Seus passos ecoavam pelo corredor deserto. O choro ameaçava irromper com força total, mas ela tentava segurar corajosamente o soluço de agonia. Suas lágrimas a impediam de olhar atentamente para onde seus pés a levavam. Seus livros há muito haviam ficado para trás quando suas mãos não mais conseguiam segurar o peso. Seu coração pesava mais que tudo, e sua maior vontade era arrancá-lo do peito. Suas mãos apertavam inconscientemente a frente das vestes, onde possivelmente deveria estar seu coração. Onde ela pensava que ele estava... Onde ele não mais habitaria.
Parou insegura em frente á uma tapeçaria. ‘Eu só preciso dormir. Eu só preciso esquecer...’, ela pensava freneticamente, enquanto um baixo soluço rompia a imaginaria barreira do silêncio. Ela andou três vezes em frente à tapeçaria, mentalizando esse pequeno pedido. Uma pequena maçaneta apareceu instantaneamente, e sem mais conseguir segurar o choro e as lágrimas, a garota entrou vacilante.
Era um quarto, comum e perfeito. Uma cama e uma mesinha, nada mais. Porém, em cima da mesa era visível um pequeno frasco, com um liquido tão límpido e transparente, que nem água parecia ser. Era algo a mais.
Ao lado do frasco, um bilhete: ‘Para esquecer. ’
‘Pelo menos essa sala consegue ver o que eu preciso...’, pensou ela, chorando copiosamente agora, sem se dar ao trabalho de fingir estar bem. Sentou-se trêmula na cama, as lagrimas caindo incessantemente, os soluços já incontroláveis. As mãos, onde supostamente seu coração ainda tentava bater.
‘Por que tanto sofrimento? O que tanto isso me afeta? Por quê?’, ela pensava controlada apenas pela dor que tomava seu corpo.
Ela não parou para pensar no que poderia ser a poção no frasco. Sim, ela sabia que era uma poção. Ela conhecia praticamente todas as poções encontradas em livros didáticos, ela sabia tudo. Só não sabia o que aconteceria depois daquilo.
A garota identificaria rapidamente a origem daquele liquido tão límpido, mas no fundo ela não se importava. Se fosse para esquecer, então era algo bom. Assim, com as mãos trêmulas, ela alcançou a frasco e o destampou. Sem cheiro. Mordeu o lábio inferior, uma pequena duvida em sua mente. Mas, como que para avisá-la do sofrimento, seu coração bateu fracamente. Era o certo... Era o certo... Era o certo?
‘Sim, é o certo’, ela pensou e em um movimento rápido tomou todo o conteúdo da poção. Sem cheiro, sem gosto. Imediatamente, uma sensação de dormência tomou conta de seus dedos, tanto dos pés como das mãos, e foi espalhando-se por seu corpo. Seus olhos, ainda banhados por amargas lagrimas, começaram a pesar toneladas e ela deu-se ao trabalho de tirar os sapatos e deitar pesadamente na enorme cama.
A dormência dominou seus braços, deixando um rastro de fogo. Ela não sentiu necessidade de se cobrir. Seus olhos fecharam-se e ela sentiu-se bem. Não feliz ou inteira, apenas bem.
‘Esquecer... Esquecer... ’
Por um tempo tudo havia desaparecido. Sem sonhos, sem imagens. Ela quase sorriu, mas imediatamente entendeu que não estava acordada. Talvez dormindo... Ou... Morta? Ela queria rir de novo, parecia tão irônico. A garota que havia morrido depois de uma humilhação publica. Até para morrer ela era clichê. Ela queria chorar, mas novamente a impossibilidade de expressar. Ficou raivosa imediatamente. Se para morrer, ela tinha que abrir mão de chorar, então não havia sido um bom negocio.
Inesperadamente, cenas inusitadas invadiram a sua mente.
Primeiro ano, ela deslumbrada com um mundo novo e excitante, algo desconhecido por ela, e idealizada por qualquer garota. Os olhares dispensados á ela, que até a segunda semana ela não havia percebido. Sangue-ruim... Depois de um mês, sua primeira crise de choro.
Segundo ano, havia voltado mais confiante. Uma conversa com sua mãe, sua melhor amiga, havia mudado seu modo de pensar. Se ela estava naquela escola, então ela era digna. E iria provar. Estudava como ninguém, era mais inteligente que todos. Sentiu-se orgulhosa, já havia amigos que gostavam dela. Apenas uma frase. ‘Sujeitinha de sangue-ruim.’ Uma frase, uma humilhação.
Depois dessa pequena frase, todos viam uma garota forte e inteligente, inabalável e corajosa. Ninguém a conhecia de verdade. Apenas ela sabia os pensamentos mais sombrios que passavam por sua mente. Apenas ela conhecia a verdadeira Hermione Granger por trás de sua mascara meticulosamente construída.
Terceiro ano, quarto ano, quinto ano... Uma coragem que não era dela. Aquela não era ela.
Agora, ela verdadeiramente gostaria de rir, um riso amargo, que sempre a dominava quando se encontrava sozinha.
‘Ela não responde...’
Se não estivesse morta, como imaginava veementemente, seus olhos provavelmente iriam se escancarar. Ela não havia pensado aquilo.
‘Hermione, por favor... Volte...’
Alguém implorando por ela? Realmente ela estava próxima do céu. Ou de seu verdadeiro inferno.
‘Senhorita Weasley... Está certa disso?’
Gina? Em seu inferno particular? Quis chorar dessa vez. Gina era boa para ela, não deveria estar em seu inferno. Ele deveria. Ele não fizera nada.
‘Precisamos de você... Eu preciso...’
NÃO! Ela quis gritar dessa vez. Em seu inferno particular, ela agüentaria até a voz de Você-Sabe-Quem, mas a dele não. Ela queria gritar, quebrar e coisas, e... Morrer. Tudo, menos a voz dele.
Porém, inesperadamente, uma dor inimaginável passou por sua garganta, e pela primeira vez, ela sentiu seu corpo reagindo a alguma coisa. Ela acreditara tanto na morte, que agora parecia impossível ainda estar viva. Mas ela estava. Surpreendendo até mesmo para ela, seus olhos se abriram em um rompante e sua visão foi tomada por borrões. Ela estava em movimento. Rostos passavam por sua mente... Preocupados? Com o quê? Com ela? Tentou rir, mas a dor tornava-se cada vez maior em sua garganta. Minerva entrou em seu campo de visão. Semblante preocupado, lágrimas nos olhos. Gina corria atrás da professora, seu rosto transtornado, as lágrimas descendo impiedosas. Ron atrás da irmã, preocupado e chorando. Nunca pensou que veria Ron chorar por algo.
Tentou evitar a ultima pessoa. Ela sabia quem era mesmo antes de visualizar. Transtornado, acabado. Com muito esforço, um sorriso escapou por seus lábios. Um sorriso amargo, de vitória. Se ele sofria, ela estava feliz. Os olhos dele, algo que ela nunca esqueceria, dominado pela dor.
O movimento parou, e duas pessoas estavam á sua frente. Luna, sem sua alegria nata, os olhos azuis opacos e tristes. Dumbledore? Sim, Dumbledore. Sem o sorriso bondoso, o olhar piedoso. Uma lágrima visível por baixo dos óculos de meia-lua.
Inesperadamente, algo perfurando sua pele, uma dor intensa. Ela não resistiu. A escuridão á tomou. Ultima imagem? Os olhos dele.
n/a: eu tô animada, falaê;
tô atualizando muito a fic =) por vocês. preciso de mais comentarios, ok galera?
agradeço quem está seguindo a fic.
vou levando enquanto posso.
em breve voltarei.
bjs, lov u.
14 de abril de 2011.