Capítulo 13 – O Fim da Pedra
“Rony”, ouvi a voz suave de Hermione e, com esforço, abri os olhos. Vi-a toda embaçada, mas, aos poucos, minha visão começou a focar, “Rony, você está bem?”, os olhos castanhos estavam arregalados de preocupação.
“Est...”, tentei mover minha cabeça, mas a dor foi tanta que soltei um gemido, “Não”, respondi, finalmente. Fechei os olhos, respirando fundo, “Onde está o Harry?”
“Ele foi atrás de Snape”, Hermione murmurou, “Temos que ir para o corujal mandar uma carta para o Dumbledore. Você acha que pode caminhar?”, ela perguntou, e quando senti suas mãos tocaram, levemente, o lado da minha cabeça que tinha sido golpeado pela Rainha Branca, estremeci, soltando um gemido.
“Não aperta, está doendo!”, choraminguei.
“Você acha que pode andar?”, ela perguntou, novamente.
“Acho que sim”, soltei um gemido, enquanto ela me ajudava a sentar, “Nossa, a minha cabeça dói”, resmunguei.
Hermione me analisou, os olhos cheios de preocupação. Colocou-se de pé e estendeu a mão para mim. Peguei-a e, com a sua ajuda, coloquei-me de pé. Fiquei tonto, mas antes que eu voltasse a cair no chão, os braços de Hermione envolveram a minha cintura.
Era estranho, porque eu era pelo menos dez centímetros mais alto e a dificuldade que ela teve para me manter em pé era óbvia.
“Vamos ter que voltar devagar”, informei, apoiando-me em uma das paredes, tirando meu peso de cima dela, “E não tenho certeza de como faremos para passar pelo alçapão e por Fofo”, ofeguei, enquanto caminhávamos lado a lado, Hermione mantendo uma mão nas minhas costas, por precaução.
“As vassouras”, ela disse, enquanto abria a porta que dava acesso à câmara com as chaves voadoras, “Você acha que pode voar?”
“Hermione, eu não consigo nem andar direito”, murmurei, apoiando-me à maçaneta para passar pela porta, “Voar está fora de cogitação. Faça o seguinte: eu vou ficar aqui, sentado, te esperando. Vá até o corujal, mande a carta e peça ajuda. Depois, venha me buscar”, comecei a escorregar em direção ao chão, mas a mão firme dela segurou meus ombros.
“Rony, não, eu levo você”, disse, pegando uma das vassouras que tínhamos deixado no chão.
Observei-a por alguns segundos.
“Acho que estou mais seguro andando”, falei, finalmente.
Ela me lançou um olhar veemente.
“Vamos, não posso te deixar aqui com esse machucado na cabeça”, disse, em tom decidido, enquanto montava na vassoura, e gesticulou para que eu montasse atrás dela.
Montei e, incerto, envolvi a cintura dela. Entendam que, quando você tem onze anos, tocar meninas não é a coisa mais legal do universo. Mas estar com o lado esquerdo da sua cabeça latejando também não era muito divertido. Então, que escolha eu tinha?
Hermione deu impulso e começou a voar pela câmara, passou pela porta, puxou sua varinha e murmurou o feitiço do fogo azul, enquanto passávamos pelo Visgo do Diabo e, agarrei-me a ela, encostando minha cabeça dolorida em seu ombro, enquanto ela inclinava a vassoura para que conseguíssemos passar pela entrada do alçapão. Quando surgimos, montados em uma vassoura, Fofo nos encarou com os três pares de olhos, surpreso, mas antes que ele sequer desse o primeiro latido, Hermione passou pela porta que tínhamos deixado aberta e pousou.
“Não foi tão ruim assim, foi?”, ela perguntou, analisando-me, cuidadosamente, como se tivesse medo que eu fosse desmaiar bem perante os seus olhos.
O que, vocês sabem, poderia acontecer, afinal eu tinha um rombo na minha cabeça pelo qual provavelmente daria para ver o meu cérebro.
“Vamos para o corujal”, falei, evitando rodeios, “Rápido”, acrescentei, começando a me perguntar, desejoso, como era quando minha cabeça não latejava como se tivesse algo martelando ritmadamente dentro dela.
“Certo”, Hermione aquiesceu e, rapidamente, começamos a subir as escadas que davam acesso ao alto da torre. Subir os degraus exigia muito mais controle do que andar, porque os movimentos provocados pelo subir e descer dos meus pés faziam com que minha visão embaçasse.
Quando finalmente alcançamos a entrada, encostei-me contra a parede e escorreguei, até ficar completamente sentado, amparando minha cabeça com as mãos, respirando fundo e tentando ignorar as pontadas, enquanto Hermione riscava um pergaminho com uma das penas que ficavam no corujal. Quando finalmente terminou de escrever, atou o pergaminho ao pé de uma das corujas da Torre e deu o endereço ‘Ministério de Magia’ e voltou-se na minha direção.
“Rony...?”
“Estou bem”, interrompi-a, colocando-me de pé, quando minha visão embaçou um pouco mais, relutei, “Não posso ficar aqui?”, perguntei, entre um gemido e um choramingo.
“Vamos, eu vou te levar para a Ala Hospitalar”, ela disse, me amparando, “A Madame Pomfrey vai te dar alguma coisa”, naquele momento, se oferecessem me decapitar eu aceitaria – qualquer coisa para fazer aquela dor de cabeça horrorosa desaparecer, “Nós podemos ir devagar”, ela disse, enquanto começávamos a descer as escadas.
Aquiesci, respirando fundo, e tentando sincronizar o meu ritmo com o dela.
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Hermione e eu tínhamos finalmente alcançado o corredor que dava acesso à Ala Hospitalar quando ouvimos passos às nossas costas. Embora eu estivesse com dificuldade de me manter consciente, ambos voltamo-nos para ver quem era.
Alvo Dumbledore caminhava na nossa direção, uma expressão determinada no rosto.
“Professor”, Hermione disse, trêmula sob o peso do meu corpo, “Professor, o Harry...”
“Harry foi atrás dele, não foi?”, Dumbledore perguntou, seus olhos azuis fixos em nós.
Hermione aquiesceu, o homem seguiu seu caminho.
“Essas corujas... chegam... rápido”, murmurei, antes de desabar em cima de Hermione.
E, de novo, só tinha escuridão.
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Quando acordei, dessa vez, estava confortavelmente deitado em uma cama macia, envolto por um lençol branco e a luz do sol entrava por uma janela aberta. Quando olhei para o lado, vi Hermione sentada, lendo um livro.
“Quando é que você vai deixar de ser tão anormal?”, perguntei, minha voz rouca, percebendo, então, o quão seca minha boca estava.
Hermione fechou o livro e, ao invés de fazer uma careta, como de costume, se aproximou da minha cama, sorrindo.
“Você acordou!”, exclamou, “Fiquei tão preocupada quando você desmaiou, achei que fosse culpa minha, você sabe...”
“Você não fez nada”, interrompi-a, começando a sentir minha cabeça latejar, “Onde...”, hesitei, sentindo minha garganta apertar, “Onde está Harry?”
Hermione sorriu e apontou para uma cama ao lado da minha. Com um gemido, inclinei-me e vi-o deitado, os olhos fechados, como se tivesse dormido.
“Dumbledore salvou-o”, ela explicou, deixando o livro no meu criado-mudo.
Voltei a depositar minha cabeça no travesseiro e fitei o teto.
“Obrigado por ter me trazido”, falei, finalmente.
“Obrigada por ter se sacrificado”, ela disse, suavemente, enquanto pegava um frasco de poção e agitava-o entre os dedos, “Agora, vamos, Madame Pomfrey apenas permitiu que eu ficasse aqui se ajudasse-a com seu medicamento”, abriu o frasco e entregou-o para mim.
“Isso cheira a bosta de dragão”, resmunguei, enojado.
“É isso ou viver com seu crânio rachado”, ela murmurou, distraída, voltando a abrir o livro, “Por falar nisso, seus irmãos tentaram entrar aqui para ver como você estava, mas depois que Madame Pomfrey viu que eles estavam segurando tampas de privadas, expulsou-os. Francamente, seus irmãos sabem o que a palavra regra significa?”, perguntou, pensativa, virando a página do livro.
Revirei os olhos.
Sabe, era de se esperar que ela aprendesse alguma coisa depois de tudo pelo que passamos.
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Eu tinha ficado desacordado por apenas algumas horas e, assim que minha cabeça parara de doer, Madame Pomfrey expulsou tanto Hermione quanto eu da Ala Hospitalar, já que Harry, embora fora de perigo, precisava de repouso absoluto.
“O que tinha depois do jogo de xadrez?”, perguntei, finalmente, enquanto nós dois subíamos as escadas em direção ao quadro da Mulher Gorda.
“Um jogo de lógica”, Hermione respondeu, abraçando o livro.
“Sua especialidade”, ergui as sobrancelhas.
“Bem, sim”, ela corou, antes de voltar-se para dizer a senha ao quadro.
Quando pisamos no Salão Comunal, um silêncio curioso se instalou e todos nos observaram.
“Filch nos fez devolver as tampas das privadas”, Fred disse, finalmente, levantando-se junto com Jorge e Percy para se aproximar de mim.
“Tudo bem”, dei um sorriso, “A intenção é o que vale”
Hermione murmurou algo sobre regras, de novo, mas meus irmãos ainda estavam me encarando de um jeito diferente. Como se eu não fosse só o Roniquinho, mas alguém. Um deles.
“O que vocês fizeram foi muito estúpido”, Percy se pronunciou, ajeitando o óculos, enquanto lançava um olhar veemente para Hermione e para mim, “Não deviam ter ido lá sozinhos. Tiveram sorte de não ter acontecido nada mais sério”
Fred e Jorge reviraram os olhos.
“Não liguem para o Percy. Ele só está com inveja, porque a sua história de como você quase morreu é bem mais legal do que as monótonas histórias sobre as rondas noturnas que ele faz”, Jorge balançou a cabeça, “Gina vai fazer você contar essa história pelo menos umas cinco vezes por dia”, informou, pensativo.
“Você acha que pode nos incluir na história?”, Fred perguntou, esperançoso, “É realmente humilhante quando o seu irmão caçula faz em um ano coisas mais legais do que você fez em três anos de colégio”, comentou, miserável.
Então, sorri, satisfeito.
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“Então, e se eu movimentar a minha torre?”, Hermione perguntou, mordendo o lábio inferior, pensativa, enquanto colocava o dedo indicador sobre a peça.
“Então, eu a como com o meu bispo”, respondi, apoiando meu queixo em uma das mãos, enquanto observava Hermione soltar um grunhido frustrado.
“Esse jogo é irritante”, declarou, por fim, “O que é que eu posso fazer?”
“Derrubar o seu rei e se poupar de toda essa humilhação”, falei, dando meu sorriso mais cordial.
Hermione enrugou o nariz e, então, deu um sorriso presunçoso, “E seu mexer esse meu peão aqui?”, apontou para um peão que estava na lateral do tabuleiro.
“Bom, então, eu...”, ergui as sobrancelhas, observando as peças, então, estalei a língua, “Então, você come minha torre”, resmunguei, movendo a peça para ela e colocando minha torre rabugenta do lado dos outros dois peões que Hermione conseguiu comer.
“Viu, não sou tão ruim assim”, ela disse, cruzando os braços.
“É, realmente, a minha torre coloca as sete peças suas que eu comi sob uma nova perspectiva”, comentei, irônico.
Hermione riu.
“Então, você tem uma irmã?”, ela perguntou, enquanto eu mexia minha rainha, encurralando seu cavalo, “Qual o nome dela?”
“Gina”, respondi, enquanto observava Hermione analisar suas peças e, com um suspiro vencido, derrubar o próprio rei, “Ela vai estudar aqui ano que vem”, acrescentei.
“Em quantos vocês são?”, ela começou a me ajudar a guardar as peças e só então percebi que nunca tinha falado com ela sobre a minha família.
“Somos em sete, sem os meus pais. Tem o Gui, ele trabalha no Egito, ele é legal e tudo, mas é muito velho... depois, tem o Carlinhos, mas eu já falei sobre ele, não falei? Depois vem o Percy...”
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Quando Harry finalmente acordou, Hermione e eu corremos para a porta da Ala Hospitalar e suplicamos, os três, para que Madame Pomfrey permitisse que nós déssemos uma olhada nele.
“Ah, muito bem”, a mulher cedeu, dando passagem para a gente, “Mas só cinco minutos”, disse, definitiva.
Entramos e Harry sorriu, contente em nos ver.
“Ah, Harry, nós estávamos certos que você ia... Dumbledore estava tão preocupado...”, ela mordeu o lábio inferior, consternada.
“A escola inteira não fala em outra coisa”, falei, tentando disfarçar o clima, “Mas, no duro, o que foi que aconteceu?”
Àquele ponto, Hermione e eu já sabíamos que não tinha sido Snape quem havia ido atrás da Pedra – e, graças ao fato óbvio de que apenas um professor sumira misteriosamente, já havíamos concluído que quem tinha sido o semi-raptor da Pedra era ninguém menos que Quirrell -, mas fora isso, Dumbledore se negara a dar qualquer outro detalhe.
“Foi... estranho”, Harry deu de ombros, “Fiquei surpreso ao ver que era Quirrell, e não Snape, quem estava lá. E ele tinha Vol... Você-Sabe-Quem, atrás de sua cabeça”, apontou para o ponto onde seus cabelos escuros se arrepiavam, “Foi horripilante. Você-Sabe-Quem... quero dizer, Quirrell... tentou me pegar, mas eu tenho alguma coisa em mim que... que o machucava profundamente, sempre que ele me tocava. Dumbledore disse que é uma magia antiga, que envolve a minha mãe”, concluiu, pensativo.
“E o que vai acontecer com a Pedra?”, Hermione perguntou.
“Oh, bem, foi destruída...”, Harry franziu o cenho.
“Então, a Pedra acabou?”, perguntei, piscando os olhos, “Flamel simplesmente vai morrer?”, sem contar que é uma grande injustiça: ao mínimo, deveríamos ter o direito de usufruir a Pedra por algum tempo, depois de evitar que ela caísse nas mãos de Você-Sabe-Quem.
“Foi o que perguntei, mas Dumbledore acha que... como foi mesmo?... que para a mente bem estruturada, a morte é a grande aventura seguinte”, Harry encolheu os ombros.
“Eu sempre disse que ele era biruta”, murmurei. Afinal de contas, não era ele quem via meias no Espelho de Ojesed?
“Então, o que aconteceu com vocês dois?”, Harry perguntou, curioso, enquanto Hermione e eu ocupamos os bancos ao lado de seu leito.
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“Será que a Madame Pomfrey não vai liberá-lo?”, perguntei, erguendo as sobrancelhas, lançando um olhar enojado à decoração verde e prata.
“Acho que sim...”, Hermione também varreu o Salão com os olhos, “Dumbledore disse que tinha pedido...”, nesse instante, Harry apareceu à porta do Salão que silenciou-se, rapidamente.
Harry ficou vermelho e caminhou, de cabeça baixa, na nossa direção, sentando-se entre nós dois, enquanto os cochichos começaram a tomar conta do ar. Sorrimos para ele, mas antes que pudéssemos falar qualquer coisa, Dumbledore colocou-se de pé, para dar inicial ao banquete.
“Mais um ano que passou!”, exclamou, seus olhos varrendo todas as mesas, “E preciso incomodar vocês com a falação asmática de um velho antes de cairmos de boca nesse delicioso banquete”, minha barriga soltou uma lamúria, “E que ano tivemos! Espero que suas cabeças estejam um pouquinho menos ocas do que antes... vocês têm o verão inteiro para esvaziá-las muito bem, antes do próximo ano letivo”
“Agora, pelo que entendi, a Taça das Casas deve ser entregue e a contagem de pontos é a seguinte: em quarto lugar, Grifinória, com trezentos e doze pontos; em terceiro, Lufa-lufa, com trezentos e cinqüenta e dois pontos; Corvinal, com quatrocentos e vinte e seis pontos; e Sonserina com quatrocentos e setenta e dois pontos”, mãos começaram a bater no tampo da mesa, e os sonserinos bramiram.
Insuportável. De verdade, se eu estivesse comendo, teria vomitado.
Em cima deles, de preferência.
“Sim, senhores, Sonserina está de parabéns. No entanto, temos de levar em consideração em os recentes acontecimentos”, as palavras de Dumbledore ecoaram pelo Salão completamente silencioso, “Tenho alguns pontos de última hora para conferir. Vejamos”, os olhos dele viajaram pela nossa mesa, até encontrar nós três, “Sim... Primeiro: ao senhor Ronald Weasley”, começou, senti minha bochecha corar, num misto de vergonha com satisfação, “pelo melhor jogo de xadrez presenciado por Hogwarts em muitos anos, eu confiro à Grifinória cinqüenta pontos”, Fred e Jorge começaram a bater palmas, puxando os demais grifinórios e, por fim, quase todos os outros estudantes – os sonserinos tinham um olhar pouco amigável. Vi Percy sorrir para um colega, informando, orgulhoso, que era meu irmão e sorri, encabulado, enquanto Harry e Hermione batiam palmas, entusiasmados.
“Segundo”, ele prosseguiu, assim que o silêncio voltou a se estabelecer, “à senhorita Hermione Granger... pelo uso de lógica inabalável diante do fogo, concedo à Grifinória cinqüenta pontos”, Hermione também corou e escondeu o rosto nos braços, enquanto Harry e eu começamos a bater palmas, sorrindo.
Já estávamos em terceiro lugar!
“Terceiro: ao senhor Harry Potter”, todos ficaram em silêncio, “Pela frieza e excepcional coragem, concedo a Grifinória sessenta pontos”, a mesa da Grifinória explodiu, eufórica. Estávamos empatados com a Sonserina.
Dumbledore ergueu uma das mãos, e, relutantes, nos calamos.
“Existe todo o tipo de coragem”, olhava bondosamente para todos, “É preciso muita audácia para enfrentarmos os nossos inimigos, mas igual audácia para defendermos os nossos amigos. Portanto, concedo dez pontos ao senhor Neville Longbottom”, Grifinória definitivamente explodiu.
Antes de descrever como Fred e Jorge se levantaram e fizeram uma dança de vitória, que envolvia ‘acidentalmente’ jogar um pouco de purê de batata nos sonserinos mais próximos, gostaria de deixar aqui uma reflexão sobre as palavras do diretor: como, diabos, esse velho maluco pode dizer que é preciso a mesma audácia e dá só dez pontos para o Neville?
Extremamente injusto, se querem saber a minha opinião.
Quero dizer, tudo bem, eu ia quebrar a cara dele, naquela noite, mas não ia negar que o menino merecia pelo menos uns cinqüenta pontos por ter se oposto tão decididamente ao nosso ato de insanidade.
Mas, enfim, quem se importa?
Nós ganhamos!
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“Então, como vocês foram?”, Hermione perguntou, apontando para o papel em nossas mãos que tinha nossas notas.
“Nada mal”, respondi, “Mas eu realmente não quero ver as suas notas. Tenho certeza que todos os seus cento e vinte por cento de aprovação vão me deixar deprimido”, expliquei, enquanto ajustava a minha mochila nas costas.
Hermione revirou os olhos.
“E você, Harry, como foi?”, perguntou, enquanto dobrava meticulosamente suas notas e guardava-as dentro de um de seus livros.
“Bem”, Harry deu de ombros, “Minhas notas foram bem parecidas com as de Rony”
Hermione voltou-se para nós, os olhos escuros fitando-nos com severidade.
“Vocês não colaram, certo?”, ergueu as sobrancelhas.
“Claro que não!”, respondi, num tom de voz ultrajado.
Hermione lançou um olhar desconfiado e voltou a caminhar.
“Ela não precisa ficar sabendo”, Harry falou, casualmente.
“Nosso segredo”, ri, enquanto voltávamos a caminhar, acompanhando-a.
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“Aqui estão os avisos”, Percy entregou um para cada um dos alunos, “Não é permitido usar magia fora da escola”, informou, enquanto entregava um para Dino, “Se o fizerem, podem ser expulsos, portanto... cuidado”, entregou o último para Neville, “Tenham boas férias”, desejou, dando seu melhor sorriso.
Não que isso fosse muito, se quer saber a minha opinião.
Terminei de jogar minhas roupas dentro da mala e tentei fechá-la, mas mal conseguia puxar o zíper.
“Talvez você devesse dobrar as roupas”, Harry sugeriu, enquanto dobrava, cuidadosamente, uma de suas calças.
“Nha”, resmunguei, bem no minuto que Fred e Jorge entravam no quarto, “Chegaram bem a tempo”, sorri, “Podem sentar na minha mala?”, pedi, enquanto jogava uma meia suja que acabara de encontrar no chão, aos meus pés, lá dentro.
Fred e Jorge sentaram em cima da mala.
“Mamãe ficará furiosa quando vir isso”, Fred comentou, enquanto tentava me ajudar com o zíper.
“Podemos assistir?”, Jorge pediu, esperançoso.
“Tanto... faz”, ofeguei, finalmente conseguindo passar o zíper, fechando a mala.
Jorge pegou o pergaminho que Percy tinha entregado para Harry e soltou um suspiro dramático.
“Isso aqui se traduz em: férias de verão enfadonhas”, explicou, “De que adianta eles ensinarem magia se não podemos usar?”, balançou a cabeça, desolado.
Soltei um grunhido, concordando.
“Eu sempre tenho a esperança de que eles se esqueçam de entregar as notas e o aviso”, Fred murmurou, “Mas nunca acontece”
Harry e eu rimos, enquanto empurrávamos nossas malas para o canto do quarto, para que os elfos-domésticos pudessem carregá-las para o trem, mais tarde.
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Descemos do trem e trocamos olhares incertos.
“Vocês precisam vir passar uns dias conosco”, falei, finalmente, “Os dois”, acrescentei para Hermione, “Vou mandar uma coruja para vocês”, prometi.
“Obrigado”, Harry sorriu, parecendo desconcertado, “Preciso ter alguma coisa por que esperar”, deu de ombros.
Enquanto caminhávamos em direção à saída, pessoas berravam despedidas para Harry.
“Continua famoso”, ri, enquanto passávamos pela parede da plataforma.
“Olha lá ele, mamãe, olha lá ele, olha!”, a voz de Gina veio, da multidão, olhei em volta e acenei, entusiasmado, até que ela continuou, “Harry Potter! Olhe, mamãe! Estou vendo...”
Minha mãe pareceu consternada.
“Fique quieta, Gina, é falta de educação apontar”, ela resmungou, por entre os dentes cerrados.
Franzi o cenho; Gina não costuma se comportar assim. Nos aproximamos delas, e mamãe sorriu para nós.
“Muito trabalho este ano?”, perguntou.
“Muito”, Harry concordou, “Obrigado pelas barrinhas de chocolate e pela suéter, senhora Weasley”, Harry agradeceu, tímido.
“Ah, de nada, querido”, minha mãe sorriu e vi, naquele exato momento, que Harry a tinha conquistado.
“Está pronto?”, uma voz grossa e sem qualquer pingo de emoção veio às nossas costas, nos voltamos para encarar um homem gorducho, de bigode e parecendo prestes a ter um ataque de nervos, seus olhos pequenos e escuros viajando para cada membro de minha família, até parar sobre Harry.
“Vocês devem ser a família de Harry!”, minha mãe exclamou, tentando ser simpática.
“Por assim dizer”, o homem resmungou, parecendo pouco à vontade com a interação, “Ande logo, menino, não temos o dia inteiro”, rosnou.
Harry aquiesceu e voltou-se para nós.
“Vejo vocês durante as férias, então”, disse, com um suspiro infeliz.
“Espero que você tenha... ahn... umas boas férias”, Hermione espiou o tio de Harry por cima de seu ombro, os olhos arregalados em choque.
“Ah, claro que sim”, e o rosto de Harry se iluminou com um sorriso maldoso que acho que ele aprendeu com meus irmãos, “Eles não sabem que não podemos fazer bruxarias em casa. Vou me divertir à beça com Duda este verão...”, rindo, se afastou.
Hermione e eu o acompanhamos com os olhos, por alguns segundos.
“Puxa, o tio dele parece...”, Hermione buscou em sua cabeça por uma palavra.
“Um pé no saco?”, sugeri, enquanto agarrava a alça da minha mala, e voltava a minha atenção para ela.
“É”, Hermione sorriu, e, então, seus olhos encontraram um casal no meio da multidão, ela acenou, “Ali estão meus pais! Então, nos falamos nas férias?”, perguntou, enquanto erguia a alça de sua mala de carrinhos.
“Claro”, sorri, e ela se afastou, acenando um ‘adeus’ para a minha família.
Carreguei minha mala e me aproximei de minha família, todos começamos a caminhar em direção ao carro de papai.
“Pobre garoto”, minha mãe murmurou, enquanto eu posicionava minha mala no porta-malas, “Aquele tio dele parece ser...”
“Um pé no saco?”, sugeri, distraído.
Fred e Jorge riram, enquanto entravam no carro.
“Ronald, olha a língua!”, minha mãe sibilou, “Mas, sim, é o que ele parece”, acrescentou, pensativa, “Talvez você devesse chamá-lo para passar um pouco do verão em casa, o coitadinho”, lançou um olhar para a multidão, como se esperasse encontrar Harry ali, chorando, desolado, carregando uma cruz, talvez.
“É, vou fazer isso”, falei, fechando o porta-malas e entrando no carro.
“Mãe, podemos chamar o Lino?”, pediu Fred.
“Por favor?”, completou Jorge.
“Depois da bagunça que vocês fizeram da última vez?”, minha mãe ajustou o cinto, enquanto meu pai dava partida no carro, “Nem morta”
“Nos comportaremos dessa vez”, Fred suplicou.
“Vocês falaram isso da última vez”, meu pai lembrou.
“É, mas não estávamos falando sério da última vez”, Jorge ergueu as sobrancelhas, “Estamos falando sério agora”, ergueu as duas mãos no ar.
“Pensaremos no assunto”, disse minha mãe, com um suspiro cansado, “Então, Rony, como foi seu primeiro ano?”, perguntou, me observando pelo espelho retrovisor.
“Ah, você sabe, nada demais... algumas lutas contra trasgos e ajudei a salvar o mundo”, dei de ombros, sorrindo quando os olhos castanhos de Gina se arregalaram, “Então, o que vamos almoçar? Estou com fome”
Continua...
N/A: Oi, gente!
Esse capítulo foi praticamente repleto de cenas extras! O que acharam dela?
E, como esperado, este foi o último capítulo da Pedra Filosofal! Não vou mais postar por um mês ou um mês e meio, mas prometo que não será tempo demais!
Sinto muito por isso, de verdade.
Respondendo aos comentários do capítulo anterior:
Pollitá: Realmente, na minha opinião, o Rony é O Melhor, mas isso já é de se esperar de mim, certo? ;D O que achou desse último capítulo? Espero que tenha gostado!!
Renata Nofal:HAUIAHIAUHA. Verdade, o Rony se preocupa bastante com a Hermione, tenho tentado deixar pistas sutis disso. Fico contente que você tenha percebido! O que achou deste capítulo?
Obrigada pelos comentários e aguardo por mais!
Um beijo a todos,
Gii. |