Era de manhã quando Hermione acordou
Era de manhã quando Hermione acordou. Dormira depois de ter chorado muito. Por que ele não a quisera no quarto dele? Por que não viera ao dela? Ela achou que depois de dispensá-la ele mudaria de idéia e apareceria por lá... Por que ele não fez isso?
Ela desceu, morta, querendo acima de tudo sair naquele dia. Precisava andar por aí, ver a cor da rua. Chegou à cozinha, onde havia aquele silêncio esquisito, mas menor que no dia em que Snape estivera presente no café da manhã pela primeira vez. Sim, ele estava lá, e lançou-lhe um olhar indiferente quando ela entrou.
Hermione suspirou e sentou-se em sua cadeira, ao lado da dele, como sempre.
- Mione, você ta bem? – arriscou Harry, olhando-a.
- Não – ela disse num sussurro. – Eu preciso sair... ou eu vou enlouquecer.
Snape fez menção de dizer qualquer coisa, mas não disse nada. E Hermione sabia que ele estava com raiva dela, mas ela não podia fazer nada por ele se ele mesmo não viesse falar com ela.
Severo Snape olhou para Dumbledore como se ordenasse uma recusa, mas o velho diretor disse:
- Acho que podemos providenciar um pequeno passeio para a srta. Granger... – ele sorriu por trás dos oclinhos meia-lua.
Ela abriu um sorriso como um que não se via havia muito tempo e levantou-se correndo.
- Eu... eu vou me trocar.
E voou para fora da cozinha.
- Mas acho que alguém terá de ir com ela... – disse o diretor.
Snape cerrou os punhos, mas sua expressão estava sobriamente neutra.
- Nós vamos! – disse Rony. – Eu, Harry e Gina! Não seria o máximo?
- O Lorde das Trevas certamente iria adorar – disse Snape entre dentes, sem fixar ninguém em especial. – O testa-rachada, a nascida trouxa preferida dele e dois Weasley.
Harry parecia alheio à discussão, e Rony estava preparado para falar palavras feias, mas Dumbledore disse antes:
- Severo está certo.
E, antes que qualquer um dos três resolvesse protestar, acrescentou:
- Deve ser alguém capaz de proteger a srta. Granger... E não alguém que ela deva proteger – ele sorriu com a última frase.
- Eu posso ir – disse Moody, com uma careta. – Eu tenho mesmo que fazer algumas coisas pelo Beco Diagonal...
- Seria apavorante passear com você, Moody – disse Lupin, com um sorriso gentil. – Eu vou. Além do mais, se o Moody for, serão duas pessoas perto para proteger... Você só não precisa ficar conosco.
Ele riu.
- Tudo bem, Lupin, você é legal – disse Gina, com um sorriso. – Nossa... a Mione vai gastar todo o dinheiro dela... Vamos arrumar mais um pouco pra ela, mãe... Fazer compras é tããão bom!
- Mas que consumista! – exclamou Fred.
- Você poderia indicar a loja de gemialidades Weasley para a Mione...
Gina fez uma careta.
- Nós não queremos a Mione em segurança?
Risos retornaram ao nível normal de conversa da mesa. Snape fez uma cara de desprezo e levantou-se da mesa bufando. Ele tinha destino certo.
Hermione saía de seu quarto quando esbarrou em alguém bem grande e vestido de negro à sua frente. Ele a empurrou para dentro e entrou e fechou a porta.
- O que você pensa que está fazendo? – ele disse, e os olhos dele faiscavam de raiva.
- Saindo – ela disse. – Com licença.
- Você não percebe, não é, menina? Não percebe o que seus atos inconseqüentes podem causar?
- Do que você está falando? – ela perguntou. – Eu não vou demorar... Eu preciso sair... Eu imploro, Professor, eu preciso...
Ele fechou ainda mais a cara ante a menção de seu título.
- Você sabe qual é a ordem do Lorde das Trevas, você sabe por que eu estou aqui sob as ordens dele... Você sabe o que eu precisarei fazer se você sair.
Ela arregalou os olhos.
- Você não faria...
- Eu faria sim, Hermione – o tom dele estava mais ameno quando ele baixou os olhos. – Eu preciso fazer. Eu preciso manter a confiança do Lorde das Trevas tanto quanto você precisa sair. Só que você faz isso por você... E eu também faço isso por você.
Hermione sentiu o coração apertar.
- Ele vai acabar saindo que você saiu... Terá sido a oportunidade perfeita para levar você. Estarei morto quando for para lá, mas não é por mim que eu temo a minha morte. Imagine quanto perderemos sem as informações que eu trago... Seu amigo testa-rachada não vai ter a menor chance se for pego de surpresa... Eu preciso me adiantar, mandar um recado para lá, e ficar bem aqui, sob a desculpa de não levantar suspeitas...
Ela olhava para ele, compreensiva, compassiva.
- Faça. Obrigada pela honestidade. Eu deixarei o Moody e o professor Lupin alertas.
Snape ergueu o olhar para ela, e novamente havia ódio ali.
- Mas você não entende, menina? Eles podem levar você! Se eu mal vou lá, como poderei proteger você... deles?
Ela sorriu com simpatia.
- Eu vou rápido e volto rápido. Prometo... Severo.
Ele ergueu o olhar para ela e com um passo estava quase colado nela. E acariciou o rosto dela.
- Eu... eu... – ele suspirou. Ela viu que ele estava desconcertado. Ele retomou um pouco a postura e desviou o olhar. – Eu não quero perder você.
E Hermione tinha lágrimas nos olhos.
- Ninguém nunca... Nunca... – ele parou de falar e olhou para ela, esperando que ela compreendesse sem ele falar.
- Eu e o Lupin vamos desaparatar lá... Vamos passar na loja de livros... na de poções... – ela corou quando deu um sorisso malicioso, ao mesmo tempo que envergonhado, e Snape achou-a adorável. – E eu estava pensando em passar na loja de calcinhas.
Snape deu um sorrisinho, mas nada safado.
- Isso não é modo de se fazer chantagem, srta. Granger.
Ela sorriu para ele.
- Eu preciso ir, Severo – sussurrou ela. – Por favor, me entenda. Eu volto rápido...
Ele baixou os olhos.
- Eu falarei com Dumbledore.
E suspirou. Ele ia para a porta, mas ela o reteve, tocando-lhe o braço. Ele olhou para ela.
- Me dá um beijo? – ela perguntou, quase incerta se podia pedir aquilo.
Snape se aproximou sem dizer nada, puxou-a para si pela cintura, e beijou-a ternamente. Mas o beijo tornou-se passional e profundo; ele a imprensou na parede e separou as pernas dela com uma das suas, e ela esfregou-se nele, gemendo baixo. Quando ele passou a beijar o pescoço dela, ela disse entre gemidos:
- Isso também não é maneira de se fazer uma chantagem, professor Snape.
Ele deu aquela risadinha de veludo deliciosa.
- Eu... eu queria não ter mandado você para o seu quarto na noite passada – ele murmurou, enquanto se ajoelhava na frente dela, abrindo-lhe a blusa e sugando-lhe os seios. Ela gemeu um pouco mais alto. – Céus, como eu estava precisando disso...
- Severo... Severo... alguém vai acabar subindo... – ela murmurou.
- Eu posso ficar invisível a qualquer momento que eu quiser... – ele disse, lambendo o mamilo direito dela e sugando-o, agora com mais força. Ela tentava controlar os gemidos a qualquer custo.
- Severo... eu estou tão molhada que vou molhar minhas roupas...
Ele se levantou e pôs a mão para dentro na calcinha dela.
- Ah... tenha piedade, menina... – ele sussurrou, acariciando-a, observando as reações dela. – Volte rápido, então, que os outros vão sair...
Ela engolia em seco várias vezes, mordendo o lábio inferior, tentando falar.
- Algum modelo ou cor de preferência para minhas calcinhas novas?
Ele sorriu um sorrisinho safado; ela o encarou, enquanto seus pensamentos ficavam difusos.
- Ai... ai... ai... Não pára – ela mordeu o lábio inferior enquanto suas pernas ficavam mais e mais fracas.
Ele sussurrou no ouvido dela com a voz deliciosamente rouca:
- Se quer me dar um presente... eu aceito uma fio dental vermelha...
Ela sorriu, quando fechou os olhos e mordeu o lábio para não gemer alto demais. Suas pernas enfraqueceram e ele sentiu que ela chegou lá para ele... por ele. Quando retirou os dedos dela, levou-os à boca. Ela arregalou os olhos.
Ele pegou a mão dela e a fez passar sobre seu membro.
- Olha só que você faz comigo, menina – ele sussurrou. E abafou um gemido quando ela começou a acariciá-lo. – Parece que vou ter que resolver isso sozinho...
Ele se afastou um pouco, mas ela o segurou e o virou e o encostou na parede em que ela estivera escorada antes. Abriu as calças dele e libertou-o.
- Ai... você é enorme – ela disse.
Ele olhou para ela.
- Você não reclamou muito disso antes... – ele disse, e gemeu quando ela moveu a mão para cima e para baixo.
- Não, não reclamei. Mas eu me pergunto se ele vai caber inteiro na minha boca...
Ele arregalou os olhos ao ouvir a frase, a tempo de observá-la se ajoelhar.
- Eu não sou de ferro, Hermione...
Ele gemeu quando sentiu a língua dela passando pela extremidade e então pelo comprimento de seu membro pulsante. E ele olhou para baixo com prazer quando ela o pôs inteiro na boca. Ela olhou para ele e o chupou com força. Ele gemeu de fundo de sua garganta.
- Ai... põe tudo... – ele pediu, rouco, em meio a uma respiração totalmente descompassada.
Ela fez o que pôde; era difícil. Ele pôs a mão entre os cabelos dela, mas não a guiou.
- Ah... gostosa... eu vou gozar... – ele gemeu. – Pára que assim eu vou gozar...
Ela não parou e ele o fez. Ela não conseguiu engolir tudo e cuspiu o resto. E olhou para ele, que a encarava.
- Sinto... Não consigo engolir tudo... – ela murmurou, envergonhada.
- Você já fez bem mais do que eu pedi... – ele fechou as calças e estendeu a mão para ajudá-la a se levantar. E puxou-a para um beijo.
- Como você é gostosa – ele sussurrou, dando um beijo na testa dela. – Acho bom a senhorita estar de volta logo.
Ela sorriu. E puxou a varinha para limpar o chão do quarto.
- Eu vou sair daqui... posso atrasar um pouco o recado depois que você sair, sob a desculpa de ter ficado preso ouvindo Dumbledore dizer qualquer coisa. Mas vá logo.
Ele pôs a mão na maçaneta.
- Fio dental vermelha, é? – ela perguntou.
- É – ele disse, sem se virar, a voz mais sóbria e controlada. Ele abriu a porta e deu de cara com Harry e Rony. – Mas tem de ser da qualidade tropical, que a mediterrânea não serve para nada, srta. Granger.
- Sim, senhor – ela disse, esforçando-se para fazer uma cara de desgosto.
Ele se foi andando calmamente; os dois entraram no quarto.
- Que foi, Mione? – Rony perguntou. – O que o morcegão queria com você?
- É que estamos precisando de um ingrediente específico, então ele disse que se eu fosse passar na loja de poções eu deveria trazer um pouco desse, entende? Ele até que foi educado...
- O Lupin está te esperando – murmurou Harry, e deu um abraço nela. – Cuidado, ta?
- Calma, Harry, vai ser rápido – ela disse, pensando que, se ele soubesse que realmente algo grave poderia acontecer, ele nunca a deixaria sair, nem se fosse acompanhada por Dumbledore.
Os três desceram juntos. Dumbledore e Snape conversavam a um canto na sala e ela viu o diretor chamar Moody discretamente, e então o olho mágico de Moody cravar em Snape com uma expressão de desgosto.
- Vamos, Mione? – perguntou Lupin com um sorriso simpático.
- Sim – ela sorriu para ele e evitou a todo custo olhar para Snape.
Os dois aparataram ao mesmo tempo, e desaparataram no Beco Diagonal.
- Não podemos demorar – disse Lupin.
- Eu sei – ela disse. Andou rápido, olhando para os lados. Viu Moody logo perto, encarando-a. – Eu queria passar na Floreios e Borrões, na Loja de Poções e depois... na loja de lingerie.
Lupin corou até a alma.
- Nessa eu não gostaria de entrar.
Ela riu.
- Mas você tem de me proteger, Remo.
Andaram primeiro até a loja cor de rosa, que era a primeira do caminho. Se tinha uma coisa que ela gostava era de comprar calcinhas. Era uma pena que não podia demorar.
Claro, saiu de lá com uma sacola cor de rosa enorme, mas tratou de encolhê-la e colocá-la nos bolsos. Se alguma coisa acontecesse e ela tivesse que fugir, não abandonaria suas maravilhosas comprinhas.
Quando saiu da loja, encarou Lupin com um sorriso e gesticulou para a livraria, logo ao lado. Entraram juntos; Lupin lançou um olhar por sobre os ombros e viu Moody. Assentiu para ele.
Hermione olhou alguns livros de poções e de feitiços. E parou em frente à prateleira de artes das trevas. Lupin olhou para ela de modo estranho.
- Você, interessada nisso?
- Não. Eu estava pensando se tem algum livro aqui que o Professor Snape já não tenha – disse ela.
- Snape? – perguntou Lupin, com um sorrisinho.
- É – ela disse. – Se agora ele vai ter que ficar trancado durante a maior parte do tempo, seria bom que ele tivesse algo para fazer, né? Quero dizer, se não, ele vai querer tirar o laboratório de poções de mim, e aí eu vou ficar sem ter o que fazer.
Lupin riu.
- É, faz sentido. Mas tome cuidado. Nós nunca sabemos para que lado ele vai levar nossa atenção.
Hermione olhou-o, curiosa.
- Às vezes ele acha que é intromissão ou zombaria – explicou Lupin.
- Ah... eu não ligo para o que ele vai achar. Se eu escolher um livro interessante o bastante, ele vai acabar lendo, alguma hora. E eu não estou esperando algum agradecimento.
- Isso é bom – disse Lupin. E sorriu. – Olha, acho que Snape tem todos os títulos... mas quem sabe algum periódico de poções mais recente?
Hermione sorriu para ele.
- Obrigada, Remo.
Ela passou para as revistas de Poções e achou umas três da semana anterior que falavam de coisas interessantes. Ela já o vira lendo aquelas revistas com aqueles nomes, então deveriam ser revistas boas.
E passou por um livro sobre criação de poções com feitiços avançados que parecia complicado o bastante para entretê-lo. Folheando-o um pouco, achou que ela mesma adoraria aprender o que tinha por ali.
Pagou tudo e encolheu os pacotes, unindo-os com o das calcinhas em seu bolso.
Quando ela e Lupin saíram da loja rumo à de Poções, notaram as ruas muito vazias. Moody não estava em nenhum lugar visível. E ouviram os pops característicos de desaparatações. Homens vestidos de negro com aquela máscara terrível.
- Bom dia, sangue-ruim.
Tanto Hermione quanto Lupin já tinham as varinhas em mãos para bloquear qualquer feitiço.
- Mione, vá logo... eu seguro eles – disse Lupin, puxando-a para trás de si.
- Vai sonhando – ela disse, encarando as máscaras feias, e sentindo um aperto no coração ao pensar em Snape usando uma daquelas.
- Mione...
Alguém os atacou com um feitiço não-verbal, que ela bloqueou com maestria.
- A sangue-ruim gostosinha vai virar brinquedo de todos nós antes de ser morta – disse um deles. – Saia da frente, lobisomem.
Lupin atacou um deles, enquanto Hermione o defendia. Mas um deles segurou-a por trás; a varinha dela voou para longe. O coração dela acelerou. Ela se debateu. A blusa dela foi rasgada. Lupin olhou para trás, atônito, e foi atacado pelos comensais a suas costas, arremessado contra a parede da loja de roupas de madame Merkin.
- Remo! – ela gritou. E se debateu mais. Os comensais a cercaram.
Ela olhou para sua varinha fixamente. Quando era pequena, fazia objetos voarem. Ela só precisava de mais concentração. Lembrou-se da primeira aula de vôo. Tinha de fazer a varinha vir até ela. Precisava.
Lupin, tremendo, ergueu a varinha e estuporou um deles. Dois comensais avançaram para ele e começaram a chutá-lo.
- Sangue-ruim... você não sabe como fiquei excitado quando vi você com Snape no laboratório – ele aproximou os quadris dela.
Ela fez cara de nojo, mas ao mesmo tempo de desentendida, pois Snape teoricamente apagara sua memória. Ela sentiu que ele ia aparatá-los dali, mexeu-se mais, de modo que ele deixou cair sua varinha. Ela estendeu a mão na direção de sua varinha, com a certeza de que ela viria, e ela veio. O comensal que a segurava foi arremessado contra a parede.
E ela virou-se para os que torturavam seu antigo professor de DCAT. Ela mentalizou um Accio Lupin, e ele voou para ela e ela os aparatou dali.
Desaparataram na sala da casa de Sirius, e então ela se permitiu chorar. Arrastou-se para Lupin, apenas semi-consciente.
- Remo...
Dumbledore e Snape vieram da cozinha. O Mestre de Poções arregalou os olhos ao ver a cena. Ele voou para Lupin e ergueu-o, segurando-o pelo colarinho.
- O que foi que você deixou acontecer a ela, seu lobisomem estúpido?
Hermione levantou-se de um salto, segurou-o pelo braço.
- Professor... Eu estou bem... Ele foi espancado... eu...
Lupin engasgou e sangue escorreu para fora de seus lábios.
Snape o abaixou.
- Você perfurou os pulmões, seu canalha – ele disse. E apoiou-o pelo ombro. – Diretor, vou colocá-lo no quarto de hóspedes aqui embaixo para não ter de subi-lo.
Dumbledore olhou para Hermione, grave. Ela achou que ele lhe daria uma bronca, mas ele perguntou:
- E Alastor?
- Ele nos acompanhou de longe, mas não o vi quando saímos da livraria... foi quando nos atacaram.
Dumbledore assentiu e murmurou:
- Você está bem?
Ela assentiu, sentindo lágrimas encherem os olhos.
- O pior é que eu sabia que isso podia acontecer... Eu fui egoísta e quis ir mesmo assim.
- Severo não parou de andar de um lado para o outro desde a hora que vocês saíram – murmurou o diretor. – Eu já estava ficando tonto. Tive que impedi-lo de aparatar umas sete ou oito vezes.
Ela sorriu. E suspirou.
Snape estava sério quando voltou.
- St. Mungus não é seguro, mas seria bom ter um curandeiro por aqui – disse ele. – Não vou dar nenhuma poção para ele antes que digam a extensão do dano. Duas ou três costelas foram fraturadas; alguma perfurou o pulmão.
Dumbledore assentiu. O olhar de Snape correu para Hermione; ela desviou o olhar. Deu um gritinho agudo quando ele a pegou no colo e a levou para cima.
- Ela parece bem, diretor – disse Snape. – Mas estou pensando em colocá-la ajoelhada no milho.
Dumbledore riu.
- As escolas trouxas pararam e usar isso há algumas décadas – sussurrou Hermione, envergonhada.
Ele levou-a escadas acima, sério, sem olhar para ela.
- Sinto muito, Severo – ela sussurrou, chorosa.
- Eu ainda tenho que ver as conseqüências disso – ele disse, ainda sem olhar para ela.
Snape abriu a porta do quarto dela e só então a pôs no chão. Empurrou-a para o banheiro e começou a despi-la.
- Ei! – ela tentou impedi-lo.
- Calada.
E tirou peça por peça das roupas dela, inclusive as íntimas. Ele a olhou de alto abaixo, com uma ruga entre as sobrancelhas. E então ligou o chuveiro.
- Você não chegou a apanhar – disse ele, enquanto ela entrava embaixo da água quente.
- Não – sussurrou ela. E lembrou-se do que o comensal dissera. – Mas o que me segurou disse... ele... ele soube o que houve entre nós no laboratório...
- Ah, eu não cheguei a informar que o Lorde das Trevas gosta de compartilhar certas coisas – disse Snape. – Falha minha.
Ele olhou-a de alto a baixo.
- Vou ver como está o Lupin – ele suspirou. – Se precisar de alguma coisa, apenas me chame.
Ela assentiu.
Quando ele saiu, ela respirou fundo. Estava bamba só com o olhar dele. O simples olhar dele a fazia esquecer do susto vivido minutos antes.
Snape entrou no quarto de hóspedes, e Lupin olhou-o.
- Sinto muito, Severo... Como ela está? – perguntou ele.
- Está bem. Ela não chegou a apanhar – disse Snape.
- Não – Lupin engoliu em seco, pois sua garganta arranhava quando falava. – Ela nos tirou de lá... Ela... ela... – ele tossiu. – Ela estava sem a varinha... Ela fez a varinha voar para a mão dela... sem ter uma varinha...
Snape arqueou as sobrancelhas.
- Eu não sabia que a magia dela já estava assim – disse Snape, pensativo.
- Nem eu... – sussurrou Lupin. – Nós quase não a vemos, não é? Ela fica o tempo todo sozinha, trancada... – ele deu uma risadinha, mas se arrependeu, porque começou a tossir dolorosamente.
- Ah, inferno – bufou Snape, se aproximando para ajeitar os travesseiros dele. – Onde está o maldito Dumbledore?
- Foi buscar madame Pomfrey... E um curandeiro em St. Mungus.
- Do que você riu?
- Hermione trouxe livros para você... Ela achou que você iria querer distrair a cabeça... – Lupin sorriu, sonolento.
- Não durma, Lupin, não durma... – disse Snape, sentando-se ao lado dele na cama. – Vamos, diga o que você e Hermione fizeram no Beco Diagonal.
- Nós... nós... ela parou na loja de calcinhas, mas eu não entrei. Ela demorou lá... – ele sorriu de leve. – Depois fomos à Floreios e Borrões... Ela comprou um monte de livros para ela, mas ela parou na seção de artes das trevas, e achei estranho ela se interessar... aí ela disse que se não arrumasse algo para você fazer você iria querer tirar o laboratório dela, e ela ficaria sem ter o que fazer.
Snape deu um sorrisinho leve no canto da boca.
- Mas que lógica terrível a da srta. Granger.
- Ela não sabia que livros você tinha ou não tinha... Você deveria deixá-la ver a sua biblioteca.
Snape assentiu. Lupin piscava cada vez mais lentamente.
- Lupin, seu patife, se você dormir eu vou torturar você – vociferou Snape, impaciente.
- Tudo está ficando preto...
Nesse momento, Harry e Rony se aproximaram da porta, pois haviam acabado de chegar com Tonks, informados por Dumbledore do ocorrido.
Snape ajeitou os travesseiros dele mais alto e puxou um pano para limpar o sangue que saía da boca dele, com uma cara de nojo ímpar.
- Lupin, quando você melhorar, eu vou quebrar a sua cara por me fazer de babá.
Lupin sorriu, com os olhos meio fechados.
- Vão achar que você está do lado de Você-Sabe-Quem, se você fizer isso...
Snape bufou.
- E Moody? – perguntou o professor.
- Ele não estava lá na hora do ataque.
Snape baixou os olhos.
- Só falta aquele merda ter sido levado para o Lorde das Trevas... Se ele beber uma Veritasserum estou fodido...
Lupin riu e tossiu sangue.
- Pare de rir, seu canalha – disse Snape. – Ou vou deixar você apodrecer aí.
- Mas como você é gentil, Severo – murmurou Tonks, entrando no quarto. Snape olhou para ela e então viu os dois meninos e fez uma cara de nojo.
- Fique com ele aí, Dora – disse Snape. – Vou ver se a srta. Granger já está melhor.
- A... a Mione se machucou? – perguntou Rony.
Snape fez cara de nojo.
- Não. Aparentemente ela salvou a si mesma e Lupin, mas deve estar em pânico. Esperem aqui em baixo. Se ela estiver bem, eu a mando descer.
Harry e Rony não gostaram da idéia, mas não discutiram.
Snape subiu e entrou no quarto de Hermione, que havia acabado de se vestir e acabara de trazer seus pacotes de volta ao tamanho normal. Ela parecia séria demais.
- Você está melhor? – ele perguntou, estranhamente gentil.
- Vou ficar quando Remo estiver bem – ela murmurou. – Ou, se ele não ficar, acho que nunca mais vou sair.
- Você só aprende a lição se algo ruim acontece? – ele perguntou, e bufou. – O testa-rachada e o cabeça-de-tocha estão aí embaixo e querem saber como você está.
Ela pôs a mão dentro no pacote cor-de-rosa e tirou uma calcinha vermelha, cuja parte de trás era um fio – literalmente. Os olhos dele vidraram.
- Isso vai fazer você me perdoar? – ela perguntou, entre tímida e incerta.
- Vai – disse ele. – Mas se você vestir isso para mim... Bem, não vou ter piedade.
Ela sorriu; ele sentiu a marca queimar.
- O Lorde das Trevas já soube do fracasso – ele disse. – Quando Dumbledore voltar, diga que tive que ir prestar declarações.
Hermione assentiu e abraçou-o.
- Eu voltei logo. Tente fazer o mesmo.
Snape deu um beijo na testa dela e aparatou dali mesmo. Ela desceu para encontrar seus amigos; ele apareceu aos pés de Voldemort.