Capítulo 23
Na imensidão da manhã
Meu amor se mudou pra Lua
Eu quis te ter como sou
Mas nem por isso ser sua
Draco observou com os olhos estreitos a entrada de Hugo à sala de jantar, o homem parecia demasiadamente contente. O loiro enrijeceu o maxilar quando Pornnilli fixou seu olhar sobre ele, quando pôde reparar no sorriso torto que lhe dispensava em seus lábios inchados.
Cerrou os punhos e expirou com força, ignorando Keyla, a qual, mais uma vez, estava a lhe oferecer suas atenções. Ele daria um braço se estivesse errado em suas suspeitas, mas, de algo modo, sabia, simplesmente sabia, que Hugo havia molestado sua esposa... Ou melhor, a Weasley.
Gina apareceu instantes depois. Altiva. E ainda que tivesse este ar auto-suficiente, parecia distante e não se via indício do sorriso fácil tão costumeiro dela. Além do mais, sequer lhe dirigiu o olhar quando se sentou ao seu lado.
Observando de esgueira o outro canto da mesa, Draco pôde reparar no olhar fixo de Hugo sobre Gina. Então, se antes esperava com gosto o café, agora já perdera o apetite. Em silêncio, a ruiva ao seu lado escolhia o que comer e passara a se alimentar calmamente.
Draco bebeu um pouco do suco que Keyla insistentemente lhe oferecia encarando Hugo com desfaçatez; sabia o que fazer. Pacientemente esperou que Gina terminasse o que pusera em seu prato, não precisou esperar muito em verdade e assim, tomou ela pelo braço e sob o olhar de enfado da ruiva, a guiou para longe dos ouvidos daqueles urubus mal-disfarçados.
-O que foi?
O homem ergueu a sobrancelha sob o tom agressivo dela. - Descobriu o que impede Harry e Hermione de estarem presentes?
-Não - murmurou desviando o olhar.
-O que houve? – Gina apenas o encarou. – O que Pornnilli fez a você?
-Não é da sua conta – recrutou secamente lhe dando as costas, e as dúvidas se esvaíram de Draco.
Ele suspirou pesadamente e se aproximou dela, ainda estando às suas costas, segurou com delicadeza os lados de seu ombro. – Ginny? – a ruiva fechou os olhos e cruzou os braços sob o peito, não disse nada, mas também não se afastou. – Vi as manchas vermelhas em seus pulsos que tentava esconder. Ele feriu você? – perguntou em tom baixo e a ruiva enrijeceu. Draco deslizou levemente as mãos pelos braços dela.
Iria envolvê-la, mas Gina o afastou, e se voltou para o bruxo. – Você não precisa sentir pena de mim – falou depois de ergueu a vista ao encontro da dele.
-Em nenhum momento senti pena de você, Weasley – retrucou calmamente. – Mas você pode ser demasiadamente imprudente – disse em tom reprovador.
Gina riu com cinismo. – Quem acha que é para me repreender? Meu pai?
-Se eu fosse seu pai, garota impertinente – replicou mordazmente. - Nunca teria seguido carreira de auror, você sequer sairia de casa – disse sem emoção.
-Você é tão ultrapassado.
-E você parece uma criança birrenta – contrapôs virando os olhos. – Demônios, estava preocupado, Weasley!
Ela o fitou sem ação, recompondo-se ao instante. – Pois não deveria – replicou dando de ombros. – Não preciso lembrar a você que sou bem grandinha, ou sim?
Draco deu um passo à frente, disposto a chacoalhá-la tempo suficiente até que o juízo daquela mulher voltasse ao lugar ou, ao menos, a fizesse compreender a situação em que se encontrava. Ergueu as mãos para seguir com seu intento, mas parou de pronto.
Aquela era uma Weasley, a sempre auto-suficiente, ardilosa e imprudente Gina Weasley. O que poderia esperar dela se não uma batida de frente?
Riu desconcertado e Gina o fitou como se estive louco. - Mulher, você me tira do sério – a ruiva não disse nada, não tinha certeza do que retrucar. Nem mesmo sabia se Draco estava zombando dela. - Está tudo bem?
Gina ergueu o queixo. – Por que não estaria?
Draco deu de ombros. – Não parecia bem ao entrar na sala de refeições, muito menos ao permanecer lá. O que ele fez?
-Já disse que não é da sua conta.
-Será de minha conta quando eu quebrar o nariz daquele cretino.
-Não o fará – disse estreitando a vista.
-Pode escrever o que disse. Pornnilli nem vai saber o que o atingiu.
-Draco, eu o proíbo! – o loiro riu como se com isso dissesse que sua proibição não valia de nada para ele. - Isto é assunto meu!
Perdendo o sorriso, Draco disse com seriedade:
-E eu sou seu esposo – Gina o mirou com escárnio, mas o homem prosseguiu, ignorando-a. – Ao menos é o que pensam de mim, neste lugar – sussurrou puxando-a para si pela cintura, sob a resistência dela; colocando a cabeça de Gina em um de seus ombros.
-Eu o odeio - disse baixinho, de olhos fechados, aspirando seu perfume.
-Eu sei – Draco retrucou acariciando seus cabelos ruivos.
Gina sentiu seu coração acelerar dolorosamente. – Obrigada.
-Pela reprimenda? Posso o fazer todos os dias se assim desejar – replicou num sorriso.
A ruiva riu entre dentes, afastando-se para olhá-lo. – Não, idiota. Estava precisando deste... de um abraço. E apenas por isso agradeço.
-Não faço isto por você.
A mulher virou os olhos. - Eu sei. Está apenas protegendo sua integridade moral.
-Exatamente.
-Só continue me abraçando por um instante mais...
Draco baixou a vista e Gina ergueu a sua. Seus olhares se conectaram e então aquela sensação estranha de proteção se fez presente outra vez em Gina.
Seus lábios se encontraram em um curto espaço de tempo. Afastaram-se ao instante. Assustados, desconcertados, alarmados, confusos...
Não trocaram sequer um olhar quando se dirigiram de volta à sala de jantar. Mas instintivamente a mão de Ginny encontrou a de Draco, entrelaçando-as.
Segundos mais tarde, ela, achando que havia tornado a pensar com coerência, tentou afastar-se, recriminando-se por baixar a guarda; afinal, tratava-se de um Malfoy.
No entanto, o homem apenas apertou levemente a mão dela na sua. E isto bastou... Bastou para que a ruiva deixasse a sua presa a dele. Então, quando voltou para a companhia de seus “amigos”, Gina estava imersa demais em si e toda sua “situação” com Draco para pensar ou até mesmo enxergar outra pessoa que não ela. Ou talvez Draco.
***//***
-E então? – indagou erguendo a sobrancelha. E ela estremeceu novamente.
Harry Potter era, definitivamente, uma perdição. Poderia desvanecer em seus braços se ele continuasse fitando-a desse modo... Tentador.
Vitória mordeu o canto do lábio inferior, torcendo as mãos. Estava um tanto quanto nervosa e aquele seu ar... Ah, Deus, aquele seu ar estava a tirando do sério. Não conseguia raciocinar!
Apenas o imaginava tomando-a violentamente pela cintura e a beijando com tanto ardor que seus corpos iriam parecer um. Como, há momentos atrás, fazia com Hermione. Vitória expirou fortemente.
Não ajudava o fato do homem a sua frente estar praticamente despido. Sorriu corando ao divagar que tinha suas mãos a lhe percorrer o tórax.
Sentia-se gratificada e estranhamente orgulhosa de tê-lo a observando - e não à Hermione - atentamente.
-Eu... – lançou rapidamente o olhar sobre Hermione. Esta a observava com apatia e, talvez, certa amargura misturada a altas doses de irritação. Visto que era Harry Potter quem estava consigo na cama. Apesar de tudo, a morena a mirava sem emoção. De toda forma, não era preciso ser um gênio para constatar a frustração de Hermione.
Sem tirar os olhos dos de Vitória, Hermione deslizou sua mão pelo braço do moreno, como numa caricia, e ao encontrar a dele, as entrelaçou. Ela, a morena, sorriu sonsamente e Vitória teve a horrível impressão de que aquela mulher lera sua mente e descobrira as fantasias que detinha para Harry. Engoliu duro quando viu o sorriso de mofa que Hermione lhe apresentava.
Era um desafio. Não... Era um alarde. “Meu” pareciam remontar e impor todos os gestos de Hermione para com Harry. “Meu” e Vitória apenas podia olhar a outra mulher ao falar ao ouvido dele, sorrindo calmamente, dispensar um curto beijo em seu pescoço. No mesmo lugar onde havia uma ostentosa marca, obviamente, também feita por Hermione. “Meu” e Harry, sorria perdendo o ar duro enquanto seu nariz tocava o de sua esposa, murmurando qualquer coisa de doce que fez Hermione rir envolvendo-o pelo pescoço. “Meu” e o casal havia novamente esquecido da presença de Vitória enquanto se fitavam amorosamente, antes de, com um gesto simplório, romperem a distância de seus rostos, e desfrutarem um beijo cheio de doçura. Está escrito “meu” quanto Harry a envolve desse modo, desse modo tão singular. E está escrito “minha” quando Hermione está tão entregue quanto nesse momento, ainda nesse beijo inocente.
Vitória levou a mão até a boca, contendo um soluço. Aquilo era uma tortura.
Quando romperam o beijo, Hermione recostou sua cabeça no ombro do marido e este tornou a fitar Vitória com seriedade.
-Bom, apenas queria avisá-los que hoje o almoço será servido na piscina.
Harry e Hermione se entreolharam e a mulher mal pode conter o riso. Enquanto o homem ponderava sobre o que, anteriormente, sua “esposa” havia lhe falado. Ela tinha razão, Vitória era demasiadamente inconveniente... Estava ali só para ter certeza de que não pudessem se “divertir”?
-Oh. Não precisava se preocupar, querida – Hermione contrapôs. – Nós já íamos descer. Só – ela olhou de lado para Harry. – Nós só nos atrasamos um pouco – a morena abriu um largo sorriso. - Que gentileza a sua vir até aqui, pessoalmente, para nos dar este recado, não é querido?
O homem sorriu com ironia. – Definitivamente.
-Realmente não foi nada, estava de passagem por esse andar e como não haviam estado ainda lá em baixo...
-Obrigada Vitória – Hermione disse a se levantar, dirigindo-se a ela. A loira deu alguns passos para trás, observando-a com um sorriso hesitante quanto Hermione pegou o seu braço, unindo-o ao dela. – Nós, em alguns minutos, já estaremos lá embaixo, ok? – indagou puxando-a consigo até a porta. – Você é um amor, obrigada novamente – dizendo isso, fechou a porta no rosto de uma Vitória com a boca aberta prestes a dizer algo.
Lágrimas saiam dos olhos de Hermione ao trancar a porta, seus ombros balançavam violentamente e ela emitia sons abafados pela boca fechada, que tremia.
A bruxa ria com ganas encostada à porta. Oh sim, a vingança era doce.
Ela secou os olhos a tempo de ver Harry encostado à parede, observando-a de braços cruzados. Estava com um sorriso pequeno e os cabelos mais que desordenado... Estava lindíssimo.
Ela suspirou, dando mais uma risada. – Ora vamos. Ela mereceu isto - Harry não respondeu ao tratar de abotoar a blusa que pegara.
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Hermione encarou o casal a sua frente irritada. Até mesmo sabia o que iriam dizer... Observou ao seu redor, apenas para ter confirmada a suspeita que só haviam os quatro naquele cômodo. Os outros já estavam nos jardins, em direção à piscina.
-Como havia falado com a Mione... - então sorriu para a mesma. – E você ficou de pensar em minha sugestão.
“A história verdadeira não era bem assim”. A bruxa fitou Vitória com um olhar duro, mas quando falou, parecia estar tratando de dispensar uma posta de sobremesa. – Pois é, meu bem, decidimos recusar sua oferta.
Vitória franziu o cenho, tratando de deixar de flertar descaradamente com Harry e observando Hermione com incredulidade.
Da boca da morena quase havia saído um som de moléstia. Vitória realmente acreditou que teria a chance de tocar em Harry Potter? Era mais ingênua do que Hermione poderia imaginar se assim o fosse.
O que havia achado? Que estava fazendo uma “troca justa” ao lhe “oferecer” – por assim dizer – Josh como prêmio de consolação, enquanto a beldade ficava a usufruir e abusar de Harry? – Hermione meneou a cabeça negativamente - Fracamente. “uma tola”.
Harry pareceu notar o enojo de Hermione e o olhar ilusionado de Josh para a morena ao seu lado, pois logo atalhou:
-Desculpe-nos Vitória. Josh – ele disse olhando, desta vez, o casal. – Nós somos casal estrita e demasiadamente tradicional. Cem por cento monogâmico. Não nos apetece esse tipo de... “relação” com os amigos.
-Além do mais – foi a vez de Hermione acrescentar. – Não acredito que me sentiria bem sabendo que meu marido - e ela lançou um olhar ameaçador, repleto de orgulho feminino, à Vitória; esta parecia preste a ranger os dentes. – Estaria... se “relacionando” com outra mulher – disse erguendo uma sobrancelha. – Sou do tipo possessiva – falou, em tom de confidência, para a mulher a sua frente.
Josh, Harry percebeu, mostrava-se parte aliviado parte molesto com aquela decisão. E o homem entendia bem o porquê... Era só deixar seu olhar recair ao seu lado. Hermione resplandecia, com todas suas curvas certas e aquele sorrisinho malicioso que se encontrava agora em seus lábios, tiravam qualquer um do sério. Ela tinha elegância e desenvoltura natural e uma arrogância que incomodava de tão graciosa... Sua perspicácia o encantavam e sua doçura, afeto e desmazelo para com ela própria em favor dele o atraia para mais perto, fazendo-o orbitar ao seu redor, incansavelmente.
Sem mais Harry se enfadou, ainda com os olhos fitos em Josh que repentinamente havia se tornado demasiadamente antipático a seus olhos. E, afinal, por que Josh tinha que olhar tanto para Hermione?
***//***
Draco passou o braço pela cintura da ruiva, esta franziu o cenho, mas o homem simplesmente a trouxe mais para si enquanto com a mão livre dispensava aos cabelos dela uma caricia suave. Os olhos dele estavam perdidos, distantes.
-Não acho que tenha sido uma boa idéia termos vindo aqui pra fora.
Draco finalmente focou sua atenção na mulher em seus braços, apenas por um instante, apenas o tempo de respondê-la. – Tolice, está um dia ótimo para estarmos fora.
Gina o ignorou enquanto observava o lugar a sua volta. Era muito belo, sem dúvida, mas sentia-se desconfortável com os olhares que recebia.
Estava apenas com uma saída de banho branca praticamente transparente sobre o biquíni vermelho que usava, ela (a saída de banho) ia até depois de seus joelhos, mas não escondia nada. E apesar de ter Draco envolvendo-a suavemente, sentia os olhos de Hugo e até mesmo de William vidrados em si.
Era fato que adorava ter olhares sobre si, isto, em realidade, continuamente acontecia - não precisava que lhe dissessem que era bela, o sabia. Em parte, por conta dos olhares libidinosos que arrancava dos homens em geral -, mas sentia-se perturbada com o olhar daqueles dois homens em particular.
Num suspiro – e distraidamente -, ela abraçou Draco pela cintura e, na ponta dos pés, o puxou para si, recostando seu queixo no ombro dele. Apesar de tudo, estava sentindo-se frustrada... Enquanto William e Hugo disputavam para ver quem conseguia tirar com os olhos um pedaço dela, Draco mostrava-se imune a todo seu charme.
Ela virou os olhos, enquanto suas mãos vagavam ligeiramente pelas costas nuas dele. Deveria imaginar isto, uma vez ele lhe dissera que mesmo que fosse a última mulher do universo, a dispensaria. Pois não sabia o que estava a perder...
A mulher cravou as unhas de uma de suas mãos na pele dele, inconscientemente. Nem ao menos ouviu o gemido de protesto de Draco ou sentiu quando ele agarrou e depois puxou para trás seu cabelo, fazendo-a fitá-lo.
-Está louca? – indagou roucamente.
Gina o fitou sem emoção, ainda ponderativa quanto o monstro sem emoção que era Draco Malfoy. Talvez ela não fosse tão atrativa quanto imaginava. – O que?
O loiro estreitou os olhos, tratando de concentrar-se. Ele ainda tinha os cabelos dela entre os dedos e o segurava de maneira quase agressiva, apesar disto Gina não parecia se importar. O olhar que lhe lançava era completamente confuso, estaria ela jogando? – Não é hora de brincadeiras, Weasley – sussurrou.
-Do que está falando?! – perguntou franzindo o cenho. Draco expirou com força ao sentir o hálito dela em sua boca. O homem a teria azarado se estivesse com sua varinha, ou melhor, se pudesse a usar.
-O que você quer Weasley? – inquiriu num outro murmúrio, apertando o agarre de sua mão no cabelo dela, puxando-o mais.
Gina fez uma careta de dor, finalmente ciente da mão dele. – Solte-me! Está me ferindo – disse entre dentes, visto que podia entrever Keyla e Alice observando-os atentamente. Sabia que para os outros a mão de Draco entre seus cabelos parecia mais uma caricia.
Draco sorriu com maldade, trazendo o rosto dela para mais perto. Irritado pela bruxa não ter admitido que estava fazendo de propósito, isto é, que estava o instigando de propósito. Mas, logo a ruiva descobriria, ele também sabia brincar de provocar... - E o que fará se eu não o fizer, pequena Weasley? – indagou provocativo em seu ouvido, Ginny estremeceu involuntariamente.
Sequer pôde redargüir, os lábios de Draco tocaram seu ouvido e descenderam acariciando seu pescoço; e Ginevra Weasley perdeu o dom da fala.
***//***
Hermione rolou os olhos quando entraram no quarto, já à noite. - Não precisava também usar uma sunga transparente – o recriminou.
-Não é transparente – Harry retrucara calmamente, mas Hermione ainda estava molesta demais para lhe dar ouvidos.
-Além do mais – Harry continuou. - O que eu posso fazer se elas são ninfomaníacas alucinadas? – indagou com descrédito.
-Ou que sua bendita mãe tenha o parido tão bem? – Hermione murmurou para si olhando-o de esgueira.
-O que disse? – ela abanou as mãos, como sempre fazia quando o assunto não era relevante.
Visões de Vitória, Keyla, Alice e, por Merlín, até mesmo Ginny praticamente despindo-o com o olhar no momento em que Harry fora tomar uma ducha não saiam de foco em sua mente.
Ela soltou um muxoxo vendo-o entrar no banheiro. Supunha-se que Gina estivesse lhe ajudando na farsa, ela tinha seu próprio ‘marido’ pra cuidar ao invés de estar secando a Harry!
–Como se não houvesse mulheres suficientes tratando de conseguir um bocado que fosse dele – murmurou para si, desgostosa. Além do mais, Gina já tivera sua cota de Potter.
Será que era pedir demais que ele fizesse como os outros esposos? Usando bermudas? Ou ao menos uma sunga descente? Mas nãooo... Harry Potter tinha de desvestir sua bermuda e ficar só de sunga... Uma sunga branca que, mesmo antes de estar molhada, já deixava pouco à imaginação. Ainda que era visível que algumas mulheres a deixaram correr solta... Ou seria: correr sobre o corpo dele?
Hermione maldisse pela centésima vez a idéia de ter admitido ir àquela casa.
***//***
Já mais “sociável”, Hermione saiu finalmente do banheiro, amarrando o roupão ao seu corpo.
Havia estado sob o jato de água quente por vários minutos tentando apenas esquecer a visão desagradável do olhar alucinado de Keyla recorrendo o corpo de seu amigo. Era quase tão nojento como os toques “acidentais” de Vitória sobre o dorso nu de Harry ou sua coxa.
Hermione resmungou baixinho, mas foi o suficiente para chamar a atenção de Harry. – Estive a ponto de ir atrás de você – ele disse observando-a. Hermione não se dignou a responder, apenas continuou secando o cabelo. – Terra, chamando Hermione - ela se voltou para encará-lo. – Tudo bem? - ela sorriu, assentindo.
Assim que se deu por satisfeita com a secagem do cabelo, a mulher foi até o armário e se demorou um momento por ali, Harry imaginou que, mais uma vez, estava a escolher uma de suas “camisolas”, as camisas dele, melhor dizendo. Logo, Hermione encontrava-se fechando a porta do banheiro atrás de si.
Harry a recorreu atentamente dos pés à cabeça quando Hermione novamente voltou ao quarto, sorrindo ladino. – Sabe, moça – a morena sentiu os cabelos de sua nuca se eriçarem com seus olhos cor de esmeralda fitando-a de maneira tão, e talvez estivesse imaginando, lasciva. – Nunca pensei que tivesse realmente camisolas – disse quando ela chegou à cama.
-Como achou que eu dormia quando não usava suas camisas? Nua? – indagou sarcástica. Harry tratou de nem imaginar, apenas sorriu observando-a, sua mão instintivamente indo ao encontro da roupa dela. Uma camisola de seda lilás, que cobria pouco menos de suas pernas e nada de seus braços que a maioria das camisas de Harry.
-Você fica sensual dessa maneira – ele disse deslizando a mão sobre seu ventre, e a encarou ainda sorrindo. – Tão ou mais que quando usa minhas roupas – murmurou elevando a mão.
Hermione riu, sentindo o rosto arder. – Obrigada. E devo confessar, você também fica ótimo de – ela arfou quando, desprevenida, sentiu um dos dedos de Harry deslizar abaixo de seu seio.
Ok, estava enlouquecendo. Estava enlouquecendo. Só essa era a alternativa cabível para o que estava sentindo. Não era provável, definitivamente não o era, que Harry estivesse a tocando. Mas e se ele...?
***
(continua)
***
N/A.: Lá em cima, trecho da música “Meu amor se mudou pra lua” da Paula Toller, música – ou melhor, refrão – que eu particularmente gosto.
Oh gente, não se preocupem não, não desisti da fic. E, acredito, nem vou desistir, certo? xD É que simplesmente não estava com tempo e/ou criatividade para terminar (escrever) o capítulo. Como podem ver, ele ficou bem fraquinho.
De toda forma, espero que curtam este capítulo, perdoem-me os erros. E quero também, e principalmente, agradecer imensamente por cada comentário. Cada “atualiza”, cada “será que essa guria morreu?” Ou “mina, por que tu não dá o ar da graça?”.
Então, hoje (dia 16/07) é meu aniversário... E eu quero de presente muitos comentários quanto a fic, pode ser? Rsrsrs. (eu sei, nada abusada... xP)
Beijão gente! |