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2. Silêncio


Fic: Bem ou Mal necessário - PORNFIC


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Snape sabia que não devia, que ela estava em casa, que não podia, mas lentamente sua mão desceu para se tocar por sobre a calça


Snape sabia que não devia, que ela estava em casa, que não podia, mas lentamente sua mão desceu para se tocar por sobre a calça. Queria que fosse ela fazendo isso. Soltou um suspiro de frustração e sentou-se. Estava se sentindo ridículo. Ele sabia que poderia seduzir a menina, mas não queria fazer isso. Queria que ela gostasse dele. Queria que ela o amasse. Mas ela não considerava nenhuma possibilidade além da de ajudar seu ex-professor, que transformara sua vida num inferno por tantos anos.


Seus pensamentos foram cortados com uma batida fraca na porta.


- Professor?


- Srta. Granger?


- O almoço está pronto.


Ele abriu a porta e viu-a parada ali. Ela o olhava de baixo, apreensiva; ele sabia que ela tinha medo dele. Sabia que ela temia importuná-lo demais. Sabia que ela o respeitava e que ela estava mesmo preocupada com ele.


- Imagino que eu deva agradecer pela atenção – disse ele.


- Não, não deve. Mas se quiser, qualquer agradecimento será bem vindo.


Eles desceram juntos para a cozinha, num silêncio desajeitado. Ele viu um cálice e um copo de suco no lugar destinado a ele. Olhou para ela com a sobrancelha arqueada.


- Sua poção, para o senhor beber antes de comer – disse ela. – É melhor beber com o estômago vazio, certo?


Snape assentiu em silêncio e caminhou para a mesa. Pegou o cálice e cheirou-o. Ela fez uma cara de incerteza. Era muito mais difícil fazer uma poção para um mestre de Poções. Mas ela pareceu aliviada quando o viu beber tudo de um gole só.


Eles comeram em silêncio. Ela, por um momento, quis que ele elogiasse a comida dela. Ela, na verdade, estava desesperada para que ele a elogiasse de algum jeito; ele fora o único professor que nunca fizera isso. Mas ele não disse nada. A expressão dele estava cuidadosamente fechada numa carranca sem emoção. Ou com o típico olhar de desprezo e raiva misturados. E ela soube, sem ele dizer nada, que ele odiava viver. Ela fixou seu prato. Ela gostava dele. Não era um mau professor, se tirasse as injustiças, e ele era um membro da Ordem inteiramente dedicado à causa da guerra.


- Professor... eu posso perguntar... como Voldemort – ela o viu tremer um pouco – como Você-Sabe-Quem... como ele soube que o senhor...?


Snape olhou para ela fixamente. Ele jamais diria a ela.


Havia um terrível silêncio naquela sala quando ele apareceu ajoelhado diante de Voldemort, terrivelmente curvado. Suas roupas de comensal estavam impregnadas com sangue inocente, e ele sabia que logo mais espectros estariam rondando sua cabeça. Não porque ele matara, porque ele não fizera isso, mas ele os observara sendo torturados e não pôde ajudá-los. Bruxos nascidos trouxas... pessoas cujo único pecado era algo que não estava em poder deles mudar.


Voldemort olhava-o com ódio.


- Severo, seu traidor... – começou ele. – Lúcio me disse que você não matou nenhum daqueles sangues-ruins hoje. Que houve com você? Está traindo nossa causa?


- Jamais, milorde – disse Snape com uma voz sóbria.


- Então por que você não se manifestou hoje?


- Fui um pouco egoísta, milorde – disse Snape, submisso. – Eu sempre proporciono os melhores espetáculos para meus colegas, mas nunca posso assisti-los. Eu apenas quis observar o movimento de hoje.


Voldemort pareceu satisfeito com aquela resposta.


- Bom, se é assim... Tenho um trabalho especial para você...


Snape ousou olhar para cima, demonstrando interesse em ouvir.


- Já que você está dentro da Ordem... Preciso de algo.


- Estou ouvindo, milorde.


- Lá temos um grande símbolo contra nossa causa... – começou Voldemort, e Snape engoliu em seco. – Aquela sangue-ruim, amiga do Potter... Eu a quero. Quero que a traga para mim.


Snape desviou o olhar. E Voldemort soube.


- Por que hesita, Severo?


- É... complicado, milorde. Ela é a única que não sai da Ordem nunca. Dumbledore a mantém lá o tempo todo. Ela faz pesquisas, análises, ela cuida das poções, ela treina feitiços com os amigos. Será bastante complicado...


- Mas isso nunca foi problema para você.


- De fato, milorde, mas esse caso é mais difícil. Se a Granger simplesmente sumir as suspeitas irão recair sobre mim. Não sei se o senhor sabe, mas só tenho a confiança cega de Dumbledore. Os outros têm a plena convicção de que estou ao seu lado.


- Bom, Dumbledore é o único tolo, então. Mas eu quero a sangue-ruim. Quero que você a traga para cá. Dê um jeito nela antes.


Snape teria disfarçado tudo; se Voldemort tivesse pedido Dumbledore, ele saberia encenar. Mas era Hermione. Ele olhou para o chão.


- Como quiser, milorde.


Voldemort não respondeu. Ele olhava para Snape fixamente. O silêncio pesou.


- Desde quando, Severo?


Snape não ergueu o olhar.


- Perdão, milorde?


- Desde quando você caiu de amores pela sangue-ruim?


Snape viu o perigo. Forçou-se a olhar para cima com um ar de deboche.


- Milorde? Isso jamais poderia ser verdade...


- Você não se importa quando eu falo que seria bom trazer o Potter logo. Você até parece gostar da idéia. Mesmo se eu falo em matar aquele velho idiota... Mas você realmente hesitou quando falei da sangue-ruim.


- Eu apenas imaginei as complicações que tirá-la de lá me trariam junto à Ordem, milorde – e Snape soube que estava com medo.


Voldemort tirou a varinha e apontou-a para Snape.


- Você vai ficar sozinho com ela na maldita casa, vai violentá-la e vai me trazê-la aqui, ainda viva, Severo.


Snape olhou para cima e Voldemort pôde ver um brilho de desafio no olhar dele. Snape apenas disse:


- Sem chance.


Voldemort lançou-lhe um feitiço, mas Snape defendeu-o – já tinha sua varinha em mãos.


Ia aparatar, mas os efeitos de uma maldição Cruciatus o atingiram. Ele quase estrunchou, mas apareceu na casa. Seu corpo tremia. Derrubou a jarra de água. Estava apavorado. Precisava contar a Dumbledore. Tudo errado.


- Professor? – a voz de Hermione o despertou e ele olhou para ela. – O senhor está bem?


- Estaria ótimo se não fosse a sua intromissão em assuntos que não lhe dizem respeito, srta. Granger – disse ele, ferino.


Ele viu os olhos dela lacrimejarem e se condenou por isso. Por que ela estava preocupada com ele? Por que tinha de estar tão perto dele? Era tão torturante vê-la ali e não poder tocá-la, beijá-la, se afundar dentro dela, ouvindo-a gemer seu nome.


Ele sacudiu negativamente a cabeça e foi para seu quarto. Conseguira afastá-la de si outra vez.


Hermione ficou na cozinha olhando para seu prato. Ela tinha pena dele. Ela achava isso horrível, mas não podia evitar. Por que ele tinha essa mania estúpida de afastar todos de si? Ela via nele um homem que já vira os maiores terrores que a vida poderia mostrar, e ele não gostava de se misturar aos outros. Ela queria sair. Ela queria respirar. Não agüentava mais ficar trancafiada naquela casa. Parecia haver pressão em todos os lados.


Ela fez um feitiço para a louça se lavar sozinha e correu escadas acima para seu quarto. Colocou sua calça branca esvoaçante e sua baby look verde musgo de mangas compridas. Ela adorava aquela combinação. Não estava muito frio, por isso não viu necessidade de pôr um casaco. Desceu as escadas e ia bem para a porta, mas sentiu uma mão segurar seu braço.


Snape puxou-a e a segurou pelos dois braços, fazendo-a olhar para ele. Ela não vira que ele estava na sala.


- Professor?


- O que, em nome de Merlin, você acha que está fazendo? – perguntou ele, com os olhos faiscando de raiva.


- Eu... eu... eu queria sair um pouco... Eu não ia muito longe – murmurou ela, tentando se soltar. As mãos dele a apertavam com força.


- Sua menininha estúpida! – esbravejou ele, os olhos saltando das órbitas. Ele arrastou-a pela sala e a empurrou sem nenhuma gentileza, fazendo-a se sentar no sofá. Hermione o olhava assustada. – Você não pode sair!


Hermione estava mesmo com medo da agressividade dele, mas percebeu que ele estava falando sério.


- Por que não? – resmungou ela, chorosa. Ela olhou para a lareira. – Eu não saio daqui desde que pisei aqui, depois da formatura. Eu estou presa igual a um bichinho de estimação... Estou me sentindo claustrofóbica.


- O Lorde das Trevas quer você, srta. Granger – sibilou Snape no tom mais cruel que pôde produzir. Ela arregalou os olhos.


- Mas... mas não é assim com todos da Ordem? Se fosse assim, deveriam estar todos trancados aqui.


Snape fez que não com a cabeça.


- Srta. Granger, você é uma nascida trouxa. Só que você, dentre todos os nascidos trouxas, é a que ele mais odeia – disse Snape, num tom suave e perigoso.


- Por quê? – perguntou ela. – Eu sou amiga do Harry, mas...


- Não, não é isso, menina – disse ele, impaciente. – Você contraria todas as teorias de superioridade de sangue puro que ele tem.


Silêncio; Hermione o olhava com os olhos arregalados.


- Você não percebe, srta. Granger? Ele diz que os sangues puros são mais inteligentes, mais poderosos, mas você contraria toda e qualquer expectativa. Você é tudo o que ele presume que os sangues puros deveriam ser.


Ele viu os lábios dela se curvarem num sorrisinho tímido.


- Não é a hora certa para achar algo engraçado, Granger.


- Foi a primeira vez que o senhor me elogiou... mesmo que indiretamente – sussurrou ela. Apesar da situação, sentiu-se realizada.


Snape não respondeu àquilo.


- Prometa que não vai sair – disse ele, sério.


Ela sacudiu negativamente a cabeça.


- Se eu continuar presa aqui eu vou entrar em paranóia. Estou ficando louca. O senhor viu como eu agi com meus amigos hoje de manhã? Eu não sou assim. Não sou agressiva, não costumo falar palavras feias, como a que eu falei para o senhor hoje de manhã.


- Estar preso ás vezes é questão de ponto de vista – disse ele, amargo, e Hermione notou que ele estava falando de si mesmo.


- Professor... O senhor está tão amargo... – murmurou ela, olhando-o com uma condescendência que ele achou insuportável.


- Eu não preciso da sua piedade, Granger.


- A minha piedade é a melhor coisa que o senhor tem no momento – sussurrou ela, entre dentes.


Ele arqueou a sobrancelha para ela.


- Não use esse tom comigo, menina.


- Eu uso sim, professor – tornou ela. – Não estamos em Hogwarts. Estamos presos nessa casa insuportável por causa de uma guerra imbecil. E o senhor continua me olhando como se eu fosse uma lesma ou alguma coisa bem nojenta, com essa cara de desgosto. Se o senhor não estivesse nem um pouco preocupado comigo teria me deixado sair.


Snape bufou.


- Eu apenas não queria que as pessoas daqui também achassem que eu sou um traidor, como parece ser a tendência geral.


- Elas não teriam como acusar o senhor... Era só dizer que ficou trancado no quarto e não me viu sair – disse ele.


Snape sacudiu negativamente a cabeça. Hermione esperou ele dizer alguma coisa, mas ele não disse. E de repente as coisas estavam claras na mente dela. Tudo se encaixava.


- Professor, era o senhor que devia me levar para lá? Para Voldemort?


Snape ergueu o olhar para ela e ela soube que sim. O olhar dele normalmente não dizia nada, mas disse dessa vez.


- E foi por isso que descobriram a sua reação? O senhor não me levou e foi punido por isso? – perguntou ela.


Ele fez que não a cabeça.


- Eu recebi a ordem de levá-la para lá ontem.


- Mas então... o senhor não poderia ter fingido que aceitava a ordem e depois ter inventado alguma desculpa para não cumpri-la? Por que o senhor se revelou ontem mesmo?


A menina era mais inteligente do que ele esperava. Geralmente, ele conhecia a inteligência dela nas aulas, no aprendizado, mas nunca imaginara que o poder da inteligência dela também abrangia o poder de dedução.


- Aconteceu alguma coisa... Não consegui disfarçar que não conseguiria cumprir a tarefa. Pelo menos, não encenei muito bem. Ele deve ter me visto hesitar.


- Mas por que o senhor hesitou? A ordem não parece tão ruim... – ela olhou-o e arregalou os olhos em súbita compreensão. Snape estava começando a achar perigoso continuar a conversa. – O que mais ele mandou o senhor fazer comigo?


- Srta. Granger?


- Essa não foi a única ordem dele, foi?


- Não, srta. Granger – respondeu ele, num barítono controlado, segurando a ponte do nariz entre os dedos. – Não foi.


- O que mais ele mandou?


- Tenha criatividade, srta. Granger – respondeu ele. – O que um bastardo como o Lorde das Trevas mandaria um comensal bastardo fazer a uma menininha indefesa?


Hermione estava chocada, mas não tanto pela ordem de Voldemort. Aquilo combinava com ele. Era mais pela reação de Snape que ela estava tão espantada. Ele já devia ter feito aquilo antes; pelo menos fingir que estava tudo bem ele deveria ter conseguido.


- Professor... – ela chamou, apreensiva.


- Não se preocupe, Granger, está fora de cogitação.


- Não estou preocupada com isso. É só que eu não entendo... Por que isso causou um problema para o senhor fingir que estava tudo bem com a ordem? O senhor já... já deve ter feito... coisas...


- Sim, Granger, já fiz coisas que a sua cabecinha tola e inocente jamais poderiam imaginar. É que a idéia de ser um monstro também diante de pessoas que me conhecem... e para quem já fui um monstro de muitas formas... isso me incomodou. Eu morreria antes de ferir algum de vocês... – ele pareceu considerar a questão e acabou concedendo: – Bem, talvez eu torturasse o Potter, mas não mais que isso.


Hermione deu um sorrisinho triste.


- O senhor nunca foi um monstro – sussurrou ela. – O senhor era um pé no saco, mas não era um monstro. Nunca foi.


- Não seja ridícula, Granger – esbravejou ele. – E você, dentre todas as pessoas está me defendendo de mim mesmo. Eu sei bem o que eu sou. Muita gente me lembra disso constantemente.


Hermione olhava-o. Não era pena o que sentia, era compaixão. Ela achava que ele não merecia se sentir assim.


- Não seja tão duro consigo mesmo, professor Snape. Talvez tenha algum modo... Voldemort acreditaria em você... se você fingisse uma cena e depois parecesse que aconteceu alguma coisa?


- Srta. Granger? – ele não escondeu o choque.


- Bom... – ela corou, mas se forçou a ir adiante. – Precisamos do senhor espionando. E eu não quero que o senhor fique preso aqui, como eu estou. Então eu pensei. A gente poderia ensaiar alguma coisa, claro que com a aceitação do professor Dumbledore...


- Ensaiar alguma coisa? – ele repetiu, incrédulo. – Srta. Granger, você faz idéia do que está propondo? Do que está propondo a mim?


- Bom, eu achei que... Pense... eu estaria no laboratório... sozinha. A casa estaria vazia. Você entraria no escritório... Com jeito de comensal da morte...


- Você sairia correndo assim que me visse – disse ele.


- Então – ela continuou, ignorando a interrupção dele – eu olharia para o senhor com cara de aluninha indefesa e perguntaria alguma coisa bem imbecil.


- Tipo?


- O senhor veio aqui avaliar a qualidade das minhas poções?


Snape deu um sorrisinho no canto da boca e comentou:


- No melhor estereótipo de Hermione Granger.


Ela sorriu.


- Bom, aí o senhor se aproximaria sem falar nada e... – ela corou até a raiz dos cabelos. Era muito constrangedor pensar nisso. Era esquisito.


- Você certamente não está pensando no que eu acho que está – disse Snape, cruzando os braços, com um ar de escárnio.


- Bom, o senhor não precisa fazer nada de verdade – ela se apressou a dizer. – Tem que parecer que o senhor ia fazer alguma coisa, mas o Dumbledore chega e vem me chamar.


- E ele me veria tentar algo com você de algum modo? – perguntou Snape, e, pela primeira vez, parecia não estar debochando. Hermione ficou feliz que ele estivesse considerando o plano dela. – Ele provavelmente arruinaria todas as minhas possibilidades de um dia ter filhos se ele visse algo assim de verdade.


Hermione realmente soltou uma gargalhada, tentando imaginar um Dumbledore agressivo. E a triste situação de Snape. Snape mirou-a um momento, com a boca aberta, sem reação. Mas logo se recompôs e disse:


- Responda logo.


- Bom, eu acho que você poderia fingir que estava cozinhando a poção que eu estaria cozinhando no laboratório. Você teria me deixado petrificada em baixo da bancada e ele acharia normal. Ele perguntaria se você sabia onde eu estava e você diria que não, mas que era bem provável que estivesse trancafiada na biblioteca... – Snape parecia estar ouvindo, e ela continuou – E, quando ele saísse, você me apoiaria na bancada e fingiria estar me obliviando. Que acha?


Ele assentiu.


- Parece viável – disse ele. – Só tenho de pensar... em como consertar algo que eu disse para ele antes de voltar para cá.


Ela arregalou os olhos.


- O que o senhor disse?


- Bom, o Lorde das Trevas realmente disse de uma vez só a ordem inteira e, como ele já sabia que eu estava ao lado da Ordem, de certa forma, eu apenas respondi um "sem chance".


Hermione sorriu, tentando imaginar a cena.


- Ele deve ter parido – murmurou ela.


- Chegou bem perto – consentiu Snape.


Ela calou-se com uma expressão pensativa. Snape ficou contemplando-a em silêncio, observando-a morder o lábio inferior, tentando achar uma solução para aquele problema. Ela murmurou:


- Se o senhor puder parecer convincente o bastante...


- Sim?


- Bom, o senhor pode dizer que aquilo foi só algo para mostrar ao Dumbledore da sua fidelidade, porque ele estaria desconfiando de você... então você fingiu ser completo desertor... e o senhor pode falar da vantagem de não ter de arruinar nenhum plano dele com a desculpa de trazer uma informação útil para a Ordem, já que estará espionando só para um lado, o lado de Voldemort, presumivelmente.


Snape fitou-a um instante. Ela parecia ansiosa. Por fim, ele assentiu.


- Parece interessante. Vou trabalhar na cena. Daremos a idéia ao professor Dumbledore hoje mesmo, mas você pode dizer a ele que a idéia foi sua e você não vai fazer nada obrigada... Eu gosto da idéia do meu corpo inteiro.


Ela soltou outra gargalhada. Snape estava adorando faze-la rir.


- Se o senhor quiser, eu o procuro sem a sua presença.


- Não, não, ele deve ver que eu estou de acordo com essa maluquice. Só tem um problema...


- Outro?


- Você não vai conseguir fingir que está com medo de mim. Se você propôs esse plano é porque você, como Dumbledore, confia em mim. Você não vai fingir medo.


Ela fez um careta.


- Não tinha pensado nisso. Nunca fui uma grande atriz.


- Pois é.


- O que o senhor sugere?


- Que eu faça você ter medo de mim de verdade. Vou fazer tudo parecer tão real que você vai ter medo de verdade.


Ela arqueou as sobrancelhas.


- O que o senhor quer dizer com isso?


- Use roupas de baixo bonitas.


Ela abriu a boca e tornou a fechá-la. Snape estava tentando dissuadi-la da idéia. Era brilhante, mas ele não sabia como agiria em relação a ela depois de tal intimidade. Mas ele a viu engolir em seco e assentir.


- Sim, senhor.


Ele fez que não com a cabeça.


- Como você é nobre, Granger. Chega a causar admiração – ele falara num tom irônico, mas ela sentiu que ele falara sério.


- Hum... nós deveríamos... combinar o detalhes.


- Os detalhes? Não, não, isso é inspiração do momento.


Hermione corou até a raiz dos cabelos e murmurou:


- Não esses detalhes. Eu não posso saber de tudo se o senhor pretende me assustar de verdade. Mas os lugares da ação, como senhor vai entrar, a poção que eu vou estar fazendo na hora. São detalhes, mas é isso que vai dar realidade à cena.


Snape assentiu.


- Raciocínio lógico. Vamos subir, então.


E eles subiram em silêncio. Hermione ficou feliz em poder ajudar. Mesmo que a ajuda fosse meio... desconfortável, mas era uma ajuda. E Snape, pelo pouco que ela sabia dele, odiaria se sentir inútil como ela estava se sentindo.


Passaram a tarde inteira definindo falas, ensaiando a primeira cena, antes de ele começar a bancar o comensal. E, depois, ensaiaram a cena do Obliviate. E, para os dois, a tarde fora agradável e até recebera alguns sorrisos de ambos e duas ou três gargalhadas dela.


Quando a noite chegou e, com ela, todos os membros da Ordem – até o grupo que tivera a reunião no Ministério e que era esperado para a manhã seguinte –, encontraram Hermione lendo no sofá e Snape lendo no outro. Era estranho que não estivesse cada um trancado em seu quarto. Para espanto dos primeiros que entraram, Hermione levantou a cabeça e perguntou algo sobre uma poção que estava lendo para Snape, e ele respondeu tranquilamente, sem sinal de ser o mesmo Snape de sempre.


- Ah, professor Dumbledore – disse ele, ignorando os outros, levantando-se. – Tenho de falar com o senhor. A srta. Granger teve uma idéia meio... – ele olhou para ela – esquisita, mas pode funcionar. Quer nos ouvir num lugar reservado?


- Claro – disse um Dumbledore levemente surpreso.


- Hermione, como você fez o professor Snape ouvir você? – perguntou Fred, abismado. – Pegou ele com um Pretrificus de surpresa?


- Não, ela foi fazer o almoço para ela e me deixou comer também – disse ele friamente.


Dumbledore sorriu e os três subiram para o laboratório, onde Hermione contou o plano inteiro, com algumas pontuações de Snape. Por fim, o diretor parecia pensativo, em silêncio.


- Que achou, professor? – perguntou Hermione.


- É sensacional... Você pensou em tudo... – disse ele. – Mas... você tem certeza? Mesmo que seja fingimento... Até eu tenho medo do Severo quando ele resolve bancar o comensal da morte.


- Professor, se esta é a minha maneira de ajudar, eu ajudarei. Além do mais, tem sempre o alívio de ser fingimento – ela ofereceu um sorrisinho tímido.


- Bom... – Dumbledore suspirou. – Isso resolve o meu maior impasse... e me traz de volta as preocupações com você, Severo.


- Eu tenho um papel a cumprir, e é bom que a srta. Granger se disponha a ajudar com ele.


- Quando faremos? – perguntou Dumbledore.


- Creio que pode ser amanhã à tarde – disse Snape. – Vocês todos vão sair de manhã, não é? Apenas dê a eles muito o que fazer fora, para que não voltem até à noite; o senhor fica, ou volta cedo.


- Certo. Até amanhã, então.


Hermione sorriu e corou, olhando para baixo. Era constrangedor, mas era o certo a fazer.

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