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4. Volta


Fic: Bem ou Mal necessário - PORNFIC


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Snape se arrependeu de ter dito aquilo para ela. Ele devia ter dito algo cáustico e cruel.


Ele se sentou no sofá e suspirou. Uma hora ela acabaria sabendo. Só que não precisava ser agora. Ela correria tantos riscos... Mas ele ouviu o som dos passos dela na escada e olhou para lá.


- O senhor estava zombando de mim ou estava falando sério?


- E isso faz diferença? – questionou ele, como se não estivesse dando atenção.


- Claro que faz! – ela gaguejou, tentando explicar. – É... eu...


- Meu corpo reagiu como o de qualquer homem reagiria na presença de uma mulher, Granger. Pense assim que talvez seja menos constrangedor.


- O senhor fala como se fosse simples! – exclamou ela.


- Não é?


- Claro que não! Isso é...


- Isso não é nada, não diz nada – tornou ele, secamente. – Sexo não significa nada demais.


Ela não respondeu e ele sentiu que ela o olhava indignada.


- Não seja tão certinha e romântica, Granger – disse ele, impaciente. – Eu fiquei excitado, mas isso não significa que eu agarraria você de verdade. Porque, aliás, a senhorita, que eu me lembre, estava toda molhadinha...


Ela corou violentamente.


- Eu... meu corpo reagiu ao seu toque... Isso não significa que eu estava gostando – ela se defendeu.


- Mas isso é justamente o que eu estava querendo dizer – disse Snape calmamente. – O corpo humano tem esses inconvenientes.


Hermione suspirou.


- Eu nunca mais vou conseguir olhar para o senhor normalmente.


- Eu assumi esse risco quando aceitei esse seu plano maluco – volveu ele, friamente.


- Como o senhor consegue?


- Como consigo o que, Granger?


- Agir assim!


- Assim como, senhorita?


Ela bufou.


- Como se não se importasse com nada.


- Eu não me importo com nada.


- Mentiroso!


Ele ergueu o olhar para vê-la no alto da escada.


- Com base em que você diz isso?


- Você arrisca a sua vida todos os dias por todos e não se importa?


- Não, não me importo.


- E por que o senhor faz as coisas que faz?


- Talvez porque me dê prazer fazer esse joguinho e ver como os idiotas à minha volta desconfiam de mim.


- Talvez porque o senhor seja um bom homem a quem coisas ruins aconteceram.


- Eu fiz as minhas escolhas, Granger, e eu pago por elas! – gritou ele, irritado, levantando-se.


Ela arregalou os olhos. Ele bufou e foi para a cozinha. Ela desceu e seguiu-o até lá. Ele bebia um copo de água e tinha uma linha profunda entre as sobrancelhas.


- Professor... Eu gostaria de poder fazer algo pelo senhor – murmurou ela. – Como posso fazer o senhor ver que há pessoas que se importam? Pessoas que se preocupam?


- Não há como me fazer ver isso, Granger – disse ele, inexpressivo.


Ela o olhava com um ar de piedade que o fazia odiar a si mesmo. Ele odiava que tivessem pena dele.


- Não me olhe assim, menina! – exclamou ele, irritado. – Eu sou um assassino, um espião, eu não mereço essa compaixão asquerosa.


- Não, não – disse ela. – Juro que não é isso. Eu... depois de tudo... mesmo encontrando o senhor tão pouco... Eu o admiro, de verdade, pelo seu trabalho, por tudo o que o senhor faz... Eu acho que o senhor merece aproveitar a vida, um pouquinho, pelo menos. Sei que é difícil fazer as coisas que o senhor faz... eu imagino... Mas o senhor não tem de fazer isso sozinho. Eu sei quem não posso sair... mas se o senhor quiser gritar com alguém... se apenas precisar descontar a raiva... Eu vou estar aqui mesmo, né?


Snape olhava-a, sério. Para a surpresa dela, a voz dele saiu estranhamente gentil:


- Gritar com você, srta. Granger? Eu não poderia fazer isso.


Ela continuou olhando para ele, curiosa, e ele olhou-a. Um ar triste passou pelos olhos dele, e ele desviou o olhar para fora pela janela.


- Gritar como, se o que eu mais quero fazer é abraçá-la e beijá-la e esquecer o mundo?


Hermione arregalou os olhos, espantada. Não soube o que responder. Desviou o olhar para o chão. Ele ergueu o olhar para ela de esguelha e deu um sorrisinho no canto da boca.


- Sinto, eu não deveria ter dito isso. Mas você acabaria sabendo de qualquer forma.


Ela estava surpresa, mas ainda era uma curiosa incansável.


- Por isso o senhor hesitou quando o Voldie pediu para o senhor me...?


Ele assentiu em silêncio, olhando para fora.


- E então o senhor não estava zombando de mim quando disse...


- Não, eu não estava.


Um estranho silêncio se impôs.


- Desde quando...? – ela perguntou, num sussurro.


- O fim do seu sétimo ano – ele engoliu em seco. – Eu sempre a admirei, sempre senti uma necessidade de protegê-la, mas... um dia vi algo que me deu idéias infernais...


- O que? – estranhou ela.


Ele deu um sorrisinho que ela só definiria como safado, e continuou a olhar para fora.


- Aquela combinação de calça branca e blusinha verde que você estava usando ontem... uma vez você estava fazendo a ronda com ela... e estava usando uma fio dental por baixo.


Ela corou até a raiz dos cabelos.


- Mas tente não me ver como um velho safado – disse ele, depois de uma breve pausa. – Você é a única aluna com que já tive alguma fantasia e Merlin sabe que não me orgulho disso.


- A sua consciência deve estar mais tranqüila agora que eu não sou mais sua aluna – comentou ela, calmamente.


- É como se ainda fosse – disse ele. – Você, dentre todos os seus amigos, é a única que demonstra alguma forma de respeito, como "senhor" e "professor".


- Do que o senhor preferia que eu te chamasse? – perguntou ela.


- Nada. Assim está bom.


Ficaram em silêncio. Em determinado momento, ele olhou para ela e estudou-a. Ela olhou para ele, em silêncio, e deixou-se estudar. Ele, sem pensar, deu dois passos para frente. Ela não recuou. Ele pôs uma mão em baixo do queixo dela e ergueu o rosto dela contra a luz.


- Pelo menos você não parece estar com nojo das confissões asquerosas que eu acabei de fazer.


- Não são asquerosas – disse ela. – O senhor tem mais caráter do que pensa que tem.


Ele deu um sorrisinho, que logo sumiu. Ele se afastou e deu as costas para ela. Olhou para o céu nublado pela janela e disse:


- A tendência das coisas é piorar, daqui para frente – disse ele. E suspirou. – Voltar àquele inferno é o certo, mas é tão... aterrorizante. Eu realmente quero morrer logo.


Hermione prendeu a respiração. Em três passos estava do lado dele, olhando para fora. Ela segurou o braço dele, e abraçou este, o que lhe gerou um olhar de esguelha. Ele não reagiu nem contra nem a favor.


- Isso é algo horrível para se dizer.


- Eu não digo normalmente. É que eu já lhe disse coisas piores. Eu geralmente não me abro, mas reconheço que é uma sensação boa, como se eu estivesse mais leve.


Ela abraçou o braço dele mais apertado.


- Eu não tenho nojo de você. Eu também não o odeio. Eu o admiro. Eu... eu gosto de você.


Ele olhou para ela, e ela viu que havia certo divertimento refletido ali.


- Você é uma pessoa tão boa, srta. Granger, que acabo não sabendo o que dizer. Mas não precisa fazer isso. Eu não preciso entrar na sua mente para ver o que você está pretendendo. Você sabe que eu... eu sinto algo por você, então você quer se aproximar de mim para fazer eu me sentir confiante.


- O que há de errado com isso? – perguntou ela.


- Nada, para uma pessoa pura como você, mas eu sou podre – disse ele, soltando seu braço do abraço dela e dando um beijo na testa dela. – Não vou usar você desse jeito, não vou me aproveitar da sua situação, da minha situação, da nossa situação.


Ela o olhou e sorriu.


- Você é mesmo muito melhor do que você pensa – sussurrou ela. Ele não ofereceu resposta. E fizeram silêncio. Ela logo disse – Vou fazer um chá das cinco; o senhor estaria interessado?


Ele assentiu em silêncio e foi sentar-se à mesa, no canto, observando-a passar de um lado para o outro na cozinha. Por fim, quando ela se sentou com ele à mesa, eles tomaram o chá, ainda sem falar.


Ele viu um sorrisinho divertido brotar nos lábios dela e perguntou:


- Qual é a graça, srta. Granger?


- Eu estava pensando o que a Gina diria se eu contasse a ela o quanto o senhor beija bem...


Snape olhou-a, chocado, e ela caiu na gargalhada.


- Agora quem está zombando de quem? – perguntou ele, sério.


- Ei, eu não estou zombando! – exclamou ela, divertida. – Eu falo sério! É só que é muito engraçado imaginar isso... Eu acho que eu ficaria muito feliz em contar para os gêmeos, só para ver a cara deles! É uma pena que a minha memória foi apagada...


Snape olhava-a, sério.


- Você não pode ficar me dizendo esse tipo de coisas, Granger – disse ele.


- E por eu não? Você disse que eu era gostosa, e isso é bem pior!


- É, mas eu estava convicto de que você sairia correndo. Você sabe como eu me sinto em relação a você.


- Isso é um problema?


- Claro que é. Você está me provocando consciente do efeito das suas palavras em mim – ele suspirou. – Eu já a teria seduzido antes, Granger, e por mais que eu saiba que a minha aparência não é a mais agradável entre as jovens, eu conseguiria, porque sei fazer coisas que os menininhos da sua idade nem sonham ainda. Eu apenas decidi não fazê-lo por respeitar você. Você entende?


Hermione fitou-o, com um sorrisinho leve.


- Você é muito bobo – disse ela. – Eu posso não ser maliciosa, mas isso não quer dizer que eu sou totalmente inocente.


- Eu estou consciente das suas aventuras com o sr. Weasley.


Ela fez uma careta.


- E das minhas aventuras com Victor Krum, também? – ela disse, com um sorrisinho calmo.


Primeiro ele demonstrou surpresa, depois ele deu um sorrisinho no canto dos lábios. Um bem malicioso.


- Sempre precoce a nossa srta. Granger.


- Pois é.


- E para que você está me dizendo isso?


- Você mesmo disse na sala. Sexo não significa nada – disse ela. – Eu nunca teria pensado no senhor assim antes, mas eu não acho que eu me oporia.


Ele sacudiu negativamente a cabeça.


- Você não sabe o que diz – resmungou ele.


- Não, mas veja pelo meu lado – disse ela. – Eu nunca conheci alguém que fosse se importar comigo de verdade – ele ergueu o olhar para ela, sem entender. – O Victor sempre foi meio... impaciente. E o Rony... eu não levaria ele a sério, quando eu sou sempre a última opção dele. Sexo por sexo, eu adoraria saber como é quando alguém se importa comigo, com o que eu vou sentir...


- Você nunca...? – ele não pôde concluir a pergunta.


Ela fez que não com a cabeça.


- É meio ridículo, eu sei, mas é só para explicar que não seria como se o senhor estivesse se aproveitando de mim.


Ele assentiu e ficou olhando para sua xícara. Ela esperou o que ele ia dizer. Por fim, ele falou:


- Se é isso que você pode me dar... Eu ficaria muito grato...


Ela lhe sorriu e se levantou. Estendeu a mão para ele. Ele aceitou a mão dela e se levantou. Ela o puxou para fora da cozinha, para as escadas. Ele a olhava, tentando captar algum sinal de dúvida nela, mas ela estava muito firme. Ela o guiava pelo corredor. Quando pararam em frente à porta do quarto dele, ela o olhou, esperando que ele abrisse. E ele o fez, segurando a porta para que ela entrasse primeiro. Ela entrou e ele depois, trancando a porta em seguida. Quando ela se virou para ele, ele apenas explicou:


- Eu não quero que alguém nos interrompa, Granger... Hermione.


Ela lhe sorriu e assentiu, tirando o pesado casaco.


- Você bebeu alguma poção contraceptiva nesses dias?


Ela fez que não com a cabeça. Ele tirou a varinha de dentro do casaco e a sacudiu em direção a ela. Hermione sentiu um formigamento em seu baixo ventre.


- Isso evitará dores de cabeça – disse ele, pondo a varinha em cima do criado mudo e tirando o casaco. Deixou-o nas costas da cadeira e virou-se para olhá-la.


- Você ainda está em tempo de desistir. Depois que eu tocar você, não vou parar até o fim.


Ela assentiu e se aproximou. Ele olhava-a com o mesmo fogo de antes no laboratório. Snape puxou-a para si pela cintura com delicadeza e beijou-a. Dessa vez o beijo foi lento e profundo. Uma das mãos dele estava na cintura dela, fazendo-a sentir o que o simples beijo dela fazia com ele. A outra estava emaranhada nos cabelos dela, trazendo-a para perto. As mãos dela corriam nas costas dele, e suas unhas cravavam ali conforme ele tornava o beijo mais passional.


Ela sentiu sua própria respiração acelerar junto com a dele, e sentiu-se inundar por dentro enquanto aquele beijo se tornava mais feroz e possessivo, sentindo a ereção dele pressionando seu baixo ventre.


Os lábios dele descolaram dos dela e desceram pelo pescoço dela, enquanto a mão dele que estava em seus cabelos começou a passar dentro de sua blusa nas costas. A língua dele passeou pelo lado do pescoço dela; ele tirou-lhe a blusinha devagar e a pôs na mesma cadeira em que estavam os casacos.


Ela o abraçou e o beijou e uma de suas mãos desceu para acariciar o membro dele por vontade própria, não como na encenação no laboratório. Ele soltou um gemido abafado dentro de sua boca, e as mãos dele correram pelas costas dela, soltando o fecho do sutiã. Ela o soltou e deixou-o tirar-lhe a peça. Os lábios dele desceram pelo colo dela entreabertos ate alcançar um dos seios. Ele roçou os lábios nestes; ela arqueou em seus braços. Ele capturou um mamilo em seus lábios e começou a lambê-lo; ela resfolegou. Ele o chupou com força, ela soltou um gemido alto, que bombeou ainda mais sangue para seu membro. Ele se dedicou inteiramente à tarefa e gemeu contra a pele dela quando ela voltou a tocá-lo, por cima da calça.


Ele dispensou ainda mais atenção ao outro seio e chegou a mordê-lo de leve. Ela abriu a camisa dele e ele a tirou, deixando-a sobre a mesma cadeira. Hermione correu as mãos pequenas pelo tórax dele, sentindo-o. Ela passou os lábios pelo pescoço dele, sugando-o de leve. Desceu pelo tórax, beijando-o devagar, e sua língua passou pelos dois mamilos dele. Ela desceu mais e mais e os olhos de Snape, até ali fechados, se arregalaram, e ele olhou para baixo, para as mãos delicadas dela abrindo sua calça, quando ele entendeu o que ela pretendia.


Snape a puxou pelos cabelos, fazendo-a levantar e sussurrou, com os lábios a centímetros dos dela:


- Você não precisa fazer isso... Hermione.


- Eu sei que não - volveu ela, suavemente. - Mas eu quero.


Os olhos dele queimaram, e ele a beijou outra vez, com uma ânsia muito além de qualquer coisa que ela já pensara. Ela se sentiu desejada. Uma das mãos dele desceu por dentro da calça e da calcinha dela e ele sentiu-a molhada. Ela gemeu ao toque e mordeu o lábio inferior, arqueando nos braços dele. Ele deslizou um dedo para dentro dela, observando as reações dela como que hipnotizado.


Então pôs dois dedos para dentro dela e começou a realizar movimentos de vai e volta; ela gemeu e arqueou ainda mais, com os olhos fechados, mordendo o lábio inferior. Snape sentiu sua própria respiração se tornar ainda mais difícil ao ver a entrega dela, os sinais do prazer dela. Pôs três dedos dentro dela e tornou o toque mais forte. Ela cravou as unhas em seus ombros, sem conseguir conter um gemido alto; as pernas dela enfraqueceram e ela teria ido ao chão se ele não a estivesse segurando.


- Vai, gostosa... - sussurrou ele, começando a sentir os músculos dela apertarem seus dedos. Ele desceu o rosto e sugou um dos seios dela, sentindo seu membro pulsar cada vez mais ao ouvir os gemidos dela e ao sentir o corpo dela inteiro estremecer.


- Ah... Severo - ela sussurrou.


Ele a beijou na boca vorazmente, enquanto abria as calças dela. Hermione se livrou de suas calças e calcinhas, ao mesmo tempo em que ele fazia o mesmo com suas próprias peças de roupa remanescentes. Ele voltou a beijá-la, enquanto a levava para sua cama.


Deitou-a lá e deitou-se por cima dela. Ele se postou na entrada dela, observando-a. Ela tinha os lábios entreabertos, fitando-o com os olhos tão cheios de desejo quanto os dele. Snape deslizou para dentro dela devagar, entrando inteiro nela. Ela cerrou os olhos com força. Fazia tempo para ela.


Ele a beijou, sem se mover dentro dela. Então ela o sentiu sair dela e depois entrar de uma vez só, com mais força. Ela arqueou e soltou um gritinho.


- Shh - sussurrou ele. E beijou-a outra vez.


Então começou a se mover de verdade, para dentro e para fora, sempre com mais força. Ele sentia o calor úmido dela envolvê-lo, sentia-a apertá-lo, e estava sem nenhum controle sobre si mesmo.


As unhas dela cravavam em suas costas conforme ele aumentava a força das investidas e ele sentiu as pernas dela travarem ao seu redor.


- N-não pare - ela pediu, com a respiração difícil.


Ele a olhou e começou a sentir os músculos dela o apertarem mais ainda, enquanto ela arqueava, gemendo seu nome, implorando para que ele não parasse. Ele não conseguiu saber como conseguiu se segurar por tanto tempo; queria vê-la atingir o ápice. As pernas dela o prenderam ainda mais, ao mesmo tempo em que as unhas dela cravavam com mais força em suas costas e ela mexia a cabeça de um lado para o outro, gemendo o nome dele. Ele deu um sorrisinho cafajeste, que ela retribuiu, tonta de prazer.


Ouvir o som do nome dele brotando daqueles lábios naquele estágio de emoção fez seu membro pulsar mais por alívio, e ele não parou; empurrou-se com mais força, sua respiração cada vez mais irregular. Hermione o observava, ainda sentindo-o mover dentro dela, depois de tanto prazer e daquele choque que percorrera todo o corpo dela.


- Ah... gostosa... toda molhadinha...


Sentiu algo quente inundá-la por dentro enquanto o rosto dele se contorcia numa expressão que poderia ter sido de dor, não fosse o gemido dele, de fundo de sua garganta. Ele soltou um pouco do peso de corpo dele, apoiando-se somente pelos braços, deixando a cabeça afundar no travesseiro ao lado dela.


Ela sentia a respiração quente e pesada de Snape em seu pescoço, enquanto acariciava calmamente as costas dele, tentando acalmar sua própria respiração. Ele beijou a testa dela e murmurou:


- Obrigado.


E mordeu de leve a região entre o pescoço e o ombro dela. Ela sorriu. Ainda o sentia dentro dela; o resultado da paixão dele escorrendo entre suas pernas, para o lençol.


Ele retirou-se do calor dela e se deitou de costas, puxando-a junto consigo, para se deitar no peito dele.


- Foi bom para você? - perguntou ele, olhando para o teto, sério, enquanto acariciava os cachos dela.


- Foi - respondeu ela, aconchegando-se mais a ele. Ela o sentiu abraçá-la mais forte.


- Então eu correspondi às suas expectativas? - perguntou ele, ainda sério demais para ela.


- Não - desta vez, ela o sentiu virar um pouco a cabeça para olhá-la. Ela acrescentou: - Excedeu todas elas.


Um sorrisinho brotou nos lábios dele, mas logo desapareceu. Ela se virou de bruços, de modo a encará-lo.


- Por favor, Severo, não aja assim comigo.


Ele olhou para ela, uma linha entre as sobrancelhas dele, mas não perguntou. Ela disse:


- Eu sei que você está preocupado com hoje à noite, comigo, ou eu sei lá com mais o que, mas você não tem de se esconder nessa fortaleza diante de mim. Por favor. Eu disse que estava aqui para você e eu falei sério. Não só na cama, mas onde mais você precisar.


Ele bufou e desviou o olhar, mas ela sentiu a mão dele acariciando suas costas em círculos leves.


- Eu não quero isso, Hermione - disse ele, e ela pôde vê-lo engolir em seco. Antes mesmo que ele continuasse, ela soube que ele lhe diria algo cruel, apenas para afastá-la de si. - Você vai desperdiçar o seu tempo com um homem que não pode lhe oferecer nada além de morte e destruição, não só para você, mas para seus amigos. Eu estou condenado, e não pretendo levar você junto.


Ela sentiu lágrimas enchendo seus olhos. Ele não falara nada cruel. Ele estava tentando se justificar.


- Não faça isso... - sussurrou ela, pondo uma das mãos sobre os lábios dele. - Não faça isso com você. Deixe-me ajudá-lo. Deixe-me entendê-lo. Deixe-me gostar de você.


Ele olhou para ela; uma de suas mãos foi acariciar a face dela, enxugando as lágrimas que vertiam.


- Você está chorando por minha causa! - exclamou ele. - Não por causa de algo mau que eu disse, mas por mim! Eu juro que não entendo você, Hermione! Como você pode?


- Você... você é tão diferente do que parece - comentou ela. - Eu sempre soube que era, mas ver o quanto... Isso é... é chocante.


Ele se sentou. Ela se deitou se costas, de modo a ver as costas dele. Ele olhava para frente, para longe dela.


- Srta. Granger, você é só uma diversão conveniente; eu não gostaria de vê-la mais que o necessário - ele murmurou. Ela sorriu entre lágrimas. Depois de tudo, ele estava mentindo para afastá-la de si. Isso devia significar que ele gostava dela de verdade, talvez até a amasse. Mas doía saber que ele se impunha a solidão dessa forma tão cruel. - Então, eu apenas a avisarei quando minhas mãos se tornarem insuficientes para as minhas necessidades físicas e nos veremos aqui dentro deste quarto. Mas não vou obrigá-la a nada, se você se opuser a isso.


Ela ponderou um momento o que deveria responder, mas disse:


- Sim, para mim está bom.


Hermione pôde jurar que o ouviu prender a respiração. Ela não o deixaria assustá-la e, se era assim o único modo de fazê-lo ouvi-la, ia ser assim. Porque, verdade seja dita, ela não poderia se opor ao que a aguardava sozinha num quarto com Severo Snape.


- Você é mesmo uma vadia de marca maior, para se sujeitar a esse papelzinho - ele disse, e o tom dele a lembrou imediatamente do Mestre de Poções.


Ela mordeu a língua antes de responder, gritar, chorar, e simplesmente disse:


- É, é isso mesmo - disse ela, sentando-se na cama, enrolando-se nos lençóis. Ele se virou para olhá-la, incrédulo. Ela podia ver naqueles olhos inexpressivos e vazios que ele não esperava aquela resposta. - Eu adorei dar uma pra você, porque você é muito gostoso, e vou adorar ser a sua vadia.


Ela se levantou e começou a pegar suas roupas do chão e a se vestir. Era constrangedor saber que ele a olhava durante todo o tempo em que ela se vestia, mas ela o ignorou. Ela foi para a porta no quarto e disse, com a mão na maçaneta, sem se virar para ele:


- Se eu consegui corresponder às suas expectativas pelo menos metade do que você correspondeu às minhas, acredito que a sua mão será insuficiente muito em breve.


E saiu antes de ele sequer esboçar uma resposta.


Ela entrou em seu quarto e finalmente permitiu que as lágrimas vertessem. Caminhou lentamente ao banheiro, enquanto suas pernas ainda tremiam pela atividade anterior, e começou a se despir para se lavar. Entrou em baixo do chuveiro chorando, não sabendo se estava mais magoada pela rudeza dele ou se pelo fato de que ele não queria dizer aquilo.


Por que raios ele tinha de agir assim, desse modo? Por que ele sempre tinha de manter as pessoas afastadas de si, quase como se ele fosse um bicho selvagem e perigoso, ou como se todas as pessoas fossem nocivas? Como fazê-lo ver que a vida e tudo que há nela valia a pena? Ele não sabia o que era uma vida, ela estava bem certa disso, mas como mostrar a ele, se ele não permitia uma aproximação?


Seria nos poucos minutos em que eles estivessem naquela bendita cama que ela mostraria a ele o quanto ela se importava. E ele iria ceder, iria lhe permitir acesso, iria deixá-la conhecê-lo. Ou ela não era Hermione Jane Granger.


Ele ficou no quarto, sentado, fitando o teto, permitindo a si mesmo ficar sem reação. O que a menina queria com aquilo? Ele tinha certeza absoluta de que ela não era o tipo que se prestava ao papel de amante, de vadia particular. Por que ela estava aceitando aquilo? Era para fazê-lo sofrer? Para mostrar que ele era tão capaz de ter o corpo dela e não seu coração? O que era mundano ele podia ter, mas não o que era puro?


Ele sacudiu negativamente a cabeça, sentindo-se estúpido. Olhou para seus lençóis, onde ela estivera até pouco tempo atrás. Se ele tivesse conseguido ficar quieto, talvez ela ainda estivesse ali, com ele.


Mas ela tinha que entender a reação dele, as preocupações dele! Teria sido tão mais fácil se ela simplesmente tivesse saído, deixando-o a sós com seus demônios! Ou talvez, se ela não tivesse falado nada, eles poderiam ter feito mais uma ou duas vezes... Teria dado tempo.


De qualquer forma, ela estava certa: ele realmente queria voltar. Queria estar nos braços dela outra vez, queria mexer naqueles cachos e beijar aquela pele macia, senti-la sob a sua.


Snape suspirou. Sentia-se ridículo estando tão envolvido por aquela menininha que mal completara dezoito anos!


O jantar foi feito por Hermione, e todos chegaram famintos das atividades do dia. Ela conseguiu sorrir e agir naturalmente, sentindo-se chorando por dentro.


Todos estavam sentados comendo, e ela se viu decepcionada ao não encontrá-lo ali. Ele a estava evitando? Ela suspirou. Bebeu um gole sofrido de seu suco, murcha por dentro, até que o viu entrar na cozinha, a capa farfalhando às suas costas. Não era a capa habitual dele.


- Vai sair, Severo? – perguntou Dumbledore.


- Sim, preciso de uns ingredientes que só se encontra na Travessa do Tranco em certos lugares que só se vai a essa hora – disse ele. E sentou-se.


Os gêmeos começaram a rir e a debochar.


- O professor está indo a um puteiro? – perguntou Fred, às gargalhadas.


Molly ralhou e disse para eles respeitaram as mulheres da mesa.


- Antes fosse – resmungou Snape. – Se bem que não há muitas mulheres atraentes nesse tipo de ambiente, como vocês bem devem saber.


E eles engasgaram. Hermione o viu olhar para ela e ela jurou que havia um brilho divertido naquele olhar, mas foi tão rápido que poderia ter imaginado.


- Passaram bem a tarde? – perguntou Moody, com o olho móvel correndo de Hermione para Snape.


- Hum... fazendo poções, eu respondo por mim – resmungou Hermione, mexendo com a comida de seu prato, sem lhe dar muita atenção.


- Eu não devo satisfações a você – cuspiu Snape.


- Severo – repreendeu Dumbledore.


Snape se levantou e assentiu para Dumbledore, e, sem olhar para mais ninguém, deixou a cozinha. Hermione ficou decepcionada que ele não olhasse para ela, mas reconheceu que alguém poderia desconfiar de algo. Ela sabia que não iria dormir enquanto não soubesse que ele havia voltado e que estava seguro, em casa.


Snape apareceu, e viu-se a sós com Voldemort. O ex-professor estava de joelhos com a cabeça voltada para baixo.


- Sinto muito, milorde – disse Snape, antes que qualquer coisa fosse dita.


- O seu bilhete foi curto e pouco convincente, mas fiquei curioso, então vou permitir que você viva tempo suficiente para me explicar o que se passou por essa cabeça – vociferou Voldemort.


Snape ousou olhar para cima, fingindo engolir em seco.


- Sei que devia ter explicado a minha situação para o senhor antes, mas eu precisava de uma memória inteira para mostrar àquele velho idiota... – ele começou. – E a sua raiva foi particularmente convincente, quando eu disse que não ia foder a sangue-ruim.


Voldemort deu um sorrisinho no canto da boca. Aquilo o fazia lembrar o velho Snape.


- Dumbledore estava mesmo desconfiado de você, então? Como?


- Creio que ele me viu olhando fixamente para a minha máscara de comensal... foi o que ele chamou de "um olhar devoto". Mas depois da minha suposta deserção ele se convenceu de que o olhar era "enojado, reprovador", ou o que quer que ele chame... Eu o deixei ver a minha pequena ceninha aqui com você, milorde, e ele se convenceu.


- E para onde você disse que foi hoje? – questionou Voldemort.


- Comprar ingredientes na Travessa do Tranco.


- Olhe para mim, Severo.


Snape olhou para Voldemort, com um ar submisso que convenceria até Alastor Moody. E deixou Voldemort ver a cena que ele ensaiara com Dumbledore na noite anterior, logo depois que ele e Hermione haviam dado a idéia para o diretor. Então, Voldemort o viu olhando fixamente para sua máscara (outra cena que havia ensaiado), até que, curioso ao vê-lo entrar vestido de comensal no laboratório, acompanhou a cena do laboratório até o momento em que Snape dissera a Hermione que ela se complicara com a poção. E saiu da mente dele.


- Bom, Severo... Muito bom – disse Voldemort. – Um seguidor fiel, na verdade.


- Eu apenas fingi ser um desertor porque seria uma terrível perda a de um espião no meio da Ordem. Não havia outro jeito, milorde, imploro que acredite. A vantagem de eles acharem que não pertenço mais ao círculo dos comensais é que não terei de arruinar plano nenhum nosso, sob a desculpa de espionar para eles.


- É, isso ajuda muito. Era muito arriscado manter as aparências. Só que agora você deverá sair menos de lá... Não é sempre que ingredientes estarão faltando.


- Bom, eu estou planejando não encontrar nenhum ingrediente hoje – disse Snape. – Os estoques estarão em falta, e só há uma loja que comercializa o que eu preciso.


Voldemort deu outro daqueles sorrisos assustadores.


- E quando você pretende voltar para buscar o ingrediente?


- Não sei ao certo, talvez semana que vem, quando terei algo útil para lhe dizer, milorde.


Voldemort assentiu e fez sinal para Snape se levantar. Ele o fez.


- Muito bem... Você quase conseguiu comer a vadiazinha, hein?


- Foi por pouco – concordou Snape. – Eu realmente a quero agora... Você ouviu que gritos deliciosos?


Voldemort fez que sim com a cabeça.


- Muito bom – disse ele. – Vá. E volte assim que tiver algo para mim.


Snape fez uma reverência e desapareceu dali.


Hermione voou do sofá quando ouviu o som da capa farfalhando para a cozinha. Ela, cautelosa, foi até lá. Snape bebeu um copo de uísque inteiro em um gole só e o pôs pesadamente na pia, respirando fundo.


- Foi tudo bem?


A voz dela o fez se virar para olhá-la, com os lhos estreitos. Ele fez que sim com a cabeça e fez sinal para ela se aproximar. Ela o fez. Ele segurou os cabelos dela e a puxou para um beijo voraz. Hermione foi pega de surpresa. Será que até depois de encontrar Voldemort ele queria assustá-la?


Mas ele a abraçou calmamente depois do beijo, sem dizer nada, e enterrou o rosto nos cabelos dela.


- Eu não acredito que você me esperou – sussurrou ele.


- Eu fiquei preocupada – murmurou ela, devolvendo o abraço. – Mas parece que deu tudo certo. Você quer que eu vá para o meu quarto ou para o seu?


Ela sentiu o silêncio tenso dele.


- Vá dormir – disse ele, por fim, soltando-a e dando-lhe as costas. – Tenho coisas a pensar.


Hermione olhou-o pacientemente e se aproximou. Ele sentiu a aproximação e virou-se para encará-la. Ela simplesmente deu um beijo leve nos lábios dele e se retirou da cozinha em silêncio.

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