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23. Capítulo XXIII


Fic: Os Marotos e o Segredo De Sangue - parte I.


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Os Marotos e o Segredo de Sangue


 


Capítulo XXIII – Quem eu ainda quero enganar?


 


Lílian ficou com Sasha até depois da meia noite. No outro dia seria domingo, então a enfermeira e a professora McGonagall disseram que tudo bem, que ela podia ficar cuidando da amiga caso ela acordasse. Mas Madame Pomfrey havia dopado Sasha com soro e outras poções que não deviam fazer bem se misturadas daquela maneira – porque Sasha estava falando mais enquanto dormia do que acordada, dizendo a todo momento o nome de Tom e de Sirius.


 Quando a ruiva voltou para o salão comunal, ele estava tão abarrotado de alunos como se fosse um fim de tarde. Encontrou Alice perto da porta, e percebeu que ela estava esperando por ela. Cutucou-a, acordando a amiga do leve cochilo.


 - O... o quê? Oi, Lily. – Alice cumprimentou, bocejando.


 - Oi, dorminhoca. – a ruiva falou, sentando-se ao lado dela.


 Os marotos, é claro, estavam no salão comunal, tão acordados como nunca. Lílian percebeu que Sirius arregalou os olhos para ela, quando entrou sem Sasha, e depois abaixou a cabeça, derrotado. Com certeza deve ter pensado que ela estava com Gregorio ou qualquer outra coisa.


 - Onde está Sasha? – Alice perguntou em voz alta.


 Novamente, Sirius apurou os ouvidos para as duas.


 - Na Enfermaria. Estava com gripe esta tarde e eu a levei para que tomasse alguma coisa para melhorar... desmaiou quando chegamos lá. – Lílian fez questão de responder em alto e bom tom.


 - Merlin! Vamos vê-la! – a amiga já ia ficando de pé.


 - Madame Pomfrey me expulsou a vassouradas. – a ruiva falou – e além disso, Sasha está dopada. Duvido que vá acordar antes do meio-dia de amanhã.


 Mas no outro dia, aproximadamente às nove e meia, depois de tomar café, Sirius e Thiago foram para a Enfermaria embaixo da capa de invisibilidade. Não esperavam encontrar ninguém por lá, mas Gregorio Davies estava sentado ao lado da cama de Sasha, acariciando seu rosto enquanto ela dormia. Sirius e Thiago aproximaram-se sob a capa, avaliando o rosto sereno e doentio da menina. O primeiro agarrou o braço de Thiago com força, se segurando para não voar em Davies.


 - Para – com – isso! - Thiago mexeu os lábios, soltando o próprio braço das unhas do amigo.


 - Filho – da – put... - Sirius fez o mesmo, apontando para Gregor.


 Thiago colocou a mão na boca e riu. Eles saíram de lá antes que Gregorio saísse. Sirius teve a idéia de aparecer lá antes que ele o fizesse, para ver a sua reação. Caminharam furtivamente para fora da enfermaria, e quando estavam a uns dois corredores, tiraram a capa.


 - Ok, vá salvar a sua bela adormecida... – Thiago riu.


 - Vá planejar quem será a de hoje, Pontas fanfarrão. – Sirius falou.


 Passou as mãos nos cabelos negros, arrumando-os, antes de partir para a Enfermaria novamente. Não tinha a mínima idéia do que diria à Davies, e pouco lhe importava. Queria saber mesmo como Sasha estava se sentindo e ser o primeiro a ver seus olhos se abrindo em uma explosão de fúcsia contra o pálido de sua pele.


 Atravessou as portas vai-e-vem fazendo o máximo de barulho de conseguia. Gregorio saltou da cadeira e virou-se para olhá-lo.


 - Hei. – Gregor cumprimentou, quando Sirius estava ao seu lado.


 - E aí – Sirius fez sem vontade.


 Rodeou a cama para o lado contrário ao que Gregor estava.


 - Está aqui desde que horas? – o maroto perguntou.


 - Acabei de chegar. – ele respondeu, coçando os olhos com os punhos.


 - Hum... – Sirius fez, enquanto seus olhos avaliavam as mãos de Sasha, quase translúcidas, estendidas ao lado de seu corpo.


 Resistiu ao impulso de esticar a mão para pegá-la entre as suas.


 - É melhor eu ir... antes que fique sem o café.


 Sirius nem ergueu os olhos para ver Gregorio saindo pela porta. Desta vez, não se conteve e sentou-se ao lado da cama da garota, segurando sua mão frágil entre as suas. A pele de Sasha estava tão pálida que se podia ver as veias em seu pulso, onde o sangue sonserino corria. Ele traçou um caminho com os dedos em seu pulso e sua mão, brincando com seus dedos. Desviou os olhos para o rosto dela. Haviam olheiras roxas sob seus olhos que não costumavam ter, e um leve amarelado em suas têmporas que denunciava a falta de comida. O garoto meneou a cabeça lentamente, sorrindo, pensando que não podia haver garota mais impulsiva do que aquela. Os lábios carnudos de Sasha estavam pálidos, os pigmentos cor de cereja haviam fugido dali. Mordendo os lábios, Sirius passou o dedo contornando os lábios dela, sentindo sua maciez. Mais uma vez durante quase um mês, sentiu repulsa de si mesmo por ter feito aquilo com o beijo que Bertha lhe mandara. Mas Sasha havia terminado com ele. Suspirando, soltou a mão da garota e colocou-a sobre o colo dela, e então afastou-se para as janelas, antes que não resistisse aos outros impulsos.


 Os jardins estavam vazios naquela manhã, talvez por causa da lama da chuva que se estendera até o dia anterior, ou talvez porque a maioria dos alunos ainda estava dormindo. Ele sentou-se em uma cadeira que tinha ali perto, encostando os braços no parapeito da janela, e cochilou por alguns minutos. Só acordou quando o barulho de três meninas entrando pela porta vai-e-vem feriu seus ouvidos, mas mesmo assim continuou com a cabeça abaixada.


 - Arght... odeio esse cheiro de enfermaria. - a voz de Gloria sussurrava.


 - Será que ela já acordou? – Alice perguntava, e seus passos apressados alcançavam a cama de Sasha.


 - Shhhhh... – ele ouviu Lílian fazer – olhem quem está ali.


 - Oh meu...


 - Eles voltaram? - Gloria sussurrou outra vez.


 - Nãaoo... eu e Sasha estávamos conversando sobre isso antes dela desmaiar.


 Sirius apurou os ouvidos mais. A conversa estava se tornando ligeiramente interessante...


 - Ela disse o que?


 - Bem...


 - Ai que FOFO! – Alice interrompeu Lílian, e Sirius quis dar-lhe um tapa. – ele está esperando ela acordar? QUE FOFO!


 - Alice, fale baix...


 - Own, Glory – ela sussurrou, para controlar a voz – não estão vendo? Ele deve estar aqui desde cedinho! É tão...


 - Fofo, nós sabemos – Lily falou monotamente.


 Sirius sorriu, se mexendo na cadeira.


 - Ah, vocês são tão antiqüadas. – bufou Alice – não vêem o romantismo da coisa? Só se importam com o “eles voltaram? nhá? Sasha, Sirius te pediu desculpas? Você pediu?”


 - Cale a boca – riu Gloria – é que você supera o limite do romantismo, Alice.


 - Que escândalo estão fazendo na minha Enfermaria? – Madame Pomfrey entrou desabalada pela porta vai-e-vem – não posso sair um minuto...


 - Viemos ver Sasha! – Alice disse.


 - Ela não acordou ainda? – perguntou Gloria.


 - Não. Mas ela andou resmungando umas coisas a noite inteira. – a enfermeira disse – acho que foi o sonífero...


 - Você deu SONÍFERO pra ela? – intrigou-se Lílian.


 - Sim, ela precisava descansar! – a mulher respondeu firmemente – está por acaso duvidando da minha capacidade de medicar meus alunos de maneira correta, senhorita Evans?


 - De maneira alguma! Eu só acho que ela estava cansada o suficiente e...


 - Bem, acho que ela deve acordar daqui umas duas horas. Vocês não vão ficar aqui enchendo a minha enfermaria! – ela falou, irritada.


 Houve um momento de silêncio em que Sirius pensou que elas estavam trocando olhares.


 - Ele pode ficar...  - ele ouviu a enfermeira dizer, e de repente incomodou-se por ser o assunto do silencio.


 - Mas porque ele pode quando ele não tem nada com ela? – Lílian perguntou numa voz que fez Sirius a odiar por um segundo.


 - Por que ele está aqui sozinho! Se for pra alguma de vocês ficarem, qual será?


 - Eu. – as três disseram quase em uníssono.


 Sirius segurou uma risada.


  - Todas para fora. Deixem o menino aqui. – a enfermeira ordenou imediatamente.


 Sirius ouviu os passos delas se afastando com resmungos desaprovadores das meninas. Ouviu também os passos da Enfermeira se aproximarem dele e pararem exatamente ao seu lado, e a sua sombra escureceu a visão dele. Ela deu uma risadinha abafada e resmungou um “essas crianças...”, e depois girou os calcanhares e entrou em seu escritório.


 Ele esperou para se levantar, sem ter certeza de que nesse meio tempo ficara acordado ou se cochilara. Seu pescoço estalou ligeiramente quando ele o ergueu, e seu braço estava dormente. “Diabos...” olhou para o grande relógio branco da Enfermaria. Eram onze e meia. Quando empurrou a cadeira para trás, esta fez barulho e Sirius virou-se bruscamente para ver se Sasha acordara ou coisa assim. Ela ainda dormia profundamente na maca atrás dele.


 Suspirando, o garoto virou-se para encarar através da vidraça. Viu seus amigos no jardim, Rabicho estava empoleirado entre Thiago e uma menina do sétimo ano. Remo estava com Gloria na beira do Lago, e ele segurava sua mão gentilmente para que ela molhasse os pés na água sem precisar se sentar, com toda a atenção do mundo. O sorriso que ele dirigia à Gloria era enorme e feliz. Remo estava feliz ao lado daquela garota, ele tinha que admitir. Também pudera: os dois eram monitores, estudiosos, e mais responsáveis do que qualquer um dos outros. Não imaginava que Remo pudesse emanar aquela alegria com qualquer outra garota. Lílian e Alice estavam em algum ponto no meio do jardim, e Sirius notou os olhares furtivos que a ruiva lançava à Thiago quando ele não estava olhando, e vice-versa. Quando eles se entenderiam, afinal? Já estava ficando chato.


 Sasha despertou com um barulho de cadeira se arrastando. O seu sono anterior estava tão profundo que mal pôde acreditar quando abriu os olhos, se livrando da enxurrada de sonhos que haviam engrossado sua mente durante o tempo em que dormira. Se lembraria depois de dizer à madame Pomfrey que era proibido drogar os alunos. Os seus olhos piscaram para se acostumar com a claridade, e quando focou as outras macas, algo mais importante prendeu sua atenção. Algo não, alguém. Uma silhueta que ela conhecia muito bem estava em pé na janela em frente à sua cama, entre duas macas. Sirius estava com a mão levantada na vidraça, e seus cabelos negros estavam desgrenhados e revoltos.


 Ele estava ali, esperando que ela acordasse. O coração de Sasha de repente começou a se acelerar. Tinha que falar com ele. Estavam sozinhos na Enfermaria, era uma oportunidade perfeita. Não tinha a menor idéia do que diria à ele, mas tinha certeza de que precisava dizer alguma coisa. As coisas não podiam continuar como estavam, ou eles acabariam perdendo tudo. “Prometo que eu não vou te deixar mais”.


 Tentando não ranger a maca e fazendo o mínimo de barulho possível com os pés descalços no piso frio, Sasha rastejou furtivamente até o garoto. Sentiu seu corpo estranhamente mole... sem forças, mal podia sentir os dedos dos pés. Lembrou-se novamente de denunciar Madame Pomfrey, mas dessa vez para Dumbledore. Mas não estava adiantando nada tentar mudar o rumo de seu pensamento, quando seu coração palpitava cada vez mais forte dentro do peito, querendo sair. Sua mente ainda trabalhava devagar...


 O cheiro dele embriagou-a de imediato. Ficar a centímetros dos cabelos negros de Sirius não era a coisa mais sã a se fazer quando se estava dopada de poções. As mãos geladas de Sasha tocaram o início das costas dele, e ela passeou os dedos em torno da cintura do garoto por um instante, sentindo que ele ofegou de início, mas depois relaxou, reconhecendo seus dedos pálidos. O calor do corpo dele era como ondas que a atingiam sem piedade, puxando seu íma contra o dele. Dois minutos depois de carícias nas costas do garoto, ela deixou-se abraçá-lo de costas, entrelaçando seus dedos nos dele e esquentando-se com o seu calor. Ela tinha certeza de que ele podia ouvir seu coração contra a pele das suas costas, tão alto que estava rugindo.


 - Eu fui idiota, egocêntrica, infantil, e não pensei nas conseqüências de ficar longe de você – Sasha murmurou com uma voz que não parecia a dela, tamanho era o nó em sua garganta – me perdoe, Sirius.


 O corpo de Sirius pareceu esquentar mais, e ele apertou os dedos nos de Sasha. Ela ficou na ponta dos pés para beijar o seu pescoço, roçando os dentes devagar em sua orelha.


 - Eu senti sua falta. – ela o ouviu sussurrar com um fio de voz.


 Sasha afrouxou o abraço e Sirius virou-se de frente para ela, apertando seus braços fortes envolta de sua cintura fina, aconchegando-a em um abraço quente. Sasha afundou o rosto em seu pescoço. A cabeça dela ainda estava atordoada, como se o cheiro dele fosse algo que ela perdera há muito tempo e o simples retorno daquele doce em suas narinas fosse tudo o que ela precisasse.


 Ainda com os braços em torno dela, ele afastou um pouco o rosto para olhá-la. Azuis. Quase tão azuis quanto os de Sasha. Ele sustentou aquele olhar intenso por um momento. Depois perguntou com a voz rouca:


 - Como está se sentindo? – ele perguntou, sinceramente preocupado, soltando uma das mãos da cintura dela para ajeitar uma mecha de seus cabelos negros atrás da orelha.


 Sasha teve um flash de realidade: devia estar com uma aparência horrível e lenta e com os cabelos mais desarrumados do mundo.


 - Drogada.


 Sirius riu levemente, e seu hálito quente a fez suspirar.


 - Espero que Davies não fique muito triste porque a gente voltou. – ele alfinetou.


 Sasha revirou os olhos, e afrouxou o aperto do abraço envolta dele. Ele tinha que dizer aquilo uma hora daquela? Rindo, ele puxou-a mais para perto de si para que ela não escapasse do abraço.


 - Hey, eu estou brincando, calma.


 Sasha sorriu.


 - Espero que Bertha não se decepcione com nada também. – ela retribuiu a ironia.


 Sirius estreitou os olhos.


 - Não me provoque muito, está bem? Acabei de passar por uma fase péssima – Sasha falou, rindo, e o garoto a acompanhou.


 Depois, os olhos azuis dele ficaram brilhantes de malícia, e ela previu o que ele faria. Sirius inclinou a cabeça e explorou seu pescoço devagar, e ela limitou-se a sentir, enquanto arranhava as unhas de leve por cima de sua camisa. Sirius ronronou em sua nuca como um gato, fazendo Sasha sorrir.


 - Eu gosto de ficar com você, assim – ele levantou a cabeça para olhá-la nos olhos – não vamos mais brigar, ok?


 Ela fingiu ficar pensativa, e depois riu:


 - Só se for de seriedade extrema. – propôs.


 - Se for de seriedade extrema, independente de fatores externos, vamos parar para conversar. – ele falou, brincando com a seriedade por um momento, mas depois de rir de leve voltou ao tom de voz que fazia Sasha estremecer: - estamos combinados?


 - Não prometo nada... – ela riu, beijando-o docemente.


 - Sasha... – ele reprimiu com censura enquanto ela sugava seus lábios inferiores.


 - Hey, chefe, tudo bem! – Sasha colocou as duas mãos para cima como alguém que se entrega faz – você é quem manda!


 Sirius fez uma expressão de superioridade.


 - Bom mesmo.


 Sasha lhe fazia cócegas quando a enfermeira entrou correndo no aposento.


 - O que está fazendo em pé, menina? - ela vinha com os passos rápidos e um tom terrível de desaprovação – não podia fazer isso sem que eu autorizasse, deixe-me ver suas temperaturas!


 Ela arrastou Sasha de volta à sua maca, com Sirius ao encalce, rindo. Enfiou um termômetro na boca da garota e checou suas pupilas novamente.


 - Ainda não está boa.


 - Madam...


 - Não faça objeções! Tenho certeza de que estaria boa se não tivesse sido teimosa e levantado da maca! Deveria fazer repouso!


 Sasha suspirou, e tirou o termômetro da boca antes que ele mostrasse a real temperatura de seu corpo. Ela não podia medi-la depois de ficar mais de cinco minutos em contato com o corpo de Sirius. Óbvio que o instrumento mostraria uma temperatura maior que a normal.


 - Hum... – a enfermeira fez, franzindo a testa.


 - Então? – Sirius esticou a cabeça para ver.


 - Três horas. – ela falou, estreitando os olhos – e você, fora!


 - Quê? – Sasha perguntou, indignada.


 - Isso mesmo, ach...


 - Mas eu estou melhorando! Não quero ficar aqui acordada sozinha! Vou enlouquecer!


 - Humpf... não sei como a presença do senhor Black ajudaria e...


 - Ajudaria sim! Por favor, Madame Pomfrey – ela suplicou – por favor. Deixe alguém ficar comigo, pode ser ele.


 Sirius ergueu as sobrancelhas para o “pode ser ele”, e voltou-se para a enfermeira.


 - Bem... tenho que admitir. Está no meio do dia e vocês adolescentes tem um fogo que só por Merlin... não param quietos! – ela bradou com as mãos – o que eu posso fazer? Bem, apenas não se esqueça de almoçar, Black. Trarei o seu almoço aqui, senhorita, e trate de permanecer deitada!


 - Deitada e feliz! – ela completou, sorrindo com todos os dentes.


 A enfermeira olhou de um para o outro e depois revirou os olhos, e saiu levando o termômetro e arrastando a sua roupa branca imaculavelmente limpa. Sua silhueta desapareceu atrás da porta de seu escritório, e Sasha imaginou que ela devia ter muitas passagens por lá, porque ela nunca voltava pela mesma porta e sempre aparecia correndo pela porta vai-e-vem.


 - Então, o que aconteceu de novo enquanto eu estava fora? – Sirius perguntou, arrastando pesadamente a cadeira ao seu lado.


 - Hummm... bem, eu não dormi nenhum dia em um mês... estou quase enlouquecendo com Lílian, que quer implantar um órgão para estudantes qualificados e dedicados na escola, e exige que eu seja participante – Sirius riu – bem, acho que ela já pode ser professora, sabe mais do que Flitwick e Takashighi juntos!


 Os olhos azuis de Sirius pararam nos seus, e o sorriso desapareceu.


 - O que foi? – quis saber a menina.


 - Takashighi. – ele murmurou – ele e Rabicho estão como unha e carne! O professor lhe pede palpites, opiniões... ajudas mais inimagináveis, e eu acho que é apenas para passar um tempo com ele.


 Sasha engoliu seco.


 - O que estão achando disso?


 - Estamos achando que Rabicho voltou mais idiota do que já era, porque ele não está desconfiando de nada, ou mais esperto do que nunca, mentindo para a gente. – Sirius disse, franzindo os lábios em desaprovação.


 - Eu lhes disse, meu amor – Sasha lembrou, acariciando o rosto de Sirius com as costas da mão – lhes disse que desconfiava. Mas uma vez marotos, sempre marotos... - ela cantarolou, e ele repreendeu-a com uma careta.


 - Na verdade estamos muito desconfiados, senhorita Mills! Ele anda sumindo às vezes, da mesma maneira como sempre sumia, mas agora nós estamos espertos – ele falou, empinando o peito, e Sasha riu – vamos à cozinha e ele nunca está lá, mas quando lhe perguntamos, adivinha?


 - Eu estava na cozinha, onde mais poderia estar? Que pergunta... - Sasha imitou a voz de Rabicho.


 - Isso mesmo! Andamos dando umas indiretas, sabe... ele sempre arregala os olhos e fica em silêncio... um silêncio... comprometedor.


 - Agora acreditam?


 - Não temos provas, Sasha – Sirius balançou a cabeça negativamente – nós somos leais aos amigos. Não podemos atirar as coisas na cara de Rabicho sem que tenhamos certeza de alguma coisa.


 - Bem... isso é verdade.


 - Acha que aquele professor está por trás de alguma coisa?


 - Ele não me parece nada inocente.


 - Pensei a mesma coisa.


 - Mas... sabe, acho que é bom lhe contar...


 Sasha então narrou a noite em que ela e Lílian encontraram o livro das lendas e a lenda do Sangue da Eternidade. Parecia uma teoria boa quando saía de seus lábios, então aprofundou até o dia em Hogsmeade quando comprou o livro das poções e o preço que havia pagado, e Sirius gargalhou quando ela lhe contou.


 - Você é maluca! Aquela é a mulher mais charlatona do mundo bruxo, Sasha!


 - Eu precisava do livro... – ela falou em voz baixa, fazendo um beicinho.


 - Tudo bem... e onde ele está agora?


 - No domitório!


 - Já o leu?


 - Não...


 - Para pagar esse preço por um livro, ele ter que contar as coisas para você, e não você se dar o trabalho de ler.


 - Ah, Sirius! Eu quis gastar esse dinheiro, ok?


 - Se você está dizendo...


 - Arght! – ela grunhiu, apoiando os braços na cama furiosa para se levantar.


 - Hei... esse parece um caso de seriedade extrema? – Sirius a impediu de se levantar, prensando seus braços na cama.


 O corpo dele segurou-a ali, e ele apreciou os olhos de Sasha enquanto estava inclinado sobre ela, avaliando sua expressão de surpresa e seus lábios entreabertos. Ele sorriu marotamente, mordendo o lábio inferior.


 - Seriedade extrema... – ela repetiu com uma voz embargada.


 - Não me faça rir, Vic... – e Sirius afundou os lábios nos dela, em um beijo apaixonado e quente.


 A cabeça de Sasha estava atordoada demais para perceber que aquele era o primeiro beijo daqueles que ele lhe dava desde o começo da manhã, e como sentira falta daquele beijo! Seu corpo ansiava pelas mãos dele, urgentes e firmes, mas ele apenas segurou o seu braço durante todo o beijo. O mesmo beijo com que ela sonhara, ou se lembrara, que seja, o mês inteiro! O labirinto nos lábios de Sirius era perigoso... a maciez era sedutora, e os movimentos eram perfeitos e incríveis. Não tinha como descrever.


 Faltou ar em sua cabeça, mas os lábios de Sirius podiam ser tudo o que ela precisava para sobreviver. Céus, quem precisava daquele soro idiota que a madame Pomfrey lhe aplicara? Não tinha remédio melhor. Mas o garoto pareceu perceber, pela respiração ofegante de Sasha, que ela ainda não estava exatamente curada, e afastou os lábios dos dela com serenidade e leveza, pousando pequenos beijos na extensão de seus lábios, enquanto ela respirava. Mas a mente de Sasha parecia rodar...


 - Ah, Merlin... – ela levou uma das mãos à cabeça, fechando os olhos.


 Tudo estava escurecendo, ela não podia desmaiar por falta de ar! Era idiotice...


 - Sasha? Você está bem? – Sirius falava preocupado.


 O som da voz dele a fez lembrar-se de dar mais algum suspiro e encher os pulmões de ar. Pronto. As cores estavam voltando, assim como a certeza do hálito de Sirius em seu rosto.


 - Estou... – ela falou baixinho.


 Sirius franziu a testa, preocupado. Depois de constatar que ela estava mesmo bem, jogou-se na cadeira ao lado da cama dela.


 - Diabos. – ele resmungou, bravo.


 - O que foi? – Sasha perguntou, levantando-se nos braços de novo.


 - Você tem que desmaiar?


  O tom indignado dele a fez sentir-se envergonhada. E frustrada. Ele não entendia que ela estava na enfermaria, tomando poções e sob os cuidados de uma enfermeira super cuidadosa?


 - Desculpe – ela murmurou com amargura, voltando a deitar-se para não olhá-lo – eu só não me lembrei de como respirar.


 Sirius fitou-a por alguns instantes. Ela ergueu as sobrancelhas e desviou o olhar novamente. Depois, ouviu a risada baixa dele, como se ele a segurasse. Quando virou-se para olhá-lo, ele não conseguia se controlar e soltava altas gargalhadas, sem se importar com o fato de que estava na enfermaria.


 - Você tem problema – Sasha suspirou, meneando a cabeça.


 - É que... eu só estava pensando – Sirius foi falando, enquanto o riso ia cessando – você é doida. Está acordada há uns vinte minutos e enquanto isso já pareceu a pessoa mais calma do mundo, quando pedia desculpas. Depois revoltou-se, depois ficou calma de novo, depois me beijou e quase desmaiou de novo, depois ficou furiosa... você é bem inconstante.


 - Isso não tem graça nenhuma. – bufou a menina.


 Ele aproximou-se perigosamente dela, sentando-se na ponta da cadeira e cruzando os braços na maca. Sasha piscou confusa.


 - Mas é a nervosinha mais linda... – e sua mão ergueu-se para puxar a nuca de Sasha para perto de seu rosto, aproximando seus lábios a apenas centímetros de distância – não se esqueça de respirar. – ele avisou, antes de beijá-la.


 Dessa vez foi terno e calmo. Sirius apreciava, parecia querer enlouquecê-la a cada segundo do beijo mais irresistível de todos. A língua de Sasha percorreu a extensão dos lábios dele, e depois mordeu-os levemente, o que fez Sirius apertar ainda mais a mão atrás de sua nuca. Sasha queria dizer. A cada segundo que o beijava, a cada segundo que a pele dele tocava a dela, ela tinha certeza, e queria que ele ouvisse para que soubesse. Sasha o amava.


 


 


 


*****


 


 


 


 - Olha a bela adormecida! – anunciou Remo quando Sirius e Sasha desceram os jardins de mãos dadas.


 Não é preciso dizer que uma chuva de olhares furiosos, maliciosos e curiosos voaram para os dois. Franciny Turner estava ao lado de uma amiga na escada, quando eles passaram, e pareceu gemer ao ver o braço de Sirius ao redor dela, segurando-a firmemente. O sol ofuscou a visão de Sasha, e ela percebeu mesmo que não estava tão bem quanto pensava, quando sua mente girou um pouco e ela quase tropeçou nos próprios pés ao descer os degraus claros demais. Mas isso não importava. Sirius estava ao seu lado para segurá-la.


 - Como está se sentindo? – perguntou Gloria, abraçando-a.


 - Estou bem... um pouco tonta, mas estou bem.


 - Que susto, hem? – Thiago deu-lhe palmadinhas no ombro – você tem um íma para atrair Enfermaria pior do que Remo!


 - E olha que o Remo passa muito tempo naquele lugar... – Gloria revirou os olhos, e os dois começaram a discutir que o motivo para tantas doenças podia ser os livros velhos e empoeirados que ele andava revirando mais do que devia, embora os outros ali soubessem porque Remo ficava na Enfermaria.


 - Onde está Lily? – perguntou a morena para Gloria.


 Thiago pareceu virar-se de costas para o grupo à menção ao nome da ruiva.


 - Ah, não. – Sasha puxou o seu braço – você ainda está fazendo isso? Pode parar!


 - Isto o que?


 - Está... ah, Thiago, isto! Você sabe o que é!


 - Apenas não me interessei no novo assunto da conversa. – ele falou dando de ombros.


 - Lil está no salão comunal. Disse que seus estudos de Transfiguração de ontem se atrasaram e ela tinha que repor hoje. – Gloria interrompeu a discussão.


 Sasha assentiu e depois lançou um olhar perigoso à Thiago.


 - Podemos conversar?


 Thiago olhou para Sirius, que deu de ombros, e depois para Remo, que abafou risadinhas. Parecia hesitante.


 - Sobre?


 - Você vai ficar sabendo.


 - Podemos conversar aqui.


 - Não, Thiago... tudo bem, se não quiser. – ela desviou os olhos, um pouco desapontada.


 As coisas estavam se ajeitando de novo. Podiam se ajeitar completamente, não? E se Sasha podia falar com Thiago e Lílian... sem levantar suspeitas de querer defender ou um ou outro por causa da amizade que tinha com os dois, podia tentar reaproximá-los, ela o faria. Só ela sabia o quanto Lílian dizia o nome daquele garoto em sonhos.


 - Ok, vamos lá. – ele agarrou seu braço.


 - Tome cuidado! Ela acabou de acordar! – Sirius pediu urgentemente, quando viu o amigo arrastá-la para algum ponto longe deles.


 - Almofadinhas e seus ciúmes! – Rabicho revirou os olhos.


 - Cala a boca, ratinho miserável! – ele riu, empurrando o amigo com o ombro.


 - O que será que eles vão conversar? – indagou Remo.


 - Ah, Remo, pense só um instante...


 - Eu achava que você era mais inteligente, Aluado... – ironizou Sirius, sentando-se na relva verde e jogando os cabelos negros para trás.


 - Ok. Lílian Evans. – Gloria falou quase automaticamente.


 - Ah, devia ter deixado ele tentar adiv...


 - Não, Sirius! Lílian está vindo! – Gloria disse, alarmada.


 - O quê? – Remo virou-se para o castelo, onde Gloria olhava.


 Descendo o jardim para onde eles estavam, uma garota de cabelos de fogo que brilhavam mais ainda na luz do sol descia, rindo das piadas de uma amiga de cabelos negros até o ombro. Elas acenaram e continuaram descendo com o sorriso.


 - Ela ainda não viu Thiago... – cantarolou Rabicho, parecendo feliz.


 - Shhh... – fez Sirius.


 As duas estavam mais perto. Elas cumprimentaram todos e depois a ruiva perguntou com um sorriso grande e cheio de malícia para Sirius, que entendeu de imediato que ela estava daquele jeito por causa da volta deles, ou do que ela supunha que tivesse acontecido, que seja.


 - Então, onde está Sasha? Fomos procurar na Enfermaria mas... – ela procurou com os olhos e nao foi difícil avistar duas cabeleiras pretas ali perto, conversando – ah.


 Ela desviou os olhos para os outros alunos que estavam ali perto, mas o seu olhar voltou aos dois antes de alguém dizer alguma coisa.


 - Estudou? – perguntou Gloria.


 - Estou... acabando de rever. – a ruiva disse.


 - Rever? – repetiu Rabicho – pra que?


 - Pra aprender. – ela piscou um olho para ele.


 Rabicho pareceu embaraçar-se e abaixou a cabeça, xutando a grama com o pé em seguida. Sirius achou que ele não podia ser mais idiota.


 - Argh... você e Remo só pensam em estudar! – praguejou como um resmungo.


 Eles não lhe deram atenção. Como Sasha não voltava – e todos ficaram ligeiramenta animados que Lílian não saísse correndo furiosa dali apenas porque a amiga estava conversando com Thiago a alguns metros dali – eles se jogaram no gramado para apreciar o domingo de sol primaveril. Gloria aninhou-se no peito de Remo com os olhos fechados, Alice ficou sentada com Lílian, com as pernas cruzadas, e as duas fofocavam sobre alguma coisa das meninas da Corvinal, que Frank havia contado para Alice e Lílian parecia chocada. Sirius dedicou-se a fazer malabarismos rápidos demais, apenas para observar o rosto confuso e concentrado de Rabicho tentando acompanhá-lo.


 Quando o sol estava descendo a oeste no céu tingido de cores magníficas e quentes, Thiago e Sasha levantaram-se e ela o abraçou. Sirius ficou olhando de rabo-de-olho o abraço que ele nunca vira Thiago dar em alguma menina na vida, um abraço de amizade. Quando se soltaram, os dois subiram os jardins. Thiago parecia um pouco pensativo, e bagunçava os cabelos e piscava mais do que o normal, mas ele não bufou e saiu correndo quando viu que Lílian estava no grupo. Apenas sentou-se, quieto, ao lado de Rabicho, enquanto Sasha corria para jogar-se entre as pernas de Sirius, que riu.


 - Vou querer saber cada detalhe.


 - Se ele te contar... – ela murmurou em resposta.


 Antes que Sirius protestasse, Lílian pigarreou alto. Sasha olhou-a e ofeceu o melhor sorriso de todos os dentes que conseguiu dar:


 - Obrigada, Lil. – disse sinceramente – sem você eu podia ter morrido.


 - Não exagere – a ruiva revirou os olhos sorrindo – não há de quê. Já me acostumei a levar gente para a Enfermaria nas condições mais peculiares... – ela falou, rindo.


 Em um dos dias normais de antigamente, era quase provável que Thiago se aproximasse da ruiva e enfiasse um “eu sei que você me ama, ruivinha, aquela noite que me salvou foi só pra provar” em uma frase maliciosa e jogasse para a ruiva, mas ele apenas olhou-a e evitou o olhar de resposta. Em dias normais de umas semanas para cá, era capaz de Thiago nem estar ali. Bem... progressos!


 - Você daria uma boa... medibruxa! – Remo falou.


 - Huuumm... já me disseram isso. – ela falou – não... tenho certeza do que eu quero.


 - E...? – Sirius pediu.


 - Aurora. – ela disse com um enorme sorriso estampado no rosto.


 Sirius olhou surpreso para Thiago, que apenas coçou a cabeça novamente, evitando o olhar dos outros; que sabiam, os dois queriam a mesma coisa. Podia ser só coincidência, afinal.


 - E salvar o mundo bruxo do guerreiro das trevas... – Alice levantou as duas mãos, mexendo os dedos.


 Era para ser engraçado, mas o fato de a maioria dos presentes saberem do segredo de uma das presentes – o segredo, bem, que ela tinha o sangue do guerreiro das trevas, que ela era o que mais o guerreiro das trevas queria, e que o guerreiro das trevas algum dia ia pegá-la – causou apenas alguns risos embaraçados. Gloria levantou a cabeça de repente:


 - O que foi?


 Eles se entreolharam.


 - O quê? – perguntou Lily.


 - Isso. Vocês riem de qualquer idiotice – ela falou, e Remo riu – porque não riram agora?


 Sasha engoliu seco, e Sirius ouviu.


 - Oras... até parece que Lílian vai salvar o mundo do guerreiro das trevas. E afinal, quem é guerreiro das trevas? – ele desconversou para distrair Sasha, que apertou sua mão agradecida.


 - Oras... ele. Aquele-que-não-deve-ser-nomeado... – sussurrou Gloria olhando para os lados.


Instintivamente, Sasha a seguiu no ato e encontrou os olhos de Snape perto da porta. Estavam mais escuros do que nunca. Ele devia mesmo ter confundido a saudade e a amizade com... o que ele sempre alegara sentir por Sasha. O amor. Não o amor de amizade, que ela sentia por ele, mas o amor... que ela só podia dar à Sirius. Um amor apaixonado. Os dedos de Severo apertavam um livro grosso com fúria, e seus olhos faiscavam para Sirius. O garoto não demorou a perceber Sasha e deviou os olhos também, dando um pequeno sorrisinho no canto dos lábios, com deboche.


 - Ele também não gostou nem um pouco disso, não é? – ele inclinou-se para sussurrar em seu ouvido e provocar ainda mais Snape.


 - Isso não é problema meu. – ela respondeu, desviando o olhar de Snape.


 - Ah, não? – ele continuou, e brincou com uma mecha dos cabelos dela enquanto isso – acha que eu não ouvi nada do casinho de vocês, não é? Que vergonha, Sasha... agarrar o Ranhoso na Biblioteca não é nada bonito.


 Sasha virou a cabeça para olhá-lo.


 - Não é algo que você nunca tenha feito, não é mesmo?


 - Então admite que ficou com Snape?


 - Não. Não fiquei e você sabe disso muito bem. As fofoqueiras que se explodam.


 - Eu não sei não... Snape às vezes pode ser muito bonito – ele disse com a voz embargada de risos, e depois voltou a olhar para Snape como se fosse para conferir – droga... não pode não. Nunca.


 Sasha não conseguiu segurar o riso. Quando se virou para olhar o amigo sonserino, ele havia sumido escadaria acima. A garota nem quis pensar em como ele devia estar se sentindo, pois não era exatamente o tipo de pensamento para se manter positiva quando de repente uma... maré de sorte estava lhes assaltando.


 - E você... conta seus segredos para ele, Sasha? – Sirius perguntou de uma maneira muito maliciosa, com os lábios em seu ouvido, e os cabelos negros na nuca dela se arrepiaram.


 - Só as coisas que não provocam a ira dele. – ela respondeu, sorrindo com os lábios.


 - Que tipo de coisa? – ele perguntou, beijando o lóbulo de sua orelha.


 Então, Sasha deixou-se corar ao mesmo tempo em que seus olhos se fechavam. Tudo bem que eles dois estavam um pouco mais afastados dos outros, e eles pareciam estar discutindo calorosamente sobre as poções que cairiam nos exames, mas Sirius estava provocando. E estar ali, no meio das pernas dele, não era uma boa maneira de recusar. Nem que ela quisesse.


 - Você... sabe. – ela suspirou quando ele largou sua orelha e partiu para o pescoço – Sirius...


 - Que foi? – perguntou inocentemente, com a voz mais marota que podia falar.


 - Vamos dar uma volta. – ela convidou, sorrindo.


 Sasha levantou-se e estendeu a mão para ele, sob os olhares dos outros do grupo.


 - Vamos dar uma volta – ela disse para eles – alguém?


 Todos recusaram, rindo, sabendo perfeitamente a volta que eles dariam. O céu estava começando a escurecer. Sirius e Sasha sumiram pelo jardim, paralelos à Floresta Negra e ao castelo.


 - Tomara que ela volte antes das sete. – Alice gemeu.


 - Antes das sete? Pode esperar então! – Remo riu, olhando para o relógio que marcava seis e quarenta e cinco.


 - Sete da manhã! - Lílian revirou os olhos, como se fosse óbvio.


 Eles riram, e a ruiva quase notou uma sombra de sorriso passar pela expressão imutável de Thiago. Então uma duvida imensa assombrou-a: devia falar com ele? Qualquer coisa que fosse. Devia? Devia. Nem que fosse apenas desculpa de seu subconsciente para que se aproximasse do maroto. Não pediria desculpas, apenas...


 - E aí, estudando muito? – ela perguntou com a voz um pouco trêmula, empurrando o garoto de leve pelo ombro.


 Os olhos surpresos de Thiago encontraram os seus e ela arrependeu-se no mesmo momento. Estudando muito? Essa era mesmo uma pergunta digna de se fazer quando não se falavam há meses? Ele franziu a testa, confuso, e depois assentiu com a cabeça, e respondeu, rouco:


 - Um pouco.


 Lílian concordou brevemente e percebeu que os outros quatro estavam se esforçando para arrumar algum assunto para não se intrometerem e nem atrapalharem, e Lílian os odiou por isso. Sobre o que Thiago e ela falariam agora? Ela não pensara nisso antes. Estava tão acostumada a dizer umas três palavras e Thiago começar a falar desenfreadamente...


 - Eu não vou perguntar de você porque eu sei que está. – ela ouviu ele dizer, sorrindo com os lábios.


 Mas seus olhos não sorriam. Mesmo assim, agradeceu por aquele sorriso e sabia que devia ser difícil para ele. Diabos, como não pensara nisso antes? Óbvio que devia ser difícil para ele ao menos olhá-la, depois dos olhares maliciosos que eles trocavam correspondendo um ao outro. Assim como era difícil para ela se segurar para não se perder naquele mar brilhante castanho-esverdeado por trás dos óculos. Ele ajeitou-os na ponta do nariz e seus ombros pareceram relaxar, quando ele se debruçou sobre eles.


 - Tudo bem... – foi a única coisa que ela pensou em dizer enquanto ria – erm, como estão seus pais?


 Thiago quase estreitou os olhos para ela, desconfiado, mas depois apenas respondeu, olhando para qualquer lado que não fosse a ruiva.


 - Ótimos.


 Droga, ele não ia mais puxar assunto? Lílian estava começando a ficar furiosa. Não faria mais tentativas tremendamente estúpidas como esta se ele nem ao menos tentasse.


 - Às vezes perguntam de você.


 Ela abaixou a cabeça, olhando para as mãos, enquanto o vento da primavera agitava seus cabelos de fogo.


 - Eles acham que eu finalmente consegui você – ele falou com a voz mais baixa do que antes – vão ficar decepcionados.


 Não! NÃO VÃO NÃO!, Lílian queria gritar, mas tentou manter a respiração em ritmo normal para que Thiago não notasse sua agitação. Tentando arrumar os cabelos inutilmente, ela disse:


 - Você não devia decepcionar seus pais.


 Então os olhos dele ficaram realmente surpresos. Com a boca de cereja um pouco entreaberta, ele voltou a cabeça inteiramente para ela, e pareceu sorrir com deboche:


 - Realmente engraçado você dizer isso, porque me lembro que na outra noite me disse que preferia quando eu os desobedecia.


 - Era outro caso, não misture as coisas.


 - Claro que era – ele ironizou.


 “Era pra você me beijar, idiota.” Lílian suspirou.


 - Esse é o tipo de coisa em que se acredita se quiser. – ela rosnou com a voz um pouco mais alta, talvez fosse por causa das tentativas de seu cérebro fazê-la gritar.


 - Eu não sei por que está me dizendo isso. Não acho que queira que eu acredite em alguma coisa.


 A ruiva suspirou, segurando os cabelos atrás da cabeça. Depois deu de ombros, tentando mostrar indiferença às palavras de Thiago. Isso pareceu deixá-lo menos disponível para a conversa também, e os dois se calaram. Rabicho ergueu os olhos grandes para eles:


 - Vamos andar, Thiago? – ele convidou parecendo ligeiramente excitado.


 “Será que Pedro sente alguma coisa por Thiago? Droga”, Lílian pensava enquanto observava Thiago se levantar para acompanhar o garoto.


 - Velas! – Alice se virou para ela com um pulo, animada, e Lílian olhou de relance Gloria e Remo atrás da amiga.


 - Só para não perder o costume! – encorajou a outra, que sorriu abertamente.


 - Então, como foi?


 - Como foi o quê?


 - Se acha que ninguém viu que você e Thiago estavam trocando algumas bombas aí, está enganada. – ela disse, erguendo as sobrancelhas.


 A ruiva bufou.


 - Ok... apenas trocamos algumas palavras amigáveis.


 - Então estão bem? – ela perguntou esperançosa, com um sorriso.


 Lílian sentiu-se desapontada. Não esperava que quando ficasse tudo bem com Thiago, ele estaria longe dela e que a sua boca estivesse longe da dele. Alice realmente pensava assim?


 - Não mudou nada... eu acho.


 - Acha?


 - Bem, apenas relembramos.


 Alice riu.


 - Relembraram? Como assim?


 - Potter e suas ironias. Você sabe como é.


 - Não sei – ela provocou.


 - Ele me disse que os pais dele estavam perguntando por mim. Que estavam achando que a gente estava junto – a ruiva atirou antes que não contasse sobre aquilo à ninguém.


 Alice arregalou os olhos e eles brilharam intensamente. Enérgica.


 - Aai, que fofo!


 Lily não se conteve em revirar os olhos, e riu.


 - Páre de dizer que tudo é fofo! Por favor!


 - Tudo bem – a morena concordou ainda rindo; parecia realmente animada, talvez Lílian estivesse errada em pensar que ela não queria que ficasse tudo bem entre ela e Thiago, quer dizer, que eles ficassem juntos... no final - mas que é fofo, isso é. Os pais! Eu só fui conhecer os pais de Frank esse ano! Dá pra acreditar?


 Lílian riu e fez-lhe uma expressão confusa.


 - Acho que eu fui um pouco... pra frente, então.


 Alice gargalhou.


 - AI QUE FOFO!


 - Por favor – a ruiva começou em tom áspero, mas foi interrompida pela amiga.


 - Ok, parei, parei. Mas isso é muito lindo, Lil!


 - O que é lindo? – ela perguntou remotamente.


 - Isso! Você admitindo que vai ficar com Thiago! É lindo!


 - Alice, porfavor, pare com esses ataques! – ela pediu em voz baixa, percebendo que alguns alunos em grupos próximos viravam a cabeça para olhá-las.


 - Que se danem eles! – ela falou no mesmo tom de antes – isso é tão...


 - Não fale. - ela rosnou mais para si mesma do que para Alice.


 - Fofo!


 - Demais para uma conversa só, Alice! – Lílian levantou-se emburrada, e a morena a seguiu saltitante.


 Remo e Gloria levantaram os olhos, saindo da conversa entre sussurros na qual haviam penetrado com aquela delicadeza e paixão que só eles sabiam fazer. Sirius e Sasha eram mais... foguentos; gostavam mais do contato físico. Mas Gloria e Remo pareciam ter a eternidade para se tocar, com as inúmeras palavras gentis e românticas. Como ela e Thiago seriam? Diabos, estou pensando demais nisso, eu não deveria. Nem sei se vai dar certo. Na verdade, até torço para que não dê... ah, quem eu ainda quero enganar?


 - Vamos para a Torre de Astronomia, Lil! – Alice convidou, sorrindo.


 - Alice, esse não é o tipo de lugar que se vá acompanhada de uma menina. – Remo ralhou, rindo baixinho, e Gloria o acompanhou.


 - É que... o céu está maravilhoso! – ela resmungou ofendida – pois bem, vou convidar Frank, tenho certeza que ele não vai recusar... – e saiu embalada na colina dos jardins de volta ao castelo.


 - Ótimo, sozinha de novo... – Lily resmungou.


 O casal a olhou curiosamente.


 - Boa noite para vocês! – ela desejou com um sorriso sincero.


 Os dois responderam o mesmo e observaram enquanto Lílian subia na mesma direção que Alice.


 - Ela vai ficar bem? – Gloria perguntou com um sussurro que sabia que Remo era capaz de ouvir.


 - Lílian?


 - Ela não parece bem, eu percebo. Lily tenta disfarçar ao máximo, e está conseguindo aos olhos da maioria... mas a mim ela não engana.


 - Huum... garota esperta. – ele murmurou, fazendo-a rir.


 - Estou dizendo! Dá pra perceber como ela olha para ele quando pensa que ninguém está olhando.


 - Eu sei. Também percebo.


 - Não percebe nada! – Gloria ralhou.


 - Percebo sim... Lily está sofrendo, mais do que demonstra.


 - Ok, já que insiste que percebe... acha que ela vai ficar bem? – repetiu a pergunta com um sorriso.


 Remo fitou-a por um instante, pensativo, e depois respondeu:


 - É só dar tempo ao tempo.

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