataques.
-Por quê? Quer dizer, não quero parecer egoísta, mas é bom que ele esteja longe da Inglaterra, além disso, ele conquistou países pequenos e com uma população bruxa ridícula. Pode ser um sinal de que ele não tem tanto poder de fogo assim. –Harry pondera tentando alcançar a linha de raciocínio de Hermione.
-Harry, não subestime Voldemort. Você está certo em dizer que são países pequenos e com pouca população bruxa, a maioria dos bruxos fugiu de lá por causa da Guerra Fria e do comunismo, no entanto você está esquecendo-se de um detalhe muito importante. Estes quatro países estavam ativamente envolvidos na guerra fria, quando a União Soviética e os EUA, estavam fazendo uma corrida bélica sem precedentes. Provavelmente ainda há muitas armas trouxas poderosas por lá, sem falar na tecnologia nuclear. –Ao ouvir a última palavra, Harry entendeu tudo e tal compreensão o fez sentir um friozinho percorrer sua espinha.
-Acha que esse maluco sabe com o que está se metendo? –Aquela pergunta veio em um fio de voz, afinal bruxos não conheciam muito bem a tecnologia trouxa e muitas vezes a subestimavam.
-Tom Riddle cresceu entre os trouxas na época da Guerra Fria, deve saber muito bem no que está se metendo. Provavelmente só quer ter algo que intimide trouxas e que funcione como um trunfo contra bruxos. Seria bom falarmos com Dumbledore sobre isso, talvez o ministro da magia ainda não tenha atentado para essa ameaça. –Hermione se levantara e Harry faz o mesmo.
-Dumbledore não está, já tentei falar com ele. Mas podemos falar com Lilith, aposto que ela nos contaria tudo que a ordem sabe. –Hermione faz uma careta diante da idéia, mas concorda.
Os dois caminham em silêncio para a sala da professora, onde a encontram escrevendo em um pergaminho, o qual guarda assim que os vê, indicando um sofá para que sentassem. Nos minutos seguintes conversaram sobre a invasão nos quatro países e a conclusão a qual Hermione havia chegado, Lilith a parabenizou pela boa observação e disse que Dumbledore estava justamente conversando sobre o assunto com o ministro da magia e procurando meios de incluir o ministro trouxa nos planos de guerra, já que este saberia lidar melhor com as possíveis armas trouxas em poder de Voldemort. Depois, se dedicaram a conversar sobre Gram e a vantagem que ela poderia dar a eles nesta guerra.
Rony já caminhava há quase vinte minutos a procura de Harry e Hermione, quando por acaso encontra Luna sentada no jardim lendo um exemplar do Pasquim. Seus cabelos estavam soltos e algumas mechas caíam graciosamente por seu ombro e ocultavam parte do seu rosto, belamente iluminado pelos raios de sol, que apesar de pálidos, ganhavam um tom dourado mais forte ao reluzir nos cabelos da loira. Sentiu seu coração acelerar no peito e suas pernas fraquejarem, no entanto era um grifinório e, como Harry já lhe dissera, se não fizesse algo, outro faria.
-Oi, Luna! –Quase sorri ao notar que sua voz saíra bem e seu tom era quase casual. –Você viu o Harry ou a Hermione por aí? –Ela abaixara o jornal e o olhava curiosa.
-Não, estava distraída lendo. –Rony teve que se segurar para não sorrir quando a viu corar, mas se limitou a se sentar ao lado dela.
-E o que tem de tão interessante no jornal? –Apesar de saber que provavelmente a notícia não passava de lenda ou invenção de algum maluco, Rony queria que ela pensasse que ele poderia se interessar por suas coisas.
-É uma notícia sobre pessoas que viram um bando de... Desculpe, você provavelmente não está mesmo interessado nisso. –Luna estava mais séria e parecia não estar chateada com aquela conclusão. Certamente não fora só as roupas que Gina e Hermione haviam mudado nela, mas também seu jeito de agir, já que antigamente ela teria começado um discurso empolgado e em tom sonhador sobre a reportagem.
-Na verdade, estou sim. A não ser que você prefira que eu vá... –Rony não estava interessado na reportagem, mas gostaria de ficar apenas para ouvir sua voz e ao que parece ela acreditara em seu interesse porque o interrompera imediatamente.
-Não precisa, pode ficar. Vou te mostrar umas reportagens interessantes que saíram nessa edição, há até um caderno especial falando sobre as criaturas fantásticas da Europa Oriental.
Já perto do fim da tarde, Harry se dirigia para a sala precisa, onde ocorreria a reunião da AD. Ainda não se sentia bem em ir até lá, sempre evitava ao máximo os lugares onde havia muita gente, o que, segundo Rony, estava o transformando em uma versão grifinória de Snape. Não se importava a mínima com o que as pessoas achavam ou falavam dele, também não estava fazendo isso para agradar seus amigos, apenas estava curioso para saber o que Hermione e Rony ainda poderiam querer com aquele grupo de estudos.
Assim que chegou ao corredor, logo viu a porta e, após hesitar um instante, a abriu e entrou, deparando-se com uma espécie de mesa de reuniões onde todos os membros que ainda estavam na escola, encontravam-se sentados ao redor de Hermione, que ocupava a cabeceira como se estivesse em posição de liderança. Foi ao olhar para ela, que percebeu algo que a princípio lhe pareceu estranho, mas que logo entendeu e o fez corar levemente, o que já era muito para seu rosto anormalmente pálido.
-Começamos sem você, mas podemos repetir o que já foi dito e acertado. –Hermione diz enquanto apontava para cadeira vazia a sua direita.
-Certo, mas não quero atrapalhar. –Responde brevemente, dirigindo-se o mais rápido possível para seu lugar e ignorando os olhares que mesclavam curiosidade e pena, uma mistura que estava presente desde que souberam de sua maldição.
-Estávamos traçando planos para, de fato, nos transformarmos em um grupo ativo. –Aquela declaração o surpreende, mas não deixa que os outros percebam. –Sabemos que não há como sairmos por aí enfrentando comensais, então decidimos fazer um trabalho de coleta de informações, além de continuar com os estudos de DCAT.
-Está querendo transformar a AD em um grupo de espiões? Andou assistindo muito filme essas férias? –Harry pergunta sem acreditar no que ouvia, mas ao ver que Hermione parecera ofendida, resolveu completar. –Não se ofenda, Mione, é só que não tem como sairmos de Hogwarts para ficar espionando comensais, até porque eles parecem estar bem longe do país.
-Uma boa parte dos comensais pode estar fora do país com Voldemort, mas ainda há comensais na Inglaterra, provavelmente os responsáveis por adquirirem informações do governo, da ordem da fênix e os responsáveis por montarem uma estrutura sólida para Voldemort vir com seu exército e atacar. –Hermione o corrige em tom calmo, mostrando que não estava nem um pouco abalada com o que ele havia dito. –Quanto a nossa “espionagem” ocorrerá aqui mesmo em Hogwarts. Sabemos que há muitos filhos e parentes de comensais entre os estudantes, claro que estes não devem ter informações tão importantes, mas através deles podemos conseguir nomes de comensais e algumas peças soltas sobre uma ação ou outra dos comensais. –Um olhar discreto e rápido pela mesa mostrou que nem todos estavam muito certos sobre a eficácia daquele plano, porém a idéia de se envolver em algo tão importante e “perigoso” poderia os deixar excitados o suficiente para arriscar participar de algo tão comprometedor.
-Eu ia começar a falar sobre como podemos nos infiltrar nas trincheiras inimigas e, é claro, ouvir sugestões sobre outras abordagens. –Rony toma a palavra e Harry apenas continua o observando, mostrando que estava ali apenas como ouvinte. –Minha primeira sugestão é a de formarmos um grupo de “tráfico de influência”. Poderíamos conseguir artigos não permitidos pela escola para algumas pessoas, em troca de uma ou outra informação sobre alunos suspeitos, nada que possa indicar que estejamos interessados em comensais, mas que possa nos dar alguma “arma” contra os alunos que possam ter informações. –Harry apenas observa Hermione arregalar os olhos e abrir e fechar a boca duas vezes antes de falar em seu tom severo e familiar.
-Está sugerindo que a AD se transforme em uma quadrilha especializada em contrabando, tráfico de influência, chantagem, tortura e sabe-se lá mais o que? –Hermione olhava para Rony tão duramente, que Harry teve a impressão de vê-lo engolir em seco e se encolher levemente na cadeira.
-Bom, do jeito que você fala parece que nós seremos os criminosos e não eles... –Rony tenta manter o tom neutro e tranqüilo.
-Mas nós seremos! E eu sou completamente contra isso. –Hermione parecia resoluta em não aceitar tal idéia.
-Bom, não que eu questione sua interpretação do plano, mas não acha que diante da situação, os fins irão justificar os meios? Afinal estaremos usando recursos eficientes e fora de suspeita, pelo menos quanto as nossas reais intenções. –Susana Bones fala em defesa do plano, parecendo entender os motivos de Rony.
-Além disso, se parecermos ter caráter duvidoso, não será difícil nos infiltrarmos entre os sonserinos e sair da imagem de mocinhos. –Miguel Corner parecia empolgado com a idéia e outros pareciam concordar com o plano.
-Pois sou contra ficar contrabandeando qualquer coisa para o castelo e alimentando o pior lado dos alunos, além disso, esse plano iria expor muitos de vocês e poderia acarretar em represarias de comensais a suas famílias, fora o risco de expulsão caso algum professor ou Filch descubram. –Hermione fala em tom mais calmo e racional, fazendo a certeza de alguns se transformar em dúvidas.
-Então o que você sugere, Hermione? –Zacarias Smith pergunta olhando-a com certo desdém, como se ou não acreditasse em seu potencial ou não estivesse de acordo com sua posição de liderança.
-Sugiro que nos revezemos em seguir alguns alunos. Podemos usar feitiços para ouvirmos o que conversam e observar caso troquem bilhetes ou recebam alguma carta. Também podemos dar uma olhadinha nas cartas que recebem e rastreá-los pelo mapa do maroto. –A idéia parecia boa e Hermione parecia saber exatamente como fazer tudo o que sugerira, sem levantar suspeitas.
-Eu também tenho uma idéia. –Todos olharam curiosos e um pouco surpresos para Padma Patil, que apenas os ignora e continua. –Minha irmã e eu sabemos que um sonserino do sétimo ano está interessado na Susana e outro do quinto ano na Lilá. Também há sinais de que Zabine simpatiza com Pavarti, ou seja, três de nós tem grandes chances de se infiltrar nas trincheiras inimigas e aposto que se todas nós nos esforçarmos, poderemos manter um flerte ou até sair com outros suspeitos. E ninguém suspeitaria de “garotas bobinhas que só pensam em rapazes”. –Alguns presentes parecem gostar da idéia, apesar de Susana ter feito uma careta diante da idéia de namorar um sonserino.
-A idéia pode até ser boa, mas não acha que poderia ser muito suspeito que comecemos uma “caça” aos sonserinos, por mais bonitinhos que alguns sejam? –Ana Abbott pergunta pensativa, parecendo indecisa quanto a idéia ser boa ou não.
-Nem todos os parentes de comensais estão na sonserina. –Pavarti fala como se fosse óbvio. –Inclusive tem uma garota da Lufa-Lufa que é melhor amiga de uma suspeita e é caidinha pelo Antonio, também tem um corvinal até bem gatinho que esteve muito interessado na Ana no ano passado. Também já ouvi muitos boatos sobre rapazes interessados na Gina... –Fala em calmo e preciso, como se suas fofocas fossem informações importantíssimas para frente de batalha.
-Minha irmã não vai ficar por aí saindo com filhote de comensal nenhum! Aliás, que idéia mais idiota isso de vocês ficarem se agarrando com suspeitos só pra saber uma coisa boba ou outra! –Rony protesta passando seus olhos de Gina para Luna e vice-versa.
-Eu também sou contra! –Terêncio Boot se junta ao protesto de Rony, fazendo as gêmeas Patil bufarem irritadas.
-Vocês são contra porque são uns machistas! Além disto, garotas sabem muito bem como conseguirem o que quiserem de um namorado. –Nesse momento a maioria das garotas presentes pareceram trocar olhares de concordância.
-Bom, talvez namorar seja um exagero, mas alguns flertes e um encontro, regado a uma bebida misturada com uma poção, podem dar bons frutos. –Hermione pondera fazendo Rony e ele se sobressaltarem.
-Eu não acredito que você está gostando dessa idéia! A Hermione que eu conheço jamais se exporia desta forma... isso é inadimissivel! –Protesta indignado. A idéia de Hermione beijar alguém só por um punhado de nomes lhe fazia ter ânsia de vômito, se bem que a idéia de Hermione beijar qualquer um por qualquer motivo que fosse o deixava furioso.
-Eu não disse que ia sair com alguém. Porém, se alguma das garotas for voluntária, eu posso fazer uma poção para “estimulá-los a falar”. –Hermione parecia surpresa com sua reação, mas responde de modo calmo e impessoal.
-E como seria essa poção? –Lilá pergunta e as garotas parecem interessadas em pelo menos ouvir o plano.
N/A: Bom, depois de uma longa ausência, cá estou eu e, antes que alguém reclame, lembrem-se que há um sistema de postagem onde as fics com mais comentários são atualizadas primeiro.
N/A²: Os planos de Voldemort começam a se revelar, assim como o poder de Gram, que apesar de poderosa parece incontrolável. Tivemos também o retorno da AD com planos bem ousados. Acham que os planos vão dar certo?
Rodrigo Correa Viera Brunismann: Harry meio sombrio é de certa forma uma especialidade, já o fiz assim em algumas fics minhas. Quanto aos poderes, tem os da espada, mas a maldição em si não traz nenhum poder de brinde não.
Mizita: Minha prima realmente anda caprichando nas capas que faz pra mim. Quanto ao Harry fortinho, acho que já deu para perceber que Voldemort vai ter trabalho com ele não é?^^ A parte HH da fic realmente vai ser muito delicada afinal, isso de gostar, mas não poder tocar é problemático.
Karina Potter: Você é a primeira a comparar Lilith com a Alice, mas já percebeu as primeiras diferenças e ainda há mais, principalmente quanto às ambições.
Biank Potter: Bom, qualquer um tem o direito de manifestar sobre suas preferências quanto a shipper e não vou apagar seu comentário se você disser que é R/Hr ou qualquer outra coisa, só peço que não ofenda a Hermione porque esta fic é H/H e os leitores dela, em sua maioria, também são e gostam muito da personagem, assim como eu que a tenho como minha personagem favorita da série.
Nick Granger Potter: O humor do Harry nessa fic será algo complicado, em um momento pode estar todo animado e em outro virar uma versão do Snape (como o Rony mesmo diz), vai ser difícil mantê-lo assim, mas acho que pode gerar até situações engraçadas, além de revelar um pouco do conflito interno que o aflinge.
Pontos das fics:
Alvorecer.............................1,8
Eximere Tempus..................3,2
Herdeiros das Trevas...........2
Príncipes do Apocalipse...... 3,4
Reescrevendo a História......2,6
Sitra Achra...........................2,8
Próximas Atualizações: Príncipe Istari e Príncipes do Apocalipse
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