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26. Capítulo XXVI


Fic: Os Marotos e o Segredo De Sangue - parte I.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Os Marotos e o Segredo de Sangue


 


Capítulo XXIII - Me espere, muchacha.


 


O clima estava definitivamente mais gelado do que na Inglaterra, como o diretor alertou-os quando estavam se preparando com o pó de flu. Ele também dissera que os avós de Sasha estavam voltando de uma viagem à uma cidadezinha vizinha e faltavam alguns minutos para eles chegarem em casa, e os dois teriam que esperar.


 Foram exatos seis minutos que seus avós demoraram para estacionar o carro na frente da casa. Enquanto isso, eles assustaram a empregada ao surgir de repente na lareira e Sasha teve que apagar a memória dela, sem mesmo saber que sabia fazer aquilo. Os móveis eram os mesmos e Sasha se lembrava muito bem deles: antigos, apilhados e tão lustrados como nunca. Em cima da lareira, ela ajeitou uns porta-retratos que caíram quando eles chegaram, e Sirius sorriu observando as fotos de Sasha pequena. Não havia nenhuma recente, e ele não fez perguntas sobre aquilo. As paisagens das fotos eram lindas e aquele parecia ser um país maravilhoso.


 Sasha sorriu quando notou que o garoto corria os olhos pela sala bem arrumada dos avós. O imenso sofá bege que havia na frente deles ficara marcado pela “chegada” por causa do pó que espirrou. Ela levantou a mão e segurou o queixo dele com delicadeza para que seus olhos se encontrassem, e ele respondeu seu sorriso, segurando sua cintura para puxá-la para mais perto. Quando seus corpos estavam colados ela disse, ainda sorrindo:


 - Bem-vindo à Nairn.


 Sirius riu e, mordendo os lábios inferiores, inclinou a cabeça para beijá-la devagar. Foram alguns minutos que a fizeram esquecer onde estava e porque estava. Quando se soltaram, ele falou:


 - Quero conhecer a sua casa.


 - Oferecido. – ela brincou, soltando-se do abraço dele e começando a andar pela casa.


 E apresentou-a para ele. A casa dos avós de Sasha era muito maior do que a casa dela no campo de flores, no outro vilarejo, como ele havia visto na lembrança dela há alguns meses. Ao lado da sala em que estavam havia uma imensa escaria que contornava toda a sala até desbocar no andar de cima, e embaixo dela havia uma porta grande que dava para a cozinha. A empregada havia sumido para lá depois de ter sido enfeitiçada. Havia também uma porta de vidro nas partes do fundo, através da qual se podia ver um belo jardim com uma piscina; e a porta de entrada, contornada por mesinhas, cinzeiros e quadros. Ela o puxou pela mão escada acima, enquanto Sirius perguntava como eram os seus avós e se eles achariam que tudo bem que ele tivesse ido até lá sem ninguém saber. Ela não respondeu e apenas riu.


 Quando chegaram ao fim da escada, Sasha parou e Sirius chegou por trás, abraçando-a, e olhando por cima de seu ombro.


 - O que foi? – ele perguntou perto de seu ouvido.


 Sasha apenas fechou os olhos, respirando o ar que vinha da janelona aberta no fim do corredor.


 - Isso aqui te trás muitas lembranças, não é? – ele tornou a conversar.


 A garota apenas assentiu, e segurou as mãos dele em sua cintura para dizer:


 - A primeira porta é o quarto dos meus avós. A da frente é o meu antigo quarto, e no fundo tem um quarto de hóspedes, um escritório e uma sala de repouso.


 - Não vai me mostrar seu quarto? – Sirius perguntou com uma voz provocante, roçando o nariz pela extensão de sua orelha.


 - Six... temos apenas uma hora... – ela murmurou, e então sentiu ele mordiscar o seu lóbulo e fechou os olhos.


 - Eu sou rápido, Vic. – sussurrou ele, beijando sua pele atrás da orelha.


 Sasha arrepiou-se, e deixou-se ficar alguns segundos sentindo a maciez dos lábios de Sirius enquanto ele acariciava sua barriga, e então virou-se para ficar de frente para ele. Só aí foi perceber que talvez não fosse uma boa idéia: Sirius era muito melhor visto de frente.


 - Temos que descer para esperá-los. – disse antes de ele enterrar a cabeça no pescoço dela, começando a empurrá-la devagar para trás, na direção do seu quarto – Six... – chamou, mas o garoto fingiu não ouvir.


 Foi quando eles estavam em meio a um beijo fervoroso e quente encostados na porta do quarto de Sasha, e a mão de Sirius já estava atrás dela na maçaneta, que ouviram o barulho do motor do carro lá embaixo. Rindo, Sasha se desvencilhou dele rapidamente e correu escada abaixo. Depois de alguns segundos, Sirius apertou os punhos e seguiu-a, descontente. Enquanto ele descia a escada que contornava a parede da sala, sentiu sobre si o olhar de um senhor que estava ao lado da mulher e da neta, que se abraçavam e diziam mil coisas ao mesmo tempo. O olhar dos dois se encontrou por alguns segundos, e os do senhor eram azuis límpidos como os de Sasha. Diabos, agora sabia de quem ela tinha herdado aqueles olhos penetrantes. Eles não eram tão profundos no rosto de seu avô, mas eram intensos como.


 Quando chegou ao fim da escada, desviou das malas espalhadas no chão em volta do trio e estendeu a mão para ele, que crispou um sorriso duro nos lábios enquanto a apertava firmemente.


 - Prazer, senhor, eu sou Sirius Black.


 Quando o senhor abriu a boca para responder, Sasha já havia se desvencilhado da avó – uma senhora da altura dela, os cabelos brancos presos em parte, a pele clara e um sorriso adorável estampado no rosto – e pulado para cima deles:


 - Vovô! Este é Sirius, meu namorado. Sirius, esse é o vovô.


 O sorriso radiante dela fez com que o garoto pelo menos relaxasse, por alguns segundos, até que o senhor tornou a olhá-lo com as sobrancelhas erguidas:


 - Namorado?


 - Sim... ele também estuda comigo, no mesmo ano e...


 Sasha continuou falando coisas para os dois, mas Sirius não ouviu. Os olhos penetrantes daquele trouxa pareciam alertá-lo de algo, tamanha profundidade no olhar. Quando Sasha parou de falar, ele brincou, dando palmadinhas no braço de Sirius:


 - Bem, espero que cuide bem dela, rapaz.


 Então ele se aliviou. Sorriu abertamente para abraçar a avó de Sasha, que se adiantou, fazendo piadinhas sobre como eles eram um belo casal e etc. A empregada chegou e sumiu com as malas, enquanto eles se sentavam na frente da lareira, no imenso sofá branco.


 Sasha de repente pareceu tagarela, mas era apenas porque tinha muita coisa que contar e saber. A avó parecia completamente fora de si também, entusiasmada. Sirius e o avô de Sasha apenas faziam observações às vezes, ou riam das risadas frenéticas das duas. Os mais velhos tinham um bruto sotaque escocês, e algumas vezes Sirius penou para entender o que eles falavam.


 Depois que Sasha contou-lhes sobre o ataque em Londres e tudo o que vinha passando no mundo bruxo por causa daquele maldito, a discussão voltou-se para o lugar em que ela iria passar as férias. Os dois fizeram uma expressão totalmente desolada quando ela disse que não poderia ficar ali. Sirius pensou que deveria ser realmente difícil para eles ficar todo aquele tempo sem vê-la e sem ter notícias.


 - Já rodaram tanto por esse mundo... – Sasha incentivou, enquanto os dois pareciam pensativos - ...devem se lembrar de algum lugar que eu possa ficar segura pelo menos por um mês, ou menos.


 Eles já sabiam mesmo, e estavam com um pensamento sincronizado quando trocaram um olhar apreensivo.


  - Sabe, querida, nós estávamos vivos na Primeira Guerra Mundial, e na Segunda também. – a avó de Sasha começou a contar – a Escócia teve pequenas participações com essa última, mas sim, nós éramos burros o bastante para pensar que nada poderia nos acontecer se fôssemos dar uma volta pela Ucrânia e ver como andam as coisas por lá.


 Sirius crispou os lábios, segurando o riso. Sasha ergueu as sobrancelhas e sorriu, mordendo os lábios inferiores, pensativa.


 - Quando chegamos lá, os alemães haviam acabado de invadir e estavam devastando as cidades em busca dos judeus. Quando soubemos no que tínhamos nos metido, não haviam mãos vôos para fora do país. A Ucrânia era praticamente território alemão. Estávamos ferrados.


 - Mas acontece que a gente sempre dá um jeito – o avô de Sasha interrompeu com uma voz um pouco rouca – não me lembro como, mas fomos parar na casa de uns judeus. Eles eram orientais. – ele disse, rindo um pouco, mas depois prosseguiu – bem, realmente achávamos que estávamos perdidos agora. Estrangeiros na casa de judeus. Mas tivemos uma surpresa quando eles disseram que nós éramos a salvação para eles.


 - Era um casal que tinha uma filha da idade de sua mãe na época. Eles nos acolheram primeiro, achando que estávamos fugindo também, ou só esperando pela morte como muitos. Mas quando dissemos que éramos cristãos, eles começaram a chorar de felicidade e dar bênçãos para os céus. Não morreriam daquela vez, porque os alemães estavam atrás dos judeus. – contou a avó.


 - Aí você se pergunta: E daí, se vocês estavam com os judeus? Acontece que eles tinham um plano. Yara e Kion Kirohisho haviam adotado a filha. Ela não era oriental e tinha cabelos tão negros como os nossos. Eles se esconderiam no sótão quando os alemães viessem e Talita – a menina – ficaria com a gente se passando por irmã de Peyton. E é claro que os alemães vieram... – a voz dele falhou, então a mulher continuou.


 - E eles revistaram tudo, e jogaram tudo de ponta cabeça. Sabiam que tínhamos algo de estranho. Os alemães foram terríveis, e quanto mais judeus eles conseguissem para a carnificina, mais seriam vangloriados e estimados. Eles descobriram o casal no sótão e os levaram sem piedade.


 - Iam nos levar também... mas decidiram apenas disseminar o ódio, e estupraram Talita. Foi horrível, ela tinha apenas dezesseis anos, assim como Peyton. Depois, a menina voltou com a gente para cá e conseguimos recuperá-la do trauma do nazismo... ela ficou com a gente algum tempo, até terminar a escola aqui na Escócia mesmo. Passou como minha filha fora do casamento – comentou o avô com descaso – as pessoas são estúpidas, nem precisamos inventar uma mentira, elas fizeram isso sozinhas.


 - Daí quando ela foi embora – a mulher dele continuou com um nó na garganta – disse que quando precisássemos de qualquer coisa por mais idiota que fosse, era só procurá-la. Não fomos atrás dela na primeira vez para nos esconder porque estávamos seguros juntos em todos os lugares, amor, mas realmente acho que essa é uma situação própria.


 Eles ficaram em silêncio, os menores refletindo sobre a história e os mais velhos, um segurando a mão do outro com cumplicidade, lembrando-se do momento terrível aquele pelo qual passaram anos atrás. Sasha ficou um pouco chocada, mas se estabilizou um pouco ao lembrar-se que o nazismo na Europa fizera coisas estupidamente piores. Só não imaginava que aquilo tivesse acontecido com a sua mãe.


 - Onde ela está agora? – Sirius perguntou, interessado.


 O avô de Sasha sorriu um pouco ríspido.


 - No México.


 - É seguro? – ele tornou a perguntar.


 - Muito, Sirius. – a avó de Sasha respondeu pelo marido.


 O garoto cruzou as mãos atrás da cabeça, segurando a nuca, e depois cruzou as pernas folgadamente, e não disse nada.


 - O nome da cidade é Puerto Vallarta, e é litoral com o Pacífico. Acha que pode se virar com o seu espanhol? – o senhor disse.


 Sasha sorriu.


 


 


*****


 


 


 - Como assim, você vai para o México? – Lily gritou no jardim quando ela disse, acompanhada de Alice.


 - É isso aí... conheço alguns muchachos por lá – brincou a morena, esticando o rosto para o sol.


 - E seus avós? Eles deixaram? – Alice perguntou, indecisa.


 Porque ela não tinha a mínima idéia do porque de Sasha não poder passar as férias na casa de Lily, de Thiago ou até mesmo de seus avós.


 - Sim... na verdade, eles me mandaram para lá. Também vão para a América em alguns dias.


 - Ai, amiga – Alice sorriu estontaneamente, animando-se – é o México! E é verão! Praia, sol... mechicaaanos... – cantarolou por último, com sotaque espanhol.


 Gloria, Lily e Sasha riram da diversão da amiga.


 - É claro, se ela não babasse em Sirius Black e não parasse de pensar nele, podia dar alguma atenção aos pobres mexicanos. – Gloria brincou.


 - E por que não contou nada à gente? – Lily amuou-se, cruzando os braços – eu estava achando que poderia ir passar o fim das férias comigo. Agora vou ter que ficar com Petúnia e o namorado gordo dela!


 - Obrigada pela parte que me toca – choramingou Alice – hey, Glory, você vai para onde?


 - Rússia.


 Era impossível não lembrar. Sasha se lembrou do professor na sala de Dumbledore quando ela e Sirius voltaram da Escócia, sua silhueta apreensiva no canto da sala registrando cada movimento.


 - Oh Merlin, é verão! – Lily criticou – o que vai fazer naquele país gelado e sem amigas?


 Gloria riu, jogando os cabelos para trás e abraçando as pernas:


 - Bem, eu vou morar lá.


 Por uns cinco segundos, as quatro ficaram quietas. Então Sasha, Lilian e Alice tornaram a falar, todas de uma vez e com o mesmo tom de censura na voz:


 - O que você disse?


 - Que diabos...


 - Não está falando sério, né?


 - A Rússia é terrível! – a última voz foi a de Alice – gelada e cheia de ursos.


 Elas não perceberam, mas os olhos de Gloria brilharam.


 - Infelizmente foram meus pais que decidiram. Londres estava ficando agitado demais para eles...


 - Quer dizer, que não vamos mais nos ver? – Sasha perguntou incrédula.


 - Deixou para falar isso no penúltimo dia na escola? Está achando que pode nos matar e mostrar a arma, não é? – a ruiva brigou.


 Gloria riu gostosamente.


 - Calma, meninas! É claro que eu vou continuar em Hogwarts, onde estão com a cabeça? Não há lugar no mundo que eu troque por este.


 As outras três se entreolharam antes de pular no pescoço de Gloria, beijando-lhe a bochecha e derrubando-a na grama.


 - Como a gente ia viver sem você? – Alice perguntou, fazendo-lhe cócegas.


 - Não acredito que nos deu esse susto, Gloria Garret. – Lílian suspirou.


 - Ok, pelo menos não sou só eu quem tenho novidades! – Sasha sorriu.


 - Isso, você indo para o ataque das cobras e Glory indo para o ataque dos ursos – Alice choramingou de novo, e as duas a abraçaram, derrubando-a na grama também, rindo.


 Os jardins estavam apinhados de estudantes divididos em grupos que se divertiam. E as quatro ficaram ali, à beira do lago, aproveitando o penúltimo dia de escola, rindo e conversando e planejando, até que o sol começou a se pôr e o tom avermelhado do céu atingiu-as como um calmante. Elas deixaram-se deitar no gramado verde, Alice sentada com as pernas cruzadas, nas quais Gloria apoiou a cabeça para se deitar, e Lily deitou na barriga da última. Sasha apoiou a cabeça na barriga de Lilian também, e elas ficaram apreciando o céu adquirir tons avermelhados, rosados e amarelados, até que começou a escurecer, atingindo toda a Floresta com essa escuridão, enquanto apenas alguns feixes coloridos ainda iluminavam no céu. Do outro lado, a lua já despontava. Era crescente, e a sua forma estava perfeita.


 Mas é claro que a paz tinha que ser interrompida por alguéns. Thiago Potter derrapou na grama como se esta fosse um escorrega, por causa de um feitiço que ele próprio havia lançado. Contornou-as, rindo, e depois o escorrega tornou a descer. Ele ia cair no lago, mas segurou-se em uma árvore próxima, deixando apenas seus pés descalços se molharem, embaixo das barras erguidas da calça. Pedro vinha logo atrás, dando palmadinhas e risadas para Thiago, que pareceu não notá-lo (talvez porque ele percebeu o olhar de Lily em suas pernas). Remo não se deu ao trabalho de descer até onde os amigos estavam e foi direto deitar-se nas pernas de Alice, com a cabeça ao lado da de Gloria. Frank desceu o gramado também, conversando com um garoto da Corvinal, e despediu-se dele para juntar-se ao grupo.


 Sasha percebeu – e não tinha como não fazer – que Sirius foi o último dos amigos que desceu. Ele estava com as mãos nos bolsos da calça, e com a camisa branca aberta alguns botões, deixando um pouco do espaço embaixo do seu pescoço à mostra, com aquele jeito largado que só o deixava mais provocante ainda – e ela correria para beijá-lo, não fosse o seu olhar baixo e o fato de que ele estava chutando os gravetos no chão.


 A morena levantou-se da barriga de Lily, e ajeitou os shorts e os cabelos enquanto caminhava até ele, pensando no que dizer. Quando ele percebeu, parou no caminho, esperando-a. Só sorriu quando ela beijou-lhe a bochecha e enfiou as mãos no bolso dele para segurá-las. Ela murmurou:


 - Aconteceu alguma coisa.


 - Isso não é uma pergunta.


 - Não, porque eu já sei que aconteceu. O que é?


 - Não é nada, Vic – ele sorriu largamente para ela, fazendo-a suspirar por alguns instantes – você anda obcecada por coisas ruins, já percebeu?


  - Você não me engana, Six – ela disse, ficando na ponta dos pés para beijar seus lábios. A mão dele saiu dos bolsos e soltou as dela delicadamente, segurando atrás de sua cintura com firmeza e prensando seus corpos, enquanto os seus lábios procuravam e exploravam os dela cada vez comn mais avidez.


 Sasha estava entorpecida, pra variar. O corpo dele estava quente e ela sentiu os pêlos de seu braço se arrepiarem quando acariciou a parte de trás de sua nuca com as unhas, arranhando devagar. Então, ela percebeu.


 Afastou-se dele delicadamente, sem soltar-se do abraço, e colou suas testas. O nariz dele acariciou o dela enquanto ela falava:


 - Vá me visitar.


 Os olhos de Sirius se abriram, surpresos, mas um sorriso maroto dançou em seus lábios. Ele então levou o outro braço à cintura de Sasha, para erguê-la no chão fazendo-a ficar da sua altura, em um abraço apertado. Sasha riu, mas principalmente porque percebeu que os olhos dele estavam azuis.


 - Eu ia sem você chamar. Sabe que eu não vou agüentar, ainda mais que você vai se isolar do mundo naquele lugar quente e abafado...


 - Não ia agüentar, eh? – Sasha sussurrou perto de seu pescoço, abraçando-o ali para que ele não a colocasse no chão.


 - Eu ficaria muito bravo...


 - Posso saber como você pretende chegar lá, sr. Black?


 - Bem, se a minha namorada que deveria querer o meu bem, continuar me chamando de Black, talvez eu nem vá.


 Ela esperou o riso dele, mas ele não riu. Havia alguma coisa estranha. Sasha desvencilhou-se e conseguiu colocar os pés no chão e afastar-se alguns centímetros dele para manter-se sã ao dizer:


 - Pode me dizer que diabos aconteceu?


 Sirius sorriu marotamente. Fez que não, e segurou-a pela mão enlaçando seus dedos, levando-a para a beira do lago, um pouco afastados do grupo. Thiago e Pedro haviam subido para ficar junto com as meninas também, e o primeiro parecia confortável ao... brincar com uma mecha de cabelos ruivos. Sasha segurou um sorriso, e Sirius seguiu seu olhar quando se sentaram. Quando avistou, riu:


 - Pontas é um maricas!


 


 


*****


 


 


 O último dia passou como um borrão. Sasha se lembrou que correu para se despedir de Davies, e ele lhe abraçou, murmurando em seu ouvido que sentiria saudades e esperava que ela mandasse notícias. Mas é claro que ela sabia que não poderia mandar nada, então apenas respondeu que sentiria saudades também. Snape seguiu-a pelo corredor furtivamente depois de se despedir de Gregor, e ela virou-se para acabar com a ladainha. Ele estava chateado.


 - Eu acho que isso quer dizer que não somos mais amigos.


 - Ah, cala a boca, Snape! – Sasha irritou-se – o fato de eu não te contar onde eu vou passar o mês de férias faz tudo isso em você?


 - Pensei que confiasse em mim. – ele disse, sem olhá-la.


 Novamente, pela milésima vez na conversa, ele desviou seus olhos para algum ponto atrás deles, no pátio, e ela sabia que era para o grupo de Thiago, porque podia ouvir as risadas e as conversas altas e familiares. Só que Sirius não estava se importando, e isso parecia deixar Snape um tanto... inquieto.


 - Eu confio – ela murmurou amargamente – eu confio mais do que deveria.


 - Ótimo, confia tanto que não pode nem contar onde vai passar as férias! Que bela amiga você!


 - Me considere como quiser! Só que eu não vou dizer... é só um lugar.


 - Você vai com o Black, não é? Vocês vão fugir.


 A seriedade dele fez Sasha ficar boquiaberta, e depois rir por vários minutos, enquanto ele permanecia ao lado dela tão nervoso quanto antes.


 - E eu achando que você tivesse sanidade... – ela disse entre os risos.


 Snape não mudou a expressão. Sasha tentou se conter, mas não conseguia... Fugir com Sirius? E ir pra onde? Só na cabeça de titica de Snape, mesmo. Então, depois de limpar os olhos com a ponta dos dedos, ela apoiou a mão no ombro dele, sorrindo:


 - Você me diverte.


 - Ok... – ele bufou, sentando-se no banco de pedra.


 Sasha sentou-se ao seu lado, e pôde ver os meninos logo à frente. Com eles estavam Gloria, Alice e Franciny Turner. Que diabos... Mas a última parecia estar de intrometida. Enquanto Snape corroía sua raiva pela não seriedade dela diante do que ele havia proposto, ela observou que Gloria e Alice, abraçadas aos respectivos namorados, trocavam olhares furtivos quando Franciny falava alguma coisa com gestos e insinuações, querendo chamar a atenção dos que estavam sem as namoradas. Pedro olhava-a com tanta ansiedade que parecia querer pular em cima dela.


 - É o que estão dizendo. – Snape completou ao perceber seu olhar avoado.


 - Quem está dizendo? – perguntou, virando o corpo para encará-lo, tentando não dar atenção ao que acontecia na sua frente.


 - Malfoy me disse. Bellatrix também.


 - Eles são todos estúpidos. Não sabem cuidar da própria vida e ficam inventando idiotices... espera. Porque eles disseram isso?


 Snape encolheu-se no banco, e desviou seu olhar, e as suas bochechas se coloriram de vermelho vivo rapidamente. Sasha apenas encarou-o com vontade, esperando. Após alguns segundos quieto, ele disse:


 - É o que ele falou.


 Idiota. Mil vezes idiota. Tom iria atrás dela nas férias, só que não teria noção – e ela agradeceu mil vezes a sua consciência por não te-la deixado contar à Snape sobre o México – de onde ela estaria. Ele devia estar arriscando todas as possibilidades para que ela não escapasse. No que ele estava pensando? Que se a achasse, conseguiria o que queria? Não era possível que ainda pensasse que sim. Depois de tantas tentativas frustradas...


 - Ele não sabe de nada. – ela conseguiu murmurar, com o ódio como nó na garganta – e é ótimo saber que você continua atrás dele como um cachorrinho na coleira.


 - Eu n-não...


 - Snape, você acabou de dizer que é o que ele está dizendo. Como poderia saber? – Sasha vociferou, levantando-se, mas continuando a falar com a voz controlada – e sabe o que é o pior? Está me usando. Com certeza se aproximou de mim por causa de algum plano estúpido dele e o que é muito, muito pior... você não é assim. Não quer isso.


 Ele entregou-se, e olhou dentro de seus olhos:


 - Eu não quero mesmo, mas para você é bem fácil falar. Você só tem que fugir.


 Sasha estreitou os olhos, farta.


 - Eu não estou fugindo. – sibilou antes de dar as costas definitivamente.


 Não foi até onde os meninos estavam. Não, seu gênio naquele momento a faria explodir a cada tentativa de atenção de Franciny. Então entrou no castelo, certa de que Snape não a seguiria, com medo demais para enfrentá-la. Mas Sirius percebeu que ela não saíra exatamente calma da conversa. Ele a seguiu observando até quando ela se aproximou do espelho que eles sabiam para onde dava. Ela havia começado a caminhar mais devagar, e ele jurou que isso era proposital...


 Segurou o seu braço e girou-a, ao mesmo tempo em que passava os dedos pelas laterais do espelho e se inclinava para beijá-la fervorosamente. Sasha correspondeu com mais fogo ainda. “Eu dou um jeito nessa furiosa...” foi o que ele pensou enquanto a puxava pela superfície espelhada e adentravam a sala de Havenclaw.


 Sasha grudou em seus cabelos e deixou que a sensação de estar nos braços firmes e urgentes de Sirius a embriagasse para que não pensasse em mais nada. Ele segurou forte sua cintura e pressionou-a mais contra seu corpo, enquanto a guiava pela sala. O desejo percorria por seu corpo como ondas.


 Sasha desceu a mão para a cintura de Sirius, passando os dedos para dentro da camisa e sentindo a pele dele queimar sob a ponta dos seus dedos. Afundou as unhas ali quando ele desceu os beijos para o seu pescoço, e deixou escapar um gemido baixo. Ela ouviu Sirius soltar uma risada baixinha, alertando-a que ouvira aquilo. Então, começou a torturá-la.


 O garoto prendeu-a em uma mesa de pedra que ficava na altura do fim de sua cintura, e pressionou seu corpo contra o dela tanto quanto podia. Seus beijos ficaram lentos e perigosos, descendo para os ombros, os dedos dela já estavam abrindo os primeiros botões de sua camisa enquanto ele arrastava os lábios pela sua pele quente e mordia devagar. Ele ergueu os olhos para ela, e estava azuis. Irradiavam azuis. Isso fez com que a maior paz que ela pudesse sentir a envolvesse, como uma toxina. Diabos, Sirius podia deixá-la grogue.


 - Seus olhos estão azuis – ela ouviu-se dizer, e a sua mão tocou a pele rosada das bochechas dele.


 A respiração ofegante dele foi cortada por seu riso engraçado dele, que lembrava um latido.


 - Não é engraçado – ela reclamou quando ele prolongou o riso, afundando a cabeça em seu pescoço – você tem os olhos totalmente azuis quando está bem, e acinzentados quando está bravo, chateado ou alguma coisa assim. Acha que eu não percebi?


 Ele ergueu a cabeça para fitá-la, nos lábios ainda estava aquele sorriso malicioso mordido pelos próprios dentes.


 - É triste ser tão legível.


 - É que eu presto muita atenção em você – admitiu com um sorriso torto.


 - Eu faço isso melhor – ele provocou, acariciando suas costas.


 Sasha continuou sorrindo torto, sentindo seu coração palpitar e sua respiração falhar, assim como a dele.


 - Prove. – foi o que ela disse.


 Os olhos de Sirius brilharam, mais, e o seu sorriso de alargou. De repente, as caricias nas costas dela começaram a parecer uma dança, até que ele prendeu uma mão no final de sua cintura e outra atrás de seu pescoço, apertando-a mais ainda contra seu corpo. Ele manteve o contato fogoso entre os seus olhos até que seu nariz tocou o dela, e ele desceu-o para a bochecha e depois para a mandíbula. Sasha enterrou as mãos nos cabelos negros dele, afagando-os com a ponta dos dedos, e fechou os olhos.


 - Eu sei que os seus olhos brilham como estrelas quando a gente está perto desse jeito... e eu sei o que você sente... – a voz dele saiu rouca em seu ouvido, e enquanto ele falava, a ponta de seu nariz fazia voltas em sua orelha – desejo.


 O quente do hálito dele e a voz macia de veludo a fizeram arrepiar-se, e ela não conteve outro gemido de aprovação. Sirius não riu dessa vez, mas continuou:


 - Eu sei que quando a gente fica junto, o seu coração bate mais rápido... assim – em um movimento rápido, ele segurou-a na metade das costas, apertando seu busto contra o dele; os dentes dele roçaram na orelha dela.


 Sasha riu de leve, e murmurou um “Convencido” quase inaudível.


 - Eu sei disso e acontece comigo também... suas bochechas ficam vermelhas quando está com raiva, como estava agora pouco, mas fica vermelha quando está excitada também... como está agora.


 A boca de Sirius desceu de sua orelha para o pescoço, e beijou-o fervorosamente, ainda naquele abraço apertado do qual eles não queriam se soltar nunca.


 


 


*****


 


 


 Eles tornaram a passar pelo espelho uma hora depois, para sair. Sirius ainda estava rindo da fúria de Snape e da sua conclusão louca.


 - Não seria má idéia, amor – ele dizia, com um enorme sorriso, enlaçando-a pela cintura – a gente podia ir para o Hawaii, aposto que lá será muito melhor que naquele mosqueteiro que é o M...


 - Sshhh... – ela pediu, alerta – cuidado que as paredes têm ouvidos.


 - Oh, é claro. – ele falou de uma maneira engraçada – mas bem, não tem como ele te achar onde você vai... não é?


 Sasha deu uma risadinha, e apertou mais a mão dele ao responder:


 - Sinceramente, eu não estou preocupada se achar...


 Sirius estreitou os olhos para ela, e depois lhe fez cócegas, como se ela estivesse brincando, e mesmo assim a fez rir. Mas ela percebeu que, pela primeira vez depois de anos, não estava realmente se importando se Tom iria atrás dela ou não. E isso era ótimo.


 


 


*****


 


 


 - Promete que vai tirar milhares de fotos do pacífico e dos mexicaninhos pra nos mostrar – disse Lily enquanto a abraçava.


 - Lily... Eu vou sentir sua falta – a morena respondeu, sorrindo.


 - E eu mais – a outra replicou, soltando o abraço com um sorriso.


 Sasha mal teve tempo de respirar. Quando a sua amiga ruiva bagunçou seus cabelos e saiu para despedir-se de Gloria, Alice voou e abraçou-a com força.


 - Oooown... Traga conchinhas americanas pra mim. – ela disse, e fez Sasha rir.


 - Se cuida na casa de Frank, han? Sabe que Thiago mora ali perto, ele pode ouvir certas coisas... – disse no ouvido dela.


 Alice soltou um riso alto e tampou a boca, os olhos negros brilhando.


 - Sasha, por favor, quando voltar, não me deixe esquecer de conferir com Thiago...


 Sasha riu e mostrou o polegar para ela. Então alguém quente a abraçou por trás e ela não precisou virar-se para conferir, depois que Alice deu risadinhas abafadas, beijou-a no rosto e disse que sentiria saudades e saiu. Sirius colou seu rosto no pescoço dela.


 - Você vai me esperar. – ele disse.


 - Era pra ser uma pergunta? – ela sorriu.


 - Não, eu já sei a resposta.


 Sasha virou-se de frente, e ele enlaçou sua cintura.


 - Você é bem convencido. – disse.


 Sirius riu, e beijou-a suavemente nos lábios, pressionando-os, e depois a abraçou.


 - Mas é bom que você saiba que sim. Eu vou te esperar todo dia. – e quando ele acariciou sua nuca, fazendo com a ponta dos dedos o desenho de sua cicatriz em forma de S, ela completou: - todo minuto.


 - Eu vou, e a gente vai tomar sol em alguma praia afrodisíaca – o garoto falou, a voz um pouco embargada – mas eu acho que só vai fazer sol quando eu chegar, então poupe seus biquínis...


 Sasha riu, mordendo-lhe o ombro de leve.


 - Está com ciúmes, Six?


 - É claro que não. Ciúmes de você? Nunca! – não foi Sirius que respondeu, e sim Thiago, atrás deles, rindo ironicamente.


 Sirius fuzilou-o quando Sasha soltou-se de seu abraço para virar-se. Thiago vinha acompanhado de Remo e Pedro. Atrás deles, a paisagem da estação não poderia estar mais cheia, apinhada de alunos se despedindo com choros e palavras amigas e garotos correndo atrás de seus irmãos mais novos, e pais, que se reconheciam e formavam grupos destacando-se pela altura e conversavam amigavelmente. Óbvio que faria falta demais.


 Sem se conter, Sasha jogou os braços no pescoço de Thiago, fechando os olhos. O amigo respondeu ao abraço rindo, e dizendo: “calma aí, Almofadinhas...”. Ela quase deixou escapar um soluço quando riu, e disse com a voz embargada:


 - Você não vai aprontar muito nessas férias, né? – perguntou.


 - Só o bastante para um maroto se divertir.


 - Oh, céus. Pobre Thiala... – ela riu, e quando ele fez menção de soltar o abraço, ela segurou os seus braços e disse em uma altura que só ele e Remo podiam ouvir por causa da proximidade – por favor, cuidem de Sirius. Não deixem ele cometer alguma loucura por minha causa.


 - Eu vou deixar – riu Thiago, mas Remo piscou-lhe um olho de garantia.


 - Deixar o que? – Sirius segurou sua cintura – não estou gostando dos seus segredinhos com esse veado, Vic.


 - Estamos só colocando umas coisas em ordem – Remo falou, e se aproximou para abraça-la, passando os braços por seu ombro e depois aquecendo-a com seu abraço de urso – se cuida também, daquele jeito que a menininha Sasha fez na lembrança.


 Nostálgica, ela sorriu para ele quando se separaram, os seus olhos brilhando mais que nunca. Para não parecer que fazia desfeita, Sasha apertou a mão de Pedro e bagunçou seus cabelos, desejando-lhe boas férias. Ele resmungou o mesmo para ela e deu as costas aos amigos, indo para sabe-se lá onde.


 - Bem, vamos deixá-los se despedir em paz – Remo disse, saindo abraçado pelo ombro com Thiago, que começou a rebolar para eles, fazendo-os rir.


 O garoto ainda virou-se para trás e deu uma piscadela para eles e afrouxou os punhos, voltando a virar-se para frente para o aglomerado de alunos e pais. Em algum ponto ela quase identificou uma cabeleira loira, mas não deu atenção a isso.


 - Quando eu falo, ele nega... – Sirius brincou – ta mais apaixonado por Remo que eu por você.


 - Uau – ela ergueu as sobrancelhas – isso deve significar muito – ironizou.


 - Pode acreditar... – ele disse sinceramente, inclinando-se para tomar os lábios dela entre os seus.


 Só a idéia de passar um mês longe de Sirius e aqueles beijos quentes e afogueados era torturante. A mão quente dele segurava firmemente sua cintura, e ela agradeceu por isso, porque poderia sair voando ou afundar tamanha era a intensidade de sua emoção.


 Mas eram só alguns dias. Ele iria visitá-la, já estava combinado...


 - Eu vou sentir muitas saudades. De verdade. – ele falou, abraçando-a de novo.


 - Você sabe que eu vou sentir também. – respondeu com a voz um pouco embargada.


 - Não se esqueça que eu vou te visitar. E não se esqueça de não usar biquínis no México antes de eu chegar. – ele sussurrou em seu ouvido.


 Sasha riu e também falou:


 - Não faça nada que eu não faria nas férias, não siga Thiago nas suas atuais galinhagens e não se esqueça que eu vou estar te esperando.


 Foi a vez dele rir.


 - É claro que você vai estar.


 Ele inclinou-se para beijá-la de novo. Se não estivessem na estação nove três quartos e o lugar não estivesse apinhado de gente, ela não se controlaria como estava fazendo. Sua única vontade era levá-lo para algum quarto escuro como aquele de Havenclaw e esquecer do resto do mundo. Nada comparado às praias ensolaradas do México ou coisa parecida, como tinha que ser.


 - Tchau, Six. – ela beijou sua bochecha e sua testa antes de finalmente conseguir dar as costas para ele.


 Se despedir era estranho. Não pensou que daqui a alguns dias, veria Sirius de novo e poderia beijá-lo como quisesse, dependendo do lugar onde fosse parar. E o mês passaria rápido, sem nenhuma preocupação porque Sasha não estava mais fugindo. Tudo o que via para o seu futuro agora eram praias extensas de areia branca, a água do mar tão azul quanto o céu e paisagens paradisíacas. Finalmente, o México invadiu sua mente.


 


 


*****


 


 


 Sasha desviou dos alunos na estação, arrastando seu malão com cuidado, tentando não olhar para trás para encontrar os olhos de Sirius novamente, ou correria para beijá-lo, e sabia que aquilo era ridículo. Acenou para Davies no caminho, e para Amos – já que era o último ano dele e talvez a última vez que o veria, poderia se permitir a ser simpática com o garoto que prolongou o caso de Lílian e Thiago.


 Tinha combinado de se encontrar com seus avós na estação de Londres. Eles já teriam as passagens para o México, três passagens. Iriam acompanhá-la até a casa e ver como ela ficaria instalada e tudo, até que tivessem certeza de que podiam voltar.


 Eles a abraçaram forte quando a viram, perguntaram de Sirius, e ela respondeu que ele ficaria na casa de um amigo – é claro que ela preferiu não contar que isso porque ele agora morava lá porque era uma rebelde ovelha desgarrada.


 A estação estava lotadíssima, e ela reconheceu vários rostos e sorriu para vários estudantes bruxos que passavam por ela. Havia um táxi esperando por eles, e se enfiaram no automóvel quente, que logo deslizou pelas ruas e rodou até parar no aeroporto.


 O vôo saiu exatamente três horas depois que eles chegaram no lugar. O avô de Sasha ainda falava que não havia gostado do corte de cabelo revolto e grande de Sirius, mas que talvez ele pudesse ter algum juízo, quando uma voz chamou nos autofalantes:


 - Senhoras e senhores, o vôo com destino a Acapulco, México, com escala em New York, sairá em vinte minutos. Por favor, dirijam-se ao portão de embarque...


 Eles foram o mais rápido possível, procurando evitar aglomeração depois. Depois de passarem pelo detector de metais e todas aquelas coisas trouxas que se tem em aeroportos, eles caminharam pela pista até o avião.


 Depois de estarrem sentados em seu devido lugar e as malas prontas, só tinham que esperar os outros passageiros. Sasha afundou no banco, fechando os olhos e sentindo o aspirando o cheiro do lugar. Enquanto o ar-condicionado não estava ligado, o ambiente era sufocante. Não era uma boa hora para a blusa fina de mangas compridas que sua avó tinha insistido que colocasse.


 Bufando, ela tirou a blusa, ficando com uma regata branca e soltinha que usava por baixo. Quando estava dobrando a blusa em seu colo, um pedaço de papel chamou sua atenção no chão; havia caído de sua blusa. Não havia? Ela debruçou-se para pegar. O bilhete estava dobrado em quatro partes:


“Me espere, muchacha”


 Sasha ergueu as sobrancelhas primeiro, e depois sorriu com todos os dentes para o papel. Amassaria aquele papel ainda muitas vezes, abrindo e fechando, até que chegassem à Acapulco mais ou menos nove horas da noite. Não que ela tenha realmente parado de dobrá-lo para ler – mas a sua imaginação criava asas cada vez que a letra de Sirius, mais caprichada para o bilhete, floreava com o desenho do coração. Ela imaginou o perfume doce dele no ar e sorriu para si mesma.


 Quando eles saltaram para fora do aeroporto, penaram para conseguir um táxi. Ao alegar que teriam que correr uns bons quilômetros pela costa do Pacífico até Puerto Vallarta, a maioria  revirava os olhos e resmungava um tedioso “turistas” em espanhol, emendando alguns palavrões achando que eles não podiam entender, e saía com o carro sem dar-lhes a corrida. O homem que os levou até a cidade tinha a pele morena e os cabelos negros, e em seu rosto estampado o carimbo mexicano, com suas linhas e expressões calorosas. Ele sorriu e mostrou alguns dentes pretos atrás, dizendo que poderia levá-los.


 - Ótimo, foi difícil conseguir um desses. – Sasha desenferrujou o espanhol, tentando puxar assunto enquanto o homem jogava suas malas no bagajeiro.


 Ele respondeu tão rápido que ela entendeu depois de pensar um pouco:


- A maioria dos taxistas aqui são arruinados e não sabem explorar seus melhores clientes... turistas são uma ótima fonte.


 Ela sorriu com todos os dentes quando entendeu, batendo a porta do carro. Ela espremeu-se entre sua avó e as malas deles, que não couberam no porta-malas. O calor estava sufocante. A lua resplandecia imperiosa iluminando Acapulco, onde as pessoas se aglomeravam, riam, vendiam, e faziam tudo o que se podia fazer com turistas naquela próspera saída de aeroporto. Quando finalmente passaram pelos portões, uma luz de néon chamuscou na lataria do carro e cegou-a de repente, mas era apenas para fazer um efeito para a entrada da cidade para os turistas: Acapulco era linda.


 Erguiam-se inúmeros prédios brancos até onde a vista não alcançava, e milhares de casinhas de pescador ainda sobreviviam entre eles, e, suportando o calor, todos eram morenos, bronzeados, com os cabelos negros ou loiros pintados, e principalmente sorriam. Sorriam para as pessoas que passavam nos carros, para si mesmas, indiferentes aos barulhos do trânsito e dos bêbados transeuntes nas ruas.


 Sasha encostou a cabeça no vidro da janela do táxi, suspirando, e deixou seus olhos correrem entre as pessoas na rua. Me espere, muchacha.








n.a: bem, é isto aí. eu sei que acabou meio nada a ver no meio da história, mas é que eu decidi dividir a fic em partes, porque senão ficaria imeeeeeeeeeeensa. e, de qualquer maneira, nao é como se eu estivesse animada a terminá-la. eu tenho todos os planos para ela aqui, gravados, mas sinceramente, não há nada que eu pense que me anime a continuar. talvez algum dia, daqui muito muito tempo eu saiba o quanto fui injusta comigo mesma em deixar tudo aqui sem terminar, as coisas no papel. e talvez algum dia eu volte para escrever a segunda parte da fic Marotos e o Segredo de Sangue. Enquanto isso não acontece, eu vou escrevendo outras que me animam e me inspiram mais... francamente, adorei escrevê-la. e espero que alguem nesse site tenha gostado. beijos!

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