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18. Capítulo XVIII


Fic: Os Marotos e o Segredo De Sangue - parte I.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Os Marotos e o Segredo de Sangue


 


Capítulo XVIII – Quando tudo o que se pode fazer é acreditar


 


  Lílian amassou a carta entre os dedos, olhando furtivamente para Sasha e esperando que esta não percebesse o olhar, mas ela o fez. Curiosa, a morena pegou o papel na mão da ruiva. Era uma carta da senhora Evans.


”Querida Lily,


 Eu e seu pai estamos ótimos e sentimos saudades... e sinto muito que a irmã de seu pai tenha convencido-o de que temos que passar as férias de Páscoa lá. Petúnia levará o Válter. Seria bom se a sua tia não fosse tão apressada e esperasse você chegar para nos buscar, mas sabe como ela é... então, suponho que seja melhor ficar na escola, ou então fazer qualquer coisa que lhe agrade.


 Nenhum amigo lhe convidou para passar alguns dias em sua casa? Qualquer que seja ele, eu deixo você ir. Você precisa se desenterrar dos livros por uns dias, filha, nem me escreve mais.


 Se divirta! Desculpe novamente.


 Te amamos!


 Mamãe e papai.”


 - Ahá! – Sasha comemorou – qualquer que seja ele!


  Lílian bufou.


  - Não acredito! Alguém deve ter dito alguma coisa a ela, não é possível...


  - O que não é possível comigo por perto? – Thiago pulou no sofá entre as duas.


  - Adivinha só! – Sasha começou, animada – alguém aqui recebeu uma carta hoje!


  - Lily?


  - Lílian! - a ruiva grunhiu em resposta.


  - De quem? – Thiago ignorou o nervosismo dela.


  - Da mamãe! – respondeu a morena.


  Um sorriso imenso apareceu imediatamente nos lábios cereja do maroto.


  - E? – ele quis saber, já adivinhando.


  - Bem, ela não deixou. – a ruiva falou simplesmente.


 O sorriso desapareceu do rosto de Thiago e Sasha pareceu indignada.


  - O quê? – os dois fizeram juntos.


  - Ah, Lily, não faz isso... você sabe que ela deixou! – insistiu Sasha.


 - Mas eu não quero ir! – ela falou de uma vez, irritada.


  Thiago abaixou a cabeça tristemente. Sasha estranhou de início, mas logo notou o teatro que o garoto começaria a fazer:


  - Poxa, Lílian, eu não sei porque você faz isso comigo, de verdade.


  Sasha sentiu-se novamente sobrando. Como se adivinhasse seus pensamentos, Sirius saltou os dois últimos degraus da escadaria que dava para o dormitório masculino alegremente, com um estrondo ao bater os pés no chão, fazendo os três se virarem para vê-lo. Ele deu um grande sorriso para eles:


  - E aí?


  Sasha apressou-se e agarrou em seu braço, puxando-o para fora do salão comunal.


  - Que fogo é esse, garota? – ele perguntou marotamente.


  Sirius tinha o estranho costume de deixá-la mais feliz apenas com a sua presença.


  - Thiago está fazendo o seu joguinho de “eu sou coitadinho e preciso de você” com Lily, não quero presenciar aquilo para constrangê-la ainda mais. – ela disse, soltando-o e seguindo pelo corredor.


  Sirius a seguiu.


  - Coitada.


  - Não, Six... ela é durona na nossa frente. Na frente de Thiago, ela vai acreditar em todas as palavras que ele lhe disser. – ela sorriu para ele.


  O garoto adiantou-se e conseguiu acompanhá-la, segurando os dedos entre os seus. Sasha olhou para as mãos unidas e sorriu para ele:


  - Não se esqueça que estamos fora de hora perambulando pelos corredores. Temos que tomar cuidado.


  - Não se preocupe... – ele falou, passando as mãos pelos cabelos negros – hoje é o dia da ronda de Remo.


  - E onde quer me levar? – a garota perguntou, maliciosa.


  Os olhos de Sirius brilharam imediatamente. Fazendo a garota parar de andar com uma puxada em sua mão, ele segurou a outra mão dela e prendeu as duas atrás de seu corpo, segurando-a em um abraço firme, mantendo seus rostos muito colados.


  - Sabe que... eu nem tinha pensado nisso.


  - Não deve sair me arrastando pelos corredores sem saber onde vai, Six... – a garota provocou, sussurrando com a voz baixa, fitando seus lábios com vontade.


  Sirius deu uma risada gostosa e seu hálito embriagou os sentidos de Sasha, fazendo-a se sentir estranhamente leve e mais feliz. Então, ele inclinou mais sua cabeça e tomou os lábios carnudos dela entre os seus em um beijo lento e apreciativo, daquela maneira que só ele sabia fazer. Não soltou suas mãos e manteve o abraço forçado, mas se o tivesse feito suas mãos voariam com suavidade para o seu rosto e acariciariam a pele macia da bochecha, decorando a sua textura em cada linha.


  Quando soltou seus lábios, ele manteve-os roçando ainda nos dela, ofegante:


 - Eu sei exatamente onde ir. – falou.


  Sasha deu um sorriso torto. Ela sabia que Sirius não gostava nada que os outros pensassem que ele não sabia para onde ia ou o que estava fazendo. Ela sabia também que ele pensaria em alguma coisa rápido, mas não era mortal provocá-lo...


  - Então o que está esperando? – ela desviou os olhos de seus lábios e encontrou os olhos azuis do garoto.


  Aqueles olhos totalmente azuis, sem sombra nenhuma de cinza. A mudança da cor de seus olhos estava começando a deixá-la intrigada.


  - Esperando você parar de me beijar. – sussurrou, roçando os lábios nos seus.


  Ela sorriu novamente e não o beijou como ele esperava, apenas manteve aquele jogo de roçar os lábios dele entre os seus e, quando ele vinha para aprofundar o beijo, ela se afastava. Os dedos dele apertaram as mãos dela em suas costas, protestando. Nesta brincadeira, nem perceberam quando um professor muito bem conhecido entre eles por sua fama canina aproximou-se, seguido de duas silhuetas grandes.


  - Muito romântico. – a voz fria do professor assustou-os, fazendo com que eles se afastassem instintivamente.


  Então, reconheceram Snape e Malfoy, cada um de um lado do professor, de braços cruzados, como delatores. Sasha estreitou os olhos para o primeiro, chamuscando-o.


  - Senhor Black e Senhorita Mills, já sabemos que a química entre vocês é muito forte e tudo – o professor recomeçou rapidamente, e quando terminou de dizer isto Malfoy deu uma risadinha debochada ao seu lado, levando a mão à boca – mas isso são horas de sair para namorar? Temos os finais de semana que dão horas livres e inúmeras salas vazias! Mas vocês preferem arriscar com bravura e mostrar que tem coragem à esta hora pelos corredores, quando um sonserino faz a ronda!


  - Desculpe – Sirius interrompeu com aquele habitual tom grosso de se dirigir ao professor – hoje é a ronda de Remo.


  - Você sabe que hoje não é a ronda do senhor Lupin. – os olhos do professor faiscaram para Sirius – hoje é quarta-feira.


  O garoto abriu os olhos estranhamente. Quarta-feira. O último dia da lua-cheia, o menos cruel para Remo, mas mesmo assim eles não deixavam de estar lá para ajudá-lo. Devia passar das nove horas... Remo já devia estar no Salgueiro ou na Casa dos Gritos, se conseguisse chegar até lá sob uma forma animal furiosa cujos instintos insistiam em atacar uma escola cheia de alunos indefesos. Snape crispou os lábios, parecendo entender friamente a falha do garoto ao amigo. Sasha cutucou o braço do garoto e murmurou:


  - Vai, depressa!


  Sirius olhou para ela espantado e desatou a correr em direção ao professor e aos dois sonserinos, que tentaram impedi-lo entrando em sua frente, mas não conseguiram segurar tamanha velocidade do garoto, e quando fizeram menção de pegar a varinha dentro das vestes, o professor impediu-os:


  - Deixe-o ir. – o aviso foi quase fúnebre.


  Sasha olhou para o trio que trocava olhares, pensando que eles deviam ter esquecido dela. Fez menção de dar um passo para a frente quando a voz de silvo do professor cortou-lhe os tímpanos:


  - Fique onde está, Mills.


  - O que vão fazer? – ela quis saber.


  - Bem, é melhor esperar para ver. – Malfoy retrucou.


  - O que é isso, Malfoy... seja educado. – reprimiu o professor Youn, passando os dedos no queixo e aproximando-se de Sasha – não deve tratar mal as mulheres...


  Malfoy novamente deu aquele risinho. Os olhos do professor pegavam fogo e Sasha percebeu, e sentiu uma repulsa começar a crescer dentro de si daqueles estreitos olhos orientais que a avaliaram da cabeça aos pés por uns instantes. Snape tinha na cara estampada a expressão de quem queria falar algo há tempos, mas podia o fazer.


  - Deixe-me ir embora. – pediu a garota.


  - Lógico que sim. – destilou o professor, afastando-se de costas em direção aos sonserinos, e dizendo sem olhá-la – vinte pontos a menos para a Grifinória, e depois do feriado de Páscoa tratamos de aplicar uma detenção em você e em Black. – ele estancou, e virou-se para completar: - separados, é claro.


  Então os três partiram para o corredor escuro. Sasha ficou pensando no que acontecera. O que seria... aquele fogo nos olhos do professor? Não era desejo – aquele que os homens mais velhos tem pelas adolescentes que acabam de mudar o corpo para o de mulher – era como se ele a quisesse mais que tudo, como se ela fosse algo que desejasse ter, e não possuir. Por um momento, lembrou-se de Tom e de suas palavras: Ouça uma coisa e grave para sempre: você nasceu para ser minha, e no mundo não há outro lugar para você que não seja do meu lado. O professor trabalhava para Tom? Se não era isto, não sabia qual era a outra explicação. Haviam muitas notícias em sua caixa, agora tão apertada que ela tinha que enfeitiçá-la para poder guardar tudo, sobre o tal Você-Sabe-Quem estar recrutando muitos seres das trevas, como trasgos, gigantes, feiticeiras e vampiros. Estremeceu, mas logo percebeu que estava na escola de Dumbledore, o maior bruxo de todos os tempos. O bruxo que não permitiria que um vampiro do mal entrasse nas paredes do castelo quando sabia que haviam vários bruxos sem sangue puro no mar de alunos que estudava ali.


  Sasha percebeu que estava parada fitando o final do corredor há algum tempo. Virou-se para olhar quando ouviu um cochicho, e percebeu que em um quadro, uma mulher de longos cabelos vermelhos amarrados em tranças (como nos contos de fadas) entrara em um quadro onde um homem baixinho e gorducho escrevia em uma escrivaninha e parara para ouvi-la, olhando para a garota no corredor em seguida e meneando lentamente a cabeça.


  - O que foi? – ela quis saber, censurando-os, e começando a caminhar em direção ao salão comunal.


  O quadro da Mulher-Gorda foi rápido desta vez. Entrou de uma vez e, sem procurar por alguém no salão, jogou-se no sofá com um pulo e deixou-se afundar em pensamentos que envolviam vampiros, Tom, e seus planos malvados. Lembrava-se claramente de um dos planos, aquele que, quando Tom falava para ela – que era apenas uma criança e não entendia bulhufas – os olhos negros malvados dele brilhavam com uma intensidade tremenda, e era a única vez que brilhavam. Sempre mantinham-se neutros e sem expressão alguma.


  - Sasha? – a voz de Lílian a fez acordar.


  Abriu os olhos e olhou para o sofá ao lado, onde a ruiva estava sentada e tinha um sorriso leve nos lábios.


  - O que aconteceu? – ela quis saber.


  - Pegaram Sirius e eu no corredor. – ela falou, desviando os olhos.


  Não estava com nem um centímetro de espírito para narrar-lhe suas dúvidas, mas com certeza o faria quando estivessem à sós – o salão comunal estava apinhado de estudantes amontoados em livros – e quando estivesse melhor. Lembrar-se de Tom não era exatamente sua terapia preferida.


  - E aí? – ela quis saber.


  Lílian sentou-se no sofá e Sasha deitou-se em suas pernas, sentindo uma leve dor de cabeça.


  - E aí que vão me dar detenção quando voltarmos do feriado. – falou.


  A ruiva apenas meneou a cabeça e fitou o nada.


  - E você? Decidiu se vamos à casa dos Potter?


  - Eu não decido por você! – ela sorriu, sem responder à pergunta.


  - Eu não vou sozinha com aqueles meninos para lá! Aliás, não te deixaria sozinha no castelo também. E meus avós... bem, digamos que a última carta que recebi deles tinha um selo índio e um cartão postal onde vários castelos de Aladin faziam uma paisagem apaixonante... – ela falou, fazendo a ruiva rir – eles estão vivendo bem sem mim, Lily, não quero mais atrapalhá-los. Então, você decide sim.


  - Sasha... Potter conseguiu me convencer. – ela falou em voz baixa, como se “Potter” fosse uma doença.


  - Então vamos? – Sasha abriu um enorme sorriso.


  - Sim. – ela respondeu sem entusiasmo.


  - Mas se for para ficar com cara de enterro o feriado todo, é melhor não ir.


  - Não é isso! É que... Ah, diabos, Sasha, eu estou cedendo!


  - Ah, sim... a Garota Escudo. Lily, você ir passar as férias na casa de Thiago não quer dizer que vai ficar obrigatoriamente com ele!


  - Não estou dizendo isso... – ela amuou-se, fazendo um bico – lembra? Que eu disse à ele no Três Vassouras, que daria uma chance para ele me mostrar... que podia ser diferente? Para mim?


  Sasha sorriu abertamente.


  - Ele está levando a sério. – a ruiva completou, emburrada.


  - Você sempre deu patadas em Thiago. Não esperava que ele levasse isto à sério? – perguntou.


  A ruiva desviou os olhos dos dela e procurou qualquer outro ponto que não a obrigasse a falar tanto a verdade; mas não conseguiu achar. Voltou a olhar os olhos de Sasha e disse:


  - No começo sim. Mas depois... exagerei. Dei esperanças a ele.


  Sasha levou os dedos às têmporas, massageando-as; a dor de cabeça começava a aumentar gradativamente.


  - Você não quer dar esperanças a ele?


  Então a ruiva mergulhou em vários pensamentos sobre isto. Quando ele estava tão próximo, era a única coisa que ela queria. Mas quando ele estava longe, era um misto de... sentimentos confusos. Não sabia. Não entendia o que estava acontecendo para ela estar tão próxima de Thiago como nunca, talvez fosse porque suas amigas estavam namorando os amigos dele e só os dois estivessem sozinhos, mas não era isto... ele estava diferente? Thiago... estava se dedicando?


  - Ele sempre se dedicou. – Sasha falou à ela.


  - Eu é que não percebi. – murmurou.


  De repente, um fluxo de sentimentos fortes passou pela garota. Sentimentos bons, de agradecimento aos momentos que Thiago lhe proporcionara e uma emoção imensa por tudo o que ele fizera por ela. Sem perceber, seus olhos marejaram em lágrimas.


  - Droga... – ela limpou os olhos discretamente com a ponta dos dedos.


  Lílian Evans estava emocionada com as atitudes de Thiago Potter. ”Sua burra, você vai se arrepender por pensar assim dele!”, uma parte dela gritava em sua cabeça protestando contra a sensação que a invadia, mas outra parte dizia que ela podia mesmo mudar o maroto... se ela quisesse...


  - Eu devo estar delirando. – sussurrou para si mesma, rindo fracamente.


  Sasha havia adormecido em seu colo, deixando Lílian à sós afogando-se em lembranças das coisas que Thiago fizera à ela, coisas simples, como pedidos indiscretos, fofocas que ele espalhou, as vezes que ele brigou nos corredores e depois alegou que era por causa de um estúpido que estava falando dela, além das rosas, do sorriso que ele dirigia à ela sempre que a via e ela respondia com uma careta emburrada, do brilho nos olhos castanhos esverdeados. Dos beijos... os beijos...


  - Lílian! – alguém a cutucava no braço.


  Era sonho? Porque Thiago estava muito bem em seus sonhos, acariciando seu rosto e preparando-se para inclinar a cabeça em direção aos seus lábios...


  - Thiago... – ela suspirou.


  Uma risada. Outro cutucão.


  - Lílian! Acorde.


  Então ela abriu os olhos lentamente, e deparou-se com o garoto que estivera segundos antes para beijá-la. Recuou brevemente quando percebeu que ele era de verdade e parecia cansado, sujo e mesmo assim pronto para a próxima noite de lua cheia.


  - Vá para o dormitório... está quase amanhecendo. – ele falou carinhosamente, acariciando seus cabelos vermelhos.


  A garota suspirou e olhou para suas pernas, onde Sasha adormecera, e então seguiu o rastro até a escadaria do dormitório masculino, onde Sirius levava a amiga nos braços, esta ainda dormindo como um bebê.


  - Onde ele pensa que está a levando?


  Sirius parou e virou-se. A cabeça de Sasha bateu na moldura de madeira da escada e ela fez uma careta, acordando em seguida. Thiago abafou um riso quando Sirius a colocava no chão, pedindo mil desculpas. Sasha riu e disse que não foi nada.


  - Vocês tem que arrumar as malas. – disse Thiago com um sorriso – partimos ao meio-dia.


  A ruiva bocejou e, sem se despedir ou dizer que ia encontrá-los de manhã no café, subiu as escadas sonolenta. Sasha selou seus lábios nos de Sirius e disse “boa noite, ou bom dia, que seja” e seguiu a ruiva. Mas elas não conseguiram dormir; não quando ainda tinham mala para arrumar e mil coisas que decidir, e isto já tirou completamente o sono delas. Eram cinco horas da manhã quando tomaram banho e começaram a arrumar as malas, tentando fazer o mínimo de barulho para não acordar Alice e as outras duas garotas que elas dividiam o dormitório.


  Lílian levou um bolo de pergaminhos, e Sasha nem encostou nos seus, dizendo que pegaria os da ruiva quando fossem fazer deveres. Aliás, elas nem sabiam porque chamavam aquilo de feriado de Páscoa, se eles passavam mil deveres para os quatro dias. Sasha jogou o tinteiro e a pena na mala e achou suficiente quando a amiga levava alguns livros e os cadernos que continham as anotações para os deveres. Lílian devoraria os deveres dela depois mesmo, e ainda cuspiria um que fosse de seu grado.


  Às oito e meia Alice despertou e encontrou-as em uma brincadeira engraçada de brincar com o tamanho da barriga, bunda e cabelos de Sasha. Lílian se segurava para não gargalhar das formas que a amiga adquiria. Alice riu sem se importar com as outras duas garotas do dormitório que ainda dormiam. Os primeiros raios de sol já entraram pelas cortinas bruxuleantes nas janelas abertas desde as seis da manhã, como feixes de luz que faziam formas nas cortinas vermelhas das camas de dossel das meninas que dormiam. Sasha pintou os cabelos de loiro e alisou-os, fazendo os olhos escuros.


  - Sirius, querido, como pode namorar? Achava que ninguém seguraria um diabinho como você. Mas acho que você não deu sorte, hein. Logo essazinha... - ela fez uma voz fina e estridente que não lhe pertencia e afilou o nariz, fazendo aquela expressão de que parecia haver algo muito fedido embaixo dele. Imitava Franciny Turner.


  Lílian gargalhou, lembrando-se da vez em que as duas surpreenderam essa conversa de Franciny e Sirius nos corredores. O garoto parecia extremamente divertido com as palavras da loira enquanto Sasha escutava bem atrás dela, e depois pigarreou e indicou-lhe as costas. Perdendo a pose, a garota saiu pisando forte no chão.


  Uma das meninas da cama de dossel correu a cortina e seus cabelos estavam como uma palha, seu rosto inchado.


  - O que vocês estão fazendo? São oito e meia! – ela exclamou – Turner, o que faz aqui? – a garota perguntou, olhando-a estranhamente.


  - Passeando, querida, já estou indo. – Sasha falou, dando as costas e saindo para o banheiro.


  A garota olhou sem acreditar e voltou a jogar a cabeça no travesseiro fofo. Quando Sasha saiu do banheiro acompanhando os risos de Alice e Lílian, a garota voltou a falar:


  - Mas o quê? Franciny Turner acabou de entrar nesse banheiro!


  - Eu estava tomando banho... se alguém entrou, eu não vi. – a morena fez-se de desentendida.


  - Quê? Aah! Mills, vai me dizer que Turner não entrou neste banheiro há alguns segundos?


  - Pode acreditar... só eu estava lá dentro. Você devia estar sonhando.


  Lílian e Alice abafaram risos. Sasha saiu pela porta para o salão comunal e foi seguida pela ruiva, que cantarolava uma música daqueles cantores que elas tinham ido ao show com Thiago nas férias de Natal, os Rolling Stones.


  - Huuum... a ruivinha está animada. – observou Sasha, rindo.


  - Fui eu quem imitou a minha inimiga mortal agora pouco não é? E ainda confundiu uma pobre aluna. – ela finalizou, saltando os últimos degraus, com uma voz de forçada compaixão.


  Desciam para o café da manhã quando foram interceptadas por alguém que elas achavam que havia absolutamente esquecido delas; não que elas também se lembrassem totalmente dele. Amos Diggory.


  - Amos! – exclamou Lily.


  Ele deu um enorme sorriso e beijou seu rosto. Cumprimentou Sasha apenas com um aceno na cabeça e depois murmurou um “melhor, para não ter problemas”. Todos riram.


  - E aí, sobre aquilo... – Amos começou, falando com Lily – decidiu?


  A ruiva corou levemente e mordeu os lábios, olhando para Sasha. Seria para ela sair? Não. Lembrava-se que Lílian havia dito que Amos pedira para sair com ela... mas isso tinha sido há tempos atrás! Será que a ruiva o enrolava até hoje? Sasha abafou um riso, sabendo que a amiga seria capaz.


  - Sabe, Amos... – ela lançou um olhar para Sasha, e desta vez foi para que ela saísse.


  A morena girou os calcanhares, sem nenhuma vontade de ouvir a amiga dar o fora em Amos Diggory. Mas ela daria mesmo? Não tinha a menor idéia! Se ela estivesse levando Thiago à sério... e todas aquelas conversas e esperanças que estavam acontecendo... não se surpreendeu quando ergueu os olhos e encontrou Sirius e Thiago vindo em sua direção, com seus passos largos e rápidos como se quisessem fazer tudo e ao mesmo tempo saber tudo, com aquele sorriso grudado nos lábios. Sirius foi direto à ela, e selou suas bocas por um instante.


  Thiago nem ao menos a cumprimentou. Irritado, olhou Lílian e Amos conversando no fim do corredor e começou a balançar a perna em um gesto impaciente.


  - O que está havendo? – quis saber franzindo a testa.


  - Calma... eles estão apenas conversando.


  - Conversando? Eu sei quais são os papos de Amos! – Thiago ironizou em seguida, fazendo uma voz fina: - Como seus cabelos estão lindos hoje, Lily! Estudando muito? Sei! Poderia dar uma volta comigo nos jardins depois da aula? Para se distrair um pouco... - Sasha riu da imitação, mas os dois meninos continuaram sérios – e eu vejo pelo jeito que ele está me olhando que ele a quer. – ele concluiu com os olhos faiscando.


  - Thiago! – Sasha chamou a atenção do garoto, fazendo ele desviar os olhos do casal – pare com esse ataque!


  - Pontas, relaxa... – Sirius falou com sua voz macia, e Sasha suspirou lentamente; aquele tom conseguia a relaxar – Lílian sabe o que está fazendo... e se é isso o que ela quer, não há nada que possa fazer para mudar.


  O garoto olhou para o amigo com a maior indignação do mundo e, com os olhos ainda frustrados, girou os calcanhares para voltar pelo caminho que haviam vindo, trombando em um grupinho de garotas que explodiu em risadinhas histéricas quando ele passou no meio delas. Sasha olhou para Sirius:


  - Se ele sempre dá ataques de estresse quando vê Lílian com outros meninos? – perguntou Sirius, adivinhando-a; ela meneou a cabeça levemente – isso foi pouco. Ele não voou em Diggory porque está animado demais que a ruiva vai passar o feriado na casa dele, com ele.


  - Hey, esqueci de perguntar... Gloria vai?


  - Ela disse... que tinha que resolver uns problemas com seus pais e os professores. – ele falou – nem eu e nem ninguém entendeu bulhufas, mas foi o que ela disse quando a chamamos...


  Intrigada com esta história, Sasha nem percebeu quando Lílian foi se despedir de Amos e ele propositalmente segurou sua cabeça e beijou muito perto de seus lábios. A ruiva corou furiosamente e saiu pisando os pés, sem ao menos olhar para ele.


  - Vamos tomar café! – falou decidida, aproximando-se do casal.


  - O que aconteceu? – Sasha perguntou imediatamente, começando a segui-la com Sirius agarrado à sua mão.


  - Aconteceu que ele está entendendo tudo errado. – ela disse – diabos, lembra-se de quando eu disse que ele me chamou para sair, há tempos? Eu lhe respondi que não! – ela falou corando mais furiosamente ainda.


  - Porque? – Sirius perguntou indiscretamente.


  Lílian lançou-lhe um olhar de censura.


  - Eu lhe disse que estava... interessada em outra pessoa. – ela falou, e depois balançou a cabeça para os lados como se se arrependesse imediatamente de ter dito aquilo – não! Não disse isso e...


  - Interessada em quem? – ele perguntou mais indiscretamente ainda, com um fino sorriso nos lábios.


  - Sasha, fale pro seu namorado parar de me pressionar! – ela pediu, e a morena apenas riu.


  - Fale logo Lílian! – ela pediu, e Sirius abraçou-a de lado, fazendo “fusquinha” para Lily mostrando-lhe que Sasha estava do lado dele.


  - Ok. Foi isso mesmo que eu lhe disse.


  Eles se sentaram no fim da mesa da Grifinória, onde haviam poucos alunos. A mesa já começava a esvaziar-se graças ao feriado. Quatro dias sem aula! Os alunos estavam partindo para casa ou para seus respectivos lugares de lazer... enquanto, é claro, alguns ficavam na escola fazendo deveres e afundando-se em livros, com a ruiva pretendera certo tempo fazer, mas isso já fora resolvido.


  - E foi com o propósito de se referir a quem?


  A ruiva corou novamente. Era incrível a rapidez como suas bochechas adquiriam o tom avermelhado.


  - Não foi ao Potter. – ela respondeu a pergunta que Sirius fizera nas entrelinhas.


  Ele gargalhou.


  - Tem certeza?


  - Pode apostar.


  O mal-humor dela fez ele parar de rir, embora aquele ar maroto permanecesse em seus lábios como uma nuvem mágica que não se desfazia. Sasha podia notar várias garotas que, sem notar que ela as via, suspirava pelo olhar de Sirius e trocava cochichos com a amiga do lado comentando algo no garoto que fazia a outra concordar alegremente e suspirar também. Torceu os nós dos dedos embaixo da mesa: apesar de tudo, sabia como Thiago se sentia.


  - Vamos, então? – Sirius chamou-as quando terminaram de comer.


  As duas levantaram-se e o seguiram como duas guarda-costas, como se na verdade, fosse ele seria protegido caso alguma coisa explodisse na frente deles, e não elas.


  - Podem descer as malas para o salão comunal.


  - Como vamos? – a ruiva quis saber.


  - Vocês já vão descobrir...


  E descobriram com um enorme desagrado. Quando voltaram do dormitório feminino arrastando as malas de rodinhas pela escadaria fazendo-a ranger, encontraram cinco vassouras descansando encostadas próximas à janela, onde Thiago e Sirius debatiam algo animadamente. A mala de Lílian caiu em seus pés fazendo um estrondo, chamando a atenção dos dois.


  - Não estão achando que... estão?


  Os dois trocaram um olhar cúmplice. O brilho maroto. Estavam perdidas.


*****


 - Nem pensar.


 - Mas, Vic...


  - Sirius! Eu já lhe disse que não sei voar!


  - Potter – uma ruiva muito irritada começou a ralhar – tem autorização para tudo isto?


  - Escrita e autografada – ele respondeu, esticando-lhe um pedaço de pergaminho que comprovava, com a letra da mãe de Thiago, que os garotos estavam autorizados a deixar a escola e a voar até Hogsmeade, onde pegariam o trem para Londres às três da tarde. Embaixo, uma letra fina e delicada desenhava-se mostrando que o diretor também estava ciente.


  - Como se vocês fossem muito responsáveis! – ela bufou.


  - E as malas? – quis saber Sasha, já adivinhando que não teriam escapatória.


  - Não! E – a – gente? - Lílian continuou a brigar.


  Sirius deu uma risadinha.


  - Você sabe voar, Lílian.


  - Mas eu não gosto, Potter! – ela respondeu com a voz alta, chamando atenção de alguns estudantes menores que se encolheram ante a braveza da monitora.


  - E daí? Você também não gostava de mim antes!


  Ela pareceu chocada.


  - E quem foi que lhe deu a ilusão que eu gosto agora?


  Thiago trocou um olhar com Sirius e ela entendeu.


  - Sirius Black! Eu te disse que não tinha nada a ver e...


  - Dá pra gente se apressar? – perguntou Thiago indiferente, conferindo o relógio.


  - São quase meio-dia. – completou Sirius com uma expressão de compaixão.


  - Quem vê pensa que vocês são santos. – murmurou Sasha.


  Estava também indignada com o caso das vassouras, senão mais. Como Sirius esquecera que praticamente havia a traumatizado da última vez em que andara de vassoura e que não voava sozinha havia séculos?


  - Eu não vou sozinha em uma vassoura – ela disse simplesmente, pulando para cima da mesa.


  Remo desceu as escadas fazendo um toc-toc peculiar quando a mala descia os degraus atrás dele. Lia distraído um pedaço de pergaminho e Thiago conjurou este para suas mãos, sem que ao menos Aluado notasse a presença deles. Quando levantou os olhos para os amigos, tinha um olhar feliz que conseguiu alegrá-las. Estavam cansadas de vê-lo triste e abatido.


  - “Amor, vou sentir tanto a sua falta!” – Thiago fez sua voz feminina, endireitando a coluna e empinando a bunda ao mesmo tempo em que quebrava o pulso.


  - “Se eu não morrer da sua ausência em quatro dias, te esperarei!” – Sirius o seguiu, segurando o pergaminho entre os dedos.


  - Calem a boca! – disseram Remo e Lílian juntos.


  Sasha riu da cena.


  Então, começaram uma série de discussões. Lílian e Sasha conseguiram ser convencidas por três marotos – depois não acreditariam como – a voarem sozinhas cada uma em uma vassoura separada. Thiago lançaria um feitiço na vassoura de Sasha para que voasse corretamente até Hogsmeade mesmo que ela fizesse alguma besteira. Resmungando, a ruiva subiu para o dormitório arrastando suas malas para trocar o vestido azul que usava, enquanto Sasha ia ao seu lado amarrando os cabelos negros em um alto rabo de cavalo que deixava visível sua cicatriz um pouco acima da nuca.


  - Não acredito. – murmurou a ruiva por fim, quando já usava jeans e uma blusa, parada na frente do espelho, refletindo sobre tudo o que aconteceria em quatro dias.


  - Pode acreditar.


  A resposta de Sasha bateu no espelho e voltou no rosto da amiga, corando-a. Quando voltaram para o salão comunal só haviam três garotos impacientes lá, com malas nos pés e vassouras em punho.


  - Eu achava que você ia trocar o vestido, não fabricá-lo! – resmungou Sirius para Lílian, que lhe fez uma careta.


  - Sasha, suba aqui – Thiago estendeu-lhe uma vassoura velha – deixe sua mala que Sirius vai enfeitiçar uma coisa que levará nossas malas.


  - Uma coisa? – repetiu Lílian, sem acreditar – eu não quero perder minha mala!


  - Não vai perder, ruivinha... agora, pare de reclamar um pouco que já estamos atrasados.


  Mais escarlate do que nunca, Lílian cruzou os braços e aceitou a vassoura que Thiago lhe estendia com um sorriso cordial sem ao menos olhá-lo. Remo posicionou-se e virou-se para Sasha para dizer:


  - É só dar um impulso. É fácil, mas tem que controlar a altura... até passar pela janela. Então será livre. – seus olhos brilharam de um jeito que ela sabia que o mundo em que ele vivia era o das aventuras e o das descobertas fascinantes que os diferenciava de todos os alunos daquela escola enorme.


  Sasha deu um sorriso curto e perguntou-se quanto sangue perderia quando batesse a cabeça no batente da janela e aterrissasse nos jardins, espatifando-se como o seu cachorro há anos na floresta, quando encontrou Severo choramingando como se a culpa tivesse sido dele. Talvez sua morte fosse rápida e não doesse mais que...


  - Calma, é só passar pela janela! – disse Sirius, jogando as malas pela janela.


  Jogando as malas pela janela. Largando as vassouras, Lílian e Sasha voaram para ver o que estava acontecendo com os seus pertences. As malas voavam no ar e iam parar exatamente em um mesmo ponto, empilhadas em algo que parecia um carrinho. Alguns alunos que passeavam nos jardins olharam assustados para o carrinho de madeira que sustentava malas que caíam do céu.


  - Você não está pensando em flutuar as nossas malas até Hogsmeade, está? – Lílian perguntou rispidamente.


  Sirius deu-lhe um sorrisinho.


  - Eu vou lançar um feitiço nelas para não caírem. – ele respondeu.


  A ruiva balançou a cabeça e voltou à vassoura, deixando Sasha à janela sem acreditar no plano confuso dos marotos. Quando todas as malas já estavam no carrinho nos jardins, eles todos montaram nas vassouras e Sirius deu uma piscadela para Sasha:


  - Não se esqueça, impulsione levemente os pés... e depois guie para fora da janela. Assim. – ele o fez com uma rapidez incrível.


  A garota suspirou. Depois de ver os três marotos fazerem aquilo e até mesmo Lily, concluiu que não devia ser tão difícil. Empurrou o chão com os pés e foi subindo... “Droga, pare vassoura maldita!”, e então ela entendeu que deveria inclinar-se para frente. Quando o fez, a vassoura obedeceu fielmente, guiando-a segura para fora da janela. Segura? Avistou o chão dos jardins tremendo. Mas Thiago, que voava a alguns metros dela, deu-lhe um enorme sorriso e enfeitiçou a vassoura, que endireitou Sasha em cima dela no mesmo instante e a fez sentir-se segura. Ela respondeu o sorriso e mostrou o polegar para o garoto. Sirius então enfeitiçou o carrinho uma vez para que as malas não voassem e nem saíssem do carrinho com a velocidade, e entao enfeitiçou uma segunda vez para que o carrinho sobrevoasse perto dele.


  Então os cinco partiram em direção ao vilarejo. Lílian voava muito bem, o contrário do que Sasha pensava, embora ficasse de cara amarrada a viagem toda. Pela primeira vez na vida, Sasha adorou a sensação de voar. O vento acariciava sua pele e lambia seus cabelos para trás, enquanto ela se segurava em apenas um cabo de vassoura vários metros acima do chão. Cortaram caminho passando por cima do lago, e a paisagem foi magnífica. As águas faziam um espelho trêmulo e refletiam os cinco voando com rapidez no céu muito azul. Fazia um dia lindo. Logo avistaram os primeiros telhados envelhecidos do vilarejo e seguiram para a estação do Expresso de Hogwarts. Thiago aterrissou primeiro com o rosto corado e os cabelos mais bagunçados do que nunca, e guiou Sasha calmamente com a varinha até o chão, onde ela sentiu as pernas vacilarem ao firmarem-se em terra.


  - Não foi tão ruim assim – Thiago concluiu por ela.


  - Não, foi ótimo! – ela sorriu sinceramente.


  Observou Sirius aterrissar o carrinho antes de si mesmo, fazendo um baque enorme e as malas pularem, embora elas não caíssem por causa do feitiço de proteção. Ele pousou habilmente ao seu lado, saltando da vassoura. Remo veio logo atrás dele, e depois Lílian, que pousou graciosamente.


  - Você voa muito bem! – ela elogiou a ruiva, que fez uma careta e respondeu simplesmente que não voava, não.


  Mas a verdade é que parecia que ela tinha anos e anos de uma habilidade que Sasha não conhecia, como se voar fosse um dom que Lily ignorasse.


  - Vamos, dêem as vassouras. Vou entregá-las no Três Vassouras, Hagrid ficou de pegá-las quando viesse...


  Todos entregaram as vassouras a Remo e ele desapareceu pela rua de pedra com seu andar decidido e sem vacilar com cinco vassouras na mão.


  - Agora é só esperar! – disse Sirius, jogando-se em um banco de pedra que havia na estação.


  Sasha sentou-se ao seu lado, passando o braço por trás do garoto no encosto do banco.


  - Vamos ficar aqui até as três? – perguntaram Thiago e Lílian quase juntos.


  A ruiva olhou para ele e revirou os olhos.


  - Vão comprar uns doces na Dedosdemel que eu fico aqui com Sasha. – Sirius falou sorrindo.


  - Não! – respondeu uma ruiva muito indignada – Sasha vai comigo.


  - Lily... eu estou cansada. – Sasha fingiu, passando as mãos pelos cabelos – esqueceu que eu nunca havia voado sozinha? Me deu uma canseira de matar agora...


  Thiago piscou maliciosamente para ela.


  - Vamos, Lílian. – ele falou educadamente, oferecendo-lhe o braço.


  A ruiva olhou-o e simplesmente virou-se para a rua de pedras, em direção à loja, ignorando o braço e a atitude cavalheiresca do garoto. Ele desfez o sorriso e foi atrás dela, apressado para acompanhá-la.


  - Voar não foi tão péssimo! – Sasha disse à Sirius.


  - Tão péssimo? Eu vi! Você estava adorando! – ele riu.


  - Ah, na verdade... eu tenho que pegar a prática.


  - Não se preocupe, Vic... – ele acariciou suas mãos, olhando-a – eu te ensino a voar como só um maroto sabe.


  - Eu só quero voar. Não precisa ser loucamente.


  Sirius sorriu e disse:


  - Não é loucamente. É livremente.


  A convicção do garoto a fez se calar, mas Sasha estava convencida de que nunca na vida, nem que treinasse todos os dias, voaria como Thiago, Sirius ou Remo. Eles pareciam trapezistas, equilibristas e sabe-se lá o que mais e tudo ao mesmo tempo quando montavam em uma vassoura e estavam no ar.


  - Se você está falando... – ela murmurou.


  A silhueta de Remo estava voltando pela rua vazia. O sol manchava as pedras de uma sombra escura que os pequenos casebres e sobrados que se erguiam pela rua principal faziam.


  - Ele não contou à Gloria. – murmurou Sasha brevemente para Sirius, antes de o amigo chegar.


  - E nem vai. – ele respondeu roucamente – ele tem um tipo de trauma... não conta à ninguém, não contou nem mesmo à nós. Descobrimos sozinhos. Demorou para que a gente conseguisse convencê-lo de sair com Gloria porque ele achava que ela não o merecia.


  A garota arqueou as sobrancelhas, e não disse mais nada, talvez porque não soubesse o que dizer ou porque Remo estava mais perto deles. Quando chegou, sentou-se ao lado de Sasha e afundou no banco de pedra, fechando os olhos.


  - Quatro dias sem Glorinha... – provocou Sirius.


  - Me deixa, idiota. – ele resmungou.


  - Relaxa, Remo! Amanda vai estar lá! – Sirius deu uma piscadela quando o garoto abriu os olhos confusamente.


  - Amanda? – ele repetiu.


  - Amanda? – Sasha fez também, curiosa.


  - Sim... a vizinha de Thiago. – Sirius falou – por acaso ela mora ao lado da casa dele. Então ela sempre está lá.


  - Ela vai na casa dele? – Sasha perguntou rapidamente.


  - Digamos que ela vai e faz mais do que somente ir. – ele fitou o nada pensativo.


  Sasha cutucou-o.


  - Não entendi. – falou simplesmente, com um sorriso.


  - Amanda... bem, foi a primeira garota de Thiago, se é que você me entende... mas ela sempre gostou de todos nós. – Remo explicou com os olhos fechados.


  A morena arregalou os olhos:


  - E o que tem que ela vai lá? Vai deixá-la ir atrás de Remo?


  - Ninguém precisa deixar. – Sirius murmurou sem emoção.


  - É só não convidar ela para ir na de Thiago. – ela disse, cruzando os braços.


  - Convidar? – Remo riu fracamente – Sasha, você ainda tem muito que saber de Amanda...


  E assim passaram aquelas duas horas que restava, entre conversas sobre Amanda Folks, vizinha trouxa de Thiago que adorava passar as tardes sozinha com os meninos, e também vagaram o assunto para Lílian e Thiago, que de vez em quando apareciam na rua principal – eles os reconheciam pelos cabelos vermelhos de Lílian na paisagem – mas era para vagar de uma loja para outra, já com algumas sacolas. Riram, lembrando-se da noite em que Sasha descobrira que Remo era um lobisomem.


  - Agora vocês dão risada! – o garoto disse, altivo – mas duvido que não tremeu de medo na hora!


  - Não mesmo! – ela respondeu no mesmo instante.


  Sasha contou a eles do sonho que tivera antes de saber da viagem do professor Takashigui e sobre Remo. Sirius estranhou, e lembrou-se de como Sasha passara mal quando ele a abordara e como parecia que ia vomitar.


  - Foi só um sonho. – acreditou Remo, massageando a nuca – ou acha que foi uma visão?


  Ela não notou qualquer tom de ironia na voz dele, e respondeu:


  - Não sei. Mas foi muito estranho.


  - O que você disse que estava escrito no bilhete? – lembrou Sirius – aquele que achou perto do lago.


  - Algo como... “dei o resto do meu estoque à ela”. Alguma coisa assim.


  - Hum... temos uma vampirinha na escola! – Sirius esfregou as palmas das duas mãos.


  - Pode significar outra coisa! – começou Remo, incerto.


  - O quê? – Sirius e Sasha perguntaram juntos.


  - Não sei... à Lula. Quem sabe se ela não gosta de sangue? – perguntou com um tom forçadamente assombrado e em voz baixa.


  Sirius passou por cima de Sasha e deu-lhe um soco no ombro, de brincadeira, fazendo-o rir.


  - Seu doido! A lula é vegetariana! – brincou o outro.


  Sasha mergulhou em um pensamento enquanto os dois mergulhavam em brincadeiras. Uma vampirinha na escola... arrepiou-se. Lembrou-se imediatamente de Bellatrix Black e de sua pele de cera extremamente pálida, seu andar elegante e seus olhos calculistas. Alguma coisa nela era diferente. Mas descartou completamente a idéia ao lembrar-se da abordagem: Bellatrix praticamente rasgara sua pele com as unhas e fizera um filete de sangue, e não pareceu nem um pouco tentada à devorá-la ou coisa assim. Talvez a coisa estranha que houvesse nela fosse que ela era parente do garoto que Sasha amava, e haviam traços neles muito parecidos, embora no interior de cada um não havia nem um resquício de semelhança que denunciasse o parentesco.


  - Olha o casal vinte voltando do passeio... – sussurrou-lhe Sirius perto do ouvido.


  Pra quê diabos ele fazia isso ela não sabia, mas talvez fosse mesmo para arrepiá-la até o dedo dos pés quando ela estava despreparada. Ergueu os olhos e percebeu uma garota com cabelos de fogo descendo a rua na direção deles, acompanhada de um garoto um pouco maior que ela que bagunçava os cabelos negros e ajeitava os óculos redondos no nariz a cada instante, cujos braços estavam repletos de sacolas da Dedosdemel e da Zonko’s. Thiago e Lílian chegaram quando faltavam quinze minutos para as três. O maroto tinha um sorriso leve colado nos lábios e Lílian parecia menos nervosa do que quando saíra, seus olhos calmos e brilhantes agora. Então, Sasha teve certeza de que eles haviam se beijado e um sorriso surgiu no canto de seus lábios quando encontrou os olhos verdes da amiga. Ela levantou as sobrancelhas, como se lhe perguntasse o que era, e Sasha limitou-se a sacudir a cabeça, negando.


  O trem chegou cinco para as três. Thiago e Sirius estavam eufóricos com umas sacolas que o maroto trouxera, pois as outras todas eram de Lílian. Ela comprara um estoque de doces para levar à casa de Thiago, como se não houvesse comida lá, além de alguns livros que a professora McGonagall e a Sprount recomendaram como possíveis fontes dos testes. Sasha tinha certeza que não haveria nada neles e que aquilo era somente para aumentar o peso nas costas dos alunos.


  Escolheram uma enorme cabine bem no final do trem, cujos bancos eram verdes e estofados, sendo duas paredes de vidraças do chão ao teto, dando-lhes uma ótima visão. Segundo Lílian, aquela era a cabine dos monitores, onde eles se reuniam a cada retorno de aulas para discutir horários e outras coisas. O trem estava estranhamente vazio.


  Todo o caminho foi cheio de conversas e brincadeiras. Thiago e Sirius sentaram-se no chão, espalhando as coisas das sacolas no mesmo, acompanhados pelo olhar de Remo que estava deitado de barriga em um lado dos bancos. Sasha arrastou Lílian para umas almofadas verdes encostadas à janela. Os morros verdes corriam deles lá fora, e o vilarejo logo transformou-se em um ponto preto no horizonte, sumindo em seguida.


  - Conte – falou simplesmente.


  Lílian franziu a testa, embora um sorriso brotasse em seus lábios.


  - O quê?


  - Oras, não me enrole! – brigou a morena.


  - Ah, só fomos às lojas e...


  - Vocês podiam ter comprado aquilo tudo em meia hora. Mas ficaram juntos até o ultimo minuto... não é?


  Lílian estreitou os olhos verdes para ela.


  - Você é observadora.


  - Não é a primeira pessoa que me diz isto. – sorriu.


  - Bem... se quer mesmo saber, é uma longa história.


  - Você já ouviu uma longa história minha... agora é a minha vez!


  Lílian suspirou. “Tudo bem”.


 *****


 Lílian girou os calcanhares e subiu na rua vazia do vilarejo ainda perguntando-se que diabos estava fazendo ali e como a sua amiga tinha coragem de deixá-la perambular pelas lojas sozinha com Potter! E quando notou, ele já estava ao seu lado com aquele sorriso de todos os dentes.


  - Preciso de uns livros. – disse brevemente, sem olhá-lo.


  - Sim... vamos à livraria primeiro se quiser.


  - Ótimo.


  Não era isso exatamente que ela queria; esperava que quando dissesse “livros”, o garoto inventaria qualquer desculpa e se separaria dela para partir para a Zonko’s ou qualquer outro lugar. Entraram em uma livraria velha que havia em uma esquina próxima, e ele lhe ajudou a lembrar-se dos livros para a aula de Transformação e Herbologia. Lílian suspirava entre as prateleiras empoeiradas quando notava que Thiago estava bem atrás dela, e neste momento constatou que ele não largaria de seu pé.


  Quando saíram da loja, ele se ofereceu para levar as sacolas. Por um momento, ela o olhou desconfiada, mas empurrou as sacolas para ele, porque estavam pesadas de qualquer maneira. Os professores tinham um errado costume de pedir livros de mais de seiscentas páginas para os alunos sempre.


  - Agora é a minha vez – ele falou.


  - Como eu imaginava...


  - O quê?


  - Nada! O que ia dizendo, Potter?


  - Preciso comprar umas coisas. Na Zonko’s. – os olhos dele brilharam e seus passos apertaram-se.


  - Mas não comprou da outra vez que viemos?


  - Ah, Lílian... eu não tenho estoque!


  A ruiva revirou os olhos e o acompanhou, certa de que aquela bondade da parte dele cobraria alguns preços depois. Thiago pegou na mão dela quando passaram pela porta, para puxá-la. Congelada pelo toque, a ruiva não fez menção de puxar a mão de volta e eles continuaram bom tempo de mãos dadas pela loja, enquanto o garoto lhe mostrava alguns de seus objetos preferidos de travessuras. Quando ele soltou de sua mão, ela apressou-se em cruzar os braços, indignada consigo mesma pelo que fizera. Thiago comprou sacolas repletas de bombas de bosta e de algo que parecia novidade na loja, e ficara repentinamente eufórico ao saber. Comprara vários, citando o nome de Sirius e Remo a cada dez segundos – ela sentiu uma pontada estranha quando pensou tê-lo ouvido dizer “se Pedro estivesse aqui...”.


  A conversa com Thiago era fácil e gostosa. Ele tinha um jeito só dele de pensar nas coisas menos banais e menos impensáveis, coisas grandes, como a inteligência de Dumbledore e magias das trevas que eles ouviam às vezes nas aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas, como as maldições imperdoáveis. Lílian deixou-se levar pelo papo do garoto e chegou até mesmo a rir de uma de suas cantadas, mas depois pigarreou e ficou séria, murmurando um: “Nem em mil vidas” para si mesma.


  Quando chegaram no Três Vassouras – que Thiago insistiu em ir para visitar sua amiga, a Madame Rosmerta – sentaram-se em um dos bancos altos que contornavam o balcão cumprido e jogaram as sacolas em uma mesa próxima, e conversaram aos risos com a dona do bar que se espremia entre jogar conversa fora com eles e atender uma porção razoável de clientes. Quando ela fez uma pergunta indiscreta, aquela sobre se eles estavam se entendendo ou até mesmo namorando, Lílian ficou escarlate e virou-se no banco como se não tivesse ouvido a pergunta e começou a observar os clientes, totalmente alheia à um homem velho e barbudo que mandou-lhe um beijo e lambeu os beiços satisfeito ao avaliá-la. Quis grunhir de nojo ao notar aquilo, e então virou-se para encontrar Thiago falando no ouvido de Madame Rosmerta, como uma criança faz com a mão na frente como se a voz dele fosse fugir para revelar o próprio segredo. A dona do bar olhou-os, soltou uma enorme gargalhada que ecoou por todo o bar, e em seguida saiu falando consigo mesma, deixando-os a sós.


  - O que você disse a ela? – a ruiva apressou-se em perguntar.


  - Pra que quer saber? Você não vai acreditar mesmo!


  - Potter! – exclamou, indignada – eu sei que foi sobre mim! Vi como ela me olhou!


  - Foi mesmo sobre você! Tinha dúvidas, ruivinha?


  Ela não estava mais protestando contra o apelido.


  - Então? O que falaram?


  Ele inclinou-se para frente, e ela estreitou os olhos:


  - Um dia você vai saber.


  O hálito de Thiago bateu em seu rosto como uma pluma. Desviou os olhos dos dele antes que se perdesse daquela forma que seu corpo estranhamente pedia, mas sua mente jurava negar até a morte.


  - E se eu quiser que este dia seja hoje?


  - Não queira apressar as coisas...


  Aquele tom misterioso a enervava, então cruzou os braços e limitou-se a admirar as cabeças penduradas atrás dos garçons. Elas sacudiam-se e conversavam sem parar, e ela imaginou a cabeça de Thiago em uma daquelas cordinhas que apareciam magicamente no meio do teto sem nenhum apoio aparente. Sorriu maliciosamente ante esse pensamento.


  - Em que está pensando? – Thiago quis saber.


  - Não é você que lê pensamentos? – ela ironizou.


  - Eu diria que está pensando em me matar. – ele falou com um sorriso.


  Lílian olhou para ele, espantada. Os olhos dele pareciam tão sinceros com o que dissera e sem um pingo de medo com aquilo que ela riu:


  - Só você mesmo, Potter.


  Passaram um bom tempo no bar. Thiago virava a cerveja no copo dela e fazia uma piadinha, dava-lhe uma cantada que agora estava sendo reprimida firmemente, e a fazia rir de quase todas as pessoas que estavam no bar, comentando sobre suas roupas ou sobre o que a mulher de tal cara devia estar fazendo enquanto ele bebia por ela.


  - Como você é maldoso! – ela ouviu-se dizer várias vezes.


  Talvez fosse pela cerveja amanteigada que Thiago virara incontáveis vezes em seu copo, mas seu corpo estava quente como se estivessem no sol. Ele segurou sua mão e pagou as cervejas, sem esperar que ela pagasse também, então a guiou para fora do bar. Foram parar na praça, a mesma em que da última vez em que estiveram em Hogsmeade, sob a chuva, as cuecas de Malfoy se enfiaram no meio das nádegas dele de uma forma que eles duvidavam que ele havia esquecido, com a diferença que desta vez eram os únicos alunos de Hogwarts no lugar e o sol conseguia brilhar insistente no céu acima deles. Sentaram-se no banco de madeira.


  - Acho melhor a gente voltar. – Lílian falou, observando as pessoas que começavam a aparecer apressadas, cada uma partindo para seu estabelecimento ou indo às compras com sacolas de pano ou carrinhos.


  - Acha mesmo? – o garoto perguntou sem olhá-la.


  Thiago manteve seus olhos castanho-esverdeados no horizonte, meio estreitos através dos óculos. Estava pensativo.


  - Não. – Lílian disse sem pensar.


  O garoto virou a cabeça para olhá-la, sem sorrir, e passou o braço atrás dela no banco, abraçando-a. Seus olhos se encontraram por um tempo que foi longo o suficiente para ambos e depois Thiago avaliou seu rosto, ainda sério. Depois mordeu os lábios inferiores e riu, fraco, balançando a cabeça para os lados.


  - O que foi? – quis saber a ruiva.


  - Não consigo entender, Lílian.


  - Entender o que?


  Thiago voltou os seus olhos para ela novamente. Depois, disse:


  - Nada. Também acho melhor a gente voltar. – disse, e quando fez menção de se levantar, a garota segurou suas mãos e apressou-se em dizer:


  - Agora me fala o que você não entende.


 Thiago sorriu, e por um momento lhe pareceu que seus olhos estavam cansados.


  - Você.


  - Não, é você quem tem que falar e...


  - Não. Eu não entendo você.


  Lílian piscou. O garoto parecera antes tão cheio de vida e energia, e agora parecia tão... exausto. Cansado de tentar. Ou seria apenas o teatrinho do Potter?


  - O que você quer dizer?


  - Oras, quer dizer isto, Lílian. Não te entendo. – ele desatou a falar, passando a mão pelos cabelos às vezes e ajeitando os óculos – primeiro, você diz que me odeia aos quatro ventos e me manda ao diabo que me enterre... depois, quando eu te beijo, você responde como se gostasse de mim como eu gosto de você. Aí a gente fica conversando numa boa, eu acho que está tudo bem e que você vai me dar uma chance, e no outro dia você já está me xingando e explodindo a cada palavra que eu dirijo a você, como se eu fosse um imprestável. Depois você me diz que eu tenho a chance de te mostrar que eu posso ser melhor, por você, coisa que eu já tenho tentado ser há séculos, mas só você não vê. É aí que eu te vejo conversando com Amos Diggory muito íntima, o mesmo que quer sair com você há tempos e espalhou pela escola inteira que você está gamada nele. E aí ele te beija e você não faz nada!


  A mente de Lílian parou de trabalhar por um instante. Revoltou-se com a revolta do garoto. Revoltou-se por ele ter exposto em sua cara todas as suas tentativas de ser legal e principalmente as suas tentativas de ser a pior pessoa do mundo com ele, o que fez com que ele se apaixonasse por ela. Não era isso que ele queria dizer? “Quando eu te beijo, você responde como se gostasse de mim como eu gosto de você”... ela o beijara apaixonadamente, tinha que admitir. Revoltou-se porque ele vira o beijo roubado de Amos, o beijo que ela odiara e que logo em seguida sentiu o maior nojo do mundo do garoto. Revoltou-se porque mesmo com todas as coisas que o garoto lhe dissera, ele ainda continuava a olhá-la como se esperasse uma resposta, ao mesmo tempo em que segurava a mão dela entre as dele, as mesmas mãos que impediram que o garoto partisse e que o fizera ficar.


  - E agora você está segurando a minha mão entre as suas e está me olhando de um jeito que eu não duvido que queira me beijar. – ele falou, sorrindo levemente.


  Por instinto, Lílian puxou a mão das do garoto e encolheu-se no banco, desviando o olhar do dele.


  Ele continuou a olhá-la, e Lílian se surpreendeu ao encontrar seus olhos sorrindo.


  - Só me diga em quê eu devo acreditar. – pediu.


  Lílian fechou os olhos. As mãos de Thiago voltaram a encontrar as suas e acariciou-as. O toque fez com que ela se aquecesse. Então, ela abriu os olhos e encontrou os do garoto a olhá-la com avidez, e depois se endireitou no banco, e inclinou-se em direção do rosto dele. O cheiro dele ficou mais forte e preciso, e consequentemente a decisão dela também. Quando estavam a centímetros de distância, ela encostou o nariz no dele e sussurrou:


  - Acredite no que for melhor para você.


  Então ele levantou a mão e acariciou da sua bochecha até o pescoço, onde se demorou. Fitou os lábios dela com vontade, mas Lílian percebeu que ele esperava que ela o beijasse. Aproximou seus lábios devagar, apreciando o cheiro e o hálito apressado da respiração ofegante dele, e então enterrou seus lábios, encaixando-os com delicadeza, como se eles fossem o molde um do outro. Várias ondas de calor a envolveram e tatearam seu corpo sem pudor, quando Thiago abaixou as mãos para acariciar sua cintura e suas costas ao mesmo tempo em que aprofundava o beijo. E o beijo de Thiago estava conseguindo se transformar no melhor beijo que Lílian já dera ou já recebera de alguém, com todo aquele carinho e respirações ofegantes, como se esperassem por aquilo há tempos.


  Quando descolaram os lábios, Thiago a abraçou com força, e Lílian achou que ele não queria olhar nos olhos dela, mas decidiu não pensar nisso e apenas deixou-se acolher entre os braços fortes que a apertavam com segurança.


Então eu não hesitarei mais, não mais
Isso não pode mais esperar, tenho certeza
Não há necessidade de complicar
Nosso tempo é curto
Este é nosso destino, eu sou seu
(Jason Mraz – I’m Yours)


  - Então eu vou acreditar – ele sussurrou em seu ouvido, fazendo-a se arrepiar – não importa como você me trate amanhã ou daqui a dez segundos.


  Aquelas palavras ficaram se repetindo na cabeça confusa de Lílian até que eles finalmente decidissem descer a rua para a estação, onde os amigos os esperavam. Ela e o garoto conversaram como da outra vez, porém menos eufóricos e desta vez, ele não lhe dava cantadas ou outra coisa do tipo. Ele estava lhe contando sobre a casa dos Potter quando avistaram Sasha, Sirius e Remo no banco de pedra da estação olhando-os, e então o assunto acabou.


 - Apaixonante – resumiu Sasha, sorrindo com os olhos brilhantes.


  - Ah, fique quieta. – ralhou a ruiva, sorrindo.


  - De verdade, Lil... eu torço para que vocês fiquem juntos. Torço que Thiago consiga conquistar você de uma vez por todas.


  Lílian abaixou os olhos para a janela e olhou as árvores que corriam deles, rápidas.


  - Eu só quero que tudo fique bem. – falou.


  Um segundo depois, Remo pulava entre elas e se deitava, sendo acompanhado por Sirius e Thiago logo em seguida.


  - Qual será a primeira coisa que faremos ao chegar? – quis saber Aluado, apoiando a cabeça nos braços.


  - Comer – Thiago falou – vou devorar todos os doces que Lílian trouxe.


  - Há-há-há. Aqueles doces eu vou guardar para quando for estudar para os exames na escola.


  - Ah, depois você compra mais... – Sirius resmungou, ajeitando-se entre as pernas de Sasha – a gente não vai chegar na hora da janta, Pontas. Podemos mostrar a casa para as meninas só para começar. – piscou o amigo.


  - Tudo bem... e se esquentar à noite, piscina! – Thiago animou.


  - Ah, não... Nada de piscina! Não trouxemos roupas de banho – a ruiva implicou.


  - Eu arranjo uma para você, isso não é problema – disse Sasha, acariciando os cabelos de um maroto entre suas pernas.


  - Ainda bem que o Pontas mora bem ao lado de uma loja trouxa de roupas de banho, não é? – riu Remo.


  - Sério? – Lílian quis confirmar.


  - Não é ao lado, é perto. – explicou calmamente para a ruiva, que ergueu as sobrancelhas em seguida.


  - Amanhã tem... festa, é claro! – comemorou Sirius.


  - A festa de Páscoa dos Potter. – falou Remo, explicando à uma confusa Sasha.


  - Ah, realmente ótimo que tenham nos avisado dos planos de vocês. Não trouxemos roupa para nada! – Lílian brigou.


  - Ah, Lílian, queria ficar em casa o dia inteiro jogando xadrez? – Sirius perguntou, fazendo-a bufar e abraçar as próprias pernas.


 - Não quero saber. Deviam ter avisado.



 


...

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