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15. Capítulo XV


Fic: Os Marotos e o Segredo De Sangue - parte I.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Os Marotos e o Segredo de Sangue





Capítulo XV – Como um dejá vù?




- ... a matéria para os exames de Transfiguração será toda a aprendida neste ano letivo até aqui. Os principais livros são Transfiguração e Ordem, de Mafalda Stuart, e também...


Lílian anotava apressadamente em um canto de pergaminho os livros que a professora ditava, então Sasha despreocupou-se em decorá-los. Estavam no início de março e os exames começariam apenas em junho. Faltavam ainda três meses.


- Sinceramente, espero obter bons resultados desta classe, pois tenho que admitir que alguns alunos aqui presentes tem um desempenho extraordinário. – a professora elogiou, e Sasha percebeu que ela devia estar mesmo falando a verdade, pois era a primeira vez que a via fazendo aquilo. – Nunca se esqueçam... Transfiguração é uma matéria cuja função é dar opções e oportunidades. O esforço é, acima de tudo... crucial. – finalizou, correndo os olhos pelos alunos – estão dispensados.


Sasha guardou rapidamente os livros na mochila e esperou Lily guardar os dela, e a ruiva ainda escrevia no pergaminho.


- Pode ir na frente – ela disse, sem olhá-la – tenho que falar com a professora antes de ir. Encontro vocês na biblioteca? – ela sorriu para a amiga.


A morena deu de ombros e saiu da sala com Alice, que as esperava na porta.


- Oh, não... estamos afundando – lamentou-se Alice – quando temos meia hora livre, é para correr para a biblioteca e inundar a mochila com mais livros...


- Estou achando tão cedo para começar a se torturar desta maneira! – a outra admitiu, bufando em seguida.


Alice olhou-a de soslaio.


- Acho que você está andando muito com Lily, Sasha – disse, rindo – ela já começou a organizar tabelas de horários para estudar as matérias?


- Ah, sim... faz um mês que ela fez isto.


Alice riu.


- Lílian é muito inteligente... mas às vezes, acho que ela quer compensar o fato... de... – Alice enroscou-se nas próprias palavras, olhando para os lados para conferir se ninguém ouvia – sabe, de ela ser metade trouxa.


Sasha ergueu as sobrancelhas para Alice. Entraram em silêncio na biblioteca, e sentaram-se meio isoladas dos outros alunos, em uma pequena mesa em um canto. Sasha decidiu contar:


- Sabe, Alice, às vezes é só o jeito de Lily mesmo, ser esforçada assim. – falou, tentando ser delicada – não acho que você saiba, mas na minha família não há um único bruxo que reste.


Alice franziu a testa, confusa.


- Um único bruxo que reste? Como assim?


- Quer dizer... haviam bruxos há muitos anos, mas eles desapareceram. Meus pais são seus parentes muito distantes. Não sei como nasci bruxa. – admitiu, olhando para a mesa de madeira.


Alice segurou sua mão, como se tentasse ajudá-la.


- Não tem que se envergonhar disso. Tem que agradecer. – a voz dela saiu macia e carinhosa – se este poder lhe foi concedido, é o melhor presente que você poderia ter ganhado.


Sasha sorriu para ela, com franqueza.


- Não me sinto envergonhada. Só acho que Lily tem paranóias que nenhuma de nós tem ou entende – e as duas riram.


Alice levantou-se para procurar alguns livros em umas prateleiras a metros dali, e Sasha começou a fuçar pergaminhos e penas dentro da mochila, espalhando-os pela mesa. Mal percebeu quando uma silhueta sentou-se ao seu lado. Ela ainda estava distraída, revirando a mochila, e achou que fosse Lílian.


- Ah, Lily, Alice está pegando os livros para estudarmos a Guerra dos Duen... – quando virou-se, deparou com Severo Snape, olhando-a estranhamente, com grossos livros entre os braços.


- Olá. – a voz dele quase não saiu quando seus olhos se encontraram.


- Severo! – Sasha surpreendeu a si mesma, abraçando-o – como está?


- Estou... levando. – ele disse com uma tentativa de sorriso nos lábios – e você, está bem?


- Estou... acho que ótima. – ela abriu um grande sorriso.


Incrível como sentia-se bem falando com o garoto. Na semana passada, quando ele dirigiu-se à ela com as mesmas formalidades, embora não tivesse aprofundado nenhum assunto, Sasha se sentira como se tivesse voltado a sentir a mesma esperança e agitação de quando era criança e Snape dava o ar de sua graça na casa dela. Era uma saudade inexplicável... mesmo que ele estivesse completamente diferente de quando eram apenas crianças que brincavam juntas no imenso jardim dos Mills.


- Então... está mesmo namorando aquele Black? – os seus olhos escuros pareceram faiscar quando perguntou.


- Namorando? – ela engasgou – bem... estamos juntos e...


- Não faça isso, Victoria. – o garoto pediu – não continue com ele. Você não sabe... não conhece...


- Não sei de quê, Severo?


- Ele não é o que você está pensando... você nunca o viu...


Sasha esperou que ele continuasse, mas algo atrás de Sasha o fez parar abruptamente de dizer e levantar-se com uma rapidez incrível. A garota deu uma olhadela para trás, e avistou Sirius e Thiago vindo na direção deles, o primeiro parecendo furioso.


- É apenas um conselho. De melhor amigo. – e deu uma última olhada penetrante, os olhos escuros chocando-se contra os azuis, e girou os calcanhares para dar as costas à ela e à eles.


- Hey, Ranhoso! – chamou Sirius – está com algum problema por aqui?


Severo apenas deu uma olhadela para trás.


- Não é nada com você, Black. – falou em voz baixa, como se temesse alguma atitude do garoto.


- Mas se é com Sasha, eu também posso saber! – Sirius jogou em sua cara – não pense que vai ficar amolando a minha garota na Biblioteca e sair limpo!


- Feche a boca para o que não sabe. – Snape grunhiu.


- Volte para o seu kit de química, Ranhoso. – Thiago mandou, segurando um braço de Sirius.


Snape fitou-os estranhamente, uma raiva fervendo sua expressão, e depois desapareceu entre as muitas prateleiras.


- Sirius, tem que ser tão grosso? – a garota perguntou, quando ele sentou-se ao seu lado.


Thiago sentou-se de frente para os dois, cruzando os braços.


- Não suporto este garoto. – ele resmungou.


- Ele era meu melhor-amigo. Ao menos tente ser um pouco respeitável quando ele nem ao menos olhou para você! – ela pediu impaciente.


Sirius olhou-a com indignação.


- Está me pedindo para não debochar de Snape? – sua voz saiu em um tom tão rude, como se fosse impossível ele não fazer aquilo.


Thiago abafou um riso, mas quando Sasha o olhou ele fingiu estar prestando atenção nos livros que Alice punha na mesa ao seu lado. A morena voltou seu olhar para Sirius, e levantou-se, puxando-o:


- Vamos conversar ali.


Pararam em um vão entre as prateleiras, que estava completamente vazio. Ao entrarem ali, receberam um olhar muito recriminador de uma mulher magra que usava grossos óculos redondos na ponta do nariz afilado, mas nada disseram a ela e continuaram.


- Não estou brincando, Sirius. – ela falou, parando de frente à ele, com ar severo.


- Está me dizendo que agora eu terei de mudar o meu jeito com aquele sonserino seboso só porque ele é seu amiguinho de infância? – ele quis saber, perguntando entre os dentes – é isso que está querendo dizer? Porque se é isso, Sasha, acho melhor me dar outras opções, pois não vai acontecer.


Os olhos azuis dela pegaram fogo, e os de Sirius pareceram escurecer.


- Não quero mudar nada em você, Sirius – ela falou muito sinceramente, e as suas palavras tocaram o rosto do garoto como uma pluma.


Sirius suspirou.


- O que quer de mim, então?


- Quero apenas que controle-se quando me vir conversando com Severo!


- Então planeja ter muitas conversinhas com esse Snape ainda, não é?


- Ele é um amigo antigo! – ela arfou entre os dentes.


- Que se dane, seu amigo! Nunca gostei dele, e o fato de ele ser assim com você me faz odiá-lo ainda mais! – a voz dele começava a se alterar.


- Não vou parar de conversar com ele só porque você tem sérios problemas em confiar em mim!


Sirius surpreendeu-se quando os olhos dela se umedeceram rapidamente, quase marejando. O brilho deles era fantástico, mesmo que isso significasse que ela estivesse sentindo dor. Abaixando a voz, ele falou calmamente:


- Então se afaste dele quando me vir.


- Vai ser a mesma coisa que mentir para você que não estou falando com ele.


- Então não fale! – insistiu com a voz mais alta, segurando um dos braços dela com força.


Ela olhou para a mão dele agarrada ao seu braço, tendo uma rápida visão da vez em que Bellatrix fizera exatamente o mesmo com ela. Ele olhou estranhamente para a própria mão também e soltou-a. Uma lágrima solitária contornou o rosto da morena quando ele balançou-a, indo parar em seu queixo.


- Eu disse que não queria mudar nada em você. – aproximou-se dele perigosamente – então tente fazer o mesmo por mim.


E foi a última coisa que disse antes de dar a volta por ele e passar entre as mesmas prateleiras e a mesma bibliotecária, deixando Sirius para trás. Caminhou em passos firmes e apressados até onde a sua mochila estava, enxugando os olhos, sem dar atenção aos alunos que cochichavam à sua volta, e quando chegou começou a enfiar os pergaminhos dentro dela com força. Alice gaguejou:


- Sasha? Você está... bem? – perguntou.


- Estou ótima! – disse a morena, jogando a mochila nas costas e sorrindo largamente com os dentes, mas seus olhos continuaram vermelhos e úmidos – encontro você depois. – disse, e deu as costas rapidamente para eles, trombando em um aluno na porta.


Alguns minutos depois, Sirius voltou.


- Sabe, ela tem razão sobre o modo como vocês tratam Snape. Não é possível que o odeiem tanto.


Os dois apenas se entreolharam – óbvio que se lembraram do plano para a última semana de março – e apenas ignoraram a garota.



*****





Lílian subiu as escadas rapidamente, segurando uma papelada entre os braços. Sasha devia estar no dormitório... e realmente encontrou-a, deitada em sua cama de costas, escrevendo furiosamente em um pergaminho com uma pena que balançava-se freneticamente. A ruiva sentou-se ao seu lado ruidosamente, jogando a papelada em cima das coisas de Sasha.


- Muito bem... o que aconteceu? – ela perguntou, direta.


Sasha bufou antes de responder:


- Sirius. – sibilou.


Lily ergueu as sobrancelhas.


- Vocês estão começando a ficar pior do que eu e o Potter... – suspirou Lily.


- Olhe, não foi nada, está bem? Só foi uma dicussãozinha besta... você sabe como Sirius é orgulhoso.


- Sasha, uma discussão besta e você se rebela contra o mundo e se tranca no dormitório? Você chorou, não foi?


Sasha olhou para ela surpresa, tentando imaginar como ela saberia.


- Seus olhos estão vermelhos.


- Ah, droga. – xingou, esfregando os olhos.


- Se foi mesmo uma coisa tão insignificante para você, não choraria. – deduziu Lily – se tem uma coisa que eu aprendi, foi que chorar por causa de homem é uma incrível e frustrante perda de tempo, pois homem nenhum chora por mulher.


Sasha franziu a testa:


- Aprendeu? Com quem?


A ruiva pareceu desconcentrar-se, olhando para os lados.


- Oras, o importante foi que aprendi. – falou nervosamente.


- Lily, não chorei por causa da briga. Chorei porque ele agarrou meu braço da mesma maneira que Bellatrix fez, como se fosse me bater.


- Ah, Sasha... eu sei que disse a você todas aquelas coisas sobre Sirius, mas acho que ele não te bateria nunca nessa vida, porque no fim das contas, apesar do sangue de Black que corre em suas veias, ele tem um bom coração. – a ruiva falou, tentando animá-la – Sirius é orgulhoso sim, e você está atiçando ainda mais o ciúme dele voltando a conversar com Snape; mas não pode se esquecer que foi desse Sirius que você começou a gostar.


Sasha pensou por um momento. Se esqueceu de perguntar como Lily sabia que tudo aquilo era por causa de Snape, mas lembrou-se de quando Sirius e ela nem ao menos se conheciam direito e o garoto evitara que ela saísse com Amos Diggory – sentiu-se muito enraivecida na época, mas este fato compensou no primeiro beijo dos dois... e no desenrolar de toda a história.


- E você também não pode negar que é tão orgulhosa quanto ele.


Não, não podia mesmo negar. Desde Franciny Turner até Bertha Jorkins, que tinham, na opinião dela, valores muito distintos uma da outra, causavam uma agitação imensa dentro dela quando se aproximavam ou conversavam com Sirius. Sasha corava-se só de lembrar a maneira como Franciny flertava descaradamente com o garoto.


- Mas eu entendo, Lily, eu não brigo com ele todas as vezes que percebo alguma garota olhá-lo e suspirar por ele nos corredores, porque eu percebo e não são poucas, e muito menos feias a ponto de que eu pudesse deixar isso de lado – falou em voz baixa – mas eu confio nele.


Lílian riu.


- É que você foi arrumar justo o namorado mais estourado e galinha desta escola!


Sasha levantou os olhos para ela, com um sorriso fraco.


- Mas olha, vou te dizer uma coisa. Ele nunca disse à nenhuma delas que as amava. – a ruída lembrou-a.


Sasha deu um enorme sorriso e mordeu os lábios inferiores.


- Você vai continuar chorando por causa dele? – quis saber Lily, em tom autoritário.


- Você sabe como eu sou chorona. – ela falou, coçando os olhos com os punhos, rindo.


- Vai?!


- Não por motivos idiotas. – ela refinou a afirmação.


Lily sorriu e passou um braço pelo ombro da amiga.


- Aliás... Sirius tinha bem razão de brigar com Severo hoje. – Sasha falou.


- Como?


- Bem... digamos que ele veio falar comigo para me aconselhar que ficasse longe de Sirius.


- Aquele garoto é estranho. Certeza que ele tem uma paixão de infância por você.


- Nem brinque com isto! – a morena escandalizou-se.


- Bom... vamos esquecer tudo isso. Agora, temos que correr para a aula de Takashighi ou ele nos faz de lanche. – brincou.




*****





Desta vez, demorarou apenas dois dias para que Sirius e Sasha voltassem ao que era antes. Na noite de quarta-feira, após copiar apressadamente a tabela de horários de Lily para que as duas pudessem estudar juntas – o que era ótimo para a morena, pois com a amiga conseguia se concentrar sem que ninguém a atrapalhasse, e quando tinha alguma dúvida era só perguntar para o livro ambulante ao seu lado. Não que ela realmente planejasse estudar ao pé da tabela, pois se o fizesse não teria tempo para mais nada.


Guardou a tabela na contra-capa de um caderno surrado e jogou-o dentro da mochila. Subiu ao dormitório para guardá-la e quando voltou, encontrou Thiago, Sirius e Remo adentrando a sala comunal aos cochichos. Lílian ainda cochilava em um sofá fofo com um grosso livro caído em seu peito. A morena arrastou-se lentamente até o fim da escadaria, tentando não chamar a atenção deles para que não parassem a conversa.


- É melhor desistirem disso. Estou falando sério! – Remo alertava os outros dois.


- Você está parecendo Sasha – ela ouviu Sirius rosnar.


- De qualquer maneira, o idiota do Sirius já fez a burrada, Aluado. Agora é esperar para ver. – Thiago amuou-se em um canto no banco que tinha embaixo da janela.


- Diabos... não vou deixar você fazer isso, Almofadinhas. Tudo bem que, por Merlin, ele era amigo dela e você está definhando de ciúmes...


- Não estou com ciúmes, Remo! – Sirius interrompeu com a voz alta.


- Não, não, assim como não é mais um cachorro sarnento e Aluado não é lobisomem. – Thiago ironizou.


Sasha arregalou os olhos, e abaixou-se até sentar-se no ultimo degrau. Como isso... podia ser verdade? Uma onda de eletricidade envolveu-a: lembrou-se que uma vez por mês, Remo parecia abatido e doente, e sempre sumia nessas noites, com todos os outros meninos ao seu encalço. Podia ser que ela não tivesse percebido, mas era sempre na lua cheia? Decidiu prestar mais atenção à conversa – talvez Thiago estivesse só jogando palavras fora, e decididamente eles estavam falando em fazer algo com Severo. Havia perdido boa parte da conversa:


- ...o professor Takashighi me disse... que vai à uma floresta na semana que vem. – Remo confidenciou em voz baixa – me chamou para ir com ele. Caçar.


- Ele está louco?! – a voz de Sirius saiu esganiçada, e ia continuar quando ele o interrompeu:


- Fale baixo, idiota! – e olhou à volta, mas Sasha estava abaixada e um sofá a escondia perfeitamente – é lógico que eu não vou! Falei um monte de asneiras para ele, e ele ficou com a cara no chão. Ele vai para a Rússia... ou alguma coisa assim.


“De que diabos eles... estão falando?”; pelo que deduzia, o professor Takashighi tinha convidado Remo a passar uma amigável temporada de caça na Rússia? Eles pareciam saber de muita coisa. Mas Sasha odiava ouvir as coisas escondida, ainda mais segredos – mais do que ninguém ela entendia que se tais segredos fossem revelados seriam feitos pelo seu dono que decidiria.


Devagar, levantou o corpo na escada e subiu até mais ou menos o meio da escada. Depois, desceu os degraus de madeira tentando fazer o máximo de barulho que conseguia. Mas havia algo errado... os degraus não estavam duros da madeira, mas pareciam macios e de repente enevoaram-se e desapareceram sob os seus pés, e ela se viu caindo em algum lugar branco que parecia não ter fim.


Gritou, ao mesmo tempo em que erguia a cabeça dos braços que estavam debruçados na mesa. “Pesadelo, pesadelo...” repetiu para si mesma, enquanto passava as mãos pelos cabelos, sentindo-os suados na testa. Olhou para frente, Lílian cochilava docemente com o mesmo grosso livro caído no peito. Sasha mirou a colagem da tabela de horários que fizera na contra-capa de seu caderno surrado, sentindo-se muito estranha. Estava tudo igual... maldito dejá vù.


Resolveu esperar alguns minutos na sala comunal. Se estivesse certa, daqui a pouco três meninos entrariam pelo retrato da Mulher-Gorda discutindo um plano contra Snape. Seu coração acelerou relativamente quando ouviu um clique e o retrato girou.


- É melhor desistirem disso. Estou falando sério! – era a mesma voz severa de Remo que alertava dois meninos que vinham atrás dele.


- Você está parecendo... – Sirius ia dizer que ele estava parecendo Sasha, quando percebeu que Thiago a viu e deu um belo beliscão no braço do outro.


- Sasha! – Thiago correu até a mesa em que ela estava, jogando-se na cadeira.


Sasha sentiu náuseas. Se estava mesmo tudo acontecendo como sonhara... então tinha que considerar três possibilidades: os meninos estavam planejando um plano maléfico contra Snape, eles sabiam que o professor era mesmo vampiro e... Remo era um lobisomem. Ela olhou para os três com uma rapidez espantosa, os olhos ainda sem acreditar em tudo o que acontecia.


- Oh, não... – ela mergulhou a cabeça entre as mãos, afundando-as nos cabelos negros.


- Remo, vá dormir! – disse Sasha – está parecendo doente!


- Estou apenas... cansado. – ele resmungou, trocando um olhar com Thiago.


- Porque não vai até a Enfermaria pedir alguma vitamina ou coisa assim? De verdade, está parecend...


- Já disse que eu estou bem, Sasha, apenas um pouco cansado! – ele insistiu rispidamente, acabando com o assunto.



Esta lembrança apareceu em sua mente como um relâmpago, e não demorou dois segundos para que outra lembrança viesse...


- Almofadinhas, está na hora! – Thiago passou por trás do sofá onde Sirius e Sasha estavam, dando palmadinhas macias no topo da cabeça da garota.


Sirius levantou-se do colo da garota e deu-lhe um beijo na bochecha.


- Onde vão? – ela quis saber, enquanto ele amarrava os tênis.


- Vamos... erm... reunião de quadribol. – ele respondeu sem olhá-la, e foi atrás do amigo que levava uma mochila nas costas, e saíram pelo buraco do retrato.



E novamente outra lembrança atordoou-a:


- E porque ele está tão destruído? Quer dizer, todos estes móveis... parecem ter sido atacados. – ela sussurrou em voz baixa, como se alguém pudesse escutar.


- Bom... eles não estavam assim quando eu conheci. – disse, sincero, tentando não encontrar os olhos dela.


- E o que causou isto tudo?


Sirius suspirou, e abaixou os olhos. Ela notou que eles estavam mais claros e azulados do que nunca.


- Não posso lhe dizer, Sasha. – sua voz saiu embargada.



E logo foi seguida por outra...


- Onde você foi com o Sirius? – Lílian quis saber, e em sua voz havia um tom de urgência.


- Na Casa dos Gritos... – ela sussurrou sem pensar – ele me levou por uma passagem... mas, espera aí, porque quer saber?


- Nada... ele lhe contou algo sobre o lugar? – perguntou a ruiva, interessada.


- Contou só que... Lily, você sabe de algo?


- Sei... sei o que acontece lá, e... digamos que alguém me pediu para lhe perguntar isso. – ela engoliu seco.



Os meninos ainda estavam em volta dela, observando-a estranhamente. Sasha fechara os olhos com força durante o lampejo de lembranças que sobressaltaram sua mente e agora, mais do que nunca, desejou pregos para que seus olhos não se abrissem, pois tinha certeza que vomitaria. Sentia-se terrível, como se as lembranças tivessem sido forçadas à voltar em sua memória como um flashback, para convence-la do sonho que tivera...


Abriu o olhos. O primeiro a ver foi Remo, cujas sobrancelhas grossas erguiam-se em um arco, como se perguntasse o que ela tinha. Tornou a fechá-los. Sirius adiantou-se ao seu lado:


- Sasha, você está bem? – ele passou a mão por seu ombro, e o toque a fez sentir um calor insuportável dentro de si, aumentando a náusea... não conseguiu responder.


- Ela está branca feito neve, Sirius – a voz preocupada de Thiago pôde ser ouvida – acho melhor leva-la para a enfermaria e...


- Não! – Sasha ouviu-se dizer, o mal estar aumentando incrivelmente, ao mesmo tempo que voltava a abrir os olhos – não quero ir.


- Não é questão de querer, garota. – Remo disse, autoritário.


Sasha lembrou-se de respirar. Começou a sentir-se melhor.


- Eu já estou bem – mentiu – foi só um enjôo.


- Não está grávida, não é? – preocupou-se Pontas.


- Cala a boca. – ela riu levemente.


De fato estava melhor. Os três começaram a agir como se fossem pai dela, mandando-a ir tomar um banho, descansar, essas coisas. Ela insistiu que estava mesmo bem e que eles não se preocupassem. Quando estes fizeram menção de subir as escadas para dormir, Sasha segurou a mão de Sirius:


- Posso falar com você um instante? – perguntou.


Os outros dois o olharam e este acenou.


- Claro – ele respondeu com um sorriso, sentando-se na cadeira ao lado da dela.


Sasha mexeu-se desconfortavelmente.


- Eu tive um pesadelo. – contou.


- Que tipo de pesadelo?


- O tipo mais estranho. – ela engoliu seco.


Sirius esperou.


- Bem, sonhei que estava aqui, neste mesmo lugar, então sai e quando voltei, vocês já haviam chegado e estavam conversando sobre umas coisas um tanto... estranhas!


- Tudo muito estranho – brincou Sirius, fazendo-a rir.


- É!


De repente, percebeu o que fazia. Se Sirius e nenhum dos outros garotos e nem mesmo Lílian havia contado a ela que Remo de fato era um lobisomem, óbvio que o garoto iria dizer que fora apenas um pesadelo com várias coincidências dentro dele.


- Quer saber, foi só um sonho. – ela murmurou.


- O que conversávamos? – ele insistiu, notando a hesitação da garota.


- Sobre um plano para matar sonserinos. – ela mentiu rapidamente.


Sirius gargalhou.


- Quem sabe não foi um sonho totalmente falso? Foi um dejá vù! – ele disse em tom maroto.


- Pare com isso! – ela pediu, embora rindo.


- Ah, sim... me esqueci que você tem uma queda por sonserinos – ele alfinetou, cessando lentamente o riso.


Sasha olhou-o com uma expressão “você tem mesmo que dizer isso?”, e então deu um soco no braço dele, de brincadeira.


- A minha queda por grifinórios é muito maior. – ela falou, mordendo o lábio inferior – aliás, por só um deles...


Ia aproximando seu rosto do de Sirius, e sentiu uma mão dele voar para sua cintura, apertando-a levemente.


- Então admite que tem uma queda por sonserinos? – ele perguntou quando estavam muito próximos, fingindo braveza. O hálito dele bateu doce e suave contra o seu rosto, fazendo-a suspirar.


Sasha riu fracamente e murmurou um “Seu bobo...”, antes de colar os lábios nos dele. Sirius aprofundou o beijo quase instantaneamente. A língua quente dele tocou os seus lábios e a sua língua com veracidade, com se desejasse aquilo mais que tudo. Sasha correspondeu sem hesitar, entrando novamente na dança (ou briga?) furiosa de beijos e amassos. O mal estar de minutos antes estava completamente desaparecido, sendo substituído por uma sensação trilhões de vezes mais preferível... a sensação de estar nos braços de Sirius, de se sentir desejada por ele, e sentir que ele estava dando o máximo de si a cada beijo e a cada carícia, era com certeza a melhor sensação que ela poderia sentir.



*****




No outro dia, quase se esquecera completamente do sonho, quando surpreendeu sem nem ao menos perceber, uma conversa do trio novamente, só que quando saíam das masmorras a caminho do almoço.


- Diabos... não vou deixar você fazer isso, Almofadinhas. Tudo bem que, por Merlin, ele era amigo dela e você está definhando de ciúmes...


- Não estou com ciúmes, Remo! – Sirius interrompeu com a voz alta, chamando atenção de algumas garotas que passavam por eles.


Sasha tocou o ombro de Sirius antes que Thiago dissesse sobre o cachorro sarnento e o lobisomem; mas logo se arrependeu: teria sido fundamental para tirar suas dúvidas, agora que sabia que não estava sonhando. O garoto virou-se e a abraçou ternamente. Lílian desviou quando Thiago fez menção de fazer o mesmo com ela, e ambos riram – o que não passou de despercebido pelos outros amigos que os acompanhava.



*****




O fim de semana passou como um relâmpago novamente – os tempos pareciam querer correr do perigo que se destacava cada vez mais do lado de fora. Do lado de fora? Gloria, Sasha e Remo estavam discutindo isso na segunda-feira durante o almoço, quando o último recebeu o habitual Profeta Diário. Remo derrubou o suco de abóbora quando terminou de ler a primeira página, e correu para fora do salão comunal.


Quando elas se inclinaram para ler, entenderam perfeitamente.


Ontem à noite, às onze horas, um grupo de aurores que estava na missão Você-Sabe-Quem, organizada pelo Ministério da Magia, foi atacado sem piedade nos arredores de Eastbourne. Eles haviam recebido uma mensagem anônima – que segundo pesquisas de um dos aurores do programa era completamente confiável – de que havia alguma pista sobre Você-Sabe-Quem e seus seguidores, os chamados Comensais da Morte, e seguiram para a praia com um plano esquematizado, mas foram apunhalados pelas costas com feitiços quase irreparáveis. Entre eles estão o casal Potter, o senhor Hugo Sppinet e...


Elas não terminaram de ler. Gloria agarrou o jornal, amassando-o furiosamente, e olhou para Sasha assustada:


- Os Potter!


- Merlin... Thiago! – elas levantaram-se abruptamente, correndo para o salão comunal.


Não haviam visto Thiago naquele dia ainda, o que era realmente desconfiável, pois o garoto sempre era o primeiro de todos a levantar e o último a ir dormir. De qualquer maneira, quando chegaram no salão comunal, encontraram um Sirius muito furioso discutindo com Remo.


- Você nem VIU quando ele saiu, Sirius? – Remo perguntava, indignado.


- Acha que é fácil assim? Dumbledore deve ter entrado aqui de madrugada para chamá-lo! Diabos, Thiago deveria ter me levado junto! Quero saber o que aconteceu! O que diz no Profeta?


- Diz que eles foram atacados – respondeu Sasha, juntando-se à eles, estirando o jornal na mão de Sirius.


- Aaaah, droga! – ele passou as mãos pelos cabelos nervosamente – se algo acontecer a eles...


- Calma, Almofadinhas! – Remo falou – vamos conversar com Dumbledore e pedir que nos deixe ir atrás de Thiago. Se tiver acontecido algo mais grave nós...


- Nem pense nisto! - Sirius interrompeu o amigo – vamos logo! – e os dois saíram correndo por onde as meninas haviam entrado momentos antes.


- Onde está Lílian? – perguntou Gloria, observando rapidamente o salão comunal.


- Ela ficou de pegar uns livros na biblioteca antes de ir para a primeira aula. – falou Sasha.


- Temos que contar a ela!


Sasha concordou e as duas saíram quase correndo em direção ao local, mas não precisaram completar a trajetória. Lílian vinha correndo por um corredor sem mochilas nem livros nas mãos. Tinha o olhar mais assustado que qualquer uma delas já havia visto naqueles olhos intensamente verdes.


- Ouvi a professora Minerva conversando com Takashighi. – começou a dizer, a voz um pouco embargada pelo cansaço – São os pais de Potter! Ele foi para Londres de madrugada...


- O que aconteceu a eles? – Sasha quis saber.


- Parece que estão realmente mal. – Lily disse, preocupada – foram uns dos únicos que sobreviveram, e mesmo assim estão em estado grave no St. Mungus. Mas o pai de Sppinet... bem.


Sasha engoliu seco. Já havia acontecido uma vez, com Gregorio, e ele parecia estar entrando em depressão, andando pelos corredores sozinho e desanimado. Agora era Spinnet, e mesmo que Sasha não tivesse qualquer intimidade ou ao menos conversasse com o garoto, sentiu uma habitual pontada de desapontamento e culpa. Uma terrível culpa. Antigamente, quando se limitava a se esconder nos vilarejos mal povoados de povos estranhos que nem falavam a mesma língua que ela, não se preocupava com os ataques, e nem mesmo pensava nisto depois – não que fosse uma super insensível, mas nunca tivera tempo. Depois de um ataque, sempre vinha outro, e depois outro... mas agora estava no meio das pessoas que estavam sendo atingidas pelos ataques. Estava convivendo com elas, estudando com elas, rindo e conversando com elas. Estava amando-as. Percebeu que Lily continuava a falar:


- Sirius e Remo estão na diretoria gritando a plenos pulmões que tinham obrigação de estar junto de Potter agora – contou, esfregando as mãos – sabe, eles sempre foram como pais adotivos para Black... ele não vive realmente com a família dele, mas mais na casa dos Potter do que tudo.


Sasha sentiu o sangue subir quente para a cabeça: ele pegara, conseguira pegar dois coelhos em uma cajadada só. De tabela, machucara Thiago e Sirius, e ainda Remo. Isso começava a fazer sentido?


Não suportaria que mais ataques continuassem a acontecer àquelas pessoas – e agora tinha sido uma tão terrivelmente próxima! – só para tentar atingi-la. Indiretamente, Sasha sabia que isto tudo tinha haver... não, não podia! Mas ela pensou e repensou... que diabos Tom estava podia estar querendo na Inglaterra? Isto tudo seria uma tentativa de fazer com que ela se entregasse, para não ver seus amigos sofrerem?


- O pior é que não há nada que possamos fazer... – suspirou Gloria.


- Quero ir com eles. – decidiu Sasha, começando a andar em direção à diretoria.


- Sasha!!! Está louca? A professora Minerva está com os cabelos em pé por causa de Sirius e Remo! – a ruiva foi atrás dela, tentando segurá-la – deixe que eles façam iss...


- Eu também sou amiga de Thiago, Lily! – ela virou-se para falar; seus olhos ardiam de raiva – precisa entender... perceba o que está acontecendo.


A indireta foi o suficiente para a amiga perceber o que ela pretendia; falaria tudo o que se passava em voz alta se Gloria soubesse de tudo, pois sua cabeça estava para explodir. Lily devia ter entendido, pois arregalou os olhos e murmurou um baixo “Não...”. Mas não foi o suficiente para impedi-la. Sasha voltou a correr pelo corredor – quando o virasse, daria de frente para a gárgula que sabia ser a diretoria.


Mas quando virou, quase trombou com o professor Takashighi, que segurou-a pelo braço com força e, como se ela fosse uma boneca, mudou a direção de seus passos para onde as duas amigas estavam.


- Sinto muito, senhorita Mills, mas Dumbledore está com problemas suficientes por hoje, então não deixarei que faça o que pensa que vai fazer.


O rosto de Sasha ficou vermelho de raiva. Quem aquele professor pensava que era? Merlin? Ele não sabia nem mesmo da metade das coisas... e estava colocando o maldito dedo onde não havia sido convidado.


- Me solte! Por favor! – ela forçou-se para trás, mas ele era forte demais, e continuou puxando-a como se ela não fizesse nenhuma força contra.


- Não posso deixar que faça isso! – ele insistiu.


Passaram por Lílian e Gloria, e as duas olharam para os dois sem saber o que fazer, e não seguiram quando o professor continuou puxando Sasha pelos corredores.


- Mas você nem sabe o que eu quero fazer! – ela disse com a voz mais alta que o normal.


- Sei sim. – ele respondeu rápida e rispidamente – sei que quer seguir os dois para tentar protegê-los. É muita inconseqüência sua, senhorita Mills, pois não há o que fazer!


Imediatamente, ela respondeu no mesmo tom que ele:


- O senhor não sabe mesmo o que eu quero fazer! Tem que me deixar ir com eles, professor!


Quando percebeu, estavam perto da sala de aula de Defesa Contra as Artes das Trevas. Sasha tentou pisar firme no chão, mas foi arrastada como uma criança manhosa. Quando passaram pela porta da sala, ele segurou-a pelos dois braços e olhou em seus olhos como se lhe desse uma bronca:


- Eu sei muito bem o que quer fazer! Acha que tudo isto que está acontecendo é culpa sua ou é para prejudicá-la, não é? Não acha que está se colocando demais no centro do mundo?


Uma fúria imensa transbordou dos olhos dela e sua respiração ficou ofegante. Como ele sabia daquelas coisas, ela não tinha idéia pois não contara a ninguém de suas dúvidas.


- Pare de me julgar! – ela quase gritou no rosto do professor, que estava muito próximo – se você soubesse por um segundo de tudo o que aconteceu na minha vida, MAS NÃO SABE DE NADA!


O professor metralhou-a com o olhar, mas depois soltou-a sem dizer nada. Sasha não se convenceu de que ele realmente não sabia de nada. Como ele podia saber sobre o que falara? Estava começando a achar que o professor iria fazê-la de café-da-manhã, quando a professora McGonagall apareceu na porta da sala com o seu habitual olhar avaliador.


- Youn, sugiro que não fale com os alunos dessa maneira. – ela disse, segurando Sasha pelo ombro com uma atitude protetora – pode assustá-los. Aliás, Dumbledore pediu que voltasse à sala dele para levar os dois alunos seguramente pela lareira até o St. Mungus.


O professor mirou Minerva, e depois olhou para Sasha. Parecia tremendamente desgostoso da tarefa que lhe fora direcionada, mas mesmo assim passou por elas e saiu pela porta de sua sala.


- Vamos, Mills, tem que voltar às aulas com Evans e Garret.


- Professora, por favor. – ela percebeu como fora muito mais fácil desviar dela do que do outro que a levara até ali – deixe-me ir com Sirius e Remo.


- Você conhecia os Potter? – ela perguntou, erguendo uma das sobrancelhas.


- N-não... mas...


- Então poupe isto tudo. Parece que os dois estão realmente mal e não é preciso que o quarto fique cheio de gente que eles nem ao menos conhecem.


- Mas a senhora não entende...


- Não insista, por favor. – Minerva calou-a com um olhar superior – agora, a aula de Feitiços começou há vinte minutos, torça para que Flitwick ainda aceite as três.


Sasha suspirou e foi procurar Lílian e Gloria. Como não encontrou no corredor onde estavam anteriormente, supôs que a ruiva já tivesse ido à aula de Feitiços – que seria com a Sonserina -, e confirmou ao chegar lá. Havia um lugar vago ao lado de Snape, além das carteiras vagas que seriam dos meninos que estavam fora. Não foi até Severo, pois não sabia se isto seria bom ou ruim, e sim sentar-se sozinha na frente.


- Espero que saiba sobre Feitiços de Proteção, senhorita Mills, pois eles com certeza cairão nos exames! – a voz aguda do professor feriu-lhe os ouvidos, e ela lembrou-se que nem ao menos pedira desculpas pela demora ao entrar na sala - Dez pontos a menos para a Grifinória, pela falta de... pelo atraso.


Sasha acenou e abaixou a cabeça. Encontrou o olhar preocupado de Lily, e balançou a cabeça negativamente para ela. A ruiva suspirou, como se a outra houvesse confirmado suas suspeitas. A aula de Feitiços transcorreu anormalmente quieta – talvez fosse pela ausência de três meninos, talvez apenas pela tensão dos exames – e quando acabou o outro tempo que era de Poções, elas foram almoçar.


A mesa da Grifinória foi a mais quieta durante o almoço. Sasha não sentiu fome, então foi apenas acompanhar a ruiva, tentando se concentrar em um livro de Poções que o professor recomendara para o dever – tinham que escrever quinze linhas sobre onde encontrar extrato de aranha e grude de rim. Poderia até mesmo ser divertido fazer aquele dever, mas Sirius e Thiago não estavam ali com as habituais piadinhas sobre a matéria, e ela até mesmo imaginou o primeiro dizendo: “Pontas, amassa aí a aranha que eu vou tirando os rins de Remo para fazer um grude”.


As aulas à tarde pareceram piores do que nunca. Além de silenciosa, a aula de Adivinhações foi até um pouco... estranha.


- Querida... – Trelawney passou os dedos finos pelo rosto de Lílian, fazendo-a recuar um pouco – eu vejo em seu destino uma luz que a guiará para um caminho totalmente escuro...


Sasha ergueu as sobrancelhas.


- Uma luz? – perguntou a ruiva, fingindo-se interessada.


- Sim... uma luz verde... o seu destino não é feliz. – ela lamentou-se com uma expressão de pena.


Sasha espremeu um riso, mas quando a professora olhou-a, ela disfarçou:


- Com quem ela vai casar?


Trelawney metralhou-a e depois partiu para a outra mesa. Lílian segurou o riso enquanto fazia anotações em um pergaminho, e foi seguida por Sasha.


Na aula de Defesa Contra as Artes das Trevas, o professor Takashighi começou a falar sobre as táticas usadas no ataque que houvera na praia em Eastbourne no domingo e como os aurores que sobreviveram foram inteligentes e quais os feitiços haviam usado como defesa. Na prática, aprofundaram o uso de feitiços de defesa como estuporar, o Enervate e Finite Incantatem. Dentro de Sasha, uma antipatia tremenda crescia pelo professor por causa da maneira como ele a havia tratado pela manhã, e como havia dito aquelas coisas como se soubesse de tudo; ela também percebeu que de vez em quando ele lhe lançava olhares pelo canto do olho, como se conferisse se ela ainda estava na sala de aula. Por causa dessa distração e por estar irritada, errou a maioria dos feitiços, até mesmo os mais fáceis.


- Senhorita Mills, costumava ser a melhor aluna da minha aula! – o professor comentou ao vê-la estuporar um quadro de cerejeiras japonesas do Japão que absorveu o feitiço e fez com que todas as flores brancas caíssem da árvore.


- Desculpa, professor, estou distraída e preocupada hoje. – ela respondeu entre os dentes.


Ele sorriu levemente, seus olhos orientais estreitando-se ainda mais.


- Mas presumo que um feitiço simples como Estuporar seja fácil para você... e é inadmissível que no sexto ano da escola não saiba fazê-lo. Vamos ver nos exames então.


- Por que está todo mundo me atacando por causa dos exames? – ela perguntou para Lílian quando saíam da aula.


- Porque chegou atrasada para a aula de Feitiços... e parecia estar nas nuvens hoje o dia todo. – a ruiva explicou.


Sasha bufou.


- Estou só preocupada.


Lílian abraçou-a pelos ombros e disse:


- Vai ficar tudo bem, Sasha... você viu, eles estão vivos ainda! Acho que os meninos voltam até a noite.


E voltaram mesmo. Depois da última aula da tarde nas estufas de Herbologia, as duas foram correndo para o salão comunal para fugir da chuva grossa que começava a cair – o céu estava infestado de nuvens negras que estendia-se até onde não se podia mais ver; mas Sasha estava apenas torcendo para que os três estivessem em volta da lareira. Mas encontraram apenas Remo debruçado em um livro em uma mesa, e os outros dois estavam no dormitório, segundo este.


- Lílian... pode me ajudar com as matérias que perdemos hoje? – ele pediu para a ruiva, que sentou-se ao seu lado de bom grado.


- Eles estão lá em cima mesmo? – quis saber Sasha, olhando para a porta do dormitório masculino lá em cima.


- Sim... pode subir. – autorizou Remo, e diante de um resmungo de Lily, ele respondeu – só estão os dois no dormitório, Lílian...


Sasha nem esperou que a ruiva desse mil motivos para ela não subir, e foi pulando os degraus de dois em dois. Seu coração acelerava e sentiu uma pontada fria no estomago quando chegou à porta do dormitório. Bateu algumas vezes com os nós dos dedos até que Sirius a abriu. Sua expressão estava cansada e um pouco triste. Ela o abraçou sem esperar que ele dissesse qualquer coisa, e ele correspondeu apertando-a ainda mais contra si.


- Eu queria ir junto, mas o professor Takashighi não deixou! – ela falou em voz baixa.


- Calma, está tudo bem – ele acariciou os cabelos dela sem soltar o abraço – no fim da semana eles já saem do hospital.


- Jura? – ela sorriu, tirando a cabeça do pescoço dele para olhá-lo.


- Sim... ainda bem que os Potter são os melhores aurores daquele Ministério. – Sirius disse, abrindo caminho para que Sasha entrasse.


O dormitório masculino era realmente o que ela esperava que fosse. As camas de dossel estavam arrumadas iguais ao dormitório feminino, em forma redonda, mas a bagunça era inconfundivelmente de meninos: haviam pergaminhos espalhados em cima das camas, fotos coladas na parede sem lógica de espaço, pôsteres de times de quadribol e uma grande faixa que ela reconheceu como a que tremulara na arquibancada no dia do jogo contra a Sonserina, a que dizia o nome dos jogadores em campo e vibrava pela Casa.


Ela procurou Thiago com os olhos e encontrou-o sentado na própria cama, com uma fotografia na mão. Ele parecia mais abatido do que Sirius, mais pálido do que ela jamais o vira. Sentou-se ao seu lado, enquanto Sirius sentava na cama da frente, que deveria ser a dele. Sasha o abraçou de lado e deu uma espiada na foto que segurava entre os dedos brancos. Em um belo banco artesanal de jardim, balançavam um homem de cabelos negros arrepiados e olhos castanhos esverdeados, os mesmos olhos de Thiago. Ele estava abraçando uma mulher muito bonita, cujo cabelo era muito liso e cumprido, loira, com olhos castanho-claro sob os óculos e ria gostosamente das malandragens que o marido fazia na foto.


- Meus pais. – sussurrou Thiago, olhando para a foto.


- Eles são lindos. – ela disse, afagando as costas do garoto.


- Eu sei, são meus pais – ele disse marotamente.


Sasha suspirou, rindo. Pelo menos Thiago não estava triste a ponto de perder a marotagem e parar de fazer brincadeiras – isto significava que os pais dele estavam realmente bem, e que as pessoas que haviam dito aquilo a tarde inteira para ela não estavam mentindo apenas para fazê-la sentir-se bem.


- Como eles estão? – Sasha perguntou.


Thiago olhou para Sirius por um breve instante antes de responder.


- Estão se recuperando. No final de semana eles já vão para casa.


- Então não foi realmente grave.


- Na verdade... foi sim. Maldição Imperdoável. – suspirou Thiago, a voz estranhamente abalada.


Sasha estremeceu. Não perguntou mais nada, mas deduziu que havia sido a Cruciatus. Tortura.


- Mas o importante é que eles estarão voltando bem para casa, não é? – ela quis animá-lo.


- Ah, com certeza – Sirius sorriu para os dois – agora pode parar de abraçá-lo?


Thiago riu e Sasha voou para o lado de Sirius, que fingiu estar muito chateado enquanto ela estalava um beijo em sua bochecha.


- Fiquei a tarde toda preocupada com você. – ela sussurrou para Sirius.


Thiago murmurou um “vou tomar um banho” e entrou no banheiro do lado, sem fechar a porta, e logo ouviram o barulho da água saindo do chuveiro e caindo no chão. Sirius falou, irritado:


- Vamos lá pra baixo... Pontas não se toca que você é uma menina – disse, segurando sua mão para levantá-la – ou se toca, mas é safado suficiente para querer que você o veja pelado.


Sasha gargalhou, enquanto Sirius a dirigia pela porta.


- Ou você quer ficar para vê-lo?


- Não pode ser tão desagradável. – ela provocou, fazendo menção de voltar para o dormitório, dando um sorriso torto.


- Não pode estar falando sério – ele puxou-a pela cintura, fazendo-a parar bem próxima à ele.


O garoto aproximou-se do rosto dela e tocou seus narizes com carinho, fazendo-a sorrir com todos os dentes. Ele puxou-a para fora do dormitório, ainda sem destocar seus narizes, e fechou a porta atrás dela. Então voltou a empurrá-la contra a porta, para prendê-la contra esta de modo que ela não pudesse escapar nem se quisesse.


- O que você pensa que está fazendo, Six? – perguntou inocentemente, enquanto ele beijava sua bochecha e seu rosto, apertando ainda mais o corpo contra o dela.


- Pra quê perguntar deste jeito, Vic... – ele falou ao pé da sua orelha, e abaixou a cabeça para beijar o seu pescoço; Sasha mordeu os lábios inferiores, fechando os olhos - como se você não gostasse...


- E como você sabe se eu gosto mesmo?


- Porque está esticando o pescoço pra mim... – ele disse, mordendo seu pescoço levemente – e porque está falando com essa voz pra me provocar.


As mãos dele apertavam a cintura dela com desejo. Sasha estremeceu e a suas mãos instintivamente voaram para o corpo dele, uma brincou com os cabelos negros e a outra arranhou os braços, e as costas por dentro da camisa.


- Fala que você não está gostando então. – ele falou antes de beijar a orelha dela, lambendo seu lóbulo e apertando-se ainda mais quando ela suspirou de prazer.


- Eu não disse isso...


Ela cravou as unhas nas costas dele quando este lambeu as extremidades de sua orelha e depois mordeu-a.


- Você sabe que eu gosto. – foi a vez dela sussurrar em seu ouvido.


Ele levantou a cabeça para olhá-la com um sorriso malicioso e depois mirou seus lábios carnudos. Sasha animou-se mais ainda quando fitou seus olhos e eles estavam tão azuis como naquele dia na Casa dos Gritos. Ele apertou os seus lábios contra os dela levemente, erguendo a mão para acariciar seu rosto. Sasha não suportou o calor do toque e aprofundou o beijo, inclinando a cabeça para fazê-lo.


Já estava completamente entorpecida pelas carícias e beijos de Sirius que nem percebeu quando alguém ao lado deles pigarreava, parecendo envergonhado. Era Grunt, e ele se controlava para segurar o riso.


- Se me derem licença... preciso entrar no dormitório. – pediu educadamente.


Sirius sorriu abertamente para ele, enquanto a garota corava furiosamente e se afastava da porta para dar passagem. O garoto entrou e ouviram ele rindo lá dentro.


- Acho melhor a gente descer. – ela disse, arrastando-o escada abaixo.


- Ah, Vic... aqui em cima tem mais privacidade... a gente pode ir pra minha cama e fechar as cortinas e...


- Cala a boca! – ela interrompeu-o, rindo de sua cachorrice.


- Vai falar que você não gosta.


Sasha gargalhou e já haviam chegado ao salão comunal. Lílian virou a cabeça para olhá-los, assim como Remo, e os dois sorriram:


- Vejo que está bem! – falou Lily.


- Sasha me animou lá em cima. – Sirius piscou para os dois.


A morena deu um soco no braço dele e sentou-se com os outros dois, fingindo estar emburrada.















N/a: gente, eu estou péssima/aos farrapos. passo horas pensando nessa fic e escrevendo isso aqui pra ningueém deixar um mísero comentário! pode ser egoísmo porque há milhares de fics na floreios e tudo... mas um mísero comentário? por favor? por isso acho que em breve essa fic vai voltar ao hiatus! a se ela entrar, eu não vou voltar no próximo ano e nem no outro ;x
(pressãozinha maldita) HUIESAHEISAHEISAHESAIU mas é a verdade, porque eu vou fazer o terceiro ano agora e esperava terminá-la nas férias.. mas como vai ser impossível...
até o próx capítulo, breve ou não! ;]

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