Cat fora buscar Hermione em Hogwarts e a levara a casa de Gabriel com uma magia que parecia uma “aparatação” suave e silenciosa. A garota estava nervosa, não sabia o que esperar do lugar ou mesmo dos vampiros com quem conviveria, apesar de ter consciência de que aquele seria o único jeito de conseguir aprender a se controlar e utilizar de forma devida seus poderes. Havia tomado esta decisão e arcaria com todas as conseqüências que seu ato traria. Pensar nisso a fez lembrar-se de Harry se virando e indo embora depois de dizer que estaria tudo terminado; isso seria algo com que teria que lidar quando voltasse e estaria pronta quando chegasse o momento.
Sem prestar muita atenção para onde Cat a guiava, Hermione se viu em frente a uma grande porta dupla de madeira, que devia ter altura para deixar passar um gigante e cujos detalhes esculpidos na madeira deviam ter demorados anos para ficarem prontos.
-Olha quem eu trouxe para te visitar! –Cat anuncia assim que entra, fazendo Gabriel imediatamente desviar os olhos de um livro para Hermione. Ela sorriu timidamente, embaraçada com o sorriso franco e caloroso que Gabriel lhe dispensava enquanto caminha em sua direção.
-Seja bem-vinda a meu lar. –Gabriel a cumprimenta fazendo uma reverência charmosa e beijando-lhe a mão delicadamente. Contudo, o que a deixou ainda mais sem jeito, foi o modo frio e indiferente com que cumprimentou Cat, a qual pareceu não se importar. –Farei de tudo para que sua estadia seja confortável e prazerosa.
-Obrigada. Tenho certeza que será bem proveitosa, pelo menos eu estou disposta a aprender tudo o que puder. –Hermione fala tentando parecer segura, além de agradecida.
-Pois terei imenso prazer em ser seu mentor e lhe ensinar tudo o que puder. –Cat sorriu diante da malícia discreta com que Gabriel disse aquela frase.
-Creio que devamos começar apresentando-a ao lugar e a seus servos. –Cat sugere e Gabriel sorri grato.
-Tem toda razão, perdoe-me a falta, mas não estou acostumado a receber hóspedes. –se desculpa de um modo formal, que a Hermione pareceu exagerado, mas que talvez fosse normal para vampiros.
-Não tem pelo que se desculpar, está tudo bem. –ela fala com um sorriso doce que tira as palavras de Gabriel, que se limita a gentilmente abrir caminho para que elas saíssem.
Hermione os seguiu por diversos corredores cujas paredes eram de pedra e o chão de madeira nobre, os cômodos eram totalmente privados, alguns grandes e próprios para se receber visitas, outros menores e aptos para estudo e conversas íntimas. Havia obras sacras e quadros que mostravam guerras santas ornando os corredores e algumas salas, no entanto algumas voltadas claramente para o estudo seja teórico, alquímico, bruxo ou laboratorial, possuíam obras renascentistas e da antiguidade clássica.
Vários criados, todos vampiros, foram apresentados a ela e eram “filhos” de Gabriel, todos estudiosos das mais diferentes áreas, da arte à física, inclusive havia um observatório com instrumentos que eram réplicas ou originais pertencentes aos primeiros povos até os potentes telescópios de hoje em dia.
Ao chegarem à sala de jantar, conheceu Rose, a secretária de Gabriel e responsável pelo bom funcionamento de tudo no castelo. Seria ela a responsável por comprar comida humana e coordenar o trabalho dos criados que a preparariam. Então, após um rápido questionário sobre seus hábitos alimentares e horários, Hermione combinou com Cat e Gabriel um horário que seguiriam durante a estada dela no local.
No momento Hermione se encontrava na suíte preparada para si. A mobília era em madeira de lei muito bem trabalhada, a cama de dosséis era enorme e confortável, as cortinas eram azuis celeste, assim como a roupa de cama, não havia um luxo ostensivo assim como em todo castelo, mas era tudo muito confortável e prático.
Sua primeira impressão de Gabriel não foi muito diferente do que imaginara antes, ele era inteligente, sem ser arrogante, extremamente formal e muito educado, além de muito charmoso, apesar de só o parecer com ela. Esse pensamento a levou até Harry, que lhe avisara sobre as segundas intenções do vampiro e que provavelmente ficaria furioso se soubesse disso, apesar de não ter motivos, já que ela jamais pensaria em traí-lo.
-Pensando no seu belo moreno? –Cat pergunta ao entrar. Hermione teria que se acostumar com o jeito silencioso dos vampiros, que não faziam barulho nem quando abriam a porta.
-Estou com saudades. –simplificou Hermione, que não pretendia revelar que brigara com Harry.
-Hum... Então finalmente está começando a aproveitar o que tem. –Cat fala em tom malicioso, fazendo Hermione rir.
-Foi para saber disso que veio aqui? –pergunta tentando mudar os rumos da conversa.
-Não, mas nada nos impede de falar sobre as duas coisas. No entanto meu assunto principal é sobre sua preparação para os treinos, motivo pelo qual eles só começarão amanhã.
-E que preparação seria esta? –Hermione pergunta desconfiada.
-Compras! –Fala com um sorriso animado. -Precisamos sair e fazer compras, afinal você precisa estar vestida adequadamente para freqüentar nossos círculos, o que, sem dúvida, você terá que fazer se quiser aprender sobre nós.
-Sim, entendo que a observação é uma etapa muito importante. –Hermione fala seriamente, usando o mesmo tom e postura que nas aulas.
-Não pegue os maus hábitos de Gabriel. Vampiros são formais, mas não tanto, pelo menos hoje em dia. –Cat fala em tom descontraído, mas a expressão de Hermione era um tanto confusa. –Pelo visto você está agindo naturalmente, não é? –Hermione apenas acena que sim e Cat deixa escapar um suspiro. –Tudo bem, vou tentar não te deixar ficar como o padre.
-Onde vamos fazer compras? –Hermione pergunta curiosa e se dando conta de que não sabia onde estava, mas sair para fazer compras seria um ótimo momento para descobrir.
-Pensei nos lugares da moda de hoje em dia: Paris, Milão, Nova York. –Cat fala de modo simples, o que ao mesmo tempo deixou Hermione frustrada e surpresa.
-Mas como pretende ir a esses lugares? –pergunta apesar de saber o quanto isso soou bobo.
-Do mesmo jeito que viemos para cá, querida. Agora se levante para se trocar, aliás, deixe-me ver o que trouxe em sua bagagem, precisamos de algo apropriado. –fala se levantando e a apressando. Hermione obedeceu hesitante.
-Cat, se nós vamos a esses lugares tão famosos, devo supor que as roupas serão bem caras e... –antes que Hermione continuasse, Cat a interrompe com um gesto.
-Não se preocupe irmãzinha, dinheiro é o que não falta à família. E enquanto estiver aqui, eu serei a responsável por seus gastos. –Cat fala com um sorriso empolgado, que mostrava a Hermione que não teria como se negar a fazer nada que a irmã quisesse.
Cerca de meia hora depois, a vampira considerou que Hermione estava apresentável o suficiente e a transportou para Milão, onde pretendia começar as compras. A morena ficou impressionada ao se ver na Piazza Duomo. Nunca havia estado na Itália antes, mas era um país que sempre quisera conhecer pela sua história e arte.
-Cat, você fala italiano? –Hermione pergunta se dando conta do pequeno inconveniente. –Porque além do inglês eu só falo francês.
-Não seja tola, querida, nós estamos acima desses pequenos detalhes. Se quiser saber como se comunicar com alguém que não fala sua língua, basta entrar na mente da outra pessoa e obter o conhecimento necessário. –fala se encaminhando com Hermione para um lugar movimentado.
-Mas como se faz isso? Eu acho que não posso entrar na mente das pessoas, você sabe que eu não tenho todos os poderes de uma vampira completa. –Hermione sussurra para que ninguém mais ouça.
-Isso é uma grande tolice, conseguirá usar todos os poderes que quiser, basta dar tempo ao tempo. Mas levando isso em consideração, hoje serei sua intérprete. –Cat fala de modo simpático, mas não deixando de mostrar um pouco de arrogância diante da idéia de que um vampiro não pudesse fazer algo fosse ele completo ou não.
Nas horas seguintes Cat a levou aos melhores e mais famosos estabelecimentos de moda trouxa e bruxo das três cidades, começando por Milão e terminando em Nova York. Observou que a irmã parecia seduzir a todos esbanjando charme e elegância, misturando uma “aura” sexy a uma de perigo e mistério, que parecia fascinar todos os homens e algumas mulheres. Porém ela tinha mais que sensualidade, também era inteligente, astuta e observadora, não deixava que nada que acontecesse a seu redor passasse despercebido. Eram essas últimas características que diziam a Hermione para tomar cuidado, até porque podia sentir que Cat a deixava ver apenas o que queria que fosse visto.
Logo que chegaram à casa de Gabriel, Hermione foi informada de que o jantar seria servido, então deixou as compras no quarto para arrumar depois e seguiu a criada até a sala de jantar, onde encontrou Cat e Gabriel conversando baixo, mas interrompendo a conversa assim que ela chegou.
-Oi, o que achou das compras? –Gabriel a cumprimenta de modo gentil, enquanto se levantava e puxava a cadeira para ela sentar.
-Divertidas! Cat tem um ótimo senso de humor, me levou a lugares lindos e me ensinou um pouco sobre moda, apesar de eu ainda não me sentir muito à-vontade sobre isso. –Hermione fala empolgada, fazendo uma pequena confissão ao final.
-Livros fazem muito mais sentido que roupas, certo? –Gabriel comenta com um discreto sorriso e Hermione concorda.
-Isso depende do momento. Aliás, eu prefiro aqueles em que nem livros e muito menos roupas são necessários. –Cat comenta e deixa os dois levemente corados. –Falando nisso, como vai seu amigo, Rony? –Hermione a olha assustada ao ouvir a pergunta.
-Só falta você me dizer que se interessou por ele. –Hermione fala com ar reprovador.
-Eu confesso que gosto de conduzir rapazes inocentes. –Cat responde lançando um discreto olhar a Gabriel, que imediatamente tenta mudar o assunto.
-Espero que aprecie o jantar, porque se não tiver de seu agrado, mando providenciarem outro. –Gabriel fala aproveitando que um criado acabara de servir Hermione.
-Não se preocupe, o aroma, pelo menos, está ótimo. –fala sorrindo e experimentando um pouco da comida. –Não só o aroma, o sabor também está excelente.
Durante o jantar e um pouco além, os três conversaram sobre o que Hermione aprendera em Hogwarts e os assuntos de seu interesse em magia. Dedicaram boa parte ao como Hermione treinou nas férias e que tipo de poderes dominava, chegando a conclusão de que seria bom fazerem um teste de avaliação no dia seguinte, para determinarem o nível dela e qual seria o melhor programa de treinamento.
Após acordar, Hermione tomou um belo e caprichado café da manhã que, para sua frustração, possuía frutas e comidas típicas de vários países, o que novamente não deixava que ela obtivesse qualquer pista sobre o local em que estavam. O treino de avaliação consistiu em várias pequenas tarefas que eles pediram para ela executar e, conforme seu êxito, ganhavam mais dificuldade. Terminaram já perto da hora do almoço e, após a refeição, Hermione seguiu com eles a biblioteca onde encontrara Gabriel no dia anterior, iniciando uma aula teórica de duas horas, em seguida passaram as práticas, em outro salão.
Na aula prática, Hermione se dedicou a melhorar as habilidades que já tinha, começando pelo domínio do fogo. Esta era uma das especialidades de Cat, que fez uma demonstração que deixou Hermione boquiaberta, ela jamais havia imaginado que poderia fazer tanta coisa com o domínio do fogo. Os treinos da tarde foram intensivos e exaustivos, mas ao final ela recebeu elogios. Por ser bruxa havia tido grande facilidade na aprendizagem.
O jantar foi servido mais cedo para que Hermione pudesse descansar antes de saírem, pois aquela noite conheceria um pouco da vida vampírica. Lugares que vampiros freqüentavam em Londres e vampiros com quem poderia fazer contato caso precisasse, além de testemunhar alguns rituais. Quando acordou, Hermione encontrou uma muda de roupa e acessórios arrumados cuidadosamente, perto de sua cama, pelo visto Cat pretendia que ela estivesse perfeita.
Após meia hora de atraso, gastos para tentar se arrumar como Cat pedira, Hermione chegou à sala onde estavam Cat, Gabriel e Marcus. Estes a observaram atentamente, vendo-a trajar um Tailler preto com detalhes em cetim, estando o blaiser com apenas dois botões fechados, mostrando assim um pouco dos seios e da barriga plana, a maquiagem era suave e em seus pés haviam escarpins de salto agulha; estava chique e sexy.
-Uau! Está uma delícia maninha! –Marcus fala sem esconder a malícia na voz, o que a deixou corada.
-Desculpe nosso irmão, ele não tem idéia do que seja cavalheirismo, não passa de um bárbaro. –Gabriel fala sem alterar a voz, mas deixando clara a reprovação a atitude de Marcus.
-Um bárbaro muito quente, o que me torna uma companhia muito mais agradável que meu chato irmãozinho padre. –Marcus devolve sem perder o sorriso.
-Meninos, não vamos assustar Hermione com essas briguinhas de família, lembrem-se que ela era filha única. –Cat fala conciliadora e buscando Hermione, guiando-a pelo ombro para perto de Marcus.
-Está tudo bem, eu estou acostumada com os Weasley, Rony e Gina sempre brigam muito. –Hermione fala com um sorriso compreensivo.
-Se Marcus a incomodar, não hesite em bater nele, a violência é a única língua que ele entende. –Gabriel fala com um discreto sorriso para o irmão. –Divirtam-se, mas não muito, lembre-se que Hermione tem treino amanhã bem cedo.
-Ela não me deixará esquecer, não se preocupe. –Cat fala e dá um tchauzinho antes de desaparecer com Hermione, Marcus as seguiu.
Os três apareceram em uma parte sombria de um porto em Londres, atrás deles havia vários navios que pareciam desertos. A frente deles um hangar que parecia abandonado, na porta de ferro havia um símbolo que Hermione lembrava ter visto em um livro, era um símbolo que amaldiçoados usavam. Havia ainda um homem parado a porta, que parecia uma espécie de segurança.
-Não se assuste muito, o Worm’s Burrow é um buraco nojento, mas precisávamos te mostrar, pois aqui se encontram alguns lixos que podem ser úteis, especialmente dois, que poderão te ajudar muito na guerra. –Cat fala deixando evidente na voz a repugnância pelo lugar.
-Mas assim que os apresentarmos, vamos te levar ao lugar mais quente da cidade, você não vai querer sair de lá! –Marcus fala com um sorriso animado, que Hermione corresponde, apesar de não estar muito segura sobre o que seria esta diversão.
-A propósito, controle suas emoções. Há vários tipos de amaldiçoados lá dentro e você verá cenas que não gostará, como alimentação. –Cat a avisa seriamente. –Posso te dar suporte mental se a besta tentar te dominar, mas quanto mais emoções estiver sentindo, mais difícil será para mim, entende?
-Sim, não se preocupe, vou tentar me controlar o melhor possível. –Hermione garante determinada.
-Ok, a propósito, cuidado onde pisa, não vai querer estragar seu lindo e caro sapato na sujeira desses vermes. –Cat fala começando a andar na direção do segurança. Marcus apenas ria da atitude da irmã.
-Nome, por favor. –o segurança pede de modo educado e observando os três de modo firme e sem emoção.
Marcus apenas emitiu um barulho como um rosnado, quase inaudível, enquanto seus olhos mudavam para a forma vampírica. Hermione pôde sentir uma energia opressora e se perguntou se isso era simples hostilidade ou algum tipo de senha, pois o segurança imediatamente abriu a porta, que não possuía fechadura ou maçaneta, para que entrassem.
-Isso foi pura diversão ou era alguma senha? –Hermione pergunta a Marcus assim que começam a atravessar um pequeno corredor muito escuro, mas no qual enxergavam perfeitamente.
-Hermione, já viu algum rei chegar a algum lugar e dizer seu nome? Imagina o Príncipe Charles chegando a um local e se anunciando? –o tom de Marcus era sério e até severo. –Se algum verme se mostrar ignorante o suficiente para não se ajoelhar perante nós, mostre a ele um pouco de seu poder, se mesmo assim ele insistir para que se identifique, mate-o por insolência. Tenho certeza de que no inferno muitos terão o prazer de lhe explicar quem somos. –Após a breve explicação, os três voltaram a caminhar e Hermione teve a certeza de que a hierarquia entre os vampiros era muito mais rígida do que dentro das forças militares. Os vampiros eram aristocratas a moda antiga e ela deveria aprender a se portar como tal.
Os pensamentos de Hermione foram interrompidos pelo cheiro pútrido, carregado de enxofre, do local. Ela então observou bem o local e viu que a luz era fraca, havia uma densa camada de fumaça provocada por charutos, cigarros e afins. Uma música quase imperceptível tocava ao fundo e sons de várias conversas tomavam o ambiente.
-Esse buraco foi inaugurado no início do século e nunca mais foi alterado ou mesmo limpo. –Cat comenta com cara de nojo enquanto se dirigia para o fundo e a direita, logo atrás de Marcus.
Hermione reparara que muitos ali não pareciam humanos ou tinham alguma deformidade, as vestes eram de segunda mão e havia manchas de sangue por todo canto. Por pouco evitou estragar os sapatos em um pedaço de intestino que estava no chão, onde havia todo tipo de restos de pessoas e animais, partes pútridas e outras ainda frescas. Sem muita surpresa, notou que as pessoas se jogavam para sair da frente de seus irmãos, que caminhavam como reis entre vassalos.
-Lá está nosso amigo . –Cat diz para ela em pensamento, provavelmente não queria dar aquela gente o prazer de ouvirem sua voz. Hermione olhou para mesa para onde Marcus se dirigia e viu um homem que pareci ter escamas verde musgo por todo corpo, seus globo oculares eram negros e possuíam uma fenda amarela no centro.
-Viror! –Marcus fala com um discreto sorriso de canto. Os outros homens que estavam na mesa saem correndo como se não quisessem ser notados. –Como está indo com a encomenda que pedi? –a pergunta soa desinteressada, mas o olhar de Marcus dizia que queria urgência na entrega.
-Estará em suas mãos antes do próximo pôr-do-sol. –o homem lagarto fala e sua voz soa sibilante, ele possuía uma língua fina e longa, bipartida na ponta.
-Ótimo. Está é minha irmã mais nova, creio já ouviu falar dela. –Marcus apresenta Hermione, que se limita a lançar um olhar superior e analítico ao lagarto, que imediatamente se levanta e faz uma reverência pomposa.
-É uma honra conhecê-la, Princesa Hermione. –Hermione segurou a surpresa diante do título e do fato do lagarto saber seu nome.
-Soube que poderia providenciar artigos raros e de difícil acesso. –Hermione fala em tom neutro e observa que o lagarto continuava ajoelhado perante os três.
-O que e quando quiser, alteza. –o lagarto olhava em sua direção, mas não para sua face.
-Onde está Castus? –Cat pergunta de forma direta, estava claro que ela queria sair dali.
-No Bloody Hell. –a resposta é breve e direta.
-Ótimo. Esteja em Londres nos próximos meses, talvez minha irmã precise de seus serviços. –Marcus não pede, ordena, antes de se virar e sair.
Quando já estavam do lado de fora do Worm’s Burrow, Hermione respira fundo, os pulmões agradecendo pelo ar puro e fresco, antes de perguntar sobre as dúvidas que tivera.
-Por que ele me tratou como uma princesa e como sabia meu nome? –Hermione pergunta ficando de frente para os irmãos. Marcus olhou para Cat, claramente jogando para ela a responsabilidade de responder.
-Se ele não soubesse seu nome, não seria tão útil quanto dissemos. Quanto ao tratamento real, se acostume com ele, ninguém estará acima de você além de papai e não há ninguém além de nós, seus irmãos, na mesma altura que você. Sei que ainda tem perguntas a fazer, mas Gabriel as responderá para você depois.
Hermione assentiu e depois Cat a transportou para outro lugar que a princípio não soube identificar, mas parecia ficar no centro de Londres. Os três caminharam para um beco escuro e Marcus parou a frente de uma porta de prata, ao lado dela havia uma pequena tela, na qual o vampiro pôs a mão. Imediatamente uma luz arroxeada apareceu onde havia contato e logo depois a porta se abriu automaticamente.
-Alta tecnologia. –Cat comenta olhando para Hermione. –Eles analisam a pele, o sangue e um rastro enérgico para determinar se você é um amaldiçoado ou não, assim ninguém pode tentar se infiltrar aqui. –ela completa entrando logo atrás do irmão.
Ao atravessarem o pequeno corredor, Hermione viu que a mesma luz incidia sobre eles e entendeu que realmente ninguém poderia entrar sem ser analisado. Era uma proteção bastante inteligente e segura. Ao passarem pela outra porta de prata que ao abrir automaticamente revelou-se ser não só sólida como também muito espessa, Hermione se deparou com um lugar totalmente diferente do anterior.
Da entrada se via um longo bar a esquerda, onde drinques coloridos e provavelmente feitos de todo tipo de líquidos e bebidas, eram servidos. A direita ficava um balcão com armários discretos para os clientes guardarem seus pertences. A frente havia uma enorme e agitada pista de dança, ao fundo desta vários telões mostravam cenas de filmes de terror bem feitos, onde vários tipos de amaldiçoados apareciam, principalmente vampiros e lobisomens. O ambiente era decorado em preto e prata, apesar do metal não ser usado em nenhum local além das portas de segurança. Uma mistura perfeita de luxo, sofisticação e tecnologia.
-Eu vou procurar nos salões de jogos, vocês podem ir para cima. –Marcus fala e Cat assente.
-As mesas ficam no segundo andar. –Cat diz a Hermione via pensamento, afinal não iria ficar gritando para se sobrepor a música. –Como pode observar, o nível aqui é completamente diferente. –Hermione não precisaria ser muito observadora para perceber que ali só havia pessoas vestidas com roupas de grife, as jóias deviam valer fortunas e provavelmente tinham alguns séculos de existência.
As duas seguiram por um caminho luminoso e de luz azulada, o caminho oposto, que Marcus tomara, emitia luzes avermelhadas. As escadas para o segundo andar eram de mármore negro e o corrimão era prateado, mas não era de prata, pelo menos foi a conclusão a que chegou ao ver Cat por a mão nele ao subir as escadas.
A quando pisou no último de grau, percebeu que o som do andar de baixo desaparecera e dera lugar a uma música mais tranqüila e que permitia conversas agradáveis. A decoração ainda seguia as linhas modernas do andar inferior e muitas pessoas de boa aparência e “jovens” preenchiam o local, mas Cat não se demorou nele. A vampira foi até uma parede à direita e passou um espelho como se diante dela não houvesse nada, lembrando-se da barreira na estação de King’s Cross, Hermione a seguiu e tomou um susto.
De um ambiente High-tech onde o bar possuía computadores com telas de cristal para a seleção de drinques e as mesas eram no estilo Microsoft Surface, Hermione passou a um ambiente que lhe lembrava um salão real do século XVIII. O choque fora tão grande que sua expressão provocou uma risada em Cat.
-Para uma bruxa, você se surpreende fácil. –o comentário fez Hermione recobrar sua postura.
-É que eu não esperava uma mudança tão brusca na decoração. Não só os móveis e as obras de artes são de estilos completamente diferentes, como a própria música é capaz de confundir os sentidos. –Hermione se justifica observando o lugar e a orquestra que tocava ao fundo, o que produzia uma sonoridade bem diferente que a música reproduzida por um aparelho de som, por mais que o ritmo fosse parecido.
-Este é o salão vip, onde somente os mais antigos e poderosos tem permissão para entrar. Foi o seu sangue real que lhe permitiu passar pelo espelho sem que eu tivesse que abri-lo para você. –Cat explica, enquanto a conduzia para uma mesa ao fundo. –Os imortais mais antigos, por mais que aceitem bem as novidades e inovações tecnológicas, ainda preferem o velho estilo quando querem relaxar.
Hermione ouviu tudo atentamente e fez algumas anotações mentais, até que pararam diante de uma mesa com seis pessoas. Um homem estava de pé, possuía a pele pálida, o cabelo oleoso e comprido sem corte definido, ainda vestia roupas de segunda mão e tinha a barba por fazer, o que contrastava totalmente do ambiente e das outras pessoas que vira ali. As três mulheres estavam vestidas de uma forma muito sexy e pelos modos eram amantes dos dois homens, que vestiam ternos italianos feitos sob medida.
-É um grande prazer vos receber, altezas. –um dos homens se levanta e faz uma mesura respeitosa, ato imitado pelo segundo.
-Hoje eu vim apresentar nosso pequeno éden a Hermione, mas a apresentação formal dela se dará em um baile oferecido por meu pai, creio que já devam ter recebido os convites. –Cat fala de modo educado. Hermione disfarça a surpresa ao saber do baile e se dedica a observar os vampiros a sua frente.
-Não só recebemos, como ficamos muito honrados. E ainda ficaríamos mais honrados se aceitassem se sentar conosco. –o outro vampiro lança um olhar às vampiras que ali estavam e estas saem rapidamente de perto. Assim podendo oferecer o sofá confortável a Cat e Hermione.
-Talvez mais tarde, eu gostei bastante da pista de dança hoje e pretendo ir até lá. Só vim para cá porque me informaram que Castus estava por aqui. –Cat recusa gentilmente o convite e os vampiros não mostram expressão que delatasse se haviam gostado ou não da recusa.
-Em que posso servi-la, alteza? –o homem mal vestido faz uma reverência ao se dirigir a Cat, desviando pela primeira vez seu olhar de Hermione.
-Nada, por enquanto, mas talvez minha querida irmã precise de seus serviços em breve, portanto permaneça por perto. –Cat o instrui em tom imperativo e mais frio, do que o que dirigia aos outros dois vampiros.
-Claro, será um prazer prestar meus humildes préstimos. –havia um tom levemente malicioso naquela frase, do qual Hermione não gostou nem um pouco.
-Nesse caso permaneça perto dos Comensais da Morte e de Voldemort. –Hermione fala com o tom mais frio que conseguia usar, olhando o homem de cima para baixo. Cat sorriu ao ver a postura dela.
-Entendido, alteza. Se acontecer algo de interessante, será a primeira a saber. –o homem fala de modo servil, mas havia um brilho diferente em seu olhar.
-Nós vamos dançar um pouco, mais tarde volto para tratarmos de negócios. –Cat informa aos dois que assentem sem fazer qualquer comentário. Hermione apenas segue a irmã, que já se dirigia para o mesmo espelho por onde entraram.
-Não gostei do jeito como o tal Castus me olhou. –Hermione comenta com Cat, que ri levemente.
-Ele pode sentir seu cheiro de virgem de longe, querida. –Cat fala ainda rindo, enquanto se dirigia para o andar de baixo.
-Como assim? –Hermione pergunta visivelmente sem jeito.
-Ele tem o nome de Castus, que em latim significa puro ou casto, porque se alimenta da alma de inocentes, crianças e virgens. É parte da maldição que ele recebeu após ter e matar cem filhos.
-O quê? Ele teve cem filhos e os matou? –Hermione olhou boquiaberta para Cat, que sorriu da inocência da menina.
-Ele um dia foi um príncipe, que ao ser coroado rei, ouviu do oráculo que ele conquistaria muitas terras, mas um dia um filho seu iria se voltar contra ele e o mataria. Então ele, que possuía diversas concubinas, matava os filhos delas assim que nasciam. Um dia ele invadiu um reino onde hoje é o oriente médio e se apaixonou por uma mulher, que era a feiticeira do rei local, ela não sentia o mesmo e então ele a violentou e depois mandou prendê-la em um salão luxuoso. Meses depois a mulher deu a luz a uma menina e ele fez o que fazia a todos os seus filhos, matou o bebê por asfixia. A fúria da feiticeira fez com que ela oferecesse sua vida para amaldiçoá-lo, de forma que ele viveria como o ser maligno que era, habitando as sombras e alimentando-se das almas inocentes até que a profecia se cumprisse.
-É uma história nojenta, mas não entendo como ele pode ter virado aquele mendigo que aparenta ser. –Hermione pergunta pensativa e Cat se volta para ela, olhando de forma séria.
-As maldições sempre provocam efeitos colaterais, Hermione. Castus não pode andar sob a luz do dia como vários vampiros inferiores, sempre que se alimenta da alma de um inocente, esta alma o atormenta todos os dias para o resto de sua vida e o medo da morte o faz se manter a distância das mulheres. Como não pode ter o calor de uma mulher ele se entregou a outros vícios que arruinaram seu reino e sua fortuna e por ser um fraco, ele foi subjugado por outros amaldiçoados como nós vampiros.
-Entendi. Castus, assim como Viror, servem aos vampiros e outros amaldiçoados fortes, em troca de proteção, não é? –Hermione pergunta e Cat sorri por ver em como ela aprendia rápido e entendia as regras escritas nas entrelinhas.
-Exatamente. Castus não é bruxo e não tem nenhum poder excepcional, então para continuar vivendo a salvo dos seres das trevas e até mesmo dos humanos, ele nos serve. Mas agora vamos nos dedicar a assuntos mais interessantes. –Cat fala parando no bar, no primeiro andar da boate.
-Não vai procurar Marcus? –Hermione pergunta a observando.
-Não, ele sabe se cuidar. Deve estar se divertindo naquelas máquinas trouxas de jogos ou nos jogos de adultos, aliás, não aconselho a uma garotinha inocente como você seguir a calçada vermelha. –Cat comenta sem conseguir evitar provocar, Hermione que acaba corando.
-Então, você vai me levar para casa e voltar para se divertir? –Hermione arrisca, enquanto Cat pedia uma taça de um bom vinho.
-E por que eu negaria um pouco de diversão a você? –Cat fala pegando a taça de vinho e passando a Hermione. –Eu não bebo querida. –ela explica ao ver a expressão de interrogação no rosto da garota.
-Eu também não. –Hermione responde e põe a taça sobre o balcão do bar.
-Mas deve se quer realmente se divertir. –Cat fala para ela, mas dirigindo seu olhar para o outro lado do bar, onde Hermione pôde ver pelo reflexo da taça, dois rapazes vindo até elas.
N/A: Esse cap foi para mostrar mais ou menos como será a vida de Hermione entre os vampiros e toda a utilidade que isso terá para a guerra, ou seja, Castus e Viror aparecerão outras vezes.
N/A²: O que acharam de Castus e de Viror? O que acharam da relação da Hermione com os irmãos? Esse é só um gostinho da vida entre os vampiros, ainda mostrei vários outros aspectos.
N/A³: Para quem acha que HArry é fraco eu sugiro que aguarde o próximo cap, que se dedicará a ele. Mas já digo que não devem jugá-lo pelo desempenho dele contra Mikhael, lembrem-se de que ele é um vampiro de 2ª geração, ou seja, muitos poucos bruxos, nem mesmo Dumbledore, poderia ter vencido uma luta contra ele. Mas Harry ainda alcançará um nível em que vai poder lutar contra vampiros de segunda geração, apenas esperem e verão.
Próxima Atualização: O Príncipe Istari e Herdeiros das Trevas |