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21. Crime e Castigo


Fic: Harry Potter e o Segredo de Corvinal


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Talvez fosse castigo por ter sido tão intransigente durante a sua vida. Afinal, não poderia achar, nem que quisesse muito e procurasse em todo o planeta, alguém mais perdido, frágil e desprovido de senso de autopreservação. E justo esta pessoa se tornara a sua noiva.

Devia ser alguma espécie de piada moral. Logo ele, Zacharias Smith, que não perdoava um erro, um deslize - cuja língua ferina era capaz de fazer o mais confiante dos homens hesitar - agora era obrigado a ser uma espécie de guardião para essa mulher trouxa. Ele não queria ser o herói de nenhuma mulher, que droga! Ninguém tinha menos talento ou paciência para isso do que ele.

Mas não, ele tinha que salvar a “pobre donzela” naquele dia em Hogsmeade!

- Eles o quê? – Viu-se fazendo a pergunta retórica para a moça sentada a sua frente, em uma mesa na Dedosdemel.

Zacharias tinha ouvido e entendido perfeitamente o que Luíza havia dito. Apenas queria um canal para extravasar sua incredulidade e impaciência, ao mesmo tempo em que esperava que sua rispidez a fizesse cair em si.

- Elas simplesmente devem estar ocupadas... – Ela deu de ombros nervosamente. – O lugar está cheio mesmo.

- Você não acredita nisso. – Declarou secamente. – Chegou dez minutos antes que eu e ainda não foi atendida, apesar de tentar chamar a atenção das garçonetes, que a ignoraram ostensivamente.

Luíza engoliu em seco e seu olhar se turvou. As palavras continham uma verdade crua que a moça compreendeu de imediato. Era evidente que ela estava tentando ignorar esta mesma verdade, empurrando-a para o fundo de sua mente e enganando a si mesma para não se magoar. No entanto, ele havia dado um golpe certeiro com suas palavras, fazendo desmoronar o castelo de ilusões.

Zacharias tinha se acostumado a dizer o que pensava, sem se importar em magoar as pessoas – isso era apenas um detalhe desconfortável, um momento a ser suportado por um bem maior. Dizia o que achava que as pessoas deviam saber, o que era melhor para elas, e ponto final. E fazia tanto tempo que ele tinha aceitado essa forma de agir como sendo de sua natureza, que se surpreendeu quando a mágoa no olhar da brasileira o atingiu tão profundamente. Ele estava se sentindo mais do que culpado ou envergonhado. Ele sentia a dor junto com ela.

“Oh, droga!”, ele pensou, esforçando-se em manter a frieza.

- Vá até o gerente e exija ser atendida. – Comandou, evitando o seu olhar enquanto abria um exemplar do Profeta Diário e fingia interesse nele.

- Como é? Por quê? – Mais do que confusa, ela estava em pânico.

- Porque eu não ligo de estar noivo de uma trouxa – ele declarou friamente - mas ficaria profundamente irritado se dissessem por aí que minha noiva tem sangue de barata.

Alguns segundos de silêncio se passaram enquanto ele esperava que a moça estivesse furiosa o suficiente para suplantar a autopiedade.

- Você é a criatura mais detestável de todo o universo! – Ela declarou em um sussurro irritado. – Seria pedir demais que meu “noivo” resolvesse isso, poupando-me de um momento constrangedor, não é?

Em nenhum momento ele tirou os olhos do jornal:

- Sim, seria. Especialmente porque seu noivo sou eu. Mas pode trocar de noivo, se não estiver satisfeita.

- Eu deveria fazer isso mesmo. – Ela devolveu a ameaça.

- Vá. Até. O. Gerente. – Zacharias sibilou entre os dentes cerrados, finalmente olhando para ela, mas a moça já estava se levantando e indo até o encarregado do local.

Não sabia o que tinha dado nele, mas vira tudo vermelho quando ela disse que procuraria outro noivo. Possivelmente, porque percebera que vários bruxos que estavam sentados ali mesmo se candidatariam alegremente para o cargo. Lançou um olhar feroz para um deles, que imediatamente parou de admirar sua “noiva”.

Ele não se importava com ela, é claro! “De forma alguma”, apressou-se a repetir isso para si mesmo. Só que, uma vez obrigado a fingir, não lhe agradava que as pessoas pensassem que fosse um covarde que não defendia “seu território”. Então, um sujeito lançava olhares cobiçosos para sua noiva e ele não fazia nada? Oh, não mesmo!

Quanto às garçonetes, tinha certeza que estavam ignorando Luíza por dois motivos: inveja e preconceito. Preconceito porque Luíza era uma trouxa. No Mundo Bruxo ainda havia os que se ressentiam da presença de não-bruxos, especialmente os “sangues-puros” e os abortos, como sabia que a maioria daquelas garçonetes eram. E a inveja foi alimentada por Rita Skeeter e seus comentários venenosos no Profeta Diário. Duvidava que houvesse uma única pessoa no Mundo Bruxo que não soubesse quem Luíza era, tamanha a publicidade que a repórter tinha dado ao “romance” deles.

Observou a moça se aproximar do gerente. Viu quando ela ergueu os ombros, engoliu em seco e, parecendo estar enchendo-se de coragem, empinou o nariz e franziu o cenho em uma exata cópia da expressão de sua prima Ana quando se zangava. O tempo todo ele fingia estar lendo o jornal, com o exemplar aberto diante de si, mas mantendo-o estrategicamente em um ângulo de onde poderia “espiar” sem ser descoberto.

Estava apreensivo, por mais que tentasse não ficar, não dar importância. Com que diabos, não conseguia parar de pensar que se aquele gerente ferisse os sentimentos de Luíza... Apertaria o pescoço dele até que ficasse azul! Em reflexo de seus pensamentos, seus dedos apertaram com tanta força o jornal que o papel se rasgou debaixo de seus polegares.

Por fim, o gerente ficou muito vermelho e nervoso quando Luíza terminou de falar. Ficou ainda pior depois que seu olhar cruzou o de Zacharias, que não disfarçou o brilho perigoso em seus olhos, por cima do jornal. Mais alguns segundos de gestos obsequiosos e apologéticos, seguidos de sorrisos de toda a amabilidade, o homenzinho chamou uma das moças que minutos antes fingiam não ter visto Luíza. Zacharias quase sentiu pena da moça. Quase. Era evidente que ela e suas colegas estavam em apuros. Bem feito.

Luíza retornou, triunfante. Mais rápido do que ele poderia dizer “accio”, a garçonete apareceu atrás dela com o pedido. Zacharias tratou de dobrar e esconder o jornal antes que a moça percebesse o rasgo que a pressão de seus dedos tinha feito nele. Não queria que ela soubesse que estava observando-a e, pior ainda, preocupando-se com ela.

Assim que a garçonete se foi, ele perguntou:

- Como se sente agora?

Não foi preciso explicasse do que estava falando. Luíza entendeu-o perfeitamente, como demonstrou a forma como ela levantou lentamente o rosto e o encarou enquanto um sorriso tímido, mas satisfeito, ia crescendo em sua face:

- Ótima. – Ela respondeu simplesmente.

- Foi o que eu pensei. – Zacharias comentou, devolvendo o sorriso.

Então, ele limpou a garganta e fingiu estar muito interessado na comida à frente dele. Teria sido impressão ou ela o olhou com algo próximo à gratidão e respeito? De repente, havia um enorme vazio em seu estômago, como se um precipício estivesse justamente lá. Não sabia se era bom ou se era ruim, só que era... Desconhecido. E lhe dava medo.

***

Myra havia adiado o máximo possível o momento de ir até a Inglaterra com Fernando. Até que chegou um ponto em que não conseguiu mais conter a enérgica decisão do seu namorado em conhecer o irmão dela.

Myron Wagtail, o vocalista da banda bruxa “As Esquisitonas”. Que Morgana a protegesse! Nada de bom poderia sair disso, especialmente porque Nando era completamente alheio à existência de bruxos. Bruxos... Como ela mesma.

Nando nem mesmo se importou pelo fato de ser dezembro, mês em que sua própria banda – La Mancha e os Moinhos de Vento – mais tinha possibilidade de fechar contratos. Quando Myra adiou pela quarta vez a viagem deles, teve a brilhante idéia de dar uma desculpa em que só estaria livre no fim do ano, contando que ele não iria poder ir nessa época. Para sua surpresa, Nando desmarcou os próprios compromissos e anunciou que iria com ela! Myra ficou sem saída.

- Tenho certeza que deveríamos visitar primeiro sua prima Ana. – Ela argumentou, assim que saíram da casa que havia alugado aos arredores de Londres, fingindo que aquela era onde morava. A sua verdadeira casa era em uma vizinhança bruxa, mas não poderia nem sonhar levar Nando ali. – Faz muito tempo que não a vê e, além disso, não conheceu a filhinha dela ainda.

- Hum... É, acho que tem razão. – Nando concordou pensativamente. – Ainda assim...

- O quê? – Perguntou alarmada, pois via que ele estava coçando o queixo, e aprendera que isso não era bom sinal.

- Não sei, eu... – Suspirou. – Myra, às vezes eu tenho a impressão que está me escondendo alguma coisa. E também que não quer me apresentar seu irmão. Ou seria as duas coisas a mesma? Está escondendo seu irmão de mim?

- Não! – Ela apressou-se a negar enfaticamente, mas em seguida confessou: - Não, é que... Na verdade... Bem, meu irmão é um pouco excêntrico. – Ela mordeu os lábios, esperando que “excêntrico” fosse só o que o namorado achasse de estranho em Myron.

Ele riu:

- E isso vem de alguém que pinta os cabelos de cor lavanda!

Ora, ela não pintava o cabelo. Era uma metamorfomaga, mas não tinha como corrigi-lo sem ter que explicar o que era uma metamorfomaga; não tinha como explicar sem dizer que era uma bruxa e... Bem, estava fora de cogitação.

- Deve ter razão, eu suponho... – Ela engoliu em seco, tentando sorrir. – Se quiser, podemos pegar um... – Hesitou, pensando pela primeira vez em que meios trouxas deveria usar - ...trem. É. Um trem até a casa de campo de Myron. Tenho quase certeza que é lá que ele está com a quarta ou quinta senhora Myron Wagtail...

- Quarta ou quinta?

- É... – Myra ruborizou-se por ter que contar as trapalhadas do irmão mais velho. – Tenho quase certeza que na terceira vez que Myron se casou, ele estava bêbado e... Bem, no dia seguinte o casamento foi anulado. Não tenho bem certeza, então... Eu nunca sei qual é o “número” da esposa atual.

Myra suspirou. No fundo, tinha a impressão que o jeito maluco de seu irmão era a forma dele de procurar a felicidade. Acontece que ela duvidava que iria encontrá-la assim.

- Não, acho que você está certa. – Ele sorriu de uma forma muito bonita e Myra teve a impressão que cedia porque tinha entendido o seu desconforto em relação ao irmão. - Vamos visitar a minha prima. Podemos ir amanhã ou depois. Afinal, você já a avisou que estamos no país e... Aliás, como conseguiu? Contatar a Ana virou um dos mistérios da minha família!

- Er... Por carta. – Respondeu simplesmente.

Não que ir visitar a prima bruxa de Fernando não lhe fosse desconfortável. Afinal, ela havia levantado a suspeita de que Myra tivesse enfeitiçado o primo! Ainda sentia uma onda de indignação muito grande contra Ana Weasley, mas os meses com uma amiga em comum intercedendo – no caso, a amiga era Tonks – aplacaram-na o suficiente para ser “civilizada”. E, é claro, muito melhor ir com Fernando à casa de alguém que já estava acostumada a esconder o Mundo Bruxo dele do que... Bem, Myron era capaz de fazer um elfo doméstico trazer firewhisky para as visitas.

Enquanto caminhavam pelas calçadas repletas de trouxas, que já se agitavam no frenesi do Natal, Myra tentava imaginar o que poderia fazer para ganhar mais tempo, quando...

- Uma livraria! – Nando exclamou. – Vamos entrar? Estive torturando minha cabeça estes dias, tentando pensar em um presente para minha sobrinha, Mel, e... – Ele riu. – É tão óbvio! Acho que sei até mesmo que livro comprar.

Uma livraria. Sim, o que poderia ser mais inofensivo do que uma livraria trouxa? Assentiu para ele com um momento de cabeça.

Assim que ultrapassou a porta da loja, Myra podia jurar que sentiu um puxão. De fato, agora se lembrava que tinha um compromisso urgente a cumprir. Não se lembrava exatamente qual era, mas estava segura que era lá fora. Deu meia-volta, a cabeça vazia de tudo mais que não fosse a necessidade premente de sair da livraria.

- Querida! – Nando a puxou suavemente de volta para dentro. – Onde está indo?

- Eu... – Ela piscou várias vezes, aturdida. – Não sei.

Nando sorriu de forma condescendente e a guiou para o fundo da loja, onde estavam os livros infanto-juvenis. A necessidade inexplicável de sair dali assaltou-a novamente, mas a mão firme de Fernando a manteve caminhando através da loja.

- Deixe-me ver... Tem que estar por aqui em algum lugar... Afinal, isto é uma livraria inglesa, deve estar em algum lugar por aqui...

Myra não estava entendendo porque estava tendo aquela vontade de ir embora. Era mais forte do que ela. Se não fosse por Nando a estar segurando...

- Ah, aqui! – Nando exclamou quando seus olhos aparentemente localizaram o que estava procurando. Ele a soltou, a mão que antes estava em no braço dela foi capturar um volume da estante colorida.

Tão logo se viu livre, Myra fez um movimento de partida. Mas não antes de seus olhos verem de relance o título do livro.

- Que curioso! – Ela exclamou. De repente, foi como se as cordas que a puxavam para fora da loja se rompessem. Toda a sua atenção estava no livro que Nando segurava. – Eu conheço... – Ela ia dizer que conhecia alguém com o mesmo nome do livro, mas ele a interrompeu.

- É claro que conhece! – Ele riu. – Pelo que sei, Harry Potter foi o responsável por colocar a Inglaterra de volta no mapa. Ao menos, é o que minha sobrinha diz.

Myra ficou sem fala. Ainda que pudesse falar, não saberia ao certo se devia dizer algo. Certamente devia ser uma coincidência. Por isso olhou novamente para o livro e... Oh, Merlim, a capa! Havia o desenho de três crianças com varinhas e uma delas... Seguramente tinha uma cicatriz em forma de raio na testa!

- Vou ver se acho um vendedor. – Nando declarou pouco antes de sair da sessão de livros infanto-juvenis, que era praticamente isolada do resto da livraria.

Como... Isso não era possível! Os trouxas tinham livros sobre o “Eleito”? Sabiam sobre o “Menino-Que-Sobreviveu”? Myra sentiu-se mal e o mundo começou a girar ao redor dela.

De tão tonta, não percebeu o barulho de Aparatação ao seu lado.

- Senhorita Wagtail? – Um homem perguntou ao seu lado.

- Sim? – A sua voz soou distante para ela mesma.

- Sou Ernesto Macmillan, do Ministério da Magia. A senhora precisa vir comigo.

Antes que Myra pudesse protestar, outros dois homens com o uniforme de Aurores a seguraram pelos braços e desaparataram, levando-a com eles.

***

Smith House estava uma balbúrdia. Os convidados estavam chegando para o casamento e Luíza ainda estava se aprontando.

Ana não sabia como tinha conseguido passar pela prova dos “cem metros com barreira” que era ter que administrar um marido perdido com a roupa de gala, uma filha recém-nascida que resolvia vomitar na roupinha nova no último minuto (e ela estava uma graça de vestidinho de veludo!) e uma melhor amiga prestes a ter um ataque de nervos.

- Não posso, Ana, não posso! – Luíza sussurrou desesperadamente em seu ouvido quando Madame Malkins saiu do quarto.

Ana sentiu uma pontada de culpa. Luíza estava fazendo tudo isto por ela e por sua família. Mas não podia forçá-la a ir adiante com a farsa até o ponto de se casar com Zacharias. Se bem que ela poderia ter dito isso antes do bufê ser encomendado, dos convites serem enviados e de mais de seiscentas pessoas estarem em Smith House para assistir ao casamento!

Ia dizer justamente isso, mas tia Agatha e Madame Malkins entraram no quarto.

- Aqui está, minha querida! – Agatha dirigiu-se à Luíza. - O broche Hufflepuff. – Na palma da mão de Agatha, cintilava um broche oval dourado, com uma pedra de ônix ao centro. – E este é o cinturão nupcial do qual mais gosto. – Na outra mão, Agatha sustentava uma longa corrente de pequenos sóis de ouro, todos com pedras negras ao centro.

Como estava próxima da noiva, Ana pôde ouvir o arfar que ela emitiu, um misto de encantamento, horror e culpa.

- De fato, este cinturão é o mais adequado ao modelo do vestido. – Madame Malkins comentou. - E é o que mais se aproxima do original, também.

- Original? – Luíza perguntou.

Agatha assentiu e, com um movimento de varinha em direção ao corredor, fez com que um enorme quadro flutuasse até o quarto onde elas estavam.

- Esta – disse apontando para a pintura – é Helga Hufflepuff, no dia de seu casamento com sir Seamus Smith.

Era a imagem de uma jovem lady de cabelos loiros que lhe caíam até o quadril, como uma cascata. O vestido branco era bordado com fios dourados, sendo que o trabalhado era mais intenso na barra do vestido, e rareava à medida em que se aproximava do joelho. Nos braços, viam-se mangas duplas; a de baixo era justa e ia até o punho, trabalhado em dourado; e por cima desta outra manga se alargava a partir do cotovelo, pendendo dos braços como um sino até a altura do joelho. Do ombro até o cotovelo, o tecido era ligeiramente bufante, sendo demarcado também com um detalhe dourado no cotovelo. No peito, um desenho em “v” feito com a mesma fita dourada. Finalmente, entre o decote-princesa e o desenho em “v”, um broche; e a cintura era demarcada com um cinturão dourado com pedras preciosas.

E, sem dúvidas, era igual ao vestido que Luíza usava agora, faltando apenas o broche e o cinturão.

- Estes não são os verdadeiros, é claro. – Tia Agatha ia dizendo, referindo-se ao broche e o cinturão que já estava colocando em uma estarrecida Luíza, ajudada por Madame Malkins. – Os verdadeiros se perderam há séculos. Deste então, nós temos vários, diferentes entre si, para serem usados nos casamentos da família.

Assim que os adornos estavam postos, Agatha deu uns passos para trás para admirar o resultado:

- Ah, minha querida, você está uma perfeita noiva Smith!

- Eu... Obrigada. – Luíza disse com dificuldade. Para Ana, mais parecia que haviam colocado uma tonelada sobre os ombros da moça.

- Bem, agora que a noiva está pronta, eu vou dar uma última olhada nas coisas lá em baixo e já subo com a tiara... Oh, daí sim, você estará pronta! A tiara é tão linda! Venha, Madame, quero lhe mostrar... – A voz de tia Agatha foi sumindo à medida que Madame Malkins e ela iam se afastando no corredor.

Luíza voltou-se para Ana, continuando a frase desesperada que tinha sido interrompida pela chegada das senhoras (agora ainda mais desesperada que antes):

- Ana... Isso tudo está grande demais! Olha quanta gente! E essas jóias... Meu Deus, eu não tenho o direito de estar aqui as usando enquanto... Enquanto engano essas pessoas! E o vestido... – os olhos pousaram no retrato de Helga Hufflepuff.

- Você não está enganando ninguém, Lú. Quer dizer... Não as pessoas que importam. Zacharias sabe. Tia Agatha sabe. – Ana tentou sorrir. – E você está maravilhosa!

Luíza olhou-a, zangada:

- Eu pareço um ovo frito. – Falou referindo-se à combinação predominante de branco e amarelo. Com uma rápida olhada para baixo, acrescentou: - E com alguns pontos queimados. – Desta vez falava das pedras preciosas negras.

- Não parece não! – Ana contestou.

- Eu não me lembro de você ter sido obrigada a usar um vestido igual.

- Bem, seria um pouco difícil explicar todo esse aparato medieval para os meus parentes trouxas, não acha? – Ana pôs as mãos na cintura, impaciente. – E pelo amor de Deus, olhe-se no espelho, mulher!

Passando do discurso à ação, Ana girou o grande espelho que estava em frente à cama em direção da noiva, para que ela pudesse apreciar a própria imagem.

- Eu... Eu... – Ela piscou várias vezes, consternada. – Estou tão diferente! Não pareço comigo mesma. Quer dizer, não recordo alguma fez na minha vida ter parecido assim.

- Assim como? – Ana ergueu uma sobrancelha.

Mas a conversa foi novamente interrompida pela entrada de tia Agatha (a velhinha parecia mais entusiasmada com o casamento que a noiva).

- Aqui! A tiara! – Agatha carregava uma fina jóia em ouro forjada em um círculo. Era uma barra de metal sem grandes trabalhos elaborados que colocou cuidadosamente nos cabelos presos de Luíza. A simplicidade da tiara só fez ressaltar a beleza dos demais ornamentos e deu à noiva uma dignidade majestosa.

Madame Malkis aprumou os ombros, suspirou e disse, com um sorriso:

- Assim que a ver, seu noivo não terá dúvidas de que não há outra mulher mais bonita do que você.

Nenhuma das senhoras presentes percebeu quando Luíza, longe aparentar lisonjeio com o comentário, estremeceu. O choro de um bêbe foi ouvido e Ana pediu licença para atender a filha, que tinha estado dormindo no quarto da frente. Foi como que sincronizado, porque tia Agatha disse que, agora que a noiva estava pronta, iria avisar o funcionário do Ministério. Assim que se assegurasse que tudo estava pronto, voltaria para dizer à Luíza que poderia descer. Madame Malkins, tendo terminado seu trabalho, foi tomar seu lugar entre os convidados.

Vendo-se sozinha, Luíza deixou que um gemido baixo escapasse de seus lábios. “Nenhuma mulher mais bonita que você...”, as palavras de Madame Malkins ressoavam em sua cabeça torturantemente.

- Não posso, não posso...

Ela precisava sair dali.

***

Serenna Snape precisava tomar ar fresco urgentemente. Ainda que lá fora a temperatura pudesse ser traduzida como “um frio de doer”, já que estavam em dezembro e a neve cobria tudo. Felizmente, parara de nevar na noite anterior.

Smith House resplandecia com a decoração para o casamento. Seu lindo salão estava repleto de flores brancas como a neve que cobria o lado de fora. Queria poder ficar lá dentro, admirar as pessoas e o clima festivo que sempre a cativara nos casamentos, mas desta vez sentia-se sufocada. E o problema não era o ambiente fechado e a multidão que ele abrigava, mas a presença de uma pessoa em especial que a deixava confusa e irritada.

Sirius Black.

Desde que o resgatara no último Dia das Bruxas, tirando-o de sua prisão por trás do Véu da Morte, os dois tinham uma espécie de ligação que ela não sabia explicar. Oh, a quem queria enganar, essa ligação vinha de muito antes, quando ainda era uma menina e sonhava com lobos negros e florestas escuras... (1)

Quando não estavam brigando feito cão e gato, Sirius ficava cercando-a como um cachorrinho impaciente que não pudesse se conter. E ela bem que tentava manter a indiferença, mas aqueles olhos claros a desconcertavam, tão profundos e brilhantes!

Serenna balançou a cabeça, tentando desviar-se dos pensamentos perigosos. Precisa de tempo para entender o que estava acontecendo. Nunca fora do tipo que toma decisões precipitadas, ao contrário, sempre fora a mais sensata de seus irmãos. Mas vira e mexe, lá estava Sirius Black – e ele indiscutivelmente desestabilizava a sua paz de espírito – parecendo esperar que algo mudasse de uma hora para outra, que ela se desse conta de algo... Mas o quê? Aliás, parecia que todos sabiam de algo que ela não estava sabendo, o que piorava a situação.

Eram muitas coisas com as quais tinha que se acostumar. O fato de não ser somente a filha adotiva dos Laurents, mas a irmã-gêmea seqüestrada de um bruxo inglês. O fato de ela mesma ser uma bruxa. De seu irmão ser um “personagem” de livros de fantasia, e logo um dos que tinham o humor mais difícil: Severo Snape. Arrematando tudo, que agora vivia cercada de “personagens de fantasia”.

Encostou-se em uma das paredes, suspirando casadamente. Mas logo se forçou a manter uma expressão neutra, porque estava na entrada e ainda havia convidados chegando. De fato, duas mulheres, uma de meia-idade e outra idosa subiam as escadas naquele momento. Pararam subitamente no segundo degrau e olharam espantadas para cima. Intrigada, Serenna girou e ergueu a cabeça o máximo que pode, já que estava bem rente à parede, para enxergar as janelas dos andares superiores, que era para onde as mulheres pareciam estar olhando.

Assim que focalizou o que estava acontecendo, teve que sufocar um grito, tampando a boca com as duas mãos. Luíza, a noiva, estava do lado de fora da janela, com vestido branco e tudo, equilibrando-se precariamente entre as telhas da varanda que existia abaixo da janela de um dos quartos.

- Eu bem que deveria imaginar. – A voz da mulher idosa soou desaprovadora e fatídica, após a surpresa ter sumido de seu rosto. – Nem casou, e Zacharias já conseguiu fazer a própria noiva fugir!

A outra senhora concordou silenciosamente, a cabeça balançando em negativa desdenhosa. Serenna deixou o olhar chocado pairar sobre as duas senhoras por segundos, aos poucos tomando consciência de duas coisas urgentes: tinha que tirar Luíza de lá (o que ela estava fazendo, por Deus?), e precisava impedir que a notícia se espalhasse ou a moça iria se sentir ainda pior quando recuperasse o juízo.

- Não! É que... – Engoliu em seco, vasculhando uma desculpa desesperadamente. – É uma tradição brasileira. A noiva sobe em um lugar bem alto para... Para demonstrar que seu olhar está em novos horizontes!

“Nossa”, Serenna fechou os olhos. Se houvesse um prêmio para a “Pior Mentira do Século”, ela ganharia com certeza. Ela costumava ser boa no pensamento rápido, como precisava ser alguém que cresceu entre as traquinagens dos filhos dos Laurents. Poderia ter arranjado algo melhor, se as circunstâncias não a tivessem pegado tão desprevenida, filosofando a respeito de Sirius Black.

- Tradição? – O motivo de seu constante estado meditativo materializou-se à suas costas. – Que tradição?

- O que está fazendo aqui? – Ela levou um susto.

- Ora, fui convidado, como você.

- Quis dizer aqui fora. – Ela falou rapidamente, temendo não dar conta de tantos desdobramentos em uma situação já urgente.

- Estava sem graça lá dentro sem você. – Ele deu ombros e sorriu inocentemente, mas o efeito era sedutor demais para não ser percebido. – E que história é essa de tradição... – Ele olhou para cima. – Ai, Merlim! – Sirius chegou a dar um pulo com o susto de ver uma noiva no telhado.

- É uma tradição brasileira. – A velhinha disse, a boca torta de descrença.

- É mesmo? – Ele desviou o olhar vidrado do que estava acontecendo e olhou para Serenna: - Espero que não faça isso no nosso casamento. Nada contra tradições, só contra a idéia da minha noiva dependurada no telhado, é claro.

Serenna apertou os punhos e cerrou os dentes:

- Distraia-as. – Rosnou baixinho para ele, indicando imperceptivelmente as duas mulheres. Os olhos negros de Serenna brilhavam, dando ao ex-maroto um vislumbre de todas as emoções que ela sentia.

- Distrair...? – Serenna não sabia se o tom confuso da voz dele era verdadeiro ou se estava se divertindo às suas custas, face ao sorriso torto que não deixara de exibir nem um momento.

- Isso não pode se espalhar, seria um escândalo. – Explicou à contragosto.

Dizendo isso, murmurou qualquer desculpa sobre ser uma das madrinhas, e entrou apressada, praticamente voando em direção às escadas que levavam ao quarto onde a noiva estivera se aprontando. Mas antes, pôde visualizar um leve levantar de cabeça de Sirius, acompanhado de um sorriso cúmplice que indicava que sim, iria entrar na “brincadeira”. Quando ele voltou-se para as duas mulheres e lhes exibiu o famoso sorriso, Serenna não teve dúvidas que ele iria conseguir “distraí-las”.

O que Serenna não sabia era que, enquanto esbanjava charme a fim de impedir que aquilo virasse capa do Profeta Diário, o que realmente Almofadinhas estava pensando era: “Pelo menos, ela não disse que não se casaria comigo”.

***

Ana estava voltando, com Lizzy nos braços, ao quarto onde Luíza estava se arrumando, quando viu uma ponta do véu desaparecer pela janela. O ar saiu tão depressa de seus pulmões que chegou a doer. Sequer notou que tinha gritado até que sua filha começasse a chorar por causa do grito.

Rapidamente, acomodou a bebê na cama e correu até a janela:

- Lú, mas o quê... – Debruçou-se no parapeito. – Pela varinha de Circe! Volte pra cá, mulher!

Tremendo, Luíza fez um gesto mínimo de negativa. Por sua expressão era possível perceber que estava apavorada com o que tinha feito. Na realidade, Ana não duvidava que estivesse até mesmo se perguntando como havia parado ali.

- Lú, entra antes que volte a nevar! Você não está realmente querendo se matar em uma queda ou de frio, está?

- Matar? É claro que não! – Luíza respondeu, indignada. – Eu quero é fugir desse casamento... Não posso fazer isso, Ana, não posso!

- E não podia usar a escada?

- Como, com toda aquela gente lá embaixo? Queria passar despercebida...

- Ah, é, e sair pela janela é muito discreto... – Ana resmungou.

- Pára de tirar sarro da minha cara e me ajuda a sair daqui! – Luíza reclamou. – Eu estou paralisada de medo! Não me dei conta de como era alto até chegar aqui...

Ana não perdeu tempo em aceitar a sugestão. Desaparatou e aparatou perto de Luíza, e do mesmo jeito voltou para dentro do quarto, trazendo a amiga consigo.

- Não brigue comigo. – Luíza choramingou. – Já estou bastante envergonhada por mim mesma, então, não precisa ressaltar o meu ridículo.

- Não vou dizer nada. E, quanto ao ridículo... Qualquer dia desses eu te conto com que tipo de roupa os Weasleys me viram primeiro. (2)

Serenna chegou à porta do quarto, ofegante depois de subir as escadas o mais rápido que a discrição – e o vestido de madrinha – permitiram.

- Está tudo bem? – Perguntou.

- Está sim. – Foi Ana quem respondeu. – Entre e feche a porta antes que mais alguém chegue.

- Eu vi... – Serenna disse enquanto fechava a porta - Lá em baixo... Bem, não se preocupem, o Black está contornando a situação com duas convidadas que também viram.

- Ai, meu Deus... – Luíza choramingou de novo.

- Lú... Você sabe que nunca te forçaria a fazer isso, não é? Quer dizer... Nenhum de nós o faria, mesmo...

- Mesmo sabendo que suas vidas estão em perigo? – Luíza completou, mais calma. E depois, para Serenna: - Seu irmão... O Professor Snape, ainda acha que há uma maldição, não é? E pelo que eu li sobre Severo Snape, ele dificilmente erra.

- É, mas não diga isso a ele, ou vai ficar ainda mais convencido do que já é. – Serenna tentou brincar.

Luíza suspirou, desgostosa consigo mesma:

- Desculpem, não sei o que deu em mim... Por um momento esqueci o porquê de estar fazendo tudo isso. Meu Deus, os bebês são a principal preocupação, como pude esquecer-me disto?

- Se fosse só por minha causa eu nunca pediria... – Ana tentou falar novamente, mas a amiga a interrompeu novamente.

- Mas você teme pela Lizzy. – Luíza sorriu. – E pelas crianças. Como por suas cunhadas. Não tem que se justificar, Ana, eu é que não poderia viver com a culpa de ter abandonado vocês. Acho que surtei com a pressão... Sei lá, de repente uma nova faceta do meu “já muito confuso cérebro”.

As três brasileiras ficaram em silêncio por alguns segundos constrangedores, até que Luíza comentou, irônica:

- Ao menos, Zacharias me agradeceria.

- Duvido muito, considerando-se a punição que receberia do Ministério. – Ana contestou. – Oh, meu Deus, Zach não te disse, não é? – Ela arregalou os olhos.

- Que punição é essa? O que é tão grave?

Ana hesitou por alguns segundos antes de revelar:

- A varinha de Zacharias seria confiscada e destruída. Sem varinha, ele não teria como fazer magia, o que corresponde para os bruxos a viver como um pária.

- Tudo isso porque foi largado no altar?

- Severo me disse que o ato de se confiar a um não-bruxo o segredo de nossa existência é muito... sério. – Foi Serenna quem respondeu dessa vez. - Quando Zacharias disse que você estava andando entre nós bruxos, plenamente consciente de que não somos histórias para crianças, porque estavam noivos... Bem, perante as regras bruxas foi como se ele assumisse a imutabilidade da decisão de se casar com você.

- Então ele sabia que teria que se casar comigo desde o começo?

- Provavelmente, ele não esperava que Rita Skeeter tornasse o falso noivado de conhecimento público. – Ana ponderou. – No entanto, a aparição dela em Hogsmeade naquele dia modificou tudo. Todos nós esperávamos que esta situação se resolvesse antes do Ministério dar por escoado o tempo de Zacharias, mas...

- Bruxos não podem fazer mágica sem varinha? Nenhumazinha?

- Os bruxos normais não. Ao menos, propositalmente. Crianças bruxas costumam fazer mágicas sem varinha quando a magia está despertando, mas sempre em situações de descontrole. Em adultos, isto raramente acontece e também é sob algum tipo de estresse. Fora estes casos, apenas bruxos muito, muito poderosos mesmo conseguem e, é claro, esses bruxos são raríssimos. Para falar a verdade, nos últimos cem anos só me lembro de Dumbledore. (3)

- Banimento! Isso torna tudo muito mais... Horrível. Como se não fosse suficiente que... – Luíza sussurrou, mas se interrompeu, balançando a cabeça.

As outras duas mulheres se aproximaram solidariamente de Luíza e a abraçaram, muito distantes de imaginar o que realmente se passava na cabeça dela quando interrompera a frase.

***

Harry estava sentado ao lado de Gina nos assentos que haviam sido colocados em frente ao tablado onde os noivos trocariam os votos. Joanne balbuciava algo no colo de Harry, enquanto Lyan parecia muito entretido ao desvendar as dobras de um dos enfeites em forma de flor da cadeira.

O burburinho era grande e as pessoas começavam a comentar a demora da noiva. Ele também sentia apreensão, mas pelo que Zacharias e Luíza seriam obrigados a fazer, ao extremo que haviam chegado para proteger seus segredos e, quem sabe, a vida das pessoas de sua família.

Não havia alternativa, é verdade. As discussões em torno do problema duraram dias, em reuniões inacabáveis, para que, no final, a Ordem chegasse à conclusão que a proposição de Zacharias estava correta: o casamento era a saída menos “danosa”.

As pessoas ao redor dele levantaram-se subitamente e com alguns segundos de atraso, Harry entendeu o porquê. A noiva acabara de cruzar a entrada, precedida das damas de honra, e agora se dirigia lentamente para onde Zacharias aguardava, de pé.

Harry ergueu-se com Joanne no colo e ao ver a noiva os olhos da menina arregalaram-se de contentamento e ela bateu palmas, como se a razão da indumentária nupcial fosse regalar-lhe os sentidos. Sorriu diante da reação da filha e teve que admitir que todos naquela sala pareciam estupefatos com a aparência de Luíza. Inclusive... O noivo!

Zacharias olhava boquiaberto enquanto Luíza avançava com timidez e agraciando os convidados com pequenos sorrisos nervosos. Não olhava para Smith e Harry tinha a impressão que era proposital.

- O que eles estão dizendo? – Ouviu Jorge, sentado uma fila atrás, perguntar aos sussurros.

Ao voltar-se para o cunhado, percebeu que Fred, sentado ao lado do irmão gêmeo, sustentava uma das extremidades de uma “orelha extensível” contra o ouvido direito. Incrédulo, Harry seguiu o fio do aparelho bruxo inventado pelos cunhados ainda na adolescência. Não demorou muito para perceber que eles estavam bisbilhotando a conversa de Zacharias com o tio dele, Caius, um senhor tão idoso quanto Dumbledore seria se estivesse vivo.

- O velho Caius disse: - Fred respondeu sussurrando também. – “Esqueça o que eu disse a pouco sobre os benefícios da solteirice, rapaz. Se eu fosse trinta anos mais jovem...” – Então, Fred interrompeu-se e riu.

- O que foi? – Jorge indagou, curioso.

- Zacharias o cortou: “Se fosse trinta anos mais jovem ainda seria um velho”.

- Hum... – Jorge coçou o queixo. – Isso está me soando a ciúmes. Acho que ganhei a aposta.

- Não mesmo! – Protestou o irmão. – Não quer dizer nada, afinal, Zacharias sempre foi azedo assim.

- Que aposta? – Harry não se conteve.

- Parem já com isso! – Sentada na fila atrás dos gêmeos, a senhora Weasley praticamente arrancou as orelhas extensíveis de Fred, o que o fez se encolher de dor quando o fio ricocheteou em sua nuca. – Parem de se comportar como se ainda tivesse dezessete anos!

Uma vez que Fred e Jorge se viram obrigados a manter a compostura – e o silêncio – diante da repreensão da mãe e do olhar de “não me faça passar vergonha” de suas respectivas esposas, estas sentadas cada uma ao lado de seu marido, Harry não teve sua curiosidade satisfeita.

Ainda bem que Hermione estava sentada a sua esquerda. E Hermione sabia de tudo.

A ex-grifinória ainda mantinha erguida uma sobrancelha em direção aos gêmeos, uma expressão tão familiar a Harry que nem precisava perguntar o que estava se passando na cabeça dela. Nem mesmo o barrigão de grávida estragava o efeito. E então, quando Hermione voltou a cabeça para frente novamente, comentou, como se soubesse que ele iria questioná-la:

- Jorge e Fred apostaram que esse casamento não será uma farsa por muito tempo. – Sorrindo, ela indicou com a cabeça os noivos. Então, sua expressão mudou de brejeira para alarmada: - Ah, não, Sirius! Sirius, filho, pare com isso! Sirius!

Escolhido como pajem, o ruivinho decidiu que a cerimônia estava aborrecida demais para valer a pena ficar quieto e começou a tentar enfiar uma das alianças pela cabeça de uma das fadinhas que enfeitavam os arranjos de flores. Indignada, a criaturinha protestava, mas o menino parecia achar isso ainda mais divertido. Hermione tentava dar o máximo de autoridade materna que sussurros podiam ter, mas de nada adiantava, especialmente com Rony tentando controlar e disfarçar as risadinhas que lhe sacudiam o corpo.

Harry ficou absorto no que a cunhada lhe disse. Manteve o olhar distraidamente nos noivos e se perguntou se eles estariam certos. Zacharias e Luíza se sentiam atraídos realmente? Se fosse verdade, toda essa loucura de casamento seria mais aceitável, afinal. Há pouco tempo, percebera que sacrifícios não deveriam ser considerados como primeira opção, e, tanto quanto sua família e amigos não gostavam que ele agisse como um mártir, também não queria que os outros agissem assim.

Os noivos repetiram os votos e, depois de conseguirem desentalar as alianças da cintura da fadinha, cada uma foi parar no dedo anular esquerdo de dos noivos.

E o que Harry se perguntava era: “E agora? O que o segredo de Corvinal nos reserva?”.

***

- - - NOTAS - - -

(1) Referência à trama de “O Paciente Inglês”, e sua continuação “Close To You”, de autoria de Regina McGonagall.

(2) Harry Potter e o Segredo de Sonserina, Capítulo 3.

(3) Ao se referir a bruxos que se lembra que podem fazer mágica sem varinha, Ana não cita Harry como sendo um deles porque ela não sabe que ele é capaz disto. Neste ponto, sigo a trama de “Harry Potter e o Retorno das Trevas”, da Sally Owens.

***

(N/A): Nem preciso dizer nada, né? Apologias nesta hora não adiantarão de nada... (Rá, aposto que neste momento tem um monte de gente correndo pro dicionário! Kkkkk!).

Quem quiser dar uma olhada no quadro de Lady Helga Hufflepuff: http://belzinha1.multiply.com/photos/album/12/Vestido_de_Helga_Huffepuff?replies_read=1

Assim... Agora o negócio vai esquentar (em todos os sentidos). Menores de idade, por favor, o conteúdo de violência e sensualidade que vai ter do próximo capítulo em diante é inapropriado para vocês, por isso, parem de ler... BRINCADEIRINHA! Kkkkk.

Não, sério. Vai ter muita adrenalina neste Natal de 2007 (é, ainda estamos no natal de 2007), muito romance (ó, sério? E o que tinha antes, então?) e um personagem precisando de um advogado (quem acha que é a Myra, acertou, kkkkk!).

Os fãs de carteirinha das As Esquisitonas (The Weird Sisters), preparem seus bloquinhos de autógrafos (ouvi dizer que o Novos Marotos já estão fazendo isso).

E apertem os cintos, porque no próximo capítulo também vamos ter cenas em alta velocidade! Ah, e quem ainda não tem idade para tirar carteira de motorista vai ter que ficar em casa... BRINCADEIRINHA DE NOVO! Kkkkk!

Espero que tenham descansado com a calmaria até aqui, porque a coisa vai ficar agitada daqui em diante!

Um abraço bem apertado para todos vocês e... FELIZ DIA DA CRIANÇA! Para os “baixinhos” e para gente como eu que, apesar de já ter atingido a maioridade há muito tempo (hã... pensando bem, não “muito” tempo, tá?), ainda mantém a criança dentro de si viva, saltitante e sapeca!

Vamos aos comentários individuais:


Regina McGonagall: Minha querida amiga, ainda vamos ter muitos resmungos entre Severo Snape e Sirius Black! Será que só uma temporada sob o sol resolve? Acho que vão ter que ser muitas! ; ) Quem ouviu a conversa? Ué, a Serenna não te contou? 8P Saudades!

Anna Voig G. Malfoy: Quem bom que você gostou do capítulo anterior. Ah, e quem disse que é só criança que gosta de danoniho? 8p Demorei (de novo) mas atualizei. Guarda a shootgun, ouviu? Pelo caldeirão de Morgana, será que eu vou ter que arranjar um passaporte falso e fugir do país por causa da “Os-Anna bin Malfoy”? kkkkk! Quanto ao seu 10 graças ao suco de limão... Menina, não agradeça à mim, mas ao Allan Poe! Kkkkk Foi dele que tirei a idéia. Você não tem idéia de como fiquei boba quando li o seu comentário (agora tô podendo, hehehe).

Ana Carol Murta: Sim, eu tinha acreditado em sua piada! *vermelha* Eu sou a maior “dãaaaaaa” nessas coisas. Pois é... Eu não consigo deixar essa minha veia romântica... Quando vejo, já estou formando um monte de casaisinhos. Mas quero dizer que Sirius/Serenna é culpa exclusiva da Regina McGonagall, que foi quem criou esta história em “Close To You”!

Priscila Louredo: Pois é, menina, agora que eu consegui até inventar uma história para redimir o Zacharias Smith... Acho que sou capaz de tudo! Vou testar essa minha teoria, peraí... *Indo até a poça d´água mais próxima* Ãaaaa... Não. Nem tudo. Não consigo andar sob as águas... kkkkk!

Guida Potter: Ficou quietinha, comportadinha, esperando o capítulo da tia Bel? Kkkkk. É, parece que as meninas gostaram da minha explicação para o Zach. Ainda bem, estava preocupada que tivesse “viajado” demais. Quanto a sua torcida para que os “Senhor e Senhora Smith” passem a viver algo real... O Jorge concorda com você (especialmente agora que ele apostou justamente isso com o Fred, kkkk).

Alessandra: Adoro receber notícias de leitores novos! Dá um beijo em sua filha por mim (nossa, que legal que ela tenha o mesmo nome de uma das minhas personagens favoritas nessa fic!). Quanto à Sally, concordo com você: tudo o que ela faz é mágico, deve ser uma bruxa mesmo! Ah, e obrigada pelo comentário... E pela paciência!

Kika: “Os elfos sempre ficam com a melhor parte”? 8)) Só você mesmo! Menina, porque você não me disse isso antes (sobre te apresentar um Smith?). Vou agora mesmo tratar de te apresentar um dos 7.234 parentes do Zacharias e da Ana! Kkkk. Olha... Tem cada gato... Digo, amasso! Kkkkk. Valeu pela fidelidade à fic durante todo esse tempo, Kika!

Deby: Boa pergunta, sobre quando o Zacharias e a Luíza vão perceber que são perfeitos um para o outro. Não sei a resposta, mas vou perguntar para o Smtih e, se eu conseguir voltar de lá viva, eu te conto! Kkkkk! Já quanto à outra pergunta, eu não posso te responder porque senão estragaria a surpresa sobre o segredo de Corvinal. ;) Menina, você nem imagina onde as crianças vão parar quando desvendarem o... Ah, quase falei demais! ;) Beijos, e inté mais!

: kkkkk! Eu lembro, o Carlinhos estava supercontrariado e não queria trocar de roupa. Mas valeu a pena esperar, ficou lindo! *suspiros*. Abração, amiga (er... tem certeza que vai dispensar o Percy? *Ai, vou me esconder antes que a Sô me bata*).

Paulo Henrique Freitas: Bem vindo ao mundos dos “Segredos dos Fundadores!” Nossa, estou até sem-graça com os elogios. Mas a variedade de dados provém de muitas pesquisas, eu não sabia de tudo isso antes, não, hehehe! Quanto as quatorze pessoas do Zodíaco... A Ana não me disse ainda! Nem sequer sussurrou! *confidencial* Mas parece que ela vai me contar no próximo capítulo. Bem, agora que você me fez revelar um “furo” para o próximo capítulo...  kkkk inté mais!

Ana Rita: Querida chará da Ana! Aqui está o novo capítulo. Belzinha tarda mas não falha!

Kys: Ah, desculpe, mas não consegui fazer o coraçãozinho da sua assinatura! Daí, ficou só “Krys”, mesmo...  Então, aqui está o capítulo, então, não preciso me preocupar com ninguém me acertando com um tiro de bazuca, certo? *Belzinha com um pé atrás, pronta pra fugir...* kkkkk. Inté mais, querida!

Rafaela Porto: Ah, então você quer arrumar um “parzinho” para o Snape? Hum... Que interessante. Então isso quer dizer que não se importa em ser candidata ao cargo de Sra. Ranhoso? [Ploc!] Ué, cadê a Rafaela? Aparatou? Kkkkkkk! Brincadeirinha, obrigada por estar acompanhando. Beijinhos!

Naty L. Potter: Sério, Naty? *Arregalando os olhos*. Nossa, mas eu não mereço isso tudo não! Foi você, né, danadinha? Tsi-tsi-tsi. O que as amigas não fazem pela gente... Valeu!

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