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2. Capitulo 2


Fic: Conde Camponês


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo II

Harry estremeceu de prazer ao sentir o corpo feminino em seus braços. Não precisava das reprimendas de Sirius para perceber que seu comportamento não tinha nada de cavalheirismo. Até mesmo um caipira como ele sabia que não era normal agarrar jovens desconhecidas e beijá-las sem o menor pudor.

Felizmente, naquele momento, não tinha nenhum interesse em bancar o cavalheiro. Sobretudo porque era óbvio que as mulheres da sociedade estavam determinadas a vê-lo como um passatempo ridículo.

Primeiro, lady Parkinson e suas odiosas carícias. E agora, essa jovem.

Só podia presumir que as mulheres de Londres consideravam uma grande façanha divertir-se com caipiras.

Mesmo assim sentiu uma inegável ponta de orgulho por ter essa linda moça em seus braços.

Mesmo a distância, tinha se encantado com sua beleza ruiva. E descobrir que ela o considerava nada mais do que um motivo de diversão, só despertava nele os mais primitivos instintos masculinos.

Totalmente compreensível.

Tão compreensível quanto o ímpeto de mordiscar os lábios macios e úmidos até eles se entreabrirem para receber sua língua atrevida.

Os lábios tinham gosto de mel, Harry pensou. Talvez ela fosse um pouco magra, mas não faltava nada nas curvas suaves dos quadris que ele pressionava.

Também não faltava nada no modo como a jovem se achegava a ele, as mãos agarrando o paletó do jeito certo para garantir a proximidade.

O que começara como uma punição pela brincadeira, rapidamente ia se tornando um jogo interessante.

Cuidando para não espantar a presa, Harry começou a sugar-lhe o lábio inferior, e ela soltou um gemido abafado. Depois, contornou-lhe a boca com a ponta da língua, saboreando-lhe o gosto como um conhecedor apreciando um bom vinho.

— Que doçura! — ele murmurou. — Qualquer homem cairia de joelhos aos seus pés.

— Milorde... — O que deveria ser um protesto terminou com um suspiro no momento em que Harry beijou-a na curva do pescoço. — Oh!

Ele sorriu, sentindo o sangue ferver nas veias.

Jamais poderia suspeitar que, ao obrigar-se com relutância a comparecer ao baile de lady Parkinson, viveria um delicioso encontro. Esperava que todos os eventos sociais lhe oferecessem o mesmo tipo de entretenimento.

A jovem amoldava-se perfeitamente ao corpo de Harry. A ondulação dos seios, o tamanho das pernas, a cintura fina tão próxima à sua crescente ereção.

E o perfume... adocicado e quente.

Era mais que suficiente para inflamar qualquer homem.

Traçando um caminho de beijos pelo pescoço e pelo ombro, Harry sentiu-a estremecer de prazer.

Ah, ela também estava gostando!

Céus, ele estava excitado, pulsando, desejando que estivessem num local mais reservado.

Quando os beijos chegaram ao suave vale entre os seios, a moça gemeu, pressionou as mãos no peito de Harry e empurrou-o.

— Por favor — ela pediu. — O senhor precisa parar.

Inebriado pelo desejo de continuar explorando os seios quase à mostra, Harry mordiscou-lhe o lóbulo da orelha.

— Ainda não.

A jovem ofegou e estremeceu de novo.

— Milorde.

— Se vamos nos casar em breve, quero assegurar-me de que somos completamente compatíveis. Seria uma infelicidade nos amarrarmos e, só depois, descobrir que não podemos... completar o acordo, por assim dizer.

— Oh! Não. Não. Não haverá como completar o acordo. Principalmente num terraço no meio de um baile.

Ela se afastou e Harry foi acometido por uma estranha sensação de perda. Deus, ela era fascinante!

Uma feiticeira, que o estava quase fazendo parecer um cafajeste, alertou-o uma voz cínica em sua mente.

Sufocando a excitação que estava lhe anuviando os sentidos, Harry pegou-a nos braços.

— A senhorita tem razão, claro. — Ignorando o grito de susto dela, ele atravessou o terraço e desceu a escada em direção ao jardim. — Um passatempo pecaminoso exige privacidade.

— O senhor é louco?

— Apenas durante a lua cheia. Não tenha medo. Meu pajem foi treinado para amarrar-me na cama, e raramente lanço espuma pela boca por mais de duas ou três horas. Dentro de alguns anos, a senhorita mal perceberá a minha loucura.

— Mal... perceberei?

— Oh, devo confessar que costumo morder os móveis e dormir no estábulo, mas as moscas nem me incomodam mais.

— O senhor está tentando fazer graça, não é?

Harry parou à sombra de um gazebo e olhou-a com eloqüente intensidade.

— A senhorita quer que eu a coloque nos meus joelhos para lhe dar umas palmadas como merece?

No silêncio perfumado do jardim, ele a ouviu prender a respiração e viu-a baixar os olhos como se estivesse realmente envergonhada.

—Admito que me comportei pessimamente. Mas havia razões...

— Como zombar do Conde Camponês?

Gina o fitou de cenho franzido.

— Não, claro que não.

— Não sou tão idiota quanto pensa.

— Nunca pensei isso do senhor.

— Quer dizer que a senhorita se aproxima de todos os cavalheiros e anuncia suas intenções de desposá-los? — Harry sorriu com ironia. — Está desesperada ou quis pregar uma deliciosa peça neste caipira?

— Eu... — Ela mordeu o lábio antes de puxar pela respiração. — Por favor, coloque-me no chão.

— Para a senhorita sair correndo e dar boas gargalhadas com as suas amigas?

— Não. Quero pedir desculpas. E explicar tudo, se estiver disposto a me ouvir.

Mesmo sem muita certeza se era uma desculpa para escapar dos braços dele, Harry colocou-a no chão. De novo, a sensação de perda.

— Muito bem. Explique-se.

Gina sentiu o corpo trêmulo. Embaraçada, alisou a saia.

Sem dúvida, ela havia se comportado muito mal. Não só se fizera de ridícula, mas também atingira os brios daquele cavalheiro que, naquele momento, fitava-a com expressão de desprezo.

Na verdade, porém, devia admitir que seu tremor tinha pouco a ver com o constrangimento e tudo a ver com os beijos ardentes e vorazes.

Gina suspirou.

O homem podia ser um camponês, mas suas habilidades deixariam com inveja qualquer libertino de Londres.

Sua pele ainda ardia com o calor dos beijos e sentia a pressão das mãos dele em seu corpo. E não podia negar uma ponta de frustração em seu íntimo.

Ela não era ingênua. Entendia o prazer de sentir as carícias do homem amado, mas corresponder aos beijos de um estranho e derreter-se nos braços dele era incompreensível e inadmissível.

Pare com isso!, ordenou a si mesma. Não era hora de divagar sobre beijos arrebatadores. Sobretudo com um conde furioso à sua frente.

— Eu... — Sua voz fraquejou, e Gina tentou de novo: — Eu não quis insultá-lo ao aproximar-me do senhor, lorde Harrington.

— Então... sabia o meu nome?

— Sabia.

O rosto moreno revelou desapontamento.

— Esse foi o motivo pelo qual se aproximou de mim?

Ela hesitou. Poderia mentir, claro. Não gostava de mentiras, mas às vezes eram necessárias para proteger os sentimentos de outra pessoa.

Entretanto o brilho inteligente nos olhos dele a prevenia de que o conde não seria enganado facilmente. E nem que aceitaria qualquer tentativa de poupar sua sensibilidade.

— Em parte, sim.

— E que parte seria essa?

Gina estremeceu. Certamente ele era... rude. Uma qualidade que ela não sabia ainda se admirava ou não.

— Não é tão fácil explicar — disse Gina sentando-se no banco ao lado do gazebo. — Não quer se sentar?

Harry olhou ao redor.

— Suponho que deva correr o risco.

— Obrigada.

Ele se sentou ao lado dela. Gina conteve um suspiro, perturbada com a 

proximidade daquele homem fascinante.

— Talvez, antes de irmos longe demais, a senhorita devesse me dizer seu nome.

— Eu sou lady Ginevra Weasley.

— Lady?

— Meu pai é o duque de Lockharte.

Por um momento, Harry ficou sério. Depois, forçou um sorriso.

— Ah, sim. Só podia ser.

Não passou despercebida a Gina a ironia na voz dele.

— Como assim?

Harry se levantou.

— Quero que me explique sua charada, senhorita.

Ela apertou nervosamente as mãos.

— Não tenho uma desculpa convincente, mas eu estava furiosa com meu pai e só queria puni-lo.

— Sendo vista com o Conde Camponês?

Colocada daquela maneira, a atitude de Gina soava egoísta, insensível e horrível.

— Sim.

— Bem, pelo menos é honesta. Uma qualidade rara aqui em Londres.

Gina pôs-se em pé também e pousou a mão no braço dele.

— Sinto muito.

Harry estremeceu, mas não fugiu ao contato.

— A senhorita não é a primeira mulher que acha divertido procurar minha atenção. Se eu fosse um homem comum, pensaria apenas que são os meus encantos masculinos que despertam tal interesse inesperado. Mas diante das circunstâncias, estou ciente de que é o fato de eu ser um pedaço de refugo no meio de tanto ouro.

— Isso é ridículo! O senhor é um conde!

Os maxilares de Harry se contraíram, como se as palavras dela o tivessem ofendido.

— Sou um simples fazendeiro, como todos fazem questão de lembrar. Ter uma dúzia de títulos jogados nos ombros não muda quem eu sou e nem me torna mais bem-vindo à sociedade. — Ele sorriu. — Tenho certeza de que seu pai a preveniu a meu respeito antes de a senhorita correr para o terraço no auge da fúria.

Gina enrubesceu.

— Eu estava mais que furiosa.

— Qual foi o motivo? Seu pai se recusou a comprar-lhe um lindo diamante? Ou será que a senhorita se encantou com uma parelha de cavalos para puxar sua carruagem dourada?

Apesar de reconhecer seu erro, Gina se aborreceu com tanta ironia. Ele a considerava fútil e mimada antes mesmo de conhecê-la. Aliás, como toda a sociedade.

— O que meu pai recusou foi concordar com um casamento por amor. Não só se recusou a aceitar, como também me incumbiu da árdua missão de salvar da falência as propriedades da família. — Ela ergueu o queixo. — Desde que as terras e as propriedades são vinculadas ao título, parece que sou o único bem que restou para ir a leilão.

— Um casamento de conveniência? — Harry esticou a mão como se pretendesse tocá-la. — Lady Gina...

Ela recuou rapidamente.

— Já pedi desculpas, milorde, e espero que me perdoe por envolvê-lo nos meus problemas ridículos. Prometo que não o incomodarei mais.

Após fazer uma mesura, Gina deu alguns passos em direção à casa. Só parou ao ouvir a voz de Harry.

— A senhorita me disse o motivo de haver se aproximado de mim no terraço — ele murmurou. — Mas não explicou por que permitiu que eu a beijasse.

Gina mordeu o lábio antes de obrigar seus pés a levarem-na dali.

Do começo ao fim, o dia tinha sido um desastre. Naquele momento, ela decidiu que passaria o dia seguinte inteiro trancada no quarto!

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Desde que chegara a Londres, era a primeira vez que Harry pulava da cama e cantarolava baixinho.

Mas cantarolar nunca fora uma boa coisa!

Principalmente depois de uma noite recheada de deliciosos sonhos envolvendo uma feiticeira ruiva com os lábios mais atraentes de toda a Inglaterra.

Como, porém, ele não era um homem prudente, permitiu que Cedrico completasse o nó ridículo da gravata. Nem tentou escapar quando o pajem foi interrompido por uma leve batida na porta.

Houve um murmúrio entre Cedrico, o criado e o som da porta, que foi fechada novamente.

— Lorde Black veio visitá-lo, milorde.

— Há esta hora?

Harry já ouvira uma dura reprimenda do amigo na noite anterior. Parecia que todos já sabiam que ele passara alguns momentos a sós com Gina, e Sirius não havia perdido tempo para lhe dizer que só mesmo um perfeito idiota faria do poderoso duque de Lockharte seu inimigo. Um conselho sábio, sem dúvida, mas que Harry não considerara naquele momento. Gina o tinha fascinado de um modo inexplicável. Seu instinto alertava-o de que ela estava fora de seu alcance, mas, mesmo assim, não conseguia afastá-la do pensamento. Não depois do beijo que haviam trocado.

— Milorde? — o pajem chamou-o, arrancando-o das divagações.

— Oh, por favor, diga-lhe... diga-lhe... — Harry colocou o anel de sinete que herdara com o pesado título. — Está bem, faça-o subir.

Cedrico saiu, deixando a porta aberta. Momentos depois, Sirius entrava no quarto.

— Ah, Harry, meu grande amigo — ele o cumprimentou com uma reverência.

Harry sorriu. Apesar das diferenças entre ambos, Sirius era um de seus amigos mais íntimos.

— Bom dia, Sirius. Posso saber o que o traz aqui a esta hora da manhã?

— Você, claro. Eu quis certificar-me pessoalmente de que não pretende cometer nenhuma tolice.

Harry ergueu uma sobrancelha.

— A qual tolice se refere? Correr nu pelo Hyde Park? Ou, horror dos horrores, andar arrastando os pés?

Sirius torceu o nariz.

— Refiro-me a não permitir que seu breve encontro com a Princesa de Gelo o conduza a águas turbulentas.

Harry contraiu os maxilares.

— Presumo que esteja se referindo a lady Gina...

— Ouça, Harry, sou o primeiro a admitir que ela é uma mulher de rara beleza e irresistível encanto. Mas também provou ser uma namoradeira insensível que passou quatro temporadas iludindo homens suscetíveis e descartando-os quando se cansa da adoração deles.

Harry refletiu por alguns momentos. Ele nunca tirava conclusões precipitadas e nem tomava decisões num piscar de olhos.

— Você a considera uma femmefatale.

Sirius confirmou com um gesto de cabeça.

— De primeira ordem.

— E acha que ela deseja ferir meu coração?

— Só se você for ingênuo a ponto de permitir. Siga meu conselho, Harry, e evite lady Gina. Há muitas debutantes ansiosas para se tornarem sua condessa e que foram educadas para garantir que a sua casa seja um paraíso de paz e conforto.

Harry não conteve um sorriso.

— Era isso que você procurava numa esposa? Paz e conforto?

Sirius apertou os olhos. Ambos sabiam que paz e conforto eram duas palavras que absolutamente não combinavam com lady Black.

— Talvez não — ele admitiu secamente. — Mas não quero vê-lo sofrendo, meu amigo.

Harry mexeu no nó da gravata.

— Se fosse verdade, você não teria contratado um pajem que parece determinado a estrangular-me.

— Harry...

— Perdoe-me, Sirius. Você sabe que sou muito agradecido por tudo que tem feito por mim.

— E ainda assim despreza os meus conselhos?

Harry deu de ombros. Ele, melhor do que ninguém, sabia que as aparências podiam ser enganadoras. Afinal, já tinha sido julgado por uma sociedade que nada sabia a seu respeito.

Independentemente da opinião de Sirius, Harry suspeitava haver mais em Gina do que apenas uma mulher sem coração.

Pelo menos, esperava que houvesse.

E existia apenas um meio de descobrir.

— Estou sempre disposto a ouvir os seus conselhos quando se tratar de etiqueta, moda e sociedade, Sirius. Afinal, estes assuntos são totalmente misteriosos para mim. Entretanto, em assuntos de política e coração, insisto em seguir meus próprios desejos.

— Mesmo que o levem ao desastre?

— A vida sem alguns riscos não vale a pena ser vivida.

— Céus, se você pretende filosofar, devo deixá-lo ao seu destino. — Sirius estremeceu. — Ainda é cedo demais para ouvir tamanha insensatez.

Ele foi até a porta e, antes de abri-la, não resistiu a um último conselho:

— Fique longe de lady Gina, meu amigo. Ela é problema na certa.

Harry sorriu. Sim, ele pretendia ficar longe de Gina. Pelo menos, naquele momento. Simplesmente por não poder visitá-la antes do horário apropriado.

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Apesar da promessa de dormir o dia inteiro, Gina acordou no dia seguinte com os primeiros raios de sol.

Não era de sua natureza passar o dia sob as cobertas em melancólico esplendor e, diante das circunstâncias, mais do que nunca, o melhor seria manter-se ocupada. Contornar os problemas só a levaria a outro desastre. E depois dos acontecimentos da noite anterior, não tinha estômago para mais desastres.

Após o desjejum, a criada ajudou-a com o vestido e prendeu-lhe o cabelo cacheado num coque. Isso terminado, Gina descobriu que não tinha nada para fazer.

Rolando entre os dedos o pingente que levava ao pescoço, percebeu que desejava alguma coisa divertida.

Sobressaltou-se com a entrada intempestiva de uma criada.

— O que aconteceu, Nina?

— Oh, por favor, lady Gina, a senhorita precisa ver!

— Ver o quê?

— Eu nunca vi tantas flores tão lindas! — Admirada, Nina apertou o rosto com as mãos. — Rosas, tulipas e as margaridas mais delicadas. A casa está quase cheia e não damos conta de atender à porta com tantos mensageiros chegando um após o outro!

O interesse de Gina evaporou-se rapidamente. Depois de quatro temporadas, já se acostumara com os ramalhetes de flores que chegavam todas as manhãs. Eram tributos mais à sua condição de filha de um duque do que aos seus encantos.

— É mesmo?

Indiferente à falta de entusiasmo, Nina continuou:

— E não apenas flores. Eu vi pelo menos meia dúzia de caixas daquele marzipã de que a senhorita tanto gosta e um leque de marfim com rendas. Ah, e também um pingente lindo com a miniatura de lorde Gremt.

Um arrepio percorreu a espinha de Gina.

Leques? Pingentes?

Até ela achou um tanto exagerado. E o motivo para o repentino rompante de admiração era um só.

— Meu pai não perdeu tempo — resmungou.

Sem dúvida, ele aproveitara sua momentânea ausência do baile para jogar a rede. Ele deveria ter agido com discrição. Certamente, toda a sociedade já sabia que o duque de Lockharte havia dispensado o aventureiro lorde Malfoy e, de novo, lady Gina encabeçava a lista dos melhores partidos de Londres.

— O que disse, milady? — a criada perguntou de cenho franzido.

— Nada de importante, Nina. — Apesar da irritação, Gina conseguiu sorrir. — Pode ir, Nina, Obrigada.

— Oh, mas...

— Sim?

— A senhorita não quer que eu a acompanhe até a sala de visitas? Seus pretendentes já estão chegando e não é delicado deixá-los esperar por muito tempo.

— Por mim, eles podem esperar até amanhã. Pretendo passar a tarde lendo.

— Mas a senhorita não pode... — A criada se calou e mordeu o lábio. — Isto é, os cavalheiros vieram visitá-la e ficarão desapontados se não puderem, pelo menos, cumprimentá-la.

De novo, o arrepio na espinha como um sinal de alerta. Nina não seria tão insistente sem uma razão poderosa e inconveniente.

— Diga à Sua Graça que eu não pretendo sair do meu quarto para ser bajulada por um bando de chacais — Gina ordenou.

Nina fez uma mesura e saiu do quarto. Gina foi até a janela que se abria para o jardim. Jamais perdoaria seu pai. Ele não tinha sentimentos. E nem percebera que seu coração ainda estava ferido.

Ela não queria a companhia de outro homem e, tampouco, escolher um para marido.

Contra sua vontade, a lembrança de um homem moreno, simpático, charmoso, voltou-lhe à mente. Com a lembrança, a constatação de que Draco não estivera em seus pensamentos quando lorde Harrington a havia tomado nos braços e beijado.

Balançou a cabeça, tentando não pensar em algo tão perigoso.

Naquele momento, precisava descobrir uma maneira de fugir da horda de candidatos a marido que a esperava na sala de visitas.

Além disso, queria ensinar ao pai que ela não seria facilmente manipulada. Endireitou os ombros, colocou um chapéu e jogou um xale nas costas.

O pai que distraísse os candidatos. Afinal, eles só estavam ali para bajular o duque.

Gina usou a saída de serviço e escapuliu para o jardim. Felizmente, a mansão era imensa e ela pôde sair sem ser notada. Pegaria sua carruagem, o cavalariço, e iria visitar o primo Alexander. Ele era a pessoa indicada para distraí-la de seus problemas.

Com passos rápidos, atravessou o roseiral que levava diretamente ao portão dos fundos. De repente, parou com a saia enroscada num galho de roseira.

— Oh, que inferno! Que porcaria de espinhos! — resmungou. — Maldição!

Nesse momento, Gina ouviu um riso abafado e olhou ao redor, desconfiada.

— Quem está aí?

Uma silhueta já familiar apareceu. Lorde Harrington.

Gina prendeu a respiração. Ele era tão... qual era mesmo a palavra? Rústico? Másculo? Viril?

Sua presença enchia o ar com uma força poderosa quase tangível. Uma força que parecia envolvê-la com arrebatadora excitação.

— O que está fazendo ai escondido? — ela perguntou.

Um surpreendente par de covinhas surgiu nas faces quando ele sorriu.

— Na verdade, estava admirando seu... vocabulário colorido. Eu não sabia que, hoje em dia, as preceptoras ensinavam esse tipo de linguagem às nobres donzelas.

Mesmo contrariada, Gina sorriu. Muitos cavalheiros fingiriam não ter ouvido suas imprecações.

— Minhas preceptoras sempre foram sérias e recatadas. Foi meu cavalariço quem me ensinou as palavras mais interessantes da língua inglesa.

— Ah! Eu devia ter imaginado. Há uma certa cadência na linguagem dos cavalariços que aprecio muito. Entretanto, se quiser aprender um vocabulário realmente espetacular, a senhorita deveria passar algum tempo com os marinheiros. Eles sabem praguejar numa dúzia de idiomas diferentes e possuem muitos gestos de mão que acrescentam um encanto especial às palavras.

— Vou me lembrar disso. Porém dificilmente terei oportunidade de conversar com um marinheiro.

— Não seja por isso, milady. Coloco-me à sua disposição para apresentar-lhe uma quantidade razoável de marinheiros. Ficarei feliz por servir a uma moça tão bonita.

— Um convite tentador, mas receio ter de decliná-lo.

— Como quiser, milady.

Gina ficou enfeitiçada pelo sorriso dele. Logo, porém, balançou a cabeça.

— O senhor ainda não me disse o que fazia aqui escondido.

Harry encolheu os ombros.

— Eu estava voltando para a minha carruagem quando ouvi seus resmungos. O seu mordomo fez restrições à minha presença e recusou meu cartão de visita.

Gina piscou, confusa.

— Philip?

— Alto, magro, nariz afilado, pele enrugada?

A descrição não deixava dúvidas. Ainda assim, não fazia sentido.

— Que absurdo! Por que ele não o receberia?

— Talvez não tenha gostado do corte do meu terno ou do brilho das minhas botas. Quem sabe ele achou que eu roubaria algum objeto de valor, ou seu pai informou-lhe que não sou bem-vindo à mansão ducal.

Embaraçada, Gina desviou o olhar. Seu pai exagerara, sem dúvida. Aquele homem era um conde de impecável linhagem, apesar do início humilde.

Acima de tudo, ele possuía um ar de decência, qualidade muito rara entre os nobres.

— Estou começando a pensar que meu pai enlouqueceu.

Harry a olhou, intrigado.

— Por quê? Por não querer a senhorita envolvida com o Conde Camponês? O duque não é o único.

— Ele nunca ligou para essas coisas antes.

— Bem, talvez Sirius esteja errado e o problema seja o meu paletó. — Abaixando-se, Harry começou a soltar a saia de Gina ainda presa nos espinhos. — Pode ser que seu pai tenha aversão a Madame Malkins.

Observando-o manusear o tecido delicado, ela avaliou as mãos bronzeadas. Seu coração disparou. Aquelas mãos eram quentes e fortes de um modo como não se encontrava entre os nobres. Gina juraria estar sentindo o delicioso prazer de suas carícias. Resistiu à vontade de abanar as faces ardentes e tratou de desviar os pensamentos.

— Isso o incomoda?

— As idiotices da sociedade?

— Ser chamado por esse título ridículo.

— Por que haveria de me incomodar? Alguns dos meus amigos mais próximos e queridos são camponeses.

— Sim, mas...

Harry ergueu a cabeça e encarou-a.

—Mas eu não deveria mencionar essas amizades vergonhosas. — Ele contraiu os maxilares. — Receio estar velho demais e acomodado demais com os meus antigos hábitos para começar a assumir ares de superioridade.

— Facilitaria sua entrada na sociedade.

Harry voltou a lidar com os espinhos.

— Talvez. Mas por mais que eu queira me adaptar às loucuras de Londres e às futilidades do mundo aristocrático, não posso mudar quem sou.

— Ou é teimoso demais para mudar.

Ele a fitou de novo e suas feições se desanuviaram com o surpreendente senso de humor de Gina.

— Touché, muirnin.

— O que significa? — ela perguntou.

— É uma palavra carinhosa. Minha mãe era irlandesa. — Tendo concluído a tarefa de livrar a saia de Gina dos espinhos, Harry levantou-se. — Já expliquei minha presença aqui. Agora é a sua vez.

— Minha vez?

Ele olhou para a mansão.

— Sei que há quase uma dúzia de homens esperando a sua presença. Por que está tentando fugir?

Gina ficou séria. Fosse o conde outra pessoa, ela jamais confessaria a verdade. Em Londres, ninguém revelava segredos de família.

— O que importa se eu aparecer ou não? Meu pai é perfeitamente competente para descobrir qual daqueles idiotas tem a maior fortuna.

Harry ergueu as sobrancelhas, contendo-se para não repreendê-la por agir como uma criança petulante.

— E a senhorita concorda que seu pai avalie seu futuro marido dessa forma?

— Se concordo? — Gina sentiu o coração apertado ao se lembrar de Draco. — Claro que não. Infelizmente, não tenho voz ativa.

— Sabe que seu pai não pode obrigá-la a se casar?

Ela cruzou os braços.

— Talvez ele não me obrigue, mas sabe que eu jamais permitiria que a minha família ou os nossos empregados e criados sofressem. Se eu devo desposar uma fortuna, é o que farei.

Harry refletiu por alguns momentos.

— Deveres de família — ele disse, por fim.

— Sim — Gina confirmou.

— Disso eu entendo. — Harry alisou um cacho de cabelo que pendia no rosto dela.

Um gesto casual, mas não havia nada de casual no frio que Gina sentiu no estômago.

— Também entendo que esses deveres podem ser quase insuportáveis — ele continuou. — Parece que temos isso em comum.

— O senhor considera sua herança um dever?

— Isso a surpreende?

— Eu diria que qualquer um ficaria surpreso.

Harry afastou a mão do rosto de Gina, e ela se conteve para não tocar a própria pele e certificar-se de que não estava queimada. Oh, aquele homem era letal!

— A senhorita pode não acreditar, mas eu estava muito satisfeito com minha vida de fazendeiro. Tinha uma casa confortável com pessoal suficiente para atender aos meus propósitos, amigos leais e a satisfação de transformar um pedaço de terra abandonado em uma propriedade produtiva. Agora, passo meus dias como um almofadinha inútil, e o mais perto que chego das minhas terras é por meio das cartas dos meus administradores.

Gina abriu a boca para protestar. Ser abençoado com um título inesperado e uma vasta fortuna absolutamente não era um dever desagradável, e sim a fantasia secreta de todos os cidadãos ingleses. Mas desistiu do protesto.

— Sim, talvez tenhamos alguma coisa em comum — ela concordou com relutância.

— Já é um começo, milady.

Começo do quê? Antes que Gina pudesse perguntar, foi surpreendida pela inconfundível voz do pai:

— Ela deve estar em algum lugar. Encontre-a e leve-a imediatamente à sala de visitas.

— Sim, Vossa Graça — respondeu o criado.

— Eu disse imediatamente. Mesmo que isso signifique levá-la arrastada pelos cabelos!

— Eu... Claro, Vossa Graça.

Gina cerrou os punhos. Não deveria ter se distraído com conversas. Agora era tarde demais.

Lorde Harrington pareceu ler seus pensamentos. Aproximando-se, sussurrou-lhe no ouvido:

— A senhorita deseja um cavaleiro com armadura reluzente?

Ela ficou tensa, mais por sentir a respiração dele em sua pele e menos pela estranha pergunta.

— Como disse?

— Minha carruagem está em frente ao portão. Posso levá-la daqui antes que a descubram.

Levá-la para longe dos candidatos, de seu pai, do criado que corria pelo jardim à sua procura? O convite era tentador demais. Mas havia inconveniências.

— Não posso ficar sozinha com o senhor na carruagem — Gina lembrou.

— Ah, é um ¹tílburi que, conforme as explicações de Sirius, não é uma carruagem fechada. Além disso, não estaremos sozinhos. Tenho um criado e o cavalariço comigo.

Ainda assim, ela hesitou.

Não que não confiasse em lorde Harrington. Tudo nele inspirava confiança. Gina não confiava nos arrepios que insistiam em percorrer-lhe a espinha.

O som de passos pesados no chão de gravetos deixou-a em pânico.

Céus, qualquer coisa era preferível ao horror de uma tarde inteira entre um grupo de nobres interesseiros.

— Eu... sim — ela murmurou antes de recuperar o juízo.

— Então, o cavaleiro de armadura reluzente vai resgatá-la, milady. — Harry suspirou e ofereceu-lhe o braço. — Por aqui, minha donzela em perigo.

N/A: Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, esse Harry é muito gostoso né? Espero que todos estejam gostando! De novo eu digo que historia maravilhosa não é minha... estou sendo caridosa e passando esse presente pra vcs! Bjs pra todos!

Arinha .

¹Tílburi é um carro de duas rodas e dois assentos (tibureiro e passageiro), sem boléia, com capota, e tirado por um só animal. Foi inventado por Gregor Tilbury, na Inglaterra, em 1818, e trazido ao Rio de Janeiro como transporte coletivo, através da França, em 1830.

Viu? Ara também é cultura! Ahuahuahuahaua...

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